Wesley, em defesa da Perfeição Cristã

 

Odilon Massolar Chaves

 

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Toda gloria a Deus!

Odilon Massolar Chaves é pastor metodista aposentado, doutor em Teologia e História pela Universidade Metodista de São Paulo.

Filho do rev. Adherico Ribeiro Chaves e Roza Massolar Chaves.

É casado com RoseMary.

Tem duas filhas: Liliana e Luciana.

Sua tese tratou sobre o avivamento metodista na Inglaterra no século XVIII e a sua contribuição como paradigma para nossos dias.

Teologia.

 

 

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“Aquele em quem existe a mente que houve em Cristo e que anda como Cristo andou; um homem que tem as mãos limpas e um coração puro.

 

(...) Aquele que não é motivo de tropeço para os outros e aquele que de fato não cometeu pecado.

 

(...) A sua alma é realmente toda amor, cheia de entranhas de misericórdia, bondade, magnanimidade e tolerância.

 

A sua vida está de acordo com estas qualidades, cheias das obras da fé, da paciência, da esperança e da obra do amor”.[1]

Importante lembrar que a santificação plena, segundo Wesley, é “o grande depósito que Deus colocou com o povo chamado metodista; e para propagar isso, ele parecia ter nos levantado”.[2]

 

(João Wesley)


 

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Índice

 

·       Introdução

·       Destaques dos capítulos do livro

·       A perfeição cristã

·       Fundamento bíblico sobre a perfeição cristã

·       Em que sentido somos e não somos perfeitos

·       Wesley, John Fletcher e a perfeição cristã 

 

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Introdução

 

“Wesley, em defesa da Perfeição Cristã é um livro de 24 páginas que trata de um tema que foi e é essencial para o metodismo e para a salvação.

“A perfeição cristã para John Wesley não é infalibilidade ou perfeição angelical, mas sim o "perfeito amor" a Deus e ao próximo, onde o crente é liberto do pecado voluntário e purificado de segundas intenções. É uma santificação integral (corpo, alma e espírito) alcançável nesta vida através da graça, permitindo viver com um coração totalmente dedicado a Deus, embora ainda sujeito a limitações humanas e à necessidade contínua da graça de Cristo”.[3] 

Os títulos dos capítulos são:

·        A perfeição cristã

·       Fundamento bíblico sobre a perfeição cristã

·       Em que sentido somos e não somos perfeitos

·       Wesley, John Fletcher e a perfeição cristã 

O termo “perfeição” não é ainda compreendido em nossos dias. Nem mesmo entre os metodistas. 

A perfeição cristã não implica em uma isenção da ignorância ou do erro, ou das enfermidades ou tentações.

Em seu tempo, Wesley resgatou a doutrina da perfeição cristã, que fazia parte da responsabilidade dada por Deus ao metodismo, no século XVIII:

“A perfeição cristã, cria Wesley, era o depositum que Deus havia entregue aos metodistas como sua responsabilidade especial.”[4] 

 

O Autor 

 

 

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Destaques dos capítulos do livro

 

A perfeição cristã

A perfeição cristã para John Wesley não é infalibilidade ou perfeição angelical, mas sim o "perfeito amor" a Deus e ao próximo, onde o crente é liberto do pecado voluntário e purificado de segundas intenções. É uma santificação integral (corpo, alma e espírito) alcançável nesta vida através da graça, permitindo viver com um coração totalmente dedicado a Deus, embora ainda sujeito a limitações humanas e à necessidade contínua da graça de Cristo.[5] 

Fundamento bíblico sobre a perfeição cristã

 

A perfeição cristã de John Wesley, ou "inteira santificação", é fundamentada biblicamente como o amor a Deus e ao próximo de todo o coração, purificando as intenções e libertando do pecado original nesta vida. Não é perfeição angélica ou isenção de erros, mas um estado de graça onde a alma é restaurada à imagem de Deus. [6] 

Em que sentido somos e não somos perfeitos 

Segundo John Wesley, fundador do Metodismo, a "perfeição cristã" (ou inteira santificação) não significa perfeição absoluta ou sem pecado no sentido divino, mas sim perfeição no amor. Para Wesley, ser perfeito é ter o coração tão cheio de amor a Deus e ao próximo que não resta lugar para o pecado voluntário. [7] 

Wesley, John Fletcher e a perfeição cristã 

John Fletcher (1729–1785) foi um dos principais teólogos metodistas do século XVIII e o principal aliado de John Wesley na defesa e definição da doutrina da Perfeição Cristã (ou inteira santificação). Ele ajudou a sistematizar a ideia de que o amor perfeito de Deus pode purificar o coração do crente, libertando-o do pecado inato.

 

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A perfeição cristã

 

A perfeição cristã para John Wesley não é infalibilidade ou perfeição angelical, mas sim o "perfeito amor" a Deus e ao próximo, onde o crente é liberto do pecado voluntário e purificado de segundas intenções. É uma santificação integral (corpo, alma e espírito) alcançável nesta vida através da graça, permitindo viver com um coração totalmente dedicado a Deus, embora ainda sujeito a limitações humanas e à necessidade contínua da graça de Cristo.[8]

 

 

A palavra perfeição não é tão comentada no meio evangélico. Traz a ideia de soberba, pretensão etc. Mas é uma expressão bíblica e é uma recomendação do Senhor: “Sede perfeito” (Mt 5.43-48).

 

O que temos que fazer é entender o significado da perfeição. Algumas pessoas acham impossível alcançá-la porque a entendem de uma forma equivocada.

 

Mas o que é a perfeição?

 

É acima de tudo amor perfeito! (1Jo 4.18). 

Em seu livro “Um Relato Claro da Perfeição Cristã”, Wesley afirma que a perfeição implica em “amar a Deus com todo o nosso coração, entendimento, alma e força e que nada de mau gênio, nada contrário ao amor, permanece na alma; que todos os pensamentos, palavras e ações, são governadas pelo puro amor”.[9]

Veja a seguir alguns princípios sobre a perfeição:

 

Nós podemos alcançar a perfeição.

 

Wesley conheceu em suas sociedades várias pessoas que tinham alcançado a perfeição. Eis os procedimentos de uma senhora que a alcançou:

 

*      Trabalhava para os pobres;

*      Tinha ardente amor;

*      Tinha grande alegria;

*      Estava pronta a morrer;

*      Não gostava de faltar aos cultos;

*      Sentia que a sua vontade era a vontade de Deus.

*      Verifique: Mt 5.43; Ef 4.13; Cl 1.28; Fl 3.15

 

A perfeição não se alcança imediatamente.

 

Nós temos que caminhar em sua direção (Ef 4.15;  1Ts 3.12; 2Pe 3.18; Tg 1.4; Hb 6.1).

 

A perfeição não é absoluta.

 

*      Não nos coloca em igualdade a Deus (Fl 2.6),

*      A nossa palavra não é a palavra de Deus,

*      O nosso ensino sobre as Escrituras não é infalível.

 

A perfeição não nos torna sem erros.

 

Somente Deus não erra. Podemos ser perfeitos e não saber nada sobre os sinais de trânsito. Podemos errar numa conta de matemática etc (Rm 7.19; Lc 11.4; Lc 6.37).

 

A perfeição não evita a tentação.

 

*      O próprio Jesus era perfeito e foi tentado; verifique: Lc 4.1-2; Lc 6.13.

 

A perfeição pode ser perdida.

 

*      Temos o livre arbítrio. O diabo anda ao nosso redor; verifique: 1Co 10.12; Ap 3.11. 

No seu livro “Explicação clara da perfeição cristã”, Wesley afirma que podemos ter um amor perfeito mesmo sofrendo com tribulações: “(...) a mente pode estar profundamente abatida e aflita, perplexa e oprimida por pesares ao ponto de sentir-se angustiada, enquanto o coração se apega a Deus por meio do amor perfeito e a vontade está completamente submetida a Ele. Não foi assim com o próprio Filho de Deus?”[10] 

Mas ele insistia que quem não é feliz não é cristão. Também Wesley ensinava que o amor puro pode nos levar a cometer equívocos, pois o amor nascido de Deus não pensa mal e tudo crê. Esta própria disposição livre de desconfiança, pronta a crer e esperar o melhor de todos os homens, pode levar-nos a “pensar que alguns são melhores do que na verdade são.[11]

 

Mas o que é perfeição a cristã?

 

Wesley a descreveu assim: “(...) aquele em quem existe a mente que houve em Cristo e que anda como Cristo andou; um homem que tem as mãos limpas e um coração puro.

 

(...) Aquele que não é motivo de tropeço para os outros e aquele que de fato não cometeu pecado.

 

(...) A sua alma é realmente toda amor, cheia de entranhas de misericórdia, bondade, magnanimidade e tolerância.

 

A sua vida está de acordo com estas qualidades, cheias das obras da fé, da paciência, da esperança e da obra do amor”.[12]

Importante lembrar que a santificação plena, segundo Wesley, é “o grande depósito que Deus colocou com o povo chamado metodista; e para propagar isso, ele parecia ter nos levantado”.[13]

 

Para Wesley, perfeição cristã é sinônimo de perfeito amor.

 

 

Fundamento bíblico sobre a perfeição cristã

 

 

A perfeição cristã de John Wesley, ou "inteira santificação", é fundamentada biblicamente como o amor a Deus e ao próximo de todo o coração, purificando as intenções e libertando do pecado original nesta vida. Não é perfeição angélica ou isenção de erros, mas um estado de graça onde a alma é restaurada à imagem de Deus. [14]

 

João Wesley utilizou algumas expressões bíblicas para explicar o que é a perfeição cristã, dentre elas, santidade, circuncisão do coração, inteira santificação e perfeição em amor.

 

Ele explicou e fundamentou o que ele entendia por circuncisão do coração pregando na Universidade, na Igreja de Santa Maria 1º de janeiro de 1733.

 

Ele disse: “Em 1º de janeiro de 1733, preguei na Universidade, na Igreja de Santa Maria (Oxford), sobre “a circuncisão do coração” [Deuteronômio 30: 6; Romanos 2:29; cf. Deuteronômio 10:16; Jeremias 4: 4]; um relato que fiz nestas palavras:

 

É aquela disposição habitual da alma, que nas escrituras sagradas é denominada santidade e que implica diretamente ser purificado do pecado; de toda imundície tanto da carne quanto do espírito; e, por consequência, o ser dotado daquelas virtudes que estavam em Cristo Jesus; ser tão “renovado na imagem de nossa mente” [Efésios 4:23], a ponto de ser “perfeito como nosso Pai que está nos céus é perfeito” [Mateus 5:48.][15]

 

No livro, “Um relato claro da perfeição cristã”, ele continuou a explicar no sermão “circuncisão do coração”:

 

No mesmo sermão que observei, “O amor é o cumprimento da lei” [Romanos 13:10], “o fim do mandamento” [ 1 Timóteo 1: 5 ]. Não é apenas o primeiro e grande mandamento [Mateus 22:38], mas todos os mandamentos em um: “Tudo o que é justo, tudo o que é puro, se houver virtude, se houver louvor” [Filipenses 4: 8], todos eles estão incluídos nesta palavra, amor. Nisso está perfeição, glória e felicidade! A lei real do céu e da terra é esta: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de toda a tua mente e de todas as tuas forças” [Marcos 12:30; Lucas 10:27; cf. Deuteronômio 6: 5]. O único bem perfeito será o seu fim último. Uma coisa desejareis por si mesma - a fruição d'Aquele que é tudo em todos. Uma felicidade que vocês devem propor a suas almas, sim, uma união com Aquele que as criou; o “ter comunhão com o Pai e o Filho” [1 João 1: 3]; o ser "unido ao Senhor em um só espírito" [1 Coríntios 6:17] Um desígnio que vocês devem seguir até o fim dos tempos - o desfrute de Deus neste tempo e na eternidade. Deseje outras coisas na medida em que elas tendam a isso: ame a criatura, pois ela conduz ao Criador. Mas em cada passo que você dá, seja este o ponto glorioso que encerra a sua visão. Que toda afeição, pensamento, palavra e ação sejam subordinados a isso. O que quer que desejem ou temam, tudo o que busquem ou evitem, tudo o que pensem, falem ou façam, seja para sua felicidade em Deus - o único fim, bem como a fonte, de seu ser.[16]

 

Nos seus comentários sobre o Novo Testamento, ele explicou alguns versículos sobre o tema “santidade” e “perfeição”: 

Um mandamento de Jesus: sede perfeitos

“Portanto, sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês” (Mateus 5.48).

 

Só este mandamento basta para termos que crer e seguir o que Jesus disse. A perfeição é possível!

 

Jesus não nos daria um mandamento, se não fosse possível praticarmos.

 

João Wesley comentou: “Sede vós, pois, perfeitos, como também é perfeito o vosso Pai que está nos céus”.

 

Portanto, sereis perfeitos; como o seu Pai que está nos céus é perfeito - Assim o original é executado, referindo-se a toda aquela santidade que é descrita nos versículos anteriores, que nosso Senhor no início do capítulo recomenda como felicidade, e no final disso como perfeição. E quão sábio e gracioso é isso, para resumir e, por assim dizer, selar todos os seus mandamentos com uma promessa! Até mesmo a promessa adequada do Evangelho! Que ele coloque essas leis em nossas mentes e as escreva em nossos corações! Ele sabia muito bem como nossa descrença estaria pronta para gritar, isso é impossível! E, portanto, aposta nele todo o poder, verdade e fidelidade daquele a quem todas as coisas são possíveis.[17]

O perfeito amor lança fora o medo

“No amor não há medo; ao contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor” (1 João 4.18).

O perfeito amor é possível!

Amor perfeito é sinônimo de perfeição cristã ou santidade.

É o que o apóstolo João ensinou.

João Wesley comentou:

Não há medo no amor; mas o amor perfeito lança fora o medo: porque o medo traz tormento. Aquele que teme não é perfeito no amor.

Não há medo no amor - Nenhum medo servil pode estar onde o amor reina. Mas o amor adulto perfeito lança fora o medo servil: porque tal medo traz tormento - E assim é inconsistente com a felicidade do amor. Um homem natural não tem medo nem amor; aquele que está desperto, medo sem amor; um bebê em Cristo, amor e medo; um pai em Cristo, amor sem medo.[18]

 

Em que sentido somos e não somos perfeitos

 

Segundo John Wesley, fundador do Metodismo, a "perfeição cristã" (ou inteira santificação) não significa perfeição absoluta ou sem pecado no sentido divino, mas sim perfeição no amor. Para Wesley, ser perfeito é ter o coração tão cheio de amor a Deus e ao próximo que não resta lugar para o pecado voluntário. [19]

 

“1. Em que sentido NÃO somos perfeitos (Perfeição Absoluta) 

Wesley enfatizava que os cristãos, mesmo os mais santificados, continuam humanos e falíveis nesta vida: 

 

  • Não perfeitos em conhecimento: Não estamos isentos de ignorância ou erros de julgamento.
  • Não livres de enfermidades: Ainda estamos sujeitos a fraquezas físicas, lapsos de memória e tentações, que Wesley chamava de "pecados indevidamente chamados".
  • Não imunes à queda: A perfeição cristã não significa incapacidade de pecar; ela pode ser perdida se o cristão não permanecer em amor.
  • Não perfeitos como Adão: Não é uma perfeição adâmica (impecabilidade original), mas uma perfeição focada na intenção e no coração”.[20] 

Wesley começa o sermão “Perfeição cristã” tendo como base o texto: “Não como se eu já tivesse alcançado, qualquer um deles já era perfeito” (Filipenses 3.12). 

Wesley faz um alerta: “A palavra perfeito é o que muitos não podem suportar. O próprio som disso é uma abominação para eles. E quem quer que pregue a perfeição (como é a frase), isto é, afirme que ela é alcançável nesta vida, corre grande risco de ser considerado por eles pior do que um pagão ou um publicano”. [21]

Wesley divide o sermão em dois capítulos: primeiro, em que sentido os cristãos não são; e em segundo lugar, em que sentido eles são perfeitos.

Num resumo do seu sermão, temos:


Em que sentido não somos perfeitos

A perfeição cristã, portanto, não implica (como alguns homens parecem ter imaginado) uma isenção da ignorância ou do erro, ou das enfermidades ou tentações

 

Wesley ensina em que não somos perfeitos:

Não estamos livres de erros

Esclarecedor o que Wesley afirma: “4. Ninguém, então, é tão perfeito nesta vida, a ponto de estar livre da ignorância. Nem, em segundo lugar, por engano; o que de fato é quase uma consequência inevitável disso; vendo aqueles que "conhecem apenas em parte" [1 Coríntios 13:12] estão sempre sujeitos a errar em relação às coisas que não conhecem”. [22]

E complementa: “É verdade que os filhos de Deus não se enganam quanto às coisas essenciais para a salvação: eles não "fazem das trevas luz, nem da luz trevas"; [Isaías 5:20] nem "buscam a morte no erro de sua vida". [Sabedoria 1:12]. Pois eles são "ensinados por Deus", e o caminho que ele os ensina, o caminho da santidade, é tão claro, que "o viajante, embora tolo, não precisa errar nele". [Isaías 35:8]”. [23]

Portanto, mesmo os filhos de Deus não concordam quanto à interpretação de muitos lugares nas escrituras sagradas: Nem sua diferença de opinião é prova de que eles não são filhos de Deus em nenhum dos lados; mas é uma prova de que não devemos esperar que qualquer homem vivo seja infalível mais do que onisciente”. [24]

Não estamos livres da tentação

“Nem podemos esperar, até então, estar totalmente livres da tentação”, afirma Wesley  no item 8. “Tal perfeição não pertence a esta vida. É verdade que há aqueles que, sendo entregues a fazer toda a impureza com ganância, [Efésios 4:19] mal percebem as tentações às quais não resistem e, portanto, parecem estar sem tentação. Há também muitos a quem o sábio inimigo das almas, vendo estar profundamente adormecido na forma morta da piedade, não tentará a pecado grave, para que não despertem antes de caírem em chamas eternas”. [25]

Não há isenção de enfermidades

A perfeição cristã, portanto, não implica (como alguns homens parecem ter imaginado) uma isenção da ignorância ou do erro, ou das enfermidades ou tentações”, diz Wesley, no item 9. “Na verdade, é apenas outro termo para santidade. São dois nomes para a mesma coisa. Assim, todo aquele que é perfeito é santo, e todo aquele que é santo é, no sentido bíblico, perfeito”. [26]

Não há perfeição absoluta na Terra

E para completar esse capítulo, Wesley diz: “No entanto, podemos, finalmente, observar que nem a esse respeito há perfeição absoluta na terra. Não há perfeição de graus, como é chamado; nenhum que não admita um aumento contínuo. De modo que o quanto qualquer homem alcançou, ou em quão alto grau ele é perfeito, ele ainda precisa "crescer na graça" [2 Pedro 3:18] e diariamente avançar no conhecimento e amor de Deus, seu Salvador. [ver Filipenses 1:9]”. [27]

Em que sentido somos perfeitos

Segundo John Wesley, a perfeição cristã não significa uma perfeição absoluta, angelical ou intelectual, onde o ser humano nunca erra ou não precisa mais da graça de Deus. Pelo contrário, Wesley define a perfeição como a perfeição no amor ou inteira santificação. [28]

“2. Em que sentido SOMOS perfeitos (Perfeição Cristã/Amor)

 

Para Wesley, a perfeição possível nesta vida é a maturidade espiritual

 

  • Perfeitos no Amor: É o amor de Deus e do próximo governando nossos pensamentos, palavras e ações.
  • Livres do Pecado Voluntário: A pessoa inteiramente santificada não peca intencionalmente, pois o amor de Deus governa sua vontade.
  • Pureza de Intenção: Todo o coração e a vida são dedicados a Deus; a intenção do fiel é agradar a Deus em tudo.
  • Graça em progresso: É uma perfeição "dinâmica", onde o cristão pode sempre crescer mais no amor, mesmo já amando perfeitamente”. [29]

No seu sermão “Perfeição cristã”, Wesley aprofunda o tema: em que sentido somos perfeitos:

Aqueles que são justificados, que nascem de novo no sentido mais baixo, "não continuam em pecado"

E Wesley comenta no item 3: “Agora, a Palavra de Deus declara claramente que mesmo aqueles que são justificados, que nascem de novo no sentido mais baixo, "não continuam em pecado;" que eles não podem "viver mais nele"; (Rom. 6:1, 2) que eles são "plantados juntos na semelhança da morte" de Cristo; (Romanos 6:5) que seu "velho homem é crucificado com ele", o corpo do pecado sendo destruído, para que doravante eles não sirvam ao pecado; que, estando mortos com Cristo, estão livres do pecado; (Romanos 6:6, 7) que eles estão "mortos para o pecado e vivos para Deus"; (Romanos 6:11) que "o pecado não tem mais domínio sobre eles", que "não estão debaixo da lei, mas debaixo da graça;" mas que estes, "estando livres do pecado, tornaram-se servos da justiça". (Rom. 6:14, 18)”. [30]

E Wesley esclarece: “Ele não peca voluntariamente; ou ele não comete pecado habitualmente; ou, não como os outros homens fazem; ou, não como ele fez antes”. [31]

 

Ele não precisa continuar em pecado; visto que "temos um Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo".

Sobre o pecado, Wesley diz: “Ele declara: Primeiro, o sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo pecado. Em segundo lugar, nenhum homem pode dizer: Eu não pequei, não tenho pecado do qual ser purificado. Em terceiro lugar, mas Deus está pronto para perdoar nossos pecados passados e nos salvar deles para o futuro. [1 João 1:7-10] Em quarto lugar, "Estas coisas vos escrevo", diz o apóstolo, "para que não pequeis. Mas se alguém "pecar" ou tiver pecado (como a palavra pode ser traduzida), ele não precisa continuar em pecado; visto que "temos um Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo". [1 João 2:1-2] Até agora, tudo está claro”. [32]

 Aquele que comete pecado é do diabo; pois o diabo peca desde o princípio

“Mas para que nenhuma dúvida permaneça em um ponto de tão grande importância,” diz Wesley, “o apóstolo retoma esse assunto no terceiro capítulo e explica amplamente seu próprio significado. "Filhinhos", disse ele, "ninguém vos engane:" (Como se eu tivesse dado algum encorajamento aos que continuam no pecado:) "Aquele que pratica a justiça é justo, assim como ele é justo. Aquele que comete pecado é do diabo; pois o diabo peca desde o princípio”. [33]

Um cristão é tão perfeito que não comete pecado

“Para isso se manifestou o Filho de Deus, a fim de destruir as obras do diabo”, lembra Wesley. “Todo aquele que é nascido de Deus não comete pecado, porque a sua descendência permanece nele; e ele não pode pecar, porque é nascido de Deus. Nisto se manifestam os filhos de Deus e os filhos do diabo." (1 João 3:7-10) Aqui o ponto, que até então poderia ter admitido alguma dúvida em mentes fracas, é propositadamente resolvido pelo último dos escritores inspirados e decidido da maneira mais clara. Em conformidade, portanto, tanto com a doutrina de São João quanto com todo o teor do Novo Testamento, fixamos esta conclusão - Um cristão é tão perfeito que não comete pecado”. [34]

 

Wesley, John Fletcher e a perfeição cristã

 

John Fletcher (1729–1785) foi um dos principais teólogos metodistas do século XVIII e o principal aliado de John Wesley na defesa e definição da doutrina da Perfeição Cristã (ou inteira santificação). Ele ajudou a sistematizar a ideia de que o amor perfeito de Deus pode purificar o coração do crente, libertando-o do pecado inato nesta vida.[35]

“John Fletcher (1729–1785), conhecido como o Pároco de Madeley, foi o principal sistematizador e defensor teológico da doutrina da Perfeição Cristã (ou Inteira Santificação) no movimento metodista inicial.  

Embora o conceito tenha sido formulado por John Wesley, foi Fletcher quem deu a ele uma estrutura teológica robusta, especialmente em sua obra Checks to Antinomianism (Verificações contra o Antinomianismo)”.[36]

Jean Guillaume de la Fléchère ou John William Fletcher (1729-1785), foi um suíço de língua francesa que nasceu em Nyon, Suiça.[37]

Em 1751, em “uma das estadias da família em Londres, Fletcher ouviu pela primeira vez dos metodistas e tornou-se pessoalmente familiarizado com John e Charles Wesley, assim como sua futura esposa, Mary Bosanquet”,[38] que era uma metodista que tinha um orfanato.

John Fletcher foi pároco da Igreja Anglicana em Medeley.

Tendo se mudado para a Inglaterra, em 1751, e conhecendo Wesley e o metodismo, “começou a trabalhar com John Wesley, tornando-se um intérprete-chave da teologia wesleyana no século XVIII e um dos primeiros grandes teólogos do Metodismo”.[39]

“Ambos compartilhavam uma paixão profunda pela doutrina da santificação completa ou "perfeição cristã", com Fletcher influenciando grandemente o entendimento de Wesley sobre a perfeição através do amor”. [40]

João Fletcher era um arminiano. “Na teologia, ele confirmou as doutrinas arminianas do livre-arbítrio, a redenção universal e expiação geral, contra as doutrinas calvinistas da eleição incondicional e expiação limitada. Sua teologia arminiana é mais claramente delineado em seus cheques famosos para Antinomianismo. Ele tentou confrontar seus adversários teológicos com cortesia e justiça (e de John Wesley), embora alguns de seus contemporâneos julgou severamente por seus escritos”.[41]

Em 1770, na Conferência Anual, houve um conflito entre metodistas calvinistas e metodistas arminianos. Havia uma acusação de que os metodistas calvinistas levaram à “mediocridade espiritual e ao antinomianismo.”[42] A Condessa Selina que levantou questões.

Fletcher, então se levantou na reunião para defender Wesley.

Para os ouvidos calvinistas, as atas da Conferencia Anual de 1770, pareciam “endossar obras necessárias para a salvação. A Condessa exigiu que seus professores assinassem uma desaprovação, o que no final Fletcher se recusou a fazer. Renunciando à faculdade, ele colocou sua caneta a serviço de Wesley e sua teologia arminiana”.[43]

“John Wesley o admirava tanto que o considerava seu sucessor ideal para liderar o movimento metodista, embora Fletcher tenha falecido seis anos antes de Wesley”. [44]

Fletcher não havia aceitado o convite de Wesley para trabalhar junto a ele e para ser seu sucessor, pois “acreditava que sua tarefa contínua era escrever como um intérprete da teologia de Wesley: ‘Eu coloquei minha caneta de lado por algum tempo; no entanto, retomei-o na semana passada, a pedido do seu irmão, para continuar com o meu tratado sobre a Perfeição Cristã”.[45]

Contribuições de John Fletcher:

“Definição de Perfeição: Ele a definia não como uma perfeição absoluta (divina) ou sem falhas humanas, mas como a "perfeição no amor". É o estado em que o coração é tão preenchido pelo amor a Deus e ao próximo que não há mais lugar para o pecado voluntário ou malícia.

O Batismo no Espírito Santo: Fletcher foi inovador ao associar a perfeição cristã diretamente ao batismo com o Espírito Santo. Ele via essa experiência como uma segunda obra da graça, subsequente à conversão, que purifica o crente”.[46]

 

 



[1] BURTNER R. R. CHILES, R. - Coletânea da Teologia de João Wesley, SP, JUGEC, 1960, p. 210.

[3] Visão geral da IA do Google

[4] REILY, Duncan Alexander. Wesley e sua Bíblia. São Paulo: Editeo, 1997, p.39.

[5] Visão geral da IA do Google

[6] Visão geral da IA do Google

[7] Visão geral criado por IA do Google

[8] Visão geral da IA do Google

[9] WESLEY, John. Explicação clara da perfeição cristã. Imprensa Metodista, São Bernardo do Campo, SP, 1984, p.53.

[10] WESLEY, João. Explicação clara da perfeição cristã, p.61.

[11] Idem., p.57.

[14] Visão geral da IA do Google

[15] https://finestofthewheat.org/plain_account_01/

[16] Op.cit.

[17] https://www.christianity.com/bible/commentary.php?com=wes&b=40&c=5

[18] https://www.christianity.com/bible/commentary.php?com=wes&b=62&c=4

[19] Visão geral criado por IA do Google

[20] Visão geral criado por IA do Google

[21] https://www.wesleysheritage.org.uk/exhibits/john-wesleys-sermons/sermon-sheet/?o=2699&t=feat

[22] https://www.wesleysheritage.org.uk/exhibits/john-wesleys-sermons/sermon-sheet/?o=2699&t=feat

[23] https://www.wesleysheritage.org.uk/exhibits/john-wesleys-sermons/sermon-sheet/?o=2699&t=feat

[24] https://www.wesleysheritage.org.uk/exhibits/john-wesleys-sermons/sermon-sheet/?o=2699&t=feat

[25] https://www.wesleysheritage.org.uk/exhibits/john-wesleys-sermons/sermon-sheet/?o=2699&t=feat

[26] https://www.wesleysheritage.org.uk/exhibits/john-wesleys-sermons/sermon-sheet/?o=2699&t=feat

[27] https://www.wesleysheritage.org.uk/exhibits/john-wesleys-sermons/sermon-sheet/?o=2699&t=feat

[28] Visão geral criado por IA do Google

[29] Visão geral da IA do Google

[30] https://www.wesleysheritage.org.uk/exhibits/john-wesleys-sermons/sermon-sheet/?o=2699&t=feat

[31] https://www.wesleysheritage.org.uk/exhibits/john-wesleys-sermons/sermon-sheet/?o=2699&t=feat

[32] https://www.wesleysheritage.org.uk/exhibits/john-wesleys-sermons/sermon-sheet/?o=2699&t=feat

[33] https://www.wesleysheritage.org.uk/exhibits/john-wesleys-sermons/sermon-sheet/?o=2699&t=feat

[34] https://www.wesleysheritage.org.uk/exhibits/john-wesleys-sermons/sermon-sheet/?o=2699&t=feat

[35] Visão geral da IA do google

[37] https://www.eismeaqui.com.br/sem-categoria/john-fletcher-1729-1785

[38]https://chamadoparanacoes.wordpress.com/2015/12/16/a-vida-de-john.

[39] https://wikimili.com/en/John_William_Fletcher

[40] Visão geral criada por IA do Google

[41] Idem.

[42] No. XXVI, Londres, terça-feira, 7 de agosto de 1770, Q. 28. A. 2. Minutos das Conferências Metodistas 1744-98 [Mason, 1862] 95).

[43]https://www.catalystresources.org/john-fletcher-the-first-wesley-scholar

[44] Visão geral da IA do Google

[45]https://www.catalystresources.org/john-fletcher-the-first-wesley-scholar

[46] Visão geral da IA do Google

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