Resgatando a doutrina do Novo Nascimento

 

Baseado no diário, notas, sermões e estudos de Wesley

 

Odilon Massolar Chaves

 

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Capa: João Wesley – Print do Youtube

Tradutor: Google

Toda gloria a Deus!

Odilon Massolar Chaves é pastor metodista aposentado, doutor em Teologia e História pela Universidade Metodista de São Paulo.

É casado com RoseMary. Tem duas filhas: Liliana e Luciana.

Sua tese tratou sobre o avivamento metodista na Inglaterra no século XVIII e a sua contribuição como paradigma para nossos dias.

Foi editor do jornal oficial metodista e coordenador de Curso de Teologia.

 

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Índice

 



·   Introdução

·       Destaques dos capítulos do livro

·       Novo nascimento: Início da nova vida

·       As principais marcas do Novo Nascimento 

·       Nicodemos e o novo nascimento

·       O Espírito Santo e o novo nascimento

·       Sinais do novo nascimento no ministério de Wesley

·       Novo Nascimento e a circuncisão do coração

·       As marcas do que é nascido de Deus



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Introdução

 

“Resgatando a doutrina do Novo Nascimento” é um livro de 36 páginas baseado no diário, notas, estudos e sermões  de Wesley.

“Observa-se, em diversos círculos teológicos e eclesiásticos contemporâneos, uma preocupação com o decréscimo da centralidade da pregação sobre o novo nascimento (ou regeneração). Pastores e estudiosos alertam que essa doutrina vital tem sido, por vezes, substituída por temas voltados à autoajuda, prosperidade ou moralismo ético”.

É verdade!

Qual foi a última vez que você ouviu ou pregou sobre o Novo Nascimento, a nova vida em Cristo?

Neste livro, procuramos destacar os estudos e sermões de Wesley sobre o Novo Nascimento.

Um tema vital para o ser humano e o cristianismo.

O Autor

 

 

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Destaques dos capítulos do livro

 

Novo nascimento: Início da nova vida

Sim, para John Wesley, o novo nascimento (ou regeneração) é o início da vida cristã.

Ele acreditava que o novo nascimento é a obra de Deus no coração e na vida de uma pessoa, através do Espírito Santo, que a liberta do poder do pecado e a capacita a viver uma vida de santidade e retidão. Não é meramente uma mudança de comportamento externo, mas uma transformação espiritual interna fundamental, necessária para entrar no Reino de Deus e começar uma vida de fé genuína.

Wesley enfatizava que essa experiência deve ser buscada por todos os cristãos e é um passo essencial na jornada em direção à santificação completa (perfeição cristã).[1]

As principais marcas do Novo Nascimento 

Para John Wesley, as principais marcas do novo nascimento são a Fé Viva em Jesus Cristo, que leva à Prática da Justiça e ao Amor incondicional a Deus e ao próximo, resultando em uma vida onde o pecado não reina mais, mas se manifesta um despertar dos sentidos espirituais, capacitando o crente a vencer o mundo e sentir o amor de Deus derramado no coração, buscando a santificação contínua através dos meios da graça, como a oração e a disciplina eclesiástica.[2]

Nicodemos e o novo nascimento

John Wesley usou o diálogo de Jesus com Nicodemos no Evangelho de João (João 3:1-15) como a base bíblica fundamental para sua doutrina do novo nascimento (ou regeneração espiritual), que ele detalha em seu influente "Sermão 45: O Novo Nascimento". [3]

O Espírito Santo e o novo nascimento

Para John Wesley, o Espírito Santo é o agente central do novo nascimento (regeneração), uma profunda transformação interior onde o crente, antes espiritualmente morto, é vivificado e passa a viver uma nova vida em Cristo, marcada pelo amor e pela busca por santidade, sendo o batismo uma porta para essa graça, mas exigindo crescimento contínuo através dos meios da graça. A experiência não é só um evento, mas o início de uma jornada em direção à perfeição cristã, onde o Espírito purifica gradualmente o coração e a mente, resultando em evidências práticas como justiça, amor e vitória sobre o pecado habitual, culminando na plenitude do amor de Deus. [4]

Sinais do novo nascimento no ministério de Wesley

 

Os colisores selvagens e grosseiros de Kingswood foram finalmente domados pelo metodismo. O fundador do movimento, John Wesley, afirmou em 1769 que os antigos selvagens haviam sido transformados em ‘um povo humano e hospitaleiro, cheio de amor a Deus e ao homem"

 

Novo Nascimento e a circuncisão do coração

 

John Wesley abordou a "circuncisão do coração" em seus sermões, como o famoso Sermão 17, descrevendo-a como uma transformação interior profunda operada pelo Espírito Santo, não uma marca física, que resulta em um estado de alma renovado, um coração aberto à vontade de Deus e à salvação, e uma vida de santidade e obediência, fundamental para o metodismo e o cristianismo autêntico, contrastando com rituais exteriores vazios. [5]

 

As marcas do que é nascido de Deus

 

Para John Wesley, as marcas do que é nascido de Deus são uma transformação interior profunda operada pelo Espírito Santo, resultando em uma fé viva que vence o mundo, um amor de Deus derramado no coração, a prática da justiça, o desejo de santidade, e uma vida de obediência e testemunho (como amar a Deus acima de tudo, não pecar habitualmente e amar os irmãos), contrastando com o espírito mundano e focado na salvação de almas. [6]

 

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Novo nascimento: Início da nova vida

 

Sim, para John Wesley, o novo nascimento (ou regeneração) é o início da vida cristã.

Ele acreditava que o novo nascimento é a obra de Deus no coração e na vida de uma pessoa, através do Espírito Santo, que a liberta do poder do pecado e a capacita a viver uma vida de santidade e retidão. Não é meramente uma mudança de comportamento externo, mas uma transformação espiritual interna fundamental, necessária para entrar no Reino de Deus e começar uma vida de fé genuína.

Wesley enfatizava que essa experiência deve ser buscada por todos os cristãos e é um passo essencial na jornada em direção à santificação completa (perfeição cristã).[7]

  

 

Para alcançar o caráter de Cristo. a perfeição cristã, são necessários a conversão e o novo nascimento. “Nossa conversão inaugura uma jornada durante a qual estamos sendo transformados na semelhança de Cristo. Assim, a salvação não é um estado a ser preservado nem uma apólice de seguro que não requer mais investimento. É o começo de uma peregrinação com Cristo”.[8] 

“Você nasceu em pecado”, disse Wesley, “portanto, importa nascer de novo’, nascer de Deus. Por natureza, você é totalmente corrompido; pela graça, será totalmente renovado”.[9]

Temos conversões genuínas, mas vivemos dias em que as verdadeiras conversões são mais escassas. Talvez por vivermos numa geração muito tecnológica sem profundidade espiritual, imediatista e que quer tudo rápido e pronto.[10] Há mais adesão e atração por determinado tipo de Igreja, de líder espiritual, de louvor do que um verdadeiro novo nascimento.

Os líderes não podem esperar encontrar o fruto do Espírito na vida de quem não nasceu de novo!

Jesus disse que “se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (Jo 3.3). Para João Wesley, nascer de novo não tem nada a ver com o batismo ou mudança exterior, mas é uma “mudança operada na alma pela influência do Espírito Santo: mudança em todo o modo de existência, porque, desde o momento em que somos nascidos de Deus, passamos a viver de maneira totalmente diversa da que éramos antes: entramos por assim dizer, num mundo diferente”.[11]

Se antes seus sentidos eram bloqueados, “(...) toda a sua alma é agora sensível às manifestações de Deus (...)”.[12] Segundo Wesley, o sopro do Espírito penetra naquele que nasceu de novo e continuamente ele é inspirado pela fé e expirado pelo amor, orações, louvor e ações de graças. Essas orações, louvor e amor são respirados pela alma que é verdadeiramente nascida de Deus. Quem nasce de novo tem os olhos do entendimento abertos e vê o invisível; seus ouvidos estão abertos e ouvem a voz de Deus; conhece a voz de seu Pastor.

Quem é nascido de Deus recebe sempre na alma o fôlego da vida comunicado por Deus e a graciosa influência do Seu Espírito. Ele, “crendo, amando e constantemente percebendo, pela fé, a ação de Deus sobre seu Espírito, retribui, por uma espécie de reação espiritual, a graça que recebe, com incessante amor, louvor e oração”.[13]

Wesley afirma que a circuncisão do coração, ou perfeição cristã, é “um reto estado de alma, mente e espírito renovados à imagem Daquele que os criou”.[14]

O certo é que, mesmo após o novo nascimento, a alma ainda tem marcas do pecado e de desgastes. Por isso, Paulo afirma: “(...) mesmo que o nosso homem exterior (alma) se corrompa, contudo, o nosso homem interior (espírito) se renova de dia em dia” (2 Co 4.16).

Sim, o Espírito Santo fortalece e testifica: “(...) vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior” (Ef 3.16). Ele diz ainda: “O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8.16).     

Há uma experiência linda no novo nascimento. Um mundo novo se abre para nós. Mas não é o bastante.

Para restaurar a natureza humana, Wesley fala sobre “o método divino de curar a alma, que se encontra enferma”.[15] Ele diz que somos curados do amor ao mundo em todos os seus aspectos pelo derramamento do amor de Deus em nossos corações (Rm 5.5). Segundo Wesley, este é o soberano remédio.

Portanto, o verdadeiro novo nascimento inicia a cura da alma que está enferma e dá início a uma nova vida.

 

As principais marcas do Novo Nascimento 

 

Para John Wesley, as principais marcas do novo nascimento são a Fé Viva em Jesus Cristo, que leva à Prática da Justiça e ao Amor incondicional a Deus e ao próximo, resultando em uma vida onde o pecado não reina mais, mas se manifesta um despertar dos sentidos espirituais, capacitando o crente a vencer o mundo e sentir o amor de Deus derramado no coração, buscando a santificação contínua através dos meios da graça, como a oração e a disciplina eclesiástica.[16]

 

 O diálogo de Jesus com Nicodemos para Wesley ilustra bem a necessidade de novo nascimento (João 3.1-21). Wesley considerava a justificação pela fé e o novo nascimento como as doutrinas fundamentais do cristianismo.

Ele disse: “A primeira relacionada com a grande obra que Deus faz por nós, em perdoando nossos pecados; o último, para a grande obra que Deus faz em nós, renovando nossa natureza decaída. Na ordem do tempo, nenhum destes é anterior ao outro: no momento em que somos justificados pela graça de Deus, pela redenção que está em Jesus, também somos “nascidos do Espírito”.[17]

Mas quais as principais marcas de alguém que nasceu de novo? 

Interpretando o pensamento de Wesley, o professor Kevin M. Watson, do Candler School of Theology, Emory University, EUA, afirma sobre as principais marcas do novo nascimento: 

1 - A fé 

“A verdadeira fé viva não é apenas um assentimento, mas uma disposição que Deus operou no coração de uma pessoa. Um fruto imediato e constante desta fé é o poder sobre o pecado. Todo aquele que é nascido de Deus não peca. Outro fruto desta fé viva é a paz. [18]

2 - A esperança 

“Esta esperança implica (1) testemunho de nosso próprio espírito. Andamos em sinceridade e (2) no testemunho do Espírito. O próprio Espírito testifica com nosso espírito que somos filhos de Deus”. [19]

3 - O amor 

Quem nasceu de novo “está unido ao Senhor que é "um só espírito". O fruto necessário deste amor a Deus é o amor ao próximo. [20]

O amor é derramado em nossos corações pelo Santo Espírito.[21] Ao próximo deve ser ministrado esse amor, que proporciona ao cristão compromisso social. Segundo Wesley: “Os frutos necessários desse amor de Deus são o amor a nosso próximo – a toda alma que Deus criou, não excetuando nossos inimigos (...)”.[22]

Quem nasceu de novo tem os olhos do seu entendimento abertos. Está pronto para ouvir o que Deus tem a lhe ensinar. 

João Wesley disse mais. Quem nasceu de novo sente em seu coração “a poderosa operação do Espírito de Deus’; não em um sentido grosseiro e carnal, já que os homens do mundo estupidamente e intencionalmente interpretam mal a expressão; embora tenham sido contados repetidas vezes, não queremos dizer nem mais nem menos do que isso: Ele sente, é interiormente sensível às graças que o Espírito de Deus opera em seu coração. Ele sente, tem consciência de uma ‘paz que ultrapassa todo o entendimento’. Ele muitas vezes sente uma alegria em Deus que é ‘inexprimível e cheio de glória’. Ele sente “o amor de Deus derramado em seu coração pelo Espírito Santo que é dado a ele”; e todos os seus sentidos espirituais são então exercitados para discernir o bem e o mal espirituais. Pelo uso deles, ele está diariamente aumentando no conhecimento de Deus, de Jesus Cristo a quem ele enviou e de todas as coisas pertencentes ao seu reino interior. E agora pode-se dizer que ele vive apropriadamente: Deus o tendo vivificado pelo seu Espírito, ele está vivo para Deus por meio de Jesus Cristo. Ele vive uma vida que o mundo não conhece, uma ‘vida que está escondida com Cristo em Deus’. Deus está respirando continuamente, por assim dizer, na alma; e sua alma está respirando em Deus. A graça está descendo em seu coração; e oração e louvor ascendendo ao céu: E por esta relação entre Deus e o homem, esta comunhão com o Pai e o Filho, como por uma espécie de respiração espiritual, a vida de Deus na alma é sustentada (...)”.[23]

 

Nicodemos e o novo nascimento

 

John Wesley usou o diálogo de Jesus com Nicodemos no Evangelho de João (João 3:1-15) como a base bíblica fundamental para sua doutrina do novo nascimento (ou regeneração espiritual), que ele detalha em seu influente "Sermão 45: O Novo Nascimento". [24]

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João 3

 

Versículo 1

Nicodemos, príncipe dos judeus

Apóstolo João escreveu: E havia entre os fariseus um homem, chamado Nicodemos, príncipe dos judeus.

Este veio a Jesus de noite

Um governante - Um dos grandes conselhos.

Versículo 2

sabemos que és mestre vindo de Deus

Apóstolo João escreveu: Este veio a Jesus de noite e disse-lhe: Rabi, sabemos que és mestre vindo de Deus, porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele.

O mesmo veio - Através do desejo; mas de noite - Pela vergonha: Nós sabemos - Até nós, governantes e fariseus.

Versículo 3

aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus

Respondeu-lhe Jesus: Em verdade, em verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.

 

Neste discurso solene, nosso Senhor mostra que nenhuma profissão externa, nenhuma ordenança cerimonial ou privilégio de nascimento poderia dar direito às bênçãos do reino do Messias

Jesus respondeu - Que o conhecimento não te valerá a menos que nasças de novo - Caso contrário, não poderás ver, isto é, experimentar e desfrutar, seja o reino interior ou o glorioso reino de Deus.

Neste discurso solene, nosso Senhor mostra que nenhuma profissão externa, nenhuma ordenança cerimonial ou privilégio de nascimento poderia dar direito às bênçãos do reino do Messias: que uma mudança completa de coração e de vida era necessária para esse propósito: que isso só poderia ser operado no homem pelo poder onipotente de Deus:

que todo homem nascido no mundo estava por natureza em estado de pecado, condenação e miséria: que a livre misericórdia de Deus havia dado seu Filho para libertá-los disso e ressuscitá-los para uma imortalidade abençoada

que todo homem nascido no mundo estava por natureza em estado de pecado, condenação e miséria: que a livre misericórdia de Deus havia dado seu Filho para libertá-los disso e ressuscitá-los para uma imortalidade abençoada: que toda a humanidade, gentios e judeus, pudesse compartilhar desses benefícios, obtidos por ele ser levantado na cruz, e ser recebido pela fé nele: mas que se eles o rejeitassem, sua condenação eterna e agravada seria a consequência certa.

A menos que um homem nasça de novo

A menos que um homem nasça de novo - Se o nosso Senhor, por nascer de novo, significa apenas a reforma da vida, em vez de fazer qualquer nova descoberta, ele só jogou uma grande quantidade de obscuridade sobre o que era antes claro e óbvio.

Versículo 4

Apóstolo João escreveu que Nicodemos perguntou a Jesus: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode ele entrar segunda vez no ventre de sua mãe e nascer?

Como o próprio Nicodemos era

Quando ele é velho - Como o próprio Nicodemos era.

Versículo 5

aquele que não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus

Apóstolo João escreveu: Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus.

A menos que um homem nasça da água e do Espírito - A menos que ele experimente essa grande mudança interior pelo Espírito, e seja batizado (onde quer que o batismo possa ser feito) como o sinal externo e os meios dele.

Versículo 6

o que é nascido do Espírito é espírito

Aquilo que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito, apóstolo João escreveu.

O que é nascido da carne é carne - Mera carne, vazia do Espírito, sim, em inimizade com ele; E o que é nascido do Espírito é espírito - É espiritual, celestial, divino, como seu Autor.

Versículo 7

É necessário que nasçais de novo

Apóstolo João escreveu: Não vos maravilheis de que eu te disse: É necessário que nasçais de novo.

 

Nascer de novo, é ser interiormente mudado de toda pecaminosidade para toda santidade

Vós deveis nascer de novo - Nascer de novo, é ser interiormente mudado de toda pecaminosidade para toda santidade. É apropriadamente assim chamado, porque uma mudança tão grande passa para a alma quanto para o corpo quando nasce no mundo.

Versículo 8

assim é todo aquele que é nascido do Espírito

Citando Jesus, o apóstolo João escreveu: O vento sopra onde quer, e tu ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, e para onde vai: assim é todo aquele que é nascido do Espírito.

Comentários de Wesley:

O vento sopra - De acordo com sua própria natureza, não a tua vontade, e tu ouves o som do mesmo - Tu tens certeza de que sopra, mas não podes explicar a maneira particular de sua ação.

Assim é todo aquele que é nascido do Espírito - O fato é claro, a maneira de suas operações inexplicável.

Versículo 11

Em verdade, em verdade te digo

Citando Jesus, o apóstolo João escreveu: Em verdade, em verdade te digo: Falamos que sabemos e testificamos que vimos; e não recebeis o nosso testemunho.

Falamos o que sabemos - eu e todos os que acreditam em mim.

Versículo 12

como crereis, se eu vos falar das coisas celestiais?

Citando Jesus, o apóstolo João escreveu: Se eu vos disse coisas terrenas, e vós não credes, como crereis, se eu vos falar das coisas celestiais?

Comentários de Wesley

Coisas terrenas - Coisas feitas na terra; como o novo nascimento e os privilégios atuais dos filhos de Deus.

Coisas celestiais - Como a eternidade do Filho e a unidade do Pai, Filho e Espírito.

Versículo 13

E ninguém subiu ao céu, senão aquele que desceu do céu

E ninguém subiu ao céu, senão aquele que desceu do céu, o Filho do homem que está nos céus, escreveu o apóstolo João.

Por ninguém - Pois aqui você deve confiar no meu único testemunho, enquanto lá você tem uma nuvem de testemunhas: subiu ao céu, mas aquele que desceu do céu, disse Wesley.

Portanto, ele é onipresente; caso contrário, ele não poderia estar no céu e na terra ao mesmo tempo

Comentou Wesley: Quem está no céu - Portanto, ele é onipresente; caso contrário, ele não poderia estar no céu e na terra ao mesmo tempo. Este é um exemplo claro do que geralmente é chamado de comunicação de propriedades entre a natureza divina e humana; pelo que o que é próprio da natureza divina é falado a respeito do humano, e o que é próprio do humano é, como aqui, falado do divino.

Versículo 14

assim importa que o Filho do homem seja levantado

Citando Jesus, o apóstolo João escreveu: E como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado.

E como Moisés - E mesmo esta única testemunha em breve será tirada de você; sim, e da maneira mais ignominiosa. Números 21:8-9, disse Wesley.

Versículo 15

todo aquele que nele crê

Citando Jesus, o apóstolo João completou: para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

Disse Wesley: Que todo aquele que – Ele deve ser levantado, para que assim ele possa comprar a salvação para todos os crentes: todos aqueles que olham para ele pela fé recuperam a saúde espiritual, assim como todos os que olharam para aquela serpente recuperaram a saúde corporal.

Versículo 16

Porque Deus amou o mundo de tal maneira

O apóstolo João escreveu: Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

Comentários de Wesley:

sim, e esse foi o próprio desígnio do amor de Deus ao enviá-lo ao mundo.

Todo aquele que crê nele - Com aquela fé que opera pelo amor, e retém firme o início de sua confiança firme até o fim.

Deus amou o mundo de tal maneira - Ou seja, todos os homens debaixo do céu; mesmo aqueles que desprezam seu amor e, por essa causa, finalmente perecerão. Caso contrário, não acreditar não seria pecado para eles. Pois em que eles deveriam acreditar? Deveriam crer que Cristo foi dado por eles? Então ele foi dado por eles.

Ele deu seu único Filho - Verdadeira e seriamente. E o Filho de Deus se entregou, Gálatas 4:4, verdadeira e seriamente.

Versículo 17

mas para que o mundo seja salvo por meio dele

Escreveu João: Porque Deus enviou seu Filho ao mundo para condenar o mundo; mas para que o mundo seja salvo por meio dele.

Deus não enviou seu Filho ao mundo para condenar o mundo - Embora muitos o acusem disso, afirmou Wesley.

Versículo 18

Quem nele crê não é condenado

Citando Jesus, o apóstolo João escreveu: Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, porque não crê no nome do Filho unigênito de Deus.

Aquele que crê nele não é condenado - É absolvido, é justificado diante de Deus, disse Wesley.

O nome do Filho unigênito de Deus

O nome do Filho unigênito de Deus - O nome de uma pessoa é muitas vezes colocado para a própria pessoa. Mas talvez seja mais sugerido nessa expressão, que a pessoa mencionada é grande e magnífica. E, portanto, é geralmente usado para expressar Deus Pai ou Filho, explicou Wesley.

Versículo 19

amaram mais as trevas do que a luz

O apóstolo João escreveu: E esta é a condenação: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más.

Esta é a condenação - isto é, a causa disso. Portanto, Deus é claro, afirmou Wesley.

Versículo 21

Citando Jesus, o apóstolo João escreveu: Mas aquele que pratica a verdade vem para a luz, para que as suas obras se manifestem, para que sejam realizadas em Deus.

Comentários de Wesley:

Aquele que pratica a verdade (isto é, a verdadeira religião) vem para a luz - Assim fez até Nicodemos, depois.

São forjados em Deus - Isto é, na luz, poder e amor de Deus.[25]

 

O Espírito Santo e o novo nascimento

 

Para John Wesley, o Espírito Santo é o agente central do novo nascimento (regeneração), uma profunda transformação interior onde o crente, antes espiritualmente morto, é vivificado e passa a viver uma nova vida em Cristo, marcada pelo amor e pela busca por santidade, sendo o batismo uma porta para essa graça, mas exigindo crescimento contínuo através dos meios da graça. A experiência não é só um evento, mas o início de uma jornada em direção à perfeição cristã, onde o Espírito purifica gradualmente o coração e a mente, resultando em evidências práticas como justiça, amor e vitória sobre o pecado habitual, culminando na plenitude do amor de Deus. [26]

 

Pessoas salvas de dentro e de fora do pecado

“Provas vivas do poder de fé; pessoas salvas de dentro e de fora do pecado, pelo ‘amor de Deus derramado em seus corações" 

Em 1738, na viagem à Alemanha para se encontrar com os moravianos, Wesley disse: “E aqui eu me deparei continuamente com o que busquei, a saber, provas vivas do poder de fé; pessoas salvas de dentro e de fora do pecado, pelo ‘amor de Deus derramado em seus corações’; e de toda dúvida e medo, pelo testemunho permanente do ‘Espírito Santo que lhes foi dado". [27]

A razão assistida pelo Espírito Santo

“A razão que, assistida pelo Espírito Santo, nos capacita”

Wesley pergunta: “Não é a razão que, assistida pelo Espírito Santo, nos capacita a entender o que as Sagradas Escrituras declaram a respeito do ser e dos atributos de Deus? Da sua eternidade e imensidade, do seu poder, sabedoria e santidade? É pela razão que Deus nos capacita, até certo ponto, a compreendermos o seu método de tratar com os filhos dos homens, a natureza de suas várias dispensações - da velha e da nova, da lei e do evangelho. É por esta que nós entendemos (o seu Espírito abrindo e iluminando os olhos do nosso entendimento) que não nos devemos arrepender de nos termos arrependido, que é pela fé que somos salvos, quais são a natureza e a condição da justificação e quais são os seus frutos imediatos e subsequentes. Pela razão aprendemos o que é o novo nascimento sem o qual não podemos entrar no reino do céu, e a santidade sem a qual nenhum homem verá o Senhor. Pelo uso devido da razão, nós chegamos a conhecer os elementos implícitos na santidade interior e o que significa ser santo exteriormente - santo em toda conversação; em outras palavras: qual é a mente que houve em Cristo e o que é andar como Cristo andou”.[28]

Ponto de maior importância

“É o Espírito Santo que nos guia em toda verdade e santidade”

Wesley disse que “não pode haver ponto de maior importância para ele que sabia que é o Espírito Santo que nos guia em toda verdade e santidade do que considerar com que sentimento da alma nos certificamos da sua divina presença de maneira que não o afastemos de nós nem o desapontemos nos seus objetivos graciosos que constituem a finalidade da sua habitação conosco, o qual não é diversão para nosso entendimento, mas conversão e completa santificação do nos so coração e da nossa vida”.  [29]

Como saber?

“Todo o homem para crer para salvação, precisa receber o Espírito Santo”

“O autor da fé e da salvação é só Deus”, explicou Wesley. “É ele que opera em nós o querer e o fazer. É o único doador de todo dom perfeito e o único autor de toda a boa obra. Não há mais poder do que mérito no homem; mas como todo mérito está no Filho de Deus pelo que Ele fez e sofreu por nós, assim todo o poder está no Espírito de Deus. Portanto, todo o homem para crer para salvação, precisa receber o Espírito Santo. É isto essencialmente necessário a todo cristão, não para que opere milagres, mas para fé, paz, alegria e amor - os frutos comuns do Espírito. Embora nenhum homem na terra possa explicar o modo particular pelo qual o Espírito de Deus opera em nossa alma, contudo todo aquele que tiver estes frutos sabe e sente que Deus operou-os em seu coração.  [30]

“Por esses mesmos frutos distinguirei a voz de Deus de qualquer engano do Diabo”

Wesley diz mais: “Por esses mesmos frutos distinguirei a voz de Deus de qualquer engano do Diabo. Aquele espírito orgulhoso não pode humilhar-me diante de Deus. Ele, também, não pode abrandar o meu coração e fazê-lo aborrecer-se contra Deus e do meu amor filial. Não é o adversário de Deus e do homem que me capacita a amar o meu vizinho ou o que me dá mansidão, benignidade, paciência, temperança e toda a armadura de Deus. Ele não está dividido contra si mesmo nem é destruidor do pecado - a sua própria obra. Somente o filho de Deus veio "para destruir as obras do diabo". Assim como certamente a santidade é de Deus e o pecado é obra do diabo, assim o testemunho que tenho em mim mesmo não é de Satanás, mas de Deus”.  [31]

O Espírito Santo nos prepara

“O Espírito Santo nos prepara para o seu reino interior”

Wesley ensinou que o “Espírito Santo nos prepara para o seu reino interior removendo o véu de nosso coração e capacitando-nos a conhecermos-nos a nós mesmos como somos conhecidos por Ele, ‘convencendo-nos do pecado’, da nossa má natureza, dos nossos maus sentimentos, das nossas más palavras e ações e de tudo que participa da corrupção do nosso coração do qual promanam. Ele, então, nos convence do deserto dos nossos pecados”. [32]

 

Sinais do novo nascimento no ministério de Wesley

 

Os colisores selvagens e grosseiros de Kingswood foram finalmente domados pelo metodismo. O fundador do movimento, John Wesley, afirmou em 1769 que os antigos selvagens haviam sido transformados em ‘um povo humano e hospitaleiro, cheio de amor a Deus e ao homem"

 

Na terça-feira, 27 de novembro de 1738, após um pedido, Wesley faz um relato do que havia acontecido em Kingswood:

“Na primavera, ele fez isso”, [33] escreveu Wesley.

“E como havia milhares que não recorriam a nenhum lugar de culto público, ele foi atrás deles em seu próprio deserto”

“E como havia milhares que não recorriam a nenhum lugar de culto público, ele foi atrás deles em seu próprio deserto, "para buscar e salvar o que estava perdido". Quando ele foi chamado, outros entraram ‘nas estradas e sebes, para obrigá-los a entrar’. E, pela graça de Deus, seu trabalho não foi em vão”, [34]escreveu Wesley.

“O cenário já mudou. Kingswood não ressoa agora, como há um ano, com xingamentos e blasfêmias”

“O cenário já mudou. Kingswood não ressoa agora, como há um ano, com xingamentos e blasfêmias. Não está mais cheio de embriaguez e impureza e os desvios ociosos que naturalmente levam a isso. Não está mais cheia de guerras e lutas, de clamor e amargura, de ira e invejas. Paz e amor estão lá. Grande número de pessoas é suave, gentil e fácil de ser suplicado. Eles ‘não choram, nem se esforçam’; e dificilmente a sua ‘voz é ouvida nas ruas’; ou, na verdade, na sua própria madeira; a não ser quando estiverem em seu habitual desvio noturno - cantando louvor a Deus, seu Salvador”,[35] escreveu Wesley.

No domingo, dia 9 de agosto de 1739, Wesley pregou “a cerca de dez mil em Moorfields, o que eles devem fazer para serem salvos”.[36]

Na quarta, dia 12 de setembro de 1739. À noite, em Fetter-lane, Wesley descreveu a vida de fé, e muitos dos se “descobriram que não eram mais do que bebês recém-nascidos”[37].

Às quatro horas, de 4 de setembro de 1739, Carlos Wesley escreveu:

 “Preguei na escola em Kingswood, para alguns milhares, (principalmente colisores), e cumpri as promessas, de Isaías xxxv.: "O deserto e o lugar solitário se alegrarão por eles; e o deserto se alegrará, e florescerá como a rosa." Eu triunfei na misericórdia de Deus para com esses pobres párias (pois ele os chamou de um povo que não era um povo) e na realização dessa escritura: "Então os olhos dos cegos serão abertos, e os ouvidos dos surdos serão ininterruptos; então o coxo saltará como um cervo, e a língua do mudo cantará; porque no deserto irromperão águas, e riachos no deserto",[38] disse Carlos.

“Oh, quão alegremente os pobres recebem o Evangelho”

“Oh, quão alegremente os pobres recebem o Evangelho: Nós mal sabíamos como nos separar. Assim que eu comecei no salão de Weaver, o diabo colocou sua garganta em Benjamin Eutter. Eu peguei isso ocasião para convencer os ouvintes do pecado; do próprio pecado daquele pobre réprobo. O capítulo exposto foi Rom. A Deus seja toda a glória que falei de forma convincente”, [39] disse Carlos.

“Os colisores selvagens e grosseiros de Kingswood foram finalmente domados pelo metodismo. O fundador do movimento, John Wesley, afirmou em 1769 que os antigos selvagens haviam sido transformados em "um povo humano e hospitaleiro, cheio de amor a Deus e ao homem".[40]

“Seu diário é uma exposição viva de homens e mulheres cujas vidas haviam sido renovadas pelo evangelho. Nele há o relato de um barbeiro que passou doze meses sem beber, embora tenha sido "um dos bêbados mais conhecidos de toda a cidade" até encontrar-se com Wesley. Há um tropeiro a caminho do prostíbulo que, convidado por um metodista para participar de um culto de vigília, sai de lá se regozijando no caminho estreito. Há um esposo que testifica que os metodistas silenciaram a língua rabugenta de sua esposa. Há uma pobre alma desesperada, afastada do suicídio. Não é de se admirar que este tipo de religião, capaz de operar tais milagres morais, tenha se espalhado pela Inglaterra”.[41]

Em 8 de março de 1781, Wesley registrou essa mudança em Burslem: “Voltei para Burslem. Como toda a face deste país muda em cerca de vinte Anos! Desde então, os habitantes têm fluído continuamente de todos os lados. Por isso, o deserto está literalmente se tornando um campo fecundo. Casas Surgiram: aldeias, vilas, e o país não melhorou mais do que o povo. A palavra de Deus teve curso livre entre eles; Pecadores são diariamente despertados e convertidos a Deus, e os crentes crescem no conhecimento de Cristo. À noite a casa encheu-se de gente, e com a presença de Deus. Isso me obrigou a estender o serviço muito mais tempo do que estou acostumado a fazer."[42]

 

 

Novo Nascimento e a circuncisão do coração

 

John Wesley abordou a "circuncisão do coração" em seus sermões, como o famoso Sermão 17, descrevendo-a como uma transformação interior profunda operada pelo Espírito Santo, não uma marca física, que resulta em um estado de alma renovado, um coração aberto à vontade de Deus e à salvação, e uma vida de santidade e obediência, fundamental para o metodismo e o cristianismo autêntico, contrastando com rituais exteriores vazios. [43]

 

 

“Circuncisão é a do coração, no espírito, e não na letra” (Rm 2.29; Fp 3.3; Cl 2.11-15).

 

Circuncisão do coração é outro nome para perfeição cristã.

A santificação se inicia no momento em que a pessoa é justificada. a regeneração, o novo nascimento não é o mesmo que santidade. o novo nascimento é o começo da santificação.

“Em seu sermão 'O Novo Nascimento' ... João Wesley três frases para marcar essas dimensões de ser criado à imagem de Deus: imagem natural (somos seres humanos espirituais com liberdade de vontade); imagem política (somos governantes do mundo criado e nos relacionamos com os outros); e imagem moral (pretendemos ser santos e justos).

 

Esta imagem perfeita, este reflexo ininterrupto de Deus, foi destruída pelo pecado humano. Foi necessária a perfeição de Jesus Cristo para restaurar a imagem”.[44]

 

Wesley pregou o sermão “Circuncisão do coração” na Universidade de Oxford. Começa dizendo que o homem sensato que prega os deveres essenciais do Cristianismo corre o risco de ser tido como divulgador de doutrinas novas. As pessoas vivem tão distantes das verdades, amam mais o mundo do que a Deus, que acham que as mensagens são coisas estranhas.

 

Ele diz que a circuncisão do coração, as marcas do verdadeiro cristão não “são nem a circuncisão exterior, ou o batismo, ou qualquer outra forma externa, mas um reto estado de alma, a mente e o espírito renovados à imagem daquele que os criou”.

 

Em que consiste a circuncisão do coração?

 

É o que se chama nas escrituras de santidade, que implica em purificação de pecados e, em conseqüência, o cristão passa a ser “dotado das virtudes que também havia em Cristo Jesus; ser renovado no espírito de sua mente, de modo a ser perfeito como nosso Pai celestial é perfeito”.

 

 “A circuncisão implica em humildade, fé, esperança e caridade.”

 

A humildade é uma justa apreciação de nós mesmos. Ela purifica nossas mentes do alto conceito, “da indevida opinião acerca de nossas capacidades e talentos, que é genuíno fruto da natureza corrompida.”

 

 “Convence-nos de que somos, por natureza, mesmo em nossa melhor condição, pecado e vaidade; que a confusão, a ignorância e o erro reinam em nosso entendimento; que as paixões irracionais, terrenas, sensuais e diabólicas usurpam o domínio de nossa vontade.”

 

Sabemos que não podemos nos auxiliar, que sem o Espírito Santo nada podemos fazer, nem nutrir um bom pensamento.

 

Pela humildade conhecemo-nos a nós mesmos, por isso, não desejamos o aplauso que sabemos não merecer.

 

“Esta é aquela humildade de mente que aprenderam de Cristo, seguindo seu exemplo e marchando em suas pegadas.” E esse conhecimento da enfermidade e a cura das enfermidades  (orgulho e  vaidade) nos levam a abraçar a fé, que é a segunda coisa que se inclui na circuncisão do coração.

 

Mas essa deve ser uma fé poderosa em Deus, que derruba fortalezas, destrói preconceitos e todos os costumes e hábitos ruins, bem como toda sabedoria do mundo.

 

Pela circuncisão do coração, os olhos do entendimento são iluminados e vemos a nossa vocação: glorificar a Deus, que nos comprou por preço elevado.

 

Essa fé é o fundamento inabalável de tudo quanto Deus revelou nas Escrituras, mas é também “a revelação de Cristo em nosso coração; uma divina evidência ou convicção de Seu amor; Seu livre espontâneo amor a mim, pecador; uma segura confiança em Sua misericórdia perdoadora operando em nós pelo Espírito Santo; uma confiança pela qual todo verdadeiro crente é habilitado a dar este testemunho: 'Sei que meu Remidor vive', que tenho um 'Advogado junto ao Pai' e que 'Jesus Cristo, o Justo', é meu Senhor e a 'propiciação pelos meus pecados'; sei que Ele 'me amou e entregou-se a si mesmo por mim'; que Ele me reconciliou com Deus e 'tenho redenção pelo sangue e o perdão de pecados”.

 

Essa fé liberta do jugo do pecado e purifica a consciência de obras mortas. Fortalece de tal modo que não mais somos constrangidos a obedecer ao pecado, mas nos entregarmos inteiramente a Deus.

 

A outra qualidade em que implica a circuncisão do coração é a esperança. O Espírito testifica no nosso próprio espírito de que somos filhos e filhas de Deus.

 

É o Espírito quem “dá uma viva expectação de receber das mãos de Deus todas as boas dádivas, uma jubilosa expectativa daquela coroa de glória que lhes está reservada nos céus. Por essa âncora, o cristão se guarda firme em meio das ondas tempestuosas do mundo, sendo libertado do perigo de lançar-se contra uma destas escolhas fatais; a presunção ou o desespero”.

 

Não desanima em face da inconcebível severidade de seu Senhor, nem considera que as adversidades da carreira que lhe está proposta sejam maiores do que as suas forças lhe permitam vencer.

 

Se desejas ser perfeito, junte às virtudes citadas, a prática do amor “e aí tens a circuncisão do coração”.

 

“O amor resume em si todos os mandamentos. Nele está a perfeição, a glória e a felicidade. A lei real dos céus e da terra é esta: 'Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, e de toda a tua alma, e de toda a tua mente, e de toda a tua força.”

 

Wesley diz algo importante: “Não que esse mandamento nos proíba de ter amor a outro objeto além de Deus: implica, ao revés, em que amemos também a nosso irmão. Nem proíbe (como alguns têm a extravagância de imaginar) que tenhamos prazer em qualquer coisa, exceto em Deus”.

 

O que o Senhor diz é que devemos amar a Deus como único Senhor. Não devemos ter outros deuses diante de nós. Uma só coisa desejarás: gozar daquele que é Tudo em todas as coisas. Um único objetivo terás: perseverar até o fim no gozo de Deus, no tempo e na eternidade. “Seja o que for que desejas ou temas, que procures ou evites, penses, fales ou faças - nisso palpite como alvo tua felicidade  em Deus, o Fim único e a Fonte de teu ser.”

 

A procura da felicidade nas coisas do mundo gratifica o desejo da carne.

 

Wesley passa a mencionar as reflexões que fez sobre o significado da circuncisão do coração: “Ninguém possui credenciais que o habilitem a agradar a Deus, a não ser que seu coração seja circuncidado pela humildade; a não ser que se faça pequenino, baixo e vil a seus próprios olhos (...), a não ser que continuamente sinta no íntimo de sua alma que, sem o Espírito Santo, repousando sobre si, não pode pensar, nem desejar, nem falar, nem realizar nenhum bem, ou coisa que seja agradável à vista de Deus.”

 

Outra verdade - diz Wesley - “é que ninguém obterá a honra que vem de Deus enquanto seu coração não for circuncidado pela fé, uma fé de operação divina”.

 

Uma fé que dirija todos os passos, que  “guie todos os seus desejos, desígnios e pensamentos, todas as suas ações e conversações, como quem penetrou através do véu, para além do qual Jesus se assenta à mão direita de Deus”.

 

Em terceiro lugar, “ninguém é verdadeiramente conduzido pelo Espírito, a não ser que o Espírito testifique com seu espírito, que ele é filho de Deus”.

 

Wesley adverte que é errado ensinar que servindo a Deus não devemos ter em vista a nossa própria felicidade. Ao contrário, diz ele, somos chamados por Deus a atentarmos para a recompensa da retribuição; a contrastar o sofrimento com a alegria colocada dentro de nós. Estamos na esperança de uma herança incorruptível.

 

Por fim, Wesley fala do amor que suprime toda a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a vaidade da vida e nos leva unicamente a agradar a Deus e a amar ao próximo.

 

Diz ele: “Eis, pois, aí a súmula da lei perfeita; esta é a verdadeira circuncisão do coração”. Diz mais: “Que o homem se ofereça continuamente a Deus através de Cristo, em chamas de vivo amor”.

 

Ele conclui dizendo: “Que tua alma se encha tão completamente de seu amor, que não ames a qualquer outra coisa senão por amor dele”. Assim teremos a mente que houve em Cristo.[45]

 

As marcas do que é nascido de Deus

 

Para John Wesley, as marcas do que é nascido de Deus são uma transformação interior profunda operada pelo Espírito Santo, resultando em uma fé viva que vence o mundo, um amor de Deus derramado no coração, a prática da justiça, o desejo de santidade, e uma vida de obediência e testemunho (como amar a Deus acima de tudo, não pecar habitualmente e amar os irmãos), contrastando com o espírito mundano e focado na salvação de almas. [46]

 

Wesley pregou o sermão “O quase cristão”  em St. Mary's, Oxford, perante a Universidade, em 25 de julho de 1741, na Inglaterra.

 

O texto bíblico base foi: "Quase me persuade a ser cristão" (Atos 26.28). 

Depois de considerações sobre práticas que parecem indicar quer a pessoa é cristão, Wesley coloca três marcas que indicam verdadeiramente que uma pessoa é cristã.

A primeira é amar a Deus.

Wesley afirma: “Se for perguntado: "O que mais do que isso está implícito em ser totalmente cristão?" Eu respondo primeiro, o amor de Deus. Pois assim diz sua palavra: "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças". [47]

A segunda é amar ao próximo.

“A segunda coisa implícita em ser totalmente cristão é o amor ao próximo. Pois assim disse nosso Senhor nas seguintes palavras: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo", [48] lembra Wesley.

A terceira coisa implícita é que “Todo aquele que crê é nascido de Deus”.

Todo aquele que crê é nascido de Deus

"A todos quantos o receberam, deu-lhe o poder de se tornarem filhos de Deus. até mesmo para aqueles que creem em seu nome."

Em terceiro lugar, Wesley diz: “Há ainda mais uma coisa que pode ser considerada separadamente, embora não possa realmente ser separada da anterior, que está implícita em ser totalmente cristão; e essa é a base de tudo, até mesmo da fé. Coisas muito excelentes são ditas sobre isso em todos os oráculos de Deus. "Todo aquele que crê é nascido de Deus", diz o discípulo amado. "A todos quantos o receberam, deu-lhe o poder de se tornarem filhos de Deus. até mesmo para aqueles que creem em seu nome." E "esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé". sim, o próprio nosso Senhor declara: "Quem crê no Filho tem a vida eterna; e não entra em condenação, mas passou da morte para a vida."

"Deve-se diligentemente notar que a fé que não produz arrependimento, amor e todas as boas obras não é aquela fé viva e correta, mas morta e diabólica”

“Mas aqui que nenhum homem engane sua própria alma. "Deve-se diligentemente notar que a fé que não produz arrependimento, amor e todas as boas obras não é aquela fé viva e correta, mas morta e diabólica”, diz Wesley. “Pois, até os demônios acreditam que Cristo nasceu de uma virgem: que ele operou todos os tipos de milagres, declarando-se verdadeiro Deus: que, por nossa causa, ele sofreu uma morte muito dolorosa, para nos redimir da morte eterna; que ressuscitou ao terceiro dia: que subiu ao céu, e está assentado à direita do Pai, e na consumação dos séculos virá outra vez para julgar tanto os vivos como os mortos”.

“Esses artigos de nossa fé os demônios acreditam, e assim eles acreditam em tudo o que está escrito no Antigo e no Novo Testamento. E, no entanto, apesar de toda essa fé, eles são apenas demônios”

“Esses artigos de nossa fé os demônios acreditam, e assim eles acreditam em tudo o que está escrito no Antigo e no Novo Testamento”, diz Wesley. “E, no entanto, apesar de toda essa fé, eles são apenas demônios. Eles permanecem ainda em seu estado condenável, sem a verdadeira fé cristã. [Homilia sobre a Salvação do Homem”.

A fé cristã correta e verdadeira é...

"A fé cristã correta e verdadeira é" (para continuar com as palavras de nossa própria Igreja), "não apenas acreditar que a Sagrada Escritura e os Artigos de nossa Fé são verdadeiros, mas também ter uma confiança segura e confiança para ser salvo da condenação eterna por Cristo”, diz Wesley. “É uma confiança segura que um homem tem em Deus, que, pelos méritos de Cristo, seus pecados são perdoados e ele se reconcilia com o favor de Deus; do qual segue um coração amoroso, para obedecer aos seus mandamentos”.

A fé que purifica o coração

“Agora, quem tem essa fé, que "purifica o coração" (pelo poder de Deus, que nele habita) do "orgulho, ira, desejo, de toda injustiça" de "toda imundícia de carne e espírito;" que o enche de amor mais forte que a morte, tanto para Deus quanto para toda a humanidade”, diz Wesley;

“Quem tem essa fé operando assim pelo amor não é quase apenas,  mas completamente, um cristão”

E Wesley continua: “Amor que faz as obras de Deus, gloriando-se de gastar e ser gasto por todos os homens, e que suporta com alegria, não apenas o opróbrio de Cristo, o ser escarnecido, desprezado e odiado por todos os homens, mas tudo o que a sabedoria de Deus permite que a malícia dos homens ou demônios infliga, - quem tem essa fé operando assim pelo amor não é quase apenas,  mas completamente, um cristão”. [49]

 

 



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[8] https://www.salvationist.org/extranet_main.nsf/vw_sublinks/8E93913570C2699B80256F16006D3C6F?openDocument

[9] WESLEY, João. Sermões. Imprensa Metodista, SP, volume 1, 1994, p.37.

[10] As últimas gerações são chamadas de Geração X, Geração Y, Geração Z, Geração Alpha, etc muito ligadas às redes sociais. http://www.portaldomarketing.com.br/Artigos/Geracao_X_Geracao_Y_Geracao_Z.htm

[11] WESLEY, John. Sermões de Wesley. Segundo volume, São Bernardo do Campo, SP, Imprensa Metodista, 1981, p.388.

[12] Idem, p. 390.

[13] Idem, p. 392.

[14] WESLEY, João . Vol. I, p. 351.

[15] WESLEY, João. Vol. II, op. cit. p. 375.

[16] Visão geral criada por IA do Google

[17] https://www.hopefaithprayer.com/salvationnew/the-new-birth-john-wesley/

[18] Kevin M. Watson é professor no Candler School of Theology, Emory University. https://kevinmwatson.com/2020/08/18/john-wesleys-sermon-the-marks-of-the-new-birth-a-brief-summary/

[19] Kevin M. Watson é professor no Candler School of Theology, Emory University. https://kevinmwatson.com/2020/08/18/john-wesleys-sermon-the-marks-of-the-new-birth-a-brief-summary/

[20] Kevin M. Watson é professor no Candler School of Theology, Emory University. https://kevinmwatson.com/2020/08/18/john-wesleys-sermon-the-marks-of-the-new-birth-a-brief-summary/

[21] WESLEY, João. Sermões de Wesley. 1 v., p.376.

[22] WESLEY, João. Sermões de Wesley. 1 v., p.376.

[24] Visão geral criada por IA do Google

[25] https://www.studylight.org/NicodemusComentários/Eng/Wen/john-3.html. 

[26] Visão geral criada por IA do Google

[27] Wesley, seu próprio historiador. https://quod.lib.umich.edu/m/moa/AGV9079.0001.001?rgn=main;view=fulltext.Wesley, seu próprio historiador. Cincinnati: Hitchcock e Walden. 1870

[28] BURTNER, Robert W.; CHILES, Robert E. Coletânea da Teologia de João Wesley. JGEC. São Paulo: Imprensa Metodista, 1960. IV O Espírito Santo.

[29] BURTNER, Robert W.; CHILES, Robert E. Coletânea da Teologia de João Wesley. JGEC. São Paulo: Imprensa Metodista, 1960. IV O Espírito Santo.

[30] BURTNER, Robert W.; CHILES, Robert E. Coletânea da Teologia de João Wesley. JGEC. São Paulo: Imprensa Metodista, 1960. IV O Espírito Santo.

[31] BURTNER, Robert W.; CHILES, Robert E. Coletânea da Teologia de João Wesley. JGEC. São Paulo: Imprensa Metodista, 1960. IV O Espírito Santo.

[32] BURTNER, Robert W.; CHILES, Robert E. Coletânea da Teologia de João Wesley. JGEC. São Paulo: Imprensa Metodista, 1960. IV O Espírito Santo.

[33]A Revista de  John Wesley, Editado por  Percy Livingstone Parker, Chicagomoody Press, 1951, CHICAGO, MOODY PRESS. Op.cit.

[34] Idem.

[36] Idem.

[37] Idem.

[40]https://www.jdwetherspoon.com/pub-histories/england/bristol/the-kingswood-colliers-kingswood

[41] http://metodistavilaisabel.org.br/docs/Joao_Wesley_O_Evangelista.pdf

[42] http://www.thepotteries.org/borough/010_wesley.htm

[43] Visão geral criada por IA do Google

[44]https://www.umc.org/en/content/ask-the-umc-what-is-meant-by-the-term-image-of-god. Este conteúdo foi produzido por Ask The UMC, um ministério das Comunicações Metodistas Unidos.

[45] Para um melhor entendimento, leia todo sermão em Sermões de Wesley, volume I, entre as páginas 350 e 362. WESLEY, Sermões de Wesley. Tradutor Nicodemus Nunes. São Paulo: Imprensa metodista, 1953.

[46] Visão geral criada por IA do Google

[47] https://www.wesleysheritage.org.uk/exhibits/john-wesleys-sermons/sermon-sheet/?o=2661&t=feat - Capela de Wesley e Missão
Leysian 49 City Road, Londres EC1Y 1AU – The Museum of Methodism & John Wesley’s Housed=

[48] https://www.wesleysheritage.org.uk/exhibits/john-wesleys-sermons/sermon-sheet/?o=2661&t=feat - Capela de Wesley e Missão
Leysian 49 City Road, Londres EC1Y 1AU – The Museum of Methodism & John Wesley’s Housed=

[49] https://www.wesleysheritage.org.uk/exhibits/john-wesleys-sermons/sermon-sheet/?o=2661&t=feat - Capela de Wesley e Missão
Leysian 49 City Road, Londres EC1Y 1AU – The Museum of Methodism & John Wesley’s Housed=

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