Bispos que
deixaram grande legado no metodismo brasileiro
Odilon Massolar Chaves
===============================
===============================
Copyright © 2026, Odilon Massolar Chaves
Todos os direitos reservados ao autor.
É permitido ler, copiar e compartilhar
gratuitamente.
Art. 184 do Código Penal e Lei 96710 de 19 de
fevereiro de 1998.
Livros publicados na Biblioteca Digital Wesleyana:
743
Livros publicados pelo autor: 788
Endereço: https://bibliotecawesleyana.blogspot.com
Capa: Bispos Almir dos Santos, Scilla Franco e César Dacorso Filho
Toda gloria a Deus!
Odilon Massolar Chaves é pastor metodista
aposentado, doutor em Teologia e História pela Universidade Metodista de São
Paulo.
Filho do rev.
Adherico Ribeiro Chaves e Roza Massolar Chaves.
É casado com RoseMary.
Tem duas filhas: Liliana e Luciana.
Sua tese tratou sobre o avivamento metodista na
Inglaterra no século XVIII e a sua contribuição como paradigma para nossos
dias.
Foi editor do jornal oficial metodista e
coordenador de Curso de Teologia.
==============================
Índice
·
Introdução
·
Destaques dos capítulos do livro
·
Bispo César Dacorso Filho
·
Bispo Almir dos Santos
·
Bispo Scilla Franco
==============================
Introdução
“Bispos que deixaram grande
legado no metodismo brasileiro” é um libro biográfico de 24 páginas sobre três
bispos que trouxeram grande contribuição e deixaram um legado ao metodismo
brasileiro.
“O legado dos bispos César
Dacorso Filho, Almir dos Santos e Scilla Franco está intrinsecamente ligado à
consolidação e ao desenvolvimento da Igreja Metodista no Brasil durante o século XX, abrangendo
áreas como educação teológica, expansão missionária e liderança pastoral”.
[1]
Bispo
César: “Sua atuação é historicamente reconhecida por consolidar
a autonomia da Igreja Metodista em solo brasileiro, exercendo o
episcopado por 21 anos (1934–1955)”. [2]
Bispo
Almir: “O maior destaque do Bispo Almir dos Santos na Igreja Metodista no
Brasil foi sua atuação profética, ecumênica e focada na ação social,
especialmente nas décadas de 1960 e 1970. Ele foi uma figura chave na
articulação entre a fé cristã e a responsabilidade social”.
[3]
Bispo
Scilla Franco: O maior destaque do episcopado do Bispo Scilla Franco na Igreja
Metodista no Brasil, conforme registrado historicamente, foi sua forte
liderança na educação teológica e na formação pastoral, culminando na
criação do seminário que hoje leva seu nome, o Instituto Metodista Bispo Scilla
Franco (ISF), na 5ª Região
Eclesiástica”. [4]
Histórias
que nos edificam e nos levam a refletir sobre o episcopado na Igreja Metodista.
O
Autor
==============================
Destaques
dos capítulos do livro
Bispo César Dacorso Filho
O Bispo Cesar Dacorso
Filho (1890-1944) foi um marco no metodismo brasileiro, sendo o primeiro bispo
brasileiro eleito (1934-1955) e o verdadeiro consolidador da autonomia da
Igreja Metodista no Brasil.
Destacou-se por sua liderança enérgica e humilde, focada na
evangelização, expansão missionária em regiões remotas e formação de liderança
nacional. [5]
Bispo Almir dos
Santos
O Bispo Almir dos Santos, eleito em 1965, é
reconhecido como uma figura de destaque no metodismo brasileiro, com um legado
marcado por uma forte atuação na justiça social e na responsabilidade missionária durante
a década de 1960. Ele foi uma das
lideranças que impulsionou o Credo Social da Igreja Metodista, aplicando os
princípios cristãos em questões sociais práticas. [6]
Bispo Scilla Franco
O
Bispo Scilla Franco foi uma figura de destaque na Igreja
Metodista no Brasil,
reconhecido por sua dedicação missionária, educacional e por presidir a 5ª
Região Eclesiástica (RE) entre 1988 e 1991. Seu legado é mantido
vivo principalmente através da formação teológica e pastoral. [7]
==============================
Bispo César Dacorso Filho
O
Bispo Cesar Dacorso Filho (1890-1944) foi um marco no metodismo brasileiro,
sendo o primeiro bispo brasileiro eleito (1934-1955) e o verdadeiro
consolidador da autonomia da Igreja Metodista no Brasil. Destacou-se por sua liderança enérgica e
humilde, focada na evangelização, expansão missionária em regiões remotas e
formação de liderança nacional. [8]
César Dacorso Filho (1891-1966) nasceu em Santa Maria, RS. Era filho de
César Dacorso e Constantina Dacorso.[9]
“Converteu-se ao metodismo e teve sua formação educacional no
"Colégio União" e "Colégio Granbery"[10]
tendo se formado em 1915.
Ainda como seminarista recebeu sua primeira nomeação para o Instituto
Central do Povo.
Casou-se com Maria José Dacorso e tiveram oito filhos e filhas.
Na 35ª Sessão da Conferencia
Anual Brasileira realizada em 1920, os secretários escolhidos foram Cesar
Dacorso Filho, José Ferreira, D.L. Betts e P.E. Buyers.
Foram “ordenados diáconos:
Walter Harvey Moore (itinerante) e J.A. Figueiredo (local), e foram ordenados
presbíteros, César Dacorso Filho, Osório”. [11]
Dentre as igrejas que
pastoreou, estão: Anta, Santa Tereza e de Chacarinha, Petrópolis, Central de
Belo Horizonte, Carangola, Farias Lemos, São João do Rio Preto.
No dia 2 de setembro de 1930,
na Igreja Metodista Central de São Paulo, aconteceu o ato da Autonomia. E
Guaracy Silveira foi escolhido para receber a declaração de Autonomia e
presidir a primeira sessão do Concílio Geral.
“Naquela noite, no seu templo,
o bispo Edwin Dubose Mouzon subiu ao púlpito, na companhia de César Dacorso
Filho e Epaminondas Moura, e leu a proclamação da Autonomia e a Constituição da
Igreja Metodista do Brasil. Logo a seguir, subiu ao púlpito Guaracy Silveira,
escolhido pelos brasileiros membros da Comissão Constituinte, para recebê-la
das mãos do bispo e presidir a primeira sessão do Concílio Geral”.[12]
Em 13 de janeiro de 1934, foi eleito bispo metodista recebendo 20 dos 36
votantes, no terceiro escrutínio. [13]
O Bispo Tarboux recebeu os votos por unanimidade, mas decidiu voltar para os EUA. Ele havia sido eleito em 1930.
Bispo César
sempre teve uma atuação dinâmica. Em 1943 realizou-se no Rio de Janeiro uma
reunião de líderes evangélicos, sob a presidência do bispo César Dacorso Filho,
para fazer uma revisão na tradução de João Ferreira de Almeida.
Foi eleita uma
Junta Consultiva que decidiu que a nova versão se chamaria Versão de Almeida
Revista e Atualizada no Brasil. Foi eleita uma Comissão Revisora composta por
17 pessoas especialistas em hebraico, grego e português.
Nos outros Concílios Gerais, César foi reeleito. No Concílio Geral de 1955, ele decidiu se aposentar e prestou serviço à Sociedade Bíblica do Brasil.
Dentre seu
legado, estão:
·
Consolidação da Autonomia: Eleito após o movimento de independência da Igreja, Dacorso
superou a dependência de missionários norte-americanos, consolidando a
identidade nacional da igreja.
·
Liderança e Visitação: Conhecido por intensa agenda de viagens e visitas a paróquias em
todo o Brasil. [14]
“Supervisionou as regiões Norte, Sul e Centro de
1934 a 1955. Foi conhecido por sua agenda de trabalho intensa, evangelização e
liderança enérgica.
Pensamento: Era
teologicamente conservador, mas avançado politicamente, tendo sido membro do
Partido Trabalhista Brasileiro (PTB)”. [15]
Várias ruas têm o seu nome em alguns estados e cidades brasileiras.
O Seminário metodista César Dacorso Filho foi criado em 1958 para formar os pastores da Igreja Metodista no Rio de Janeiro. Seu nome era Instituto Asbury. Foi mudado para Seminário Metodista César Dacorso Filho por decisão conciliar em 1962.[16]
Em 1967, um
livro foi publicado sobre sua vida e ministério: “César Dacorso Filho Príncipe
da Igreja Metodista do Brasil”, por Nelson Godoy Costa”.
Bispo Almir dos
Santos
O Bispo Almir dos Santos, eleito em 1965, é
reconhecido como uma figura de destaque no metodismo brasileiro, com um legado marcado
por uma forte atuação na justiça
social e na responsabilidade
missionária durante a década de 1960. Ele foi uma das lideranças que
impulsionou o Credo Social da Igreja Metodista, aplicando os princípios
cristãos em questões sociais práticas. [17]
Nasce um profeta
“(...) se isto que vemos em nossa Pátria é
democracia, então eu não sei o que é democracia. O que voltou para a nossa
Pátria não foi a democracia; foi antes a politicalha infame e inescrupulosa,
alimentada pela sede do poder e pelo desejo desmedido do mando”.[18]
(Almir dos Santos, 1947)
Almir
dos Santos era de uma família de pastores. Seus irmãos Firmino dos Santos e
Nadir dos Santos foram pastores metodistas. Sua irmã Benilda foi casada com o
bispo Richard Canfield.
Almir
era filho do pastor metodista Manoel Custódio dos Santos, nascido em Cabo Frio,
RJ.
Rev.
Custódio era homem bom de coração e muito estimado e distinguido por todos.
“Pastoreou o Rev. Custódio diversas paróquias e quase todas rurais; sofreu
perseguições por causa do Evangelho; desbravou sertões e conheceu densas matas.
Foi incansável na realização de seu abençoado mistério e fiel no cumprimento de
seus deveres.”[19]
Dentre
os ministérios que Almir exerceu estão: pastor, professor da Faculdade de
Teologia em Rudge Ramos; redator do Expositor Cristão; Secretário da Junta
Geral de Ação Social e bispo da Igreja Metodista na 4ª e 1ª Regiões
Eclesiásticas.
Na
década de quarenta encontramos alguns artigos no jornal oficial da Igreja, o
Expositor Cristão, em momentos difíceis da nação e da Igreja.
Em
1945, escreveu sobre “Necessidades inadiáveis:
evangelismo e santificação”. Ele afirmou que o momento era para afirmar o
evangelismo e a santificação: “temos no evangelismo a pedra de toque do
trabalho da Igreja”.[20]
No mesmo artigo, Almir criticou também a secularização, o comodismo e o
conformismo dos pastores. Ele chamou a essas três tendências de “desgraça do
ministério atual”.[21]
Em
1947, Almir dos Santos escreveu sobre “A Visão de Deus” e apontou a impureza do
coração humano como impedimento para se ter a visão de Deus. Essa impureza se
manifestava na sociedade de várias maneiras: na falta de escrúpulo no comércio,
na falta de escrúpulo na política, na falta de escrúpulo na vida familiar.[22]
Professor da Faculdade de Teologia
“A Igreja é responsável, não somente pelos
indivíduos a ela filiados, mas também perante a comunidade da qual os
indivíduos fazem parte”.
(Almir dos Santos, 1955)
“O
Reverendo Almir dos Santos, professor da Faculdade de Teologia na década de 60,
dizia a seus alunos, diante do altar: Gravem aqui a frase ‘Quão temível é este
lugar!”. [23]
Ele
foi professor da cadeira de Teologia Pastoral na Faculdade de Teologia. Por 17
anos foi professor em Rudge Ramos, São Bernardo do Campo, SP.
Segundo
o professor metodista Omir Wesley Andrade,[24]
“ao lado de outros sociólogos da religião, teólogos e estudiosos ligados ao
Protestantismo Histórico, já nas décadas de 1950 e 1960 o Bispo Almir dos
Santos trabalhava a partir do método dialético que hoje conhecemos pelo
trinômio “ver – julgar – agir”.[25]
“(...) A revolução social é uma consequência lógica
da aplicação dos princípios do evangelho de Cristo à via econômica da sociedade
(...). O que até aqui temos feito não passa daquilo que, em matéria de serviço
social, e chama de paliativo (...). A Igreja precisa pregar um cristianismo
totalitário e revolucionário(...). A hora é das classes operárias”.[26]
(Almir dos Santos, editorial, 1956)
Almir
dos Santos foi redator do Expositor Cristão e acreditava que a Igreja chegaria
aos 100 mil membros na final da década de cinquenta, mas a Igreja alcançou
apenas 48.387 membros no total.
No
seu editorial, ele falou de uma necessidade inadiável:
“Há
necessidade inadiável de um estudo sério de nossa metodologia evangelizante.
Estamos trabalhando, não se pode negar. Mas quem sabe estejamos lançando as
redes na direção errada?”.[27]
Desde
1955, como redator do Expositor Cristão, Almir dos Santos, saiu em defesa da
classe operária publicando vários artigos.
Dentre
eles, estão: “O desafio da nossa época: trazer a relevância do Cristo aos
problemas do operário”; “Falta cuidado pastoral pelos operários”; “Reforma
agrária”; “Seu templo é um centro social?”; “A Igreja disposta a atacar o
problema do operário”, etc.
Como
redator do Expositor Cristão, Almir dos Santos incentivou muito para o
crescimento da Igreja colocando em editoriais ou na primeira página textos para
despertar para a evangelização, como: “Por que evangelizar?”; “Doutrinação e
Evangelização”; Evangelizar ou morrer”; Expansão Missionária do Metodismo
Brasileiro”; “Vós não tendes nada mais a fazer, senão salvar almas”.
Secretário
do Departamento de Ação Cívica
“(...) o fato de deixar a cátedra de professor,
depois de 17 anos, significa realmente a importância que estou dando a este
novo trabalho. Especialmente em face da conjuntura político-social que o país
está vivendo e a possibilidade que vejo da Igreja, através desse Departamento,
de fazer uma contribuição positiva e eficiente para uma solução cristã dos
problemas que nos afligem”. [28]
(Almir dos Santos, 1962)
Em
1962, foi criado o Departamento da Ação Cívica pela Igreja Metodista do Brasil
em Brasília.
O
Almir dos Santos foi designado como seu primeiro secretário. Ele era pastor e
professor da Faculdade de Teologia.[29]
A
criação de um Departamento da Ação Cívica antecipou a chamada Conferência do
Nordeste, ocorrida entre 22 e 29 de julho de 1962.
“Ela
marcou o ápice da articulação cívica e cultural, socioeconômica e política das
igrejas integrantes da antiga Confederação Evangélica do Brasil antes da
ditadura; foi vista como a mais importante articulação panprotestante do século
20”. [30]
Esa
criação foi vista como um ato revolucionário. “Embora fosse um departamento da
Igreja, com deveres e direitos definidos e uma vinculação esclarecida com os
seus demais órgãos administrativos, esse departamento sinalizava uma
visibilidade diferenciada do poder eclesiástico junto aos órgãos públicos.” [31]
Almir dos Santos iria visitar sistematicamente senadores, deputados, ouvidorias oficiais etc.
Secretário Executivo
da Junta Geral de Ação Social
“A Igreja deve estar disposta, inclusive, a mudar
as suas estruturas eclesiásticas, se necessário for, para melhor cumprir a sua
missão no mundo atual.”[32]
(Almir dos Santos, 1962)
Diante
das rápidas transformações sociais do Brasil, aconteceu a II Consulta sobre a
responsabilidade social da Igreja. Foi realizada em Campinas com o tema “A
Igreja e as rápidas transformações sociais do Brasil”. A III Consulta teve como
tema “A presença da Igreja na evolução da nacionalidade”, em 1960. A
presidência foi de Waldo César.
“A
Confederação Evangélica do Brasil (CEB) promoveu quatro consultas nacionais
entre 1955 e 1962, que expressavam uma linha de compromisso social que crescia
na medida em que se agravava a crise nacional”.[33]
Em
1962, numa mudança do eixo Rio-São Paulo para o Nordeste, o tema foi “Cristo e
o processo revolucionário brasileiro”.
A
Conferência do Nordeste, em 1962, na cidade de Recife, foi outro evento
marcante para o protestantismo brasileiro. A Conferência teve como tema “Cristo
e o processo revolucionário brasileiro”. Almir dos Santos foi presidente do
encontro e afirmou sobre sua importância:
“A Conferência do Nordeste foi uma tentativa
para encontrar novas formas de ação da Igreja na situação revolucionária que
vive o povo brasileiro na hora presente (...). A Igreja deve estar disposta,
inclusive, a mudar as suas estruturas eclesiásticas, se necessário for, para
melhor cumprir a sua missão no mundo atual.”[34]
“Em
1963, assumiu a secretaria executiva da Junta Geral de Ação Social,
consolidando seu papel na articulação entre a missão da igreja e a
transformação social”. [35]
Bispo Scilla Franco
O
Bispo Scilla Franco foi uma figura de destaque na Igreja
Metodista no Brasil,
reconhecido por sua dedicação missionária, educacional e por presidir a 5ª
Região Eclesiástica (RE) entre 1988 e 1991. Seu legado é mantido
vivo principalmente através da formação teológica e pastoral. [36]
Sua origem
Scilla Franco (1930-1989) nasceu em Rio das Pedras no interior de São
Paulo, região de Piracicaba, em 23 de dezembro de 1930.
Filho de João Batista Franco e Maria da Glória Carvalho Franco. Ficou
órfão de mãe quando tinha sete anos de idade.
Após a morte de sua mãe, seu pai se casou com Lourdes Aníbal Franco.
Scilla passou a infância e a adolescência no campo, região de Piracicaba,
interior de São Paulo.
Scilla Franco, certa vez, disse: “Transferir-me para o trabalho indígena
não foi muito difícil devido à minha condição de homem de interior, porque a
princípio a minha única preocupação era a roça”.[37]
E completou com a sua honestidade: “Difícil
se tornou quando comecei a entender, a amar o índio e sua cultura, voltar à
sociedade branca.” [38]
Vemos assim que a sua formação no campo foi fundamental para sua
motivação e o seu futuro trabalho missionário.
Essas raízes rurais de Scilla Franco são, também, importantes na
definição de seu jeito de falar, escrever e interpretar as realidades à sua
volta”.[39]
Sua vocação
Em 1944, Scilla Franco teve uma experiência espiritual muito forte
semelhante às experiências dos profetas do Antigo e Novo Testamento.
Após a Escola Dominical, num sítio no distrito de Tupi, ele voltava a
cavalo para a sua casa.
Ele ouviu uma voz que dizia: “você vai ser pastor”. Ele contou aos seus
familiares, que não lhe deram atenção. Mas ele deu muto valor à sua
experiência. Começou a pregar e a dirigir cultos.
Um encontro com o famoso biólogo metodista Warwick E. Kerr o despertou
em sua vocação. Ele disse: “A minha vocação para o aspecto social do ministério
pastoral surgiu numa visita, juntamente com o Dr. Warwick
E. Kerr, ao sítio dos Marques, perto de Piracicaba”.[40]
Scilla Franco ficou impressionado e empolgado de ver um famoso cientista
se identificar com as pessoas “simples e humildes daquela zona rural,
ministrando os seus conhecimentos em agricultura e compartilhando de sua
experiência cristã e deles recebendo inspiração para a sua vida”.[41]
“Aquela visita”, reconheceu Scilla Franco, que o levou a pensar “seriamente sobre a
importância do Evangelho integral, o qual dá ênfase à salvação da totalidade da
pessoa humana”.[42]
Seus estudos
Scilla Franco fez o antigo Curso Provisionado na Igreja Metodista. Uma
oportunidade para leigos que tinha o dom de pregar, visitar e ensinar que
poderia ser nomeado pastor suplente.
“Provisionados são leigos piedosos que tenham dons para evangelizar,
pregar, visitar e fazer serviços de caráter pastoral e que, não querendo ou não
podendo, por qualquer motivo, dedicar-se ao ministério, estão, contudo,
dispostos a ajudar, sem ônus para a Igreja, os pastores das igrejas em que se
acham arrolados, e, excepcionalmente, servir como pastores suplentes".[43]
Em 1963, Scilla Franco é nomeado pastor suplente no VII Concílio
Regional da 5ª Região Eclesiástica e designado para atender a Igreja em
Valparaíso. Como pastor suplente, pastoreou as Igrejas de Valparaíso e de
Álvares Machado (1967-1971). [44]
Em 1972, como presbítero, foi nomeado para a Igreja Metodista em
Dourados e também para supervisionar o Campo Missionário Regional em Mato
Grosso.
Foi assim que Scilla Franco passou a se envolver com o trabalho de
atendimento a colonos através de um programa chamado Plano Piloto financiado
pela Igreja Unida do Canadá.[45]
Início do seu pastorado
Scillla Franco foi nomeado pastor metodista pela primeira vez em 1963.
Assumiu o trabalho missionário entre os índios quando pastoreava a
Igreja Metodista em Dourados – MS.
Entre os anos de 1972 a 1979, desenvolveu uma pastoral de convivência
entre os índios e alcançou reconhecimento nacional.
Por razões de saúde, teve que deixar o trabalho com os índios, sendo
eleito bispo na Igreja Metodista, ministério que exerceu por menos de dois
anos, vindo a falecer.
Por causa de seu trabalho como pastor, missionário e bispo, é
reconhecido pela Igreja Metodista como um de seus mais importantes expoentes e
um referencial para a missão indigenista.[46]
Depois do acidente com agrotóxicos em Dourados, Scilla Franco voltou ao
ministério pastoral sendo pastor em algumas igrejas metodistas.
Pastoreou as Igrejas de Presidente Prudente, Pacaembu (Campinas),
Betânia e Paulista (Piracicaba).
Sua última nomeação foi para Birigui, SP, de onde saiu para se tornar
bispo metodista.
Scilla Franco recebeu nomeação como presbítero em 1972 para a Igreja
Metodista em Dourados com a incumbência de exercer pastoreio no Campo
Missionário Regional em Mato Grosso.
Nesse período, os índios Guarani (Kaiowá e Ñandeva) e Terena e estavam
passando por uma situação muito difícil.
Ficou sensibilizado ao ver um índio pegando
comida no lixo de sua casa e decidiu fazer algo em prol dos índios no Mato
Grosso do Sul.
“Os índios estavam sofrendo um processo de expulsão de suas terras, que
culminou a partir do declínio (em meados do século XX) da Companhia Matte
Laranjeira que ocupou grandes extensões de terras na região entre 1880 e 1915”.
[47]
Havia uma “desocupação massiva de grandes extensões de terras utilizadas
por ela, que para muitos que ali queriam explorar, passaram a ser consideradas
“sem dono”. Assim, as populações indígenas que ali viviam foram expulsas e
tiveram que recorrer à reserva mais próxima, a de Dourados, somando-se aos
inúmeros índios que ali já se encontravam. Muitos também disponibilizaram sua
mão de obra para os fazendeiros que se apropriaram do território”.[48]
Quando Scilla Franco chegou como pastor nomeado para a Igreja em
Dourados, em 1972, foi esse cenário que ele encontrou.
Ele se comoveu com a situação difícil dos colonos brancos. Havia miséria
e pobreza
Scilla Franco se envolveu “no projeto ‘Plano Piloto’ que previa a
assistência para o cultivo de terras, financiado desde 1966 pela Igreja Unida
do Canadá com uma dotação de 100 mil dólares. Através dele, os colonos poderiam
adquirir empréstimos a longo prazo e sem juros, o que lhes permitia obter bons
resultados financeiros e desenvolverem o plantio em suas terras. O sucesso do
‘Plano Piloto’ inspirou à Procuradoria Geral da República de Dourados”.[49]
Desenvolveu uma Pastoral de Convivência entre
os índios (1972-1979), reconhecendo a cultura indígena e reafirmando sua
autonomia. Implementou um projeto de Roça Comunitária, em 1978, denominado
Missão Tapeporã. Logo, 30 famílias de índios puderam colher os frutos de seu
trabalho na roça. Seu trabalho missionário foi um referencial na época.
Scilla Franco foi inovador. Sua prática missionária representou uma nova
forma de “evangelizar” os índios em oposição ao proselitismo muito comum na
entre os evangélicos.
Ele percebeu a riqueza da cultura indígena e a dignidade dos índios.
Scilla conviveu com os indígenas e isso fez toda a diferença. Conheceu
não só de ler ouvir falar, mas na sua prática pastoral.
Seu pioneirismo e inovação na pratica missionária aponta para novas
possibilidades de práxis pastoral e missionária com base no diálogo religioso,
no respeito às diferentes culturas e na solidariedade com os fracos.[50]
Seu episcopado
O Bispo Scilla Franco foi bispo da 5ª Região
Eclesiástica (5ª RE) entre os
anos de 1988 e 1991.
Scilla Franco enfrentou diversas dificuldades em seu episcopado. Uma
foram de ordem pessoal, pois tinha a saúde debilitada. Também dificuldades de
ordem eclesial, pois havia na 5ª Região tendências teológicas conflitantes
entre os pastores, pastoras e igrejas locais.
Mas Scilla Franco encontrou também pastores, pastoras, leigos e leigas
empenhados no programa missionário “Agentes da Missão”, com o objetivo de
revitalizar a ação ministerial da Igreja com foco no envolvimento do laicato.
Tentou promover a conciliação e apoiou o “Agentes da Missão”.[51]
Sua convivência com grande parte dos pastores e pastoras foi fraternal,
mas exigente no cumprimento dos deveres e missão.
Sua esposa
Concilia
Dona Concilia faleceu aos 82 anos no dia 28 de dezembro de 2018.
Ela “atuava como membro da Igreja Metodista em Ponta Porã/MS, mas
congregou em outras comunidades metodistas na 5ª RE, como na Igreja Metodista
de Dourados/MS, onde aconteceu o ofício fúnebre no dia de seu
falecimento”. [52]
“Foi ao lado do saudoso Bispo Scilla Franco que dona Concília se dedicou
na missão indígena. Ela contou que deixava as crianças na cidade para ficar com
o Bispo Scilla Franco no mato – no trabalho missionário com os/as índios/as”. [53]
Concília afirmou para a reportagem do Expositor Cristão que eles
pregavam o Evangelho com a vida: “Nós pregávamos o evangelho para eles/as com a
vida”, disse dona Concília (...)”.[54]
“Instituto Metodista Bispo Scilla Franco
(ISF): O maior reflexo de seu legado é o instituto que leva seu nome,
focado na educação bíblico-teológica-pastoral, capacitando lideranças para a
missão”. [55]
[1]
Visão geral criada por IA do Google
[2]
Visão geral criada por IA do Google
[3]
Visão geral criada por IA do Google
[4]
Visão geral criada por IA do Google
[5]
Visão geral criada por IA do Google
[6]
Visão geral criada por IA do Google
[7]
Visão geral criada por IA do Google
[8]
Visão geral criada por IA do Google
[9] ROCHA, Isnard. Pioneiros e Bandeirantes do
metodismo no Brasil. São Paulo, Imprensa Metodista. 1967, p.320.
[10] Visão geral criada por IA do Google
[11] KENNEDY, J.L. Cinquenta Anos de Metodismo no Brasil.
São Paulo:Imprensa Metodista, 1928, p.50-172.
[12] DORNELLAS, João Wesley.
http://www.metodistavilaisabel.org.br/docs/75_ANOS_METODISMO_AUTONOMO_BRASIL.pdf
[13] ROCHA, Isnard. Pioneiros e Bandeirantes do
metodismo no Brasil. São Paulo, Imprensa Metodista. 1967, p.320.
[14]
Visão geral criada por IA do Google
[15]
Visão geral criada por IA do Google
[16] https://seminariometodista-rio.com.br
[17]
Visão geral criada por IA do Google
[18] SANTOS, Almir dos. “Necessidades inadiáveis:
evangelismo e santificação”. Expositor cristão. São Paulo, 26 de abril de 1945.
60 ano, nº 17, p.4.
[19] ROCHA, Isnard. Pioneiros e Bandeiras do Metodismo
no Brasil. São Paulo, Imprensa Metodista, 1967, p.242-245.
[20]SANTOS, Almir dos. “Necessidades inadiáveis:
evangelismo e santificação”. Expositor cristão. São Paulo, 26 de abril de 1945.
60 ano, nº 17, p.4.
[21] Idem.
[22] Idem.
[23]https://metodista.br/faculdade-de-teologia/materiais-de-apoio/sermoes/arquivos/sermao_120anos.pdf
[24] Possui graduação em Jornalismo (1976) e em
Teologia (1977) pela Universidade Metodista de São Paulo. Concluiu o Mestrado
(2012) e o Doutorado (2017) em Educação pela UNIMEP - Universidade Metodista de
Piracicaba. Atua como Professor de Filosofia e Teologia e Cultura na UNIMEP -
Campus Lins. Tem experiência na área de Teologia, Educação e Comunicação.
https://www.escavador.com/sobre/6329729/omir-wesley-andrade
[25]
https://unimep.br/phpg/mostraacademica/anais/10mostra/5/466.pdf
[26] SANTOS, Almir dos. A hora das classes operárias.
Expositor Cristão. São Paulo, 28 de junho de 1956, 71 ao, nº 26, p.3.
[27] SANTOS, Almir dos. 48.387 – Diga e voz alta este
número e depois leia o editorial. Expositor Cristão. São Paulo, 19 de maio de
1960, ano 75, nº 20, p.7.
[28] Helmut Renders. “Teologia Pública há 50 anos: A
criação do Departamento da Ação Cívica pela Igreja Metodista do Brasil em
Brasília”, Expositor Cristão, 1º de
julho de 1962, páginas 1, 5 e 7. www.metodista.br/revistas/revistas-metodista/index.php/Caminhando/article/viewFile/3390/3231.
[29] Idem.
[30] Idem.
[31] Idem.
[32] SANTOS, Almir dos. “Cristo e o processo
revolucionário brasileiro” em Expositor Cristão. São Paulo, 15 de outubro de
1962, ano 77, nº 20, p.7.
[33]https://1library.org/article/a-confedera%C3%A7%C3%A3o-evang%C3%A9lica-do-brasil-s
[34] SANTOS, Almir dos. “Cristo e o processo
revolucionário brasileiro” em Expositor Cristão. São Paulo, 15 de outubro de
1962, ano 77, nº 20, p.7.
[35] https://seminariometodista-rio.com.br
[36]
Visão geral criada por IA do Google
[37] COSTA, Eber Borges Da. Tapeporã – Caminho bom:
Análise da Prática Missionária de Scilla Franco entre os índios Kaiowá e
Terena, no Mato Grosso do Sul – 1972-1979. http://tede.metodista.br/jspui/bitstream/tede/582/1/Eber%20Borges%20da%20Costal.pdf
[38] Idem
[40] Idem.
[41]
Op.cit., Expositor Cristão, São Paulo:1ª quinzena de abril 1977, p.9. COSTA,
Eber Borges Da. Tapeporã.
[42]
Op.cit., Expositor Cristão, São Paulo:1ª quinzena de abril 1977, p.9. COSTA,
Eber Borges Da. Tapeporã ..http://tede.metodista.br/jspui/bitstream/tede/582/1/Eber%20Borges%20da%20Costal.pdf.
[43]
Cânones da Igreja Metodista aprovados no VIII Concílio Geral em Porto Alegre,
RS..
[44]
COSTA, Eber Borges Da. Tapeporã – Caminho bom: Análise da Prática Missionária
de Scilla Franco entre os índios Kaiowá e Terena, no Mato Grosso do Sul –
1972-1979. http://tede.metodista.br/jspui/bitstream/tede/582/1/Eber%20Borges%20da%20Costal.pdf
[45]
Idem.
[46]
COSTA, Eber Borges Da. Tapeporã – Caminho bom: Análise da Prática Missionária
de Scilla Franco entre os índios Kaiowá e Terena, no Mato Grosso do Sul –
1972-1979. http://tede.metodista.br/jspui/bitstream/tede/582/1/Eber%20Borges%20da%20Costal.pdf
[47] COSTA, Fernanda Caroline Cassador. Ovelhas que não são deste aprisco: da visão encarnacional pra a pastoral da convivência. Perspectivas ecumênicas do trabalho missionário de Scilla Franco no Mato Grosso do Sul.
[48]
COSTA, Fernanda Caroline Cassador. Ovelhas que não são deste aprisco: da visão
encarnacional pra a pastoral da convivência. Perspectivas ecumênicas do
trabalho missionário de Scilla Franco no Mato Grosso do Sul. http://anais.est.edu.br/index.php/congresso/article/viewFile/331/248.
[50] COSTA, Eber Borges Da. Tapeporã – Caminho bom: Análise da Prática Missionária de Scilla Franco entre os índios Kaiowá e Terena, no Mato Grosso do Sul – 1972-1979. http://tede.metodista.br/jspui/bitstream/tede/582/1/Eber%20Borges%20da%20Costal.pdf
[51]
COSTA, Eber Borges Da. Tapeporã – Caminho bom: Análise da Prática Missionária
de Scilla Franco entre os índios Kaiowá e Terena, no Mato Grosso do Sul –
1972-1979. http://tede.metodista.br/jspui/bitstream/tede/582/1/Eber%20Borges%20da%20Costal.pdf.
[52]
http://www.expositorcristao.com.br/falece-aos-82-anos-a-viuva-do-bispo-scilla-franco
[53]
Idem.
[54]
Idem.
[55]
Visão geral criada por IA do Google
Comentários
Postar um comentário