A liderança e o legado de jovens no Movimento Metodista

 

Odilon Massolar Chaves

  

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Toda gloria a Deus!

Odilon Massolar Chaves é pastor metodista aposentado, doutor em Teologia e História pela Universidade Metodista de São Paulo.

Filho do rev. Adherico Ribeiro Chaves e Roza Massolar Chaves.

É casado com RoseMary.

Tem duas filhas: Liliana e Luciana.

Sua tese tratou sobre o avivamento metodista na Inglaterra no século XVIII e a sua contribuição como paradigma para nossos dias.

Foi editor do jornal oficial metodista e coordenador de Curso de Teologia.

 

 

Índice

 

 

·       Introdução

·       O pregador mais jovem que se tornou teólogo no Movimento Metodista

·       Foi pregador desde os 18 anos e se tornou bispo na América

·       Nomeado aos 23 anos, Wesley declarou que com seis homens como Thomas Walsh teria virado a Irlanda de cabeça para baixo

·       O modelo de mulher santa que se converteu aos 18 anos

·       A mãe do metodismo na América que se converteu aos 18 anos com uma pregação de Wesley

·       Começou a dirigir reunião de classe aos 30 anos

·       A jovem que deixou a riqueza e aos 23 anos abriu um orfanato

·       Aos 23 anos doou a terra e construiu a capela metodista em Yarm

·       Nomeado por Wesley líder de várias sociedades aos 20 anos

·       Aos 25 anos se tornou um pregador itinerante

·       O apóstolo do metodismo aos irlandeses que se converteu aos 29 anos

·       O companheiro mais confiável de Wesley que se tornou metodista aos 30 anos

·       O poeta do metodismo que organizou o Clube Santo aos 22 anos

 

 

Introdução

 

“A liderança e o legado de jovens no Movimento Metodista” e um livro de 38 páginas que trata da participação da juventude no Movimento metodista de Wesley.

Importante lembrar que o metodismo começou com os jovens de Oxford. Aos 22 anos, Carlos Wesley organizou o Clube Santo. Também aos 22 anos, Mary Bosanquet criou um orfanato metodista.

O maior teólogo do metodismo começou a pregar aos 17 anos. O primeiro bispo metodista na América começou a pregar aos 18 anos.

“O Movimento Metodista, iniciado por John Wesley no século XVIII, foi marcado por um forte apelo ao serviço cristão, incluindo o engajamento de jovens líderes e o serviço comunitário desde cedo. O movimento começou com jovens universitários em Oxford, mas expandiu-se com a participação ativa de leigos de todas as idades”.[1]

A maior parte participou do movimento metodista até o fim da vida.

O Autor

 

 

O pregador mais jovem que se tornou  teólogo no movimento metodista

 

 

Adam Clarke (1760 ou 1762-1832) nasceu na aldeia de Moybeg, na atual Irlanda do Norte. Teve uma educação limitada e trabalhou como aprendiz de um fabricante de roupas e na fazenda de seu pai. Era cheio de vida, mas não gostava de estudar.

Sua mãe era presbiteriana e seu pai era um anglicano. Depois de ser ridicularizado pelos colegas, começou a estudar avidamente e se tornou um aluno estudioso.

Em 1777, aos 17 anos, ouviu o metodista John Brettel pregar e se converteu. Passou a caminhar três ou quatro milhas para a reunião metodista. Começou a estudar a Bíblia e visitava as aldeias vizinhas exortando.

Começou a pregar por volta dos 18 anos. [2]

Em 1782 um dos pregadores do circuito Londonderry viu nele uma promessa e escreveu a Wesley, que o convidou para a Escola Metodista de Kingswood. Foi o pregador mais jovem do metodismo. Aprendeu a ler na cela enquanto viajava a cavalo começando todos os dias às cinco horas da manhã.

Só no Circuito Norwich pregou 450 sermões durante 11 meses. Serviu nos 24 circuitos metodistas, na Inglaterra e Irlanda. Trabalhou nas Ilhas Channels.

Ele se casou com Mary Cooke (1761-1837), na Igreja de Wanbridge, em 17 de abril de 1788. Ela era uma pessoa admirável e realizada. Cerca de uma semana depois, eles navegaram para as Ilhas Norman, para onde Adam foi nomeado. Tiveram 12 filhos.

Ele dizia que “um homem deveria ser grato por até mesmo uma esposa má, porque ela era muito melhor do que ninguém (...)”. Considerava Susanna Wesley um exemplo de mulher. Escreveu as Memórias da Família Wesley (1823).

Dominou diversas línguas, dentre elas: latim, hebraico, caldeu e línguas da Europa Ocidental. Três vezes foi presidente da Conferência Metodista (1806, 1814, 1822). Serviu duas vezes no circuito de Londres. Pregou ainda trinta anos após a morte de Wesley.

“Foi eleito membro das seis mais ilustres sociedades de seu tempo, incluindo a Sociedade Antiquariana, a Sociedade Real Asiática e a Academia Real Irlandesa”. 

Ele disse: “Aprender, eu amo, homens cultos, eu aprecio; com a companhia do grande e bom, eu estou frequentemente deleitado. Mas infinitamente acima de todos esses, e todas as outras alegrias possíveis, eu me glorio em Cristo – em mim vivo, e reinando. e adequando-me para seu paraíso”.

A British and Foreign Bible Society o contratou para trabalhar na preparação da Bíblia em árabe. Sua grande obra foi seu comentário sobre a Bíblia em 6 volumes (1810-1826).

Levou 40 anos para escrever seu comentário. Cada volume é composto por cerca de 1.000 páginas e é considerado o comentário mais detalhado sobre a Bíblia preparado por uma só pessoa.

Adam Clarke afirmou: “Um pregador metodista precisa conhecer tudo. Conhecimento parcial sobre algum ramo da ciência ou negócios é melhor do que a total ignorância (…)”. 

Foi um estudioso e um expositor ardente da santidade bíblica. Ele afirmou: “Todo o desígnio de Deus foi restaurar o homem para sua imagem, e erguê-lo das ruínas de sua queda; em uma palavra, torná-lo perfeito; apagar todos os seus pecados; purificar sua alma, e preenchê-lo com toda santidade, de modo que nenhum temperamento não santo, desejo pecaminoso, ou afeição ou paixão, impura, pudessem tanto habitar ou ter alguma existência nele. Esta, e somente esta, é a religião verdadeira, ou Perfeição Cristã. E uma salvação menos do que isto seria desonra para o sacrifício de Cristo, e a operação do Espírito Santo (…). Chame isto pelo nome que quisermos, ela deve implicar o perdão de todas as transgressões e o remover de todo o corpo de pecado e morte (…). Isto, então, é o que eu imploro, eu oro, e recomendo de todo coração a todos os crentes verdadeiros, sob o nome de Perfeição Cristã”.[3]

Adam Clarke recebeu muitas homenagens. Ele reforçou os ensinamentos de João Wesley. Foi um teólogo metodista bíblico.

 

Foi pregador desde os 18 anos e se tornou bispo na América

 

Francis Asbury (1745-1816) nasceu na Inglaterra. Era de uma família anglicana e durante muito tempo foi aprendiz de ferreiro.

Era filho de Elizabeth e Joseph Asbury.

“Ele e sua mãe passaram a assistir às reuniões metodistas. A devoção de sua mãe à religião deu a Asbury uma nova dimensão espiritual. Aos sete anos, ele já lia a Bíblia. Seus pais abriram a casa para trabalhos religiosos envolvendo-o mais na vida espiritual”. [4]

Francis Asbury foi ridicularizado na escola que frequentou em Snail's Green, um vilarejo próximo. Ele não se dava bem com seus colegas alunos que zombavam dele por causa das crenças religiosas de sua mãe.[5]

Aos 13 anos, teve seu primeiro emprego servindo para a pequena nobreza local, a quem mais tarde descreveu como uma das famílias mais ímpias da paróquia.[6]

Aos 18 anos, ele se transformou num pregador e viajou extensamente.[7]

Seu encontro com Wesley e ministério

Aos 22 anos, aceitou o convite de Wesley para ser missionário na América. John Wesley o nomeou para servir como missionário entre os assentamentos americanos. Ele se tornou uma vida na estrada e Asbury nunca se casou.[8]

Para viajar, foi preciso uma “coleta” de alguns amigos, pois Asbury não tinha dinheiro.

Após a guerra da independência, em 1784, Wesley o nomeou, juntamente com Thomas Cock, como co-superintendentes do metodismo na América.

Ele pregou cerca de 16.500 sermões e expandiu o metodismo para Tennessee e Kentucky.

Era muito organizado. “Tinha uma espantosa capacidade prática, seu gênio de organização, sua consumidora devoção à extensão do evangelho, sua coragem e energia infindáveis - tudo contribuiu para esta realização.”[9]

Mais tarde, utilizou o termo “Bispo” para si. Organizou escolas, aos domingos, onde as crianças foram ensinadas na leitura, escrita e aritmética.[10]

Asbury veio a ser a mais importante figura no metodismo americano. A devoção aos princípios e teologia wesleyanos modelou o metodismo na América do Norte.

Com a volta de Thomas Cooke à Inglaterra, Asbury assumiu as rédeas do metodismo. Ele “viajou extensamente através dos Estados Unidos, promovendo a causa metodista e liderou a organização oficial dessa denominação em 1784. Pelo fato de ter percorrido mais de 450 mil km, em grande parte a cavalo, ele conheceu o interior americano melhor que qualquer um dos seus contemporâneos e foi também o homem mais conhecido do seu tempo. Quando Asbury chegou aos Estados Unidos, em 1771, somente quatro missionários metodistas davam assistência à cerca de 300 pessoas. Quando ele faleceu, havia 2 mil pastores e mais de 200 mil metodistas no país.”[11]

Em 1800, teve início, com Francis Asbury, o primeiro pregador itinerante (circuit rider), no Kentucky, o período dos reavivamentos e “camp meetings” (reuniões campais).[12]

Ele “ultrapassou o próprio João Wesley, viajando em quarenta e cinco anos, somente a cavalo ou andando, mais de quatrocentos e setenta mil quilômetros, a maior parte por caminhos desertos. Atravessou as Montanhas Alegânis mais de sessenta vezes.”[13]

Enfrentou toda sorte de adversidades e doenças, como febres, úlceras, reumatismo crônico, mas nunca desistiu. No final de sua vida, insistiu numa viagem a Baltimore, onde haveria uma conferência, mas não resistiu e faleceu sentado numa cadeira e reclinado num jovem pregador, que viajara com ele.[14]

 

Nomeado aos 23 anos, Wesley declarou que com seis homens como Thomas Walsh teria virado a Irlanda de cabeça para baixo

 

Thomas Walsh (1730-1759) nasceu em Ballylin, County Limerick, Irlanda. Era filho de um carpinteiro e de uma família católica. Aos 19 anos foi para a Igreja Anglicana.  Era professor em Limerick.

Em 1749, o pregador metodista Robert Swindells foi pregar em Limerick e, dentre os ouvintes, estava Thomas Walsh que, em 1750, passou a frequentar a Sociedade Metodista em Newmarket.

Depois de quatro meses nas reuniões, nasceu de novo em meio às orações e dos cânticos experimentando o verdadeiro poder e amor de Deus.

Por causa de sua fé, foi ridicularizado por católicos e protestantes sendo chamado de hipócrita, louco, enganador, mas ele prosseguiu desejando ser ensinado mais a respeito de Cristo. Ele disse neste momento: "Desejei estar sempre na escola de Cristo, aprendendo as lições de Sua graça".

Aproveitou que Wesley estava em uma excursão de três meses na Irlanda e lhe perguntou sobre o chamado de Deus que acreditava ter recebido. Wesley pediu que Thomas lhe enviasse um testemunho escrito de sua conversão e experiência espiritual. Depois, Wesley respondeu em uma nota: "Meu caro Irmão. É difícil julgar o que Deus tem chamado a você até que a experimentação seja feita. Portanto, quando tiverem oportunidade, poderão ir a Shronell e passar dois ou três dias com as pessoas ali. Fale com eles em irlandês”.

Ele foi com um amigo andando trinta milhas para sua primeira pregação em Shronell, onde uma grande congregação se reuniu em um celeiro.

Thomas pregou sobre Romanos 3.28: "Portanto concluímos que um homem é justificado pela fé sem as obras da lei”.

Ele pregava em irlandês e inglês e se tornou um evangelista talentoso e determinado. Era destemido e foi preso na cidade de Bandon, mas continuou a pregar a partir da janela da cela. Em 1753, Wesley o nomeou para a itinerância* inglesa.

Em suas pregações, alguns zombavam e outros se voltaram para o Senhor. Sentindo o chamado ardente de Deus, ele se entregou ao ministério do Evangelho pregando duas vezes por dia em Limerick com grande poder. As pessoas que o ouviam começaram a ter profunda convicção do pecado e eram convertidas.

Deixou seu trabalho de professor e viajou por outras partes do sul da Irlanda pregando duas a três vezes por dia. Pregava nas montanhas e estradas, prados, casas particulares, prisões e navios.

“Multidões de todas as denominações vinham ouvi-lo pregar. Em cidades de campo muitas pessoas pararam para escutá-lo por curiosidade, mas logo foram encontradas chorando”. Os pobres caíam de joelhos clamando pela misericórdia de Deus.

Além da língua irlandesa, sabia o inglês, latim, grego e hebraico. “Os sacerdotes e outros inimigos do Evangelho ficaram indignados com o seu sucesso e influência e assim começaram a espalhar relatórios falsos e rumores sobre ele. Isso não funcionou. Então, multidões foram agitadas contra ele. Frequentemente era atacado com varas e pedras; mesmo enquanto pregava, teria de fugir da vida de uma turba arremessadora de pedras”.

Em janeiro de 1752, viajava para Roscrea e um grupo de homens armados com paus e pedras, que haviam feito um juramento para prejudicá-lo,  o levou cativo. Eles trouxeram um padre católico e protestante fora da cidade na esperança que ele rejeitasse o metodismo. Como Estevão foi sábio em respostas e os confundiu. Então, eles prometeram deixá-lo ir desde que não voltasse mais à Roscrea. Ele respondeu que preferiria morrer a fazer isso. Foi levado para a cidade, onde ameaçaram jogá-lo em um poço, se ele não prometesse que ele não voltaria. Mais uma vez recusou.

Um ministro local veio em seu auxílio e o escoltou com segurança. Mas Thomas era destemido como Estevão e logo foi para a rua. Em meio da multidão do mercado pregou ousadamente o Evangelho. A multidão o pegou violentamente e o jogou para fora da cidade. Em seu cavalo levantou a voz em oração a Deus. Thomas não desistiu e voltou, mais tarde, onde alguns haviam crido e assim formou uma Sociedade Metodista.

Por volta de 1752, era um dos únicos nove pregadores itinerantes metodistas existentes na terra.

Em maio de 1754, Thomas Walsh pregou em Londres, ao ar livre, para grandes multidões em sua própria língua. Uma semana depois, pregou em Moorfeilds, em irlandês e inglês.

“Walsh voltou de Londres para Cork, onde teve uma boa audição de grandes multidões de católicos que o ouviram com alegria mesmo que os sacerdotes fizessem tudo o que estava ao seu alcance para o impedir”.

Wesley disse que não conhecia nenhum pregador que em tão poucos anos Deus usasse para converter tantas pessoas. Wesley disse também: "Tal mestre de conhecimento bíblico que eu nunca vi antes, e nunca esperaria ver novamente."

Thomas era fervoroso na Palavra e orações. Ele chorava ao ver as pessoas se voltarem para Cristo.

Caiu gravemente enfermo, mas logo depois continuou a pregar.

Em 1756, visitou Newtownards para pregar e uma multidão o arrastou pelas ruas. Conseguiu se libertar e, depois, fez outra tentativa de pregar, mas foi atacado por essa multidão e correu para salvar sua vida indo pelos campos até as montanhas se encharcando completamente, o que certamente piorou sua saúde.

Em 1758 morreu em Dublin em um quarto na capela da Rua de Whitefriar.

Em 1762, James Morgan escreveu, em Londres, o livro “A vida e a morte de Mr.Thomas Walsh”.

João Wesley declarou que com seis homens como Thomas Walsh teria virado a Irlanda de cabeça para baixo.[15]

 

O modelo de mulher santa que se converteu aos 18 anos 

 

 

 

Hester Ann Roe (1756-1794) nasceu em Macclesfield, Inglaterra. Era filha do Rev. James Roe, da Igreja Anglicana, curador de São Miguel. “Seu irmão, Charles Roe, era um empreendedor principal nas indústrias da seda e do cobre”. Aos 9 anos, ela perdeu seu pai. 

Hester era uma menina religiosa, que se sentia sempre caindo em pecado: "eu caí em todos os vãos costumes e prazeres de um mundo ilusório”. Ela vivia em culpa e longe da alegria do Senhor. 

Em 1774, ouviu as pregações do metodista Samuel Bardsley e buscou o novo nascimento orando em casa e cortando laços com o mundo. Depois, disse: "Meus pecados se foram, minha alma estava feliz; e eu desejava partir e estar com Jesus. Eu era verdadeiramente uma nova criatura, e parecia estar em um mundo novo!". 

Em 1776, conheceu Wesley. A visita de dois dias de Wesley a Macclesfield, onde ela morava, foi um turbilhão. Numa manhã, Wesley pregou três vezes. 

Ela ficou impressionada com a "ternura parental", de pai para filha, de Wesley com ela e com a sabedoria de seu conselho espiritual. Ela esteve uma hora sozinha com Wesley, depois do café da manhã e disse: "Que maravilha é esse querido santo de Deus! Agora acima de 70 anos de idade. Quão saudável e forte! Quão alegre na piedade! Quão ativo e laborioso na obra de Deus! Dez bênçãos descem neste dia sobre os seus cabelos." 

Entre 1776 e 1784, Wesley anualmente visitou Macclesfield. Hester registrou seis encontros com Wesley em seu diário. Anotava o tempo e o sermão de Wesley pregado. Ela teve uma renovação espiritual ocasionada por uma "conversa confortável com ele sozinha "durante uma visita em abril de 1777. 

O envolvimento de Hester com os metodistas trouxe dura perseguição e indiferença de familiares e amigos. Certa vez, ela se aconselhou com Wesley e registrou sobre sua forma de orar: “orava com um espírito de luta, para que eu pudesse suportar”. 

Foi uma das mulheres que se relacionava com facilidade com Wesley, de quem se tornou amiga e correspondente devotada. Foi na leitura dos sermões e tratados de Wesley que ela o viu como seu mentor espiritual. 

Em 1782, ela se casou com o pregador metodista James Rogers, cuja primeira esposa havia morrido. Eles ministraram em Dublin, Irlanda, Cork e Londres. Haster era próxima de Wesley. Em 1791, estava no quarto, onde Wesley morreu. Provavelmente, devia ser governanta de Wesley, pois  estava presente em seu leito de morte. 

Liderou "reuniões de classe" e "bandas" para os que buscavam o "amor perfeito". Liderou as "Festas do Amor". Também visitava. Ela disse: "Fui com o Sr. Rogers para visitar muitas famílias”. Hester foi pregadora, líder de classe, escritora, visitadora dos doentes, etc. Ela escreveu o livro: “A experiência da Sra. HA Rogers”. Foi considerada por Wesley como “um grande exemplo vivo de sua doutrina da perfeição cristã”. Seu funeral foi dirigido por Thomas Coke, que a viu como pastora e não simplesmente uma pregadora. 

Após a morte de Hester, o sermão do Thomas Coke no funeral chamado “O Caráter e Morte da Sra. Hester Ann Rogers”, foi publicado, em 1795, e apresentou a vida de Hester como um modelo para as mulheres metodistas. Durante décadas seguintes, sua história foi reeditada dezenas de vezes. Também foi publicado “Vida e Diário da Sra. Hester Ann Rogers”, por E. Davies, em 1882. 

Era carinhosamente conhecida como "H.etty". Ela se tornou famosa pela sua “santidade, zelo e influência cristã”. Essa fama foi em grande parte graças à publicação de extratos do seu diário após sua morte publicado por R. Edwards, em 1796, “A Experiência da Sra. Hester Ann Rogers” tornou-se um trato devocional extremamente popular.[16]

 

A mãe do metodismo na América que se converteu aos 18 anos com uma pregação de Wesley

 

Barbara Ruckle Heck (1734-1804) nasceu no condado de Limerick, Irlanda. Seus pais haviam fugido da perseguição religiosa na Alemanha. Era filha de Sebastian Ruckle. Heck pertencia a uma colônia de alemães que veio de Palatinado* e se estabeleceu em Ballingrane, condado Limerick, por volta de 1708.

Ela se converteu aos 18 anos através da pregação de Wesley. “Na sequência da segunda visita de John Wesley à Irlanda, em 1748, o que levaria ao estabelecimento da Conferência Irlandesa, muitos neste grupo de cerca de 100 famílias se tornaram metodistas. Entre os convertidos, que foram reunidos em sociedades metodistas, estavam Barbara Ruckle e seu futuro marido, Paul Heck”. Eles se casaram em 1760 e tiveram duas filhas e três filhos.

Em 1760, partiram com um grupo de irlandeses para o Novo Mundo, estabelecendo-se na colônia de Nova York. Emigraram com o objetivo de fundar uma fábrica de linho em Nova York, o que não foi alcançado. Ela e os novos colonos tiveram várias outras formas de emprego.

No grupo estava seu primo Philip Embury, carpinteiro, que se converteu também com Wesley, na Irlanda, e que havia recebido carta de pregador. Mas o grupo perdeu o zelo religioso e passou para a decadência espiritual.

Em 1766, ao ver um grupo jogando cartas, Barbara varreu a mesa, jogou as cartas na lareira e desafiou Philip a pregar na sua própria casa com a frase: “Philip, tens de pregar para nós ou todos iremos para o inferno e Deus exigirá nosso sangue de tuas mãos”.

Criaram duas classes em Nova York. Logo o local se tornou pequeno e alugaram um “Cenáculo”.

O primeiro grupo incluiu os Hecks e seu escravo, Betty, imigrantes irlandeses e um número de afro-americanos. Barbara Heck desenhou a capela simples na John Street, que representou a primeira localização permanente do grupo.

No ano seguinte, eles foram apoiados pelo capitão e metodista Thomas Webb. Em 1768, na Rua St. John, em Nova York, foi erigida a primeira capela metodista na América.

Com o marido e outros membros da comunidade foi cultivar terras cultivadas perto de Salem, no condado de Washington, New York (1770);

Quando a Guerra Revolucionária Americana começou, em 1766, Paul Heck pegou em armas para lutar pelos britânicos.

Paul participou do exército do general inglês John Burgoyne** e acabou sendo preso por soldados patriotas, mas escapou à noite enquanto eles dormiam e fugiu com sua esposa para Augusta, Canadá. Em 1778, sua fazenda, em Vermont, foi confiscada pelos rebeldes.

Em 1774, a família recebeu uma doação de terras em Maynard, onde realizaram a primeira classe metodista em sua pequena cabana na floresta, onde permaneceram pelo resto de suas vidas.

“Eles e outras antigas famílias palatinas que vieram para esta área e para os bairros da Baía de Quinte aparentemente procuraram manter vivos os rudimentos da comunhão metodista e da disciplina. Estes dois grupos foram os núcleos dos primeiros circuitos no que viria a ser a Conferência do Canadá da Igreja Episcopal Metodista”.

O clérigo metodista Albert Carman comentou que Barbara Heck tinha uma vida humilde, santa, irrepreensível e morreu entre seus parentes com sua Bíblia em seus joelhos.

Em 1817, Samuel, filho de Barbara, foi ordenado diácono na capela metodista em Elizabethtown.[17]

 

Começou a dirigir reunião de classe aos 30 anos e se tornou a primeira pregadora metodista

 

 

Sarah Crosby (1729-1804) nasceu em Leeds, Inglaterra. Ela foi atraída pelas pregações de Whitefield e, em 1750, aceitou a doutrina da perfeição cristã de João Wesley.  

Neste mesmo ano, ela se casou e, depois, foi líder de classe. Quando seu marido a deixou, em 1757, Crosby foi para Londres, o centro do metodismo na Inglaterra. 

Entrou em contato com as mulheres metodistas e se tornou uma conselheira para diversas mulheres metodistas, dentre elas, Mary Bosanquet. 

Em 1761, Crosby dirigiu uma reunião de classe em Derby para aproximadamente 200 pessoas. 

Insegura por haver tanta gente, apenas dirigiu um hino, orou e testemunhou como o Senhor a persuadiu a fugir de todo o pecado. 

Em 1771, escreveu para Wesley afirmando: "Se eu não acreditasse que eu tivesse um chamado extraordinário, eu não agiria de uma maneira extraordinária." 

Wesley lhe disse: “Você me coloca em uma grande dificuldade”, pois os metodistas não permitiam mulheres pregadoras. Wesley continuou: “Mas vou simplesmente dizer-lhe o que está em meu coração. '... Não vejo que você tenha quebrado qualquer lei. Vá com calma e firmemente”. 

Wesley reconheceu o "chamado extraordinário de Deus para o metodismo" incluindo Crosby e a autorizou a falar de sua "experiência". Wesley aprovou também a Mary Bosanquet. 

Elas foram evangelistas dedicadas junto com cerca de outras 41 mulheres no tempo de Wesley. Crosby pregou durante o resto de sua longa vida. 

No ano de 1777, “ela tinha percorrido 960 milhas, pregado em 220 reuniões públicas, 600 reuniões privadas, escrito 116 cartas espirituais de aconselhamento”. 

Crosby estava envolvida com a comunidade de mulheres metodistas, em Cross Hall, em Madelely, que contava com Mary Bosanquet Fletcher, Sarah Ryan, Mary Tooth, Ann Tripp e Elizabeth Mortimer. 

Nessa comunidade havia um orfanato. Posteriormente, Crosby voltou para Leeds.[18]

 

 

A jovem que deixou a riqueza e aos 23 anos abriu um orfanato

 

Maria Bosanquet (1739-1815) nasceu em Leytonstone, Waltham Forest, Londres, Inglaterra. Seus pais eram ricos e anglicanos. Desde pequena, ela mostrou interesse espiritual reconhecendo ser pecadora e indagava se tinha fé em Cristo. Sua família era da alta sociedade.

Uma conversa entre sua irmã e uma empregada metodista confirmou a sua visão de fé. Conheceu algumas mulheres metodistas de Londres que a levou a abandonar a vida social frívola para se dedicar a Cristo. Ela experimentou a presença de Jesus e desejou ser santa e dedicada ao seu Salvador.

Aos 21 anos, em 1760, deixou seus pais e se mudou para Leytonstone. Em 1762, abriu um orfanato com a metodista Sarah Ryan para os órfãos. Os pregadores metodistas itinerantes encontravam ali repouso. A casa se tornou uma escola, orfanato, hospital e hospedaria.

Em 1768, transferiu a instituição para Cross Hall, em Yorkshire. Em 1771, escreveu uma carta para Wesley dizendo que tinha o chamado para pregar e solicitou conselhos. Wesley respondeu:

"Londonderry, 13 de junho de 1771.

Minha querida irmã:

Acho que a força de sua causa reside no seguinte: a chamada extraordinária que você tem. Eu estou tão certo disso, pois tem cada um dos nossos pregadores leigos; Caso contrário, nenhuma maneira que eu poderia aceitar sua pregação.

É muito claro para mim a dispensação extraordinária de Sua providência. Assim, não admira que algumas coisas aconteçam nela que não se enquadram nas regras comuns de disciplina. A regra comum de St. Paul foi: "Eu não permito que a mulher fale na congregação" (1 Cor 14:34;.. 1 Tim 2:12)

No entanto, em casos extraordinários que Ele fez algumas exceções; particularmente em Corinto.

Continuo, minha querida irmã,

Seu irmão amoroso,

João Wesley."

Wesley considerou o metodismo como uma extraordinária concessão de Deus, inclusive para as mulheres ministrarem. Bosanquet organizou uma sociedade com 25 membros e foi uma guia de classe.

Bosanquet se casou, em 1781, com John Fletcher, grande líder do metodismo e amigo de Wesley. Foram muito felizes. Durante os quatro anos de casados abriram novos pontos de pregação em Madeley. Ela levou a sério o ensino de Wesley de "dar tudo o que você pode" usando seus próprios recursos financeiros e seu tempo para ajudar as pessoas necessitadas. Gastou sua fortuna na manutenção do orfanato.

Seu casamento é um modelo para mulher cristã continuar a sua vida espiritual e profissional mesmo depois de casada. Seu marido apoiou seu ministério. Mesmo viúva continuou o trabalho por mais 29 anos. Sua casa foi um centro de grande atividade espiritual.

Em 14 de agosto de 1815, escreveu: "Trinta anos neste dia eu bebi a taça amarga e fechei os olhos de meu amado marido, e agora eu mesmo estou morrendo, Senhor, prepara-me, sinto a morte muito perto. Aguardo, e desejo voar para o seio do meu Deus!".

A vida de Mary Bosanquet-Fletcher foi considerada de completa devoção a Deus. Ela dedicou sempre o tempo, dinheiro e energia. Sua dedicação era  incessante para os outros, desde os cuidados infantis à comunicação das boas novas da salvação.

Foi uma das primeiras diaconisas do metodismo.[19]

 

 

Aos 23 anos doou a terra e construiu a capela metodista em Yarm 

 

George Merryweather (1743-1817)* nasceu em Yarm, Inglaterra.  Era um rico comerciante e carregador de sal de Northumberland. Fundou a Sociedade Metodista em Yarm. 

Depois que Wesley pregou no celeiro de sua casa, George construiu uma capela octagonal no local, em 1763. 

Ela foi um modelo para Wesley e George esteve envolvido em sua construção. Wesley a descreveu, em 1764, “de longe a mais elegante na Inglaterra". 

Ele ficou na casa da familia Merryweathers em dezenove ocasiões e se correspondia constantemente com George. 

Em 24 de janeiro de 1760, Wesley recomendou a George dois livros, a quem chamou de “Meu querido irmão”. Ele disse: “Gostaria que você recomendasse em todos os lugares dois livros em particular – “O Padrão Cristão” e o “Físico Primitivo”.

Em 16 de Janeiro de 1758, Wesley lhe escreveu: “Meu querido amigo, se a obra de Deus cresceu tanto em Yarm, não devemos deixar passar a oportunidade. Portanto, permita que o pregador itinerante fique aqui todo domingo à tarde, ou, pelo menos, um domingo sim, outro não.” 

 

George era o anfitrião de Wesley que pregou pela primeira vez em Yarm em 1748. Em 1763, doou a terra e construiu a capela metodista em Yarm. 

No Natal de 1763, a capela foi aberta pelo pregador metodista Peter Jaco. Para Wesley, a capela metodista em Yarm era sua "capela favorita". 

Ele ficou tão satisfeito com a capela octogonal que a usou como modelo e mais 14 capelas foram construídas na Inglaterra. 

A família Merryweather era partidária e amiga de Wesley, que pregou em Yarm, em 1774, no aniversário de 72 anos de George Merryweather. 

Para Wesley, a capela octogonal "é melhor para a voz e em muitos relatos mais convenientes do que qualquer outra". 

Dizem que Wesley também teria dito: "não há cantos para o diabo se esconder". Yarm é a mais antiga capela octogonal metodista do mundo. Em 2013, comemorou 250º anos.[20] 

 

 

Nomeado por Wesley líder de várias sociedades aos 20 anos  

 

Peter Jaco (1729-1781) nasceu em Newlyn, em Cornwall, perto de Penzance, Inglaterra, um lugar considerado selvagem, espiritualmente sombrio. Era filho de um processador de sardinha. 

Estudou só até os 14 anos, pois seu professor bebia em excesso e Jaco não o suportava. Preferiu ir trabalhar com seu pai, que era um mestre em negócios e um verdadeiro homem. Passou muito tempo trabalhando na pescaria de sardinha. 

Desde a infância, tinha "pensamentos terríveis de Deus". Jaco sabia que era pecador, mas não sabia o que fazer. 

Era casado com Elizabeth e tinha uma filha, Eliza Fenwick. Em 1746, ouviu um pregador metodista pregar e se converteu. Depois, tornou-se um exortador metodista e um pregador itinerante. 

Pedro, o pescador, abandonou suas redes, seguiu a Cristo e se tornou um “pescador de homens”. Peter Jaco também era pescador. Ele deixou tudo e se tornou um “pescador de homens”. 

Em 1751, Wesley o visitou e o nomeou líder de várias sociedades. Em 1754, foi para Londres a convite de Wesley e foi nomeado para o circuito de Manchester. Quando foi chamado a pregar, duvidou de sua capacidade, mas João e Carlos Wesley o viam como um pregador de tempo integral. 

No Natal de 1763, uma nova casa de pregação foi aberta por Peter Jaco, em Yarm. Ele serviu em Warrington, Dublin, Cornualha, Sheffield e Londres sofrendo muita perseguição e passando dificuldades. 

Costumava pregar três ou quatro vezes por dia viajando 30 ou 40 milhas tendo muito pouco para suprir suas necessidades. Talvez, por isso, Wesley fez uma agradável ironia sobre Peter Jaco, “na carta de 7 de outubro de 1773, que sugere que um camelo ou um elefante seria necessário para tal itinerante”. 

Em Warrington, foi atingido no peito por um tijolo e o sangue jorrou através de sua boca, nariz e orelhas. Ele relatou: “Em Warrington eu fui golpeado tão violentamente com um tijolo no peito que o sangue jorrou para fora através de minha boca, nariz e ouvidos. 

Em Grampound, fui pressionado por um soldado [essencialmente sequestrado e forçado no Exército - normalmente reservado para vagabundos e pequenos criminosos] ... embora eu fosse honrosamente absolvido...isso me custou uma grande soma de dinheiro, bem como muitos problemas”. 

Jaco disse: "durante muitos anos, fui exposto a várias outras dificuldades e perigos, mas tendo obtido ajuda de Deus, continuo até hoje em Seu serviço. No momento, acho minha mente tanto dedicada a Ele como eu sempre fiz. Sinto a necessidade de uma maior conformidade com Cristo (...)".[21] 

Na edição de novembro de 1778 da revista The Arminian Magazine, Wesley publicou o relato autobiográfico do ministério de Jaco. “Nele, Jaco refletiu sobre sua fé de infância, sua chegada à conexão wesleyana, sua relutância em se tornar um pregador itinerante, e alguns ensaios e sucessos desde a aceitação deste convite”. 

Wesley sempre honrou seus pregadores. Em 1781, ele publicou na revista Arminian Magazine*, um Epitáfio** sobre Peter Jaco:


“Pescador dos homens, ordenado por Cristo somente,

Almas imortais ele ganhou para seu Salvador;

Com fé amorosa e zelo fervoroso,

Sofreu e realizou a vontade do Redentor;

Impassível*** em todas as tempestades da vida permaneceu,

E na boa velha nave o porto ganhou”. 

 

 

Aos 25 anos se tornou um pregador itinerante

 

Richard Rodda (1743-1815) nasceu em Sancreed, Cornwall, Inglaterra.  De 4 a 6 anos, desenvolveu uma consciência grande de Deus e do seu pecado e desejou fugir da ira vindoura. 

Seus pais rejeitavam o metodismo, pois ouviram dizer que os metodistas eram inimigos da Igreja e do Estado. Mas sua irmã ouviu um pregador metodista e se converteu. 

A mudança em sua vida foi tão grande que sua mãe foi ouvi-lo e também se converteu. 

Em 1756, aos 13 anos de idade, Rodda teve forte convicção do pecado. Certa vez, Rodda escreveu: "O poderoso poder de Deus desceu sobre mim; meu coração foi esvaziado de todo mal, e Jesus tomou todo o quarto. Eu não podia mais me abster de contar o que Deus tinha feito pela minha alma. Meu coração estava cheio de amor e alegria, e meus lábios o louvavam”. 

Rodda procurou o pregador Peter Jaco para ser admitido em uma Sociedade Metodista. Em 1768, ele se tornou um pregador itinerante e pregou durante trinta e três anos. 

Muitas vezes, pregou três vezes no domingo. Viajava muitos quilômetros para pregar. Durante uma viagem de negócios ao País de Gales, Rodda conheceu Wesley que ofereceu o circuito de Glamorgan para ele pregar. 

Em 1790, pregou em Manchester. Rodda enfrentou perseguições: jogaram telhas e rochas sobre ele; jogaram a sujeira de um canil em seu rosto e um grupo chegou a trazer pólvora para explodir a casa de pregação. 

Ele pregou, em grande parte, em Cornualha, local histórico de perseguição aos metodistas. 

Ele, contudo, superou tudo e nunca desanimou ou duvidou do seu chamado como pregador itinerante. 

Certa vez, escreveu a Wesley: “Creio que, para alcançar a salvação final, nossa fé deve ser produtiva de boas obras; que sem santidade completa e pessoal, ninguém verá o Senhor. Isto é tão plenamente afirmado na Palavra de Deus que estou persuadido que todo o ofício dos homens e toda a raiva dos demônios não podem derrubá-lo”.[22]

 

 

O apóstolo do metodismo aos irlandeses que se converteu aos 29 anos

 

Gideon Ouseley (1762-1839) nasceu em Dunmore, condado de Galway, Irlanda. Era de uma família anglicana irlandesa de grande respeitabilidade. 

Seu pai queria que ele fosse sacerdote, mas ele passou grande parte de sua infância nas cabanas. Sendo o filho mais velho, seu pai não o encaminhou para nenhuma profissão, mas foi herdeiro da propriedade de seu pai. Recebeu uma completa educação. Seu irmão mais novo foi educado para o exército se tornando Major General, Sir Ralph Ouseley. 

Gideon se casou aos 20 anos e teve uma vida selvagem gastando sua fortuna e de sua esposa. Acabou perdendo um olho com um tiro em uma bagunça na taberna passando a ter uma aparência assustadora. 

Depois, passou a ter sentimentos religiosos profundos chegando à convicção do seu pecado. Frequentemente clamava: "Senhor, ajude-me! O que devo fazer? Quem vai me ensinar? Sacerdote e ministro não são melhores que eu, tão tolos quanto eu. Somos todos um bando de tolos juntos!". 

Sua aldeia foi visitada, em 1789, por alguns pregadores metodistas e ele recebeu muita luz em relação às coisas espirituais. 

Tinha visões sobre o inferno, mas se converteu, em 1791, ao metodismo e recebeu perdão e a paz. “Os frutos da justificação foram imediatamente manifestados por ele, indo de casa em casa, e de vizinho para vizinho, convidando-os a vir a Cristo”. 

Ele pregava montado em um cavalo branco. Seu primeiro sermão foi pregado em um pátio da igreja, em um funeral. 

Pregou nas ruas e no pátio da Igreja, em feiras e mercados, onde quer que ele pudesse encontrar uma congregação reunida, protestante ou católica. 

Na Conferência de 1802, foi nomeado para a missão irlandesa. Pregava nas províncias de Leinster, Munster e Ulster. Sua palavra foi atendida com poder e muitos dos rebeldes se converteram. 

Em 1805, foi nomeado para trabalhar com Rev.Wm.Hamilton. Ao pregar um dia de sábado nas ruas de Carlos, para centenas de trabalhadores rurais que estavam na cidade à procura de emprego, com seus ganchos ou foices sobre os ombros, foi apedrejado, mas um cavalheiro abriu a porta e o arrastou para sua casa. 

Visitando a cidade de Drogheda, onde se reuniam muitos mendigos, desejou pregar para eles e reuniu uma vasta multidão de mendigos além de centenas de outros reunidos por causa da curiosidade. Pregou sobre a  história do rico e Lázaro. Não só os mendigos choraram, mas também os curiosos. Sempre tinha uma palavra de conselho para cada pessoa. 

Na conferência de 1810, foi reconduzido à missão em Galway e Clare tendo dois homens novos nomeados como seus ajudantes. “Continuou seu trabalho infatigável em benefício de seus compatriotas humildes e degradados, nos mais remotos e solitários distritos do país, indo freqüentemente sem comida e abrigo; e expondo-se ao opróbrio dos ignorantes e degradados católicos, para que pudesse conquistá-los a Cristo, e tal foi o seu fervor e zelo, que ele nunca ficou satisfeito, a menos que durante cada reunião e sob cada sermão as almas fossem convertidas Deus”. 

Enquanto cavalgava, lia o Novo Testamento grego ou um livro latino, inglês ou irlandês. Em todos os lugares, tinha palavras de instrução e conselhos para os não convertidos. “Numa ocasião, ele parou num riacho para regar o cavalo e viu uma moça parada na porta de uma casa vizinha, foi até ela, pegou-a pela mão, falou-lhe sobre sua alma e orou para que a bênção de Deus poderia descansar sobre ela. Cerca de dois anos depois, sendo convidado a pregar naquele bairro, ele foi gentilmente convidado por uma jovem, para ir para casa com ele para sua casa (...)”. 

A jovem o recebeu da maneira afetuosa e relatou que ela era a mesma pessoa a quem ele tinha se dirigido dois anos antes. Disse que as “poucas palavras de conselho e instrução então dado, levou-a a Cristo; Que ela estava agora casada com o jovem que o convidara para casa, e que seu marido era um líder de classe”. 

Em 1811, foi novamente nomeado para a missão de Galway e Clare tendo sido muito abençoado construindo uma série de capelas. Da conferência de 1813 ao fim de sua vida, em 1839, continuou pregando para a salvação de seus compatriotas. 

Visitava a Irlanda, Inglaterra e Escócia pregando à congregações opressivas. Foi um dos evangelistas irlandeses mais conhecidos depois da morte de  João Wesley. Pregava tanto em inglês como em sua língua nativa. Era de um pequeno grupo de homens chamados de 'pregadores do Calvário' ou "Bonés pretos."[23]

 

O companheiro mais confiável de Wesley que se tornou metodista aos 30 anos

 

Thomas Coke (1747-1814) nasceu em Brecon, Brecknockshire, País de Gales. Filho de um farmacêutico rico.

Formado no Jesus College, da Universidade de Oxford, com um bacharel em artes, mestrado e um doutorado em direito civil.

Ele trabalhou primeiro como um cidadão e oficial de justiça em Brecon e, em seguida, como um sacerdote ordenado anglicano em South Petherton, em 1772. Coke foi expulso da Igreja Anglicana, em 1776, por causa de suas inclinações wesleyanas. Ele se uniu formalmente aos metodistas em 1777.

Wesley o considerava seu “braço direito” e foi chamado “ministro das Relações Exteriores do Metodismo” por sua paixão missionária. Wesley via nele um “pregador evangélico talentoso, um administrador hábil e, em anos posteriores, seu companheiro mais confiável”.

Ele se tornou o primeiro presidente da Conferência Irlandesa dos metodistas em 1782. “Wesley tinha secretamente ordenado Coke, em 1784, como superintendente da Igreja Metodista nas colônias americanas, com o poder de ordenar outros superintendentes no Novo Mundo”.

Então, ele “convocou a conferência de organização do metodismo americano em Baltimore, Maryland, em 1784 e, com autorização de Wesley, ordenou Francis Asbury e o consagrou superintendente conjunto”.

Promoveu a criação de missões na Escócia e Canadá. Depois de viajar e pregar por toda a Grã-Bretanha e Irlanda, fez sua primeira missão às Índias Ocidentais*, em 1786. Após seu navio mudar de curso numa tempestade, chegou a Antígua, no Caribe, onde encontrou uma congregação metodista composta quase só de negros.

Fez mais visitas ao Caribe em 1788-1789, 1790 e 1792-1793. Levou o Evangelho à Jamaica, em 1789. Estabeleceu uma missão em Gibraltar, em 1803. Viajou cinco anos pela causa de missões metodistas, incluindo uma visita a Serra Leoa.

Pregou com veemência contra a escravidão na América. Escreveu uma carta a George Washington combatendo a escravidão. O presidente dos EUA esteve com Coke duas vezes e o convidou para pregar no Congresso.

Após a morte de Wesley, em 1791, tornou-se Secretário da Conferência Britânica. Foi Presidente da Conferência em 1797 e 1805. Em 1791, foi para Paris e pregou em francês.

Em 1805, aos 58 anos, casou-se com Penelope Goulding Smith, uma mulher rica que gastou sua fortuna promovendo as missões.

Ela viajou com ele até sua morte em 25 de janeiro de 1811. No final desse ano, ele se casou com Anne Loxdale, mas sua esposa morreu no ano seguinte.

Autor do comentário do Antigo e Novo Testamentos, 5 vol. (1801-1803); Uma história das Índias Ocidentais (1808-1811); vários volumes de sermões e Uma vida de John Wesley (com Henry Moore, 1792).

Ele esperava abrir missões metodistas nas Índias Orientais** e com seu próprio dinheiro partiu para o Ceilão em 30 de dezembro de 1813. Depois de quatro meses no mar faleceu.

Francis Asbury o descreveu como "um cavalheiro, um estudioso, um bispo para nós, e como um ministro de Cristo, no zelo, nos trabalhos, nos serviços, o maior homem no século passado".[24]

 

O poeta do metodismo que organizou o Clube Santo aos 22 anos

 

Carlos Wesley (1707-1788) nasceu em Epworth, Lincolnshire, Inglaterra, onde seu pai, Samuel Wesley, era pastor. Sua mãe se chamava Suzana.

Foi o 18º filho. Com nove anos, matriculou-se na Escola de Westminster e morava com seu irmão Samuel. Sendo bom aluno, recebeu o direito de continuar os seus estudos com todas as suas despesas pagas na Universidade de Oxford. Foi eleito capitão dos graduandos no quarto ano de seus estudos.

Na escola, defendia o aluno Guilherme Murray dos outros estudantes e ganhou sua amizade que se estendeu até o fim da vida. Guilherme veio a ser Juiz do Supremo Tribunal da Inglaterra e Conde de Mansfield. Muitas vezes, visitou Carlos Wesley, em Londres, onde Carlos era pregador metodista.

Em 1726, foi estudar em "Christ Church College", na Universidade de Oxford. Nos doze primeiros meses, pensou mais em se divertir. João Wesley procurou despertá-lo para a vida espiritual, mas ele recusou. Quando João Wesley deixou a universidade para ir ajudar seu pai, Carlos começou a sentir a necessidade de apoio para enfrentar os desafios da vida. 

Em 1729, formou o grupo entre seus companheiros de escola, que foi chamado de Clube Santo e metodista. O grupo se reunia regularmente para adoração e realizava um trabalho de caridade visitando doentes e presos. Sobre João Wesley, ele disse:

"Deus houve por bem privar-me de tua companhia para assim aumentar o meu fardo. Deus que pode me fortalecer há de me conservar firme até nós nos encontrarmos outra vez. E espero que nem antes, nem depois daquela hora, cairei de novo em estado de insensibilidade. Será pelo teu auxílio, creio eu, que Deus completará aquilo que já começou em mim; e a nenhuma outra pessoa preferiria para conseguir esse fim, irmão, senão a ti”.

Carlos se casou com Sarah Gwynne (1726-1822). Três de seus filhos - Charles, Samuel e Sarah - sobreviveram até a idade adulta. Em 1735, foi com João Wesley para a América. Voltou doente e frustrado, mas em 21 de maio de 1738 teve a experiência de renovação que ele chamou “Dia de Libertação”.

Escreveu mais de 9 mil hinos. Os hinos de Carlos tinham uma mensagem fundamentada na piedade cristã, própria para as reuniões devocionais e para os grandes agrupamentos ao ar livre.

Eles destacavam o fervor da fé. Compôs alguns dos hinos mais memoráveis ​: "Ouça, os Anjos do Arauto Cantam", "E Pode Ser", "O para Mil Línguas a Cantar", "Amor Divino, Jesus, Amante da Minha Alma","Cristo, o Senhor Ressuscitou Hoje”, "Soldados de Cristo, Levantai-vos ", e "Alegrai-vos!”.

No livro Hinologia Metodista, de David Creamer publicado, em 1848, em Nova Iorque, EUA, Carlos Wesley tem 501 hinos incluídos. No Hinário Evangélico, publicado no Brasil, alguns dos hinos de Carlos Wesley são: 11 – "Natal";· 41 – "A ressurreição de Jesus (com Aleluias)";· 62 – "Ei-lo que vem!";· 82 – "Invocação";· 265 – "Perdão";· 293 – "Grande amor", etc.

 

“Eis dos anjos a harmonia” é um hino escrito por ele, que apareceu pela primeira vez em Hinos e Poemas Sagrados, em 1739. Um verso diz:

 

Eis dos anjos a harmonia!
Cantem glória ao Rei Jesus.
Paz aos homens ! Que alegria!
Paz com Deus, em plena luz.
Ouçam povos, exultantes;
Ergam salmos triunfantes,
Aclamando o seu Senhor;
Nasce Cristo, o Salvador!
Toda a terra e os altos céus
Cantem sempre glória a Deus!

A Gospel Music Association dos EUA reconheceu sua contribuição para a música gospel e o incluiu no Hall da Fama da Música Gospel, em 1995.[25]

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



[2] Visão geral criada por IA

[4] www.scit.wlv.ac.uk/bct/asbury/asbury2.html

[5] https://en.wikipedia.org/wiki/Francis_Asbury

[6] https://en.wikipedia.org/wiki/Francis_Asbury

[7] www.scit.wlv.ac.uk/bct/asbury/asbury2.html

[8] https://www.umc.org/en/content/methodisms-american-saint-bishop-francis-asbury

[9] LUCCOCK, Haldord E. Linha de Esplendor sem fim. Junta Geral de Educação Cristã da Igreja Metodista do Brasil, p.39.

[10] http://en.wikipedia.org/wiki/Francis_Asbury

[11] LUCCOCK, Haldord E. Linha de Esplendor sem fim. Op.cit.,p.39.

[12] www.musicaeadoracao.com.br/livros/mus_adv_etern/mus_adv_etern1.htm

[13] LUCCOCK, Haldord E. Linha de Esplendor sem fim. Op.cit, p.39.

[14] www.victorshepherd.on.ca/Heritage/francis.htm

[17]*O Palatinado historicamente é uma região no sudoeste Alemanha (https://en.wikipedia.org/wiki/Palatinate_(region).

 ** O general John Burgoyne (1722 -1792) foi um oficial do exército britânico, político e dramaturgo. É mais conhecido por seu papel na Guerra Revolucionária Americana. Ele projetou um esquema de invasão e foi nomeado para comandar uma força que se deslocava para o sul do Canadá para separar a Nova Inglaterra e acabar com a rebelião (https://en.wikipedia.org/wiki/John_Burgoyne).

http://www.biographi.ca/en/bio/ruckle_barbara_5E.html

http://www.encyclopedia.com/women/encyclopedias-almanacs-transcripts-and-maps/heck-barbara-ruckle-1734-1804

http://www.fumcphoenixville.org/pt/Divided-Families/blog.htm

Pesquisa: www.en.wikipedia.org/wiki/Barbara_Heck

www.victorshepherd.on.ca/Heritage/barbara.html

https://en.wikipedia.org/wiki/Barbara_Heck

www.home.ripnet.com/.../barbara_and_paul_heck.html‎

http://home.ripnet.com/legacy/colonel_edward_jessup/UEL_Col_J/barbara_and_paul_heck.html

www.interpretermagazine.org ›... › April 2004

[19]https://histometodista.wordpress.com/2016/01/29/los-predicadores-laicos-maria-bosanquet-xix/

https://www.findagrave.com/cgi-bin/fg.cgi?page=gr&GRid=88658145

 https://www.metodista.br/revistas/revistas-ims/index.php/EL/.../4411

https://histometodista.wordpress.com/2016/01/29/los-predicadores-laicos-maria-bosanquet-xix/

http://www.metodistavilaisabel.org.br/artigosepublicacoes/descricaobiografias.asp?Numero=1242

http://www.academia.edu/11871419/That_Peculiar_Voice_Jane_Eyre_and_Mary_Bosanquet_Fletcher_an_Early_Wesleyan_Preacherhttp://chrisfieldblog.com/2008/09/01/mary-bosanquet-early-methodist-woman-preacher

[21] *Em 1778, John Wesley começou a publicar a Revista Arminian. Ele testemunhou o sucesso de revistas calvinistas como a revista cristã e a revista Gospel, e queria fornecer uma publicação mensal alternativa que afirmaria e defenderia a oferta universal de salvação de Deus. Cada parcela mensal da revista Arminian tinha três seções principais.

 **Contendo uma inscrição sobre a lápide.

***Que não é susceptível de padecer, de sofrer. Que não experimenta ou não denota exteriormente nenhuma emoção, sentimento ou perturbação; imperturbável.

 http://www.christian-witness.org/archives/cetf2007/wesleybro39.html

http://weeklywesley.blogspot.com.br/2010/09/peter-jaco-methodist-preacher.html

http://edpopehistory.co.uk/entries/fenwick-eliza/1788-11-09-000000

http://allenjaco.tripod.com/id28.htm

https://www.tentmaker.org.uk/product/biographies/lives-of-the-early-methodist-preachers-the-3-vols/http://www.library.manchester.ac.uk/search-resources/guide-to-special-collections/methodist/using-the-collections/biographicalindex/jackson-julian/header-title-max-32-words-365576-en.htm

https://oimts.files.wordpress.com/2013/04/2002-3-m-turner.pdf

http://www.johnwesley-izildabella.com.br/2016/02/11/george-merryweather-1758/

http://wesley.nnu.edu/john-wesley/the-letters-of-john-wesley/editors-introductory-notes-1772/

https://divinity.duke.edu/sites/divinity.duke.edu/files/documents/cswt/73_Arminian_Magazine_%281778-87%29.pdf

[24]  *Ilhas do Caribe denominadas Antilhas e Bahamas.

** Sudeste asiático.

http://www.bbc.co.uk/arts/yourpaintings/paintings/thomas-coke-17471814-222122

www.en.wikipedia.org/wiki/Thomas_Coke_(bishop

www.christianity.com ›... › Timeline › 1701-1800‎

www.theopedia.com/Thomas_Coke

www.britannica.com/EBchecked/topic/.../Thomas-C

http://www.bu.edu/missiology/missionary-biography/c-d/coke-thomas-1747-1814/ 

[25] http://www.metodista.org.br/a-vida-de-carlos-wesley-o-poeta-do-metodismo-1707-1788

www.pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Wesley

https://gbgm-umc.org/UMhistory/wesley/hymns

www.bbc.co.uk/religion/.../charleswesley_1.shtm

http://www.bbc.co.uk/religion/religions/christianity/people/charleswesley_1.shtml

http://www.christianitytoday.com/history/people/poets/charles-wesley.html

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