Líderes
metodistas que perderam um ente querido, mas seguiram em frente
Odilon Massolar Chaves
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fevereiro de 1998.
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Toda gloria a Deus!
Odilon Massolar Chaves é pastor metodista
aposentado, doutor em Teologia e História pela Universidade Metodista de São
Paulo.
Filho do rev.
Adherico Ribeiro Chaves e Roza Massolar Chaves.
É casado com RoseMary.
Tem duas filhas: Liliana e Luciana.
Sua tese tratou sobre o avivamento metodista na
Inglaterra no século XVIII e a sua contribuição como paradigma para nossos
dias.
Teologia.
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Índice
· Introdução
· Destaques dos capítulos do livro
· Luto, resiliência e legado de Susanna Wesley
· Luto,
resiliência e legado de Carlos Wesley
· Luto, resiliência e legado de Thomas Coke
·
Luto,
resiliência e legado de Mary Bosanquet
· Luto, resiliência e legado de Junius Newman e J.J.Ransom
· Luto, resiliência e legado de Daniel Parish
Kidder
· Luto, resiliência e legado de James
Lillbourne Kennedy
· Luto, resiliência e legado de James William
Wolling
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Introdução
Luto, resiliência e legado” é um livro de 35 páginas
sobre líderes metodistas que perderam um ente querido, mas seguiram em frente.
Susanna Wesley perdeu 10 dos 19 filhos e filhas que
tinha ainda na infância. John Wesley perdeu seu pai, depois sua mãe e seu irmão
Carlos Wesley. Perdeu ainda seus amigos George Whitefield e John Fletcher e ainda
sua esposa o abandonou e depois faleceu, mas ele continuou firme espalhando a
santidade bíblica.
Muitas esposas de missionários que vieram ao Brasil morreram. Cynthia
Kidder, esposa do rev. Daniel Kidder faleceu em 1840. É considerada a “primeira
mártir do metodismo brasileiro”.
Em 1877, faleceu Mary Newman, esposa do rev. Junius Newman, o pioneiro da
obra metodista permanente no Brasil. Annie Newman, filha do rev. Junius Newman
faleceu em 1880 com febre amarela. Era esposa do rev. J.J.Ransom, líder do
metodismo no Brasil.
O rev. J.L.Kennedy conseguiu a cura da febre amarela, mas, a sua esposa Jennie W. Kennedy faleceu em 1886. Mrs. Wolling, esposa do rev. J.W.Wolling faleceu em 1887. Ele continuou servindo ao Reino de Deus sendo um dos líderes destacados do metodismo brasileiro.
“A resiliência e o legado de missionários metodistas que perderam suas esposas no exercício do ministério são marcados por uma fé inabalável, dedicação extrema e a continuidade do trabalho missionário como resposta ao luto. No contexto metodista, especialmente na expansão missionária entre os séculos XIX e XX, a perda de cônjuges era uma realidade trágica devido a doenças tropicais e condições adversas”.[1]
Apesar de todo sofrimento, o progresso da obra do Senhor no Brasil era
motivo de alegria. Os missionários diziam: ”Despontou o ano de 1882, e o
trabalho, apesar de muitos embaraços, continuou a avançar”. As dificuldades
eram vencidas pela fé no Senhor.
O Autor
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Destaques dos capítulos do livro
Luto, resiliência e legado de Susanna Wesley
Nove de seus filhos morreram ainda bebes. “Seus gêmeos
morreram, assim como sua primeira filha, Susanna. Entre 1697 e 1701, cinco de
seus bebês morreram (...).
Luto,
resiliência e legado de Carlos Wesley
Eles tiveram oito filhos. Somente sobreviveram: Samuel, Charles e Sarah. Dos seus três
filhos sobreviventes, dois foram músicos muito talentosos.
Sally ficou com o coração partido pelas mortes de seus
filhos. Em
viagem, Carlos escrevia diversas cartas na tentativa de
consolar sua esposa
Luto, resiliência e legado de Thomas Coke
Thomas Coke se casou no dia 1º de abril de
1805 com Penelope Goulding Smith, uma mulher rica que gastou sua fortuna em
missões. Ela faleceu em 1811. Thomas Coke se casou novamente com Anne Loxdale, que faleceu em 1812
Luto, resiliência e legado de Mary Bosanquet
Após a morte de Fletcher, Bosanquet continuou
o trabalho de seu marido na paróquia. Isso ela fez pelos trinta anos
seguintes. Ela morreu na paróquia e foi enterrada no mesmo túmulo que seu
marido em dezembro de 1815.
Luto, resiliência e legado de Junius Newman e
J.J.Ransom
J.J.Ransom ficou abalado com a morte de sua
esposa Annie e foi passar um tempo nos EUA para se recuperar
Luto, resiliência e legado de Daniel
Parish Kidder
Daniel voltou para os EUA quando a sua jovem esposa Cyntia H. Russel faleceu, deixando-lhe dois filhos. Foi enterrada no cemitério dos ingleses, na Gamboa, Rio de Janeiro. Para muitos foi a primeira mártir metodista no Brasil.
Luto, resiliência e legado de James
Lillbourne Kennedy
Foi casado com Jennie Wallace. Ficou viúvo e
se casou depois com Dayse Pyles.
“Jennie Wallace Kennedy foi uma figura
importante no trabalho missionário metodista no Brasil, embora não tenha sido
uma missionária oficialmente nomeada pela Conferência, mas sim membro do
Conselho da Mulher”.
Luto, resiliência e legado de James William
Wolling
A esposa de Wolling, Lydia Green, faleceu em 1887 e, em 1889, Wolling se
casou com sua segunda esposa, Elizabeth "Lizzie" Morgan Rice
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Luto, resiliência e legado de Susanna Wesley
Nove de seus filhos morreram
ainda bebes. “Seus gêmeos morreram, assim como sua primeira filha, Susanna.
Entre 1697 e 1701, cinco de seus bebês morreram (...).
Susanna Wesley (1669-1742)
era a 25ª filha do Dr. Samuel Annesley e Mary White.
Ela gostava de Teologia.
Dominava bem francês, latim e o grego. Em 1688, com 19 anos, casou-se com
Samuel Wesley, que tinha 26 anos, e tiveram 19 filhos.
Samuel e Susanna “eram
descendentes de não-conformistas, seus avós estavam entre os clérigos expulsos
em 1662. O pai, Samuel Wesley (1662-1735), preferira o ministério da Igreja
estabelecida e fora, desde 1696 até a morte, pároco da igreja campesina de Epworth.
Homem de sincera tendência religiosa, no entanto era pouco prático. Escreveu a
Vida de Cristo em verso e um comentário ao livro de Jó. A mãe, Suzana Annesley,
era mulher de notável fortaleza de caráter, sendo, como seu marido, anglicana
devota. Os filhos tinham muito dos pais, mais talvez da força materna. Num lar
de dezenove filhos, dos quais oito morreram na infância, a regra era do
trabalho duro e de estrita economia.”[2]
“Certa vez, quando seu
marido lhe perguntou exasperado: ‘Por que você se assenta aí ensinando a mesma
lição pela 20ª vez a essa criança medíocre?’, ela respondeu calmamente: ‘Se
tivesse me satisfeito em mencionar esse assunto somente 19 vezes, todo o esforço
teria sido em vão. Foi a 20ª vez que coroou todo o trabalho”.[3]
Ela começava a ensinar o
alfabeto aos filhos no dia do aniversário de cinco anos.
Ela se preocupava com a
felicidade de seus filhos. Mantinha um horário rigoroso em seu lar, era
disciplinada e metódica. Ela sempre recompensava a obediência.[4]
Susanna passou a realizar
culto nos domingos à tarde para a família. Muitos vieram participar, chegando a
haver cerca de 200 pessoas.
Sofreu a dor da perda. Nove
de seus filhos morreram ainda bebes. “Seus gêmeos morreram, assim como sua
primeira filha, Susanna. Entre 1697 e 1701, cinco de seus bebês morreram (...).
Alguns de seus filhos tiveram varíola”.[5]
Dentre os filhos que Susanna perdeu ainda bebes ou na
infância, estão:
- Gêmeos: Entre os falecidos, quatro
eram gêmeos.
- Acidente: Uma empregada doméstica
sufocou acidentalmente um dos filhos.
Além das outras dificuldades na criação das
crianças, uma filha ficou
deformada para sempre por descuido da empregada. Um dos seus filhos só aprendeu
a falar aos seis anos de idade.
“Apesar de perder quase
metade dos filhos, Susanna é reconhecida pela sua resiliência, oração
disciplinada e por moldar o caráter dos filhos sobreviventes que impactaram o
cristianismo”. [6]
Em 1735, Susanna perdeu seu
esposo Samuel Wesley. Em princípio foi viver com uma filha. Depois foi viver
com Wesley na Fundação em Londres.
João Wesley esteve ao lado
de sua mãe no final de sua vida.
“Enquanto pregava em Bristol
num domingo de julho de 1742, John foi avisado que sua mãe estava enferma e
retornou às pressas. Na sexta-feira seguinte, ela despertou do sono para
clamar: Meu querido Salvador, tu estás vindo socorrer-me nos meus últimos momentos
de vida?’ Mais tarde naquele dia, enquanto seus filhos estavam ao redor de seu
leito, ela disse: ‘Filhos, tão logo eu tenha sido transferida, cantem um salmo
de louvor a Deus”.[7]
Susanna faleceu em 23 de
julho de 1742.
Luto, resiliência e legado de Carlos Wesley
Eles tiveram oito
filhos. Somente sobreviveram:
Samuel, Charles e Sarah. Dos seus três filhos sobreviventes, dois
foram músicos muito talentosos.
Sally ficou com o coração partido pelas mortes de seus
filhos. Em viagem, Carlos escrevia diversas cartas na tentativa de consolar sua esposa
Carlos Wesley (1707-1788) era
filho de Susanna e Samuel Wesley, um pastor anglicano. Foi irmão de João
Wesley. Susanna foi uma mãe exemplar que lhe ensinou desde cedo o Evangelho e a
vida de disciplina.
Carlos teve atuação
espiritual marcante. Ele criou o Clube Santo para buscar a santidade. Foi como
missionário com Wesley para a Geórgia, América, e escreveu cerca de 9 mil
hinos. Foi pregador itinerante do metodismo. Viajou milhares de quilômetros para pregar na Inglaterra,
Escócia, Irlanda e País de Gales.
Em 1747, Carlos conheceu
Sarah Gwynne (1726-1822) também conhecida como Sally, que tinha 19 anos.
Parece que foi amor à primeira vista. Era filha de uma família rica, no País de
Gales. Seu pai Marmaduke Gwynne oferecia acomodações para viajantes evangélicos e por
cinco dias ofereceu um lugar para Carlos e John Wesley.
Carlos retornou doente ao País de Gales, em março de 1748 e foi hospedado na casa de Marmaduke Gwynne. Sally cuidou
dele. Foi assim, em 3 de abril de 1748, que ele parece ter proposto casamento
para ela. Em seu Diário, ele
observou: "À noite a minha mais querida Sally, como meu anjo da guarda, me
acompanhou ... perguntei-lhe se ela poderia confiar em mim mesmo para a vida e
com uma simplicidade nobre ela prontamente me respondeu que poderia."[8] Carlos lhe propôs o casamento. A mãe de Sarah estava feliz em ver
Carlos se tornar seu genro.
Para expressar seu amor, Carlos frequentemente escrevia hinos. Nos “Hinos e Poemas Sagrados” (1749), estão cinquenta e cinco hinos com o título "Para amigos
cristãos". Embora sejam todos aplicáveis a amigos cristãos em geral, foram escritos inspirados pela sua amizade com Sally.[9]
A diferença de idade entre Sally e Carlos era de quase vinte anos, mas
ambos foram atraídos um pelo outro. O pai dela e a mãe de Sally estavam preocupados por Carlos não ter renda fixa. Carlos falou com o irmão sobre isso, e aparentemente em
uma carta à mãe de Sally, ele indicou que o dinheiro poderia ser fornecido a partir
da venda de seus livros.[10] Wesley garantiu a seu irmão uma renda
de £100 por ano das vendas de
livros para tranquilizar a posição financeira da família Gwynne. Carlos e
Sally se casaram em 1749 por John Wesley.[11] Seguiu-se uma lua de mel de duas semanas, mas podemos levantar algumas
perguntas sobre isso, pois Carlos pregou todos os dias da lua de mel![12]
Eles tiveram oito
filhos. Somente sobreviveram:
Samuel, Charles e Sarah. Dos seus três filhos sobreviventes, dois
foram músicos muito talentosos.[13]
Sally ficou com o coração partido pelas mortes de seus filhos. Em
viagem, Carlos escrevia diversas
cartas na tentativa de consolar sua esposa.[14] As crianças sobreviventes foram Charles Wesley Junior, Samuel Wesley e Sarah Senior. Os dois filhos foram dotados
musicalmente. Sua mãe era conhecida por suas habilidades musicais e
incluindo sua voz de canto que ela ainda usava para entreter em sua velhice. Sarah Senior tocava para o rei George III.[15]
Em 1756, Carlos Wesley
revelou ser um marido apaixonado. Viajava na itinerância metodista e escrevia
para sua esposa Sally: “Meu coração está com você. Eu quero você todos os dias
e horas. Eu deveria estar com você sempre (...), pois ninguém pode suprir o seu
lugar".
Charles provou ser não só um marido amoroso, mas também um devotado pai, embora fosse rigoroso. Ele diminuiu seu ministério
itinerante, pois queria prestar
atenção às suas responsabilidades familiares. Uma série de cartas para seus
filhos sobrevivem, na qual ele revela sua preocupação com seu bem-estar espiritual, bem como suas
necessidades temporais.[16]
Aos 79 anos, Carlos Wesley já havia percorrido 365 mil quilômetros em seu ministério e havia
participado de 46 mil cultos, cruzadas e reuniões
evangelísticas. Foi ele quem
enviou, em 1786, os primeiros missionários metodistas para a Índia. Quase dois anos depois, Carlos
Wesley faleceu, em 29 de março de 1788.[17]
Sally morreu em 28 de dezembro de 1818 e foi enterrada com seu marido
na Igreja Paroquial St
Marylebone.[18]
Luto,
resiliência e legado de Thomas Coke
Thomas Coke se casou no dia 1º de abril de
1805 com Penelope Goulding Smith, uma mulher rica que gastou sua fortuna em
missões. Ela faleceu em 1811. Thomas Coke se casou novamente com Anne Loxdale, que faleceu em 1812
Sua formação e experiência
Ele era filho único e viveu entre 1747-1814.
Thomas Coke nasceu em Brecon, Brecknockshire, País de Gales.
Seu pai era “um cirurgião rico e influente.
Sua educação inicial incluiu educação preparatória antes de ser colocado sob a
tutela do Rev. Griffiths até sua entrada no Jesuit College of Oxford aos
dezessete anos”.[19]
Thomas foi eleito conselheiro aos 22 anos e,
um ano depois, em 1770, eleito oficial de justiça.
Recebeu ordens anglicanas em 1772 e o diploma
de doutor em leis.
Ele, entretanto, não tinha ainda tido um
encontro com Cristo e se convertido genuinamente.
“Em sua busca, Coke acabou se convencendo de
que a ênfase metodista na justificação pela fé e no testemunho do Espírito era
verdadeira. Pregando em South Pemberton, a verdade da redenção mostrada cada
vez mais em seu próprio coração, ele logo se converteu genuinamente”.[20]
Ele passou a subir ao púlpito e pregar de
improviso e sua mensagem tocou em alguns corações que foram despertados, mas
suas mensagens também traíram a ira de algumas pessoas e do bispo. Acabou
expulso.
Em 13 de agosto de 1776, Wesley registrou no
seu diário que havia se encontrado com um jovem clérigo que havia viajado 30
quilômetros para se encontrar com ele.
O primeiro encontro de Thomas Coke com Wesley
foi decepcionante. “Em 13 de agosto de 1776, Coke encontrou o Rev’d John Wesley
pela primeira vez e esperava uma oferta de emprego como Pregador Metodista,
para sua decepção, Wesley o aconselhou a retornar à sua Curacy. Em um ano, Cock
foi expulso de sua paróquia quando ficou evidente que ele a dirigia como um
circuito metodista. Em desespero, ele foi até Wesley para apresentar seu caso e
foi aconselhado a ‘ir pregar o evangelho a todo o mundo. Thomas Coke tornou-se
um valioso ajudante para Wesley e foi fundamental para o início da Igreja
Metodista Episcopal, e logo se tornou um de seus Bispos”.[21]
No seu diário Wesley disse que havia
conversado muito com ele e afirmou que havia começado uma união que ele
acreditava que nunca terminaria. Em 19
de agosto de 1777, Wesley escreveu: “Eu fui para Taunton, com o Dr. Coke, que,
sendo demitido de sua curadoria, se despediu de seu nome honorável e está
determinado a lançar sua sorte conosco”. Dr. Coke iria investir toda sua
energia, fortuna e vida com os metodistas”.[22]
Wesley o considerava seu “braço direito” e foi
chamado “ministro das Relações Exteriores do Metodismo” por sua paixão
missionária.
Inicialmente, Thomas Coke “se manteve ocupado
viajando a cavalo pelo país, usando seu treinamento jurídico para trabalhar em
nome de Wesley para resolver os problemas que surgiram quando o movimento
metodista começou a desenvolver uma existência própria”.[23]
Ele se tornou o primeiro presidente da
Conferência Irlandesa dos metodistas em 1782.
Juntamente com Francis Asbury, Wesley ordenou
Thomas Coke, em 1784, como superintendentes da Igreja Metodista nas colônias
americanas, com o poder de ordenar outros superintendentes no Novo Mundo.
Em 1784, Wesley pediu voluntários para acompanhar Thomas Coke na
América. Ele escolheu Thomás Vazey e Richard Whatcoat.[24]
Thomas Coke foi nomeado como superintendente na América.[25]
Thomas Coke pregou em Paris. Promoveu a
criação de Missões na Escócia e Canadá. Após seu navio mudar de curso numa
tempestade, chegou, em I786, a Antígua, no Caribe, onde encontrou uma
congregação metodista composta quase só de negros.
“O Dr. Thomas Coke, fundador e diretor de missões estrangeiras dentro do
Metodismo, visitou Antígua em 1786. Durante sua visita, Anne Hart Gilbert e sua
irmã, Elizabeth Hart, converteram-se ao Metodismo após seu batismo na fé”.[26]
Thomas Coke se casou no dia 1º de abril de
1805 com Penelope Goulding Smith, uma mulher rica que gastou sua fortuna em
missões. Ela faleceu em 1811. Thomas Coke se casou novamente com Anne Loxdale, que faleceu em 1812.[27]
Além dessas perdas,
foram “enormes dificuldades das viagens que empreendeu, tanto por terra como
por mar. Em terra, havia árduas jornadas a cavalo por vastas florestas e rios
largos, às vezes cheios de enchentes. No mar, muitos dias - e às vezes meses - foram
passados em pequenos veleiros de madeira, com a ferocidade dos vendavais do
meio do Atlântico para enfrentar”.[28]
Luto,
resiliência e legado de Mary Bosanquet
Após a morte
de Fletcher, Bosanquet continuou o trabalho de seu marido na
paróquia. Isso ela fez pelos trinta anos seguintes. Ela morreu na
paróquia e foi enterrada no mesmo túmulo que seu marido em dezembro de 1815.
Mary Bosanquet (1739-1815) nasceu em Leytonstone, Waltham
Forest, Londres, Inglaterra. Seus pais, Samuel e Mary, eram ricos e huguenotes.[29]
Eram de origem francesa. Sua família era da alta sociedade e um dos seus irmãos
era diretor do Banco da Inglaterra.
Seu interesse pelo
metodismo começou aos seis anos com uma empregada metodista.[30]
Quando tinha treze anos, sua irmã mais velha a apresentou a um membro
da London Foundery Society, a Sra. Lefevre. Isso despertou seu
interesse pelo metodismo. Começou a rejeitar seu estilo de vida luxuoso e
passou a se vestir de maneira simples.[31]
Aos 21
anos, em 1760, aborreceu seus pais ao se recusar se casar com um jovem rico.
Ela deixou seus pais indo para uma propriedade da família em Leytonstone. Em
1763, decidiu usar sua riqueza para ajudar aos carentes. Criou uma comunidade
com a metodista Sarah Ryan para cuidar de crianças e adultos carentes. Os
pregadores metodistas itinerantes encontravam ali repouso. A casa se tornou uma
escola, orfanato, hospital e hospedaria. “Em junho de 1768, a fim de
estabelecer o trabalho em uma base financeira mais segura, a comunidade
mudou-se para Cross Hall”.[32]
Ela foi uma das primeiras diaconisas metodista.[33]
Em 1771, escreveu uma
carta para Wesley dizendo que tinha o chamado para pregar e solicitou
conselhos. Wesley respondeu: “Minha querida irmã: Acho que a força de sua causa
reside no seguinte: a chamada extraordinária que você tem. Eu estou tão certo
disso, pois tem cada um dos nossos pregadores leigos; Caso contrário, nenhuma
maneira que eu poderia aceitar sua pregação. É muito claro para mim a
dispensação extraordinária de Sua providência (...). Continuo, minha querida
irmã, Seu irmão amoroso, João Wesley."
Bosanquet se casou, em
1781, com John William Fletcher (1729-1785), nascido na Suíça e de origem
huguenote. Era grande líder do metodismo e amigo de Wesley. Em 1781, Fletcher
pegou uma correspondência de Mary Bosanquet. Eles haviam se conhecido no final
da década de 1770. Quando se conheceram, Fletcher considerou propor
casamento a Bosanquet, mas pensou que ela era muito rica para aceitar sua
proposta, e que ele se dedicaria melhor a Deus”.[34]
“Fletcher era conhecido na
Grã-Bretanha de sua época por sua piedade e generosidade; quando perguntado se
ele tinha alguma necessidade, ele respondeu: “(…) Eu não quero nada, mas mais
graça.” [35]
Durante os quatro anos de
casados, foram muito felizes e abriram novos pontos de pregação em Madeley. Ele
havia servido em West
Midlands, pela primeira
vez por vinte e cinco anos (1760-1785), onde viveu e trabalhou com devoção e
zelo, descrito por Bosanquet "trabalhos sem precedentes".[36]
Após a morte de Fletcher,
Bosanquet continuou o trabalho de seu marido na paróquia. Isso ela fez
pelos trinta anos seguintes. Ela morreu na paróquia e foi enterrada no
mesmo túmulo que seu marido em dezembro de 1815.[37]
Bosanquet era conhecida
como "Mãe em Israel", um termo metodista de honra, por seu trabalho
em espalhar a religião pela Inglaterra.[38]
Em 14 de agosto de 1815,
ela escreveu: "Trinta anos neste dia eu bebi a taça amarga e fechei os
olhos de meu amado marido, e agora eu mesmo estou morrendo, Senhor, prepara-me,
sinto a morte muito perto. Aguardo, e desejo voar para o seio do meu Deus!".
Mary Bosanquet disse: “Desde criança que sempre acreditei que Deus tinha em
mente um trabalho para mim, através do qual seria muito abençoada se fosse
fiel. “Muitas vezes ansiei intensamente por uma conformidade interior e
exterior para com a vontade de Deus, desejando muito viver como os primeiros
cristãos viveram, quando todos aqueles que eram crentes partilhavam o mesmo
espírito e não consideravam nenhumas das suas possessões como algo que lhes
pertencesse pessoalmente”.
Luto, resiliência e legado de Junius Newman e
J.J.Ransom
J.J.Ransom ficou abalado com a morte de sua esposa Annie e foi passar um
tempo nos EUA para se recuperar
Junius Eastham Newman (1819-1895) foi pastor metodista e
Superintendente Distrital nos EUA. Serviu durante a Guerra Civil Americana,
como capelão das tropas do Sul.[39]
Ele manifestou o
desejo vir também para o país quando viu diversas famílias de sulistas vindo
para o Brasil. Ele desejava rever suas finanças e participar da evangelização
do país.
Apesar de Newman
ter comparecido ao Concilio, em Mississipi, entre 21 e 28 de novembro de 1866,
e ter manifestado ao bispo William May Wightman o desejo de exercer seu
ministério no Brasil, a Junta de Missões alegaria que não tinha verba.
Ele veio com suas
próprias economias (100 dólares em ouro). Rev. Junius Newman chegou e fixou
residência em Niterói, em 1867.[40]
Com 47 anos,
Newman veio sozinho e chegou em Niterói em 24 de agosto de 1867.[41] Ele havia deixado a família nos EUA. Numa carta
escrita, em 1867, aos metodistas do sul, ele falou das “(...) sombrias
perspectivas na terra natal”.[42] E afirmou que “era
melhor emigrarem para o Brasil. Quando tais pessoas vierem, permanecerão e
agradecerão a Deus por esta linda e favorecida terra de refúgio...Pois aqui
acharão ‘liberdade para adorar a Deus’. O caminho ‘à vida, liberdade e à busca
da felicidade” está novamente aberto para eles”.[43]
Newman morava na
Freguesia de São Gonçalo, criada desde 1647. No dia 09 de janeiro de 1868, ele
alugou a Chácara das Neves.
“Ao cabo de sete
ou oito meses, o Rev. Newman voltou aos E. U. A. para trazer a família. E,
assim, a 12 de abril de 1868, deixou New Orleans, acompanhado da esposa e dos
três filhos: Mary Phillips, Annie Ayres e William, e de dois adotivos: William
e John Harris”.[44]
Sua esposa se
chamava Mary A. Newman.
Mas em 1869 ele
foi para junto da colônia norte-americana em Santa Barbara, SP. Só em 1871
organizou a primeira Igreja Metodista no Brasil com 9 membros.
Annie nasceu
em Livingston, Sumter County, Alabama, em 25 de dezembro de 1856. Ela tinha
apenas onze anos quando chegou ao Brasil.
Em maio de
1879, Newman fixou residência em Piracicaba onde suas filhas Mary e Annie
abriram um internato e externato começando com dez alunos e no final do ano
chegou a 40 alunos. É chamado o “precursor do Piracicabano”, Colégio metodista
em Piracicaba.
John James
Ransom (1853-1934) procurou Newman depois que chegou ao Brasil. Ele veio para
assumir a Missão Metodista no Brasil.
Annie
(1856-1880), filha de Junius Newman, foi a primeira professora de português de
J.J.Ransom. Ele, contudo, resolveu estudar português em Campinas onde lecionou
inglês e grego no Collegio Internacional fundado pelos presbiterianos.[45]
Na verdade,
foi Annie Newman quem começou a traduzir a literatura metodista para o
português no Brasil. Ela traduziu alguns dos primeiros hinos para o português.
Ela também traduziu o Catecismo do Bispo McTyeire sobre o Governo da Igreja e o
Catecismo Wesleyano, nº 3, para o português”.[46]
Em 1876, o
missionário J.J. Ransom chegou ao Brasil para ser o Superintendente da Missão.
“O Rev. John
James Ransom foi um missionário metodista estadunidense fundamental na
implantação permanente da Igreja Metodista no Brasil. Em 1878, instalou a
missão metodista no Rio de Janeiro e, em 1886, inaugurou a Igreja Metodista do
Catete. Ele também editou o periódico Methodista Catholico”. [47]
Ransom
conheceu Annie e escreveu com admiração sobre a capacidade de Annie de falar
como os brasileiros instruídos falavam.
Annie era uma pessoa maravilhosa. “Ransom descreveu a beleza do corpo e
da alma de Annie. Ele descreveu sua devoção espiritual, sua força e seu amor
pela Bíblia, escrevendo que ‘ela desejava ardentemente auxiliar no
aperfeiçoamento da tradução portuguesa das Sagradas Escrituras; seus estudos
por algum tempo antes de sua morte tinham sido direcionados para esse fim,
embora ninguém além de mim soubesse do fato, nem da incansável indústria que
ela exerceu sobre o domínio das línguas originais da Escritura. ‘Ela se
esforçou:’ A variedade, a multidão e frequentemente a complexidade de seus
compromissos assustariam uma mente mais fraca ou menos ordeira; mas durante
tudo isso ela se portou não apenas com uma compostura feminina, mas com um
espírito tão radiante e tão equânime que só poderia ser encontrado em alguém
cuja inspiração estava no Trono da Graça.”[48]
Newman contou
para Ransom sobre a conversão de Annie
aos seis anos de idade e Ransom descreveu
como a inocência e a beleza de Annie haviam causado uma profunda impressão em seu coração anos
atrás. Ele disse: “tenho certeza de nunca ter visto igual em qualquer outro.
‘Depois de concordar que ‘a vida de Annie, desde a infância, foi a mais
adorável e a mais bela que jamais esperei ver neste mundo".[49]
Annie era tão talentosa que, após se formar, foi procurada por várias
escolas brasileiras. “Ela aceitou um cargo de professora no Colégio Rangel
Pestana, que era uma escola feminina de elite em São Paulo que atendia a
algumas das famílias mais destacadas da província. Uma das alunas dessa escola
era filha de Prudente de Moraes, e foi enquanto ela lecionava nessa escola que
os irmãos Barros procuraram Junius Newman para abrir uma escola em Piracicaba”.[50]
Newman desde
Niterói desejava abrir uma escola no Brasil e se mudou para Piracicaba em 1879
para levar o projeto adiante e incentivou Annie a assumir.
O missionário
J.J. Ransom apoiou o projeto e, mais do que isso, fez um apelo para a
Associação Executiva Geral da Sociedade Missionária da Mulher da Igreja
Metodista Episcopal do Sul, que se reuniria em Louisville em 16 de maio-17 de
1879, “que, em resposta, havia prometido US $ 500 para a "escola de Miss
Newman". No ano seguinte, a Woman's Missionary Society alocou US $ 1.000
para "fins escolares" no Brasil.[51]
Annie com
relutância aceitou abrir assumir a escola, pois seu desejo era se casar no
final de ano com o missionário Ransom e ela seria a esposa de um missionário.
Também ela sabia que depois os dois iriam se mudar para o Rio de Janeiro.
Em 1877,
faleceu Mary, a esposa do rev. Newman. Dois anos depois, ele decidiu se mudar
para Piracicaba.[52]
No dia do seu
aniversário, 25 dezembro de 1879, Annie se casou com o missionário Ransom.
Ransom foi com
Annie morar no Rio de Janeiro e no dia 17 de julho[53]
de 1880 ela faleceu.[54]
Annie havia
sido atacada por uma febre amarela que persistiu por cinco meses. O fim estava
se aproximando.
Annie deixou
de lado sua caneta para sempre, “mas com seu último uso, ela deu a suas irmãs
da Igreja ME, do Sul, uma prova de quão profunda e ternamente ela amava o
trabalho para o qual alguns dias depois ela estava em algum sentido dar sua
vida. ‘Annie sofreu por dez dias. Os opiáceos a inclinaram a falar e ‘ela
contou sobre sua experiência cristã - como quando criança confiava em Deus com
uma fé tão infantil que hesitava em não pedir a ele qualquer coisa necessária’. Ransom e Annie oraram juntos - e então cantaram um hino:
‘Assim como eu - sem um apelo ... Ó Cordeiro de Deus, eu venho, eu venho!"[55]
Em 1880,
Newman se casou com Lydia E. Barr.
Foi um período
de lutas. Em maio de 1883, Mary Newman e Leonor Smith, membros ativos da Igreja
em Piracicaba, retiraram-se para Santa Bárbara por causa de enfermidades. Mary
Newman se restabeleceu em Santa Bárbara. Depois abriu uma escola paroquial.[56]
Em 1890,
Junius Newman voltou para os EUA e faleceu em 1896.[57]
Ele deixou um legado. J.L.Kennedy falou de “quão grande dívida de gratidão o
nosso querido metodismo no Brasil tem para com este servo do nosso bom Deus”[58]
e J.J. Ransom disse: “(...) foi nosso irmão J.E.Newman a pessoas que mais
serviu de instrumento para que a nossa querida Igreja reiniciasse a sua
propaganda do bendito Evangelho no Brasil”.[59]
Uma história
de sonhos, lutas e legado do rev. Junius
Eastham Newman.
Sonho de
refazer a vida e ter a liberdade e a felicidade de volta.
Lutas pelas
dificuldades de estar em uma terra estranha e numa língua que não conhecia, mas
ele veio com fé e determinação. Luta porque perdeu a esposa e uma filha.
Legado, porque
lutou para implantar o metodismo permanente e insistiu com as autoridades
metodistas para enviarem missionários.
Temos uma
eterna gratidão ao rev. Newman e à sua família.
Luto,
resiliência e legado de Daniel Parish Kidder
Daniel voltou para os EUA quando a sua jovem esposa Cyntia H. Russel faleceu, deixando-lhe dois filhos. Foi enterrada no cemitério dos ingleses, na Gamboa, Rio de Janeiro. Para muitos foi a primeira mártir metodista no Brasil.
Daniel Parish Kidder (1815-1891) nasceu em
Darien, Genesee County, Co., N.Y., EUA. Seus pais se opuseram que ele fosse
metodista, mas ele sempre se dedicou intensamente à Igreja. Ele se formou na
Universidade Wesleyana e entrou para o ministério pastoral. Aos 27 anos, chegou
à cidade do Rio de Janeiro enviado pela Sociedade Bíblica norte-americana
(1937-1940). Depois voltou entre 1840-1842.
Considerado de “excepcional brilhantismo e de
profunda cultura”, foi autor do primeiro relato de um viajante norte-americano
sobre o Brasil.
Daniel voltou para os EUA quando a sua jovem
esposa Cyntia H. Russel faleceu, deixando-lhe dois filhos. Foi enterrada no
cemitério dos ingleses, na Gamboa, Rio de Janeiro. Para muitos foi a primeira
mártir metodista no Brasil.
Daniel P. Kidder foi uma figura importante no início
do protestantismo brasileiro. Viajou por todo o país, vendeu Bíblias e manteve
contactos com intelectuais e políticos destacados, como o padre Diogo Antônio
Feijó, regente do império (1835-1837).
De volta aos EUA, após a morte de sua esposa,
Kidder escreveu o livro “Reminiscências de viagens e permanência no Brasil”,
publicado em 1845, um clássico que despertou grande interesse pelo Brasil.
Escreveu ainda “O Brasil e os Brasileiros” junto com James Cooley Fletcher.
Nos EUA foi secretário correspondente da União
da Escola Dominical Metodista e editor de publicações da Escola Dominical e
folhetos (1844-1856). Foi professor no Instituto Bíblico Garrett e no Seminário
Teológico de Drew.
Foi ainda secretário do Conselho de Educação
da Igreja Metodista (1880-1887). Escreveu diversos livros sendo um ilustre
pensador da Igreja Metodista, nos EUA. Quando voltou definitivamente para os
EUA, ele se casou com Harriel Smith.
É considerado um dos pioneiros do
protestantismo no Brasil. [60]
Luto, resiliência e legado de James Lillbourne Kennedy
Foi casado com Jennie Wallace. Ficou viúvo e
se casou depois com Dayse Pyles.
“Jennie Wallace Kennedy foi uma figura
importante no trabalho missionário metodista no Brasil, embora não tenha sido
uma missionária oficialmente nomeada pela Conferência, mas sim membro do
Conselho da Mulher”.
James Lillbourne
Kennedy (1857-1942) nasceu em Strawberry Plains, Jefferson, Tennessee, USA.[61] Era filho de pastor metodista.
Chegou ao Brasil como missionário em 1881. No dia 26 de março de 1881,
com 36 anos, Martha Watts e outros dois missionários partiram de Nova York, via
Europa, tendo como destino o Brasil. Os missionários foram: Rev.J.W.Koger,
esposa, filhinho e o rev. J.L.Kennedy com 23 anos.
J.L.Kennedy foi um dos três fundadores da Primeira Conferência Anual
Brasileira, em 1886. Em 1889, J. L. Kennedy, J.W. Wolling e Tarbaux publicaram
“As doutrinas e disciplina da Igreja Methodista do Sul”.[62]
Acolhimento e emancipação dos negros
A Igreja fez pouco pela luta contra a escravidão. Importante lembrar que
a Igreja Católica era a religião oficial do Brasil. Havia oposição aos
protestantes. Mas a Igreja não deixou de apoiar a libertação e de acolher os
negros libertos.
O professor José Gonçalves Salvador, no seu
livro História do Metodismo no Brasil, afirmou: “E na reunião de 5 de maio,
sendo pastor, agora, rev. Kennedy, lê-se que a Igreja levantou 300$000 para
ajudar na emancipação dos escravos do Rio. A quantia foi encaminhada ao
presidente da Câmara Municipal da cidade”.[63]
Um negro que J.L.Kennedy deu acolhimento foi
Ludgero de Miranda, que havia se convertido ao metodismo e foi para o Rio de
Janeiro para estudar para o ministério pastoral. Ludgero disse: “Em 5 de
fevereiro de 1885 fui para o Rio de Janeiro para começar os estudos necessários
ao ministério sob a direção do rev. J.J.Ransom”.[64]
Ludgero disse que em dezembro ficou doente:
“a 25 desse mesmo mês tive a febre amarela, porém Deus me livrou.[65]
Ele foi acolhido na casa do pastor
J.L.Kennedy, que era pastor no Catete: “Ludgero Luís Correia de Miranda,
ajudante do Rev. Kennedy, no Rio, adoece gravemente. Os sintomas logo se
manifestam: é a terrível febre. Como ninguém ainda lhe conhece as causas todos
receiam o contrário. Apesar de tudo, a generosa Mr. Kennedy conviu em levá-lo
para casa e dar-lhe o tratamento indicado pelo médico. Felizmente a crise
passou e ele pôde seguir para Juiz de Fora, a fim de restabelecerse melhor, e
voltar ao trabalho do Evangelho”.[66]
Ludgero foi ainda ajudante do rev. J.L.Kennedy na Igreja Metodista do Catete.
Família e ministério
Foi casado com Jennie Wallace.
“Jennie Wallace Kennedy foi uma figura
importante no trabalho missionário metodista no Brasil, embora não tenha sido
uma missionária oficialmente nomeada pela Conferência, mas sim membro do
Conselho da Mulher”.[67]
J.L.Kennedy ficou viúvo e se casou depois com Dayse Pyles.
Foi pastor em grandes e pequenas Igrejas. Em 1928 publicou o livro
histórico “Cinquenta Anos de Metodismo no Brasil”.
Foi Redator do Expositor Cristão e diretor de colégios. Foi muito
querido e admirado pela sua imensa dedicação ao metodismo brasileiro. Teve um
ministério muito frutífero.[68]
tygyEle se distinguiu pela variedade de atividades desempenhadas.
Organizou a primeira Federação das SS.MM.SS. em 23 de abril de 1916, na Igreja
Central de São Paulo.[69]
Luto, resiliência e legado de James William Wolling
A esposa de Wolling, Lydia Green, faleceu em
1887 e, em 1889, Wolling se casou com sua segunda esposa, Elizabeth
"Lizzie" Morgan Rice
James William Wolling (1850-1928) nasceu em Charleston, Carolina do
Sul.[70]
Filho de James Marion Wolling e Frances Wolling.[71]
James teve oito irmãos. Casou-se com Lydia Green, em 1878.
James Wolling foi para o Brasil levado pelo bispo Granbery, que propôs a
“Board of Mission,” nos Estados Unidos, de criar uma escola, o que foi
imediatamente aprovada. Ele trouxe os pastores John MaCPhearson Lander e James
William Wolling para iniciarem o projeto da escola, que foi inaugurada com
apenas dois alunos: Ludgero de Miranda e Felipe R. de Carvalho. O colégio
tornou-se um seminário teológico e, em 1928, ganhou status de Faculdade de
Teologia, permanecendo até 1939, quando foi transferida para São Bernardo do
Campo - SP, no bairro Rudge Ramos”.[72]
Desde 1887, Wolling esteve como missionário no Brasil. Na Conferência de
1887, responderam à chamada os membros Srs. J.L. Kennedy, J. W. Tarboux, H. C.
Tucker, e o novo missionário J.W.Wolling, recentemente transferido da
Conferencia Annual de Carolina do Sul, EUA.
A questão dos escravos
A libertação dos escravos, em 1888, não resolveu no todo o problema da
escravidão, pois muitos continuaram na subvida. Houve uma preocupação por parte
da liderança da Igreja em relação à situação dos negros.
“Devem ser procurados até nas fazendas e
receberem o nosso encorajamento e a nossa ajuda”.
J.W.Wolling, em 1888, disse na Conferência Distrital do Rio de Janeiro
que os negros tinham a mesma capacidade dos brancos de entender o Evangelho,
por isso deveríamos procurá-los: “Devem ser procurados
até nas fazendas e receberem o nosso encorajamento e a nossa ajuda”.[73]
Essa afirmação naquele momento histórico foi corajosa e profética.
Um dos fundadores do Granbery
Wolling é considerado um dos fundadores do Granbery: “J.W. Wolling e J.
M. Lander foram missionários metodistas que, em 1889, no Brasil, fundaram o
Instituto Granbery da Igreja Metodista, em Juiz de Fora, Minas Gerais”. [74]
Inicialmente, a escola se chamava “Juiz de Fora High School and
Seminary”, depois “Colégio Americano Granbery”.
A esposa de Wolling, Lydia Green, faleceu em
1887 e, em 1889, Wolling se casou com sua segunda esposa, Elizabeth
"Lizzie" Morgan Rice.[75]
Em 1889, Wolling junto com os pastores J. L. Kennedy e W. Tarbaux
publicaram “As doutrinas e disciplina da Igreja Methodista do Sul”.[76]
Dentre as igrejas que ele pastoreou está Piracicaba.
Wolling presidiu quatro Conferências Anuais na ausência de bispos.
Em 1887, como o bispo não estava presente, a “Conferencia, segundo
ordena a nossa Disciplina, elegeu para o qual dirigiu as sessões com perícia” o
Rev. J.W. Wolling. A segunda sessão da Conferencia Annual Brasileira foi
realizada na cidade do Rio de Janeiro, a 14 de julho de 1887, no novo Templo do
"Catete". [77]
A quarta sessão da Conferencia Anual reunida no dia 15 de julho de 1889
foi presidida pelo Rev. Wolling, na cidade do Rio de Janeiro.
“Isnard Rocha afirma que, onze anos após o início do trabalho metodista
na cidade de São Paulo, foi criada a Imprensa Metodista, “uma nova congregação
foi aberta na rua da Esperança, 15 B, local onde nasceu a Imprensa Metodista,
fundada pelo pastor J. W. Wolling, em 1894”.[78]
J. W. Wolling foi convidado a abrir e organizar a nona sessão da
Conferência Anual realizada no dia 26 de julho de 1894, no Largo do Catete, Rio
de Janeiro com a presença de 18 membros clérigos e alguns leigos. [79]
Na Conferencia tratou-se do estabelecimento em São Paulo de uma casa
publicadora. Por decisão da Conferência, J.W. Wolling ficou incumbido, pelo
período de quatro anos, da gerência desse estabelecimento.
Na Conferência Anual de 1894, Wolling fez a seguinte monção:
“J.W.Wolling apresentou a seguinte moção: "Propomos que o oeste de
São Paulo seja occupado pela nossa Egreja sem mais demora". Sendo
discutida largamente, a moção passou por grande maioria. Desde essa décima
Conferencia Annual, em julho de 1895, há 32 annos completos, o oeste tem sido
occupado ininterrrutamente pela nossa Egreja, tendo sido M. Camargo o seu
primeiro pastor, collocado em Ribeirão Preto. O tempo tem demonstrado a
sabedoria dessa occupação pela nossa Egreja”.[80]
A Conferencia Annual de 1900 se reuniu em São Paulo no dia 26 de julho,
presidida pelo Rev. Wolling, na ausência do bispo. [81]
Entre 1903-1904, James William Wolling e sua família retornaram aos EUA
de seu trabalho missionário no Brasil.
“O Nashville Christian Advocate informou que o Reverendo Wolling
retornou ao Brasil após uma estadia de 2 anos nos EUA, velejando de Nova York
em 30 de janeiro de 1905”.[82]
Na Conferência Anual de 1904 foi dito: “Estiveram presentes 30 ministros
e mais alguns representantes leigos. Estavam ausentes nos Estados Unidos: J.W.
Wolling...”.[83]
Em 1907, Wolling deixou o trabalho missionário no Brasil voltando aos
EUA. A Conferência Anual de 1907 registrou: “Foram transferidos: para a
Conferencia de Missouri: E.B. Crooks e para a Conferencia de Carolina do Sul,
J.W. Wolling”.[84]
Wolling faleceu em 15 de março de 1928, em Spartanburg, Carolina do Sul,
EUA.
[1] Visão geral criada por IA do Google
[2]https://pt.scribd.com/document/416974780/08-Historia-II-Walker-O-Reavivamento-Evangelico-Na-Gra-Bretanha#
[3] https://www.revistaimpacto.com.br/biblioteca/susanna-wesley/
[4] Idem.
[5] https://www.revistaimpacto.com.br/biblioteca/susanna-wesley/
[6] Visão geral criada por IA do Google
[7] https://www.revistaimpacto.com.br/biblioteca/susanna-wesley/
[8]http://www.emanuel.ro/wp-content/uploads/2014/06/P-7.2-2009-Michael-A.-G.-Haykin-My-Sister-Dearest-Friend.pdf
[9] http://media.sermonaudio.com/mediapdf/11108932252.pdf
[10] Idem.
[11] https://en.wikipedia.org/wiki/Sarah_Wesley
[12]http://www.emanuel.ro/wp-content/uploads/2014/06/P-7.2-2009-Michael-A.-G.-Haykin-My-Sister-Dearest-Friend.pdf
[14] http://media.sermonaudio.com/mediapdf/11108932252.pdf
[15] https://en.wikipedia.org/wiki/Sarah_Wesley
[18] https://en.wikipedia.org/wiki/Sarah_Wesley
[19]
https://holyjoys.org/the-legacy-of-thomas-coke-the-father-of-methodist-missions-part-1/
[20]
https://holyjoys.org/the-legacy-of-thomas-coke-the-father-of-methodist-missions-part-1/
[22]
https://holyjoys.org/the-legacy-of-thomas-coke-the-father-of-methodist-missions-part-1/
[23]
http://www.methodistheritage.org.uk/thomas-coke-memorial-celebrations-readings-from-brecon-cathedral-0514.pdf
[24] HEITZENHATER, Richard P., Ibidem, p p.287.
[25] HEITZENHATER, Richard P., cit,
p.287.
[26]
http://www.bu.edu/missiology/gilbert-anne-hart-1768-1833/
[27]
https://en.wikipedia.org/wiki/Thomas_Coke_(bishop)
[28]
http://www.methodistheritage.org.uk/thomas-coke-memorial-celebrations-readings-from-brecon-cathedral-0514.pdf
[29]Huguenotes era o nome dado aos protestantes franceses durante as guerras
religiosas na França (segunda metade do século XVI). https://pt.wikipedia.org/wiki/Huguenote.
[30]
http://chrisfieldblog.com/2008/09/01/mary-bosanquet-early-methodist-woman-preacher
[31] https://en.m.wikipedia.org/wiki/Mary_Bosanquet_Fletcher
[32]https://www.oxforddnb.com/view/10.1093/ref:odnb/9780198614128.001.0001/odnb-9780198614128-e-40209
[33]https://histometodista.wordpress.com/2016/01/29/los-predicadores-laicos-maria-bosanquet-xix/
https://www.findagrave.com/cgi-bin/fg.cgi?page=gr&GRid=88658145
https://www.metodista.br/revistas/revistas-ims/index.php/EL/.../4411
https://histometodista.wordpress.com/2016/01/29/los-predicadores-laicos-maria-bosanquet-xix/
http://www.metodistavilaisabel.org.br/artigosepublicacoes/descricaobiografias.asp?Numero=1242
Carta de uma Dama ao Reverendo Sr. Wesley, Londres, 1764 - https://gcsrw.org/Portals/13/Women-Called-to-Ministry/Women-Called-PO-Addendum-(2015).pdf
[34] https://en.m.wikipedia.org/wiki/John_William_Fletcher
[36] Idem.
[37] Idem.
[38] https://en.m.wikipedia.org/wiki/Mary_Bosanquet_Fletcher
[39] No seu livro “Do meu velho Baú metodista”, Eula Kennedy
Long, afirma que Newman era um pregador leigo. Confira na página 53, publicado
pela Junta Geral de Educação Cristã, em 1968.
[40] https://www.expositorcristao.com.br/150-anos-de-metodismo-no-brasil-missao-crises-e-crescimento-na-1a-regiao-eclesiastica
[41] SALVADOR, José Goncalves. História do Metodismo no Brasil.
1982, p.54-55.
[42] REILY, Duncan Alexander. História Documental do
Protestantismo no Brasil”. ASTE, São Paulo, 1984, p. 88.
[43] Idem.
[44] SALVADOR, José Gonçalves. História do Metodismo no Brasil.
Centro Editorial Metodista de Vila Isabel, RJ, p. 32-33.
[45] KENNEDY, James L. Cincoenta anos de
methodismo no Brasil, São Paulo, Imprensa Metodista, 1928, p.20.
[47] Visão geral criada por IA do Google
[48] DAWSEY, James Marshal. Annie Ayres
Newman Ransom (1856-1880) and Methodism in Brazil. Publicado no METHODIST
HISTORY pela General Commission on Archives and History of The United Methodist
Church, U.S.A., 1995, p.162-172.
[49] Idem.
[50] Idem.
[51] Idem.
[53] Alguns outros colocam
sua morte em março de 1880. Salvador. José
Gonçalves.
História do metodismo no Brasil. Imprensa Metodista, SP, 1982, p.79.
[54] Op.cit., p.61.
[55] DAWSEY, James Marshal. Annie Ayres
Newman Ransom (1856-1880) and Methodism in Brazil. Publicado no METHODIST
HISTORY pela General Commission on Archives and History of The United Methodist
Church, U.S.A., 1995, p.162-172.
[56] KENNEDY, James L. Cincoenta anos de methodismo no Brasil,
São Paulo, Imprensa Metodista, 1928, p.32.
[57] Op.cit, p.57.
[58] KENNEDY, James L. Cincoenta anos de methodismo no Brasil,
São Paulo, Imprensa Metodista, 1928, p. 19.
[59] Idem.
[60] LONG, Eula K. Do meu velho baú metodista. Junta Geral de
Educação Cristã, 1968, p.47.
http://www.casaruibarbosa.gov.br/oprazerdopercurso/bio_kidder.htm
https://pt.wikipedia.org/wiki/Daniel_Parish_Kidder
http://www2.senado.leg.br/bdsf/item/id/1050
http://www.mackenzie.br/fileadmin/Mantenedora/CPAJ/Fides_Reformata/06_O_Brasil_e_os_Brasileiros.pdf
[61] https://www.scvpalmbeach.com/sub-pyles-minchin
[62] Igreja Methodista Episcopal do Sul, As doutrinas e
disciplina da Igreja Methodista do Sul 1888: Edição Portuguesa, eds. J. L. Kennedy, J. W. Wolling, and J.
W. Tarbaux. Rio de Janeiro: Typ. Aldina de A. J. Lamourreux
& Co. 79, Rua de Sete de Setembro, 1888. p. 2.
[63] SALVADOR. José Gonçalves. História do Metodismo no Brasil.
São Paulo, Imprensa Metodista, 1982, p.151
[64] ROCHA, Isnard. Pioneiros e Bandeirantes do metodismo no
Brasil. São Paulo, Imprensa Metodista. 1967, p.61.
[65] Idem.
[66] SALVADOR, José Gonçalves. História do metodismo no Brasil.
Imprensa Metodista, p.103. Centro Editorial Metodista de Vila Isabel.
http://www.metodistavilaisabel.org.br/docs/docs/historiadometodismobrasileiro.pdf
[67] Visão geral do modo IA do Google
[68] ROCHA, Isnard. “Pioneiros e bandeirantes do metodismo no
Brasil”. Imprensa Metodista, 1967, p,154-156.
[69] Idem.
[71] https://www.myheritage.com.br/names/james_wolling
[72]
https://colegiometodista.g12.br/granbery/institucional/apresentacao/apresentacao
[73]WOLLING, J. W. em Atas da Conferência do Distrito do Rio de
Janeiro, 1888, p.25.
[75]Idem.
[76] Igreja Methodista Episcopal do Sul, As doutrinas e
disciplina da Igreja Methodista do Sul 1888: Edição Portuguesa, eds. J. L. Kennedy, J. W. Wolling, and J.
W. Tarbaux. Rio de Janeiro: Typ. Aldina de A. J. Lamourreux
& Co. 79, Rua de Sete de Setembro, 1888. p. 2.
[77] KENNEDY, J.L. Cinquenta Anos de Metodismo no Brasil. São
Paulo:Imprensa Metodista, 1928, p.50-172.
[78] Geoval Jacinto da Silva. Revista Caminhado, v. 10, n. 2 [ 1
6] – 2 sem. 2005, “O fim do período
missionário! Surge a Nova Igreja!”.
[79]KENNEDY, J.L. Cinquenta Anos de Metodismo no Brasil. São
Paulo:Imprensa Metodista, 1928, p.50-172.
[80] Idem
[81] Idem.172.
[83]KENNEDY, J.L. Cinquenta Anos de Metodismo no Brasil. São
Paulo:Imprensa Metodista, 1928, p.50-172.
[84] Idem.
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