O Legado de Mulheres Negras Metodistas

 

 Em diferentes épocas e nações, elas deixaram um grande legado

 

  Odilon Massolar Chaves

 

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Art. 184 do Código Penal e Lei 96710 de 19 de fevereiro de 1998. 

Livros publicados na Biblioteca Digital Wesleyana: 592

Livros publicados pelo autor: 670

Livretos: 3

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Fontes das fotos da capa:https://unsplash.com/pt-br/fotografias/por-do-sol-sobre-o-mar-com-praia-wunS5x5xWKQ; http://www.west-africa-brief.org/content/und/sirleaf; http://hellemannews.blogspot.com/2012/02/consecration-of-bishop.html;https://br.pinterest.com/pin/245375879685274057/; https://iloveancestry.net/post/67216218237/blackedu-ida-bell-wells-barnett-july-16-1862;https://www.anf.org.br/rosa-parks-ativista-na-luta-contra-a-segregacao-racial-mae-do-movimento-dos-direitos-civis-eua/; https://musiclinernotes.wordpress.com/2010/09/02/ethel-waters/; https://stpaulhaenertsburg.org.za/methodist-church-southern-africa-elects-installs-new-presiding-bishop/; https://theclio.com/entry/101980

Personagens da capa: Ethel, Joaquina, Ida, Sarah Gill e Purity (Embaixo, da esquerda para à direita). Hannah, Ellen e Rosa (Acima, da esquerda para à direita).

Toda gloria a Deus!

 

Odilon Massolar Chaves é pastor metodista aposentado, doutor em Teologia e História pela Universidade Metodista de São Paulo.

Sua tese tratou sobre o avivamento metodista na Inglaterra no século XVIII e a sua contribuição como paradigma para nossos dias.

Foi editor do jornal oficial metodista e coordenador de Curso de Teologia.

Declaração de direitos autorais: Esses arquivos são de domínio público e são derivados de uma edição eletrônica que está disponível no site da Biblioteca Etérea dos Clássicos Cristãos.

Rio de Janeiro – Brasil


 

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 As chamadas “irmãs Hart” “defendiam um cristianismo que desafiava a situação patriarcal e escravagista vigente

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Índice

 

 

·       Introdução

·       As irmãs que desafiaram o sistema patriarcal e escravagista em Antigua

·       Guerreiras e discipuladoras da Jamaica

·       A Presidenta que ganhou o Prêmio Nobel da Paz

·       Notáveis bispas metodistas da África

·       Primeira afro-brasileira admitida em profissão de fé numa Igreja protestante brasileira

·       Sarah Ann Gill, heroína de Barbados

·       Uma mulher à frente de seu tempo

·       Uma guerreira contra o machismo, racismo e a violência

·       Atriz de Hollywood e cantora da Cruzada Billy Graham

·       A mãe dos direitos civis nos EUA

 

 

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Introdução

 

 

“O Legado de Mulheres Negras Metodistas” é um livro de 78 páginas que procura honrar mulheres negras que em diferentes países e épocas, em diferentes situações, deixaram a marca do amor e justiça. 

Elas são exemplos de grande dedicação. Algumas arriscaram suas próprias vidas pelo bem do ser humano e do metodismo. 

Destacamos algumas mulheres, mas há uma “linha de esplendor sem fim” espalhada pelo mundo. 

Algumas foram bispas, outra Presidenta da República e Prêmio Nobel da Paz. Umas se destacaram como professora, pastora, cantora e atriz, ativista social ou simplesmente como uma pessoa comum que deixou um grande legado. 

Histórias que nos inspiram e nos motivam nos dias de hoje a deixarmos também um legado sendo sal da terra e luz do mundo.

 

O Autor

 

 

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As irmãs que desafiaram o sistema patriarcal e escravagista em Antigua

 

 

Fundaram a “Sociedade do Refúgio Feminino” para órfãos e mulheres 

Diversas mulheres tiveram uma importância imensa na implantação e desenvolvimento do metodismo no Caribe. Mais do que isso, impactaram a sociedade, na época, e deixaram um legado. Dentre elas, estão as irmãs Hart. 

Desafiando a situação patriarcal e escravagista em Antigua  

As irmãs Hart “estiveram entre as primeiras educadoras de escravos e livres do Caribe africano no final do século XVIII e início do século XIX em Antígua.” [1] 

A influência das irmãs Hart foi grande. “Seus escritos iluminam o complexo de divisões raciais, espirituais e de classe e gênero, bem como atitudes, da sociedade anglófona caribenha. (...). Seus escritos ajudaram a estabelecer uma identidade cultural antiguana negra específica”. [2] 

Sobre Elizabeth e Anne 

Elizabeth Hart Thwaites (1772-1833) e Anne Hart Gilbert (1773-1833) nasceram em Antígua, Caribe, na época um local de plantação, escravos e um posto naval britânico governado por brancos “ásperos e mercenários.” Elas eram filhas de Anne e Barry, uma família negra livre,[3] que havia sido escrava. 

Elizabeth e Anne causaram escândalo em Antígua, quando decidiram se casar com líderes metodistas leigos e brancos. Anne se casou com John Gilbert, em 1798, e Elizabeth com Charles, por volta de 1805. 

“As irmãs usavam roupas simples, renunciavam à música e outras atividades mundanas, educavam os trabalhadores escravizados de seu pai e expressavam publicamente suas crenças abolicionistas”. [4] 

Outro escândalo foi se batizarem ainda jovens na Igreja Metodista, em 1786, por Thomas Coke,[5] pastor metodista galês, companheiro de Wesley e líder na área de Missões. 

Elas trabalharam ativamente para espalhar o metodismo entre os negros de Antigua. Em 1797, havia 2.379 pessoas negras e 25 pessoas brancas na Igreja Metodista em Antígua. 

As chamadas “irmãs Hart” “defendiam um cristianismo que desafiava a situação patriarcal e escravagista vigente. 

Elas insistiam que na obra de Deus as mulheres tinham o direito de buscar o trabalho santo e não apenas os homens. Defendiam a igualdade política propondo assim que negros e escravos fossem iguais aos brancos”.[6] Usaram a escrita para desafiar a ordem patriarcal. Foram as primeiras escritoras afro-caribenhas.[7] 

Em 1804, Anne e Elizabeth escreveram uma breve história do metodismo na Antigua. Elizabeth escreveu também poesia, hinos, cartas e um tratado antiescravista. 

Em 1801, Elizabeth fundou uma escola particular em St. John's. Em 1809, elas abriram a primeira Escola Dominical do Caribe para meninos e meninas, independente da raça.[8] “Anne realizou suas reuniões no escuro para que ninguém se envergonhasse de suas roupas esfarrapadas”. [9] 

Em 1815, fundaram a “Sociedade do Refúgio Feminino” para órfãos e mulheres. Elas condenavam a prostituição.[10]  “A maioria das mulheres afrodescendentes, livres ou escravas, engajavam-se em concubinato em parcerias íntimas com homens negros ou brancos e tinham oportunidades educacionais e profissionais limitadas”.[11] 

As irmãs Hart são consideradas as primeiras escritoras afro-caribenha.[12] 

Anne e Elizabeth foram pioneiras no combate a escravidão em Antigua.[13] Elas “nasceram em Antígua para libertar pais negros. Como educadores, abolicionistas e metodistas, ambas as irmãs estavam muito ocupadas com as várias representações de negros e escravos circulando nas Índias Ocidentais e usavam sua escrita para desafiar efetivamente a ordem patriarcal (...)”.[14] 

Um dos livros sobre elas: “As Irmãs Hart”, primeiros escritores afro-caribenhos, evangélicos e radicais, editado por Moira Ferguson.

 

  

Guerreiras e discipuladoras da Jamaica

 

“Foi defendido por um homem chamado Touro e por Mary Ann Able Smith. Mary pegou um par de tesouras e exclamou: ‘Agora você pode fazer o que quiser, mas o primeiro homem que puser a mão violenta nele terá esta tesoura empurrada em seu coração”

 

Mary Ann Able Smith

 

Quando Thomas Coke chegou em 17 de janeiro de  1789, em Port Royal, na Jamaica, ele foi recebido calorosamente por um inglês, Mr. Fishley, o mestre Caulker do estaleiro. [15]

 

O primeiro culto teve uma grande congregação na casa de Sr. Treble, em Kingston. Como a casa era pequena, um católico, Sr.Burn, cedeu uma grande sala de concertos para a pregação para os outros cultos.[16] Mas Thomas Coke logo enfrentou a oposição da aristocracia quando um bando de homens brancos bêbedos entrou gritando no local ele pregava para cerca de 400 brancos e 200 negros.[17]

Foi defendido por um homem chamado Touro e por Mary Ann Able Smith. Mary pegou um par de tesouras e exclamou: “Agora você pode fazer o que quiser, mas o primeiro homem que puser a mão violenta nele terá esta tesoura empurrada em seu coração”.[18] Os molestadores recuaram resmungando.

 

Em 1789, chegou o primeiro missionário, o reverendo William Hammett.[19]

 

Com a chegada de William Hammett, “a primeira classe social em Hannah Town foi formada por oito pessoas. A Sra. Mary Akle Smith foi nomeada Líder dos membros brancos, negros, mestiços, obrigacionistas e livres”.[20]

 

Em 1790, foi construído um templo de dois andares para 1.600 pessoas, mas foi fechado depois pelas autoridades por causa da ajuda metodista aos jamaicanos de ascendência africana. Tentaram destruir o edifício. Jornais caluniaram os pastores.

 

Os escravos passaram a usar um túnel subterrâneo sob o templo para entrar no edifício para o culto. Certa vez, uma emboscada matou um grupo. As paredes ficaram manchadas de sangue. [21]

 

Mary Wilkinson

 

“Mary encontrou a igreja fechada pelas autoridades e começou a evangelizar noite e dia”

 

Mais tarde, Mary Wilkinson se uniu à Igreja metodista em KIngston.

 

Ela era uma mulata livre que fugiu de Manchioneal, em Kingston, porque os habitantes brancos desaprovavam o casamento de escravos e Mary incentivou e realizou casamentos de escravos, na ausência de ministros. [22]

 

“Wilkinson não era membro do clero, mas ela mesma realizou os casamentos dos escravos. Esses casamentos foram provavelmente os primeiros casamentos de escravos solenes na ilha”.[23]

 

Em Kingston, ela se tornou uma líder muito útil e engenhosa.

 

“Em 1807, a Kingston Corporation aprovou um decreto proibindo a realização de reuniões religiosas após o pôr do sol. e antes do nascer do sol (o horário em que os escravos podiam comparecer). A capela Metodista Parade em Kingston foi fechada por sete anos por ordem do Tribunal”.[24]

 

Mary encontrou a igreja fechada pelas autoridades e começou a evangelizar noite e dia.

 

Com a capela fechada, “Mary Wilkinson encontrava sua turma no pátio da capela depois de escurecer e às cinco horas da manhã em diferentes pontos da cidade. Ela também adorava na Igreja Paroquial, onde, após o culto matinal, ela ia de banco em banco e aconselhava os membros da congregação. Os primeiros metodistas em Barbados foram o Sr. Button, um comerciante convertido pelo Dr. Coke em Baltimore e a Milícia Irlandesa. na Guarnição”. [25]

 

Quando o templo foi reaberto, em 1814, Mary Wilkinson apresentou ao pastor uma lista de 1.100 nomes de pessoas discipuladas. Cresceu de 600 para 1700 membros.  Em 1840, uma estrutura maior foi concluída no mesmo local. O templo foi danificado pelo terremoto de 1907 e reconstruído em estilo neogótico.

“O aumento no número de membros foi creditado a Mary Wilkinson.”[26]

 

A Igreja Metodista Coke foi declarada monumento nacional em 2 de janeiro de 2002.[27] O nome da Igreja é uma homenagem ao Reverendo Dr. Thomas Coke, o fundador do metodismo na Jamaica.  

 

 

 


A Presidenta que ganhou o Prêmio Nobel da Paz

 

 

“Lutou contra a corrupção e por profundas reformas institucionais na Libéria”

 

Ellen Johnson Sirleaf, “membro da Primeira Igreja Metodista Unida, Monróvia, Libéria, em 2006 foi a primeira mulher a ser eleita chefe de Estado na África moderna”.20

 Ela foi presidente da Libéria duas vezes. Ellen nasceu em Monróvia, na Libéria, em 1938.

Seu avô era alemão e se casou com uma mulher da área rural cujas avós eram liberianas indígenas.

Ellen se formou na Faculdade de África Ocidental, um colégio da Igreja Metodista Unida. Ela é bacharela em Ciências Contábeis da Universidade de Wisconsin, EUA.21

O Presidente dos EUA George Bush lhe concedeu a Medalha Presidencial da Liberdade, a maior honra civil do país, em uma cerimônia de premiação na Sala Leste da Casa Branca.23

Ela foi presidente da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).24 Como metodista, falou na Conferência Geral da Igreja Metodista Unida de 2008.

Lutou contra a corrupção e por profundas reformas institucionais na Libéria. Ela é mãe de quatro filhos. Fez da educação de meninas uma prioridade. Criou a Liberia Education Trust e um ambicioso programa de formação de professores/as.

Quando quiseram mudar a Constituição e declarar a Libéria um país cristão, foi sensata: “A presidente Ellen Johnson Sirleaf, metodista unida, diz que os esforços para declarar a Libéria um Estado cristão criariam ‘divisão entre os cidadãos com base na crença religiosa".[28]

Foi reeleita presidente da Libéria em 2011.

Ganhou o Prêmio Nobel da Paz de 2011 por seu trabalho sobre os direitos das mulheres. Motivação do prêmio: "por sua luta não violenta pela segurança das mulheres e pelos direitos das mulheres à participação plena no trabalho de construção da paz".25

Ela é conhecida como a “Dama de ferro da Libéria”.26

A Conferência Anual Metodista da Libéria pensa ainda mais sobre ela:

Em 2017, “na cerimônia de homenagem, realizada na sexta-feira, 17 de fevereiro, na cidade de Ganta, no condado de Nimba, na Conferência Anual da Libéria ou ALC da Igreja Metodista Unida, a igreja elogiou o presidente Sirleaf por ‘conduzir o navio liberiano de uma guerra – país dilacerado e dividido para uma nação de paz e transição de esperança e desenvolvimento" por quase 12 anos”.[29]

 


Notáveis bispas metodistas da África

 

 

“Foi a primeira bispa no metodismo em Gambia e a primeira mulher bispa na África Ocidental”

 

Foi uma pastora da Igreja Metodista Episcopal Africana que foi eleita a primeira bispa metodista na África. 

Vashti Murphy McKenzie é a “bispa presidente do 10º Distrito Episcopal da Igreja Metodista Episcopal Africana e serve como o 117º bispo eleito e consagrado da Igreja Metodista Episcopal Africana (AME). Sua eleição em 2000 foi histórica quando ela se tornou a primeira mulher, na história de mais de 200 anos da igreja, a ser eleita para esse cargo”.[30] 

Outras três pastoras metodistas foram eleitas bispas na África pela Igreja Metodista e Igreja Metodista Unida: 

Primeira bispa da Igreja Metodista da África Austral 

Sua infância 

Purity Nomthandazo Nobuhle Malinga nasceu em Ixopo, KwaZulu-Natal, Africa do Sul,[31]  em 1958. Ela é a primogênana de Siziba Jeffrey e Thenjiwe Emily (uMaNxasane) Malinga. Ela e seu irmão Mzokhona eram os únicos filhos. 

“Malinga é metodista de nascimento e nasceu e cresceu na zona rural de Ixopo, onde estudou cedo e, como os meninos de sua família, tomou sua vez com tudo, desde o plantio e cultivo até a ordenha de vacas. Professora por profissão, lecionou por cinco anos na escola primária de Siyakhona, em Ixopo”.[32] 

Depois, a família e Purity se mudou para Cabazi perto do rio UMzimkhulu “onde seu avô, Mdolomba, comprou uma fazenda para sua família se estabelecer. Malinga cresceu em uma família cristã. Tanto sua mãe quanto sua avó, uMaZulu, foram membros firmes da MCSA e eram membros do Women's Manyano”. [33] 

Ela fez sua educação inicial na escola local e mais tarde se juntou Instituição Metodista Indalen, onde sua fé em Deus amadureceu. Ela se formou em 1976. Concluindo seus estudos de formação de professores, Malinga mudou-se para o Circuito KwaDeyi. 

Nesse Circuito, ela foi professora em duas “escolas, ou seja, Siyakhona e kwaThuthuka Primary Escolas. KwaDeyi estava sob os cuidados pastorais do Reverendo Raymond Kumalo, conhecido por seus excelentes dons como pastor.”[34] 

Malinga foi aceita como supervisora na Igreja Metodista, em 1981, em “uma conferência que foi realizada em Grahamstown sob a Presidência do Dr. Simon Gqubule. Dois anos depois, a igreja enviou Malinga ao Seminário para treinamento ministerial. Ela foi para o Seminário Teológico Federal para a África Austral (FEDSEM) em Pietermaritzburg”. [35] 

“Ela completou seus três anos de treinando no Seminário. Através do apoio do Dr. Mgojo e dr. Gqubule, ela conseguiu uma bolsa de estudos para estudar para seu mestrado em Divindade na Universidade de Harvard no Estados Unidos da América por um período de três anos”.[36]       

Entre 1982 e 1983, “Malinga estava estacionada em KaBhokweni no então Nelspruit East Circuito como supervisora ou ministra em treinamento. Ela serviu sob um superintendente masculino que nunca tinha trabalhado com uma ministra mulher”.[37] 

Foi ordenada ministra metodista em 1988.[38] Ela se tornaria “mestre em Divindade pela Universidade de Harvard”.[39] Malinga foi nomeada professora no Novo Testamento no FEDSEM, em 1992, em seu retorno à África do Sul da Universidade de Harvard. Quando o Seminário fechou, ela “se mudou para lecionar na Educação Teológica por Extensão Faculdade (TEEC) em Joanesburgo, enquanto também lidera a Educação Cristã   Departamento da MCSA. Ela também lecionou no Kilnerton Metodista College em Pretória.[40] 

“Malinga foi introduzida em a posição de Bispo do Distrito Costeiro de Natal em 1999. Ela completou um total de nove anos”.[41] Ela “atuou como a primeira (e única) mulher bispo de um sínodo regional, o Distrito Costeiro de Natal (até 2008)”. [42] 

Malinga foi eleita também presidente do Conselho Cristão KwaZulu-Natal—"uma posição que ela manteve com grande sucesso para um termo completo de três anos”. [43] 

Purity Malinga se tornou a primeira mulher bispa da Igreja Metodista da África Austral.[44]  Ela é o 100º bispa da Igreja Metodista da África Austral. Ela substituiu o Bispo Ziphokuhle Siwa, que afirmou: "Tendo suportado a cruz e a discriminação do patriarcado por mais de 200 anos, as mulheres da Igreja Metodista da África Austral (MCSA) finalmente romperam o teto dos vitrais pela eleição do primeiro bispo presidente que é uma mulher", disse Siwa em um comunicado”.[45] 

Para alguns, “ela é a pessoa certa para a igreja, para este tempo. Ela conseguiu os votos. Não havia dúvida sobre isso, o que nos dá a sensação de que toda a igreja está por trás dela".[46] 

Malinga é descrita como uma mulher "forte".[47] Ela foi eleita em maio de 2019 por meio de uma votação na qual os 12 sínodos da igreja votaram. 

Bispo Siwa descreveu Malinga como o candidato ideal para o cargo. "A Reverenda Malinga é uma líder testada e nos alegramos em sua eleição como bispo presidente. Essa decisão da igreja afirma nossa crença na parceria de mulheres e homens - e afirma nosso conhecimento e crença nas mulheres negras em particular - como líderes capazes em seu próprio direito", disse Siwa.[48] 

A Igreja afirmou que antes desta nomeação, Malinga já havia feito história por ser o único bispo já eleito na MCSA.      

Primeira bispa da Igreja Metodista Unida na África 

Joaquina Filipe Nhanala nasceu em 1956, em Xai-Xai, província de Gaza, em Moçambique. Seu pai era católico. Joaquina frequentava a igreja Metodista de sua mãe e foi atraída para os programas para a juventude e se tornou ativa na Igreja Metodista. 

Ela se casou com o pastor metodista Eugenio Tomas, em 1976, e têm quatro filhos. Eles participaram da Escola Teologica Gbarnga, na Libéria, e se formaram em 1985. Ela recebeu o patrocínio da Sociedade das Mulheres. Foi ordenada diácona, em 1989. 

Joaquina obteve o diploma de teologia na Trinity College, em Gana. No Quênia, ela participou da Limuru University e recebeu um grau de bacharel em divindade, em 1995. 

Em 1998, fez pós-graduação em Estudos Bíblicos numa faculdade de Nairobi onde atuou como professora. Ela fala cinco idiomas nativos e o português e inglês. Foi ordenada presbítera em 2001 e nomeada como pastora interina de Malanga Parish. Joaquina fala cinco línguas nativas, bem como Português e Inglês. 

Foi pastora igreja na Matola, e coordenou projetos das mulheres para a Igreja de Moçambique e programa de Socorro Mundial do HIV/SIDA destinada a mobilizar igrejas para a educação e sensibilização em três províncias do sul de Moçambique.  

Aos 51 anos, em 2006, foi eleita bispa da Igreja Metodista Unida de Moçambique, a primeira mulher da Igreja Metodista Unida eleita bispa na África.[49] 

Sobre a atuação da Igreja, em uma entrevista disse: “Na área da educação, temos escolas em todos os níveis onde contribuímos com a formação de uma nova geração de líderes que responderão positivamente aos desafios globais atuais. Equipamos a igreja e a sociedade em geral com ferramentas e habilidades com as quais eles podem criar o trabalho autônomo ou pesquisar o mercado”.[50]

E sobre os desastres naturais que assolam o país, a bipa disse: “Em tempos de desastre natural, a igreja, mais uma vez, pregou o evangelho da cura e da esperança... Ajudou, compartilhou e encorajou sobreviventes a se beneficiarem dos meios disponíveis que a igreja tem no país, e daqueles que recebe de seus parceiros, como o Comitê Metodista Unido de Ajuda e ... conferências no Missouri, Nova York e Alemanha. A igreja busca fazer o bem através da provisão, terapia e cura para sobreviventes de desastres naturais”.[51]

Bishop Joaquina Filipe Nhanala currently leads both Annual Conferences and 132 ordained pastors, 32 deacons, 278 evangelists and 150,584 church members.Bispa Joaquina Filipe Nhanala  liderou duas conferências anuais e 132 pastores ordenados, 32 diáconos, 278 evangelistas e 150,584 membros da igreja. The bishop also oversees 29 schools, a theological school, some agricultural programs, a hospital (Chicuque Rural Hospital), two clinics, a seminary and four Bible schools. O bispo também supervisiona 29 escolas, uma escola teológica, alguns programas agrícolas, um hospital (Hospital Chicuque Rural), duas clínicas, um seminário e quatro escolas bíblicas.[52]

Ela se aposentou em 2025.

“Moçambique Norte cresceu em mais de 4.100 novos membros, um aumento de 25% comparativamente ao ano anterior de 2018, já começa a ser visível no terreno”.[53]

As igrejas enfrentam muitas adversidades, mas mesmo assim crescem. “Atualmente as nossas comunidades enfrentam situações adversas tais como a fome, doenças endémicas como a malária, HIV SIDA, e a cólera, que ainda perigam vidas das pessoas´´, disse a senhora Esperança Zandamela, presidente da junta do distrito de Sofala”.[54]

Igrejas Metodistas Unidas em Moçambique têm centros comunitários com impacto na vida das pessoas. People gather at the churches for worship, fellowship and mutual support. As pessoas se reúnem nas igrejas de comunhão, adoração e apoio mútuo. Worship services (held in buildings or mud huts, or under trees) are filled with standing-room-only crowds on most Sundays. Os cultos de adoração são realizados em edifícios, em cabanas de barro, ou debaixo de árvores.

The people of Mozambique, traveling by foot to attend church, take their faith very seriously.O povo metodista de Moçambique se desloca a pé para ir à igreja e leva a sua fé muito a sério. They return to the church on Thursday to participate in small groups for discipleship learning, study, mutual support and accountability, similar to the Methodist "societies" of John Wesley's day. Participam de pequenos grupos de discipulado durante a a semana. Worship is a wonderful experience with God and includes much music.A adoração é uma experiência maravilhosa com Deus e inclui muita música. It is typically much longer than a traditional worship service in the USA. Annual Conferences

Primeira bispa da Igreja Metodista em Gâmbia 

Hannah Caroline Faal-Heim nasceu na Gâmbia, África. Ela foi batizada e confirmada na Catedral Wesley, em Gâmbia. Hannah estudou e se formou em escola em Serra Leoa. Em Gambia e exerceu a profissão de professora. Mais tarde, foi para a Inglaterra e se formou em enfermagem. 

Foi enfermeira e parteira nos hospitais Northwood, Harefield e Hillingdon em Middlesex. Hannah foi nomeada Professora de Parteira, nos Guys and St Thomas's Hospitals and Kings College Universidade. Ela obteve o grau de Mestre de Educação e ensinou sobre parto em Londres. 

Ela é casada com o Rev. Dr. Kurt Heim, um inglês e estudioso do Velho Testamento. 

Durante uma de suas visitas de regresso à Gâmbia, ela se convenceu de seu chamado ao ministério. Estudou teologia em Wesley House, Cambridge, e terminou com um mestrado em Teologia Pastoral. Depois de treze anos no ministério leigo e formação teológica, ela foi ministra de circuito e superintendente de circuito em vários circuitos na Inglaterra. 

Em 2012, ela foi eleita bispa Igreja Metodista da Gâmbia. Foi a primeira bispa no metodismo em Gambia e a primeira mulher bispa na África Ocidental. O culto para sua consagração, na Catedral Wesley Catedral, em Gâmbia, dia 5 de fevereiro, teve mais de mil pessoas presentes. 

Em 2012, Hannah se tornou a primeira mulher presidente do Conselho Cristão da Gâmbia, “nomeada pelo governo da Gâmbia para supervisionar o programa de Estudos Cristãos na Universidade da Gâmbia”. 

O lema de Hannah é "Jesus faz a diferença" e “Chamado para construir". Bispa Hannah tem tido uma atitude profética diante do governo. Em dezembro de 2016, ela disse ao presidente sobre o clima político tenso cujos resultados das eleições ele não queria aceitar. 

Ela disse que o povo temia que o governo usasse as armas: “(...) eu quero apreciar que posso vir e ousar falar-lhe como uma serva do Deus Vivo e não temendo que você possa ficar com raiva de mim e até mesmo se voltar contra mim”.[55]

Em 2022, bispa Hannah comemorou 10 anos na liderança episcopal. “No mesmo ano, os Correios da Gâmbia emitiram um conjunto de selos postais para celebrar sua instalação como o primeiro Bispo Metodista Gâmbia”.[56] 


 

Primeira afro-brasileira admitida em profissão de fé numa Igreja protestante brasileira 

 

 “A primeira mulher afro-brasileira a ser admitida via pública profissão de fé em uma Igreja protestante no Brasil”

 

Martha Watts foi a primeira a alforriar escravos, em Piracicaba.[57] Ela comprou uma escrava e “pediu ao advogado Prudente de Moraes, então futuro Presidente do Brasil para preparar uma carta de alforria, documento este exposto no local”.[58] 

Primeira negra recebida como membro da Igreja no metodismo brasileiro no dia 21 de janeiro 1883

 

No livro de rol permanente da Igreja Metodista de Piracicaba há o registro da primeira negra recebida como membro da Igreja no metodismo brasileiro no dia 21 de janeiro 1883.[59]

A escrava era Flora Maria Blumer de Toledo, uma afro-brasileira. Ela foi admitida por pública profissão de fé, conforme registro de número 14.[60] 

“A primeira mulher afro-brasileira a ser admitida via pública profissão de fé em uma igreja protestante no Brasil”

Flora Maria Blumer de Toledo é considerada “a primeira mulher afro-brasileira a ser admitida via pública profissão de fé em uma igreja protestante no Brasil”.[61]

Como Flora Maria teve contato com Martha Watts?

“Ao criar o Colégio Piracicabano, Miss Martha precisou de uma ‘despenseira’ para dirigir a cozinha da escola. Amiga da família Blumer, alemães luteranos, a missionária conheceu Flora Maria, escrava que Pedro Blumer adquirira em Porto Feliz ao fazendeiro Matias Dias de Toledo, tio da Baronesa de Porto Feliz. Flora Maria levava o nome de seus donos, Flora Maria Blumer de Toledo”.[62]

 A família de Pedro Blumer no ano de 1883 passou a se congregar na igreja Metodista.[63]

Provavelmente, Flora nasceu em Porto Feliz, em 1833, na Fazenda de Matias Toledo permanecendo até os 42 anos como propriedade de Matias.[64] 

“Foi vendida a 19 de abril de 1875 ao cidadão Pedro Blumer, por 750$000, vindo residir em Piracicaba”[65] 

Flora foi alforriada “ao preço de 400 mil réis, pagos a Maria Isabel Blumer, que tinha procuração de Pedro”.[66] 

Sua alforria data de “25 de novembro de 1881 e assinada pelo procurador de Miss Martha Watts, o Dr. Prudente de Moraes Barros, mais tarde o primeiro Presidente civil do Brasil”.[67]

Martha Watts a convidou a trabalhar no Colégio Piracicabano como cozinheira. Ela era remunerada. 

 “Tia Flora como era chamada pelas crianças do Colégio era admirada por elas, e em noites frias a mesma reunia as crianças em volta de seu fogão para aquecê-las e dava um doce a cada uma, e quando as meninas se sentiam sozinhas longe de casa era Flora que as confortava e encorajava, tendo amor e respeito das mesmas”.[68] 

Flora Maria se tornou verdadeiro ídolo das missionárias e dos alunos, tendo aprendido inglês. Ela era, no Colégio Piracicabano, a Tia Flora.[69]

Ela “viajava para os Estados Unidos com Martha Watts e William Koger, pioneiro metodista em Piracicaba, mas sempre procurava treinar seus estudos com as professoras e missionárias. 

Aos sessenta anos foi vítima de hidropsia. Recebeu toda assistência material, moral e espiritual de Martha Watts, mas em julho de 1892, veio a falecer, tendo sido todos os custos funerários custeados pelo colégio”.[70] 

Sua morte causou comoção no colégio.[71] Após a morte de Flora, “Martha Watts anunciava a todo Colégio a morte de sua amiga e que a mesma não morreu em agonia, mas em paz e consolo espiritual que havia encontrado em Jesus Cristo. Mesmo sem leis trabalhistas o Colégio arcou todo seu enterro”.[72] 

Flora viveu 48 de sua vida escravizada e apenas 12 anos como mulher livre.[73] 

Quando foi inaugurado o “Centro Cultural Martha Watts, um de seus ambientes foi batizado com o nome de ‘Café Flora’, para que sua história seja sempre recordada na memória dos alunos e visitantes”.[74]  

 


Sarah Ann Gill, heroína de Barbados

 

“O Parlamento de Barbados, em 1998, a incluiu como um dos dez Heróis Nacionais de Barbados, sendo a única mulher”


Sarah Ann Gill (1795-1866) nasceu em Barbados, Caribe. Não há referencias aos seus pais ou irmãos.

O que se sabe é que ela nasceu de uma mãe negra e um pai branco.  Foi batizada com o nome Ann.[75]

“Como resultado de seu trabalho em manter o Metodismo vivo, ela recebeu o nome de Sarah pela Igreja Metodista”.[76]

Sara foi mãe de uma nação. Sarah Ann Gill é chamada de mãe de nossa nação.[77]

Sarah “foi uma defensora ferrenha “do Metodismo numa época em que o seu objetivo declarado de levar o evangelho aos escravos encontrou oposição feroz das classes dominantes”.[78]

“Nascida no meio de uma sociedade racial, ela também teve sua cota de desafios quando se tratava de ser aceita socialmente. Apesar disso, ela possuía uma habilidade única de combater males sociais sem confrontos físicos, mas sim, metanfetamina usando orações poderosas e eficazes para fortalecer e redirecionar seu foco e o de seus membros da igreja”.[79]

Na época de Sarah Gill, Barbados era um território ultramarino da Inglaterra.

Em Barbados, uma pessoa de ascendência africana era considerada inferior. Sarah se casou com Alexander George Gill, de ascendência mista, e aos 28 anos herdou a propriedade dele na ocasião de sua morte.

O casal teve um filho, que faleceu ainda novo.

Sarah tinha uma cunhada, Christiana Gill, que também abraçou a fé metodista e abriu sua casa para realização de cultos.

Sarah Gill se converte ao metodismo

Em 1788, o metodismo chegou a Barbados com o missionário Thomas Coke e desafiou a ordem social vigente por sua luta contra a escravidão.

O missionário Thomas Coke era um lutador pela causa da libertação dos escravos na Inglaterra.

 A autora Woodie Blackman escreveu que o primeiro registro da associação de Sarah Gill “com o metodismo foi em 1819, quando ela fez uma doação de dez libras esterlinas para a construção da primeira capela metodista em Bridgetown, que seria construída de pedra. Os registros mostram que ela se tornou um membro completo em 1820”.[80]

Sarah abraçou esta fé e doou o terreno para a construção do primeiro templo metodista. [81]

Em outubro de 1823, uma multidão de brancos destruiu a capela em construção, e os missionários tiveram que fugir.

“Sua crença religiosa escolhida foi o Metodismo e, em 1820, tornou-se um membro pleno da igreja. Escolher tal caminho não era de forma alguma um caminho fácil e simples, pois ela se tornou bastante suscetível à perseguição no que parecia ser quase todos os níveis. À medida que a igreja crescia, a perseguição também e em outubro de 1823 o edifício da Capela foi destruído por uma multidão de manifestantes brancos. Essa perturbação fez com que o missionário metodista Reverendo William Shrewsbury (o reverendo da igreja) e sua esposa grávida fugissem do país como um meio de proteção para si mesmos”.[82]

William James Shrewsbury (1795-1866) era um ministro britânico.

Sarah e Christiana Gill estavam entre os líderes da Igreja e abriram suas casas para a Igreja se reunir. Sarah realizou cultos em tempos de perseguição e ameaças físicas, que incluíam o incêndio de suas casas e processos por causa da realização de reuniões “ilegais”.

“A Lei dos Conventários de 1664, que afirmava que não mais de cinco pessoas poderiam se reunir para adoração a qualquer momento, a menos que em um "local de encontro licenciado, liderado por um pregador licenciado" - fosse considerado quebrado e Sarah Ann fosse perseguida pela sociedade e pelas autoridades legais. Durante um ano, Sarah Ann recebeu ameaças contra sua vida e avisos de que sua casa seria incendiada. Os serviços de adoração foram considerados "encontros ilegais" pelos tribunais e resultaram em Sarah Ann recebendo dois processos. Instigada por magistrados sobre supostamente abrigar armas e munições em sua casa, Sarah Ann e acabou sendo processada pela Câmara dos Deputados”.[83]

Havia o Comitê Secreto de Segurança Pública que “foram os instigadores da violência e ameaças contra ela. Eles também pressionaram para que a Assembleia a trouxesse sob acusação. Ann Gill cumpriu todos os desafios legais da Assembleia da Câmara às suas próprias custas”.[84]

Sarah Gill “sofreu abuso físico e verbal. Ela foi baleada enquanto estava em sua casa e perseguida pela lei duas vezes por realizar reuniões ilegais, mas continuou”.[85]

A casa de Sarah foi alvo de tiros, e ela foi processada pela Assembleia da República, mas enfrentou as autoridades e continuou a defender a liberdade religiosa e a realizar cultos.

“Apesar da capela destruída e da grande possibilidade de que a batalha não tinha acabado, Sarah Ann e sua cunhada, Srta. Christina Gill, mostraram incrível força de caráter, abrindo suas casas para membros da igreja como locais de culto em um esforço para continuar em seu compromisso inabalável com a fé. A continuação do compromisso de tal heroísmo em suas partes não caiu bem com as autoridades e a sociedade em geral e assim Sarah Ann se viu violando a Lei dos Conventários de 1664. Esta Lei declarou claramente que não mais de cinco pessoas poderiam se reunir para adoração a qualquer momento”. [86]

A única solução era ter um "local de encontro licenciado, liderado por um pregador licenciado".[87]

Sarah Gill tinha, nessa ocasião, 28 anos e era viúva. Ela se tornou “sujeita a uma quantidade perpétua de ameaças e avisos por um ano, pois ela escolheu manter suas crenças, mesmo que isso significasse arriscar sua própria vida. Tal fé forneceu a espinha dorsal necessária que ela exibiu ansiosamente para que seus membros se mantenham firmes diante das adversidades. Suas reuniões de adoração foram consideradas ‘reuniões ilegais’ pelos Tribunais de Justiça e por isso ela recebeu duas acusações. Magistrados repetidamente e irritantemente a questionaram sobre supostamente abrigar armas e munições em sua casa e, eventualmente, ela foi processada pela Câmara dos Deputados. Como reivindicação de seu próprio poder e verdadeira independência, ela se defendeu e desafiou as autoridades. Sua habilidade de tomar uma posição e falar sua verdade de forma clara e convincente só poderia ter sido uma demonstração absoluta de poder pessoal e autoconfiança de sua parte”.[88]

Origem do metodismo em Barbados

O metodismo chegou em Barbados em 1788 pelo metodista britânico Thomas Coke. [89]

Segundo historiadores, com a “intenção de cristianizar a população escrava. No entanto, seus primeiros esforços não foram bem sucedidos e 20 anos depois eles tinham apenas 30 convertidos”.[90]

O missionário metodista britânico William James Shrewsbury (1795-1866) chegou em Barbados em 1820.

Havia ainda na lembrança dos ingleses da ilha a revolta liderada pelo escravo Bussa, em 1816.

William James Shrewsbury, em 1816, “foi enviado como missionário para Tortola, o maior e mais populoso das Ilhas Virgens Britânicas. Trabalhou lá por dois anos e depois foi transferido para Granada, mudando-se de lá, em 1820, para Barbados. Ele foi expulso de Barbados.” [91]

William, mais tarde, serviu como missionário entre o povo Xhosa na África do Sul.

A plutocracia,[92]  a classe rica e dominante, considerava o metodistas contrários à escravidão e, por isso, perseguia constantemente a igreja.

Os cultos eram fequentemente interrompidos com pedras. Os “missionários metodistas considerados como agentes da Sociedade Antiescravidão, com sede na Inglaterra”.[93]

“Houve várias tentativas (sem sucesso) de proibir o metodismo em Barbados. Em 1793, os metodistas eram frequentemente vistos pelas classes altas barbadianas como agitadores antiescravidão e missionários metodistas considerados como agentes da Sociedade Antiescravidão, com sede na Inglaterra”.[94]

A principal razão da perseguição ao metodismo foi que os missionários metodistas que chegaram na década de 1780 eram considerados fortemente contra a escravidão. Na Inglaterra, Wesley era um dos principais opositores da escravidão.

 A mensagem dos missionários “falava com escravos negros na colônia e isso efetivamente os tornou um problema. Antes de Ann Gill assumir a causa, os plantadores perseguiram agressivamente os missionários, eventualmente conseguiram tirá-los da colônia ou pelo menos reduzir sua influência. Eles então voltaram sua atenção para qualquer um que ainda promovesse a denominação - incluindo Ann Gill”.[95]

Pedras eram atiradas frequentemente para os locais de reuniões dos metodistas interrompendo os cultos.

A destruição da capela metodista

Barbados era uma colônia britânica habitada pela maioria de brancos ingleses. “Os britânicos enviaram escravos africanos para trabalhar nos campos de cana-de-açúcar, e Barbados acabou se tornando o foco do comércio de escravos transatlânticos.[96]

“Em 1724, havia 18.000 brancos livres e 55.000 africanos escravizados”. [97]

Quando os missionários metodistas chegaram em 1789, a população predominante da ilha era negra e escrava.

A capela metodista foi derrubada. “O ódio dos plantadores era tão forte que, em 1823, uma multidão furiosa derrubou a capela metodista em James Street, Bridgetown”. [98]

Muitos negros abraçaram a fé dos metodistas.

“À medida que o metodismo crescia em popularidade, a hostilidade em relação a ele também crescia. A adesão incluía negros e aqueles chamados de coloridos. Em outubro de 1823, uma multidão branca de manifestantes destruiu a capela e o Missionário Metodista”.[99]

Foi em 19 e outubro de 1823 que a Capela Metodista em Bridgetown, Barbados, foi estruía.

Esse fato trouxe grande repercussão e atravessou o mar e chegou às câmaras do Parlamento britânico. “Embora um incidente relativamente pequeno na superfície, a demolição da estrutura por uma multidão de cidadãos locais apresentou às forças antiescravidão britânicas mais combustível para adicionar às suas alegações de que as autoridades coloniais não estavam protegendo o direito à liberdade religiosa nas Índias Ocidentais, especialmente no que diz respeito aos escravos negros”.[100]

Apesar das dificuldades e oposição, um belo templo foi erguido em 1848.

“O belo substituto, e essencialmente o edifício georgiano com um porto palladiano de três arcos, frente pedimentada e janela rosa, foi construído em 1848 e permanece. Mais populares agora, os metodistas expandiram-se para oito capelas e quatro locais de encontro em Barbados”.[101]

Capela ampliada

“Em 1897 a capela foi ampliada, e em 1874 o loft do órgão foi adicionado. Em 1870, a igreja tornou-se uma sociedade independente. Naquela época, a adesão era registrada em 789, e no ano de 1898 o número tinha crescido para 840. A adesão foi então organizada em 41 (41) classes”.[102]

Barbados ganha liberdade religiosa

Em 25 de junho de 1825, a Câmara dos Comuns, na Inglaterra, declarou uma ampla proteção e tolerância religiosa em Barbados.

“Em 25 de junho de 1825, os membros da Câmara dos Comuns na Inglaterra "... considerou seu dever declarar que eles vêem(ed) com extrema indignação (a) escandalosa e ousada violação da lei e (apoiado por Sua Majestade) ... garantindo ampla proteção e tolerância religiosa a todos... dos domínios de Sua Majestade”.[103]

Em abril de 1825, o missionário metodista Moisés Rayner foi nomeado para Barbados e construiu uma nova Igreja. “Construída em um terreno de propriedade de Ann Gill, agora é a James Street Church”.[104]

O pastor estava hesitante em voltar a Barbados por tudo que havia acontecido. Sarah disse ao pastor: "Eu não aconselho você a vir, mas se fosse eu, eu deveria vir." Esta declaração foi apenas um testemunho de sua força, fé e determinação, pois sentia a necessidade de impressionar os outros a importância de ser forte no que pode acontecer. Em seu retorno, ele construiu uma capela no local da atual Igreja James Street em terra fornecida por Sarah Ann a um custo mínimo”.[105]

O metodismo cresceu. Em 1848, havia 5 mil metodistas e oito capelas para cultos.[106]

O legado de Sarah Gill

Ela é uma das “dez Heróis Nacionais” de Barbados. Considerada também a heroína do Metodismo em Barbados.

Por sua firmeza contra a opressão, coragem, perseverança e compromisso com a liberdade religiosa, o Parlamento de Barbados, em 1998, a incluiu como um dos dez Heróis Nacionais de Barbados, sendo a única mulher.[107]

Sarah doou o terreno para a construção da Igreja Metodista James Street, em Bridgetown.

Sua contribuição ao metodismo e à ilha de Barbados foi imensa.  “Sua coragem, perseverança e compromisso com a liberdade religiosa a diferenciam dos bons administradores cristãos de sua época. Ao descarregar seu dever primário a Deus, ela, sem dúvida, garantiu um padrão pelo qual a sociedade barbadiana foi muito elevada e enriquecida”.[108]

Sarah Gill faleceu e foi enterrada em 25 de fevereiro de 1866 no pequeno cemitério nos fundos da capela de James Street.

“Em 1893, uma grande estrutura de madeira foi construída como um lugar de adoração. Foi substituída por uma nova Gill Memorial Church construída em Fairfield Road, Black Rock, St. Michael no final dos anos 1980. A força, fé, perseverança e compromisso incansável com a liberdade religiosa só pode servir como uma tremenda fonte de inspiração para todas as mulheres em Barbados e barbadianos em um todo.”[109]

Hoje, a Igreja Metodista de Barbados “está lentamente transformando a maneira como as pessoas levam suas vidas espirituais. Organizando programas benéficos para os menos afortunados de conduzir instituições de caridade em todo o país, uma coisa é clara: nossa principal missão é ajudar as pessoas a crescer na fé no Senhor.” [110]

Declaração de missão para o circuito de James Street Speightstown: “Nossa missão é praticar e promover o viver como Cristo e capacitar as pessoas a usar seus latentes, dons e tesouros em ministérios que tragam o compromisso com Cristo e a transformação de nossas comunidades”.[111]

Compromisso com Cristo, luta pela liberdade e amor pela Igreja são alguns dos legados deixados por Sarah.

Livros foram escritos sobre Sarah Gill, dentre eles: “National heroine of Barbados: Sarah Ann Gill”, por Francis Blackman

O Parlamento de Barbados tem um museu que mostra Sarah Ann Gill e no pequeno armário de vidro está guardado seu Hinário original que ela usou em 1800.[112]

Desde 2007, há uma Conferência Memorial Sarah Ann Gill anual.[113]

Sarah Ann Gill é chamada a “mãe de nossa nação”.[114]

 


Uma mulher à frente de seu tempo

 

Sallie fundou a “Missão Santo Elmo no bairro de mesmo nome, inicialmente realizando cultos em uma taberna alugada. Na primavera seguinte, ela alugou uma casa antiga e abriu um programa de creche e alimentação para crianças”


Sallie A Crenshaw (1900-1986) “estava à frente de seu tempo, servindo como missionária e pastora quando o ministério era limitado para mulheres, especialmente mulheres negras”.[115]

Ela estudou em várias escolas metodistas. Dentre elas, Gammon Theological Seminary e Clark College. Foi a primeira estudante negra a frequentar o Tennessee Wesleyan College. [116]

“Na década de 1930, ela se tornou uma missionária de pregação licenciada, o que lhe permitiu servir no ministério, apesar das proibições contra a ordenação de mulheres. Mais tarde, tornou-se uma das duas primeiras mulheres negras ordenadas na Igreja Metodista Episcopal. Em 1958, dois anos depois que a Igreja Metodista aprovou os direitos plenos do clero para as mulheres, ela foi uma das duas primeiras mulheres negras a receber esses direitos como membro pleno do clero da Conferência do Leste do Tennessee na Jurisdição Central racialmente segregada. Crenshaw também é conhecida como uma das primeiras clérigas negras na Conferência de Holston e na Jurisdição do Sudeste”.[117]

Nomeada como missionária para mineiros

Em 1930, ela foi nomeada como missionária de pregação licenciada da Junta de Missões.[118]

“Crenshaw serviu como missionária para mineiros de carvão negros nos campos de carvão dos Apalaches da Virgínia e mais tarde pastoreou igrejas em bairros pobres no leste do Tennessee”. [119]

Fundação de uma creche

“Em 1947, a Conferência de Tennesse Oriental pediu-lhe para explorar oportunidades de ministério na área de Chattanooga”. [120]

Nomeada como missionária ofereceu estudos bíblicos, aulas da escola dominical e programas de alimentação para crianças.[121]

Sallie fundou a “Missão Santo Elmo no bairro de mesmo nome, inicialmente realizando cultos em uma taberna alugada. Na primavera seguinte, ela alugou uma casa antiga e abriu um programa de creche e alimentação para crianças. A creche foi inicialmente chamada de creche Good Shepherd Fold, mas foi renomeada em homenagem a Crenshaw como Sallie Crenshaw Bethlehem Center em 1968. Crenshaw permaneceu como membro do conselho da organização que fundou mesmo após sua aposentadoria em 1971”.[122]

Centenário

“O centro, que comemorou seu centenário em 2020, continua servindo à comunidade e é um legado duradouro de sua liderança na região”. [123]



Uma guerreira contra o machismo, racismo e a violência

 

 Muito procurada em todo o país como palestrante, mentora e organizadora de organizações pró-sufrágio, pró-direitos civis e antilinchamento”


Ida Bell Wells-Barnett (1862-1931) “nasceu em Holly Springs, Mississippi, em 16 de julho de 1862. Ela nasceu escrava durante a Guerra Civil”. [124]

Uma fé religiosa poderosa

Seus pais “promoveram em seus filhos uma fé religiosa poderosa, uma forte ética de trabalho e orgulho na educação”. [125]

Seu pai, James Wells, era um carpinteiro que serviu no Conselho da escola local da Associação Missionária Americana de Holly Springs, o Rust College.

“Sua mãe, Elizabeth Warrenton Wells, trabalhava como cozinheira e era uma metodista devota que fazia com que seus filhos frequentassem a igreja, onde ela mesma aprendeu a ler a Bíblia”. [126]

Era da Reconstrução

Após a guerra, seus pais se “tornaram politicamente ativos na política da Era da Reconstrução. Seus pais incutiram nela a importância da educação. Wells-Barnett matriculou-se no Rust College”. [127]

Seus pais foram também ativos na “Sociedade de Ajuda aos Libertos” da Igreja Metodista Episcopal, que estabeleceu o Rust College, o mais antigo dos colégios e universidades historicamente de negros.

“Ida começou sua educação avançada no Rust College, no entanto, a morte de seus pais e um irmão mais novo de um surto de febre amarela em 1878 a levou a deixar a faculdade e aceitar um emprego como professora para sustentar seus irmãos”.[128]

Batizada na Igreja Metodista

Wells-Barnett foi batizada na Igreja Metodista Episcopal. Após a morte de seus pais, ela se mudou para Memphis, Tennessee, por volta de 1880 e viveu lá até 1892.

Naquele ano, “após o linchamento de três amigos em Memphis, Wells-Barnett escreveu sem dúvida sua obra mais importante, ‘Southern Horrors: Lynch Law in All Its Phases’ (Lei Lynch em todas as suas fases).  [129]

Ela colocou o dedo na ferida. “Este ensaio colocou os códigos de honra do sul no horror do cenário de linchamento por estupro, parte de um sistema econômico violento, moralmente hipócrita e crassamente de supremacia branca”. [130]

Em 1889, tornou-se “sócia do Free Speech and Headlight, um jornal de Memphis com ampla circulação entre o público negro e cristão. Isso lançou outro foco de carreira: a investigação, a exposição e a cruzada pelo fim do linchamento no Sul”.[131]

Suas críticas destemidas ao “linchamento forçaram-na a deixar Memphis em 1892 para uma base menos perigosa em Chicago. Lá, ela trabalhou ao lado de Jane Addams para bloquear a segregação nas escolas públicas de Chicago e foi uma das veteranas mais experientes na luta pelo sufrágio feminino”.[132]

Seu casamento

“Em 1895, Wells-Barnett casou-se com o famoso advogado afro-americano Ferdinand Barnett. Juntos, o casal teve quatro filhos. Ao longo de sua carreira, Wells-Barnett equilibrou a maternidade com seu ativismo”. [133]

Wells-Barnett sempre foi “muito procurada em todo o país como palestrante, mentora e organizadora de organizações pró-sufrágio, pró-direitos civis e antilinchamento. Ela também se tornou uma das duas cofundadoras negras da NAACP – embora considerada por muitos como radical demais para manter a liderança”.[134]

Foi uma pesquisadora, que lutou contra o machismo, racismo e a violência.

“Wells-Barnett também usou suas habilidades como jornalista para lançar luz sobre as condições dos afro-americanos em todo o Sul.”[135]

“O mais notável sobre Ida B. Wells-Barnett não é que ela lutou contra o linchamento e outras formas de barbárie. É antes que ela travou uma luta solitária e quase de mão única, com a obstinação de um cruzado muito antes de homens ou mulheres de qualquer raça entrarem na arena; E a medida do sucesso que ela alcançou vai muito além do crédito que lhe foi dado na história do país”.[136]

Homenagens

Foram muitas as homenagens para a lendária Ida B.Wells.

Dentre elas, estão: “Na cidade natal de Wells, Holly Springs, Mississippi, o Museu e Centro Cultural de História Afro-Americana Ida B. Wells foi fundado na Spires Bolling House, na propriedade em que Wells nasceu, e a estação de correios da cidade foi renomeada em sua homenagem. Em 1990, o Serviço Postal dos Estados Unidos emitiu um selo postal representando Wells para homenagear sua vida.

Muitas escolas primárias e secundárias ao redor dos Estados Unidos foram nomeadas em homenagem à lendária Ida B. Wells”. [137]

O Memorial Foundation Ida B. Wells procura preservar e promover o seu legado.

Ela morreu no dia 25 de março de 1931. [138]

 


Atriz de Hollywood e cantora

da Cruzada Billy Graham

 

 

“Mas se converteu aos 11 anos num reavivamento na Igreja Metodista Episcopal Africana”


 

Ethel Waters (1896-1977) nasceu em Chester, Pensilvânia, como resultado do estupro de sua mãe adolescente, Louise Anderson.

 

Foi criada na pobreza. Sua infância foi difícil. Ela disse que nunca foi uma criança, nunca foi abraçada ou entendida por sua família.

 

Ela se tornou uma ladra profissional e roubou comida por necessidade.

 

Mais tarde se tornou uma metodista.[139]

 

Mas havia sido criada pela avó católica convicta e internada num colégio católico, mas se converteu aos 11 anos num reavivamento na Igreja Metodista Episcopal Africana.

 

Casou-se aos 13 anos de idade, mas logo deixou o marido abusivo e tornou-se uma empregada de um hotel de Filadélfia.

 

Foi convencida a cantar e impressionou tanto o público, que lhe foi oferecido um trabalho profissional no teatro Lincoln, em Baltimore. Logo foi para Nova York. Participou da série da TV Route 66 e, em 1943, foi para Hollywood.

 

Ela “atuou em mais de uma dúzia de produções da Broadway, começando com 1Africana1, em 1927, e terminando com 1Evening With Ethel Waters1, em 1959. Seu papel mais notável foi como Berenice Sadie Brown em 1Member of the Wedding1 em 1950, um papel que ela repetiu no filme”. [140]

 

Ela estava “à frente da longa fila de artistas negros que alcançaram reconhecimento, fama, dinheiro e sucesso no show business. Ela triunfou em pura habilidade e versatilidade como cantora e atriz”. [141]

 

Foi a segunda afrodescendente dos Estados Unidos a ser indicada a um Oscar por causa de sua  “performance dramática em ‘Pinky’ em 1949”.[142]

 

Foi incluída no GMA Gospel Music Hall of Fame em 1984. Excursionou com o evangelista Billy Graham (1957-1976).

 

Participou pela primeira vez da Cruzada em 1957, no Madison Square Garden, em Nova York. Foi uma das mais aclamadas cantoras cristãs e seculares do mundo.

 

“Ela cantou no culto na Casa Branca em 1971, durante o mandato presidencial de Richard M. Nixon, e compareceu ao casamento de sua filha Tricia”.[143]

 

Em 1972, publicou sua autobiografia Para mim é maravilhoso. [144]

 

 

 

 


A mãe dos direitos civis nos EUA

 

“Foi esse evento—monumental assistido pelo mundo—que desencadeou o moderno Movimento pela Liberdade Negra e fez uma lenda viva da Sra. Parks”


Rosa Louise McCauley Parks (1913-2005) nasceu em Tuskegee, Alabama. Após a separação de seus pais, foi morar numa fazenda, ao redor de Montgomery, com os avós maternos, a mãe e um irmão.

Ela foi costureira e membro da Igreja Metodista Episcopal Africana (AME).

A infância de Rosa foi em torno da Igreja Metodista Episcopal Africana, onde seu tio era o pastor local.

Rosa falou sobre como a “igreja tem sido uma forte defensora da igualdade negra ao longo de muitas gerações”.[145]

Rosa Parks se tornou “um ícone americano devido ao seu papel fundamental no movimento pelos direitos civis, que foi desencadeado por sua recusa em ceder seu assento em um ônibus de Montgomery, Alabama, para uma pessoa branca”.[146]

Por isso, foi presa em 1955.

“Em 1º de dezembro de 1955, em Montgomery, Alabama, Parks se recusou a obedecer à ordem do motorista de ônibus James F. Blake de ceder seu assento na "seção colorida" para um passageiro branco, depois que a seção apenas para brancos foi preenchida”.[147]

Ela foi fotografada enquanto estava sendo coletada suas impressões digitais, uma foto que “desde então encontrou seu caminho nos livros didáticos de história. Parks recebeu um telefonema, e ela o usou para entrar em contato com E. D. Nixon, um membro proeminente do capítulo da NAACP de Montgomery’. Nixon estava devidamente indignado, mas também sentiu que em Rosa Parks sua comunidade poderia ter o indivíduo perfeito para servir como um símbolo da injustiça sulista. Nixon chamou um advogado branco liberal, Clifford Durr, que concordou em representar Parks. Depois de consultar o advogado, seu marido e sua mãe, Rosa Parks concordou em empreender uma contestação judicial da lei segregacionista que levou à sua prisão”.[148]

Esse fato ajudou a lançar nos EUA o Movimento dos Direitos Civis, tornando-se o estopim do movimento antissegregacionista.

 

“A notícia da prisão de Parks’ se espalhou rapidamente pela comunidade negra de Montgomery’, e vários líderes negros influentes decidiram que era hora de tentar um boicote ao sistema de transporte público. Um desses líderes, o reverendo Martin Luther King Jr., usou a máquina de mimeógrafo de sua igreja batista para fazer 7.000 cópias de um folheto anunciando o boicote”. [149]

Martin Luther King incentivou os negros a boicotarem os ônibus.

“Durante 381 dias, os negros se reuniram de carro e caminharam para o trabalho e a igreja. Seu esforço unificado não só ajudou a acabar com o corte de Jim Crow nos ônibus, mas também foi financeiramente devastador para a empresa de ônibus. Foi esse evento—monumental assistido pelo mundo—que desencadeou o moderno Movimento pela Liberdade Negra e fez uma lenda viva da Sra. Parks”. [150]

Rosa Parks hoje é símbolo da luta antirracista nos EUA.

Ela disse: “Na minha educação e na Bíblia, aprendi que as pessoas devem defender os direitos, assim como os filhos de Israel se levantaram contra o faraó”.

Rosa ganhou uma medalha de ouro do Congresso norte-americano, em 1999, com a inscrição “Mãe do Movimento dos Direitos Civis dos dias atuais”.

Um filme – The Rosa Parks – foi lançado sobre a sua história.

Livros foram escritos sobre sua vida, dentre ele; “In Memoriam: ROSA PARKS” de Erva Boyd.

No Capitólio foi erguida uma estátua sua.

Parks ajudou com comunhão e batismos em sua congregação local, em Detroit, e também foi uma diaconisa, a posição mais alta para uma leiga na denominação.

Ela morreu aos 92 anos de causas naturais, em 24 de outubro de 2005.

“Em sua morte, muitos grandes gestos foram feitos, como o anúncio oficial de Montgomery e Detroit City de que todos os assentos dianteiros de seus ônibus teriam uma fita preta em homenagem à sua memória. Seu caixão foi colocado em sua igreja em Montgomery e depois levado para ser colocado na rotunda do Capitólio dos EUA em Washington DC, uma honra que foi dada a poucos que não eram funcionários do governo dos EUA”.[151]

Em 2013, uma estátua de bronze de Rosa Parks foi erguida em Washington, lembrando a líder dos direitos civis.[152]

 


 



[1] https://www.nebraskapress.unl.edu/nebraska/9780803219847/

[2] https://www.nebraskapress.unl.edu/nebraska/9780803219847/

[3] https://www.encyclopedia.com/.../hart-sisters-antigua

[4] https://oxford.universitypressscholarship.com/view/10.1093/acprof:..

[5] https://www.bu.edu/missiology/gilbert-anne-hart-1768-1833

[6] https://en.wikipedia.org/wiki/Elizabeth_Hart_Thwaites

[7] https://www.encyclopedia.com/.../hart-sisters-antigua

[8] Idem.

[9] https://suffragettecity100.com/wcw04

[10] https://www.bu.edu/missiology/gilbert-anne-hart-1768-1833

[11] https://www.researchgate.net/publication/267516106_The_Hart_Sisters_of...

[12] https://www.encyclopedia.com/.../hart-sisters-antigua

[14] https://storia.wiki/sorelle-hart-di-antigua

[15] http://www.jamaicamethodist.org/ history-of-church/

[16] https://sites.google.com/site/beemethodistjamaica/history-of-the-methodists-in-jm

[17] www.jamaicamethodist.org/history-of-church

[18] Idem.

[19] http://www.jamaicamethodist.org/ history-of-church/

[20] http://www.methodistheritage.org.uk/missionary-history-neal-in-the-beginning-2011.pdf

[21] https://jis.gov.jm/information/jamaica-heritage-sites/kingston-heritage-sites

[23] www.jamaicamethodist.org/history-of-church

[24] http://www.methodistheritage.org.uk/missionary-history-neal-in-the-beginning-2011.pdf

[25] Idem.

[26] https://www.facebook.com/JISVoice/photos/a.131338936456/10152808906631457/?type=3

[28] https://um-insight.net/liberia-president-opposes-christian-nation-legislation/

[29] https://thenewdawnliberia.com/umc-gives-ellen-her-flowers/

[30] https://www.nbcdfw.com/news/local/first-woman-bishop-in-ame-church-talks-life-lessons-for-all-faiths/2129810/

[32] www.iol.co.za/news/south-africa/bishop-malinga-hands-over-reins-421820

[33] www.researchgate.net/publication/343569627_From_Cabazi_to_Bruma_Purity_Malinga%27s_Rise_to_Presiding_Bishop_of_the_MCSA

[34] www.researchgate.net/publication/343569627_From_Cabazi_to_Bruma_Purity_Malinga%27s_Rise_to_Presiding_Bishop_of_the_MCSA

[35] Idem.

[36] Idem.

[37] www.researchgate.net/publication/343569627_From_Cabazi_to_Bruma_Purity_Malinga%27s_Rise_to_Presiding_Bishop_of_the_MCSA

[38] https://en.wikipedia.org/wiki/Purity_Nomthandazo_Malinga

[39]htps://timeslive.co.za/news/south-africa/2019-05-17-methodist-church-of-sa-appoints-its-first-female-bishop/

[40] www.researchgate.net/publication/343569627_From_Cabazi_to_Bruma_Purity_Malinga%27s_Rise_to_Presiding_Bishop_of_the_MCSA

[41] Idem.

[42]https://www.iol.co.za/weekend-argus/opinion/methodist-church-elects-rev-malinga-as-first-female-presiding-bishop-38797670

[43] www.researchgate.net/publication/343569627_From_Cabazi_to_Bruma_Purity_Malinga%27s_Rise_to_Presiding_Bishop_of_the_MCSA

[44] “A África Austral não é um único país, mas uma região que abarca dez países: Botswana, Lesoto, Moçambique, Zâmbia, Zimbabwe, Malawi, Suazilândia, Namíbia, República da Africa do Sul e Angola”. www.escolamz.com/2020/07/africa-austral-situacao-geografica-e-caracteristicas-fisico-geograficas.html

[50] hyttps://www.umnews.org/en/news/bishop-nhanala-manages-multiple-crises

[51] https://www.umnews.org/en/news/bishop-nhanala-manages-multiple-crises

[52] http://www.moumethodist.org/pages/detail/1373

[53]https://www.umnews.org/pt/news/metodista-unida-em-mocambique-norte-cresce-apesar-das-adversidades

[54] Idem.

[56]https://thepoint.gm/africa/gambia/opinion/adieu-gambias-first-female-presiding-bishop-her-grace-hannah-caroline-faal-heim

[58]https://www.tripadvisor.com.br/LocationPhotoDirectLink-g303621-d4377008-i117724791-Martha_Watts_Cultural_Center-Piracicaba_State_of_Sao_Paulo.html

[59] http://projetoredomas.com/ preta-flora-na-negra-mesa-do-senhor/

[60] Universidade Metodista de São Paulo, Faculdade de Humanidades e Direito programa de Pós-graduação em Ciências da Religião. José Roberto Alves Loiola, “Metodismo de Imigração e afro-brasileiros: Análise de alguns aspectos importantes da relação entre imigrantes metodistas estadunidenses e população afro-brasileira na região de Piracicaba no período de 1867 a 1930”. http://tede.metodista.br/jspuibitstream/tede/581/1/Jose%20Roberto%20Alves%20Loiola.pdf

http://tede.metodista.br/jspuibitstream/tede/581/1/Jose%20Roberto%20Alves%20Loiola.pdf

[61] http://projetoredomas.com/ preta-flora-na-negra-mesa-do-senhor/

[62] https://www.aprovincia.com.br/memorial-piracicaba/ almanaque/a-escrava-flora-alforriada-1837/

[63]http://acervoshistoricos.blogspot.com/2013/11/ao-lugar-supremo-por-veredas-estreitas.html

[64]http://acervoshistoricos.blogspot.com/2013/11ao-lugar-supremo-por-veredas-estreitas.html

[65] https://www.facebook.com/i igrejametodistadepirassunungaoficial/posts/763259760494007/

[66]https://www.aprovincia.com.br/memorial-piracicaba/almanaque/a-escrava-flora-alforriada-1837/

[67] https://www.facebook.com/i igrejametodistadepirassunungaoficial/posts/763259760494007/

[68]http://acervoshistoricos.blogspot.com/22013/11/ao-lugar-supremo-por-veredas-estreitas.html

[69]https://www.aprovincia.com.br/memorial-piracicaba/almanaque/a-escrava-flora-alforriada-1837/

[70] http://acervoshistoricos.blogspot.com/2014/09/flora-blummer.html

[71] http://rede.metodista.br/jspuibitstream/tede/581/1/Jose%20Roberto%20Alves%20Loiola.pdf

[72]http://acervoshistoricos.blogspot.com/22013/11/ao-lugar-supremo-por-veredas-estreitas.html

[73] https://issuu.com/flora.filme/docs/lookbook_portugues

[74] http://projetoredomas.com/preta-flora-na-negra-mesa-do-senhor/

[75] http://caribbeanelections.com/knowledge/biography/bios/gill_sarah_ann.

[76] https://blackthen.com/bajan-hero-religious-persecution-sarah-ann-gill/

[77] Há um livro, “Sara, Mãe de uma nação”, pela editora Saraiva, que se refere à Sara, esposa de Abraão. https://www.estantevirtual.com.br/livros/wendy-virgo/sara-mae-de-uma.

[78] https://www.facebook.com/NationBarbados/posts/sarah-ann-gill-1795-1866-was-a-staunc

[79] https://barbadospocketguide.com/our-island-barbados/national-heroes/sarah-ann-gill.html

[80] https://deargoodblog.blogspot.com/2007/11/barbados-national-heroes-sarah-ann-gill.html

[81] https://abuse.wikia.org/wiki/Sarah_Ann_Gill

[82] https://www.barbadospocketguide.com/our-island-barbados/national-heroes/sarah-ann-gill.html

[83] http://caribbeanelections.com/knowledge/biography/bios/gill_sarah_ann.asp

[84] https://blackthen.com/bajan-hero-religious-persecution-sarah-ann-gill/

[85] https://www.gobarbados.org/methodism-in-barbados/

[86] https://barbadospocketguide.com/our-island-barbados/national-heroes/sarah-ann-gill.html

[87] Idem.

[88] https://barbadospocketguide.com/our-island-barbados/national-heroes/sarah-ann-gill.html

[89] Alguns colocam a data de 1789 como a chegada do metodismo em Barbados.

[90] https://barbados.org/churches/methodists.htm

[91] https://en.wikipedia.org/wiki/William_Shrewsbury

[92] A plutocracia é o governo exercido ou influenciado pela classe mais rica da população.Definição. A palavra plutocracia vem do grego e é a junção de “plouto” – riqueza e “kratos” – governo. Assim seria o "governo dos ricos", tal qual a democracia é o "governo do povo". https://www.todamateria.com.br/plutocracia

[93] https://www.barbadospocketguide.com/our-island-barbados/religion/methodist.html

[94] https://www.barbadospocketguide.com/.../religion/methodist.html

[95]https://blackthen.com/bajan-hero-religious-persecution-sarah-ann-gill/

[96] www1.folha.uol.com.br/mundo/2021/11/barbados-se-prepara-para-virar-republi

[97] https://en.wikipedia.org/wiki/Barbados

[98] https://barbados.org/churches/methodists.htm

[99]http://caribbeanelections.com/ knowledge/biography/bios/gill_sarah_ann.asp

[100] https://www.semanticscholar.org/paper/ The-Destruction-of-the-Methodist-Chapel-at-October-Reed/b56c29b6cf67295f6c1c2bf74eb9435a513a1eab

[101] https://openlibrary.org/books/OL22807238M

[102] https://www.stabroeknews.com/2012/08/14/guyana-review/religion-a-history-of-kingston-methodist-church/

[103] https://barbadospocketguide.com/our-island-barbados/national-heroes/sarah-ann-gill.html

[104] https://blackthen.com/bajan-hero-religious-persecution-sarah-ann-gill/

[105] https://barbadospocketguide.com/our-island-barbados/national-heroes/sarah-ann-gill.html

[106] https://www.gobarbados.org/methodism-in-barbados/

[108] https://barbados.org/churches/methodists.htm

[109] https://barbadospocketguide.com/our-island-barbados/national-heroes/sarah-ann-gill.html

[110] https://www.findyello.com/barbados/bethel-diana-j/profile

[111] https://jamesstreetspeightstown.tripod.com/

[112] https://ilovethisrock.com/2020/04/28/sarah-ann-gill/

[113] https://dir.md/wiki/Sarah_Ann_Gill?host=es.qwe.wiki

[114] https://gisbarbados.gov.bb › blog › sarah-ann-gill-called-the-mother-of-our-nation

[115] https://www.umc.org/en/content/ask-the-umc-black-women-pioneers-part-2

[116] Idem.

[117] https://www.umc.org/en/content/ask-the-umc-black-women-pioneers-part-2

[118] https://www.bu.edu/missiology/2020/03/22/crenshaw-sallie-a-1900-1986/

[119] https://www.umc.org/en/content/ask-the-umc-black-women-pioneers-part-2

[121] https://www.umc.org/en/content/ask-the-umc-black-women-pioneers-part-2

https://www.bu.edu/missiology/2020/03/22/crenshaw-sallie-a-1900-1986/

[123] https://www.umc.org/en/content/ask-the-umc-black-women-pioneers-part-2

[124] https://www.womenshistory.org/education-resources/biographies/ida-b-wells-barnett

[125] https://www.umc.org/en/ontent/ask-the-umc-black-women-pioneers-part-1

[126] https://www.umc.org/en/ontent/ask-the-umc-black-women-pioneers-part-1

[127] https://www.womenshistory.org/education-resources/biographies/ida-b-wells-barnett

[128] https://www.umc.org/en/ontent/ask-the-umc-black-women-pioneers-part-1

[129] https://southernstudies.olemiss.edu/on-violence-in-the-south-ida-b-wells-barnett/

[130] Idem.

[131] https://www.umc.org/en/ontent/ask-the-umc-black-women-pioneers-part-1

[132] https://www.umc.org/en/ontent/ask-the-umc-black-women-pioneers-part-1

[133] Idem.

[134] Idem.

[135] https://www.womenshistory.org/education-resources/biographies/ida-b-wells-barnett

[136] https://www.lib.uchicago.edu/collex/exhibits/voice-for-justice-life-and-legacy-ida-b-wells/legacy-ida-b-wells/

[137] https://www.lib.uchicago.edu/collex/exhibits/voice-for-justice-life-and-legacy-ida-b-wells/legacy-ida-b-wells/

[138] https://www.umc.org/en/ontent/ask-the-umc-black-women-pioneers-part-1

[139] https://musiclinernotes.wordpress.com/tag/ethel-waters/

[140] https://www.nytimes.com/1977/09/02/archives/ethel-waters-is-dead-at-80-ethel-waters-singer-and-actress-on-stage.html

[141] https://www.nytimes.com/1977/09/02/archives/ethel-waters-is-dead-at-80-ethel-waters-singer-and-actress-on-stage.html

[142] https://www.nytimes.com/11977/09/02/archives/ethel-waters-is-dead-at-80-ethel-waters-singer-and-actress-on-stage.html

[143] https://www.nytimes.com/1977/09/02/archives/ethel-waters-is-dead-at-80-ethel-waters-singer-and-actress-on-stage.html

[144] Pesquisa: http://en.wikipedia.org/wiki/Ethel_Waters

http://www.apoloybaco.com/ethelwatersbiografia.htm

http://billygraham.org/story/library-features-ethel-waters-exhibit/

http://www.abbasheart.com/ethelwaters.asp 

[145] https://www.ipl.org/essay/How-Did-Rosa-Parks-Contribute-To-The-P3JEYJFBG5PV

[146] https://www.ipl.org/essay/How-Did-Rosa-Parks-Contribute-To-The-P3JEYJFBG5PV

[147] https://ancestors.familysearch.org/en/LRP3-P5C/rosa-louise-mccauley-1913-2005

[148] https://www.encyclopedia.com/people/social-sciences-and-law/social-reformers/rosa-louise-parks

[149] https://www.encyclopedia.com/people/social-sciences-and-law/social-reformers/rosa-louise-parks

[150] https://www.encyclopedia.com/people/social-sciences-and-law/social-reformers/rosa-louise-parks

[151] https://wanderwomenproject.com/women/rosa-parks/

[152] http://content.time.com/time/specials/packages/article/0,28804,2029774_2029776_2031835,00.html

Pesquisa: http://hollowverse.com/rosa-parks/

http://wiki.answers.com/Q/What_Methodist_church_did_Rosa_parks_go_to

http://www.philadelphiamlk.org/Pages/RosaParks.aspx

http://www.religionnews.com/2013/02/27/rosa-parks-statue-unveiled-at-capitol-celebrated-by-ame-church/

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