O mentor espiritual de Wesley

 

Pedro Bohler ensinou, aconselhou e apoiou Wesley

 

Odilon Massolar Chaves 

   

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Toda gloria a Deus!

Odilon Massolar Chaves é pastor metodista aposentado, doutor em Teologia e História pela Universidade Metodista de São Paulo.

É casado com RoseMary. Tem duas filhas: Liliana e Luciana.

Sua tese tratou sobre o avivamento metodista na Inglaterra no século XVIII e a sua contribuição como paradigma para nossos dias.

Foi editor do jornal oficial metodista e coordenador de Curso de Teologia.

 

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Índice

 

·       Introdução

·       Quem foi Pedro Bohler

·       A origem dos Moravianos

·       Os contatos com os moravianos na viagem para à América

·       Os contatos de Wesley com Pedro Bohler na Inglaterra

·       Wesley explica seu desenvolvimento espiritual

·  Deus preparou Peter Böhler para ensinar a Wesley sobre a fé verdadeira

·       Lutas de Wesley após a experiência do coração aquecido

·    Relato de Wesley sobre a importância de Pedro Bohler em sua vida espiritual

 

 

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Introdução

 

“O mentor espiritual de Wesley” é um livro de 36 páginas sobre a influência de Pedro Bohler no ministério de Wesley. Ele ensinou, aconselhou e apoiou Wesley.

Pedro Bolher testemunhou, pregou e argumentou diante de Weskey. “No período crucial que antecedeu a conversão evangélica de John Wesley em Aldersgate, em maio de 1738, John Wesley parecia passar a maior parte de seu tempo livre perdendo discussões com Peter Böhler. Foram as melhores discussões que ele já perdeu. Quando Wesley teve seu avanço experiencial em Aldersgate, já estava convencido da força da mensagem de Lutero sobre a justificação apenas pela fé”.[1]

Ele “desempenhou um papel crucial na transformação espiritual de John Wesley, ensinando-lhe perseverança em tempos de dúvida espiritual por meio de conselhos diretos e experiências práticas”.[2]

Um livro atual que revela a importância de termos um mentor espiritual em nossa vida.

 

O Autor  

 

 

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Quem foi Pedro Bohler

 

Peter Böhler (1712-1775) ou Pedro Bohler foi um pastor e missionário morávio que atuou como um importante mentor espiritual para John Wesley”. [3] Ele nasceu em 31 de dezembro de 1712, em Frankfurt am Main,  e faleceu em 27 de abril de 1775, em Londres. Pedro Bohler “foi um bispo morávio germano-inglês e missionário que teve influência na Igreja Morávia nas Américas e na Inglaterra durante o século XVIII”.[4]

Seu pai queria que ele fosse médico. “Ele iniciou sua educação aos quatro anos de idade; aos oito anos já estudava Latim para se preparar para a faculdade de medicina”.[5]

Mas ele foi atraído para o “estudo da teologia pelos renomados membros do corpo docente da universidade, como Johann Franz BuddeusJohann Georg Walch e Nicolaus Ludwig Zinzendorf”. [6]

Em seu primeiro ato oficial como bispo, o Conde von Zinzendorf ordenou Pedro Bohler ao sacerdócio em 15 de dezembro de 1737.

Seu encontro com Wesley

“Em 7 de fevereiro do ano seguinte, quando estava em Londres se preparando para sua viagem às Américas, Bohler conheceu John Wesley, que mais tarde fundaria o movimento metodista, que acabara de retornar de um período de dois anos como capelão em Savannah, Geórgia.(...). Wesley acompanhou Bohler em sua viagem a Oxford, durante a qual os dois iniciaram um discurso extenso e muito pessoal sobre a natureza da fé. Wesley havia retornado à Inglaterra como um homem problemático, deprimido por sua falta de fé e por seu trabalho na América (...). O conselho de Bohler sobre a natureza da graça e a ‘religião do coração’ foi fundamental para as conversões tanto de John quanto de Charles Wesley”. [7]

Em 1738, Bohler foi pela primeira vez como missionário para a América.

Bohler “foi superintendente da Igreja Morávia na Inglaterra de 1747 a 1753 e foi nomeado bispo da igreja em 1748. Bohler retornou à América e dirigiu novos assentamentos morávios nas colônias de 1753 a 1764”. [8]

Ele é mais conhecido por seu ministério junto a Wesley.

“Foi Bohler quem convenceu John Wesley da doutrina da justificação pela fé, libertando assim sua alma perturbada de tentar conquistar sua salvação pela retidão. Ele foi amigo de longa data de ambos os Wesleys.

Quem era esse homem que conseguiu desempenhar um papel tão importante na história da igreja?

“Peter Bohler, um estudante de teologia pietista de Frankfurt, Alemanha, foi o primeiro homem ordenado pelo Conde von Zinzendorf. Mais tarde, foi nomeado bispo na América, onde fundou muitos assentamentos morávios na Pensilvânia. Ele foi um dos primeiros homens na América a ministrar entre os escravos negros, ensinando tanto teologia quanto os fundamentos da educação que, de outra forma, teriam sido negados. Ele também serviu como missionário entre os índios e estabeleceu uma obra morávia na Inglaterra”.[9]

 

A origem dos Moravianos

 

Vários cristãos sofreram na Guerra dos Trinta Anos (1618-1648)[10] e fugiram das perseguições. Eles pertenciam a diversos grupos: “(...) seguidores de Huss, Lutero, Calvino e outros reformadores, fugindo das perseguições mortíferas daquela época, acharam asilo em Herrnhut, no patrimônio de um fidalgo abastado, o Conde Zinzendorf.” [11]

Os morávios de língua alemã buscaram refúgio na Sexônia. Posteriormente, em 1722, o Conde Zinzendorf deu-lhes permissão de fundar uma aldeia em Berthelsdorf, a qual denominaram Herrnhurt. A eles se juntaram muitos pietistas germânicos.[12]

A partir de 1727, eles fizeram uma Aliança Fraternal a fim de procurar e enfatizar os pontos em que concordavam e não salientar as suas diferenças. O amor fraternal e a unidade em Cristo seriam  o que ligariam uns aos outros e se comprometeram a obedecerem aos estatutos da aliança. Seriam verdadeiro seguidores de Cristo.[13]

No dia 13 de agosto de 1727, numa reunião onde se celebrava a Ceia do Senhor, os moravianos tiveram uma experiência carismática e caíram no chão. Eles se entregaram às orações e nos quatro anos seguintes experimentaram tempos de avivamento constantes. Ascendeu um desejo ardente de levar a salvação de Cristo aos pagãos. O avivamento produziu um movimento missionário.[14] 

Eles saíram como missionários pelo mundo. Foi assim que Wesley teve, em 1736, um encontro com um  grupo de morávios no navio em que viajava para a América. 

Na América, Wesley teve um contato mais intenso com os moravianos e conviveu com eles. Pedro Bohler ajudou Wesley em relação a uma fé viva. 

“Em Marienborn, um antigo mosteiro onde Zinzendorf residiu durante seu exílio da Saxônia, Wesley e Zinzendorf falaram sobre justificação e salvação”.[15] 

Na quinta-feira, dia 6 de julho de 1738, Wesley teve mais encontro com o conde Zinzenborf. Ele disse: “O Conde levou-me consigo até ao Conde de Solmes, onde observei com prazer a frugalidade alemã. Três das jovens condessas (embora crescidas) eram mais velhas em linho; o Conde e seu filho à paisana. No jantar, no dia seguinte, um copo de vinho e um copo de água eram colocados por cada um e, se um deles fosse esvaziado, um segundo. Todos conversavam livremente e sem afetação”. [16] 

Às dez da noite iniciaram viagem e de manhã chegaram a Marienborn. 

“Marienborn é uma cidade da Alemanha localizada no distrito de Marienborn, estado da Saxônia-Anhalt.” [17]

 

“E aqui eu continuamente me encontrava com o que eu procurava, a saber. Provas vivas do poder da fé: pessoas salvas do pecado interior e exterior, pelo amor de Deus derramado em seus corações; e de toda dúvida e temor, pelo testemunho permanente do Espírito Santo que lhes foi dado”[18]

 

Wesley foi colocado junto com uma pessoa e lembrou do que foi procurar na Alemanha, junto aos moravianos: 

“Alojaram-me com um dos irmãos em Eckershausen, a uma milha inglesa de Marienborn, onde costumava passar o dia, principalmente conversando com aqueles que sabiam falar latim ou inglês; não sendo capaz, por falta de mais prática, de falar alemão prontamente. E aqui eu continuamente me encontrava com o que eu procurava, a saber. Provas vivas do poder da fé: pessoas salvas do pecado interior e exterior, pelo amor de Deus derramado em seus corações; e de toda dúvida e temor, pelo testemunho permanente do Espírito Santo que lhes foi dado”.[19]

Onde se localiza Eckartshausen? 

Eckartshausen se localiza na Baviera, Alemanha. 

No dia 9 de julho de 1738, o Conde Zinzendorf “pregou no antigo castelo de Runneberg (a cerca de três milhas inglesas de Marienborn), onde também é um pequeno grupo daqueles que buscam o Senhor Jesus com sinceridade”. [20] 

Na quarta-feira, dia 12 de julho, foi uma das conferências para estranhos; onde um de Frankfurt propondo a pergunta: Pode um homem ser justificado  e não saber disso? O Conde falou em grande parte e biblicamente sobre isso para este efeito: 

1. A justificação é o perdão dos pecados.

2. No momento em que um homem voa para Cristo, ele é justificado:

3. E tem paz com Deus, mas nem sempre alegria:

4. Nem talvez saiba que é justificado, até muito tempo depois.

5. Pois a sua garantia é distinta da própria justificação.

6. Mas outros podem saber que ele é justificado por seu poder sobre o pecado, por sua seriedade, seu amor pelos irmãos e sua fome e sede de justiça, que por si só provam que a vida espiritual está iniciada.

7. Ser justificado é a mesma coisa que nascer de Deus. (Não é assim.)

8. Quando um homem é despertado, ele é gerado por Deus, e seu medo, tristeza e senso da ira de Deus são as dores do novo nascimento”.[21] 

Wesley se lembrou dos ensinamentos de seu amigo moraviano: “Lembrei-me então do que Peter Bohler havia dito muitas vezes sobre essa cabeça, que era nesse sentido:

1. Quando um homem tem fé viva em Cristo, então ele é justificado:

2. Isto é sempre dado em um momento,

3. E naquele momento ele tem paz com Deus;

4. Que ele não pode ter, sem saber que o tem:

5. E sendo nascido de Deus, ele não peca:

6. Que libertação do pecado ele não pode ter com sabendo que o tem”.[22] 

Wesley vai para Herrnhut 

Wesley acabou ficando um pouco mais do que pensava na conferência: “No sábado, dia 15, ele disse: “Foi o dia da intercessão, quando muitos estranhos estavam presentes de diferentes partes. No segundo dia 17, tendo ficado aqui dez dias a mais do que eu (meu primeiro projeto era apenas descansar um ou dois dias), propus partir para Hernhuth; mas o Sr. Ingham desejando que eu ficasse um pouco mais, fiquei até quarta-feira 19, quando o Sr. Hauptman (um nativo de Dresden) Sr. Brown e eu partimos juntos”.[23] 

Wesley ficou 15 dias com os moravianos.

 

 

Os contatos com os moravianos na viagem para à América

 

João Wesley foi encaminhado à Geórgia como missionário voluntário, sem pagamento ou uma nomeação especifica.[24]  Partiram no dia 14 de outubro de 1735 [25] e em 6 de fevereiro de 1736 os irmãos Wesley chegaram à Geórgia como missionários. Essa viagem teve grande influência sobre a sua vida, pois teve a oportunidade de encontrar-se com os morávios que tiveram grande influência sobre sua vida. 

“Um de seus bispos, David Nitshemann, acompanhava-os; era um ancião de 70 anos de idade e amável, embora fosse muito reservado. Wesley e seu7s companheiros começaram imediatamente uma amizade com aqueles excelentes cristãos, que lhes evidenciaram um tipo de cristianismo superior àquele que tinham conhecido até então.”[26] 

A travessia  foi longa e com tempestades. A angústia tomava conta de todos, inclusive de Wesley, que temeu a morte. Somente os moravianos tinham atitude tranquila e serena. O que mais surpreendeu Wesley foi a atitude deles em face da morte, quando ondas gigantescas vieram sobre o navio. Somente os morávios permaneceram calmos e continuaram a cantar um hino.[27] E quando ele perguntou aos morávios, se eles não estavam espantados: 

“Não, senhor,’ respondeu o morávio com singeleza, ‘nossas mulheres e crianças não temem a morte’. Wesley passou a entender que ainda não tinha a fé suficiente como a dele.”[28]

Isso impressionou muito a Wesley. 

Wesley temia o mar e nunca havia estado em um navio. Diante da tempestade, ”A nua realidade da morte iminente mostrou a fragilidade do senso de segurança de Wesley (...) A terceira e pior tempestade, apenas uma semana antes de avistarem a terra, levou Wesley à ‘submissão à sábia, santa e graciosa vontade de Deus’; e também abriu seus olhos para a profundidade da fé dos moravianos alemães que estavam a  bordo”.[29] 

Apreendendo alemão

Na sexta-feira 17 de outubro de 1735, Wesley começou a “a aprender alemão, para conversar com os alemães, seis e vinte dos quais tínhamos a bordo. No domingo, com o tempo limpo e calmo, tivemos o serviço matinal no quarto de convés. Eu agora primeiro preguei ex tempore, e depois administrei a ceia do Senhor a seis ou sete” pessoas, “pequeno rebanho. Que Deus a aumente!”, disse Wesley. [30]

Wesley com os moravianos

“Às sete horas, juntei-me aos alemães no seu serviço público”

“Às sete horas, juntei-me aos alemães no seu serviço público”, [31] disse Wesley.

Já Ingham lia para quantos “desejassem ouvir. Às oito nos encontramos novamente, para exortar e instruir uns aos outros. Entre as nove e as dez fomos para a cama, onde nem o rugido do mar, nem o movimento do navio, poderiam tirar o sono refrescante que Deus nos deu”. [32]

Wesley decide ir até o moravianos

“Há muito que observava a grande seriedade do seu comportamento”

No dia 25 de janeiro de 1736, Wesley disse: “Às sete horas fui para os alemães. Eu já havia observado muito antes a grande seriedade de seu comportamento. De sua humildade tinham dado uma prova contínua, realizando aqueles ofícios servis para os outros passageiros que nenhum dos ingleses assumiria; pelo qual desejavam, e receberiam, nenhum pagamento, dizendo: "Era bom para seus corações orgulhosos", e "O Salvador amoroso fizera mais por eles." [33]

A mansidão dos moravianos

“E todos os dias lhes davam ocasião de mostrar uma mansidão”

Wesley comentou sobre as atitudes dos moravianos na viagem: “E cada o dia lhes dera ocasião de mostrar mansidão que nenhuma lesão poderia mover. Se fossem empurrados, golpeados, ou jogados para baixo, eles se levantaram novamente e foram embora fora; mas nenhuma queixa foi encontrada em sua boca.” [34]

Cantando suavemente

Certa vez, disse Wesley, a “metade do Salmo, por meio do qual o trabalho deles começou, uma onda quebrou sobre o navio, fez a vela principal em pedaços, cobriu o navio e esparramou-se entre os conveses como se a grande profundeza já os tivesse tragado”,[35] disse Wesley.

Então, entre os ingleses se ouviu um grito terrível, mas “os alemães cantaram calmamente”, escreveu Wesley em seu diário. [36]

Observando o comportamento dos moravianos

Terça-feira, 24 de fevereiro de 1736

“Em Savannah, Geórgia

No nosso retorno no dia seguinte, (o Sr. Quincy estava então na casa onde ficamos depois), o Sr. Delamotte e eu nos hospedamos com os alemães (os morávios). Agora tínhamos a oportunidade, dia após dia, de observar todo o comportamento deles. Pois estávamos em um cômodo com eles do amanhecer ao anoitecer, exceto pelo pouco tempo que passei. Eles estavam sempre empregados, sempre alegres e de bom humor uns com os outros; Eles haviam deixado de lado toda raiva, conflito, ira e amargura, e alvoroço, e maldade; eles caminharam dignos da vocação pela qual foram chamados e adornaram o Evangelho de nosso Senhor em todas as coisas”.[37]

A simplicidade e solenidade dos moravianos

Sábado, 28 de fevereiro de 1736

“Savannah, Geórgia

Eles se reuniam para consultar sobre os assuntos de sua Igreja; O Sr. Spangenberg logo iria para a Pensilvânia, e o Bispo Nitschman retornaria à Alemanha. Após várias horas em conferência e oração, eles seguiram para a eleição e ordenação de um Bispo. A grande simplicidade, assim como a solenidade, de todo quase me fez esquecer os mil setecentos anos entre eles, e me imaginar em uma daquelas assembleias onde forma e estado não existem; mas Paulo, o fabricante de tendas, ou Pedro, o pescador, presidia; mas com a demonstração do Espírito e do poder”. [38]

 

 

Os contatos de Wesley com Pedro Bohler na Inglaterra

 

 

Um dia é para ser muito lembrado 

7/02/1738 – terça-feira (esse dia é para ser muito lembrado). Na casa do Sr. Weinantz, comerciante holandês, conheci Peter Böhler, Schulius Richter e Wensel Neiser, recém chegados da Alemanha. Certificando-me que eles não tinham nenhum conhecido na Inglaterra, ofereci-me para conseguir um alojamento para eles, e o fiz perto da hospedaria do Sr. Hutton, onde eu estava. Desse momento em diante, de boa vontade, não perdi nenhuma oportunidade de conversar com eles, enquanto fiquei em Londres.[39]

8/02 – quarta-feira. Fui novamente ao Sr. James Oglethorpe, mas não tive oportunidade de falar como tinha desejado. Posteriormente, esperei à mesa dos Depositários61 e lhes dei um pequeno, mas evidente, informe sobre o estado da colônia; um informe, receio, nem um pouco diferente daqueles que eles recebiam frequentemente antes, e por isso tenho razões para acreditar que alguns deles não me perdoaram esse dia. [40]

Pedro Bohler pede para Wesley jogar sua filosofia fora

17/02/1738 – sexta-feira. Parti para Oxford com o Sr. Peter Böhler, onde fomos recebidos carinhosamente pelo Sr. Sarney, o único que permaneceu aqui, dos muitos que, com nosso embarque para a América, foram usados para “levar doces deliberações” e regozijarem-se em “suportarem a repreensão de Cristo”. [41]

18/02 – sábado. Fomos para Stanton Harcourt, até a casa do Sr. Gamboldo. Certificamo-nos de que meu velho amigo recuperou-se de sua mística ilusão e convenceu-se de que Paulo era melhor escritor do que Tauler ou Jacob Behmen.

No dia seguinte, preguei mais uma vez no castelo (em Oxford), para uma numerosa e séria congregação. Nessa oportunidade, conversei muito com Peter Böhler, mas não o entendi; por fim ele me disse: “Meu irmão, meu irmão, esta sua filosofia deve ser lançada fora”. [42]

20/02 – segunda-feira. Retornei a Londres e, na terça-feira, preguei na Great St. Helen. “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me” (Lc 9.23). 22/02 – quarta-feira. Estive com os Curadores novamente, para os quais, então, fiz um breve relato (e, mais tarde, lhes entreguei a ata por escrito) das razões porque deixei a Geórgia. [43]

Wesley estabelece propósitos para seu comportamento

28/02/1738 – terça feira. Com respeito a meu próprio comportamento, agora renovei e escrevi minhas resoluções anteriores.

1. Usar de absoluta franqueza e sem reservas para com todos aqueles com quem devo conversar.

2. Trabalhar, depois de ininterrupta seriedade, não favorecendo de boa vontade a mim mesmo no menor comportamento leviano, ou em dar risadas nem por um momento.

3. Não falar nenhuma palavra que não vise à glória de Deus, em especial, não falar de coisas mundanas. Outras eu posso mais do que isto, devo. Mas, o que é isso para ti?

4. Não ter prazer naquilo que não vise à glória de Deus, agradecendo a ele, a todo o momento, por tudo que tenho e, consequentemente, rejeitando todo tipo e condição no qual eu sinta que não possa ser grato a ele nisso e por isso. [44]

Wesley começa a pregar uma nova doutrina

4/03/1738 – sábado. Encontrei meu irmão em Oxford recuperando-se de sua pleurisia, e com ele Peter Böhler; por quem, pelas mãos do grande Deus, no domingo, dia 5, fui claramente convencido da incredulidade e do desejo daquela fé por meio da qual somente, somos salvos. Imediatamente golpeou em minha mente: “Deixe de pregar! Como pode pregar a outros quem não tem fé ele próprio?”

Então perguntei a Böhler se ele achava que eu deveria deixar isso de fora ou não. E ele respondeu: “De modo algum!”. Tornei a perguntar: “Mas o que devo pregar?”. E ele disse: “Pregue a fé, até que você a tenha e, então, porque a tem, você irá pregar a fé!”.

Consequentemente, no domingo, dia 05, comecei a pregar essa nova doutrina, embora minha alma voltasse atrás nas obras. A primeira pessoa para quem ofereci salvação apenas pela fé foi um prisioneiro, sentenciado à morte. Seu nome era Clifford. Peter Böhler pediu-me muitas vezes que eu falasse com ele. Mas não pude persuadir-me, então, a fazê-lo, sendo ainda, como tenho sido há muitos anos, um zeloso defensor da impossibilidade do arrependimento no leito de morte. [45]

Sobre conversões instantâneas

22/04/1738 – sábado. Encontrei-me com Peter Böhler uma vez mais, e agora eu não fazia qualquer objeção ao que ele disse sobre a natureza da fé; ou seja, (para usar as palavras de nossa Igreja), “da confiança e convicção que um homem tem em Deus, de que, através dos méritos de Cristo, seus pecados são perdoados e ele reconciliado ao favor de Deus”. Nem eu poderia negar a felicidade ou santidade que ele descreveu como os frutos desta fé viva. “O próprio Espírito testemunha com nosso espírito que somos filhos de Deus”. [46]

E, “Aquele que crê que tem o testemunho em si mesmo”, convenceu-me completamente do primeiro: uma vez que, “quem quer que seja nascido de Deus, não comete pecado”, e, “quem quer que creia que seja nascido de Deus”, do último.

Mas eu não pude compreender o que ele falou sobre uma obra instantânea. Como um homem poderia, de imediato, ser assim transformado das trevas para a luz, do pecado e miséria para a retidão e alegria no Espírito Santo?

Eu busquei nas Escrituras, novamente, no tocante a esta mesma coisa, especialmente nos Atos dos Apóstolos. Mas, para meu completo assombro, dificilmente encontrei alguns exemplos lá de outras que não conversões instantâneas; dificilmente alguma tão vagarosa quanto a de Paulo, que ficou três dias nas dores do novo nascimento. Tive apenas um consolo, ou seja, “assim, eu garanto, Deus trabalhou nos primeiros anos do cristianismo, mas os tempos mudaram. Que razão temos para acreditar que ele opera da mesma forma agora? [47]

Não esconda na terra o talento que Deus deu a você

23/04/1738 – domingo. Perguntei novamente a Peter Böhler se não devia me abster de ensinar a outros. Ele disse, “Não! Não esconda na terra o talento que Deus deu a você”.

Assim sendo, na terça-feira, dia 25, falei de maneira clara e completa em Blendon, para a família do Sr. Delamotte, sobre a natureza e frutos da fé. O Sr. Broughton e meu irmão estavam lá. A grande objeção do Sr. Broughton era a de que ele nunca poderia pensar que eu não tivesse fé, uma vez que eu havia feito e sofrido tais coisas.

Meu irmão estava muito irado, e disse-me que eu não sabia do dano que havia causado falando assim. E, realmente, agradou a Deus acender um fogo, o qual, eu confio, nunca será extinto. [48]

Pedro Bohler exorta Wesley a não suspender a graça de Deus

26/04/1738 - Peter Böhler caminhou comigo algumas milhas e me exortou a não suspender a graça de Deus. Em Gerard’s Cross, declarei claramente àqueles que Deus entregou em minhas mãos a fé como ela é encontrada em Jesus. Como o fiz, no dia seguinte, a um jovem que encontrei na estrada, e, à noite, a nossos amigos em Oxford.

Uma doutrina estranha que alguns, que não se preocuparam ainda em contradizer, não souberam o que fazer dela; mas um ou dois que estavam completamente destruídos pelo pecado, de boa vontade ouviram e receberam alegremente. Alguns dias depois, fui muito confirmado na “verdade que é segundo a santidade”, ouvindo as experiências do Sr. Hutchins, da Faculdade de Pembroke, e da Sra. Fox: duas testemunhas vivas, às quais Deus pode (se é que ele não faz sempre!) dar aquela fé que salva, tão de repente como se fosse um raio caindo do céu. [49]

Regras para a sociedade de Fetter Lane com Pedro Bohler               

Na Inglaterra, o líder moraviano Pedro Bohler organizou no dia 1º de maio de 1738 (antes da experiência de Wesley) a Sociedade de Fetter Lane, Londres. 

João Wesley e John Hutton participaram da organização da sociedade. As regras tinham o objetivo de proporcionar saúde espiritual. Quando Bohler foi embora deixou Wesley na liderança da sociedade.  

1/05/1738 – segunda-feira. Hoje à noite, nossa pequena sociedade teve início, em Fetter Lane, com Peter Böhler. Nossas regras fundamentais são, como segue: Em obediência ao mandamento de Deus, através de Tiago, a conselho de Peter Böhler, concordamos que:

1. Encontrarmo-nos-íamos uma vez por semana, para “confessarmos nossas faltas uns aos outros, e orarmos uns pelos outros para que possamos ser curados”.

2. As pessoas seriam divididas em diversos grupos, ou em pequenas companhias, nenhuma delas consistindo de menos que cinco ou mais do que dez pessoas.

 3. Cada um, em ordem, fale livre, clara e concisamente, quanto puder, do real estado de seu coração com suas diversas tentações e livramentos, desde o último encontro.

4. Todos os grupos tenham uma conferência, às oito, toda quarta-feira, começando e terminando com cântico e oração.

5. A alguém que deseje ser admitido nesta sociedade seja perguntado: “Quais as razões para desejar isto? Você está inteiramente aberto, não usando de nenhum tipo de reserva? Você tem alguma objeção a alguma de nossas ordens? (Que podem, então, ser lidas).

6. Quando algum novo membro é proposto, cada um dos presentes fale clara e livremente sobre a objeção que tem para com ele.

7. Aqueles contra os quais nenhuma objeção razoável apareça, sejam, com o objetivo de seu teste, formados em um ou mais grupos distintos e algumas pessoas concordem em assisti-los.

8. Depois de dois meses de prova, se nenhuma objeção aparecer, eles possam ser admitidos na sociedade.

9. A cada quatro sábados seja observado como um dia de intercessão geral.

10. No domingo, sete noites seguidas, seja a festa geral do amor, das sete até às dez da noite.

11. Nenhum membro específico seja admitido, se agir em alguma coisa contrária a alguma ordem da sociedade. E que, se algumas pessoas, depois de serem por três vezes admoestadas, não se adequarem a isto, não sejam mais consideradas como membros. [50]

Pedro Bohler é instrumento de Deus para abrir os olhos de Carlos Wesley

3/05/1738 – quarta-feira. Meu irmão teve uma longa e particular conversa com Peter Böhler. E agradou a Deus abrir seus olhos, de forma que ele também pôde ver claramente a natureza daquela verdadeira fé viva, por meio da qual apenas “pela graça somos salvos”.

4/05 – quinta-feira. Peter Böhler deixou Londres para embarcar para a Carolina. Oh! Que trabalho Deus tem começado desde que ele veio para a Inglaterra! Trabalho que nunca terminará até que céus e terra passem. [51]

Abrindo os olhos de Carlos Wesley

Quarta e quinta-feira, 3–4 de maio de 1738

“Londres, Inglaterra

Meu irmão teve uma conversa longa e particular com Peter Boehler. E agora agradava a Deus abrir seus olhos; de modo que ele também via claramente qual era a natureza daquela única fé verdadeira e viva, pela qual somente ‘pela graça, somos salvos."

Peter Boehler deixou Londres para embarcar rumo à Carolina. Ó que obra Deus iniciou desde que chegou à Inglaterra! Um que nunca chegará ao fim, até que o céu e a terra passem”.[52]

Revigorado com uma carta de Pedro Bohler

10/05 – quarta-feira. Sr. Stonehouse, Pároco de Islington, foi convencido da “verdade como ela é em Jesus”. Desde este dia, até o sábado, dia 13, estive pesaroso e muito oprimido; sem condições para ler, meditar, cantar, orar, nem fazer alguma coisa. Ainda assim, senti-me um pouco revigorado por uma carta de Peter Böhler.

14/05 – domingo. Preguei de manhã em St. Ann, Aldersgate e, à tarde, na capela em Savoy, a salvação livre através da fé no sangue de Cristo. Fui rapidamente notificado de que, também em St. Ann, não deveria mais pregar. [53]

Wesley, apesar do Clube Santo, apesar de ser pastor anglicano, não se considerava um cristão, no verdadeiro sentido da palavra, antes de 1738.

Em seu diário, antes da experiência do coração aquecido, ele diz: “Encontrei-me de novo com Pedro Bohler, que me surpreendeu mais e mais com a explicação que me deu a respeito dos frutos da fé viva, a santidade e a felicidade que ele afirmou acompanham tal fé”.[54]

Pedro Bohler havia convencido Wesley de que ele não tinha uma fé real. Mais tarde Wesley diria: “Por um cristão quero dizer alguém que crê em Cristo der tal maneira que o pecado não mais tenha domínio sobre ele; e  neste sentido obvio da palavra, eu não era um cristão antes de 24 de maio próximo passado”.[55]

 

Wesley explica seu desenvolvimento espiritual

 

“O que ocorreu na quarta-feira, 24, penso que seja melhor relatar minuciosamente, depois de mencionar de antemão o que poderá trazer maior compreensão. Que aquele que não pode receber isto peça ao Pai das luzes, para que lhe dê mais conhecimento e a mim também”. [56]

Um resumo do seu desenvolvimento espiritual:

“Creio que até aproximadamente os dez anos não tive pecado exterior, porque “completamente lavado no Espírito Santo” que me foi dado, em meu batismo, tendo sido estritamente educado e cuidadosamente ensinado que poderia ser salvo apenas “pela obediência universal, em guardar todos os mandamentos de Deus”, nos quais fui diligentemente instruído.

Os seis ou sete anos seguintes, passei na escola, onde, tendo sido removidas limitações externas fiquei muito mais negligente do que antes, mesmo nas obrigações exteriores, e quase continuamente culpado dos pecados aparentes, que eu sabia serem tais, embora não escandalosos aos olhos do mundo.

Transferido à Universidade, por cinco anos, eu ainda dizia minhas orações, em público e privado, e lia, juntamente com as Escrituras, diversos outros livros de religião, especialmente os comentários do Novo Testamento. Ainda que não tivesse tudo isto, a não ser uma noção da santidade interior; e seguisse habitualmente, na maior parte do tempo muito satisfeito em um ou outro pecado conhecido: na verdade, com alguma intromissão e poucos conflitos, especialmente antes e depois da santa comunhão, que era obrigado a receber três vezes por ano.

Quando estava com aproximadamente vinte e dois anos, meu pai pressionou me a entrar para o clero. Foi quando a providência de Deus dirigiu-me para Kempis e seu “Imitação de Cristo”, e comecei a ver que a verdadeira religião situava-se no coração e que as Leis de Deus estendiam-se a todos os nossos pensamentos, palavras e ações. Eu estava, no entanto, muito aborrecido com Thomas A. Kempis, por ser tão rigoroso, embora tivesse lido dele apenas as traduções de Dean Stanhope.

Transferido, logo depois, para outra Faculdade, pus em prática uma resolução, pela qual estava convencido que seria da mais extrema importância livrar-me de imediato de todo entendimento superficial. Constatei cada vez mais o valor do tempo. Apliquei-me mais intimamente ao estudo. Vigiei mais cuidadosamente contra os pecados atuais. Aconselhei outros a serem religiosos, de acordo com aquele método de religião pelo qual modelei minha própria vida. Mas, encontrando-me agora com o Sr. William Law e sua “Perfeição Cristã” e “Chamado Sério” (embora estivesse muito ofendido com muitas partes de ambos ainda), eles me convenceram, mais do que nunca, da excelente altura, largura e profundidade da lei de Deus.

Em 1730, comecei a visitar as prisões; ajudar os pobres e doentes na cidade; e a fazer o bem tanto quanto pudesse, com minha presença e minha pequena fortuna, aos corpos e almas de todos os homens. Para essa finalidade, reduzi todas as superficialidades e muito do que eram consideradas as coisas necessárias à vida. Logo me tornei um exemplo, por assim fazer, e me regozijei que “minha reputação tivesse sido banida como o mal”.

Na primavera seguinte, comecei a observar os jejuns da quarta e sexta-feira, comumente observados pela igreja primitiva; sem experimentar qualquer refeição até às três horas da tarde. E, até aquele momento, não sabia como seguir mais adiante. Esforcei-me diligentemente contra todo o pecado. Não me privei das abnegações que considerava lícitas; e cuidadosamente usei, tanto em público como em privado, de todos os meios da graça, em todas as oportunidades. Não me privei de fazer o bem e, por esse motivo, suportei o mal. E tudo isso, eu sabia ser nada, a menos que fosse direcionado à santidade interior e exterior.

Logo depois, um homem contemplativo convenceu-me ainda mais do que eu estava convencido anteriormente: de que as obras exteriores são nada, sozinhas; e em diversas conversas, instruiu-me de como seguir ao encalço da santidade interior, ou da união da alma com Deus. Mas até mesmo com respeito às suas instruções (embora eu as recebesse como as palavras de Deus), não pude deixar de observar: a. Que ele falava tão descuidadamente contra confiar nas obras exteriores, que desencorajou-me de realizá-las afinal. b. Que ele recomendou (por assim dizer, suprir o que estava faltando nelas) oração mental, e iguais exercícios, como os meios mais eficazes de purificar a alma e unir-me com Deus.

Todo o tempo em que estive em Savannah, estava dando socos no ar. Ignorante sobre a retidão de Cristo, que, através de uma fé viva nele, traz a salvação “a todo aquele que crê”,75 procurei estabelecer a minha própria retidão e, então, trabalhei, no fogo, todos os meus dias. Não estava propriamente debaixo da lei; sabia que a lei de Deus era espiritual; consentia com isso, o que era bom. Sim, eu me deleitava nisto, na busca do homem interior. Ainda assim, eu era “um carnal, vendido à escravidão do pecado”.

Visto que eu estava lutando contra o pecado e não me libertando dele; nem tinha o testemunho do Espírito Santo com meu espírito, e, com certeza, não poderia, uma vez que eu “buscava isso, não pela fé, mas, por assim dizer, pelas obras da lei”. [57]

 

Deus preparou Peter Böhler para ensinar a Wesley sobre a fé verdadeira

 

Janeiro de 1738, “Em meu retorno para a Inglaterra, em estando em perigo eminente de morte, e muito desconfortável por isto, fui fortemente convencido de que a causa dessa inquietude era a incredulidade e que alcançar uma fé verdadeira e viva era a única coisa necessária para mim. Mas eu ainda não tinha fixado essa fé no objeto certo. Tinha apenas fé em Deus, não fé em Cristo ou por meio dele. Novamente, eu não sabia que estava invalidando completamente essa fé; eu apenas pensava que não tinha suficiente dela. Então, quando Peter Böhler, que Deus preparou para mim, tão logo cheguei em Londres, falou sobre a fé verdadeira em Cristo, (a qual é a única) e que tinha dois frutos inseparáveis: “Domínio sobre o pecado, e constante Paz pela consciência do perdão”, eu fiquei completamente pasmo e olhei para isto como um novo Evangelho. Se fosse assim, estava claro que eu não tinha fé.

Quando me encontrei com Peter Böhler novamente, ele consentiu em colocar a disputa na questão que eu desejei, isto é, a Escritura e a experiência. Primeiro consultei a Escritura. Mas, quando coloquei de lado a interpretação dos homens e simplesmente considerei as palavras de Deus, comparando-as juntas, esforçando-me para ilustrar o que era de difícil entendimento por meio de passagens mais claras, me certifiquei de que elas todas estavam contra mim e fui forçado a recuar da minha última impressão; “essa experiência não poderia nunca concordar com a interpretação literal daquelas Escrituras. Nem eu poderia, entretanto, permitir que isso fosse verdade, até que eu encontrasse algumas testemunhas vivas dela”. Ele replicou que poderia me mostrar, a qualquer tempo, se eu desejasse até mesmo no dia seguinte. E, de acordo, no dia seguinte, ele veio novamente com três outros. Todos eles testificaram de suas próprias experiências pessoais, que a verdadeira fé viva em Cristo é inseparável do senso de perdão de todos os pecados passados e da liberdade de todos os pecados presentes.

Eu estava agora completamente convencido e, pela graça de Deus, resolvi buscá-la até o fim. 1. Renunciando absolutamente a dependência, total ou em parte, de minhas próprias obras ou retidão, nas quais eu realmente havia plantado a minha esperança de salvação; embora não a conheça, desde a minha juventude até hoje. 2. Acrescentando o uso constante de todas as outras formas de graça: oração ininterrupta para esse mesmo fim; a fé justificadora e salvadora, uma completa dependência do sangue de Cristo, derramado por mim; a confiança nele como meu Cristo, como minha única justificação, santificação e redenção. Continuei assim a buscá-la (embora com uma estranha indiferença, entorpecimento e frieza incomuns, recaídas frequentes no pecado) até hoje, quarta-feira, 24 de maio. Eu penso que era por volta das cinco da manhã, quando eu abri meu Testamento nessas palavras: “Foram dadas, junto a nós, grandessíssimas e preciosas promessas, para que sejamos participantes da natureza divina” (2Pedro 1.4). E exatamente quando estava de saída, eu o abri novamente nestas palavras: “Tu não estás longe do Reino de Deus” (Marcos 12.34). À tarde, pediram-me que fosse para a Igreja de St. Paul. O salmo era: “Do abismo, eu tenho chamado por Ti, ó, Senhor. Senhor, ouça minha voz. Oh! Deixa teus ouvidos considerarem boa a voz da minha queixa. Se, tu, Senhor, fores rigoroso para marcar o que é feito de errado, ó, Senhor, quem poderá suportar isso? Porque há misericórdia em ti; por esta razão, tu deves ser temido. ó, Israel, confia no Senhor, porque com o Senhor há misericórdia, e, com ele, redenção plena. E ele também deverá redimir Israel de todos os seus pecados”.

 À noite, fui muito de má vontade até uma sociedade, na Rua Aldersgate, onde a pessoa estava lendo o prefácio de Lutero à Epístola aos Romanos. Por volta de quinze para as nove, enquanto ele estava descrevendo as mudanças que Deus opera no coração, pela fé em Cristo, eu senti meu coração estranhamente aquecido. Senti que confiei em Cristo — Cristo apenas, para a salvação; e uma garantia me foi dada de que ele tinha tomado meus pecados, até mesmo os meus, e tinha me salvo da lei do pecado e da morte. Comecei a orar com todas as minhas forças por aqueles que tiveram, de uma maneira mais especial, rancorosamente me usado e perseguido. Então, testemunhei abertamente a todos o que eu agora, pela primeira vez, sentia em meu coração. Mas não muito tempo antes do inimigo ter sugerido: “Isto não pode ser fé; pois, onde está a tua alegria?” Então, fui ensinado que a paz e a vitória sobre o pecado eram essenciais à fé no Capitão de nossa salvação; mas quanto à transmissão da alegria, que usualmente pertence ao seu começo, especialmente naqueles que têm lamentado profundamente, Deus, algumas vezes, a retém, de acordo com as deliberações de sua própria vontade.

28/05 – domingo. Caminhei em paz, mas não com alegria. No mesmo estado silencioso, eu ainda estava à tarde, quando fui atacado asperamente por uma larga companhia [na casa do Sr. Hutton], como um fanático, um sedutor e um anunciador de novas doutrinas. Através da bênção de Deus, não fiquei irado, mas depois de uma resposta tranquila e breve, fui embora; mesmo que não com tão terna preocupação, como seria devida àqueles que buscavam a morte no erro de suas vidas. Hoje, preguei de manhã na Igreja St. George, Bloomsbury, sobre: “Esta é a vitória que vence o mundo, nossa fé” (1João 5.4) e, à tarde, na capela Long Acre, sobre a justificação de Deus para com o descrente — a última vez (eu entendo) que prego em ambas. “Que não seja como eu quero, mas como tu desejas”.79 29/05 – segunda-feira. Parti para Dummer com o Sr. Wolf, um dos primeiros frutos do ministério de Peter Böhler na Inglaterra. Fui muito fortalecido pela graça de Deus nele. Contudo, seu estado estava tão acima do meu, que eu me senti frequentemente tentado a duvidar que tivéssemos a mesma fé. Mas, sem muito raciocinar sobre isto mantive: “Embora a dele seja forte e a minha, fraca, todavia que Deus tem dado algum grau de fé, até mesmo a mim, eu sei por seus frutos. Porque tenho paz constante; nenhum pensamento inquieto. E tenho livramento do pecado; nenhum desejo ímpio”. [58]

 

Lutas de Wesley após a experiência do coração aquecido

 

Wesley teve lutas internas, tentações e perseguições após sua experiência em 24 der maio de 1738. Contudo, ele perseverou.

A viagem à Alemanha para conhecer os moravianos trouxe mais conhecimento e segurança para Wesley. O Pentecostes metodista na madrugada de 31 de dezembro a 1º de janeiro de 1738 o fez experimentar o poder de Deus. 

Wesley atacado por um de seus antigos inimigos 

3/06/1738 – sábado. Fui grandemente atacado por um de meus antigos inimigos, de modo que quase não tive força para abrir meus lábios, ou mesmo pedir por ajuda. Mas, depois que orei, fracamente como pude, a tentação desapareceu.

4/06 – domingo. Foi de fato um dia de festa. Porque desde o momento em que me levantei até uma da tarde, estive orando, lendo as Escrituras, cantando, ou chamando os pecadores ao arrependimento. Por todos esses dias, quase não me lembro de ter aberto o Testamento, a não ser em algumas grandes e preciosas promessas. E vi mais do que nunca que o Evangelho é, na verdade, uma grande promessa, do começo ao fim. [59] 

Tristeza por não estar completamente curado 

06/1738 – terça-feira. Depois de passar algumas horas nas Escrituras e oração, senti-me muito confortado. Contudo, havia uma espécie de tristeza em meu coração, de maneira que me vi preocupado porque não estava completamente curado. Ó Deus, me proteja, e todos que são “fracos na fé”, das “disputas questionáveis”.

7/06/1738 – quarta-feira. Decidi, se Deus me permitisse, retirar-me, por um curto período, para a Alemanha. De fato, tinha proposto fazê-lo antes de deixar a Geórgia, se fosse do agrado de Deus trazer-me de volta para a Europa. E agora vejo claramente que a hora chegou. Minha mente fraca não poderia aguentar ser, assim, punida. Eu esperava que a conversa com aqueles homens santos – que são testemunhas vivas do completo poder da fé, e são ainda mais capazes de suportar os que são fracos – fosse o meio, abaixo de Deus, para assim firmar minha alma. [60]

Wesley tem ajuda do pai de Pedro Bolher na Alemanha

Na noite de domingo, 2 de julho de 1738, Wesley e seus amigos chegaram a Mentz; e segunda-feira dia 3, meia hora depois das dez, chegaram em Frankfurt.

“Frankfurt, cidade localizada à beira do rio Meno na região central da Alemanha, é um grande centro financeiro que abriga o Banco Central Europeu. A cidade é o local de nascimento do famoso escritor Johann Wolfgang von Goethe, cuja antiga residência é hoje o museu Goethe-Haus”.[61]

Eles estavam fracos e cansados. Reconheceram que não seria possível serem admitidos ali, pois não tinham nenhum passe com eles.

Mas conseguiram uma solução. Wesley disse: “Depois de esperar uma hora nos portões, conseguimos um mensageiro, que enviamos ao Sr. Bohler (pai de Peter Bohler), que imediatamente veio, nos conseguiu entrar na cidade e nos entreteve da maneira mais amigável”. [62]

Pedro Bohler foi grande amigo de Wesley. Foi ele quem despertou Wesley para uma fé viva que o levou a ter o coração aquecido. Certamente, ele foi um grande motivo de Wesley ter ido à Alemanha conhecer os moravianos.

Apesar de estar ainda num processo de amadurecimento e aprofundamento espiritual, “contudo Wesley voltou de sua peregrinação aos moravianos com a fé fortalecida. As suas novas experiências espirituais não eram realmente novas. Pertenciam a uma corrente de experiências humanas que se estendia por todos os santos até os dias dos Apóstolos. Nestas experiências participaram centenas de homens e mulheres vivos, nos quais Wesley havia presenciado os frutos da santidade antiga. Wesley trouxe de Herrnhut o conhecimento exultante de que estava em boa companhia”.[63]

Posteriormente, Wesley passou pelo chamado “Pentecoste Metodista” entre 31 de dezembro de 1738 e 1º de janeiro de 1739.

Logo depois, George Whitefield o chamou para pregar às multidões em Bristol, no início de 1739. Neste mesmo ano, Wesley passou a viajar e pregar em outros países.

O mundo se tornou sua paróquia.

 

Relato de Wesley sobre a importância de Pedro Bohler em sua vida espiritual

 

“Ao retornar à Inglaterra, em janeiro de 1738, estando em perigo iminente de morte e muito inquieto por isso, fiquei fortemente convencido de que a causa desse desconforto era a descrença, e que adquirir uma fé verdadeira e viva era a única coisa necessária para mim. Mas ainda assim não fixei essa fé em seu objeto certo: eu quis dizer apenas a fé em Deus, não a fé em ou através de Cristo. Novamente, eu não sabia que estava totalmente vazia dessa fé; mas só achei que não tinha tido o suficiente. Assim, quando Peter Bohler, que Deus preparou para mim assim que cheguei a Londres, afirmou a verdadeira fé em Cristo (que é apenas uma), que ela trazia esses dois frutos inseparáveis, "domínio sobre o pecado e paz constante a partir de um senso de perdão", fiquei bastante impressionado e vi aquilo como um novo evangelho. Se fosse assim, estava claro que eu não tinha fé. Mas eu não estava disposto a me convencer disso. Por isso, disputei com todas as minhas forças e trabalhei para provar que a fé poderia estar onde essas não estavam; especialmente onde o sentido de perdão não era: apesar de todas as escrituras relacionadas a isso, já havia sido ensinado há muito tempo a interpretar para longe e a chamar todos os presbiterianos que falavam o contrário. Além disso, vi bem que ninguém poderia (na natureza das coisas) ter tal senso de perdão e não senti-lo. Mas eu não senti. Se então não houvesse fé sem isso, todas as minhas pretensões de fé caíram de uma vez.

12. Quando encontrei Peter Bohler novamente, ele consentiu em colocar a disputa sobre a questão que eu desejava, ou seja, as Escrituras e a experiência. Primeiro consultei as Escrituras. Mas quando deixei de lado as glosas dos homens e simplesmente considerei as palavras de Deus, comparando-as entre si, tentando ilustrar o obscuro pelas passagens mais claras, percebi que todas eram contra mim, e fui forçado a recuar para minha última presa: "essa experiência nunca concordaria com a interpretação literal dessas escrituras. Nem poderia, portanto, permitir que fosse verdade até encontrar algumas testemunhas vivas disso." Ele respondeu: "Ele poderia me mostrar isso a qualquer momento; se eu desejasse, no dia seguinte." E, assim, no dia seguinte ele veio com mais três pessoas, todas testemunhando sobre sua própria experiência pessoal de que uma verdadeira fé viva em Cristo é inseparável de um senso de perdão por todo passado e de liberdade de todos os pecados presentes. Eles acrescentaram com uma boca que essa fé era o dom, o dom gratuito de Deus, e que Ele certamente a concederia a toda alma que a buscasse com fervor e perseverança. Não fiquei totalmente convencido, e pela graça de Deus decidi buscá-la até o fim: — 1. Ao renunciar absolutamente a toda dependência, total ou parcialmente, das minhas próprias obras ou retidão, nas quais realmente fundamentei minha esperança de salvação, embora não a soubesse, desde a juventude. 2. Acrescentando ao uso constante de todos os outros meios de graça oração contínua por isso — fé justificadora e salvadora; uma total confiança no sangue de Cristo derramado por mim; uma confiança nele como meu Cristo, como minha única justificação, santificação e redenção”.[64]

 

 

 

 

 

 

 



[1] https://scriptoriumdaily.com/peter-bohler-who-witnessed-to-wesley/

[2] https://www.pensador.com/frase/MzYyOTI5Ng/

[3] Visão geral criada por IA do Google

[4] https://en.wikipedia.org/wiki/Peter_Boehler

[5] https://biteproject.com/peter-bohler/

[6] https://en.wikipedia.org/wiki/Peter_Boehler

[7] https://en.wikipedia.org/wiki/Peter_Boehler

[8] https://en.wikipedia.org/wiki/Peter_Boehler

[9] https://www.tentmaker.org/biographies/bohler.htm

[10] Só a Alemanha teve um decréscimo de mais de 10 milhões de pessoas. Os campos foram devastados e as indústrias destruídas (WALKER, Welliston, Ibidem, p. 130).

[11] WALKER, John. Sangue e Fogo, A História do Avivamento Morávio. Rubiataba,  Goias:[s.ed],1978, p.1.

[12] WALKER, Welliston. História da Igreja Cristã. 2 v. São Paulo: Imprensa metodista, ASTE, 1967.

p. 198.

[13] WALKER, John. Sangue e Fogo, Ibidem, p. 2

[14] WALKER, John. Ibidem, p. 3-4.

[15] http://www.moravianchurcharchives.org/thismonth/08%20june%20wesley.pdf

 

[16] https://media.sabda.org/alkitab-10/library/collect/wesley_c/wes_ww01.pdf

[17] https://www.trip.com/travel-guide/destination/marienborn-1635637/

[18] https://media.sabda.org/alkitab-10/library/collect/wesley_c/wes_ww01.pdf

[19] https://media.sabda.org/alkitab-10/library/collect/wesley_c/wes_ww01.pdf

[20] Idem.

[22] Idem.

[23] Idem.

[24]A motivação básica de Wesley era a busca de sua salvação (REILY, Duncan Alexander. Metodismo brasileiro e wesleyano, Ibidem, p.85).

[25] LELIÈVRE, Mateo. João Wesley, Sua vida e obra. Editora Vida, 1997, p.52.

[26] Idem, p.53.

[27] Ibidem, p.54.

[28] Ibidem.

[29] HEITZENHATER, Richard P., Wesley e o Povo Chamado Metodista, Editeo-Pastoral Bennett, 1996, p.58-9

[31] https://quod.lib.umich.edu/e/evans/N22587.0001.001/1:7.2?rgn=div2;view=fulltext 

[32] https://quod.lib.umich.edu/e/evans/N22587.0001.001/1:7.2?rgn=div2;view=fulltext 

[33] Wesley, seu próprio historiador. https://quod.lib.umich.edu/m/moa/AGV9079.0001.001?rgn=main;view=fulltext.Wesley, seu próprio historiador. Cincinnati: Hitchcock e Walden. 1870.

[34] Wesley, seu próprio historiador. https://quod.lib.umich.edu/m/moa/AGV9079.0001.001?rgn=main;view=fulltext.Wesley, seu próprio historiador. Cincinnati: Hitchcock e Walden. 1870.

[35] O Diário de João Wesley – 1735-1791, o pai do metodismo. Angular Editora, 2017.

[36] Wesley, seu próprio historiador. https://quod.lib.umich.edu/m/moa/AGV9079.0001.001?rgn=main;view=fulltext.Wesley, seu próprio historiador. Cincinnati: Hitchcock e Walden. 1870.

[37] https://christianhistoryinstitute.org/magazine/article/moravians-and-wesley

[38] https://christianhistoryinstitute.org/magazine/article/moravians-and-wesley

[39] O Diário de João Wesley, o Pai do Metodismo, 1735-1791. São Paulo, Angular editora, 2017.

[40] O Diário de João Wesley, o Pai do Metodismo, 1735-1791. São Paulo, Angular editora, 2017.

[41] O Diário de João Wesley, o Pai do Metodismo, 1735-1791. São Paulo, Angular editora, 2017.

[42] O Diário de João Wesley, o Pai do Metodismo, 1735-1791. São Paulo, Angular editora, 2017.

[43] O Diário de João Wesley, o Pai do Metodismo, 1735-1791. São Paulo, Angular editora, 2017.

[44] O Diário de João Wesley, o Pai do Metodismo, 1735-1791. São Paulo, Angular editora, 2017.

[45] O Diário de João Wesley, o Pai do Metodismo, 1735-1791. São Paulo, Angular editora, 2017.

[46] O Diário de João Wesley, o Pai do Metodismo, 1735-1791. São Paulo, Angular editora, 2017.

[47] O Diário de João Wesley, o Pai do Metodismo, 1735-1791. São Paulo, Angular editora, 2017.

[48] O Diário de João Wesley, o Pai do Metodismo, 1735-1791. São Paulo, Angular editora, 2017.

[49] O Diário de João Wesley, o Pai do Metodismo, 1735-1791. São Paulo, Angular editora, 2017.

[50] O Diário de João Wesley, o Pai do Metodismo, 1735-1791. São Paulo, Angular editora, 2017.

[51] O Diário de João Wesley, o Pai do Metodismo, 1735-1791. São Paulo, Angular editora, 2017.

[52]https://christianhistoryinstitute.org/magazine/article/moravians-and-wesley

[53] O Diário de João Wesley, o Pai do Metodismo, 1735-1791. São Paulo, Angular editora, 2017.

[55] Reily, Duncan Alexander. Expositor Cristão, março de 1978, p.11

[56] O Diário de João Wesley, o Pai do Metodismo, 1735-1791. São Paulo, Angular editora, 2017.

[57] O Diário de João Wesley, o Pai do Metodismo, 1735-1791. São Paulo, Angular editora, 2017.

[58] O Diário de João Wesley, o Pai do Metodismo, 1735-1791. São Paulo, Angular editora, 2017.

[59] O Diário de João Wesley, o Pai do Metodismo, 1735-1791. São Paulo, Angular editora, 2017.

[60] O Diário de João Wesley, o Pai do Metodismo, 1735-1791. São Paulo, Angular editora, 2017.

[61] https://en.wikipedia.org/wiki/frankfurt

[63] http://www.metodistavilaisabel.org.br/artigosepublicacoes/descricaocolunas.asp?Numero=1546. “O início da obra de avivamento da Inglaterra no século XVIII”. Rev. W. H. Fitchett. 

[64] https://scriptoriumdaily.com/peter-bohler-who-witnessed-to-wesley/

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