Wesley, em defesa da Perfeição Cristã
Odilon Massolar Chaves
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fevereiro de 1998.
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Capa: John Wesley - Facebook José
Viladecans
Toda
gloria a Deus!
Odilon Massolar Chaves é pastor metodista
aposentado, doutor em Teologia e História pela Universidade Metodista de São
Paulo.
Filho do rev.
Adherico Ribeiro Chaves e Roza Massolar Chaves.
É casado com RoseMary.
Tem duas filhas: Liliana e Luciana.
Sua tese tratou sobre o avivamento metodista na
Inglaterra no século XVIII e a sua contribuição como paradigma para nossos
dias.
Teologia.
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“Aquele
em quem existe a mente que houve em Cristo e que anda como Cristo andou; um
homem que tem as mãos limpas e um coração puro.
(...)
Aquele que não é motivo de tropeço para os outros e aquele que de fato não
cometeu pecado.
(...)
A sua alma é realmente toda amor, cheia de entranhas de misericórdia, bondade,
magnanimidade e tolerância.
A
sua vida está de acordo com estas qualidades, cheias das obras da fé, da
paciência, da esperança e da obra do amor”.[1]
Importante
lembrar que a santificação plena, segundo Wesley, é “o grande depósito que Deus
colocou com o povo chamado metodista; e para propagar isso, ele parecia
ter nos levantado”.[2]
(João Wesley)
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Índice
·
Introdução
·
Destaques dos
capítulos do livro
·
A perfeição cristã
·
Fundamento bíblico sobre a perfeição cristã
·
Em que sentido somos e não somos perfeitos
·
Wesley, John
Fletcher e a perfeição cristã
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Introdução
“Wesley, em defesa da Perfeição Cristã
é um livro de 24 páginas que trata de um tema que foi e é essencial para o
metodismo e para a salvação.
“A perfeição cristã para John Wesley não é infalibilidade ou perfeição angelical, mas sim o "perfeito amor" a Deus e ao próximo, onde o crente é liberto do pecado voluntário e purificado de segundas intenções. É uma santificação integral (corpo, alma e espírito) alcançável nesta vida através da graça, permitindo viver com um coração totalmente dedicado a Deus, embora ainda sujeito a limitações humanas e à necessidade contínua da graça de Cristo”.[3]
Os títulos dos capítulos são:
·
A perfeição
cristã
·
Fundamento bíblico sobre a perfeição cristã
·
Em que sentido somos e não somos perfeitos
· Wesley, John Fletcher e a perfeição cristã
O termo “perfeição” não é ainda compreendido em nossos dias. Nem mesmo entre os metodistas.
A perfeição cristã não implica em uma isenção da
ignorância ou do erro, ou das enfermidades ou tentações.
Em seu tempo, Wesley resgatou a doutrina da perfeição
cristã, que fazia parte da responsabilidade dada por Deus ao metodismo, no
século XVIII:
“A perfeição cristã, cria Wesley, era o depositum que Deus havia entregue aos metodistas como sua responsabilidade especial.”[4]
O Autor
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Destaques dos capítulos do livro
A perfeição cristã para John Wesley não é
infalibilidade ou perfeição angelical, mas sim o "perfeito amor"
a Deus e ao próximo, onde o crente é liberto do pecado voluntário e purificado
de segundas intenções. É uma santificação
integral (corpo, alma e espírito) alcançável nesta vida através da graça,
permitindo viver com um coração totalmente dedicado a Deus, embora ainda
sujeito a limitações humanas e à necessidade contínua da graça de Cristo.[5]
Fundamento
bíblico sobre a perfeição cristã
A perfeição cristã
de John Wesley, ou "inteira santificação", é fundamentada
biblicamente como o amor a Deus e ao próximo de todo o coração,
purificando as intenções e libertando do pecado original nesta vida. Não é
perfeição angélica ou isenção de erros, mas um estado de graça onde a alma é
restaurada à imagem de Deus. [6]
Em que sentido somos e não somos
perfeitos
Segundo John Wesley, fundador do
Metodismo, a "perfeição cristã" (ou inteira santificação) não
significa perfeição absoluta ou sem pecado no sentido divino, mas sim perfeição
no amor. Para Wesley, ser perfeito é ter o coração tão cheio de amor a Deus
e ao próximo que não resta lugar para o pecado voluntário. [7]
Wesley, John Fletcher e a perfeição cristã
John Fletcher (1729–1785) foi um dos principais teólogos metodistas do
século XVIII e o principal aliado de John Wesley na defesa e definição da
doutrina da Perfeição
Cristã (ou inteira santificação). Ele ajudou a sistematizar a ideia de que o amor
perfeito de Deus pode purificar o coração do crente, libertando-o do pecado
inato.
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A perfeição cristã
A perfeição cristã para John Wesley não é infalibilidade ou perfeição
angelical, mas sim o "perfeito amor" a Deus e ao próximo, onde o
crente é liberto do pecado voluntário e purificado de segundas intenções. É uma santificação integral (corpo, alma e espírito)
alcançável nesta vida através da graça, permitindo viver com um coração
totalmente dedicado a Deus, embora ainda sujeito a limitações humanas e à
necessidade contínua da graça de Cristo.[8]
A palavra
perfeição não é tão comentada no meio evangélico. Traz a ideia de soberba,
pretensão etc. Mas é uma expressão bíblica e é uma recomendação do Senhor:
“Sede perfeito” (Mt 5.43-48).
O que temos que
fazer é entender o significado da perfeição. Algumas pessoas acham impossível
alcançá-la porque a entendem de uma forma equivocada.
Mas o que é a
perfeição?
É acima de tudo amor perfeito! (1Jo 4.18).
Em seu livro “Um Relato Claro da Perfeição Cristã”, Wesley afirma que a
perfeição implica em “amar a Deus com todo o nosso coração, entendimento, alma
e força e que nada de mau gênio, nada contrário ao amor, permanece na alma; que
todos os pensamentos, palavras e ações, são governadas pelo puro amor”.[9]
Veja a seguir
alguns princípios sobre a perfeição:
Nós podemos
alcançar a perfeição.
Wesley conheceu em
suas sociedades várias pessoas que tinham alcançado a perfeição. Eis os
procedimentos de uma senhora que a alcançou:
*
Trabalhava para os pobres;
*
Tinha ardente amor;
*
Tinha grande alegria;
*
Estava pronta a morrer;
*
Não gostava de faltar aos cultos;
*
Sentia que a sua vontade era a vontade de Deus.
* Verifique: Mt 5.43; Ef 4.13; Cl 1.28; Fl 3.15
A perfeição não se
alcança imediatamente.
Nós temos que caminhar
em sua direção (Ef 4.15; 1Ts 3.12; 2Pe
3.18; Tg 1.4; Hb 6.1).
A perfeição não é
absoluta.
*
Não nos coloca em igualdade a Deus (Fl 2.6),
*
A nossa palavra não é a palavra de Deus,
*
O nosso ensino sobre as Escrituras não é infalível.
A perfeição não
nos torna sem erros.
Somente Deus não
erra. Podemos ser perfeitos e não saber nada sobre os sinais de trânsito.
Podemos errar numa conta de matemática etc (Rm 7.19; Lc 11.4; Lc 6.37).
A perfeição não
evita a tentação.
*
O próprio Jesus era perfeito e foi tentado;
verifique: Lc 4.1-2; Lc 6.13.
A perfeição pode
ser perdida.
* Temos o livre arbítrio. O diabo anda ao nosso redor; verifique: 1Co 10.12; Ap 3.11.
No seu livro “Explicação clara da perfeição cristã”, Wesley afirma que podemos ter um amor perfeito mesmo sofrendo com tribulações: “(...) a mente pode estar profundamente abatida e aflita, perplexa e oprimida por pesares ao ponto de sentir-se angustiada, enquanto o coração se apega a Deus por meio do amor perfeito e a vontade está completamente submetida a Ele. Não foi assim com o próprio Filho de Deus?”[10]
Mas ele insistia que quem não é feliz não é
cristão. Também Wesley ensinava que o amor puro pode nos levar a cometer
equívocos, pois o amor nascido de Deus não pensa mal e tudo crê. Esta própria
disposição livre de desconfiança, pronta a crer e esperar o melhor de todos os
homens, pode levar-nos a “pensar que alguns são melhores do que na verdade são.[11]
Mas o que é perfeição a cristã?
Wesley a descreveu
assim: “(...) aquele em quem existe a mente que houve em Cristo e que
anda como Cristo andou; um homem que tem as mãos limpas e um coração puro.
(...) Aquele que
não é motivo de tropeço para os outros e aquele que de fato não cometeu pecado.
(...) A sua alma é
realmente toda amor, cheia de entranhas de misericórdia, bondade, magnanimidade
e tolerância.
A sua vida está de
acordo com estas qualidades, cheias das obras da fé, da paciência, da esperança
e da obra do amor”.[12]
Importante lembrar que a santificação plena,
segundo Wesley, é “o grande depósito que Deus colocou com o povo chamado
metodista; e para propagar isso, ele parecia ter nos levantado”.[13]
Para Wesley, perfeição cristã é sinônimo de
perfeito amor.
Fundamento bíblico sobre a perfeição cristã
A perfeição cristã de John Wesley, ou "inteira santificação",
é fundamentada biblicamente como o amor a Deus e ao próximo de todo o
coração, purificando as intenções e libertando do pecado original nesta vida. Não é perfeição angélica ou isenção de erros, mas um
estado de graça onde a alma é restaurada à imagem de Deus. [14]
João Wesley utilizou algumas expressões bíblicas para explicar o que é a
perfeição cristã, dentre elas, santidade, circuncisão do coração, inteira
santificação e perfeição em amor.
Ele explicou e fundamentou o que ele entendia por circuncisão do coração
pregando na Universidade, na Igreja de Santa Maria 1º de janeiro de 1733.
Ele disse: “Em 1º de janeiro de 1733, preguei na Universidade, na Igreja
de Santa Maria (Oxford), sobre “a circuncisão do coração” [Deuteronômio 30:
6; Romanos 2:29; cf. Deuteronômio 10:16; Jeremias 4:
4]; um relato que fiz nestas palavras:
É aquela
disposição habitual da alma, que nas escrituras sagradas é denominada santidade e que implica diretamente ser
purificado do pecado; de toda imundície tanto da carne quanto do
espírito; e, por consequência, o ser dotado daquelas virtudes que estavam
em Cristo Jesus; ser tão “renovado na imagem de nossa mente” [Efésios
4:23], a ponto de ser “perfeito como nosso Pai que está nos céus é perfeito”
[Mateus 5:48.][15]
No livro, “Um relato claro da perfeição cristã”, ele continuou a
explicar no sermão “circuncisão do coração”:
No mesmo sermão que observei, “O amor é o cumprimento da lei”
[Romanos 13:10], “o fim do mandamento” [ 1 Timóteo 1: 5 ]. Não é apenas o
primeiro e grande mandamento [Mateus 22:38], mas todos os mandamentos em um:
“Tudo o que é justo, tudo o que é puro, se houver virtude, se houver louvor”
[Filipenses 4: 8], todos eles estão incluídos nesta palavra, amor. Nisso está
perfeição, glória e felicidade! A lei real do céu e da terra é esta: “Amarás o
Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de toda a tua
mente e de todas as tuas forças” [Marcos 12:30; Lucas 10:27; cf. Deuteronômio
6: 5]. O único bem perfeito será o seu fim último. Uma coisa desejareis por si
mesma - a fruição d'Aquele que é tudo em todos. Uma felicidade que vocês devem
propor a suas almas, sim, uma união com Aquele que as criou; o “ter comunhão
com o Pai e o Filho” [1 João 1: 3]; o ser "unido ao Senhor em um só
espírito" [1 Coríntios 6:17] Um desígnio que vocês devem seguir até o
fim dos tempos - o desfrute de Deus neste tempo e na eternidade. Deseje
outras coisas na medida em que elas tendam a isso: ame a criatura, pois ela
conduz ao Criador. Mas em cada passo que você dá, seja este o ponto
glorioso que encerra a sua visão. Que toda afeição, pensamento, palavra e
ação sejam subordinados a isso. O que quer que desejem ou temam, tudo o
que busquem ou evitem, tudo o que pensem, falem ou façam, seja para sua
felicidade em Deus - o único fim, bem como a fonte, de seu ser.[16]
Nos seus comentários sobre o Novo Testamento, ele explicou alguns versículos sobre o tema “santidade” e “perfeição”:
Um mandamento de
Jesus: sede perfeitos
“Portanto, sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês” (Mateus 5.48).
Só este mandamento basta para termos que crer e seguir o que Jesus
disse. A perfeição é possível!
Jesus não nos daria um mandamento, se não fosse possível praticarmos.
Portanto, sereis perfeitos; como o seu
Pai que está nos céus é perfeito - Assim o original é executado,
referindo-se a toda aquela santidade que é descrita nos versículos anteriores,
que nosso Senhor no início do capítulo recomenda como felicidade, e no final
disso como perfeição. E quão sábio e gracioso é isso, para resumir e, por
assim dizer, selar todos os seus mandamentos com uma promessa! Até mesmo a
promessa adequada do Evangelho! Que ele coloque essas leis em nossas mentes
e as escreva em nossos corações! Ele sabia muito bem como nossa descrença
estaria pronta para gritar, isso é impossível! E, portanto, aposta nele
todo o poder, verdade e fidelidade daquele a quem todas as coisas são
possíveis.[17]
O
perfeito amor lança fora o medo
“No amor não há medo; ao contrário o perfeito amor
expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado
no amor” (1 João 4.18).
O perfeito amor é possível!
Amor perfeito é sinônimo de perfeição cristã ou
santidade.
É o que o apóstolo João ensinou.
João Wesley
comentou:
Não há medo no
amor; mas o amor perfeito lança fora o medo: porque o medo traz
tormento. Aquele que teme não é perfeito no amor.
Não há medo no amor - Nenhum medo servil
pode estar onde o amor reina. Mas o amor adulto perfeito lança fora o medo
servil: porque tal medo traz tormento - E assim é inconsistente com a
felicidade do amor. Um homem natural não tem medo nem amor; aquele
que está desperto, medo sem amor; um bebê em Cristo, amor e medo; um
pai em Cristo, amor sem medo.[18]
Em que sentido somos e não somos perfeitos
Segundo John Wesley, fundador do Metodismo, a
"perfeição cristã" (ou inteira santificação) não significa perfeição
absoluta ou sem pecado no sentido divino, mas sim perfeição no amor.
Para Wesley, ser perfeito é ter o coração tão cheio de amor a Deus e ao próximo
que não resta lugar para o pecado voluntário. [19]
“1. Em que
sentido NÃO somos perfeitos (Perfeição Absoluta)
Wesley
enfatizava que os cristãos, mesmo os mais santificados, continuam humanos e
falíveis nesta vida:
- Não
perfeitos em conhecimento: Não
estamos isentos de ignorância ou erros de julgamento.
- Não
livres de enfermidades: Ainda
estamos sujeitos a fraquezas físicas, lapsos de memória e tentações, que
Wesley chamava de "pecados indevidamente chamados".
- Não
imunes à queda: A perfeição cristã não significa
incapacidade de pecar; ela pode ser perdida se o cristão não permanecer em
amor.
- Não perfeitos como Adão: Não é uma perfeição adâmica (impecabilidade original), mas uma perfeição focada na intenção e no coração”.[20]
Wesley começa o sermão “Perfeição cristã” tendo como base o texto: “Não como se eu já tivesse alcançado, qualquer um deles já era perfeito” (Filipenses 3.12).
Wesley faz
um alerta: “A palavra perfeito é o que muitos não podem
suportar. O próprio som disso é uma abominação para eles. E quem quer que pregue
a perfeição (como é a frase), isto é, afirme que ela é alcançável
nesta vida, corre grande risco de ser considerado por eles pior do que um pagão
ou um publicano”. [21]
Wesley
divide o sermão em dois capítulos: primeiro, em que sentido os cristãos não
são; e em segundo lugar, em que sentido eles são perfeitos.
Num resumo
do seu sermão, temos:
Em que sentido
não somos perfeitos
Wesley
ensina em que não somos perfeitos:
Não estamos
livres de erros
Esclarecedor
o que Wesley afirma: “4. Ninguém, então, é tão perfeito nesta vida, a
ponto de estar livre da ignorância. Nem, em segundo lugar, por engano; o que de
fato é quase uma consequência inevitável disso; vendo aqueles que
"conhecem apenas em parte" [1 Coríntios 13:12] estão sempre sujeitos
a errar em relação às coisas que não conhecem”. [22]
E
complementa: “É verdade que os filhos de Deus não se enganam quanto às coisas essenciais
para a salvação: eles não
"fazem das trevas luz, nem da luz trevas"; [Isaías 5:20] nem
"buscam a morte no erro de sua vida". [Sabedoria 1:12]. Pois eles são
"ensinados por Deus", e o caminho que ele os ensina, o caminho da
santidade, é tão claro, que "o viajante, embora tolo, não precisa errar
nele". [Isaías 35:8]”. [23]
Portanto,
mesmo os filhos de Deus não concordam quanto à interpretação de muitos lugares
nas escrituras sagradas: Nem sua diferença de opinião é prova de que eles não
são filhos de Deus em nenhum dos lados; mas é uma prova de que não devemos
esperar que qualquer homem vivo seja infalível mais do que onisciente”. [24]
Não estamos
livres da tentação
“Nem
podemos esperar, até então, estar totalmente livres da tentação”, afirma
Wesley no item 8. “Tal perfeição não
pertence a esta vida. É verdade que há aqueles que, sendo entregues a fazer
toda a impureza com ganância, [Efésios 4:19] mal percebem as tentações às quais
não resistem e, portanto, parecem estar sem tentação. Há também muitos a quem o
sábio inimigo das almas, vendo estar profundamente adormecido na forma morta da
piedade, não tentará a pecado grave, para que não despertem antes de caírem em
chamas eternas”. [25]
Não há
isenção de enfermidades
“A perfeição cristã, portanto,
não implica (como alguns homens parecem ter imaginado) uma isenção da
ignorância ou do erro, ou das enfermidades ou tentações”, diz Wesley,
no item 9. “Na verdade, é apenas outro termo para santidade. São dois nomes
para a mesma coisa. Assim, todo aquele que é perfeito é santo, e todo aquele
que é santo é, no sentido bíblico, perfeito”. [26]
Não há
perfeição absoluta na Terra
E para
completar esse capítulo, Wesley diz: “No entanto, podemos, finalmente, observar
que nem a esse respeito há perfeição absoluta na terra. Não há perfeição
de graus, como é chamado; nenhum que não admita um aumento contínuo. De
modo que o quanto qualquer homem alcançou, ou em quão alto grau ele é perfeito,
ele ainda precisa "crescer na graça" [2 Pedro 3:18] e diariamente
avançar no conhecimento e amor de Deus, seu Salvador. [ver Filipenses 1:9]”. [27]
Em que
sentido somos perfeitos
Segundo John Wesley, a perfeição cristã não
significa uma perfeição absoluta, angelical ou intelectual, onde o ser humano
nunca erra ou não precisa mais da graça de Deus. Pelo contrário, Wesley define
a perfeição como a perfeição
no amor ou inteira
santificação. [28]
“2. Em que
sentido SOMOS perfeitos (Perfeição Cristã/Amor)
Para
Wesley, a perfeição possível nesta vida é a maturidade espiritual:
- Perfeitos
no Amor: É o amor de Deus e do próximo
governando nossos pensamentos, palavras e ações.
- Livres
do Pecado Voluntário: A pessoa
inteiramente santificada não peca intencionalmente, pois o amor de Deus
governa sua vontade.
- Pureza
de Intenção: Todo o coração e a vida são
dedicados a Deus; a intenção do fiel é agradar a Deus em tudo.
- Graça
em progresso: É uma perfeição
"dinâmica", onde o cristão pode sempre crescer mais no amor,
mesmo já amando perfeitamente”. [29]
No seu
sermão “Perfeição cristã”, Wesley aprofunda o tema: em que sentido somos
perfeitos:
Aqueles que
são justificados, que nascem de novo no sentido mais baixo, "não continuam
em pecado"
E Wesley
comenta no item 3: “Agora, a Palavra de Deus declara claramente que mesmo
aqueles que são justificados, que nascem de novo no sentido mais baixo,
"não continuam em pecado;" que eles não podem "viver mais
nele"; (Rom. 6:1, 2) que eles são "plantados juntos na semelhança da
morte" de Cristo; (Romanos 6:5) que seu "velho homem é crucificado
com ele", o corpo do pecado sendo destruído, para que doravante eles não
sirvam ao pecado; que, estando mortos com Cristo, estão livres do pecado;
(Romanos 6:6, 7) que eles estão "mortos para o pecado e vivos para
Deus"; (Romanos 6:11) que "o pecado não tem mais domínio sobre
eles", que "não estão debaixo da lei, mas debaixo da graça;" mas
que estes, "estando livres do pecado, tornaram-se servos da justiça".
(Rom. 6:14, 18)”. [30]
E Wesley esclarece: “Ele não peca voluntariamente; ou ele não
comete pecado habitualmente; ou, não como os outros homens fazem;
ou, não como ele fez antes”. [31]
Sobre o pecado, Wesley diz: “Ele declara: Primeiro,
o sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo pecado. Em segundo lugar, nenhum
homem pode dizer: Eu não pequei, não tenho pecado do qual ser purificado. Em
terceiro lugar, mas Deus está pronto para perdoar nossos pecados passados e nos
salvar deles para o futuro. [1 João 1:7-10] Em quarto lugar, "Estas
coisas vos escrevo", diz o apóstolo, "para que não pequeis. Mas se
alguém "pecar" ou tiver pecado (como a palavra pode
ser traduzida), ele não precisa continuar em pecado; visto que "temos um
Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo". [1 João 2:1-2] Até agora,
tudo está claro”. [32]
Aquele que comete pecado é do diabo; pois o
diabo peca desde o princípio
“Mas para
que nenhuma dúvida permaneça em um ponto de tão grande importância,” diz
Wesley, “o apóstolo retoma esse assunto no terceiro capítulo e explica
amplamente seu próprio significado. "Filhinhos", disse ele,
"ninguém vos engane:" (Como se eu tivesse dado algum encorajamento
aos que continuam no pecado:) "Aquele que pratica a justiça é justo, assim
como ele é justo. Aquele que comete pecado é do diabo; pois o diabo peca desde
o princípio”. [33]
Um cristão
é tão perfeito que não comete pecado
“Para isso
se manifestou o Filho de Deus, a fim de destruir as obras do diabo”, lembra
Wesley. “Todo aquele que é nascido de Deus não comete pecado, porque a sua
descendência permanece nele; e ele não pode pecar, porque é nascido de Deus.
Nisto se manifestam os filhos de Deus e os filhos do diabo." (1 João
3:7-10) Aqui o ponto, que até então poderia ter admitido alguma dúvida em
mentes fracas, é propositadamente resolvido pelo último dos escritores
inspirados e decidido da maneira mais clara. Em conformidade, portanto, tanto
com a doutrina de São João quanto com todo o teor do Novo Testamento, fixamos
esta conclusão - Um cristão é tão perfeito que
não comete pecado”. [34]
Wesley, John Fletcher e a perfeição cristã
John Fletcher (1729–1785) foi um dos principais teólogos metodistas do
século XVIII e o principal aliado de John Wesley na defesa e definição da
doutrina da Perfeição
Cristã (ou inteira santificação). Ele ajudou a sistematizar a ideia de que o amor
perfeito de Deus pode purificar o coração do crente, libertando-o do pecado
inato nesta vida.[35]
“John Fletcher (1729–1785), conhecido como o Pároco de Madeley, foi o principal sistematizador e defensor teológico da doutrina da Perfeição Cristã (ou Inteira Santificação) no movimento metodista inicial.
Embora o
conceito tenha sido formulado por John Wesley, foi Fletcher quem deu a ele uma
estrutura teológica robusta, especialmente em sua obra Checks to
Antinomianism (Verificações contra o Antinomianismo)”.[36]
Jean Guillaume de la Fléchère ou John William Fletcher (1729-1785), foi um suíço de língua francesa que nasceu em Nyon, Suiça.[37]
Em 1751, em
“uma das estadias da família em Londres, Fletcher ouviu pela primeira vez dos
metodistas e tornou-se pessoalmente familiarizado com John e Charles Wesley,
assim como sua futura esposa, Mary Bosanquet”,[38]
que era uma metodista que tinha um orfanato.
John Fletcher
foi pároco da Igreja Anglicana em Medeley.
Tendo se mudado para a Inglaterra, em 1751, e conhecendo Wesley e o
metodismo, “começou a trabalhar com John
Wesley, tornando-se um intérprete-chave da teologia wesleyana no século XVIII e um dos primeiros grandes teólogos
do Metodismo”.[39]
“Ambos compartilhavam uma paixão profunda pela doutrina da santificação
completa ou "perfeição cristã", com Fletcher influenciando
grandemente o entendimento de Wesley sobre a perfeição através do amor”. [40]
João Fletcher era um arminiano. “Na teologia, ele confirmou as doutrinas
arminianas do livre-arbítrio, a redenção universal e expiação geral, contra as
doutrinas calvinistas da eleição incondicional e expiação limitada. Sua
teologia arminiana é mais claramente delineado em seus cheques famosos para
Antinomianismo. Ele tentou confrontar seus adversários teológicos com cortesia
e justiça (e de John Wesley), embora alguns de seus contemporâneos julgou
severamente por seus escritos”.[41]
Em 1770, na Conferência Anual, houve um conflito entre metodistas
calvinistas e metodistas arminianos. Havia uma acusação de que os metodistas
calvinistas levaram à “mediocridade espiritual e ao antinomianismo.”[42] A Condessa Selina que levantou questões.
Fletcher, então se levantou na reunião para defender Wesley.
Para os ouvidos calvinistas, as atas da Conferencia Anual de 1770,
pareciam “endossar obras necessárias para a salvação. A Condessa exigiu que
seus professores assinassem uma desaprovação, o que no final Fletcher se
recusou a fazer. Renunciando à faculdade, ele colocou sua caneta a serviço de
Wesley e sua teologia arminiana”.[43]
“John Wesley o admirava tanto que o considerava seu sucessor ideal para
liderar o movimento metodista, embora Fletcher tenha falecido seis anos antes
de Wesley”. [44]
Fletcher não havia aceitado o convite de Wesley para trabalhar junto a
ele e para ser seu sucessor, pois “acreditava que sua tarefa contínua era
escrever como um intérprete da teologia de Wesley: ‘Eu coloquei minha caneta de
lado por algum tempo; no entanto, retomei-o na semana passada, a pedido do seu
irmão, para continuar com o meu tratado sobre a Perfeição Cristã”.[45]
Contribuições de John Fletcher:
“Definição de Perfeição: Ele a
definia não como uma perfeição absoluta (divina) ou sem falhas humanas, mas
como a "perfeição no amor". É o estado em que o coração é
tão preenchido pelo amor a Deus e ao próximo que não há mais lugar para o
pecado voluntário ou malícia.
O Batismo no Espírito Santo: Fletcher foi
inovador ao associar a perfeição cristã diretamente ao batismo com o
Espírito Santo. Ele via essa experiência como uma segunda obra da graça,
subsequente à conversão, que purifica o crente”.[46]
[1] BURTNER R. R. CHILES, R. - Coletânea da Teologia
de João Wesley, SP, JUGEC, 1960, p. 210.
[2]https://timothytennent.com/2018/09/04/my-2018-opening-convocation-address-a-spirit-filled-and-sanctified-community/;https://core.ac.uk/download/pdf/43167474.pdf;
https://en.wikipedia.org/wiki/Methodism.
[3] Visão geral da IA do Google
[4] REILY, Duncan Alexander. Wesley e sua Bíblia. São Paulo: Editeo, 1997, p.39.
[5] Visão geral da IA do Google
[6] Visão geral da IA do Google
[7] Visão geral criado por IA do Google
[8] Visão geral da IA do Google
[9] WESLEY, John. Explicação clara da perfeição
cristã. Imprensa Metodista, São Bernardo do Campo, SP, 1984, p.53.
[10] WESLEY, João. Explicação clara da perfeição cristã,
p.61.
[11] Idem., p.57.
[13]https://timothytennent.com/2018/09/04/my-2018-opening-convocation-address-a-spirit-filled-and-sanctified-community/;https://core.ac.uk/download/pdf/43167474.pdf;
https://en.wikipedia.org/wiki/Methodism.
[14] Visão geral da IA do Google
[15] https://finestofthewheat.org/plain_account_01/
[16] Op.cit.
[17]
https://www.christianity.com/bible/commentary.php?com=wes&b=40&c=5
[18]
https://www.christianity.com/bible/commentary.php?com=wes&b=62&c=4
[19] Visão geral criado por IA do Google
[20] Visão geral criado por IA do Google
[21]
https://www.wesleysheritage.org.uk/exhibits/john-wesleys-sermons/sermon-sheet/?o=2699&t=feat
[22] https://www.wesleysheritage.org.uk/exhibits/john-wesleys-sermons/sermon-sheet/?o=2699&t=feat
[23] https://www.wesleysheritage.org.uk/exhibits/john-wesleys-sermons/sermon-sheet/?o=2699&t=feat
[24] https://www.wesleysheritage.org.uk/exhibits/john-wesleys-sermons/sermon-sheet/?o=2699&t=feat
[25] https://www.wesleysheritage.org.uk/exhibits/john-wesleys-sermons/sermon-sheet/?o=2699&t=feat
[26] https://www.wesleysheritage.org.uk/exhibits/john-wesleys-sermons/sermon-sheet/?o=2699&t=feat
[27] https://www.wesleysheritage.org.uk/exhibits/john-wesleys-sermons/sermon-sheet/?o=2699&t=feat
[28] Visão geral criado por IA do Google
[29] Visão geral da IA do Google
[30] https://www.wesleysheritage.org.uk/exhibits/john-wesleys-sermons/sermon-sheet/?o=2699&t=feat
[31] https://www.wesleysheritage.org.uk/exhibits/john-wesleys-sermons/sermon-sheet/?o=2699&t=feat
[32] https://www.wesleysheritage.org.uk/exhibits/john-wesleys-sermons/sermon-sheet/?o=2699&t=feat
[33] https://www.wesleysheritage.org.uk/exhibits/john-wesleys-sermons/sermon-sheet/?o=2699&t=feat
[34] https://www.wesleysheritage.org.uk/exhibits/john-wesleys-sermons/sermon-sheet/?o=2699&t=feat
[35] Visão geral da IA do google
[37]
https://www.eismeaqui.com.br/sem-categoria/john-fletcher-1729-1785
[38]https://chamadoparanacoes.wordpress.com/2015/12/16/a-vida-de-john.
[39] https://wikimili.com/en/John_William_Fletcher
[40] Visão geral criada por IA do Google
[41] Idem.
[42] No. XXVI, Londres, terça-feira, 7 de agosto de
1770, Q. 28. A. 2. Minutos das Conferências Metodistas
1744-98 [Mason, 1862] 95).
[43]https://www.catalystresources.org/john-fletcher-the-first-wesley-scholar
[44] Visão geral da IA do Google
[45]https://www.catalystresources.org/john-fletcher-the-first-wesley-scholar
[46] Visão geral da IA do Google
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