A posição conservadora e revolucionária de
Wesley sobre a teologia e a família
Odilon Massolar Chaves
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Livros
publicados na Biblioteca Digital Wesleyana: 738
Livros
publicados pelo autor: 783
Capa:
Luyza Braga da Costa
Tradutor:
Google
Toda
gloria a Deus!
Odilon
Massolar Chaves é pastor metodista aposentado, doutor em Teologia e História
pela Universidade Metodista de São Paulo.
É
casado com RoseMary.
Tem
duas filhas: Liliana e Luciana.
Sua
tese tratou sobre o avivamento metodista na Inglaterra no século XVIII e a sua
contribuição como paradigma para nossos dias.
Foi
editor do jornal oficial metodista e coordenador de Curso de Teologia.
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Wesley “valorizava em extremo a
Bíblia Sagrada, tendo-a como a maior fonte de conhecimento e autoridade, a
única regra de fé e prática para o cristão”
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Índice
· Introdução
· Destaques dos capítulos do livro
· O conservadorismo de Wesley nas Fontes de Conhecimento Espiritual
· O conservadorismo e revolucionário de Wesley ao combater o cessacionismo
· Conservador e revolucionário ao resgatar a doutrina da santidade
· O conservadorismo e o revolucionário de Wesley nos artigos de religião no metodismo
· Princípios conservadores e revolucionários de Wesley sobre o casamento
· Um sermão de Wesley conservador sobre a família
· Wesley foi um revolucionário ao escrever as Notas sobre a Bíblia
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Introdução
“Aposição conservadora e revolucionária de Wesley sobre a teologia e a família” é um livro de 27 páginas sobre o ministério de Wesley envolvendo a teologia e a família.
John Wesley
(1703-1791), fundador do metodismo, é uma figura complexa que equilibrou
posições teológicas conservadoras (fidelidade
à tradição anglicana e doutrinas primitivas) com práticas revolucionárias (mudanças
sociais e inovações metodológicas). Essa síntese ‘radical’ influenciou
profundamente tanto a teologia quanto a estrutura familiar e social do século
XVIII.[1]
Em algumas questões teológicas, Wesley foi conservador e, ao mesmo
tempo, revolucionário.
Diante de questões sobre a família e as doutrinas em nosso tempo, é
importante ver a posição de Wesley.
O Autor
Destaques dos capítulos do livro
O conservadorismo de Wesley nas Fontes de
Conhecimento Espiritual
“Revrencio muito estes cristãos
com todas as suas falhas porque vejo tão poucos cristãos atualmente; porque
leio tão pouco nos escritos dos últimos tempos e ouço tão pouco de cristianismo
genuíno”
O conservadorismo e revolucionário de Wesley ao combater o cessacionismo
“Cessacionismo é a visão cristã de que certos dons espirituais,
como falar em línguas, profecia e curas miraculosas, cessaram de existir após o
fim da era apostólica. Os cessacionistas acreditam que esses dons eram
sinais extraordinários para o período inicial da Igreja, marcando a transição
para o Novo Testamento, e não são mais operacionais hoje, embora Deus possa
ainda realizar curas de maneiras inesperadas. Essa visão se opõe ao
continuísmo, que crê que todos os dons espirituais continuam disponíveis para a
igreja”. [2]
Conservador e revolucionário ao
resgatar a doutrina da santidade
A perfeição cristã, cria Wesley, era o
depositum que Deus havia entregue aos metodistas como sua responsabilidade
especial
O conservadorismo e o
revolucionário de Wesley nos artigos de religião no metodismo
Uma disciplina foi adotada, contendo as Regras Gerais e Artigos de Religião, resumida por Wesley a partir dos Trinta e Nove Artigos, a nova forma sendo despojada de todos os elementos distintamente católicos e calvinistas, e uma liturgia, também preparada por Wesley
Princípios conservadores e revolucionários de Wesley sobre o
casamento
“Sendo o casamento santo e honrado não pode ser usado como uma pretensão
em dar largas aos nossos desejos”. Largas é o mesmo que ampliar, expandir.
Um sermão de Wesley conservador sobre a família
“A pessoa em sua casa que reclama sua
primeira e mais próxima atenção é, sem dúvida, sua esposa; vendo que você
deve amá-la, assim como Cristo amou a Igreja, quando deu a vida por ela, para
que pudesse ‘purificá-la para si mesmo, não tendo mancha, nem ruga, nem coisa
semelhante(...)”.
Wesley foi um revolucionário ao escrever as Notas
sobre a Bíblia
Ele começou a escrever em 4 de janeiro de 1754 e continuou sem pregar
até março, quando já havia produzido um rascunho da tradução. O ritmo de Wesley
foi retardado por outras atividades, e ele completou o comentário em 23 de
setembro de 1755, publicando no mesmo ano. Outras atualizações foram feitas em
1759 e 1787
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O conservadorismo de Wesley nas
Fontes de Conhecimento Espiritual
“Reverencio muito estes cristãos
com todas as suas falhas porque vejo tão poucos cristãos atualmente; porque
leio tão pouco nos escritos dos últimos tempos e ouço tão pouco de cristianismo
genuíno”
(Wesley)
Nas suas fontes de conhecimento espiritual
destacamos as ênfases de Wesley na Bíblia e tradição cristã onde ele foi
conservador:
1 - A Bíblia
Wesley disse:
* “A Bíblia é a única e suficiente
regra da fé;
* Deus, através das escrituras,
nos ensina o caminho da Salvação;
* A Bíblia não pode ser invenção
de homens bons ou anjos, pois eles não fariam um livro contando mentiras e
dizendo: “Assim disse o Senhor”, quando, então, seriam eles que estariam
dizendo;
* A Bíblia não pode ser uma
invenção de homens maus ou de demônios, pois não fariam um livro condenando o
pecado;
* A Bíblia, então, foi escrita por
inspiração divina” (Verifique: 2Tm 3.16; Jo 5.39; Gl 3.8; At 18.28).[3]
2 - A Tradição Cristã:
* “A verdade plena, nós tivemos
quando Cristo veio ao mundo no ano 1 da era cristã;
* Quanto mais os anos vão
passando, mais nos distanciamos do dia que esta verdade veio ao mundo;
* Os que viveram um pouco depois
de Jesus (até o século IV) tiveram um cristianismo mais autêntico do que os que
nascem hoje e escrevem sobre Jesus e a sua Igreja;
* Devemos recorrer aos “pais
apostólicos”, lendo os seus escritos, pois eles estiveram mais perto da verdade
do que nós;
* Eis alguns dos pais apostólicos:
Inácio, Irineu, Policarpo etc” (Verifique: 1Co 11.2; 2Tm 2.15.).[4]
O conservadorismo e revolucionário de Wesley
ao combater o cessacionismo
“Cessacionismo é a visão cristã de que certos dons espirituais,
como falar em línguas, profecia e curas miraculosas, cessaram de existir após o
fim da era apostólica. Os cessacionistas acreditam que esses dons eram
sinais extraordinários para o período inicial da Igreja, marcando a transição
para o Novo Testamento, e não são mais operacionais hoje, embora Deus possa
ainda realizar curas de maneiras inesperadas. Essa visão se opõe ao
continuísmo, que crê que todos os dons espirituais continuam disponíveis para a
igreja”. [5]
Wesley restaurou as doutrinas de santidade e do Espírito, em sua época.
Vamos abordar aqui sobre o que é o cessacionismo:
O cessacionismo é a crença de que os dons
cessaram depois que os apóstolos morreram.
“Cessacionismo é a visão cristã na qual se
formula que parte dos chamados dons do Espírito Santo, apesar de terem sido de
fundamental utilidade e importância nos primórdios da igreja
cristã, cessaram de existir ainda no período da Igreja Primitiva”.[6]
“Os
cessacionistas não negam a atuação do Espírito Santo, mas acreditam que dons
como ensino, evangelismo e misericórdia são contínuos e continuarão até o fim
dos tempos”. [7]
Como surgiu
o cessacionismo?
“O
cessacionismo surgiu na teologia reformada, em parte em resposta a afirmações
de milagres na Igreja Católica Romana, e é associado ao calvinismo”. [8]
A posição de Wesley
Para Wesley, “a grande razão pela qual os presentes
milagrosos foram tão logo retirados foi não apenas que a fé e a santidade
estavam bem perdidas, mas que os homens secos, formais e ortodoxos começaram
então a ridicularizar quaisquer dons que não tinham e a chorar (Contra) todos
eles como loucura maligna”.[9]
Ele
afirmou: "Não parece que esses dons extraordinários do Espírito Santo
fossem comuns na Igreja por mais de dois ou três séculos ... A causa disso não
era porque não havia ocasião para eles porque todo o mundo se tornou cristão.
A verdadeira causa foi [que] "o amor de muitos", quase todos os
cristãos, assim chamados, estavam "gelados". Esta era a verdadeira
razão pela qual os dons extraordinários do Espírito Santo já não se encontravam
na Igreja cristã, porque os cristãos voltaram a ser pagãos e só restavam uma
forma morta”[10]
Essa crença foi generalizada durante o tempo de
João Wesley, que ensinou que os dons do Espírito permanecem.
“Portanto, Wesley foi um dos precursores ao
declarar a necessidade de que os dons sobrenaturais de Deus sejam vivenciados
hoje. Wesley acreditava que não era possível apenas que as pessoas em
seu tempo falassem em línguas e experimentassem os outros dons milagrosos do
Espírito Santo, mas que era necessário!”[11]
O derramar do Espírito ocorria nas ministrações de
João Wesley porque havia a busca de santidade e clamor de todo coração. Wesley
sabia que “(...) onde não se encontra o poder de Deus, o trabalho enfraquece.”[12]
Havia manifestações espirituais e Wesley descrevia
as pessoas como sendo fulminadas, feridas pela espada do Espírito, tomadas de
fortes dores. Algumas caíam de joelhos, outras tinham estranhos acessos, mas
ele registra ainda que a maioria era aliviada pela oração e alcançava a paz. [13]
Mas isso não era ainda Pentecostes.
Em 1749, Wesley relatou sobre algumas manifestações
no final do culto: “Quando, enfim, despedi o povo com a benção, ninguém se
mexeu; ficaram todos nos seus lugares, enquanto eu ia passando no meio deles.
Logo se ouviu uma pessoa que gritou: ´Meu Deus, meu Deus, tu te esquecestes de
mim´. Tendo dito isto, caiu no chão. Oramos a Deus em favor dela. Seus gritos
junto com de muitos outros, clamando a Deus, se aumentaram. Mas nós continuamos
lutando com Deus em oração, até que Ele nos atendeu com a paz.” [14] Mas
isso não era ainda Pentecostes.
Wesley fala de um avivamento ocorrido em 1767 em
Cork: “Estive aqui quando a chama do avivamento estava mais alta, e preguei ao
ar livre, no centro da cidade e no lado sul, perto do quartel, e diversas vezes
em Blackpool, que fica ao norte. Mais e mais interessados, e houve aqui
avivamento maior do que em qualquer outra parte do reino”. [15]
Wesley acreditava que o Pentecostes traria
transformações profundas e muitas pessoas seriam justificadas e
santificadas.
Era comum o avivamento, reavivamento, derramar do
Espírito ou Pentecostes no movimento metodista. Wesley disse: “Aprouve a Deus
derramar Seu Espírito em todas as partes, tanto na Inglaterra como na Irlanda,
e de uma maneira tal que nunca sequer vimos antes, pelo menos nestes últimos
vinte anos.”[23]
O avivamento em Dublin foi o mais notável para
Wesley. Teve início com um pregador chamado João Manners, pessoa singela e sem
eloquência, mas que parecia destinada a essa obra.
João Wesley descreveu o que viu: “Essa gente está
tomada pelo fogo divino; nunca presenciei dias como o domingo passado. Enquanto
orava na sociedade, o poder de Deus tomou conta de nós completamente, e alguns
exclamavam em voz alta, ‘Senhor, já posso crer.”[16]
Ele pregou em cima do túmulo de seu pai, por ter
sido impedido de pregar no templo anglicano, em Epworth: “Neste local, algumas
vezes, sua voz era abafada pelo choro e clamor dos ouvintes e diversos caíram
como se estivessem mortos. Ele disse: Meu pai trabalhou aqui durante quase 40
anos; mas houve pouco fruto. Eu sofri também entre este povo, e parecia que os
meus esforços eram feitos em vão, mas os frutos aparecem agora.”[17]
Samuel Wesley, seu pai e pastor, havia dito para
João Wesley esperar porque o Pentecostes viria. O Pentecostes também é possível
em nossos dias. Ele pode demorar, mas se perseverarmos e o buscarmos dentro dos
princípios bíblicos, ele virá.
Conservador e revolucionário ao
resgatar a doutrina da santidade
A perfeição cristã,
cria Wesley, era o depositum que Deus havia entregue aos metodistas como sua
responsabilidade especial
Wesley acreditava ter sido o metodismo levantado por Deus para mudar a situação vigente na Inglaterra, ou seja, para: “(...) reformar a nação e, particularmente, a Igreja (...) e espalhar a santidade bíblica sobre a terra.”[18]
João Wesley considerava que o movimento metodista era uma Dispensação Extraordinária da Providência de Deus:
“Wesley aceitou os argumentos de um ´chamado extraordinário, reconhecendo que não apenas a pregação leiga, mas também ´todo o trabalho de Deus chamado Metodista´ era uma ´dispensação extraordinária.” [19]
Nisso Wesley foi revolucionário.
O metodismo restaurou as doutrinas da santidade e do Espírito Santo. Isso significa voltar à Bíblia sendo assim “conservador” das doutrinas ensinadas por Jesus e os apóstolos. Mas ao realizar as mudanças, Wesley foi um revolucionário.
Segundo o historiador metodista Duncan Reily: “João Wesley teve a consciência de estar envolvido em algo extraordinário que o próprio Deus fazia no mundo.”[20]
O próprio resgate da doutrina da perfeição cristã, segundo Reily, fazia parte da responsabilidade dada por Deus ao metodismo, no século XVIII:
“A perfeição cristã, cria Wesley, era o depositum que Deus havia entregue aos metodistas como sua responsabilidade especial.”[21]
Para ele, “a perfeição cristã, cria Wesley, era o “depositum” que Deus havia entregue aos metodistas como sua responsabilidade especial.”[22]
Para Wesley, a Dispensação extraordinária da Providência de Deus compreendia a doutrina da Perfeição Cristã,[23] o Ministério Feminino[24] e o surgimento do próprio metodismo.[25]
Em 1771, numa carta para Mary Bosanquet Fletcher, João Wesley disse:
“É claro para mim que toda a obra de Deus chamada Metodismo é uma dispensação extraordinária de Sua providência. Portanto, não me pergunto se várias coisas ocorrem nele que não se enquadram nas regras normais de disciplina.” [26]
Para Wesley algumas mulheres possuíam "chamada extraordinária" de Deus que as isentava das regras normais de disciplina.[27] Aqui Wesley escrevia uma carta à Maria Bosanquet sobre Sarah Crosby (1729-1804), que foi a primeira mulher metodista autorizada por Wesley para pregar.[28]
Muitas outras pregaram. “Em 1787, apesar da oposição de alguns pregadores do sexo masculino, Wesley autorizou Sarah Mallet a pregar também, contanto que ela concordasse em manter a doutrina e disciplina metodistas”.[29]
Wesley afirmou:
“Não creio que todas as mulheres são chamadas para falarem em público, nem que todos os homens o são para serem pregadores metodistas; porém, algumas têm um chamado extraordinário para isso, e ai daquela que não o obedece" (documents, 4:171). Wesley aceitou o argumento de um "chamado extraordinário" reconhecendo que não apenas a pregação leiga, mas também 'todo o trabalho de Deus chamado metodismo, era uma 'dispensação extraordinária da providência de Deus.” [30]
Todo o trabalho de Deus chamado
metodismo era uma “dispensação extraordinária da providência de Deus”. Os
ministérios de Susanna, João e Carlos Wesley estavam dentro do chamado de Deus.
O
conservadorismo e o revolucionário de Wesley nos artigos de religião no
metodismo
Uma disciplina foi
adotada, contendo as Regras Gerais e Artigos de Religião, resumida por Wesley a
partir dos Trinta e Nove Artigos, a nova forma sendo despojada de todos os
elementos distintamente católicos e calvinistas, e uma liturgia, também
preparada por Wesley
“Os Vinte e Cinco Artigos de
Religião são uma declaração doutrinária oficial
do Metodismo - particularmente do
Metodismo Americano e suas ramificações. John
Wesley resumiu os Trinta e Nove Artigos da Igreja
da Inglaterra, removendo as partes calvinistas entre outras,
refletindo a teologia arminiana de
Wesley”. [31]
Nisso Wesley foi também conservador mantendo o que ele considerava bíblico.
Se João Wesley e os primeiros metodistas discordavam, em parte, da Igreja Anglicana e criam que Deus os havia levantado, inclusive, para mudar esta Igreja, ela deixou uma grande influência na estrutura e na base doutrinária do metodismo.
A Igreja Anglicana surgiu em
1534 por vontade do rei Henrique VIII, que se separou da Igreja Católica para
obter o divórcio e se casar de novo para ter um herdeiro. Ele havia se casado
secretamente em 25 de janeiro de 1533 com Ana Bolena. O Papa Clemente VII
preparara uma bula ameaçando o rei de excomunhão em 11 de julho de 1533.[32]
O Parlamento inglês aprovou o
"Ato de Supremacia"
reconhecendo o rei como o único
cabeça da Igreja na Inglaterra e não
mais o papa. O rei elaborou dez artigos de religião, uma espécie de
credo, mas quando ele morreu a Inglaterra ainda tinha muito do catolicismo.[34]
Os antepassados de João e Carlos Wesley foram anglicanos. O pai, Samuel Wesley, foi pastor na Igreja da Inglaterra. Wesley foi ordenado sacerdote e serviu em Epworth durante três anos, ajudando seu pai. Por isso, também havia um respeito grande pela Igreja de origem, tanto que João e Carlos Wesley lutaram contra a separação e morreram anglicanos.
Dos 39 Artigos de Religião da Igreja oficial, os metodistas deixaram 25 como parte da base doutrinária.
Wesley foi ao mesmo tempo conservador, por conservar as doutrinas que ele considerava bíblica, e ao mesmo tempo foi revolucionário ou reformador ao fazer modificações nos Artigos der religião da Igreja Anglicana.
Revisão de Wesley
“Wesley revisou os Artigos em 1784 para o trabalho metodista na América. Seus vinte e quatro artigos refletem tanto seus compromissos teológicos quanto seu desejo de clareza doutrinária, encurtando alguns artigos e excluindo outros se pudessem ser facilmente mal interpretados.”[35]
Dos itens excluídos
“Uma disciplina foi adotada, contendo as Regras Gerais e Artigos de Religião, resumida por Wesley a partir dos Trinta e Nove Artigos, a nova forma sendo despojada de todos os elementos distintamente católicos e calvinistas, e uma liturgia, também preparada por Wesley.” [36]
“Entre os itens excluídos por Wesley como desnecessários para os metodistas estavam artigos sobre Das obras antes da justificação, que no calvinismo são amplamente descontados, mas no metodismo elogiados; Da Predestinação e Eleição, que Wesley sentiu que seria entendido de uma maneira calvinista que os metodistas rejeitaram; e Das Tradições da Igreja, que Wesley sentiu não estar mais em questão”. [37]
Conferência de Natal de 1784
“O credo foi aceito na conferência em Baltimore, Maryland, em 1784, quando a Igreja Metodista Episcopal foi formalmente organizada”.[38]
“Os Vinte e Cinco Artigos
resultantes foram adotados na Conferência de Natal de 1784, e são
encontrados nos Livros de Disciplina das Igrejas Metodistas, como o Capítulo I
das Doutrinas e Disciplina da Igreja Metodista Episcopal
Africana e o parágrafo 103 do Livro de Disciplina da Igreja
Metodista Unida. Eles permaneceram relativamente
inalterados desde 1808, exceto por alguns artigos adicionais adicionados nos
anos posteriores tanto na tradição Metodista Unida quanto na Conexão Metodista Wesleyana
Allegheny, entre outras conexões metodistas.”[39]
Princípios
conservadores e revolucionários de Wesley sobre o casamento
Wesley ensinava que a família
era um espaço de instrução religiosa. O marido deveria ser o líder espiritual,
amando a esposa como Cristo ama a igreja, e os pais deveriam treinar os filhos
na santidade, orando e lendo a Bíblia diariamente.
- Ordem
e Disciplina: A família deve
ser organizada, com regras claras para "não fazer mal" e
"fazer todo o bem possível".
- Visão
do Casamento: Embora
valorizasse o celibato para ministério (single life), defendia o casamento
como instituição divina, exigindo consentimento dos pais”.[40]
Texto Base: Efésios 5.22-28
João Wesley teve uma mãe exemplar, que lhe
ensinou a viver em santidade e vida disciplinada. Ele não foi feliz no
casamento, mas sabia da importância da família ser santa.
Neste estudo conheceremos alguns dos
principais princípios de Wesley sobre o casamento:
O casamento é santo e honrado
“Sendo o casamento santo e honrado não pode ser usado como uma pretensão
em dar largas aos nossos desejos”.[41].
Largas é o mesmo que ampliar, expandir.
A prioridade
de um marido em sua casa
“A pessoa que exige as suas
primeiras atenções na sua casa é, sem dúvida, a sua esposa, visto que o senhor
tem de amá-la como Cristo amou a sua Igreja”.[42]
O pai deve treinar os filhos para a santidade
“Em segundo lugar vem os filhos – espíritos imortais que Deus confiou ao
seu cuidado, por algum tempo, para que possa treiná-los em toda santidade e
prepará-los para a alegria de Deus na
eternidade”.[43]
O objetivo maior é ser santo
Ao discernir entre o casamento e uma vida única, Wesley oferece o
seguinte sábio conselho: "Em qual desses estados posso ser muito santo e
fazer o melhor?”.[44]
Um marido pronto a perdoar
Palavras de Wesley para sua esposa: “Talvez
seja uma bênção indizível que tendes por marido, um que vos conhece o gênio e
pode aturá-lo; o qual, depois de lhe terdes cansado por modos enumeráveis
acusando-o de causas que ele não sabia, roubando-o, traindo-lhe a confiança,
revelando os seus segredos, dando-lhe mil feridas traiçoeiras (...) digo eu,
depois de todas essas provocações, está ainda pronto a perdoar-vos tudo, a
esquecer-se do passado como se nunca houvesse, e receber-vos de braços abertos;
exceto enquanto tiverdes a espada na mão".[45]
O dom de ser
solteiro
“Encontrei-me com os solteiros da Sociedade
de Londres, e lhes mostrei por quantas razões seria bem para aqueles (os
solteiros), tendo recebido este dom de Deus, continuar solteiros por amor do
reino dos céus, a não ser onde um caso excepcional constituísse uma isenção da
regra".[46]
A família deve
adotar a resolução de Josué
“Inculquei fortemente a religião familiar, o grande “desideratum entre
os metodistas. Muitos se envergonharam perante Deus e afinal adotaram a
resolução de Josué: “Eu e minha casa serviremos ao Senhor”.[47]
“Desideratum” significa “aquilo que se deseja, que
se aspira”.
O esforço
maior é para toda família cultuar ao Senhor
“O Senhor determinou andar neste caminho, a esforçar-se por todos os
meios possíveis para que o sr. e a sua casa sirvam ao Senhor, a fim de todos os
membros da sua família possam cultuá-lo”.[48]
A real riqueza
para os filhos
“Se fordes portanto, sábios, não procurareis riquezas para vossos filhos
através do seu casamento. Sejam os vossos filhos simples também nisto: buscai
simplesmente a glória de Deus e a felicidade real dos vossos filhos no tempo e
na eternidade”.[49]
Estes são princípios
sábios de João Wesley para todas as gerações.
Um sermão de Wesley conservador sobre
a família
“A pessoa em sua casa que reclama sua
primeira e mais próxima atenção é, sem dúvida, sua esposa; vendo que você
deve amá-la, assim como Cristo amou a Igreja, quando deu a vida por ela, para
que pudesse ‘purificá-la para si mesmo, não tendo mancha, nem ruga, nem coisa
semelhante(...)”.
Depois Wesley incluiu os filhos e filhas em
“minha casa”. Ele disse: “Ao lado de sua esposa estão seus
filhos; espíritos imortais a quem Deus tem, por um tempo, confiado ao seu
cuidado, para que você possa treiná-los em toda a santidade e encaixá-los para
o desfrute de Deus na eternidade.”
Texto base: Josué
24.15
No seu sermão
“religião familiar”, João Wesley procurou responder à pergunta: Mas qual é o
propósito desta resolução: "Eu
e minha casa serviremos ao Senhor" (Josué 24.15)?
Wesley lembrou que Josué já estava idoso e "ajuntou as tribos de Israel a Siquém e chamou os anciãos de Israel, por suas cabeças, por seus juízes e oficiais, e apresentaram-se perante o Senhor " (Josué 24.1). “E Josué lhes relatou as grandes coisas que Deus havia feito por seus pais; (Josué 24: 2-14;) concluindo com aquela forte exortação: "Agora, pois, teme o Senhor, e sirva-o com sinceridade e verdade; e separe os deuses que teus pais serviram do outro lado do rio (Jordão) e no Egito ".[50]
Ele prosseguiu: "Se lhe parecer mal
servir o Senhor, escolhem hoje a quem sirvais; se os deuses seus servos
serviram na outra margem do dilúvio, ou os deuses dos amorreus em cuja terra
habitas: Mas eu e a minha casa serviremos ao Senhor”.
Wesley concluiu afirmando que foi uma
resolução digna de um santo idoso, que tivera grande experiência, desde a
juventude, da bondade do Mestre a quem havia se dedicado.[51]
Voltemos a questão de Wesley: “Mas qual é o
propósito desta resolução: ‘Eu e minha casa serviremos ao Senhor"?
Wesley procurou primeiro responder o que é
"servir ao Senhor". Para ele, não é servir com um serviço externo,
mas com o interior, com o serviço do coração, "adorando-o em espírito na
verdade". A primeira coisa implicada neste serviço é a
fé; acreditando no nome do Filho de Deus. Não podemos prestar um serviço
aceitável a Deus, até crermos em Jesus Cristo a quem ele enviou.[52]
Amar a Deus e servir a Deus para Wesley é a
mesma coisa. Nós o amamos porque ele nos amou primeiro. E quem ama a Deus não
pode deixar de amar ao seu irmão.
Wesley aprofundou mais sobre o servir e
afirma que “uma coisa mais está implícita em ‘servir ao Senhor’, a saber, a
obediência a ele; o andar firme em todos os seus caminhos, fazendo a sua
vontade do coração. Como aqueles ‘seus servos’ acima, que fazem o seu
prazer, que guardam os seus mandamentos, evitam cuidadosamente tudo o que ele
proibiu, e zelosamente fazem o que ele tem ordenado; estudando sempre para ter
consciência sem ofensa a Deus e ao homem”.[53]
Wesley procurou se aprofundar no significado
de “minha casa”. De uma forma bela e profunda, ele disse: “A pessoa em sua casa
que reclama sua primeira e mais próxima atenção é, sem dúvida, sua
esposa; vendo que você deve amá-la, assim como Cristo amou a Igreja,
quando deu a vida por ela, para que pudesse ‘purificá-la para si mesmo, não
tendo mancha, nem ruga, nem coisa semelhante(...)”. [54]
Depois Wesley incluiu os filhos e filhas em
“minha casa”. Ele disse: “Ao lado de sua esposa estão seus
filhos; espíritos imortais a quem Deus tem, por um tempo, confiado ao seu
cuidado, para que você possa treiná-los em toda a santidade e encaixá-los para
o desfrute de Deus na eternidade.”[55]
Wesley ainda inclui os servos a quem ele
afirmou devem ser considerados como filhos secundários.
Ele disse que esses servos estão sob sua
responsabilidade para serem salvos: “Para cada um sob o seu teto que tem uma
alma para ser salva, que são legalmente contratados para permanecer com você
por um período de anos; não apenas funcionários contratados, quer
contratem voluntariamente por um período menor de tempo; mas também
aqueles que o servem na semana do dia: pois estes também são, em certa medida,
entregues em suas mãos”.[56]
Nesse sermão, João Wesley ainda deu diversas
orientações sobre procedimentos do marido para com a esposa, filhos e
trabalhadores de sua casa.
Wesley foi
um revolucionário ao escrever as Notas sobre a Bíblia
Ele começou a escrever em 4 de janeiro de
1754 e continuou sem pregar até março, quando já havia produzido um rascunho da
tradução. O ritmo de Wesley foi retardado por outras atividades, e ele
completou o comentário em 23 de setembro de 1755, publicando no mesmo ano.
Outras atualizações foram feitas em 1759 e 1787
As Notas Explicativas de João Wesley sobre a
Bíblia ou os Comentários de João Wesley sobre a Bíblia foram produzidos entre
1754 e 1765.
Seu propósito foi ajudar às pessoas sérias:
“Por muitos anos, tive o desejo de estabelecer e colocar juntos o que me
ocorreu na leitura, no pensamento ou na conversação, o que poderia ajudar
pessoas sérias, que não têm a vantagem de aprender, a entender o Novo
Testamento”.
Além disso, ele havia encontrado muitos erros
na Bíblia utilizada pela Igreja Anglicana e outras denominações.
João Wesley, em 1755, publicou o Novo
Testamento fazendo correções na Bíblia do Rei James mudando a palavra caridade
para o amor.
Wesley não realizou durante um bom tempo esse
seu desejo.
Mas ele recebeu um forte chamado de Deus: “um
forte chamado de Deus para me levantar e partir, estou convencido de que, se
tentar algo desse tipo, não devo demorar mais. Meu dia já passou e (mesmo de
maneira natural) as sombras da noite vêm rapidamente. E sou bastante induzido a
fazer o pouco que posso dessa maneira, porque não posso fazer mais nada: ser
impedido, por minha fraqueza atual, de viajar ou pregar. Mas, bendito seja
Deus, ainda posso ler, escrever e pensar. Oh, que seja para sua glória!”[57]
Em seu prefácio, Wesley afirmou que suas
notas eram destinadas ao "leitor iletrado" e deveriam ser de natureza
anti-sectária.
Wesley só começou a realizar seu proposto
quando ficou gravemente doente, em 1753. Ele ficou, nesse tempo, sem viajar e
pregar.
“Como resultado disso, ele começou a
trabalhar em um comentário bíblico e tradução. Ele
começou a escrever em 4 de janeiro de 1754 e continuou sem pregar até março,
quando já havia produzido um rascunho da tradução. O ritmo de Wesley foi
retardado por outras atividades, e ele completou o comentário em 23 de setembro
de 1755, publicando no mesmo ano. Outras atualizações foram feitas em 1759 e
1787. Em 1790, a tradução foi publicada sem um comentário de
acompanhamento. Ele foi auxiliado em seu trabalho por seu
irmão Charles
Wesley”. [58]
Wesley trabalhou a partir de manuscritos
gregos do Novo Testamento “(...) particularmente os de Johann
Albrecht Bengel,
mantendo sua tradução alinhada com a versão
King James (KJV).
Ele fez cerca de 12.000 pequenas alterações na KJV, muitas das quais foram
incorporadas em traduções modernas, como a Versão Revisada. Wesley tentou modernizar a linguagem datada
da KJV. Ele também mudou muitas ocorrências da palavra "deve" para
"irá", minimizando assim a ênfase na predestinação dentro do texto e alinhando-o mais com
a teologia
metodista”. [59]
[1] Visão geral criada por IA
[2] Visão geral criada por IA do Google
[3] WESLEY, J. - Sermões de Wesley.
Imprensa Metodista, v.2, 1954, p. 15-22.
[4] WESLEY, J. - Sermões de Wesley.
Imprensa Metodista, v.2, 1954, p.36-39.
[5] Visão geral criada por IA do Google
[6]
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cessacionismo
[7] Visão geral criada por IA do Google
[8] Visão geral criada por IA do Google
[9]
http://www.alaskandreams.net/ekklesia/Wesley%20Quotes.htm
[10] E.
H. Sugden. The Standard Sermons of John Wesley' por Vol. I '. https://www.cai.org/bible-studies/scriptural-christianity-john-wesley. cf.
http://enrichmentjournal.ag.org/201103/201103_000_holy_sp.cfm
[11] Andrew Williams. Publicado por Duke
Lancaster. John Wesley e o sobrenatural.
http://www.vineyardjackson.org/blog/wesley.
[12] WESLEY, João. Trechos do diário de
João Wesley, ibidem, p.115
[13] WESLEY, João. Trechos do diário de
João Wesley, ibidem, p.37-8.
[14] WESLEY, João. Trechos do diário de
João Wesley, ibidem, p.84
[15] WESLEY, João. Trechos do diário de
João Wesley, ibidem, p.156
[16] LILIÈVRE, Mateo. João Wesley – Sua
vida e obra. São Paulo: Editora Vida, 1997, p.218.
[17] FISCHER, Harold A. Avivamentos que
avivam. Ibidem, p.102.
[18] HEITZENHATER, Richard P., Wesley e o
Povo Chamado Metodista, Editeo-Pastoral Bennett, 1996, p. 230.
[19] Ibidem, p.248.
[20] REILY, Duncan Alexander. Fundamentos
Doutrinários do Metodismo brasileiro, Ibidem, p.47.
[21] REILY, Duncan Alexander. Wesley e sua
Bíblia. São Paulo: Editeo, 1997, p.39.
[22] REILY, Duncan Alexander. Wesley e sua
Bíblia. São Paulo: Editeo, 1997, p.39.
[23] REILY, Duncan Alexander. Fundamentos
doutrinários do Metodismo brasileiro. Ibidem, p.61.
[24] HEITZENHATER, Richard P. Ibidem, p.
248.
[25] Ibidem, p. 230.
[26]
https://hannahadairbonner.com/tag/john-wesley/
[29]
https://www.seedbed.com/key-leaders-of-the-wesleyan-movement/
[30]HEITZENHATER, Richard P., Ibidem, p. 248.
[31]https://en.wikipedia.org/wiki/Twenty-five_Articles
[32] WALKER, Welliston, Ibidem, p.83.
[33] Ibidem.
[34] Ibidem, p.
84.
[35]https://en.wikipedia.org/wiki/Twenty-five_Articles
[36]https://en.wikipedia.org/wiki/Twenty-five_Articles
[37]https://en.wikipedia.org/wiki/Twenty-five_Articles
[38]
https://www.britannica.com/topic/Twenty-five-Articles-of-Religion
[39]https://en.wikipedia.org/wiki/Twenty-five_Articles
[40] Visão geral
criada por IA
[41] Coletânea da
teologia de João Wesley, p.244.
[42] Idem.
[43] Op. cit, p.245.
[44]
http://www.umc.org/what-we-believe/marriage-or-the-single-life-advice-from-john-wesley
[45]
http://www.metodistavilaisabel.org.br/artigosepublicacoes/descricaocolunas.asp?Numero=1777
[46] Idem.
[47] Coletânea da
teologia de João Wesley, p.243
[48] Op.cit. p. 245.
[49] Idem.
[50] https://gracelegacybuilders.org/author-month-november-john-wesley/
[51] Idem.
[52] Idem.
[53] Idem.
[54] BURTNER,
Robert – CHLES, Robert. Coletânea da Teologia de João Wesley. Imprensa
Metodista, 1960, Junta Geral de Educação Cristã, p.244.
[55] Op.cit, p. 245.
[56] Idem.
[57]
https://ccel.org/cel/wesley/notes/notes.i.i.html
[58]
https://en.wikipedia.org/wiki/Explanatory_Notes_Upon_the_New_Testament
[59]
https://en.wikipedia.org/wiki/Explanatory_Notes_Upon_the_New_Testament
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