A natureza na perspectiva teológica de Wesley

 

Odilon Massolar Chaves

 

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Livros publicados na Biblioteca Digital Wesleyana: 721

Livros publicados pelo autor: 768

Capa:https://www.expositorcristao.com.br/educacao-e-espiritualidade-o-legado-de-wesley-nas-escolas/

Tradutor: Google

Toda gloria a Deus!

Odilon Massolar Chaves é pastor metodista aposentado, doutor em Teologia e História pela Universidade Metodista de São Paulo.

É casado com RoseMary. Tem duas filhas: Liliana e Luciana.

Sua tese tratou sobre o avivamento metodista na Inglaterra no século XVIII e a sua contribuição como paradigma para nossos dias.

Foi editor do jornal oficial metodista e coordenador de Curso de Teologia.

 

 

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“Além de Wesley discernir no conhecimento oriundo da natureza as noções de desígnio e propósito da criação, ele também “estava convencido de que é possível reconhecer a glória de Deus e, por analogia, alcançar algum discernimento de seus propósitos por intermédio da observação da dinâmica presente no universo.”

 

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Índice

·       Introdução

·       Precisamos aprender sobre a vida com a natureza

·       Contribuições de Wesley para uma perspectiva ecológica

·       Mordomos de Deus

·       A perfeição divina na criação

·       A redenção de toda criação

·       A Árvore Wesley

 

 

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Introdução

 

“A natureza na perspectiva teológica de Wesley” é um livro de 30 páginas baseado nas Notas Explicativas de Wesley, seu diário e em alguns autores.

“A natureza, na perspectiva teológica de John Wesley, não é um cenário inanimado, mas uma criação sagrada, interligada ao amor de Deus e incluída no plano de redenção. Wesley via a natureza como uma revelação da sabedoria, poder e bondade de Deus, chamando-a de um "templo cósmico". [1]

A relação entre o ser humano e o meio ambiente depende diretamente da renovação da imagem de Deus na humanidade.

Wesley afirmou: “O mundo ao redor de nós é o poderoso volume onde Deus se revelou”.

Seu último sermão ao ar livre, em 1790, foi sob uma árvore.

Neste livro, veremos a história da “Árvore Wesley” criada pelo próprio Wesley.

Um tema necessário para nossos dias.

 

O Autor

 

 

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Precisamos aprender sobre a vida com a natureza

 

Mateus 6.28

A vida começou no Jardim do Éden e viveremos para sempre em meio à natureza na eternidade:

Apocalipse descreve sobre a árvore da vida: “Então, o anjo me mostrou o rio da água da vida que, translúcido como cristal, fluía do trono de Deus e do Cordeiro,  e que passa no meio da rua principal da cidade. De uma e outra margem do rio estava a árvore da vida, que produz doze frutos, de mês em mês; e as folhas da árvore servem para a cura das nações. Apocalipse 22.1-2).

As plantas têm sentimos e nós precisamos pedir a Deus que restaure nossos sentimentos

A Bíblia descreve os sentimentos das plantas: “Regozijem-se os campos e tudo o que neles há! Cantem de alegria todas as árvores da floresta” (Salmos 96.12).

A Bíblia nos convoca a ter sentimentos: “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus” (Filipense 2.5).

“As plantas têm sentimentos e captam emoções humanas. A primeira pesquisa sobre o assunto foi em 1966. Cleve Backster, especialista em detectores de mentira, descobriu a Percepção Primária, sistema sensório das células vivas.

Backster decidiu colocar o detector nas plantas enquanto regava, pois queria saber quanto tempo a água levaria para chegar à ponta das folhas. A cobaia foi uma dracena, flor da África tropical. Eletrodos foram colocados em cada lado da folha e o detector identificou uma sensação parecida com alívio. Backster ainda mergulhou a folha numa xícara de café, mas nada foi registrado. Porém, ao pegar um fósforo, o detector registrou emoção semelhante ao terror.[2]

Outra experiência de Cleve Back, que criou o polígrafo (detector de mentiras). Ele usou este mesmo aparelho nas plantas. “E ao falar próximo delas que as mesmas iriam morrer sem água, rapidamente, as plantas reagiram como que assustadas e provocavam movimentos abruptos”.[3]

Vivemos num tempo em que a superficialidade é uma marca em muitas pessoas. O corre-corre, o contato constante com os eletrônicos tem nos afastado uns dos outros.

As flores têm a melhor roupa

Jesus citou o exemplo dos lírios e disse que sua roupa é melhor do que as roupas do Rei Salomão: “E por que ficais preocupados com a roupa? Olhai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam. Porém, eu vos digo: nem o rei Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um deles” (Mateus 6.28).

Salomão tinha muita roupa e muito luxo, o lírio  tinha só uma roupa, simples, mas é muito bela e protetora.

O que Deus faz é melhor do que o que o ser humano faz.

Nascemos para dar frutos e exalar o bom perfume de Cristo

A Bíblia diz: “A figueira já deu os seus figos verdes, e as vides em flor exalam o seu aroma” (Cânticos 2.13).

A Bíblia diz sobre os frutos: O Senhor disse através do profeta Ezequiel: “Nos montes mais altos de Israel Eu pessoalmente o plantarei; ele produzirá belos ramos, e dará bons frutos, e se tornará um cedro exuberante. Pássaros de todo tipo se aninharão em sua copa frondosa; todas as aves encontrarão abrigo à sombra de seus galhos” (Ezequiel 17.23).

Precisamos estar unidos a Jesus para produzir frutos: "Eu sou a videira; vocês são os ramos. Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma” (João 15.5).

O bom ´perfume de Cristo: A Bíblia diz que somos o bom perfume de Cristo (...) graças a Deus, que sempre nos faz triunfar em Cristo, e por meio de nós manifesta em todo o lugar a fragrância do seu conhecimento. Porque para Deus somos o bom perfume de Cristo” (2 Coríntios 2.14-15).. 

Como os pássaros, precisamos louvar ao Senhor cedinho

A Bíblia diz: “As aves do céu fazem ninho junto às águas e, entre os galhos, põem-se a cantar” (Salmos 104.12).

Cedinho as aves começam a cantar. A sabiá, ainda escuro, já começa a cantar.

Precisamos aprender desde cedinho a louvar ao Senhor.

Nasci em uma família em que meu pai nos acordava cantando um hino. Minha mãe e minhas irmãs cantavam durante o dia.

Como nós, os pássaros nasceram para serem livres

A Bíblia compara pássaros em gaiolas a casas cheio de engano: “Como uma gaiola está cheia de pássaros, assim as suas casas estão cheias de engano; por isso se engrandeceram, e enriqueceram” (Jeremias 5.27).

Jesus disse: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8.32).

Jesus disse olhando para o céu: “Olhai as aves do céu” (Mateus 6.26). Elas nasceram para voar.

Das pedras podem nascer flores

João Batista disse: “Não presumais de vós mesmos, dizendo: 'Temos por pai a Abraão'; porque eu vos digo que mesmo destas pedras Deus pode gerar filhos a Abraão” (Mateus 3.9).

Lá em casa há plantas nascendo em cima das pedras aproveitando uma pequena brecha.

Muitas pessoas têm o coração duro, mas como essas flores, podem ser transformadas e produzirem frutos e flores.

Não cesse de orar por aqueles que estão desviados ou têm o coração duro.

Podemos aprender a viver na diversidade

E disse Deus: Produza a terra erva verde, erva que dê semente, árvore frutífera que dê fruto segundo a sua espécie, cuja semente está nela sobre a terra; e assim foi” (Gênesis 1.11).

As flores vivem juntas num jardim e são diferentes umas das outras. Podemos aprender também a s relacionar bem e respeitar às pessoas mesmo sendo diferentes.

E outra coisa importante, as plantas não perdem a sua característica por conviver juntas. Devemos aprender também a manter a nossa identidade ao conviver com outras pessoas.

Somos peregrinos aqui na terra. Nossa vida é frágil

A Bíblia fala sobre nossa fragilidade: "O homem nascido de mulher vive pouco tempo e passa por muitas dificuldades. Brota como a flor e murcha. Vai-se como a sombra passageira; não dura muito.” (Jó 14.1-2).

A Bíblia lembra que somos peregrinos: Vós, sim, que antes não éreis sequer povo; mas agora, sois o Povo de Deus; não tínheis recebido a misericórdia, contudo agora a recebestes. Deveres do Povo de Deus Amados, exorto-vos como a peregrinos e estrangeiros a vos absterdes das paixões da carne, que batalham contra a alma.  Seja exemplar o vosso comportamento entre os gentios, para que naquilo que falam mal de vós, como se fôsseis pessoas que vivem praticando o que é mau, ao observarem as vossas boas obras, glorifiquem a Deus no dia em que receberem a sua revelação” (1Pedro 2.10-12).

Somos chamados a ser sal da erra e luz do mundo. Vivemos aqui nos preparando para viver na eternidade.

Podemos vencer às tempestades

Recentemente, ventou muito e uma pequena manga de uma pequena mangueira caiu em casa, mas uma outra permaneceu de pé porque era maior.

Nós também precisamos ser fortes para permanecermos de pé diante das tempestades. A Bíblia diz: “Eu vos escrevi, moços, porque sois fortes, porque a palavra de Deus permanece em vós, e porque tendes vencido o maligno” (1 João 2.14).

Como aquele pequena manga, Deus não planejou sua morte. A outra permaneceu de pé porque era mais forte.

Os jovens citados tinham a Palavra de Deus em sua vida. Nós também precisamos ser alimentos e fortalecidos pela Palavra.

Como as plantas precisamos da água e do sol, precisamos do orvalho e do sol do Senhor

Outro dia uma pessoa me advertiu sobre a necessidade de regar as plantas todo dia: “Você não bebe água todo dia? As plantas também precisam de água todo dia”.

O orvalho do Senhor faz Israel florescer: “Serei como orvalho para Israel; ele florescerá como o lírio. Como o cedro do Líbano aprofundará suas raízes; seus brotos crescerão.

Seu esplendor será como o da oliveira, sua fragrância como a do cedro do Líbano. Os que habitavam à sua sombra voltarão. Reviverão como o trigo. Florescerão como a videira, e a fama de Israel será como a do vinho do Líbano” (Oséias 14.4-7).

Os principais benefícios do sol incluem:

1.   Aumentara produção de Vitamina D,  que é essencial para diversas atividades do corpo, além de estimular a produção de melanina, prevenir doenças e aumentar a sensação de bem-estar.

2.   Diminuir o risco de depressão.

3.   Melhorar a qualidade do sono.

4.   Proteger contra infecções.

5.    Proteger contra radiação perigosa.[4] 

Com a maioria das plantas, precisamos também do sol.

Precisamos duas vezes do sol, o sol da manhã para fortalecer nossos ossos e do Sol da Justiça, que é Jesus, para nos dar vida em abundância.

Malaquias profetizou sobre o sol da justiça: “Mas para vós, os que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, e cura trará nas suas asa” (Malaquias 4.2).

Podemos aprender sobre o amor com as plantas

Existe uma planta chamada “amor agarradinho”.

As flores vivem juntinhas, por isso é chamada assim.

Geralmente, é branca ou rosa.

Tem um crescimento lento e constante. Ela gosta de sol.

O amor verdadeiro é assim, cresce sempre. Não é emotivo que explode e depois murcha. É constante. É unida.

A Bíblia sobre as plantas que dão sementes e frutos: “Então, disse Deus: ‘Cubra-se a terra de vegetação: plantas que deem sementes e árvores cujos frutos produzam sementes de acordo com as suas espécies” (Gn 1.3).

As plantas devem dar sementes. O verdadeiro amor tem semente que vai gerar fruto, vida.

Podemos recomeçar a vida como a primavera e a marmota

A primavera dá lugar para outras estações, mas ela sempre chega. Ela traz a beleza das flores.

A Primavera começa nos dias 22 ou 23 de setembro.

A marmota é considerada mensageira da primavera. A marmota é o maior animal da família dos esquilos e, como eles, é um roedor.

 

 “Mamíferos usam as mudanças de estação para calcular quando vão acordar de seu longo período de hibernação. E nenhum outro animal é mais famoso como mensageiro da primavera como a marmota (Marmota monax).

 

Nos Estados Unidos e no Canadá, algumas têm até status de celebridade. Segundo a tradição popular desses países, a chegada da nova estação depende do dia que a marmota escolhe para sair da toca”.[5]

 

Podemos recomeçar a vida como a marmota saindo de nossa toca.

 

Deixa a primavera nascer em sua vida. Vamos viver a vida plena que há em Jesus.

 

Em algumas flores há também espinhos, mas podemos vencer e curtir a beleza das flores e da vida.

 

Contribuições de Wesley para uma perspectiva ecológica

 

A Criação como fundamento teológico

Importante ressaltar que para Wesley a Criação como elemento de fundamento teológico do metodismo é essencial.

“Falava-se de um quinto elemento do quadrilátero [ wesleyano: Ao lado dos elementos Bíblia, Tradição, Razão e Experiência, contemplava-se também da Criação”.[6]  

Para se ter uma visão completa do fundamento teológico do metodismo, a natureza não pode ser deixada de lado.

“Embora indique claramente a primazia da revelação bíblica, Wesley também valorizava o conhecimento proveniente do próprio mundo natural, e demonstrava grande fascínio pela natureza. Em sua extensa obra de filosofia natural-A Survey of the Wisdom of God in the Creation (1775) - ele discute minuciosamente sobre a natureza”.[7]

“Além de Wesley discernir no conhecimento oriundo da natureza as noções de desígnio e propósito da criação, ele também “estava convencido de que é possível reconhecer a glória de Deus e, por analogia, alcançar algum discernimento de seus propósitos por intermédio da observação da dinâmica presente no universo.” [8]

Para Wesley, todas as partes da natureza nos conduzem ao Deus da natureza.

“O mundo ao redor de nós é o poderoso volume onde Deus se revelou. As línguas e os caracteres humanos são diferentes nas diferentes nações. Os de uma nação não são entendidos pelo resto. Mas o livro da natureza foi escrito em caracteres universais e qualquer homem pode lê-lo na sua própria língua. Ela não consiste de palavras, mas de coisas que pintam as perfeições divinas. O firmamento estendido sobre todas as partes com toda a sua multidão de estrelas declara a imensidade e a magnificência, o poder e a sabedoria do seu Criador. O trovão, o relâmpago, as tempestades, os tremores de terra e os vulcões mostram o terror da sua ira. A chuva na sua estação própria, a luz solar e a colheita mostram a sua abundância e bondade e demonstram como ele abre a sua mão e enche todas as coisas de abundância. O constante suceder de gerações de plantas e de animais implica a eternidade da sua causa primeira. A vida subsistindo em milhões de formas diferentes mostra a vasta difusão do seu poder animador e a morte indica a infinita desproporção entre ele e todas as coisas vivas. Mesmo as ações dos animais são uma linguagem eloquente e patética. Aqueles que querem o auxílio do homem encontram mil modos prometedores, os quais, como a voz de Deus falando ao seu coração, os comandam a preservá-los e a acariciá-los. No entanto os movimentos ou olhares daqueles que lhes podem fazer mal os aterrorizam e os avisam quer para que fujam ou se armem contra eles. Assim todas as partes da natureza nos conduzem ao Deus da natureza”. [9]

Dentro das contribuições de Wesley para uma perspectiva ecológica encontramos também:

“Criação divina e equilíbrio: 

Wesley via o ecossistema como mantido em um equilíbrio divino. Isso sugere uma visão da natureza como uma obra de arte de Deus, que não deve ser explorada de forma predatória, mas sim cuidada e mantida”. [10]

Responsabilidade humana: 

“Sua obra enfatiza a responsabilidade dos seres humanos de cuidar uns dos outros e do mundo. O amor ao próximo, um tema central em sua teologia, pode ser estendido ao cuidado com o meio ambiente”. [11]

“A ecologia estuda a interação dos seres vivos entre si e com o meio ambiente. Dependendo de como os cavalos são tratados e manejados, essa interação pode ter impactos tanto positivos quanto negativos no ecossistema”. [12]

Nesse sentido, Wesley contribuiu sobre a responsabilidade que o ser humano tem com os animais, fruto da criação de Deus.

Sua afeição por sua montaria e seu conselho aos pregadores foram expressos nesta regra: ‘Tenha misericórdia de seu animal. Não apenas cavalgue com moderação, mas veja com seus próprios olhos que seu cavalo seja esfregado, alimentado e acomodado." [13]

Experiência e prática: 

“A religião para Wesley não era apenas teórica, mas vivida na prática. A fé, a santidade e a compaixão se refletem em ações concretas, como a construção de capelas, orfanatos e abrigos, o que pode ser estendido ao cuidado ecológico (...)” [14].

Ecologia como parte da teologia: 

“Pesquisadores exploram a aplicação da visão de Wesley sobre "criação, queda e redenção" ao meio ambiente, o que permite uma reflexão sobre o estado atual da natureza sob a perspectiva cristã. 

Em resumo, embora a ecologia não fosse uma preocupação explícita em sua época, os princípios teológicos de John Wesley fornecem uma base para a sustentabilidade, argumentando que a fé deve ser vivida em harmonia com o mundo e com os outros seres criados por Deus”. [15] 

 

Mordomos de Deus    

 

Adriani Milli Rodrigues, Mestrando em Teologia (UNASP) e em Ciências da Religião (UMESP), no seu artigo: “Imagem de Deus e nova criação: traços de responsabilidade ecológica cristã na teologia de John Wesley”, diz que a relação entre o ser humano e o meio ambiente depende diretamente da renovação da imagem de Deus na humanidade. 

Dentre suas afirmações, destacamos: 

“Para Wesley ‘a beleza primordial foi perdida, o solo foi deslocado pelo pecado, a perfeita harmonia da terra, ar, água e fogo foi rompida’. Mas o fato de que ‘a sinfonia da criação passou a ser tocada com muitas desafinações e com modificações na composição original’ encontra suas raízes no ser humano, um ser corrompido e corruptor, que ‘cria um processo e uma rede que corrompe toda a criação”.[16]

 Por isso, “Wesley entende e projeta a renovação da criação e das criaturas a partir da ‘renovação da imagem de Deus na humanidade’. O ponto central da compreensão tanto da degradação quanto da restauração da natureza é o tema da ‘imagem de Deus’ no ser humano”. [17] 

“Wesley concebia a imagem de Deus de forma relacional–a maneira como ele se relaciona com Deus e também vive essa relação com o mundo -, ao invés de enfatizar algo que o ser humano possui. O ser humano recebe o amor de Deus e, então, o reflete para todas as outras pessoas ou criaturas. Portanto, a imagem de Deus no ser humano não é “uma capacidade ou uma posse inerente ao ser humano, mas como um relacionamento vivo propiciado pela graça divina.”

[18]

Wesley “enfatiza a responsabilidade que a humanidade recebeu de cuidar do resto da criação. Através da imagem política o ser humano se constitui como um canal de comunicação entre o Criador e o resto da criação, por meio do qual as bênçãos de Deus fluem para toda a natureza”. [19] 

O teólogo Theodore Runyon, no livro A Nova Criação – A teologia de João Wesley hoje, afirma que que somos "mordomos" de Deus.[20] 

“Não possuímos nada. Apenas detemos a custódia de um mundo que pertence ao Criador. João Wesley acreditava que todos os elementos da natureza, mesmo os que parecem insignificantes, têm lugar legítimo na ordem estabelecida por Deus; e a humanidade é dotada de intelecto para compreender e defender esse lugar. Esse papel que nos cabe faz parte da "imagem política de Deus" que portamos como seus filhos e filhas. Segundo Wesley, a imagem política é um dos modos pelo qual a humanidade reflete o seu criador”. [21]

“A compreensão wesleyana acerca da responsabilidade humana para com a criação, conforme expressa em Gênesis 1:28, era diametralmente oposta à interpretação de domínio da natureza da expansão do capitalismo e da modernidade. A concepção deísta, vigente nos círculos intelectuais da época de Wesley, negava a presença contínua de Deus no mundo, e entedia o ser humano como senhor e proprietário do mundo natural”.[22]

 

A perfeição divina na criação

 

Wesley disse que “O mundo ao redor de nós é o poderoso volume em que Deus tem declarado a si mesmo. Linguagens humanas e caracteres são diferentes em diferentes nações. Os de uma nação não são entendidos pelos outros. Mas o livro da natureza está escrito em caracteres universais, os quais todos os homens podem ler em sua própria linguagem. Ele não consiste de palavras, mas coisas que retratam a perfeição divina”.      [23]

 

A redenção de toda criação

 

“Será então destruída alguma parte da criação? Na liberdade gloriosa - O excelente estado em que foram criados”

 

No seu comentário ao livro de Romanos, no capítulo 8, Wesley aborda sobre a redenção de toda criação:

Romanos 8.19:

Pois a ardente expectativa da criatura aguarda a manifestação dos filhos de Deus.

Wesley comenta: “Para a expectativa sincera - A palavra denota uma esperança viva de algo se aproximando, e um desejo veemente por ele.

Wesley comenta mais: Da criação - De todas as criaturas visíveis, exceto os crentes, que são mencionados à parte; cada tipo, de acordo com a sua capacidade”, disse Wesley. “Todos estes foram sofredores pelo pecado; e a todos estes (exceto os finalmente impenitentes) redundará refrigério da glória dos filhos de Deus. Os pagãos retos não devem de forma alguma ser excluídos dessa expectativa sincera: não, talvez algo disso possa às vezes ser encontrado até mesmo no mais vaidoso dos homens; que (embora na pressa da vida confundam vaidade com liberdade, e em parte sufocam. em parte dissimulam, seus gemidos, ainda) em suas horas sóbrias, quietas, insones e aflitas, derramam muitos suspiros no ouvido de Deus.

Versículo 20

Pois a criatura foi sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa daquele que a sujeitou em esperança,

Wesley explica: A criação foi sujeita à vaidade - abuso, miséria e corrupção.

Por aquele que o sujeitou - Ou seja, Deus, Gênesis 3:17Gênesis 5:29. Adão apenas o tornou sujeito à sentença que Deus pronunciou; mas não sem esperança.

Versículo 21

Porque também a própria criatura será libertada da escravidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus.

O excelente estado em que foram criados

Wesley aborda sobre a redenção da criação ao seu excelente estado em que foram criados: A própria criação será entregue – “Destruição não é libertação: portanto, tudo o que é destruído, ou deixa de ser, não é entregue de forma alguma. Será então destruída alguma parte da criação? Na liberdade gloriosa - O excelente estado em que foram criados”.

Versículo 22

Pois sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora.

Wesley comenta: Pois toda a criação geme juntamente - Com gemidos conjuntos, por assim dizer, a uma só voz.

Comentários de Wesley:

E dores de parto – Literalmente, está nas dores do parto, para ser libertado do fardo da maldição.

Até agora - Até esta mesma hora; e assim por diante até o momento da libertação.

Versículo 23

E não somente eles, mas também nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo.

Comentários de Wesley:

E até nós, que temos as primícias do Espírito - Ou seja, o Espírito, que é as primícias da nossa herança.

A adoção - Pessoas que haviam sido adotadas em particular entre os romanos eram frequentemente trazidas para o fórum, e lá possuíam publicamente como seus filhos por aqueles que os adotaram. Assim, na ressurreição geral, quando o próprio corpo for redimido da morte, os filhos de Deus serão publicamente possuídos por ele na grande assembleia de homens e anjos.

A redenção do nosso corpo - Da corrupção à glória e imortalidade”.[24]

 

A Árvore Wesley


John Wesley, fundador do Metodismo, está associado a várias árvores notáveis, principalmente a "Árvore de Wesley" em Winchelsea, onde ele pregou seu último sermão ao ar livre em 1790, e as duas faias entrelaçadas em Lambeg, Irlanda, simbolizando a união do Metodismo com a Igreja Anglicana, simbolizadas por árvores com o nome dele ou que ele plantou, sendo marcos importantes na história metodista.[25] 

 

A Faia Ballyskeagh é “o resultado de duas mudas de faia torcidas juntas na década de 1780 pelo Rev. John Wesley, o fundador do Metodismo”.[26]

O que são faias?

“(...) a faia é uma árvore de folha caduca que pode alcançar os 40 m de altura.  O tronco é comprido e reto, com casca lisa e cinzenta. A copa é cónica, ampla e bastante ramificada em árvores adultas”.[27]

Essas faias são encontradas onde na Irlanda?

“Em Lambeg, Co. Down, um pouco ao norte da Ponte de Wolfenden, estão duas faias na entrada de Chrome Hill, na estrada Lambeg para Ballyskeagh”.[28]

São um par de árvores chamados em alguns lugares de “Marido e Esposa” formadas a partir de cedros conjugados.

Símbolo

E segundo alguns estudiosos, Wesley teve um propósito com as duas mudas de faia torcidas juntas:

“No final do século XVIII, John Wesley estava hospedado em Chrome Hill e decidiu juntar duas jovens faias para agir como um símbolo de unidade entre a Igreja Metodista e a Igreja da Irlanda.” [29]

A árvore símbolo da unidade

Uma outra interpretação inclui a Igreja Anglicana na unidade: “Em 1787, John Wesley ficou com seus amigos, a família Wolfenden, enquanto pregava na área. Durante sua visita, ele entrelaçou duas mudas de faia Fagus sylvatica, diz-se que simbolizam a unidade essencial do metodismo e do anglicanismo”.[30]

Uma árvore com dois troncos

“Hoje isso está crescendo como uma árvore, com os dois troncos formando um arco na base dos dois troncos. Os muitos galhos se entrelaçam e se ligam, o tronco é fissurado e marcado pela idade, mas a árvore é excepcionalmente vigorosa. Talvez dê esperança para a unidade final da igreja? Ela entra em folha mais cedo do que as faias únicas circundantes, e é em todos os sentidos uma árvore excepcional”. [31]

Portões de entrada da Ballyskeagh Road

“Embora os terrenos sejam privados, a família McKinstry, que agora possui a Chrome Hill, permite visitas à árvore, que fica bem ao lado dos portões de entrada da Ballyskeagh Road”,[32]  em Belfast, Irlanda.

Árvore Wesley

Outra informação é que a árvore se chama hoje “Árvore Wesley”.

“União contínua do Metodismo e da Igreja da Irlanda”

O diário de Wesley de 10 de junho de 1787 registra sua visita a Chrome Hill (Morro do Cromo). “Enquanto ele estava lá, diz-se que ele torceu duas mudas de faia juntas (para simbolizar a união contínua do Metodismo e da Igreja da Irlanda) e formou o que ainda sobrevive como duas grandes árvores de faia entrelaçadas, conhecidas como Árvore de Wesley”.  [33]

A história

“Durante sua visita, ele entrelaçou duas mudas de faia Fagus sylvatica juntas”

“Chrome Hill foi originalmente propriedade da família Wolfenden que veio para Lambeg de Brunswick em 1603, fundando moinhos e vivendo no que era então chamado de Harmony Hill. A casa e os moinhos foram vendidos em 1815 ao Sr. Richard Nevin, que a nomeou Chrome Hill em homenagem aos produtos químicos que ele havia introduzido para corante amarelo no processo de linho”. 

 

 

 



[1]
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[6] https://teologiaehistoria.ucel.edu.ar/graca-salvacao-e-teologia-da-sustentabilidade-como-tema-da-teologia-wesleyana/

[7] https://revistas.unasp.edu.br/kerygma/article/view/199/200

[8] https://revistas.unasp.edu.br/kerygma/article/view/199/200

[9] BURTNER, Robert; CHILES, Robert. Coletânea da Teologia de João Wesley, JGEC, São Paulo, 1960, P.36-7.

[10] Visão geral criada por IA

[11] Visão geral criada por IA

[12] Visão geral criada por IA

[13] https://babasiga.blogspot.com/2010/05/when-john-wesley-rode-horse.html?m=1

[14] Visão geral criada por IA

[15] Visão geral criada por IA

[16] https://revistas.unasp.edu.br/kerygma/article/view/199/200

[17] https://revistas.unasp.edu.br/kerygma/article/view/199/200

[18] https://revistas.unasp.edu.br/kerygma/article/view/199/200

[19] https://revistas.unasp.edu.br/kerygma/article/view/199/200

[20] Theodore Hubert Runyon, Jr (1930-2017) foi professor na Escola de Teologia Candler da Universidade Emory durante 40 anos. “Ele participou e presidiu inúmeras conferências ao longo de sua carreira, incluindo a copresidência do Simpósio Internacional do Centenário de Paul Tillich e do Instituto de Estudos Teológicos Metodistas de Oxford. Ele serviu na Comissão da Associação Geral "Nossa Tarefa Teológica" e presidiu "Teologia, Política e Paz", uma conferência realizada no Carter Center e na Emory University. As numerosas publicações de Ted Runyon incluíam mais notavelmente The New Creation: John Wesley's Theology Today”. (https://www.legacy.com/ us/obituaries/atlanta/name/theodore-runyon-obituary?id=17579916).

[21] https://www.metodista.org.br/a-nova-criacao/

[22] https://revistas.unasp.edu.br/kerygma/article/view/199/200

[23] John Wesley, A Compendium of Natural Philosophy: being a Survey of the Wisdom of God in the Creation, 3 vols. ed. Robert Mudie(London: Thomas Tegg and Son, 1836)

[24] https://www.studylight.org/ comentários/eng/wen/romans-8.html

[25] Visão geral criada por IA do Google

[26] https://www.belfasttelegraph.co.uk/ opinion/viewpoint/trees-are-a-part-of-our-history-that-ought-to-be-treasured/30683315.html

[27] https://gulbenkian.pt/j jardim/garden-flora/faia/

[28] http://www.mestresabe.com/2019/03/inosculacao-botanicaresultado.html

[29] http://www.mestresabe.com/2019/03/inosculacao-botanicaresultado.html

[30] https://www.remarkabletrees.org/peoples-trees/the-wesley-trees/the-ballyskeagh-beech/

[31] https://www.remarkabletrees.org/peoples-trees/the-wesley-trees/the-ballyskeagh-beech/

[32] https://www.remarkabletrees.org/peoples-trees/the-wesley-trees/the-ballyskeagh-beech/

[33] https://www.facebook.com/wesleyinireland/

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