Encontro com Deus na visão Wesleyana

 

11 estudos baseados nos ensinamentos de Wesley

 

Odilon Massolar Chaves

  

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Livros publicados pelo autor: 734

Capa:https://www.bing.com/search?q=Visual+Search&bcid=TiUiiQ9B3joJAtseOaA4btMmYAiKoTBvLEc&FORM=SBIIDP&hq=1Toda gloria a Deus!

Odilon Massolar Chaves é pastor metodista aposentado, doutor em Teologia e História pela Universidade Metodista de São Paulo.

Sua tese tratou sobre o avivamento metodista na Inglaterra no século XVIII e a sua contribuição como paradigma para nossos dias.

Foi editor do jornal oficial metodista e coordenador de Curso de Teologia.

 

 

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Índice

 

 

·       Introdução

·       Destaques dos capítulos do livro

·       Peniel: um lugar de encontro com Deus

·       Marcas bíblicas daquele que nasceu de Deus

·       A batalha espiritual do cristão

·       Oração como fôlego de vida

·       A Bíblia, uma luz para o cristão

·       O sacramento da Santa Ceia

·       Procurando imitar a Igreja Primitiva

·       A necessidade da cura da alma

·       O Pentecostes

·       A necessidade da inteira santificação

·       O derramamento do amor

·       Contato íntimo com o Senhor

 

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Introdução

 

“Encontro com Deus na visão Wesleyana”  são 11 estudos baseados nos ensinamentos de Wesley para o chamado Encontro com Deus.[1]

O livro contém 79 páginas.

O metodismo é marcado em sua origem pelo encontro com Deus de Wesley. Em 24 de maio de 1738, Wesley teve a experiência do coração aquecido que transformou sua vida.

Depois de uma missão frustrada na América, “foi justamente essa experiência que o levou a um encontro verdadeiro com Deus”.[2]

Wesley decidiu aceitar um convite para “o que foi chamado de ‘reunião religiosa’ na Aldersgate Street, em Londres. No entanto, ele não estava exatamente animado para ir”.[3]

Em 24 de maio de 1738,  Wesley “teve um encontro transformador com Deus em uma reunião na Rua Aldersgate, em Londres. A experiência, descrita por ele como seu "coração estranhamente aquecido", marcou sua conversão e deu início ao movimento metodista. Ele sentiu a certeza de que Deus havia tirado seus pecados e o salvado pela fé em Cristo, o que mudou completamente seu ministério”. [4]

O encontro, a experiência com Deus sempre foi incentivada por Wesley. É preciso ter um testemunho pessoal.

Alguns estudos são mais longos. O ministrante poderá resumir, segundo a necessidade local.

“Na visão wesleyana, o "encontro com Deus" é uma experiência transformadora e pessoal da graça salvadora de Deus, que não se limita a um único momento, mas sim a um processo contínuo de crescimento na santidade e no amor a Deus e ao próximo”. [5]

Deus abençoe grandemente na realização do Encontro com Deus e na utilização dos estudos.

 

O Autor

 

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Destaques dos capítulos do livro

 

Peniel: um lugar de encontro com Deus

Moises teve seu encontro com Deus no monte Sinai. Jacó teve um encontro perto de um ribeiro. Elias, no Monte Horebe. Gideão, num arraial. Paulo, na estrada de Damasco.

Marcas bíblicas daquele que nasceu de Deus

O verdadeiro cristão, a fé viva, que àquele que tem, é nascido de Deus não é apenas um parecer favorável, um ato de compreensão, mas uma disposição, que Deus operou em seu coração, “a confiança e a confiança em Deus, que, através dos méritos de Cristo, seus pecados estão perdoados, e nEle reconciliados com a graça de Deus 

A batalha espiritual do cristão

Wesley comenta e fala que a guerra é perpétua. Orienta a “manter em sua armadura, ainda ficar em sua guarda, ainda observar e orar; e assim você será habilitado a suportar até o fim”.

Oração como fôlego de vida

"Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar e orar, buscar a minha face e se afastar dos seus maus caminhos, dos céus o ouvirei, perdoarei o seu pecado e curarei a sua terra"

A Bíblia, uma luz para o cristão 

Wesley disse: "Esta é uma lanterna aos pés de um cristão, e uma luz em todos os seus caminhos”.[6] 

O sacramento da Santa Ceia

Wesley acreditava que o Senhor escolhe estar presente de maneira real sempre que recebemos a Sagrada Comunhão

Procurando imitar a Igreja Primitiva

Wesley foi convencido a“buscar renovação, e ‘admirar e imitar’ a igreja primitiva "sua piedade e integridade”

A necessidade da cura da alma

“Quanto mais crescemos na graça, mais sentimos o estado desesperadamente iníquo do nosso coração. Quanto mais avançamos no conhecimento e no amor de Deus através de nosso Senhor Jesus Cristo (...) mais conhecemos o nosso afastamento de Deus, a inimizade que existe em nossa mente carnal e a necessidade de sermos inteiramente renovados em justiça e em verdadeira santidade”

O Pentecostes

“Na passagem do novo ano, durante uma noite de vigília na celebração da festa do amor, o poder de Deus veio  poderosamente sobre o grupo Fetter Lane, de tal maneira que muitos gritavam com extraordinária alegria e muitos caíram no solo.”

A necessidade da inteira santificação

“... aquele em quem existe a mente que houve em Cristo e que anda como Cristo andou; que foi lavado de todas as impurezas da carne e do espírito; aquele que não é motivo de tropeço para os outros, e aquele que não comete pecado, (...) aquele a quem Deus santificou totalmente o corpo, a alma e o espírito, aquele que anda na luz como Ele está na luz,   não há nenhuma treva, tendo sido lavado de todo pecado pelo sangue de Jesus Cristo, Seu Filho”.

O derramamento do amor

Wesley orienta que é necessário Cristo reinar em nosso coração para o céu ser aberto na alma enquanto o amor de Deus é derramado no coração

Contato íntimo com o Senhor

“Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo” (Ap 3.20).

 

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Peniel:

um lugar de encontro com Deus

Moises teve seu encontro com Deus no monte Sinai. Jacó teve um encontro perto de um ribeiro. Elias, no Monte Horebe. Gideão, num arraial. Paulo, na estrada de Damasco

 

Texto base: Êxodo 3.4-6

Todos precisam ter um encontro com Deus, pois todos estão separados por causa do pecado de Adão e Eva no Jardim do Éden. Jesus veio nos reconciliar com o Pai. Ele é o caminho para chegarmos a Deus.

Moises teve seu encontro com Deus no monte Sinai. Jacó teve um encontro perto de um ribeiro. Elias, no Monte Horebe. Gideão, num arraial. Paulo, na estrada de Damasco.

O que aprendemos com essas experiências com Deus? Vamos ver a experiência de Jacó e de Moises:

1.  Jacó teve várias experiências espirituais:

Primeira Experiência sonhando com uma escada que atingia o céu com os anjos subindo e descendo e Deus lhe falando:

“E sonhou: e eis uma escada posta na terra, cujo topo tocava nos céus; e eis que os anjos de Deus subiam e desciam por ela; E eis que o Senhor estava em cima dela, e disse: Eu sou o Senhor Deus de Abraão teu pai, e o Deus de Isaque; esta terra, em que estás deitado, darei a ti e à tua descendência (...) E eis que estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei tornar a esta terra; porque não te deixarei, até que haja cumprido o que te tenho falado. Acordando, pois, Jacó do seu sono, disse: Na verdade o Senhor está neste lugar; e eu não o sabia (Gênesis 28.1-16).

Jacó fez um voto ao Senhor: Se Deus o guardar; se Deus lhe der alimento, roupa e ele  voltar em paz, então o “Senhor será o meu Deus” e de tudo lhe dará o dizimo (Gn 28.12-16).

- Segunda Experiência com os anjos em Mannaim:

Jacó era um fugitivo. Roubou o direito de primogenitura de seu irmão Esaú e para salvar sua vida fugiu. Depois procurou fugir de seu sogro Labão que sempre o enrolava.

A resolução de seus conflitos com seu sogro abriu as portas para ser abençoado.

Após resolver seus conflitos com seu sogro Labão, ter oferecido um sacrifício ao Senhor e Labão os ter abençoado, Jacó seguiu seu caminho.

Seu coração estava em paz e as suas atitudes foram tão belas que anjos saíram ao seu encontro no caminho.

Ao lugar dessa experiência ele chamou de Mannaim: o “Acampamento de Deus” (Gn 32.1-2).

Terceira Experiência no Peniel: Viu Deus face a face

Jacó estava com problemas com seu irmão Esaú, do qual ele roubou o direito de primogenitura.

Atitudes que permitiram a Jacó ter o seu Peniel:

Jacó precisou deixar seu coração preparado. Ele estava com medo de seu irmão Esaú e se perturbou (Gn 32.7). Não dava mais para fugir. Era preciso enfrentar seu irmão.

Jacó orou ao Senhor e lhe lembrou de Sua promessa: “Tu me mandaste voltar para a minha terra e para os meus parentes, prometendo que tudo correria bem para mim (Gn 32.9);

Jacó se humilhou: “Sou indigno de todas as misericórdias e toda a fidelidade que tens usado para com teu servo” (Gn 32.10);

Pediu livramento ao Senhor das mãos de Esaú (Gn 32.11);

E lembrou da promessa de Deus: “que tudo me correria bem e que os meus descendentes seriam como a areia da praia, tantos que ninguém poderia contar (Gn 32.12).

Jacó ficou só com Deus: Jacó passou seus familiares para o outro lado do ribeiro e ficou só com o anjo do Senhor (Gn 32.24);

Jacó segurou o anjo e não o deixou ir até ser abençoado: “Não te deixarei ir se não me abençoares” (Gn 32.26);

Ele agiu como um príncipe lutando com Deus (Gn 32.28) e teve seu nome mudado para Israel. “E chamou Jacó o nome daquele lugar Peniel, porque dizia: Tenho visto a Deus face a face, e a minha alma foi salva” (Gn 32.30).

 Mais tarde, o Senhor lhe lembrou desse momento: “Depois disse Deus a Jacó: Levanta-te, sobe a Betel, e habita ali; e faze ali um altar ao Deus que te apareceu, quando fugiste da face de Esaú teu irmão” (Gn 35.1).

Quarta Experiência com Deus, que lhe apareceu

Deus lhe falou face a face:

“E apareceu Deus outra vez a Jacó, vindo de Padã-Arã, e abençoou-o.
E disse-lhe Deus: O teu nome é Jacó; não te chamarás mais Jacó, mas Israel será o teu nome. E chamou-lhe Israel. Disse-lhe mais Deus: Eu sou o Deus Todo-Poderoso; frutifica e multiplica-te; uma nação, sim, uma multidão de nações sairá de ti, e reis procederão dos teus lombos; E te darei a ti a terra que tenho dado a Abraão e a Isaque, e à tua descendência depois de ti darei a terra.E Deus subiu dele, do lugar onde falara com ele” (Gênesis 35.9-13).

Foram experiências progressivas, do sonho à presença de anjos; da luta com o anjo em Peniel até a aparição de Deus que lhe falou face a  face.

2.  Moisés teve alguns encontros com Deus e foi preparado para ser instrumento de libertação

Cada encontro com Deus é diferente e será um passo que daremos. Cada encontro com Deus que tivermos será um degrau espiritual que vamos alcançar na vida.

1.  Esteja atento. Deus irá se revelar de maneiras diferentes

 

Ex 3.2: “E apareceu-lhe o anjo do Senhor em uma chama de fogo do meio duma sarça. Moisés olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia”. 

3. Vá até Deus com expectativa positiva

Ex 3.3: “pelo que disse: Agora me virarei para lá e verei esta maravilha, e por que a sarça não se queima”. 

Essa expectativa positiva de Moisés significava também fé, confiança. Ele falou em ver “esta maravilha”

4. Chegue pronto para ouvir Deus. Ele te conhece pelo nome

Ex 3.4: “E vendo o Senhor que ele se virara para ver, chamou-o do meio da sarça, e disse: Moisés, Moisés! Respondeu ele: Eis-me aqui”. 

Ele chamou Abraão, Moisés, Samuel e outros pelo nome.

5. Lembre-se de que Deus é santo. Chegue com humildade e coração limpo

Ex 3.5: “Prosseguiu Deus: Não te chegues para cá; tira os sapatos dos pés; porque o lugar em que tu estás é terra santa”. 

É necessário o despojamento de toda carne. É necessário a humildade.

O contato com Deus se faz a nível de espírito. Por isso, Deus procura adoradores que o adorem em espírito e em verdade:

“Deus é Espírito, e importa que os que O adoram, O adorem em espírito e verdade” (Jo 4.23-24).

6. Vá até Deus com temor e reverência

Ex 3.6: “Disse mais: Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó. E Moisés escondeu o rosto, porque temeu olhar para Deus”.

A glória do Senhor é tão grande que ninguém suporta...

7. Vá até Deus porque Ele ouve o nosso clamor

Ex 3.7: “Então disse o Senhor: Com efeito tenho visto a aflição do meu povo, que está no Egito, e tenho ouvido o seu clamor por causa dos seus exatores, porque conheço os seus sofrimentos”. 

Deus sabe de tudo e quer nos ajudar.

8. Vá até Deus crendo que Ele quer nos abençoar

Ex 3.8: “e desci para o livrar da mão dos egípcios, e para o fazer subir daquela terra para uma terra boa e espaçosa, para uma terra que mana leite e mel; para o lugar do cananeu, do heteu, do amorreu, do perizeu, do heveu e do jebuseu”. 

Deus sempre toma a iniciativa...Ele desceu para livrar seu Povo.

9. Vá até Deus disposto a servi-lo como servo e instrumento de libertação

Ex 3.10: “Agora, pois, vem e eu te enviarei a Faraó, para que tireis do Egito o meu povo, os filhos de Israel”. 

Passamos a ser parceiros de Deus, instrumentos dele. A Missão é dele, nós somos cooperadores de Deus. 

  10. Vá até Deus crendo que Ele será contigo 

Ex 3.11-12: “Então Moisés disse a Deus: Quem sou eu, para que vá a Faraó e tire do Egito os filhos de Israel? Respondeu-lhe Deus: Certamente eu serei contigo; e isto te será por sinal de que eu te enviei: Quando houveres tirado do Egito o meu povo, servireis a Deus neste monte”. 

Depois de se encontrar com Deus, você irá querer andar com Deus. Ele quer andar com você.

Andar com Deus é permanecer com Deus...

Gênesis 5.24 diz que “Enoque andou com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus o tomou”.

Você quer conhecer a Deus mais de perto? Você quer ter um encontro com Deus?

Então, abra teu coração agora...

 

Marcas bíblicas daquele que nasceu de Deus

 

O verdadeiro cristão, a fé viva, que àquele que tem, é nascido de Deus não é apenas um parecer favorável, um ato de compreensão, mas uma disposição, que Deus operou em seu coração, “a confiança e a confiança em Deus, que, através dos méritos de Cristo, seus pecados estão perdoados, e nEle reconciliados com a graça de Deus

 

(Wesley)

 

Texto base: João 3.8

 

Wesley começa este texto sobre o novo nascimento citando: “Assim é todo aquele que é nascido do Espírito.” João 3:8

 

nascer da água e do Espírito

 

No item 1, ele pergunta: 1. Como é todo aquele que é “nascido do Espírito”, isto é, nascer de novo, nascido de Deus? O que significa ser nascido de novo, ser nascido de Deus, ou nascer do Espírito? O que está implícito no ser um filho ou um filho de Deus, ou com o Espírito de adoção? Que esses privilégios, pela livre misericórdia de Deus, normalmente são anexados ao batismo (que é daí, denominado por nosso Senhor em um verso anterior, “nascer da água e do Espírito”), nós sabemos, mas queremos saber o que estes privilégios são: Qual é o novo nascimento?

 

ele não pode ver o reino de Deus

 

E Wesley fala algo interessante no item: 2: Talvez não seja necessário dar uma definição do presente, vendo a Escritura não nos dá nenhum. Mas como a questão é de profunda preocupação para todos os filhos dos homens, uma vez que, “se alguém não nascer de novo”, nascido do Espírito, “ele não pode ver o reino de Deus”

 

As marcas

E Wesley propõe: proponho estabelecer as marcas da mesma de uma maneira mais clara, assim como eu as encontro nas Escrituras. 

I.

 

A primeira delas, e a fundação de todo o resto, é a fé

 

Wesley começa com a fé como uma marca: 1. A primeira delas, e a fundação de todo o resto, é a fé. Assim, São Paulo, “porque todos vós sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus.” (3:26. Gal.) Então, João, “deu-lhes o poder”,(direito ou privilégio, pode assim ser traduzido) “de se tornarem filhos de Deus, aos que creem no seu nome; que nasceram”, quando eles acreditavam, “não de sangue, nem da vontade da carne”, não por geração natural, “nem da vontade do homem “, como as crianças adotadas por homens, no qual nenhuma mudança interior é assim feita, “mas de Deus.” (Jo 1:12,13). E mais uma vez em sua epístola geral: “Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus”. (1 João 5:1).

 

Mas não é uma teoria ou especulação da fé que se fala aqui pelos Apóstolos

 

E Wesley diz no item 2Mas não é uma teoria ou especulação da fé que se fala aqui pelos Apóstolos. Não é um simples assentimento a esta proposição, Jesus é o Cristo, na verdade, nem todas as proposições contidas em nosso credo, no Antigo e Novo Testamento. Não é apenas um parecer favorável a qualquer uma ou todas essas coisas credíveis, como crível.

 

Não é apenas um assentimento à verdade divina

 

E Wesley levanta questões: Para dizer isso, estavam a dizer (o que se podia ouvir?) Que os demônios eram nascidos de Deus, pois eles têm essa fé. Eles, tremem, acreditam, tanto que Jesus é o Cristo, e que toda a Escritura, tendo sido dada por inspiração de Deus, é verdade que Deus é verdadeiro. Não é apenas um assentimento à verdade divina, mediante o testemunho de Deus, ou com base nas provas dos milagres, pois eles também ouviram as palavras da sua boca, e sabiam que ela era uma testemunha fiel e verdadeira. Eles não podiam deixar de receber o testemunho que ele deu, tanto de si mesmo e do Pai que o enviou. Eles viram igualmente as grandes obras que ele fez, e daí, acreditava que ele “veio de Deus.” No entanto, apesar desta fé, eles ainda estão “reservados em cadeias de escuridão para o juízo do grande dia.”

 

O verdadeiro cristão, a fé viva, que àquele que tem, é nascido de Deus não é apenas um parecer favorável, um ato de compreensão, mas uma disposição, que Deus operou em seu coração, “a confiança e a confiança em Deus, que, através dos méritos de Cristo, seus pecados estão perdoados, e nEle reconciliados com a graça de Deus

 

No item 3. Wesley fala da fé morta:  Por tudo isto não passa de uma fé morta. O verdadeiro cristão, a fé viva, que àquele que tem, é nascido de Deus não é apenas um parecer favorável, um ato de compreensão, mas uma disposição, que Deus operou em seu coração, “a confiança e a confiança em Deus, que, através dos méritos de Cristo, seus pecados estão perdoados, e nEle reconciliados com a graça de Deus.” Isto implica, que um se um homem primeiro renuncia a si mesmo, para que, a fim de ser “encontrado em Cristo”, para ser aceito por ele, ele rejeita totalmente toda a “confiança na carne” que, “não tendo nada a pagar”, não tendo confiança em suas próprias obras ou a justiça de qualquer tipo, ele se achega a Deus como um perdido, miserável, autodestruído, autocondenado, desfeito, pecador desamparado, como aquele cuja boca está totalmente parada, e que é totalmente culpado diante de Deus.

 

Essa fé, pela qual somos nascidos de Deus, “não é apenas uma crença de todos os artigos da nossa fé, mas também uma verdadeira confiança da misericórdia de Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo

 

Wesley comentou mais: Tal sentido do pecado, (comumente chamado de desespero, por aqueles que falam mal das coisas que eles não conhecem), juntamente com uma plena convicção, como não há palavras para expressar, de Cristo só vem a nossa salvação, e um sincero desejo de que a salvação, deve preceder uma fé viva, uma confiança nele, que “para nós pagou nosso resgate com a sua morte, e cumpriu a lei de sua vida.” Essa fé, pela qual somos nascidos de Deus, “não é apenas uma crença de todos os artigos da nossa fé, mas também uma verdadeira confiança da misericórdia de Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo.”

 

Um fruto imediato e constante dessa fé pela qual somos nascidos de Deus, um fruto que não pode de modo algum ser separado dela, não, por uma hora, é o poder sobre o pecado, o poder sobre o pecado exterior de qualquer tipo

 

Wesley fala de um fruto que não pode ser separado da fé: 4. Um fruto imediato e constante dessa fé pela qual somos nascidos de Deus, um fruto que não pode de modo algum ser separado dela, não, por uma hora, é o poder sobre o pecado, o poder sobre o pecado exterior de qualquer tipo; mais cada palavra e obra má; para onde quer que o sangue de Cristo é, portanto, aplicado, “impugnando a consciência de obras mortas”, e sobre o pecado interior, pois purifica o coração de todo desejo impuro e temperamento.

 

o significado é simples, graças a Deus que, apesar de vós, em tempos passados, fostes servos do pecado, ainda agora estando livres do pecado, fostes feitos servos da justiça. “

 

Wesley continua explicando: Este fruto da fé, São Paulo foi descreveu amplamente, no sexto capítulo da sua epístola aos Romanos. “Como nós”, diz ele, “que” pela fé “estão mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?” “O nosso homem velho foi crucificado com Cristo, que o corpo do pecado seja destruído, que doravante não devemos servir ao pecado.” “Do mesmo modo, considerai-vos haveis de ser mortos para o pecado, mas vivos para Deus, por Cristo Jesus nosso Senhor. Não deixe portanto, o pecado reinar” mesmo “em seu corpo mortal”, mas apresentai-vos a Deus, como aqueles que estão vivos entre os mortos.” “Porque o pecado não terá domínio sobre você. Graças a Deus, que éreis servos do pecado, mas agora foste feito livre”o significado é simples, graças a Deus que, apesar de vós, em tempos passados, fostes servos do pecado, ainda agora estando livres do pecado, fostes feitos servos da justiça. “

 

“É verdade: é nascido de Deus aquele que comete pecado habitualmente”

 

Sobre o poder sobre o pecado, Wesley comenta: 5. O inestimável e mesmo privilégio dos filhos de Deus é tão fortemente afirmado por São João, particularmente no que diz respeito ao ramo anterior do mesmo, ou seja, o poder sobre o pecado exterior. Depois que ele estava chorando fora, como se espantado com a profundidade das riquezas da bondade de Deus, “Vejam como é grande o amor que o Pai nos concedeu: que fôssemos chamados filhos de Deus, o que de fato somos! Por isso o mundo não nos conhece, porque não o conheceu (1Jo 3:1), ele logo acrescenta: “Todo aquele que é nascido de Deus não pratica o pecado, porque a semente de Deus permanece nele; ele não pode estar no pecado, porque é nascido de Deus”.(1Jo 3:9) Mas alguns homens irão dizer: “É verdade: é nascido de Deus aquele que comete pecado habitualmente.”

 

Não está escrito no livro. Deus diz claramente: “Ele não comete pecado”, e tu acrescentas, habitualmente!

 

Diante de questões levantadas, Wesley fala: Habitualmente! De onde vem isso? Eu li que não. Não está escrito no livro. Deus diz claramente: “Ele não comete pecado”, e tu acrescentas, habitualmente! Quem és tu que mudaste os oráculos de Deus? Que “acrescentastes às palavras deste livro?” Cuidado, peço-te, para que Deus não venha “acrescentar a ti todas as pragas que estão escritas nele!” 

 

para que Deus também não tire a tua parte do livro da vida!

 

Wesley comenta ainda: Especialmente quando tu acrescentas comentários é como bastante engole o texto: Então por que, desse método, método engenhoso de enganar, a preciosa promessa é totalmente perdida; por isto, enganar e embaralhar os homens, a palavra de Deus é feita de nenhum efeito. Ò cuidado, tú que tiras assim das palavras deste livro, que, tirando todo o sentido e espírito delas, deixas apenas o que pode realmente ser chamado de uma letra morta, para que Deus também não tire a tua parte do livro da vida!

 

“Vós sabeis que ele,“Cristo” se manifestou para tirar os nossos pecados, e nele não há pecado

 

Wesley reafirma que o que nasceu de novo não comete pecado: 6. Sofremos com o Apóstolo para interpretar suas próprias palavras, por todo o teor do seu discurso. No quinto versículo deste capítulo, ele disse: “Vós sabeis que ele,“Cristo” se manifestou para tirar os nossos pecados, e nele não há pecado. E qual é a referência que ele tira isso? “Todo aquele que permanece nele não vive pecando. Aquele que peca não o viu nem o conheceu.” (1Jo 3:6). Para sua aplicação dessa doutrina importante, é necessário muito cuidado: “Filhinhos, ninguém vos engane” (1 Jo 3:7) pois muitos procurarão assim fazer; para persuadi-ló para que você possa ser injusto, para que você possa comete pecado, e ainda assim sermos filhos de Deus! “Aquele que pratica a justiça é justo, assim como Ele é justo;. Ele comete o pecado é do diabo o diabo peca desde o princípio”.  

 

Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado, porque a sua semente permanece nele: ele não pode pecar, porque é nascido de Deus”

 

Comentário de Wesley: Depois segue-se, “Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado, porque a sua semente permanece nele: ele não pode pecar, porque é nascido de Deus”. E acrescenta o Apóstolo, “nisto são manifestos os filhos de Deus os filhos do diabo “. Por esta marca simples (a cometer ou não cometer o pecado) são distintos um do outro. No mesmo sentido são as palavras no seu quinto capítulo, “Sabemos que os filhos de Deus não continuam pecando, porque o Filho de Deus os guarda, e o Maligno não pode tocar neles”.(1Jo 5:18)

 

Outro fruto dessa fé viva é a paz. Pois, “sendo justificados pela fé”, tendo todos os nossos pecados cancelados, “temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo

 

Wesley fala de outro fruto da fé viva, a paz: 7. Outro fruto dessa fé viva é a paz. Pois, “sendo justificados pela fé”, tendo todos os nossos pecados cancelados, “temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo.” (5:1. Rom.) Este fato o próprio Senhor, a noite antes de sua morte, solenemente legou a todos os seus seguidores: “A paz”, diz ele, “eu deixo com você” (você que “acredita em Deus” e “crede também em mim”) “minha paz vos dou:” Não a dou como o mundo dá.. Não deixe seu coração ser incomodado, nem tenham medo” (João 14:27). E ainda: “Estas coisas vos tenho falado de você, para que em mim tenhais paz.” (João 16:33).

 

Isso é que “a paz de Deus, que excede todo o entendimento”, que é a serenidade da alma, ela não tem entrado no coração do homem natural, e que não é possível, mesmo para o homem espiritual proferir

 

Wesley explica sobre essa paz: Isso é que “a paz de Deus, que excede todo o entendimento”, que é a serenidade da alma, ela não tem entrado no coração do homem natural, e que não é possível, mesmo para o homem espiritual proferir. E é uma paz que todos os poderes da terra e do inferno são incapazes de tomar dele.

 

Ondas e tempestades batem sobre eles, mas eles não se abalam, porque é fundada sobre a rocha

 

O que nasceu de novo não se abala, diz Wesley: Ondas e tempestades batem sobre eles, mas eles não se abalam, porque é fundada sobre a rocha. Ela guarda os corações e mentes dos filhos de Deus, em todos os momentos e em todos os lugares. Se eles estão na facilidade ou na dor, na doença ou na saúde, na abundância ou escassez, eles estão felizes em Deus. Em todos os estados eles tem aprendido a estar contente, sim, a dar graças a Deus através de Jesus Cristo, sendo que Ele também assegurou que “tudo o que é, é melhor”, porque é a Sua vontade acerca deles: Então que, em todas as vicissitudes da sua vida “O coração permanece rápido, crendo no Senhor.”[7]

 

1.  Segundo as escrituras uma das marcas daqueles que são nascidos de Deus, é a esperança

 

Outra marca daquele que nasceu de novo, segundo Wesley, é a esperança: 1. Segundo as escrituras uma das marcas daqueles que são nascidos de Deus, é a esperança. Assim, São Pedro, falando a todos os filhos de Deus que estavam dispersos em seguida, disse: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança. “ (1 Pedro 1:3).

 

Viver uma viva esperança, diz o Apóstolo, porque há também uma esperança morta, assim como uma fé morta, uma esperança que não é de Deus, mas do inimigo de Deus e o homem, como parece evidente pelos seus frutos

 

Wesley comenta sobre a esperança morta: Viver uma viva esperança, diz o Apóstolo, porque há também uma esperança morta, assim como uma fé morta, uma esperança que não é de Deus, mas do inimigo de Deus e o homem, como parece evidente pelos seus frutos, pois, como é o filho do orgulho, por isso é o pai de toda palavra e obra má; “que todo aquele que nele tem esta esperança de vida,”purifica-se, assim como Ele é puro.” é “santo como Aquele que o chamou é santo.”Todo homem que pode verdadeiramente dizer aos seus irmãos em Cristo: ”Amados, agora somos filhos de Deus, e veremos como ele é”.

 

Essa esperança implica, primeiro, o testemunho de nosso próprio espírito ou consciência, de que caminhamos “na simplicidade e sinceridade de Deus”

 

Wesley explica o que implica ter essa esperança: 2. Essa esperança implica, primeiro, o testemunho de nosso próprio espírito ou consciência, de que caminhamos “na simplicidade e sinceridade de Deus”. Por outro lado, o testemunho do Espírito de Deus, “com testemunho”, ou “o Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus “,” e se filhos, também herdeiros, herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo “.

 

“o Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus “,” e se filhos, também herdeiros, herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo “.

 

Wesley comenta sobre o texto bíblico citado acima: 3. Vamos observar bem o que está aqui nos sendo ensinado pelo próprio Deus, tocando esse privilégio glorioso de seus filhos. Quem é que é dito aqui para testemunhar? Não é só o nosso espírito, mas um outro, o Espírito de Deus: é Ele que “testifica com o nosso espírito.” O que é isso de testificar? “Que somos filhos de Deus”, “e se filhos, também herdeiros, herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo” (Rm 8:16, 17;) “se é que sofremos com ele”. Se nós negarmos a nós mesmos, se levarmos a nossa cruz diariamente, se alegremente suportamos a perseguição ou censura por causa dele, “para que possamos também ser glorificados.” 

 

O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus”

 

Wesley comenta sobre um dos privilégios de ser filho de Deus:E em quem o Espírito de Deus dá o testemunho? Em todos os que são filhos de Deus. Por esse mesmo argumento que o Apóstolo prova nos versículos anteriores, que são assim: “Como muitos”, diz ele, “os que são guiados pelo Espírito de Deus, são filhos de Deus”“Porque não recebestes o espírito de escravidão novamente a temer, recebestes o Espírito de adoção, pelo qual clamamos: Aba, Pai! Mas” E prossegue: “O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus”. (8:14-16)

 

Vós, os que são filhos de Deus, têm, em virtude de sua filiação, que recebeu o mesmo espírito de adoção, pelo qual clamamos: Aba, Pai

 

E Wesley fala sobre quem tem o Espírito de adoção: 4. A variação da frase no versículo décimo quinto merece a nossa observação: “recebemos o Espírito de adoção, pelo qual clamamos: Aba, Pai! Sim” Vós, os que são filhos de Deus, têm, em virtude de sua filiação, que recebeu o mesmo espírito de adoção, pelo qual clamamos: Aba, Pai: Nós, os apóstolos, profetas, mestres, (por isso a palavra não pode impropriamente ser entendida), nós através de quem você acredita, os “ministros de Cristo e administradores dos mistérios de Deus”. Como nós, você tem um só Senhor, então nós temos um Espírito: Como nós temos uma fé, então nós temos uma esperança também. Nós e você somos selados com o “Espírito da promessa”, o penhor da sua e da nossa herança: o Espírito é o mesmo testemunho com o seu e com o nosso espírito, “que somos filhos de Deus”. (Rm 8:14-16).

 

E assim cumpriu-se a Escritura: “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados

 

Comentário de Wesley: 5. E assim cumpriu-se a Escritura: “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.” Porque é fácil acreditar que, embora a tristeza possa preceder este testemunho do Espírito de Deus com o nosso espírito; (na verdade deve, em algum grau, enquanto que gemem sob o medo, e um sentimento de ira de Deus habitando em nós) no entanto, assim como qualquer homem em si mesmo, sua “tristeza se converterá em alegria.” 

 

Mas, quando vier o Consolador, “então o seu coração se alegrará”; sim, ” sua alegria será completa”, e “essa alegria ninguém poderá tirar.”

 

“Tudo o que a dor pode ter sido antes, mas, logo que “é chegada a hora, ele não lembra mais da angústia, mas sim da alegria” que ele é nascido de Deus”, diz Wesley. “Pode ser que muitos de vocês têm agora a tristeza, porque são “alienados da comunidade de Israel”, porque você está consciente de que você não tem esse espírito, que você é “sem esperança e sem Deus no mundo”.

 

Mas, quando vier o Consolador

 

Mas, quando vier o Consolador, lembra Wesley, “então o seu coração se alegrará”; sim, ” sua alegria será completa”, e “essa alegria ninguém poderá tirar.” (João 16:22). “Temos alegria em Deus”, que haveis de dizer, “por meio de nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual agora temos recebido a reconciliação”, “por quem temos acesso a esta graça”, este estado de graça , de favor, ou a reconciliação com Deus, “na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus”. (Rm 5:02). 

 

Assim acontece para que fique comprovado que a fé que vocês têm, muito mais valiosa do que o ouro que perece, mesmo que refinado pelo fogo, é genuína e resultará em louvor, glória e honra, quando Jesus Cristo for revelado

 

Wesley cita Pedro: “Vós”, diz São Pedro, “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo! Conforme a sua grande misericórdia, ele nos regenerou para uma esperança viva, por meio da ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança que jamais poderá perecer, macular-se ou perder o seu valor. Herança guardada nos céus para vocês que, mediante a fé, são protegidos pelo poder de Deus até chegar a salvação prestes a ser revelada no último tempo.

 

Nisso vocês exultam

 

Diz mais: Nisso vocês exultam, ainda que agora, por um pouco de tempo, devam ser entristecidos por todo tipo de provação. Assim acontece para que fique comprovado que a fé que vocês têm, muito mais valiosa do que o ouro que perece, mesmo que refinado pelo fogo, é genuína e resultará em louvor, glória e honra, quando Jesus Cristo for revelado. Mesmo não o tendo visto, vocês o amam; e apesar de não o verem agora, creem nele e exultam com alegria indizível e gloriosa, (1Pe 1:3-8) realmente indescritível!

 

Não há palavras na linguagem humana que possam descrever essa alegria no Espírito Santo. É o “maná escondido, que ninguém conhece, senão aquele que o recebe”

 

E Wesley faz essa grande afirmação: Não há palavras na linguagem humana que possam descrever essa alegria no Espírito Santo. É o “maná escondido, que ninguém conhece, senão aquele que o recebe”. Mas isso nós sabemos, ele não só continua, mas transborda, na profundidade da aflição. “São as consolações de Deus” com seus filhos, quando todos os confortos terrenos falham?

 

Não é assim

 

“Não é assim”, diz Wesley. “Mas quando a maioria dos sofrimentos abundam, o consolo do seu Espírito, faz-se muito mais abundante, tanto que os filhos de Deus “riem da assolação quando ela chega”, em querer, em dor, do inferno e da sepultura, como reconhece-lo, que “tem as chaves da morte e do inferno “, e em breve “lançara no abismo”, como ouvi ainda hoje a grande voz do céu, dizendo: “Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, e Ele habitará com eles, e eles serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles e será o seu Deus. E Deus enxugará toda lágrima de seus olhos, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem haverá mais dor, porque as primeiras coisas são passadas”. (Apocalipse 21:3-4)[8]




Terceira marca bíblica daqueles que são nascidos de Deus, e a maior de todas é o amor

 

No item 1, Wesley fala da Terceira e maior marca bíblica daqueles que são nascidos de Deus, e a maior de todas é o amor; como em (Romanos 5:5) “E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado no coração deles, pelo Espírito Santo que lhes foi dado”. E, em (Gal. 4:6) “Porque eles são filhos, Deus enviou o Espírito de seu Filho, em seus corações, clamando, Aba, Pai”. Por esse Espírito, olhando, continuamente, para Deus, como o Pai reconciliador e amável, eles clamam a ele pelo seu pão diário, e todas as coisas necessárias; seja para suas almas ou corpos.

 

“que ele os ouve em tudo o que pedem; sabendo que alcançam as petições que lhe fazem”

 

Wesley afirma: Eles, continuamente, despejam o coração deles, diante de Deus, sabendo (I João 5:15) “que ele os ouve em tudo o que pedem; sabendo que alcançam as petições que lhe fazem”. O prazer deles está em Deus. Ele é a alegria em seus corações; “escudo” e “grande galardão” deles. O desejo de suas almas é em direção a ele; “carne e bebida para fazer sua vontade”; e (Salmos 63:5) eles estão “satisfeitos como com tutano e gordura, enquanto as suas bocas louvam com alegres lábios”.

todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus; e todo aquele que ama ao que o gerou também ama ao que dele é nascido”.

 

2. E, nesse sentido, também, (I João 5:1), diz Wesley, todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus; e todo aquele que ama ao que o gerou também ama ao que dele é nascido”. Seu espírito regozija-se em Deus, seu Salvador. Ele “ama o Senhor Jesus Cristo com sinceridade”. Ele está, então, “junto com o Senhor”, como sendo um só espírito. Sua alma prende-se à dEle, e o escolhe, como, completamente, adorável, o principal entre dez mil. Ele sabe e sente o que isso significa: (Cantares 2:16) “O meu amado é meu, e eu sou dele; ele apascenta o seu rebanho entre os lírios”. E (Salmos 45:2) “Tu és mais formoso do que os filho dos homens; a graça se derramou em teus lábios; por isso, Deus te abençoou para sempre”.

 

O fruto necessário desse amor de Deus é o amor ao próximo; de todas as almas que Deus tenha feito

 

Mas um fruto necessário desse amor de Deus, diz Wesley: 3. O fruto necessário desse amor de Deus é o amor ao próximo; de todas as almas que Deus tenha feito; sem excluir nossos inimigos; sem excluir aqueles que estão, agora, “despeitosamente nos usando e nos perseguindo”; um amor, por meio do qual, nós amamos todos os homens, como a nós mesmos; como amamos nossas próprias almas.

 

“amar o outro, como Ele nos amou”

 

Wesley diz mais: Não somente isto, mas também, nosso Senhor expressou isso, ainda mais fortemente, nos ensinando a “amar o outro, como Ele nos amou”. Assim sendo, o mandamento escrito nos corações de todos aqueles que amam a Deus, é nenhum outro do que esse: 

 

“Como eu tenho amado você, então, ame a seu próximo”

 

Wesley amplia esse ensinamento: “Como eu tenho amado você, então, ame a seu próximo”. Agora em (I João 3:16) “observamos o amor de Deus, em qual ele deu a sua vida por nós, e que nós devemos”, então, como o Apóstolo, justamente, infere “dar a nossa vida pelos irmãos”. Se nós nos sentimos prontos para fazer isso, então, nós, verdadeiramente, amamos o próximo. Então, (I João 3:14) “nós sabemos o que passamos da morte para a vida, porque amamos”assim“os irmãos”. E, (I João 4:13) “Nisso, conhecemos” que nós somos nascidos de Deus, que “habitamos nele, e ele em nós, porque ele nos deu de seu” amável “Espírito”.

 

“ama, é nascido de Deus, e conhece a Deus”

 

E Wesley cita um texto bíblico: Porque (I João 4:7) “o amor é de Deus; e todo aquele que”, assim, “ama, é nascido de Deus, e conhece a Deus”. 

 

“Esse é o amor de Deus, que guardemos os seus mandamentos?”

 

E Wesley levanta uma questão: 4. Mas alguns podem possivelmente perguntar: Mas o Apóstolo não diz que “Esse é o amor de Deus, que guardemos os seus mandamentos?” (I João 5:3). Sim. E, esse é o amor ao nosso próximo também, no mesmo sentido como é o amor de Deus. Mas o que você pode deduzir disso? Que manter os mandamentos externos é tudo o que está implícito, em amar a Deus, com todo seu coração, com toda sua mente, e alma, e forças, e em amar seu próximo como a si mesmo?

 

Que o amor de Deus não é uma afeição da alma, mas, meramente uma tarefa exterior?

 

Wesley fala do verdadeiro amor de Deus: Que o amor de Deus não é uma afeição da alma, mas, meramente uma tarefa exterior? E que o amor ao nosso próximo não é uma disposição do coração, mas, meramente, o curso das obras exteriores? Para mencionar uma interpretação, tão grosseira, das palavras do Apóstolo, é confuta-lo suficientemente.

 

sinal ou a prova do amor de Deus

 

Wesley fala do sinal ou prova do amor de Deus: O significado claro e incontestável do texto é que esse é o sinal ou a prova do amor de Deus, de que devemos manter o primeiro e grande mandamento, para podermos manter todo o restante deles. Porque o amor verdadeiro, uma vez, esparramado, em nossos corações, irá nos constranger a procedermos dessa forma; já que, quem quer que ame a Deus, com todo seu coração, não pode deixar de servi-lo com todas as suas forças.

 

Segundo fruto, então, do amor de Deus (tanto quanto ele pode ser distinguido disso), é a obediência universal a Ele que amamos, e em conformidade com Sua vontade; obediência a todos os mandos de Deus, interno e externo

 

Segundo Wesley, obediência, é um segundo fruto do amor de Deus: 5. Segundo fruto, então, do amor de Deus (tanto quanto ele pode ser distinguido disso), é a obediência universal a Ele que amamos, e em conformidade com Sua vontade; obediência a todos os mandos de Deus, interno e externo; obediência do coração e da vida; em todo temperamento, e em toda forma de conversação.

 

zeloso das boas obras

 

Por fim, Wesley diz: E um dos temperamentos, que mais, obviamente, implica nisso é ser “zeloso das boas obras”; fazer o bem ao faminto e sedento de todas as maneira possíveis, a todos os homens; o regozijar-se em “dar e se dar a eles”, por todo filho do homem; não buscando recompensa no mundo, mas apenas na ressurreição do justo.[9]

 

 

A batalha espiritual do cristão

 

Wesley comenta e fala que a guerra é perpétua. Orienta a “manter em sua armadura, ainda ficar em sua guarda, ainda observar e orar; e assim você será habilitado a suportar até o fim”:

 

Texto base: Efésios 6.10-18

 

Há uma guerra espiritual ocorrendo diariamente.

Hoje ocorrem lutas e, às vezes, derrotas, com muitos por falta de discernimento e de autoridade espiritual.

Nas suas “Notas sobre o Novo Testamento”, Wesley comenta sobre a armadura de Deus que Paulo escreveu em Efésios 6.10-18.

João Wesley acreditava em todos os dons do Espírito. Ele mesmo foi usado para curar e expulsar demônios. Um dos seus sermões aborda sobre os artifícios de Satanás:

- O poder

Efésios 6.10 – Os destaques nesse versículo de Wesley são sobre a figura do soldado e sobre o poder do qual necessitamos para vencer a batalha:

“Irmãos - Este é o único lugar nesta epístola onde ele usa esta composição. Soldados frequentemente usam um para o outro no campo. Seja forte - Nada menos será suficiente para tal luta: ser fraco, e permanecer assim, é o caminho para perecer. No poder de seu poder - Uma expressão muito incomum, claramente denotando que grande assistência precisamos como se seu poder não faria, deve ser o poderoso esforço de seu poder”.

- Armadura completa

Efésios 6.11 – O destaque de Wesley nesse versículo é vestir toda a armadura, “um terno completo”:

“Coloque toda a armadura de Deus - A palavra grega significa um terno completo de armadura. Dizem que os crentes colocam a cinta, peitoral, sapatos; para tomar o escudo da fé, e espada do Espírito. Toda a armadura - Como se a armadura fosse escassa, deve ser toda a armadura. Isso se repete, ver.13, por causa da força e subtilidade de nossos adversários, e por causa de um "dia do mal" de julgamento dolorido estar à mão”.

- A oposição maligna

Efésios 6.12 – Uma análise profunda de Wesley sobre os espíritos malignos, que estão no reino das trevas, mas também atuando em todo lugar em “que se opõem continuamente à fé, amor, santidade, seja pela força ou fraude; e trabalho para infundir incredulidade, orgulho, malícia de idolatria, inveja, raiva, ódio”:

“Pois nossa luta não é apenas, não principalmente, contra carne e osso - homens fracos, ou apetites carnudo. Mas contra principados, contra poderes, os poderosos príncipes de todas as legiões infernais. E grande é o seu poder, e que também das legiões que eles comandam. Contra os governantes do mundo - Talvez esses principados e poderes permaneçam principalmente na cidadela de seu reino das trevas. Mas há outros espíritos malignos que vão para o exterior, a quem as províncias do mundo estão comprometidas. Da escuridão - Esta é principalmente escuridão espiritual. Desta idade - Que prevalece durante o estado atual das coisas. Contra espíritos perversos - Que se opõem continuamente à fé, amor, santidade, seja pela força ou fraude; e trabalho para infundir incredulidade, orgulho, malícia de idolatria, inveja, raiva, ódio. Em lugares celestiais - Que já foram sua morada, e que eles ainda aspiram, tanto quanto eles são permitidos”.

- Uma guerra perpétua

Efésios 6.13 – Wesley comenta e fala que a guerra é perpétua. Orienta a “manter em sua armadura, ainda ficar em sua guarda, ainda observar e orar; e assim você será habilitado a suportar até o fim”:

“No dia do mal - A guerra é perpétua; mas a luta é um dia a menos, outro mais, violento. O dia do mal está na aproximação da morte, ou na vida; pode ser mais longo ou mais curto e admite de variedades sem número. E tendo feito tudo, para ficar de pé - Que vós ainda podem manter em sua armadura, ainda ficar em sua guarda, ainda observar e orar; e assim você será habilitado a suportar até o fim, e ficar com alegria diante da face do Filho do Homem”.

- A justiça

Efésios 6.14 – Wesley aborda sobre a justiça. “No peito está a sede da consciência, que é guardada pela justiça”. Ele fala da justiça de uma pureza impecável:

“Tendo seu lombo cingido sobre - Que vós pode estar pronto para cada movimento. Com a verdade - Não só com as verdades do evangelho, mas com "verdade nas partes interiores"," pois sem isso todo o nosso conhecimento da verdade divina provará, mas uma pobre cinta "no dia do mal". Então nosso Senhor é descrito, Isa 11:5. E como um homem cintado está sempre pronto para continuar, então isso parece intimar um coração obediente, uma vontade pronta. Nosso Senhor adiciona aos lombos cintados, as luzes acesas, Lu 12:35; mostrando que assistir e obediência pronta são os companheiros inseparáveis de fé e amor. E tendo sobre a placa de justiça - A justiça de uma pureza impecável, na qual Cristo nos apresentará impecável diante de Deus, através do mérito de seu próprio sangue. Com este peitoral nosso Senhor é descrito, Isa 59:17. No peito está a sede da consciência, que é guardada pela justiça. Nenhuma armadura para trás é mencionada. Estamos sempre enfrentando nossos inimigos”.

- Os passos

Efésios 6.15 – Nesse versículo Wesley comenta sobre os passos:

“E seus pés enfiados com a preparação do evangelho - Que isso esteja sempre pronto para dirigir e confirmar em cada passo. Esta parte da armadura, para os pés, é necessário, considerando que jornada temos que ir; que corrida para correr. Nossos pés devem ser tão encharcados, que nossos passos não escorregam. Para ordenar nossa vida e conversa, estamos preparados pela bênção do evangelho, pela paz e amor de Deus que governa no coração, Colossenses 3:14,15. Com isso só podemos trilhar as maneiras ásperas, superar nossas dificuldades, e resistir até o fim”.

- A cobertura

Efésios 6.16 – Wesley afirma que a fé é uma “cobertura universal para todas as outras partes da armadura”:

“Acima ou acima de tudo - Como uma espécie de cobertura universal para todas as outras partes da armadura em si, exercite continuamente uma fé forte e animada. Isso você pode usar como escudo, que vai saciar todos os dardos ardentes, as tentações furiosas, injeções violentas e repentinas do diabo”.

- Armadura e espada

Efésios 6.17 – Wesley aqui comenta sobre a importância de ter a armadura e a espada: “Quem lutar com os poderes do inferno precisará dos dois:”

“E tomar para um capacete a esperança de salvação - 1Thes 5:8. A cabeça é aquela parte que é mais cuidadosamente defendida. Um derrame aqui pode ser fatal. A armadura para isso é a esperança da salvação. O menor grau dessa esperança é a confiança de que Deus trabalhará toda a obra de fé em nós; o mais alto é uma garantia completa da glória futura, adicionado ao conhecimento experimental de perdoar o amor. Armado com este capacete, a esperança da alegria diante dele, Cristo "suportou a cruz, e desprezou a vergonha", Heb 12:2. E a espada do Espírito, a palavra de Deus - Este Satanás não pode suportar, quando é aguçado e empunhado pela fé. Até agora nossa armadura só tem sido defensiva. Mas devemos atacar Satanás, bem como nos proteger; o escudo em uma mão, e a espada na outra. Quem lutar com os poderes do inferno precisará dos dois. Aquele que está coberto de armadura da cabeça aos pés, e negligencia isso, será frustrado, afinal. Toda essa descrição nos mostra como é uma coisa grande ser cristão. A falta de qualquer coisa o deixa incompleto. Embora ele tenha seu lombo com a verdade, a justiça para um peitoral, seus pés enfiados com a preparação do evangelho, o escudo da fé, o capacete da salvação, e a espada do Espírito; ainda uma coisa que ele quer depois de tudo”.

- Orar sempre

Efésios 6.18 – Wesley nesse versículo fala da importância de orar sempre e “com todo tipo de oração, pública, privada, mental, vocal”:

“Orando sempre - Em todos os momentos, e em todas as ocasiões, em meio a todos os empregos, orando internamente sem cessar. Pelo Espírito - Através da influência do Espírito Santo. Com toda a oração - Com todo tipo de oração, pública, privada, mental, vocal. Alguns são cuidadosos em relação a um tipo de oração, e negligentes em outros. Se tivermos as petições que pedimos, vamos usar tudo. Alguns lá são que usam apenas orações mentais ou ejaculações, e pensam que estão em estado de graça, e usam uma maneira de adoração, muito superior a qualquer outra: mas tais apenas fantasiam-se para estar acima do que realmente está acima deles; que exige muito mais graça para ser habilitado a derramar uma oração fervorosa e contínua, do que oferecer aspirações mentais. E súplica - Repetindo e incitando nossa oração, como Cristo fez no jardim. E assistindo - Participando interiormente de Deus, para saber sua vontade, para ganhar poder para fazê-lo, e para alcançar as bênçãos que desejamos. Com toda perseverança - Continuando até o fim neste exercício sagrado. E súplica para todos os santos - Lutando em fervorosa, intercessão contínua para os outros, especialmente para os fiéis, que eles podem fazer toda a vontade de Deus, e ser firme até o fim. Talvez recebamos poucas respostas à oração, porque não intercedemos o suficiente para os outros”.[10]

Grande profundidade espiritual de Wesley. Se seguirmos suas orientações, seremos mais do que vencedores.

 

 

Oração como fôlego de vida

"Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar e orar, buscar a minha face e se afastar dos seus maus caminhos, dos céus o ouvirei, perdoarei o seu pecado e curarei a sua terra"


Texto base: Mt 6.9-15; Lc 11.1-4; 2Cr 7.14

A oração é o “Fôlego da vida espiritual”. Sem oração, morremos espiritualmente. Quando oramos estamos falando com o Senhor e estamos adquirindo fôlego.

Observe alguns princípios na oração:

1.  Princípios para a oração

 

1.1.  Deus nada faz senão em resposta à nossa oração (John Wesley).

 

  Jesus ensinou: "Peçam e vocês receberão; busquem e vocês encontrarão" (Mt 7.7).

   1.2. Devemos saber orar para que Deus nos ouça. Devemos nos humilhar: "Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar e orar, buscar a minha face e se afastar dos seus maus caminhos, dos céus o ouvirei, perdoarei o seu pecado e curarei a sua terra" (2 Crônicas 7.14)

1.3. A oração pode ser em particular ou em público

Em particular: Jesus disse: “Quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está em secreto” (Mateus 6.6).

Público: “Paulo pegou o pão e deu graças diante de todos” (Atos 27.35)

1.4. Precisamos ser sinceros diante do Senhor. Não podemos ser superficiais e nem interesseiros:

"Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres" (Tiago 4.3).

1.5. A oração deve ser acompanhada com fé. Sem a fé não há resposta (Hb 11.6).

Sem fé é impossível agradar a Deus, pois quem dele se aproxima precisa crer que ele existe e que recompensa àqueles que o buscam" (Hb 11.6).

Quem crê pode ver: Jesus a Natanael: “Tu crês porque te disse: Eu te vi debaixo da figueira? Coisas maiores que esta verás (...). Vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem” (Jo 1.50-51).

  1. 6. Se cremos devemos orar e esperar a resposta de Deus, como fez Habacuque: “Vou subir a minha torre de vigia e vou esperar com atenção o que Deus vai dizer e como vai responder à minha queixa” (Hc 2. 1).

   Deus respondeu: “E o Senhor Deus disse” (Hc 2.2)

Wesley ensinou que temos que crer que:

- Deus quer fazer;

- Deus pode fazer;

- Deus vai fazer.

“Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera” (Efésios 3.10).

2.  Orar em todo tempo e local 

2.1 Quanto ao local

No monte: Jesus subiu ao monte  para orar (Mt 14.23), mas não vemos Paulo e nem a Igreja Primitiva indo ao monte para orar.

Lugares solitários: Jesus (Lc 5.16).

No cemitério: Jesus orou para ressuscitar Lázaro (Jo 11.41-42). 

 Como os templos foram fechados para Wesley, ele pregou e orou, muitas vezes, para milhares de pessoas, no cemitério, que, na Inglaterra, geralmente, fica ao lado da Igreja.

Jesus orou publicamente:  “Graças te dou, ó Pai, Senhor dos céus e da terra, pois escondeste estas coisas dos sábios e cultos, e as revelaste aos pequeninos.  Amém, ó Pai, pois assim foi do teu agrado!” (Mt 11.25). 

Na praia: Paulo orou na praia, quando se despediu da igreja (At 21.5).

No templo: Paulo orou no templo (Atos 22.16).

No quarto: Daniel orava no quarto, em direção a Jerusalém (Dn 6.10).

Na prisão: Paulo e Silas oraram na prisão (Atos 16.25).

Dependendo da inspiração e necessidade, podemos orar em diversos lugares: - Banheiro; rua; trabalho; em ação; no lazer, em viagens, como o avião.

Paulo orou no navio (Atos 27.35): “Paulo pegou o pão e deus graças diante de todos”.

2.2. Quanto ao tempo

Wesley orava durante todo o dia. Seu diário mostra que ele treinara a mente para orar a cada hora. Essas orações geralmente eram breves, curtas frases de louvor. Constituíam o meio de apresentar os eventos de sua vida a Deus (A Vida Devocional na Tradição Wesleyana).

2.3. Quanto ao horário de orar

Jesus orava ao cair da tarde (Mt 14.23);

Davi orava de manhã (Sl 5.3) e à meia noite (Sl 119.63).

Paulo orou de madrugada (At 16.25)

Wesley também orava ao final do dia para fazer uma revisão das atividades e confessar os pecados cometidos

(A Vida Devocional na Tradição Wesleyana).

2.4. Quanto à quantidade de vezes ou dias

Exemplo de Daniel:

Daniel orava três vezes ao dia (Dn 6.10;

Daniel orou por 21 dias  (Dn 10.2).

2.5. Quanto ao tamanho da oração

O exemplo de Neemias

- Neemias fez orações longas (Ne 9.5-37);

- Fez oração média (Ne 1.4-9);

- Fez oração curta (Ne 2.4-5): “Eu orei ao Deus do céu e depois disse ao rei”.

2.6. Diferença entre orar e usar de autoridade

O exemplo de Jesus com Lázaro:

- Orou ao Pai: “Pai eu te agradeço porque me ouviste” (Jo 11.41).

Usou de autoridade e poder: “- Lázaro, venha para fora” (Jo 1.43).

Outros exemplos de autoridade:

Jesus disse: “Estenda a mão” (Lc 6.10) e curou a mão ressequida;

- Jesus “Então disse ao paralítico:

- Levante-se, pegue a sua cama e vá para casa. O paralítico então se levantou, e foi para a sua casa” (Mt 9.6-7).

2.7. Quanto ao modo de orar

- Como de costume (Dn 6.10) – três vezes ao dia;

- Intensamente (Lc 22.44); no monte das oliveiras, em agonia.

- Desabafando (Sl 69.22);

- Jesus abençoa alimentos (Lc 9.16);

- Jesus preparando-se para decisões, escolha dos 12 ( Lc 6.12);

- Agradecendo antecipadamente à ressurreição de Lázaro (Jo 11.41-42)

2.8. Algumas vezes, a oração deve ser com Jejum 

Rei Josafá. Ele pediu ao povo parar jejuar para enfrentar o inimigo. Depois ele orou ao Senhor (2 Cr 20.3-5);

Jesus. “E disse-lhes: Esta casta não pode sair com coisa alguma, não ser com oração e jejum” (Marcos 9.29).

2.9. O pedido deve ser claro ao Senhor

A - Oração de Jabes em 1 Cr 4.9-10

1.  “Abençoa-me.

2. E me alargues as fronteiras ou “dá-me muitas terras”

3. Que seja comigo a Tua mão ou “fica comigo”

4. Livra-me de qualquer coisa que possa me causar dor”

B - Pedido da mulher Cananéia em Mt 15.22

“A minha filha está horrivelmente endemoniada

C - O pedido de Ana em 1Sm 1.11:

“Se me deres um filho varão”

2.10. Oração como fôlego

Wesley chamou a oração de "fôlego da vida espiritual". Como um indivíduo não pode parar de respirar, também não pode parar de orar.

Wesley vivia para orar e orava para viver. Wesley entendia a fé cristã como uma vida de relacionamento com Deus por intermédio de Jesus Cristo, e a oração era o dom de Deus para facilitar e enriquecer tal relacionamento. Para ele, a ausência de oração era a causa mais comum de aridez espiritual

Carlos Wesley e sua vida de oração

Unidos em oração

“Eles se juntaram de coração a mim em louvor e oração”

Na sexta-feira, 1º de setembro de 1738, Carlos Wesley disse: “Levei treinador para Londres. Entre cinco e seis chegaram à casa da Sra. Claggett. Eles se juntaram de coração a mim em louvor e oração. O Sr. Claggett foi muito amigável”.[11]

Orando com o povo pobre

“Eu orava e me consolava com o povo pobre”

Na segunda-feira, dia 4 de setembro de 1738, “Charles Kinchin, agora meu companheiro inseparável, me acompanhou a Bexley e Blendon. Eu orava e me consolava com o povo pobre”,[12]disse Carlos.

Regozijo após as orações

“Li meu sermão; orei e regozijei-me”

Na terça-feira, dia 5 de setembro de 1738,  “O Sr. Piers concordou em embarcar na minha irmã Kezzy”, disse. “Li meu sermão; orei e regozijei-me com a Sra. Delamotte, e o resto em Blendon”. Charles era todo grato e amor. Voltei para a cidade muito doente de dor de garganta”.[13]

Parando para orar

“Parei e orei para que ele pudesse crer”

Na “quarta-feira, 27 de setembro de1738, “em nosso caminho para Oxford, conversei dosamente com meu companheiro de viagem, o Sr. Combes, disse Carlos. “Ele expressou seu desejo de fé: Fui movido a cantar: "Salvação pela fé", depois "Fé em Cristo". Eu disse a ele, se o Espírito o tivesse convencido da incredulidade, ele também poderia fazê-lo, mesmo antes de chegarmos a OxfordParei e orei para que ele pudesse crer. Imediatamente ele me disse, ele estava em um temperamento tão abençoado, como ele nunca antes experimentou. Paramos e fomos para as orações. Ele testificou o grande deleite que sentia, dizendo: era o céu, se quisesse continuar. Enquanto discutíamos, o fogo dentro dele, disse ele, difundiu-se por todas as partes; ele estava cheio de alegria (mas sem saber que acreditava) e ansioso para louvar a Deus. Ele me chamou para participar. "Se eu estivesse agora no céu, não conseguia pensar nos meus pecados; Eu só deveria pensar em louvar a Deus." Cantamos e gritamos até Oxford”.[14]

Orando segundo Deus

“Orei segundo Deus”

Na quinta-feira, 28 de setembro de 1738, “chamei meu amigo que era, John Sarney, agora totalmente afastado pela ofensa da cruz, disse Carlos. “Eu cavalguei até meu amigo constante, John Gambold. O Sr. Combes comunicou-se conosco: seu calor, ele me disse, havia retornado através de sua professação de sua fé. Deixei a Sra. Gambold na esperança confiante de recebê-la em breve. Preguei corajosamente em Oxford; orei segundo Deus, com o Sr. Wells”.[15]

Afetado em orar

“Fiquei muito afetado em orar pelo Sr. Tonehouse”

Na quinta-feira, 2 de novembro de 1738, “fiquei muito afetado em orar pelo Sr. Stonehouse”, disse Carlos.[16]

Oração matinal

“Depois das orações matinais”

Na quinta-feira, 16 de novembro de 1738, “depois das orações matinais, batizei a Sra. Bell com um batismo hipotético. Cantei e orei com assistência, na casa do Sr. Stonehouse”, disse Carlos. [17]

A noite em oração

“Passei a noite em Blendon, em oração e ação de graças”

Na segunda-feira. 20 de novembro de 1738, “eu tinha um sacramento muito confortável no Bray's; Sr. Sparks, as três senhoritas Claggetts, &., partaking. Passei a noite em Blendon, em oração e ação de graças”, disse Carlos.[18]

Desejo e expectativa após as orações

“Minha alma, em e depois da oração com eles, era todo desejo e expectativa”

No sábado, 16 de dezembro de 1738, “Heater Hobson e sua irmã chamaram, estando doentes de amor a Cristo crucificado. Minha alma, em e depois da oração com eles, era todo desejo e expectativa,” disse Carlos.[19]

 

A Bíblia, uma luz para o cristão

 

 

Wesley disse: "Esta é uma lanterna aos pés de um cristão, e uma luz em todos os seus caminhos”.[20]

 

 

Texto base: 2 Timóteo 3.16-17 

Ele disse: “Aqui estou: eu e minha Bíblia. Eu não vou, não ouso, variar deste livro, seja em grandes coisas ou pequenas (...). Estou determinado a ser cristão bíblico, não quase, mas completamente. Quem vai me encontrar neste terreno? Junte-se a mim sobre isso, ou não em tudo”.[21] 

A palavra Bíblia é derivada da palavra grega Biblos, que significa “papel, livro, papiro”.[22]
Significa livro, rolo ou Coleção de livros.
 

Wesley disse sobre as Escrituras: 

“Com referência às Escrituras em geral, pode-se observar que a palavra do Deus vivo que dirigiu também os primeiros patriarcas foi escrita no tempo de Moisés. Foram adicionados a esta os escritos dos outros profetas em várias gerações posteriores. Depois os apóstolos e os evangelistas escreveram o que o Filho de Deus pregou e o que o Espírito Santo falou através dos apóstolos. Isto é o que nós agora chamamos de Escritura Sagrada. Esta é a palavra de Deus que permanece para sempre; dessa palavra não passará um til, embora passem os céus e a terra. Portanto, a Escritura do Antigo e do Novo Testamentos é o mais sólido e precioso sistema de verdade divina”. [23] 

A Bíblia foi inspirada por Deus. Esta palavra deriva-se de in spiro, que significa “soprar para dentro, insuflar”. 

“A palavra inspiração, quando empregada em relação à Bíblia, significa soprada por Deus”.[24] 

“Wesley firmemente considerou que a Escritura foi inspirada, no entanto, ele acreditava que não era sempre exata sobre “assuntos tangenciais” (genealogias, por exemplo). Wesley argumentou que a Bíblia era “infalivelmente verdadeira”. A palavra “inerrância” não estava em uso no seu tempo”.[25] 

A diferença entre um autor ter a inspiração para escrever um livro secular e um homem santo ter a inspiração para escrever a Bíblia: 

A inspiração do autor secular vem de dentro, de sua inteligência.

O autor bíblico recebeu de fora para dentro porque veio de Deus (in spiro). 

Vela estas afirmações bíblicas: 

“Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que todo o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Tm 3.16-17). 

“Homens santos falaram da parte de Deus movidos pelo Espírito Santo” (2 Pe 1.20). 

Wesley disse: “Peço licença para propor um argumento curto, claro e forte para provar a inspiração divina das Sagradas Escrituras. A Bíblia deve ser a invenção de homens bons ou de anjos; de homens maus ou de demônios; ou de Deus. 1 - Ela não podia ser a invenção de homens bons ou de anjos, pois eles não fariam nem poderiam fazer um livro contando mentiras durante todo o tempo em que o estavam escrevendo, dizendo: "Assim disse o Senhor" quando o livro era a sua própria invenção. 2 - Ela não podia ser a invenção de homens maus ou de demônios pois eles não fariam um livro que impõe todos os deveres, proíbe todos os pecados e condena as suas almas ao inferno por toda a eternidade. 3 - Eu tiro portanto a conclusão de que a Bíblia precisa ter sido dada pela inspiração divina”.[26]

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Deus transmitiu a homens santos Seus pensamentos. A Bíblia tem uma autoria dupla: 

Contém as palavras humanas, como autor secundário, e a Palavra de Deus. 

A Bíblia não foi ditada por Deus ao ser humano. Foi inspirada. Deus não eliminou o estilo, perspectiva e o condicionamento cultural do escritor. 

No Apocalipse, o Senhor disse ao apóstolo João que ele deveria escrever: “O que vês escreve em livro e manda às sete Igrejas” (Ap 1.11). 

O texto “O que vês escreve em livro e manda às sete Igrejas” mostra a liberdade de escrever que o Senhor deu aos homens santos.

 A Bíblia é chamada de “As Escrituras” e os “oráculos de Deus” (Rm 3.2). 

A frase “está escrito” mostra a sua origem em Deus. Segundo alguns, a expressão “assim diz o Senhor” ocorre 359 vezes na Bíblia. 

Para outros: “Assim diz o Senhor”, ocorre no Antigo Testamento 276 vezes em 18 livros”.[27]

Por fim, outros afirmam que as “expressões como “Assim diz o Senhor” aparecem aproximadamente 500 vezes no Pentateuco e mais de 1.200 vezes nos profetas”.[28]

Deus agiu e inspirou durante séculos sendo comprovada a veracidade da Bíblia através da confirmação dos acontecimentos previstos e na sua prática para se obter a vitória. 

Assim, as Escrituras são consideradas de autoridade divina. 

Jesus disse: “E a Escritura não pode falhar” (Jo 10.34) 

Jesus disse também: “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam (João 5.39). 

Wesley traduziu o Novo e o Antigo Testamento para corrigir muitos erros da Bíblia a versão do Rei James, usada especialmente na Inglaterra. 

“A tradução de John Wesley do Novo Testamento foi publicada em 1755. Ele também traduziu o Antigo Testamento, mas isso só foi publicado em 1764. A tradução de Wesley do Novo Testamento foi feita para corrigir milhares de erros que estavam contidos na Versão do Rei James, e ele consultou os textos gregos diretamente para fazer isso”.[29] 

Sabendo ler a Bíblia  

Veja algumas atitudes importantes: 

1 – Para entender a Bíblia é preciso ter a assistência do Espírito Santo 

João Wesley acreditava que o Espírito de Deus não só inspirou aos que escreveram a Bíblia, mas também inspira continuamente de modo sobrenatural aos que a leem com sincera oração. 

“Wesley acreditava que a inspiração do Espírito Santo foi fundamental para a compreensão da Bíblia. “ Precisamos do mesmo Espírito para compreender a Escritura, que permitiu que os santos homens do passado escrevessem-na.”[30] 

Na sua origem estava o Espírito Santo, por isso, a necessidade do mesmo Espírito iluminar nosso entendimento. Uma coisa é estudar a Bíblia racionalmente e outra coisa é ser orientado pelo Espírito. O Espírito Santo exerce um papel essencial não apenas na revelação da verdade, mas também em sua interpretação, e mais especificamente na correta exegese da Bíblia. 

A Bíblia nos foi dada não para nos tornar eruditos, mas santos. 

2. Devemos nos utilizar também da ciência:  Exegese e hermenêutica 

A “palavra exegese deriva do grego exegeomaiexegesis;   ex tem o sentido de ex-trair, ex-ternar, ex-teriorizar, ex-por; quer dizer, no caso, conduzir, guiar”.[31] 

Ser exegeta é entender o sentido do texto no contexto cultural da época e extrair os seus ensinamentos para o tempo presente. 

Wesley pode não ter utilizado a palavra exegese, mas ele fazia sua exegese. 

Comentando sobre Cornélio, em Atos 10.1-8, o teólogo e escritor metodista Mark K. Olson afirmou: “Embora Wesley não discuta neste momento a posição soteriológica de membros de outras religiões que exibem a piedade de Cornélio, sua exegese dos Atos 10:35 o colocou firmemente no campo inclusivista que se tornaria evidente em seus sermões e escritos posteriores”.[32] 

O que é a hermenêutica? 

Hermenêutica “é o estudo dos princípios gerais da interpretação bíblica.”[33]  É a ciência das normas que permite descobrir e explicar o verdadeiro sentido do texto. 

A palavra hermenêutica significa explicar ou interpretar.

 A expressão “hermenêutica” já era utilizada no tempo de João Wesley. Este termo, ‘hermenêutica’, foi criado em 1654 por J.C. Dannhauer, exposto em sua obra Hermenêutica sacra sive methodus exponendarum sacrarum litterarum.”[34] 

Wesley também tinha sua hermenêutica. Segundo o Rev Dr. Johnston McMaster, metodista irlandes, a hermenêutica de Wesley era  soteriológica (doutrina da salvação)   e  que  era  essencialmente  anglicana. Wesley não era fundamentalista. 

Para Johnston McMaster, “a hermenêutica  soteriológica de Wesley   é  uma   compreensão mais ampla  da  salvação, incluindo  uma   santidade bíblica  que  se conecta  com ética   política, social, econômica  e  ambiental    praxis”. [35] 

Johnston McMaster, explica mais: “A   hermenêutica  de Wesley no  século XVIII   é clara. Ele viveu  e  morreu  um  padre  anglicano  e  isso  moldou  seu  ponto de vista  hermenêutico.  Sua    abordagem   hermenêutica é adequada  para o século  21   e   ainda   há  uma   hermenêutica wesleyana viável? Wesley praticou  sua  hermenêutica  na    fronteira  entre  a  abordagem   pré-crítica  e  crítica da    Bíblia. O significado literal   das  escrituras  era  central para ele, mas    isso  não  deve  ser  confundido  com  biblicismo  ingênuo. Ele   não era literalista  no  sentido  fundamentalista  que  é um   fenômeno  do final do século XIX e  início do século  XX. Viveu   durante  o início   do    estudo  crítico  das  escrituras  e  foi  exposto  a  seus métodos  e  resultados  durante  seu  treinamento em    Oxford. Ele estava  convencido    do  valor  da  leitura das   escrituras  em suas  línguas originais. Ele entendeu  as  questões  da crítica  textual, usando  o  melhor  texto  grego  disponível  (de Johannes Bengel) para sua  própria  tradução    do  Novo Testamento  ( uma  atualização da    Versão  Autorizada!). E  ele  se  baseou na   respeitada  bolsa  bíblica  na preparação  de  suas  Notas   Explicativas  Sobre o  Antigo  Testamento  (Notas de OT) e  suas  Notas   Explicativas Sobre  o   Novo Testamento  (NT Notes).[36] 

Princípios para uma boa hermenêutica

Uma palavra dita na Bíblia pode ter um significado muito diferente hoje. 

Exemplo de uma hermenêutica 

“Ouvi esta palavra, vacas de Basã” (Amós 4.1). 

Basã em hebraico äáùï ha-Bashan significa "a luz da terra”. Era uma região que se estendia de
Gileade no sul até Hermom ao norte, e do rio Jordão ao oeste à Salcá ao leste.
 

Entendendo a palavra “Basã”


As vacas e os touros de Basã são símbolos de força, boa alimentação, gordura e que estavam “gordos”, satisfeitos (Sl 22.12). 

Amós viveu em uma época de relativa paz, prosperidade e busca de prazeres. Sob o governo de Jeroboão II, Israel estava no auge do poder. 

Essa tranquilidade e extravagância contrastavam com o sofrimento e a miséria dos pobres. 

Wesley disse: “Então Amos compara os poderosos, devassados e opressivos governantes de Israel, com aqueles animais plenos, fortes e devassos que nos rebanhos empurravam, machucavam e perturbavam o gado mais fraco”.[37] 

Amós disse: “Eu sei das muitas maldades e dos graves pecados que vocês cometem. Vocês oprimem o justo, recebem suborno e impedem que se faça justiça ao pobre nos tribunais” (Am 5.12). 

A exegese aplicada hoje

Quem são hoje as vacas e os touros de Basã?
 

São os líderes políticos que estão gordos com o dinheiro da iniquidade explorando o pobre. 

3. Observe que tipo de texto você está estudando 

Um dos grandes problemas é não entender que a Bíblia foi escrita em diversas formas literárias. 

Exemplo do Apocalipse 

O Apocalipse foi escrito em tempos de perseguição do imperador romano nos anos 90 d.C usa de muito simbolismo para fortalecer os cristãos em sua fé. 

O número 666 é o número do homem. 

Na Bíblia encontramos que o número 7 significa algo espiritualmente completo. Costuma estar relacionado ao bem e à perfeição (Nm. 8:2, Lv. 4:6,17; 8:11; Ap. 1:4). 

Portanto, o número 6 repetido 3 vezes pode ser identificado como a completa imperfeição.  Satanás irá querer imitar a Trindade divina, pois vemos a atuação de Satanás, da besta e do falso profeta (Ap 16.13). Portanto, 666 é a imperfeição elevada ao seu grau máximo. 

Wesley disse: “Fora da boca do dragão, da besta selvagem, e do falso profeta - Parece que o dragão luta principalmente contra Deus; a besta, contra Cristo; o falso profeta, contra o Espírito da Verdade; e que os três espíritos impuros que vêm deles, e exatamente se assemelham a eles”.[38] 

Segundo Wesley, eles se esforçam para apagar as obras de criação, da redenção e da santificação.[39] 

O Cordeiro com 7 chifres

“Então vi, no meio do trono e dos quatro seres viventes e entre os anciãos, de pé, um Cordeiro como tendo sido morto. Ele tinha sete chifres, bem como sete olhos” (Ap 5.6). 

Wesley explicou: “Tendo sete chifres - Como rei, o emblema da força perfeita. E sete olhos - O emblema do conhecimento e sabedoria perfeitos. Por estes ele realiza o que está contido no livro, ou seja, por seu todo-poderoso e tudo - espírito sábio. A estes sete chifres e sete olhos respondem aos sete selos e à sétima canção de louvor, versículo 12. Rev 5:12”.[40] 

Um texto simbólico e histórico 

“Então, a serpente vomitou de sua boca, atrás da mulher, água como um rio” (Ap 12.15). 

Wesley deu a seguinte interpretação: “A água é um emblema de um grande povo; esta água, dos turcos em particular. Por volta do ano 1060 eles invadiram a parte cristã da Ásia. Depois, eles derramaram na Europa, e se espalharam cada vez mais, até que transbordaram muitas nações”.[41] 

Sobre as quatro criaturas de Apocalipse 4.6-7: Leão, bezerro, rosto de homem e águia, Wesley explica o simbolismo: “A primeira criatura viva era como um leão para significar coragem destemida. O segundo, como um bezerro - ou boi, Ezequiel 1:10, para significar paciência descarada. O terceiro, com o rosto de um homem, para significar prudência e compaixão. O quarto, como uma águia, para significar atividade e vigor. Cheio de olhos - Para deixar falar sabedoria e conhecimento. Antes - Para ver o rosto dele que se senta no trono. E atrás - Para ver o que é feito entre as criaturas”.[42] 

4. Procure auxílio no original grego 

João Wesley constantemente buscava o sentido das palavras na Bíblia vendo o original grego. Wesley se aprofundou no original grego e explicou a frase “Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus” (Apocalipse 4.8): 

“Há duas palavras no original, muito diferente uma da outra; tanto que traduzimos santo. Aquele significa devidamente misericordioso; mas o outro, que ocorre aqui, implica muito mais. Esta santidade é a soma de todos os louvores, que é dado ao todo-poderoso Criador, por tudo o que ele faz e revela sobre si mesmo, até que a nova canção traz consigo uma nova questão de glória.

Esta palavra significa corretamente separada, tanto em hebraico quanto em outras línguas. E quando Deus é chamado de santo, ele denota essa excelência que é completamente peculiar para si mesmo; e a glória fluindo de todos os seus atributos unidos, brilhando de todas as suas obras, e escurecendo todas as coisas além de si mesmo, pelo qual ele é, e eternamente permanece, de uma maneira incompreensível separada e à distância, não apenas de tudo o que é impuro, mas também de tudo o que é criado. Deus está separado de todas as coisas”. [43]

Wesley possuía pelo menos quatro versões do Novo Testamento grego. 

“Ele sabia que não havia nenhuma cópia pura transmitida da igreja mais antiga. Entre as versões que ele possuía estava o conjunto de dois volumes de John Mill, que reuniu em notas de rodapé a lista mais completa na época das leituras variantes em vários manuscritos. A tradução em inglês que Wesley forneceu para Notas Explicativas sobre o Novo Testamento muitas vezes corrige o KJV, conferindo com essas leituras variantes e com os argumentos sobre quais podem ser mais confiáveis”.[44]


5. Procure auxílio em outras passagens bíblicas 

Wesley pergunta: “Há alguma dúvida sobre o significado do que eu li? Alguma coisa parece escura ou complexa? ... Em seguida, procuro e considero passagens paralelas das Escrituras, "comparando coisas espirituais com espirituais". Eu medito aí, com toda a atenção e seriedade da qual minha mente é capaz.[45] 

Wesley continua: "Se ainda resta alguma dúvida, consulto aqueles que são experientes nas coisas de Deus, e então os escritos pelos quais, estando mortos, eles ainda falam." [46] 

6. O sentido literal de cada texto deve ser tomado, se ele não contraria algum outro texto 

Wesley disse: “O sentido literal de cada texto deve ser tomado, se ele não contraria algum outro texto; neste caso o texto obscuro deve ser interpretado por outros que falem de modo mais claro”.[47] 

7. Entenda que a Bíblia é a Palavra de Deus em linguagem humana

Wesley sabiamente disse: “O Antigo e o Novo Testamento foram escritos pelos homens. Se nós os abstrairmos da sua autoridade divina, eles devem ser tão dignos de aceitação pelo menos quanto todos os outros escritos antigos. Mesmo que nós suponhamos que eles sejam um mero testemunho humano, ainda assim eles merecem pelo menos o mesmo crédito que damos à história profana. Agora, se adicionarmos o testemunho divino a este humano, o que nenhum outro escrito no mundo pode pretender, sendo os milagres de Cristo e de seus apóstolos uma prova desse testemunho, e ainda mais: o cumprimento somente em Cristo de todas as profecias desde o começo do mundo, o fato de que as Escrituras são o único livro no mundo que nos dá uma descrição das séries completas das dispensações de Deus para com o homem durante 4 mil anos desde a criação, a grande exaltação da religião natural visível em todas as partes da mesma, e, por último, o cuidado providencial tão manifesto em todos os tempos na transmissão de diversos livros escritos coma mediação de longo espaço de tempo uns dos outros e todos de nós e o serem eles hoje,   na sua infinita variedade de assuntos os quais foram cuidadosamente colecionados, tão isentos de qualquer erro material que não se pode encontrar oposição entre quaisquer pontos fundamentais de fé ou prática; eu digo que, se estas coisas forem totalmente consideradas, elas darão às Escrituras um tal grau de veracidade que nenhum escrito meramente humano pode ter e serão a maior evidência da verdade das coisas que elas são capazes de receber com uma repetição contínua e diária de milagres”[48]

Deus usou a compreensão, temperamento, capacidade dos profetas, evangelistas e apóstolos para escrever a Bíblia. 

“Visto que muitos empreenderam compor uma narração dos fatos que entre nós se consumaram, como no-los transmitiram os que desde o princípio foram testemunhas oculares e se tornaram «Servidores da Palavra», resolvi eu também, depois de tudo ter investigado cuidadosamente desde a origem, expô-los a ti por escrito e pela sua ordem, caríssimo Teófilo, a fim de reconheceres a solidez da doutrina em que foste instruído” (Lc 1.1-4). 

Wesley disse: “A teologia nada mais é do que a gramática da língua do Espírito Santo. Para entendermos isto perfeitamente, devemos observar a ênfase que existe em cada palavra, os santos sentimentos ali expressos e o temperamento manifesto pelos escritores”.[49]

 

 

O sacramento da Santa Ceia

 

Wesley acreditava que o Senhor escolhe estar presente de maneira real sempre que recebemos a Sagrada Comunhão

 

Texto Base: 

O que é a Ceia do Senhor

Wesley muitas vezes começava às quintas-feiras a preparar seu coração para receber a Ceia do Senhor no domingo. Ele percebeu que isso nem sempre era possível e que nada parecido era um pré-requisito para participar. (...)”

No  livro de exercícios de Steve Harper, “Vida Devocional na Tradição Wesleyana”, encontramos sobre a Ceia do Senhor:

  • A Sagrada Comunhão é uma refeição memorial.
  • A Ceia do Senhor é uma promessa de glória futura. 
  • Cristo está verdadeiramente presente cada vez que recebemos a Ceia do Senhor. Embora, em um extremo, Wesley não aceitasse a crença católica romana de que os elementos se transformam em realmente o corpo e o sangue de Jesus, ele também não acreditava que, ao recebê-los, não estamos fazendo nada mais do que levar pão e suco / vinho para nossos corpos. Em vez disso, ele acreditava que o Senhor escolhe estar presente de maneira real sempre que recebemos a Sagrada Comunhão (...)”.
  • Somos ordenados por Cristo a participar da Ceia do Senhor.
  • A preparação adequada começa com um coração arrependido. Wesley muitas vezes começava às quintas-feiras a preparar seu coração para receber a Ceia do Senhor no domingo. Ele percebeu que isso nem sempre era possível e que nada parecido era um pré-requisito para participar. (...)”.
  • Uma vez que é um meio de graça, somos sábios em receber a Ceia do Senhor sempre que pudermos. Nos dias de Wesley, muitas das igrejas ao seu redor ofereciam a Sagrada Comunhão apenas duas a quatro vezes por ano, mas ele exortou seus metodistas a praticar esse meio de graça em todas as oportunidades, argumentando que quanto mais frequentemente praticarmos a Sagrada Comunhão, maior a probabilidade de desfrutarmos de uma "comunhão constante" com Deus (...)”.[50]

O sacramento da Ceia do Senhor

A ceia do Senhor é um sacramento. É um sinal visível de uma graça invisível de Deus

Utilizando um pequeno pedaço de pão e um copinho de suco de uva, os evangélicos participam da Ceia do Senhor, geralmente, no primeiro domingo de cada mês.

A ceia do Senhor é um sacramento. É um sinal visível de uma graça invisível de Deus.

Foi instituída por Jesus.

Mas qual o motivo de praticarmos a Santa Ceia?

A Ceia do Senhor é o sinal de nossa redenção em Cristo e o memorial perpétuo de sua paixão e morte.

Quais os elementos que constituem a Ceia do Senhor?

*      O pão (Mt 26.26), que simboliza o corpo de Cristo.

*      O vinho (Mt 26.27), que simboliza o sangue de Cristo. 

A importância da confiança no ato da Ceia

*      Para Wesley, o simples ato da Ceia do Senhor para nada aproveita!

*      “Não há poder para salvação senão no Espírito de Deus”.

*      Não há mérito senão no sangue de Cristo.

*      “Aquilo que é ordenado por Deus não transmite graça se não confiarmos somente nele.” [51] 

Quais os benefícios que a Ceia do Senhor traz?

*      Perdão dos nossos pecados passados,

*      O fortalecimento presente,

*      E a renovação das nossas almas. [52] 

O que é necessário para participarmos da Ceia do Senhor?

*      Pertencer ao povo de Deus através da fé em Jesus (1Co 11.25),

*      Examinar a consciência e confessar o pecado (1Co 11.28-29),

*      Participar com a consciência em paz com Deus e com o próximo (1Co 11.20-22,33).

 

A Ceia do Senhor, portanto, é para recordarmos o que Jesus fez por nós na cruz e para tomarmos posse das bênçãos que temos direito como descendentes de Abraão pela fé em Jesus.

 

Procurando imitar a Igreja Primitiva

 

Wesley foi convencido a“buscar renovação, e ‘admirar e imitar’ a igreja primitiva "sua piedade e integridade”

 

“Em um sermão em 1777, "Sobre o lançamento da fundação da nova capela, perto da City-Road, Londres", o Sr. Wesley reiterou seu louvor ao cristianismo primitivo e também enfatizou uma afirmação que ele vinha fazendo ao longo de sua carreira como líder do metodismo, a saber, a alegação de que a verdadeira identidade do metodismo é um movimento para recuperar o cristianismo primitivo”.[53]

Igreja: o novo Israel de Deus

A chave para entendermos esta afirmação está em Gálatas 3.7: “Sabei, pois, que os da fé é que são filhos de Abraão”.

Os israelitas rejeitaram  Jesus e tomavam para si o título de Povo de Deus, Israel de Deus. Paulo afirmou que a verdadeira circuncisão é a do coração. Os que adoravam no Espírito é que eram verdadeiramente circuncidados (Fp 3.3).

Jesus foi claro quando disse: “Se sois filhos de Abraão, praticai as obras de Abraão” (Jo 8.39). Paulo declarou ainda que, pela incredulidade dos judeus, uma porta foi aberta aos gentios (Rm 11.11).

Mas a rejeição de Israel é temporária. O Senhor deseja que todos sejam salvos (Rm 11.25-29).

A Igreja, o Israel de Deus, “consiste de todas as pessoas no universo a quem Deus chamou do mundo...”. [54]

Ela é um instrumento de Deus para comunicar a graça divina através do culto, dos sacramentos e do serviço no mundo.

A Igreja é:

“Um corpo unido por um Espírito, tendo uma fé, uma esperança, um batismo, um Deus Pai.” [55]

Baseado em Atos 5.11, João Wesley descreve uma Igreja do Novo Testamento:

“Um grupo de homens e mulheres chamados pelo Evangelho, integrados em Cristo pelo batismo, animados pelo amor, unidos por toda sorte de companheirismo e disciplinados pela morte de Ananias e de Safira.” [56]

Igreja - Corpo de Cristo

*      A Igreja é a continuadora da missão de Cristo (1Pe 2.9-10),

*      É o próprio corpo de Cristo (Ef 1.22-23),

*      Tem Cristo como a sua cabeça (Cl 1.18; Ef 4.15),

*      O Espírito capacita a Igreja a agir como corpo, concedendo dons a cada um dos cristãos (1Co 12.4-11),

*      Embora os dons sejam diferentes, todos existem para o desenvolvimento do corpo (Ef 4.11-13; 1Co 12.4-7),

*      A Igreja será o corpo de Cristo, enquanto estiver unida a Cristo através da fé, da obediência, do amor e do serviço.

Metodismo, a antiga Religião

“O metodismo, assim chamado, é a antiga religião, a religião da Bíblia, a religião da Igreja primitiva, a religião da Igreja da Inglaterra”

Para Wesley:

“O metodismo, assim chamado, é a antiga religião, a religião da Bíblia, a religião da Igreja primitiva, a religião da Igreja da Inglaterra. Ele continua explicando essa "velha religião" citando seu tratado, "Apelo Sincero aos Homens de Razão e Religião", como sendo "nada mais do que o amor, o amor de Deus e de toda a humanidade".[57]

“Esta é a religião da Igreja primitiva”

“Neste sermão escrito décadas depois de sua carta ao Dr. Middleton e seu "Discurso ao Clero", o Sr. Wesley mais uma vez menciona sua seleção de pais preferidos da igreja. Ele diz: "Esta é a religião da Igreja primitiva, de toda a Igreja nas eras mais puras. É claramente expresso, mesmo nos pequenos restos de Clemens Romanus, Inácio e Policarpo; é visto mais em geral nos escritos de Tertuliano, Orígenes, Clemente Alexandrino e Cipriano; e, mesmo no século IV, foi encontrado nas obras de Crisóstomo, Basílio, Efrém Siro e Macário."[58]

O fascínio pela Igreja Primitiva

Antes mesmo de ser missionário na Georgia, em 1735, e da sua experiência do coração aquecido, em 1738, Wesley já tinha o fascínio de uma Igreja semelhante à Igreja Primitiva.

Wesley foi convencido:

“Buscar renovação, e ‘admirar e imitar’ a igreja primitiva "sua piedade e integridade”

“Já em 1732, ele foi influenciado por um grupo primitivista conhecido como os Altos Clérigos de Manchester. Durante seus últimos anos em Oxford, ele estudou intensamente os pais da igreja. Ele leu o Cristianismo Primitivo de William Cave (1714) e foi convencido pela injunção de Cave a buscar renovação, e "admirar e imitar" a igreja primitiva "sua piedade e integridade, seu ódio infinito ao pecado, seu cuidado e zelo para manter o rigor e a pureza das maneiras que tornaram sua religião tão famosa e triunfante no mundo".[59]

A busca com os moravianos

Wesley buscou aprender com homens santos na Alemanha, em 1739.

Wesley disse:

“E eu esperava que a conversa com esses homens santos, que eram eles mesmos testemunhas vivas do poder completo da fé, e ainda capazes de suportar aqueles que são fracos, fosse um meio, sob Deus, de estabelecer minha alma de tal forma, para que eu pudesse continuar de fé em fé, e de força em força”.[60]

Para Wesley, os moravianos se assemelhavam aos cristãos primitivos.

“Wesley escreveu sobre essa comunidade, que eles se assemelhavam aos cristãos de antigamente, "que deixaram tudo por seu Mestre, e que de fato aprenderam dele, sendo mansos e humildes, mortos para o mundo, cheios de fé e do Espírito Santo".[61]

Sociedades de Yorkshire, uma comunidade ideal

O caráter ideal dessas comunidades wesleyanas revividas pode ser visto no relato de Wesley sobre as sociedades de Yorkshire sob os cuidados de John Nelson.

“Em 1751, Wesley encontrou "as sociedades de Yorkshire, principalmente sob os cuidados de John Nelson, ... todos vivos, fortes e vigorosos de alma... e aumentou em número de 1.800 para mais de 3.000”.[62]

Eles viviam “abençoando, amando e louvando a Deus, seu Salvador. . . . Desde o início, eles haviam aprendido tanto a lei quanto o evangelho. "Deus te ama; por isso, ame-o e obedeça-o. Cristo morreu por vós; portanto, morra para o pecado. Cristo ressuscitou; por isso, levantai-vos à imagem de Deus. Cristo vive para sempre; vivei, pois, para Deus, até que vivais com Ele na glória", assim pregamos; e assim você acreditou. Este é o caminho bíblico, o caminho metodista, o verdadeiro caminho. Deus nos conceda que nunca nos voltemos dela, para a direita ou para a esquerda”. 8

Essas são marcas do cristianismo primitivo experimentadas pelas sociedades metodistas.

A visão e propósito de Francis Abury

Francis Asbury, que se tornou o primeiro bispo da Igreja Metodista, escreveu:

“Tenho a ousadia de dizer que a ordem apostólica das coisas se perdeu no primeiro século, quando os governos da Igreja foram adulterados e tinham muita corrupção ligada a eles. Na Reforma, os reformadores só venceram parte do lixo. Lembre-se desse estado das diferentes igrejas, pois respeita o governo e a disciplina. quando o Senhor levantou aquele grande e bom homem John Wesley, que formou uma sociedade evangélica na Inglaterra. Em 1784, uma forma apostólica de governo da Igreja foi formada nos Estados Unidos da América na primeira Conferência Geral da Igreja Metodista Episcopal. Devemos restaurar e manter a ordem primitiva; devemos, queremos, temos a mesma doutrina, a mesma espiritualidade, o mesmo poder nas ordenanças, na ordenação e no espírito”.[63]

As fontes da compreensão de Wesley sobre o cristianismo primitivo

Foi através de sua vida acadêmica que Wesley foi despertado para um viver santo conforme a Igreja Primitiva.

“O conhecimento da igreja primitiva foi transmitido a Wesley por seus pais na reitoria de Epworth e através de sua vida acadêmica em Oxford. No entanto, seu interesse na igreja primitiva tomou uma direção nova e mais intensa, começando com sua amizade com John Clayton em 1732. Clayton e seu mentor, Thomas Deacon, impulsionaram Wesley a investigar a doutrina, a disciplina e a prática da igreja primitiva.”[64]

 

 

A necessidade da cura da alma

 

“Quanto mais crescemos na graça, mais sentimos o estado desesperadamente iníquo do nosso coração. Quanto mais avançamos no conhecimento e no amor de Deus através de nosso Senhor Jesus Cristo (...) mais conhecemos o nosso afastamento de Deus, a inimizade que existe em nossa mente carnal e a necessidade de sermos inteiramente renovados em justiça e em verdadeira santidade”

 

Wesley fala da necessidade da cura da alma, da eliminação do poder da Dalila sobre nós. Ele usa várias expressões: “defeitos internos”, “pecado interior” etc.

Dalila aqui é um símbolo, lembrando a mulher que levou Sansão para a derrota. Aqui significa “carne”.

Para Wesley, o pecado é uma doença, por isso a expressão “cura” para falar sobre o pecado.

Para quem pensa que não tem nenhum problema interior, ele faz uma pergunta: “Mas não podem eles encontrar defeitos internos sem número além daquelas omissões exteriores? Defeitos de toda espécie: não têm o amor que é devido ao próximo ...”.[65]

Quem está tão longe de Deus não percebe o estado doentio de sua alma. Por isso, Wesley deixa claro que quanto mais nos aproximarmos do Senhor, mais teremos consciência daquilo que precisamos mudar.

Diz ele: “Quanto mais crescemos na graça, mais sentimos o estado desesperadamente iníquo do nosso coração. Quanto mais avançamos no conhecimento e no amor de Deus através de nosso Senhor Jesus Cristo (...) mais conhecemos o nosso afastamento de Deus, a inimizade que existe em nossa mente carnal e a necessidade de sermos inteiramente renovados em justiça e em verdadeira santidade”.[66]

Assim, a ministração de cura interior é tanto para não crentes, como para pessoas consideradas maduras espiritualmente. O objetivo final da ministração é “curar integralmente e restaurar a personalidade, levando ao exercício pleno das nossas potencialidades, motivando para a busca da autorrealização por meio da comunhão com Deus e o próximo”.[67]

Sim, nós desejamos com a ministração que a pessoa tenha comunhão com Deus e com o próximo num amor de doação; segurança e capacidade de assumir compromissos e responder por eles; aceitação de si próprio sem supervalorização, nem depreciação; capacidade para estar aberto a Deus para ser um instrumento para mudar o mundo.

Wesley ainda fala de “defeito de caráter”.

Ele diz que a alma, enquanto estiver ligada ao corpo, não poderá pensar sem o auxílio dos órgãos corporais. E “sendo estes órgãos imperfeitos, estamos sujeitos a erros especulativos e práticos (...). Sim, e um erro pode fazer com que eu ame  um bom homem menos do que eu devia, o que é um defeito de caráter”.[68]

Ele ainda fala que Satanás não perderá a oportunidade de nos jogar contra Deus, usando toda a sua sabedoria e força, para, numa hora de descuido, nos trazer descontentamento, impaciência e inveja de outros.

Wesley diz que o pecado permanece dentro do coração daqueles que creem.

“Ele não reina, mas permanece”.Ele cita exemplos: “Pois aquele que imaginou que todos os pecados tinham desaparecido, ainda sente que há orgulho no seu coração. Está convencido de que tem atribuído mais importância a si mesmo do que devia em muitos aspectos, e de que gostou do louvor que recebeu ...”. [69]

Isso inclui aqueles que foram regenerados, pois o novo nascimento não é ainda santificação, santidade, perfeição cristã. No novo nascimento, é iniciado um processo de santificação.

Wesley diz que “onde menos suspeitamos, encontramos um pouco de orgulho ou de obstinação, de descrença ou de idolatria ...”. [70]

Quem poderia pensar que Pedro tivesse algum pecado? Afinal, ele havia sido cheio do Espírito e realizado curas e milagres após o Pentecostes. Mas, um belo dia em que jejuava e orava, o Espírito do Senhor revelou que ele tinha em seu coração preconceito e que deveria mudar (Cf. At 10.9-16).

É o Espírito quem nos convence do pecado. Por isso, nas ministrações,  pedimos ao Espírito que revele, que traga à memória aquilo que precisa ser mudado, curado.

Sempre pedimos que Jesus realize a cura. É Ele quem pode fazer isso. O ministrante não pode fazer. Ele é apenas um canal, um instrumento nas mãos do Senhor.

Em algumas ministrações aparecem pessoas dizendo  que vieram só ver como é o trabalho, pois não têm problema nenhum. Não demora muito para essas pessoas confessarem que agora veem que precisam de cura da alma. Basta abrir o coração e o Senhor irá revelar e curar.

É o Seu propósito. Afinal, nós fomos criados para sermos conforme à imagem de Jesus (Rm 8.29).

 

 

O Pentecostes 

 

“Na passagem do novo ano, durante uma noite de vigília na celebração da festa do amor, o poder de Deus veio  poderosamente sobre o grupo Fetter Lane, de tal maneira que muitos gritavam com extraordinária alegria e muitos caíram no solo.” 

 

Texto Base: Atos 2.1-5 

João Wesley acreditava e ensinava sobre a personalidade do Espírito Santo. Ele não é apenas um espírito. O Espírito Santo é uma pessoa.

“Uma leitura dos Hinos dos Wesleys na trindade revela uma concepção do Espírito Santo como ‘uma presença viva, ativa, ‘pessoal’ que entra em uma amizade interpessoal intima com o homem (...).”[71]

Mais do que um poder, uma energia ou um dom, o Espírito Santo é uma pessoa e faz parte da Trindade: Deus-Pai, Deus-Filho, Deus-Espírito Santo. Podemos dizer que Ele é Deus em nós.

Na vigília de 31 de dezembro de 1738 para 1739, aconteceu o que alguns chamam de Pentecostes metodista: “Na passagem do novo ano, durante uma noite de vigília na celebração da festa do amor, o poder de Deus veio  poderosamente sobre o grupo Fetter Lane, de tal maneira que muitos gritavam com extraordinária alegria e muitos caíram no solo.”[72]

Nesse grupo estavam João e Carlos Wesley e cerca de sessenta outros metodistas, que com temor entoaram o cântico que diz: "Louvamos-Te, ó Deus, reconhecemos  a Ti como Senhor.”

Wesley assim registrou em seu Diário: "Sr. Hall, Hinching, Ingham, Whitefield, Hutching e meu irmão Charles estiveram presentes em nosso banquete de amor em Fetter Lane com cerca de 60 de nossos irmãos. Por volta das três da manhã, enquanto continuávamos em oração instantânea, o poder de Deus veio poderosamente sobre nós, de tal forma que muitos gritaram de alegria e muitos caíram por terra. Assim que nos recuperamos um pouco daquele espanto e admiração pela presença de Sua majestade, irrompemos em uma só voz: 'Louvamos Vós, ó Deus, reconhecemos que és o Senhor. '"[73]

Para Wesley, o Espírito Santo pode vir sobre as pessoas “como uma torrente enquanto experimentam o poder dominador da graça salvadora (...). Mas Ele opera em outros de maneira muito diferente: Ele exerce a sua influência de maneira delicada, refrescante como o orvalho silencioso.”[74]

George Whitefield, que estava nessa vigília, disse o seguinte sobre os dias posteriores a esse fato:

“Na verdade, foi uma época pentecostal, às vezes noites inteiras eram passadas em oração. Frequentemente, temos nos enchido como vinho novo, e frequentemente os tenho visto oprimidos pela Presença Divina, e clamam: “Será que Deus, de fato, habitará com os homens na terra? Quão terrível é este lugar! Esta não é outra senão a casa de Deus e a porta do céu!”.[75]

Segundo alguns historiadores, “entre 1738 e 1791, 1,25 milhão de pessoas foram convertidas a Cristo.

►O derramamento do Espírito Santo durante o Serviço Noturno de Vigilância de Fetter Lane em 31 de dezembro de 1738 - 1º de janeiro de 1739, foi a inauguração espiritual para o ministério público dos Wesleys e o início da Igreja Metodista.

►O avivamento subsequente que se espalhou cruzou as linhas denominacionais e envolveu todos os segmentos da sociedade. Em 1928, o arcebispo Randall T. Davidson escreveu que Wesley praticamente mudou a perspectiva e até mesmo o caráter da nação inglesa.”[76]

Alguns escritores do Movimento de Santidade, no final do século XX, acreditaram que esse foi o momento de Wesley ter alcançado a santidade ou perfeição cristã.

Essa experiência é também considerada a confirmação da vinda do “Despertar”, que foi uma renovação espiritual nas igrejas de língua inglesa durante as décadas de 30 e 1740. Nas colônias na América foi chamado de “Grande Despertar”.[77] 

Mas os irmãos Wesley acreditavam na vinda de um novo Pentecostes.

Carlos Wesley dizia frequentemente: "O dia de pentecoste não chegou ainda na sua plenitude; mas não duvido que venha; e então você verá tantas pessoas santificadas como justificadas."[78]

O progresso da obra missionária foi um fruto reconhecido por Wesley que revela a chegada do Pentecoste. Ele sabia que o Espírito poderia realizar coisas maiores.

A visão e o entendimento dos irmãos Wesley eram muito amplos para o Pentecostes.

E Wesley finalmente disse: “Nosso Pentecoste finalmente chegou’, disse em 1762, ao contemplar os progressos da obra missionária. Somente em Londres, mais de 400 membros das sociedades testificaram que foram libertos de todo pecado. Em Liverpool, a sociedade passou por uma verdadeira metamorfose em sua perfeição.”[79] 

O Pentecostes vem quando há dependência completa de Deus ou entrega total ao Senhor. Isso inclui as orações fervorosas e o arrependimento. 

O Espírito Santo agia grandemente em meio ao povo metodista. 

Wesley relata sobre esta verdade: “(...) Deus respondeu às nossas orações. Parecia que as portas do céu foram abertas.”[80] As orações, o arrependimento, a adoração e a santidade tocam no coração de Deus. 

O derramar do Espírito ocorria nas ministrações de João Wesley porque havia a busca de santidade e clamor de todo coração. Wesley sabia que “(...) onde não se encontra o poder de Deus, o trabalho enfraquece.”[81] 

Manifestações do Espírito 

Havia manifestações espirituais que Wesley descrevia as pessoas como sendo fulminadas, feridas pela espada do Espírito, tomadas de fortes dores. Algumas caíam de joelhos, outras tinham estranhos acessos, mas ele registra ainda que a maioria era aliviada pela oração e alcançava a paz.[82] Mas isso não era ainda Pentecostes. 

Em 1749, Wesley relatou sobre algumas manifestações no final do culto: “Quando, enfim, despedi o povo com a benção, ninguém se mexeu; ficaram todos nos seus lugares, enquanto eu ia passando no meio deles. Logo se ouviu uma pessoa que gritou: ´Meu Deus, meu Deus, tu te esquecestes de mim´. Tendo dito isto, caiu no chão. Oramos a Deus em favor dela. Seus gritos junto com de muitos outros, clamando a Deus, se aumentaram. Mas nós continuamos lutando com Deus em oração, até que Ele nos atendeu com a paz.”[83] Mas isso não era ainda Pentecostes. 

Wesley fala de um avivamento ocorrido em 1767 em Cork: “Estive aqui quando a chama do avivamento estava mais alta, e preguei ao ar livre, no centro da cidade e no lado sul, perto do quartel, e diversas vezes em Blackpool, que fica ao norte. Mais e mais interessados, e houve aqui avivamento maior do que em qualquer outra parte do reino”.[84] 

Os dons do Espírito 

Wesley acreditava que os dons “estão disponíveis para os cristãos hoje”.[85] Para ele os dons do Espírito são uma consequência natural da santidade genuína e da morada do Espírito de Deus no coração.[86]  Ele falava dos dons extraordinários e comuns do Espírito. Os primeiros são ocasionais e especiais; o segundo é comum a todos os crentes.[87] 

Segundo Wesley, “os ‘dons comuns’ incluíam ‘discurso convincente’, persuasão, conhecimento, fé, ‘elocução fácil’ e pastores e professores como ‘oficiais comuns’.  Entre os ‘dons extraordinários’ que ele incluiu cura, milagres, profecia (no sentido de prever), o discernimento dos espíritos, falar em línguas, e a interpretação de línguas. Ele descreve os apóstolos, os profetas e os evangelistas como ‘oficiais extraordinários."[88]  

“Embora o ‘caminho mais excelente’ seja o caminho do amor, Wesley ainda insistiu para que possamos ‘cobiçar fervorosamente’ dons como evangelismo para ‘ sondar os incrédulos corações; o dom do conhecimento para entender tanto a providência quanto a graça de Deus, ou o dom da fé ‘que em ocasiões particulares vai muito além do poder das causas naturais."[89]

Para Wesley os dons do Espírito são uma consequência natural da santidade genuína e da morada do Espírito de Deus no coração. 

Mas o esfriamento do amor pode apagar o Espírito.

Ele afirmou: "Não parece que esses dons extraordinários do Espírito Santo fossem comuns na Igreja por mais de dois ou três séculos ... A causa disso não era porque não havia ocasião para eles porque todo o mundo se tornou cristão.  A verdadeira causa foi [que] "o amor de muitos", quase todos os cristãos, assim chamados, estavam "gelados". Esta era a verdadeira razão pela qual os dons extraordinários do Espírito Santo já não se encontravam na Igreja cristã, porque os cristãos voltaram a ser pagãos e só restavam uma forma morta”.[90]

Essa foi a razão de apagar o Espírito Santo, segundo Wesley.

 

A necessidade da inteira santificação

 

“... aquele em quem existe a mente que houve em Cristo e que anda como Cristo andou; que foi lavado de todas as impurezas da carne e do espírito; aquele que não é motivo de tropeço para os outros, e aquele que não comete pecado, (...) aquele a quem Deus santificou totalmente o corpo, a alma e o espírito, aquele que anda na luz como Ele está na luz,   não há nenhuma treva, tendo sido lavado de todo pecado pelo sangue de Jesus Cristo, Seu Filho”.

 

Texto base: 2 Coríntios  7.1

Entendemos, então, que precisamos nos livrar da “Dalila” que está dentro de nós. Só assim o Senhor poderá habitar em nossos corações.

Wesley entendia que isso poderia acontecer na nossa existência aqui na terra pela inteira santificação, santificação completa ou perfeição cristã. Sem a inteira santificação é impossível ser salvo de todo pecado.

Wesley cita vários versículos para fundamentar sua palavra: “Ele remirá a Israel de todos os seus pecados” (Sl 130.8); “... de todas as vossas iniquidades e de todos os vossos ídolos vos limparei.” (Ez 36.25); Tendo estas promessas, “purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne,  como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus” (2Co 7.1); “O Senhor teu Deus circundará o teu coração, e o coração da tua descendência, para amares ao Senhor teu Deus de todo o coração e de toda a tua alma, para que vivas.” (Dt 30.6).

Por fim, ele cita I Tessalonicenses 5.23: “O mesmo Deus da paz vos santifique totalmente, e rogo a Deus para que todo o vosso espírito, alma e corpo sejam preservados irrepreensíveis até a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”.

Aqui há expressões como “toda impureza”, “todos os seus pecados”, “santifique totalmente”. É preciso estar convencido da profunda corrupção do coração para que haja preocupação com a santificação completa, diz Wesley.

Esta santificação completa não exclui erros humanos. Ela não torna o ser humano um Deus infalível: “Creio que não existe perfeição nesta vida que exclua essas transgressões involuntárias, as quais penso serem naturalmente consequência da ignorância e dos erros inseparáveis da mortalidade”.[91]

Não há perfeição absoluta na terra. “Um cristão é perfeito a ponto de não cometer pecado”. O cristão será perfeito como o seu Mestre e o Mestre era isento de todos os sentimentos pecaminosos.

Mas quais são as marcas essenciais, então, de uma pessoa que alcançou a inteira santificação?

Ele responde: “... aquele em quem existe a mente que houve em Cristo e que anda como Cristo andou; que foi lavado de todas as impurezas da carne e do espírito; aquele que não é motivo de tropeço para os outros, e aquele que não comete pecado, (...) aquele a quem Deus santificou totalmente o corpo, a alma e o espírito, aquele que anda na luz como Ele está na luz,   não há nenhuma treva, tendo sido lavado de todo pecado pelo sangue de Jesus Cristo, Seu Filho”. [92]

Wesley ainda diz: “A sua alma é realmente toda amor, cheia de entranhas de misericórdia, bondade, mansidão, magnanimidade e tolerância. A sua vida está de acordo com estas qualidades, cheia de obras de fé, da paciência, de esperança e da obra do amor. Tudo quanto faz, quer em palavras, quer em atos, ele o faz em nome, no amor e no poder do Senhor Jesus”. [93]

Em seu diário, Wesley cita exemplos de pessoas que receberam a bênção, como ele também chama, a inteira santificação. Ele conta a experiência do Sr. Fugill que, numa noite após buscar a Deus, experimentou a bênção. E foi na hora da pregação. Diz esse senhor: “... meu coração se enchia mais e mais, até não mais poder. Queria eu estar a sós, para derramar meu coração perante Deus; e, quando cheguei à casa, não podia fazer outra coisa senão louvar e agradecer a Deus. Desde aquele momento, não tenho sentido mais nada a não ser amor; sem pecado de espécie alguma. E espero nunca mais pecar, nem ofender a Deus”.[94]

Os que foram justificados e nasceram de novo não podem deixar de procurar crescer espiritualmente, não podem deixar de se santificar, pois há ainda no crente a natureza má que luta contra o espírito. Os que ensinam o contrário disso, diz Wesley, trazem as piores consequências: “Ela suprime toda vigilância sobre nossa natureza pecaminosa, sobre a Dalila que nos disseram ter-se ido, embora ela ainda repouse contra nosso peito”.[95]

Por isso ele ainda diz: “Tanto quanto possível, usemos de toda diligência no 'combater o bom combate da fé'. Cada vez mais ativamente, 'vigiemos e oremos' contra o inimigo interior”.[96]

Ele ainda diz para tomarmos toda armadura de Deus para que, quando lutarmos contra a carne e o sangue e também os “principados, poderes e espíritos depravados nos lugares elevados, possamos 'estar firmes no dia mau', e, tendo feito tudo, permanecermos firmes na fé”.[97]

Enfim, devemos ter consciência de que precisamos sempre caminhar para a inteira santificação. Só assim teremos poder sobre a “Dalila” que teima em ficar repousando contra o nosso peito.

Em Hebreus 3.13, há uma orientação neste sentido: “... exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de  que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado”. Adiante diz: “Por isso, pondo de parte os princípios elementares da doutrina de Cristo, deixemo-nos levar para o que é perfeito” (Hb 6.1).

 

O derramamento do amor

 

Wesley orienta que é necessário Cristo reinar em nosso coração para o céu ser aberto na alma enquanto o amor de Deus é derramado no coração

 

Texto base: Romanos 5.5

Só há uma maneira do cristão tomar posse plenamente da promessa de Jesus de vida em abundância e ser verdadeiramente feliz (João 10.10): pelo derramamento do amor em nosso coração pelo Espírito Santo (Rm 5.5) e, consequentemente, chegar à santidade e felicidade.

Somente dessa forma poderemos ser curados de nossa baixa autoestima, abandono, abusos na infância e maus tratos etc. O derramamento do amor de Deus nos cura, santifica e cria o ambiente apropriado para Jesus reinar em nossos corações.

Pregando sobre o Reino de Deus, Wesley disse: “Chama-se o Reino de Deus porque é o fruto imediato do reinado de Deus na alma. Logo que Ele com o seu poder estabelece o seu trono no nosso coração, ficamos instantaneamente cheios da ‘justiça, paz e alegria no Espírito Santo’. Chama-se o Reino do Céu porque é, até certo ponto, o céu aberto na alma”.[98]

Wesley orienta que é necessário Cristo reinar em nosso coração para o céu ser aberto na alma enquanto o amor de Deus é derramado no coração: “A vida eterna começa quando agrada ao Pai revelar seu Filho em nossos corações; quando primeiro conhecemos Cristo ... então é que o céu é aberto na alma, que o estado celestial apropriado começa, enquanto o amor de Deus, como nos amando, é derramado no coração, produzindo instantaneamente amor a toda a humanidade.”[99]

Importante lembrar que dentro dos significados de “vida”, em João 10.10, pode ser alguém possuidor de vitalidade, uma vida ativa e vigorosa, dedicada a Deus, abençoada, na porção mesmo neste mundo daqueles que depositam sua confiança em Cristo (...)”.[100]

E para “abundância” dentro dos significados estão: excedendo abundantemente, supremamente, muito mais que todos, mais claramente, além da medida, extraordinária.[101]

Essa é a vida que Jesus veio nos dar!

Paulo sabia dessa vida em abundância e orou pelos efésios para que eles fossem fortalecidos com poder pelo Espírito no homem interior; “para que Cristo habite pela fé nos vossos corações; a fim de, estando arraigados e fundados em amor, poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus” (Efésios 3.16-19). 

Quando estivermos alicerçados e fundamentados em amor, conheceremos profundamente a totalidade do amor de Deus e poderemos dizer como Paulo: "Logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim." (Gálatas 2.20).

A grande questão em nossos dias é que a maioria dos cristãos não tem essa visão e propósito de ter o derramamento do amor em seus corações. E, como disse o teólogo Andrew Murray, são “santos e duros”.

Isso explica porque temos tantos membros que se desviam da vida cristã buscando prazeres fora do Reino de Deus e tantos outros que permanecem na Igreja, mas vivem uma vida de derrota ou fraqueza espiritual.

Desconhecem essa maravilhosa possibilidade de recebermos o batismo do amor, ter Cristo reinando em nosso coração e assim alcançarmos a vida abundante que Jesus prometeu (João 10.10).

Há muitos cristãos que não têm Cristo reinando em seus corações, por isso, há tantos outros ídolos em seus corações. São cristãos que não são aperfeiçoados em amor.

Andrew Murray perguntou: Por que é que encontramos cristãos que são santos e duros? 

Ele prossegue respondendo: “Porque eles nada sabem, do Espirito de amor. Somente o Espírito Santo pode produzir amor”.[102] 

Segundo ele, “muitos de nós tentamos, às vezes, amar. Nós tentamos nos forçar amar, e eu não digo que isso é errado; é melhor que nada. Mas o fim disso é sempre muito triste. "Eu falho continuamente", esse deve confessar. E qual é o motivo?” [103] 

Martinho Lutero, que fez a reforma Protestante,  em sua poesia “Perfeita alegria” conta sua experiência de vida longe de Deus e descreve como o perfeito amor trouxe alegria para ele: 

Eu quantas vezes meu coração entreguei

E por não pensar sempre sofri e chorei

Até que encontrei o perfeito amor

Que eliminou toda dor

Tristeza esqueci, o meu caminho achei

Perfeita alegria encontrei.[104] 

E Carlos Wesley no hino “Ó Amor Divino, rico” também descreve num verso a alegria do amor de Deus: 

Ó Amor Divino, rico,
        Alegria traz do céu;
     Faz de nós moradas simples,
        Com mercê que é fiel.
     Cristo, pura compaixão és;
        Infinito, puro amor;

     
Salvação és, nos visita,
        Em nós entra com fulgor
.[105]

 

Jesus disse que é o Caminho, a Verdade e a Vida (João 14.6). Muitos estão na Igreja e conhecem o caminho e a verdade. Aprenderam na Escola Dominical, nos cultos e discipulado ou tiveram uma experiência de conversão com Jesus, mas não conhecem a verdadeira vida em abundância.

São crentes, muitas vezes, infelizes, carnais e que procuram nos prazeres do mundo um pouco de alegria.

Mas não devemos esquecer que há muitas exceções, como diz Wesley. “Há milhares de corações sinceros e crentes em todas as denominações cristãs, nas quais o pecado inato ainda existe, mas não com o consentimento da vontade. Eles estão cansados ​​- muito cansados ​​do tirano que os governa, ou das lutas incessantes pelas quais, com a graça acrescida e assistencial de Deus, eles são capazes de mantê-lo sob o controle. Eles anseiam por libertação. Eles estão famintos por plena salvação, e regozijam-se em ouvir a mensagem da Inteira Santificação através do batismo com o Espírito Santo e fogo”.[106] 

Wesley disse que é possível haver na igreja pessoas de boas intenções, mas sem amor a Deus e ao próximo: “Homens bem intencionados limitam toda sua religião ao hábito de acompanhar as orações da Igreja, receber os elementos da Ceia do Senhor, ouvir sermões, ler manuais de piedade, negligenciando ao mesmo tempo, o fim de tudo isso, que é – o amor de Deus e do próximo.”[107]

Falta o derramar do amor nos corações para quebrar as barreiras, proporcionar a cura das feridas do passado, para alcançarmos o perfeito amor e ter o reinado de Cristo em nosso coração.

Podemos e é preciso ir muito mais além.

Como disse Dr.David McEwan,[108] Diretor e professor da Faculdade Teológica Nazarena da Austrália: “John Wesley consistentemente ancorou a vida cristã no amor de Deus derramado em nossos corações pelo Santo Espírito, desde as aberturas iniciais da graça preveniente até a experiência do amor puro e da nova possibilidade de uma profundidade sem fim e riqueza para o nosso vínculo com Deus e com o próximo”. [109] 

Nos últimos tempos, uma boa parte de nossas igrejas está com ênfase forte no louvor, Encontro com Deus e no discipulado através das células. São ênfases com bons propósitos e que têm proporcionado o crescimento da Igreja.

 

Contato íntimo com o Senhor

 

“Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo” (Ap 3.20).

 

Texto base: Apocalipse 3.20

Certa vez, em Buenos Aires, perguntei a um jovem argentino se o melhor jogador do mundo foi Pelé ou Maradona.

Ele disse todo animado e com a resposta na ponta da língua: “Não tenho dúvida: Pelé foi o rei e Maradona um deus”.

Ele viu Maradona jogar, mas não viu Pelé jogar. Conversando com um senhor argentino, eu lhe disse que ele certamente achava Maradona melhor do que Pelé. Ele disse que quando era pequeno, na década de sessenta, foi com o pai assistir um jogo entre Boca Junior e o Santos, em Buenos Aires, e viu Pelé jogar. Ele não tem dúvida de que Pelé é melhor do que Maradona.

O contato pessoal e íntimo faz toda a diferença e nos faz ver a vida de outra maneira.

Nosso contato deve ser através da fé. Somos chamados a ter comunhão com Jesus: Quando abrimos nosso coração, Jesus passa a estar conosco: “Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo” (Ap 3.20).

A mudança de Jó

O contato faz toda a diferença e proporciona mudança.

Jó teve uma mudança quando viu o Senhor: “Antes eu te conhecia só por ouvir falar, mas agora eu te vejo com os meus próprios olhos. Por isso, estou envergonhado de tudo o que disse e me arrependo, sentado aqui no chão, num monte de cinzas” (Jó 42.5-6).

A mudança de Paulo pelo contato pessoal

Paulo perseguia a igreja de uma forma convicta de sua atitude, mas quando Ele teve um encontro com Jesus mudou tudo: Em sua viagem, quando se aproximava de Damasco, de repente brilhou ao seu redor uma luz vinda do céu. Ele caiu por terra e ouviu uma voz que lhe dizia: "Saulo, Saulo, por que você me persegue? "Saulo perguntou: "Quem és tu, Senhor?". Ele respondeu: "Eu sou Jesus, a quem você persegue. Levante-se, entre na cidade; alguém lhe dirá o que você deve fazer" (Atos 9.3-6).

Paulo sempre tinha contato pessoal com Jesus que aparecia para ele, que lhe falava em visões.

O contato com Jesus deve ser pessoal e deve gerar frutos

Jesus disse: “Estai em mim, e eu em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em mim” (João 15.4).

Jesus fez uma promessa: “Aquele que crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva. Mas Ele se referiu ao Espírito que, mais tarde, receberiam os que nele cressem” (Jo 7.38-39). 

A mudança de Wesley pela experiência pessoal

Ele sentiu seu coração estranhamente aquecido e sentiu que seus pecados estavam perdoados e salvo pela fé. A partir daí foi usado por Deus para um grande aviamento na Inglaterra. Uma de suas ênfases foi o Testemunho do Espírito ou a Certeza da salvação baseada em Romanos: “Pois vós não recebestes um espírito que vos escravize para andardes, uma vez mais, atemorizados, mas recebestes o Espírito que os adota como filhos, por intermédio do qual podemos clamar: “Abba, Pai!”.  O próprio Espírito testemunha ao nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8. 15-16). 

As dificuldades hoje de contato pessoal com Jesus

Algumas pessoas tratam a Jesus como alguém que vai tirar dinheiro em um caixa eletrônico. É frio, rápido e isolado. Até mesmo o uso da Bíblia no celular pode ser um empecilho... As barreiras da agitação, sons e dispersão; a pressa e a superficialidade de hoje são grandes inimigos da intimidade com Jesus.

Conexão imediata: “Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito” (João 15.7).

Vivemos um cristianismo mais de intelecto, emoção dos sons musicais e palavra ministrada na mídia.

Com isso, temos pouca santidade e consagração. Temos pouca disponibilidade para servir ao Senhor de todo o coração.

Temos com isso perdido a sensibilidade. Precisamos retornar a Jesus como o Filho Pródigo: “E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão e, correndo, lançou-se lhe ao pescoço e o beijou” (Lc 15.20).

Somos chamados a andar como Jesus andou, a amar como Jesus amou, a ser servo e serva como Jesus foi, a ter humildade como Jesus, etc.

Por fim, Servi uns aos outros de acordo com o dom que cada um recebeu, como bons administradores da multiforme graça de Deus.  Se algum irmão prega, fale como quem comunica a Palavra de Deus; se alguém serve, sirva conforme a força que Deus provê, de maneira que em todas as atitudes Deus seja glorificado mediante Jesus Cristo, a quem pertencem a glória e o pleno domínio por toda a eternidade. Amém!” (1 Pedro 4.10-11).

 

 



[1] Geralmente, há 10 estudos nos Encontros com Deus. Fica a critério da direção escolher os estudos.

[2]https://www.facebook.com/sedenacionalmetodista/videos/-nem-sempre-as-coisas-saem-como-o-esperadojohn-wesley-viveu-uma-missão-frustrada/1849281945688984/

[3] https://www.flumc.org/ newsdetail/john-wesleys-reluctance-turned-into-an-inferno-after-encounter-at-aldersgate-17424710

[4] Visão geral criada por IA

[5] Visão geral criada por IA do Google

[6] http://www.craigladams.com/archive/files/john-wesley-on-the-bible.html

[7]https://sendoedificado.wordpress.com/2011/02/04/“as-marcas-do-novo-nascimento”-l/

[8]https://sendoedificado.wordpress.com/2011/02/05/“as-marcas-do-novo-nascimento”-ii/

[9] https://sendoedificado.wordpress.com/ 2011/04/22/“as-marcas-do-novo-nascimento”-iii/

[10]http://wesley.nnu.edu/john-wesley/john-wesleys-notes-on-the-bible/notes-on-st-pauls-epistle-to-the-ephesians/

[11]

The Journal of the rev. Charles Wesley, m.a. An Introduction and Occasional Notes, by Thomas Jackson. E dois volumes. vol. i. Londres - Wesleyan Methodist Book-Room, 2, Castle Street City road, e.c.; and gg, paternoster row, k.c, p.129.

[12] Idem, p.129. 

[13] Ide, p.130.

[14] https://www.visionofbritain.org.uk/travellers/C_Wesley/6 

[15]

The Journal of the rev. Charles Wesley, m.a. An Introduction and Occasional Notes, by Thomas Jackson. E dois volumes. vol. i. Londres - Wesleyan Methodist Book-Room, 2, Castle Street City road, e.c.; and gg, paternoster row, k.c, p.131. 

[16] https://www.visionofbritain.org.uk/travellers/C_Wesley/6 

[17] https://www.visionofbritain.org.uk/travellers/C_Wesley/6

[18] The Journal of the rev. Charles Wesley, m.a. An Introduction and Occasional Notes, by Thomas Jackson. E dois volumes. vol. i. Londres - Wesleyan Methodist Book-Room, 2, Castle Street City road, e.c.; and gg, paternoster row, k.c, p.137.

[19] Idem, p.138.

[20] http://www.craigladams.com/archive/files/john-wesley-on-the-bible.html

[21] Idem.

[22] https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/biblia.htm

[23] https://www.slideshare.net/deuzilenefrancisco/coletanea-da-teologiadejoaowesley-79740825

[24]http://irmaos.net/biblia04_04.html

[25] http://www.cacp.org.br/a-bíblia-e-john-wesley/

[26] https://www.slideshare.net/deuzilenefrancisco/coletanea-da-teologiadejoaowesley-79740825

[27] https:// irmaos.org/assim-diz-senhor

[28] https://juttadolle.com/pt/quantas-vezes-e-039-diz-o-senhor-039-repetido-na-biblia/

[29] https://library.garrett.edu/collections/special-collections/rare-bible-digital-exhibit/post

[30] http://www.cacp.org.br/...Bíblia... e... John-Wesley/

[31]https:// www.dicionarioinformal.com.br/diferenca-entre/exegese/exeg%C3%A9tica

[32] https://wesleyscholar.com/opening-salvations-door-acts-1035-and-john-wesleys-inclusivism/

[33] https://teologiacomqualidade.com.br/tipos-de-hermeneutica-bibli...

[34] https://criticanarede.com/hermeneutica.html

[35] www.methodist.org.uk/downloads/wc_Revd_John_McMaster_Hermeneutics.pdf

[36] www.methodist.org.uk/downloads/wc_Revd_John_McMaster_Hermeneutics.pdf

[37] http://wesley.nnu.edu/john-wesley/ John...wesleys- notas-em-a Bíblia/notas-em-o- livro-de-amos/

[38]http://wesley.nnu.edu/john-wesley/j john-wesleys-notes-on-the-bible/notes-on-the-revelation-of-jesus-christ/#Chapter+XVI

[39]Idem.

[40]http://wesley.nnu.edu/john-wesley john-wesleys-notes-on-the-bible/notes-on-the-revelation-of-jesus-christ/#Chapter+V

[41] http://wesley.nnu.edu/john-wesley/john-wesleys-notes-on-the-bible/notes-on-the-revelation-of-jesus-christ/#Chapter+XII

[42] jhttp://wesley.nnu.edu/john-wesley/ohn-wesleys-notes-on-the-bible/notes-on-the-revelation-of-jesus-christ/

[43]http://wesley.nnu.edu/john-wesley john-wesleys-notes-on-the-bible/notes-on-the-revelation-of-jesus-christ/

[44] https://www.catalystresources.org/how-john-wesley-read-the-bible/

[45] https://www.catalystresources.org/how-john-wesley-read-the-bible/

[46] Idem.

[47] http://www.metodistavilaisabel.org.br/docs/Coletanea_da_Teologia_de_Joao_Wesley.pdf

[48] https://www.slideshare.net/deuzilenefrancisco/coletanea-da-teologiadejoaowesley-79740825

[49] https://pt.scribd.com/document/314478455/Coletanea-Da-Teologia-de-Joao-Wesley

[50] https://www.salvationlife.com/ /blog/2012/01/25/lords-supper; Steve Harper é um professor aposentado de seminário que lecionou por mais de trinta anos nas disciplinas de Formação Espiritual e Estudos Wesleyanos. Ele lecionou em faculdades, universidades e seminários nos Estados Unidos e em outros lugares do mundo.

[51] BURTNER, R. - Chiles, R. Coletânea da Teologia de João Wesley, S. P., Jugec - 1960, p.269

[52] BURTNER, R. - Chiles, R. Coletânea da Teologia de João Wesley, S. P., Jugec - 1960, p.270.

[53] https://juicyecumenism.com/2021/08/20/john-wesley-church-fathers-identity-of-methodism/

[54] BURTNER, R. - Chiles, R. Coletânea da Teologia de João Wesley, S. P., Jugec - 1960, p. 261.

 

[55] BURTNER, R. - Chiles, R. Coletânea da Teologia de João Wesley, S. P., Jugec - 1960, p. 261. 

[56] BURTNER, R. - Chiles, R. Coletânea da Teologia de João Wesley, S. P., Jugec - 1960, p. 262. 

[57] https://juicyecumenism.com/2021/08/20/john-wesley-church-fathers-identity-of-methodism/

[58] https://juicyecumenism.com/2021/08/20/john-wesley-church-fathers-identity-of-methodism/

[59] https://seedbed.com/methodism-as-a-revivalistic-movement/

[60] https://media.sabda.org/alkitab-10/library/collect/wesley_c/wes_ww01.pdf

[61] https://seedbed.com/methodism-as-a-revivalistic-movement/

[62] https://dmbi.online/index.php?do=app.entry&id=2033

[63] https://seedbed.com/methodism-as-a-revivalistic-movement/

[64] https://academic.oup.com/book/2735/chapter-abstract/143204893?redirectedFrom=fulltext&login=false

[65] BURTNER, Robert - CHILES, Robert. Coletânea da Teologia de João Wesley, São Paulo, Imprensa Metodista, 1960; p. 180

[66] BURTNER, Robert - CHILES, Robert. op. cit. p. 180

[67] Folheto de Cura Interior da Igreja Metodista do Jardim Botânico produzido por Odilon Chaves.

[68] BURTNER, Robert - CHILES, Robert. op. cit. p. 182.

[69] BURTNER, Robert - CHILES, Robert. op. cit. p. 184.

[70] BURTNER, Robert - CHILES, Robert. op. cit. p. 186. 

[71] STAPLES, Rob L. John Wesley’s doctrine of the hole Spirit. https://iliff.instructure.com/courses/1439137/files/.../download?.

[72] Ibidem, p. 90. Esta experiência é citada por alguns carismáticos e pentecostais como a experiência do Batismo com  o Espírito Santo ou unção do Espírito . No livro Heróis da Fé está escrito sobre essa experiência: ”Essa unção do Espírito Santo dilatou grandemente os horizontes espirituais de Wesley” (BOYER, Orlando. Heróis da Fé. Rio de Janeiro: CPAD, 1986, p.68).

[73] https://en.m.wikipedia.org/wiki/Fetter_Lane_Society; Telford, John (1947). A Vida de John Wesley . Londres : The Epworth Press. p. 394. ISBN 0-88019-320-4. pp117.

[74] BUYERS, Paul Eugene. Diário de João Wesley. São Paulo, Imprensa Metodista, 1965, p.95.

[75] http://romans1015.com/tag/fetter-lane-revival/;  John Gillies, Memoirs of the Life of George Whitefield, p.34

[76] http://romans1015.com/tag/fetter-lane-revival/

[77] http://www.revempete.us/research/holiness/johnwesley.html

[78] BUYERS, Paul Eugene, tradução. Trechos do Diário de João Wesley. Junta Geral de Educação Cristã, Imprensa Metodista, 1965, p.130.

[79] LELIÈVRE, Mateo. João Wesley - Sua vida e obra. São Paulo: Editora Vida, 1997, p.217.

[80] BUYERS, Paul Eugene, tradução. Trechos do Diário de João Wesley. Junta Geral de Educação Cristã, Imprensa Metodista, 1965, p.99.

[81] WESLEY, João. Trechos do diário de João Wesley, ibidem, p.115.

[82] Ibidem,, p.37-8.

[83] Ibidem, p.84.

[84] Ibidem, p.156.

[85] ZIVADINOVIC, Dojcin. Wesley and Charisma: An Analysis of John Wesley’s view spiritual gifts (Wesley e Carisma: Análise da visão de João Wesley sobre dons espirituais). Dojcin Zivadinovic, Ph.D. Candidato à História da Igreja (Andrews University), p.70.

[86] Ibid, p.58. In Wesley, “The More Excellent Way,” (1787) in Works of the Rev. John Wesley, 12 vols. (London: Wesleyan Conference Office, 1872), 7:27 [hereafter referred to as WRJW]. See Wesley’s early longings for Fruits of the Holy Spirit in his diary entry of August 12, 1738 in WRJW 1:120ff; January 4, 1739 in WRJW 1:170-72. See also the entire sermon 4, “Scriptural Christianity,” August 24, 1747, in WRJW 5:37-52.

[87] E. H. Sugden,'The Standard Sermons of John Wesley', Vol. I . https://www.cai.org/bible-studies/scriptural-christianity-john-wesley.

[88] Notas Explicativas , p. 625 (1 Corintios 12:31). Observe seu comentário sobre cura, p. 623.   Veja também o Sermão, "O caminho mais excelente", Works (Jackson), 7:27; Notas Explicativas , p. 713 (em Eph. 4: 8-11). http://www.swartzentrover.com/cotor/e-books/freemeth/flame/tdf04.html.

[89].JR, Robert G. Tutlle. João Wesley e os dons do Espírito Santo. Professor de evangelismo na Escola Missões Mundiais E. Stanley Jones e Evangelismo  no  Asbury Theological Seminary em Wilmore, Kentucky, EUA.. https://ucmpage.org/articles/rtuttle1.html; ZIVADINOVIC, Dojcin. Wesley and Charisma: An Analysis of John Wesley’s view spiritual gifts (Wesley e Carisma: Análise da visão de João Wesley sobre dons espirituais). Dojcin Zivadinovic, Ph.D. Candidato à História da Igreja (Andrews University), p.58.

[90] E. H. Sugden. The Standard Sermons of John Wesley' por Vol. I '. https://www.cai.org/bible-studies/scriptural-christianity-john-wesley.cf. http://enrichmentjournal.ag.org/201103/201103_000_holy_sp.cfm 

[91] BURTNER, Robert - CHILES, Robert. op. cit. p. 213.

[92] BURTNER, Robert - CHILES, Robert. op. cit. p. 218.

[93] BURTNER, Robert - CHILES, Robert. op. cit. p. 210.

[94] WESLEY, João. Trechos do Diário de João Wesley, São Paulo, Imprensa Metodista, 1965, p. 127.

[95] WESLEY, João. Sermões de Wesley, São Paulo, Imprensa Metodista, 1953, Vol. I, p. 270.

[96] WESLEY, João, Sermões de Wesley, op.cit, p. 271

[97] Idem.

[98] BURTNER, Robert W.; CHILES, Robert E. Coletânea da Teologia de João Wesley. JGEC. São Paulo: Imprensa Metodista, 1960, p.221.

[99] https://goodnewsmag.org/2014/07/john-wesleys-view-of-the-kingdom-of-god/

[100] https://www.gospel-john.com/chapter-10/

[101] Idem.

[102] http://faculty.gordon.edu/hu/bi/ted_hildebrandt/SpiritualFormation/Texts/Murray_AbsoluteSurrender.pdf

[103] Idem.

[104] https://www.letras.com.br/martin-lutero/perfeita-alegria

[105] http://hinario.org/detail.php?id=428

[106] http://salcultural.com.br/wesleyano/index.php/2018/05/23/a-inteira-santificacao-e-uma-necessidade/

[107] WESLEY, João. Sermões de Wesley. São Paulo, Imprensa Metodista, 1954, p.18

[108] Decano Acadêmico e Diretor de Pesquisa, Professor Associado de Teologia e Teologia Pastoral, Faculdade Teológica Nazarena (Brisbane, Austrália); Diretor do Centro Australasiano de Pesquisa Wesleyana. O Dr. McEwan tem pastoreado igrejas nazarenas na Escócia, Inglaterra e Austrália antes de se tornar Decano Acadêmico e Professor de Teologia na Faculdade Teológica Nazarena, em Brisbane, em 1997. Em 2008 ele se tornou o Diretor do Centro Australasiano de Pesquisa Wesleyana. Além do ensino de pós-graduação da NTC-Manchester em várias ocasiões, ele lecionou em várias faculdades teológicas na Austrália e em outras faculdades de Nazareno nos EUA e na região Ásia-Pacífico. http://www.mwrc.ac.uk/david-mcewan 

[109] https://espace.library.uq.edu.au/view/UQ:373739/UQ373739_OA.pdf.

 

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