Em
busca da raiz wesleyana, o elo perdido
Odilon
Massolar Chaves
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Art. 184 do Código Penal e Lei 96710 de 19 de
fevereiro de 1998.
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Tradutor: Google
Toda
gloria a Deus!
Odilon
Massolar Chaves é pastor metodista aposentado, doutor em Teologia e História
pela Universidade Metodista de São Paulo.
Sua
tese tratou sobre o avivamento metodista na Inglaterra no século XVIII e a sua
contribuição como paradigma para nossos dias.
Foi
editor do jornal oficial metodista e coordenador de Curso de Teologia.
Declaração
de direitos autorais: Esses arquivos são de domínio público e são
derivados de uma edição eletrônica que está disponível no site da Biblioteca
Etérea dos Clássicos Cristãos.
Rio
de Janeiro – Brasil
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ÍNDICE
· Introdução
· As tendências e
conflitos das correntes no metodismo brasileiro
· Carismáticos e
sócio-políticos na tradição metodista brasileira[1]
· Teologia da
libertação e o movimento carismático como alternativas para o
metodismo brasileiro
· 1974, início de
grandes mudanças no metodismo brasileiro
[1] “Sócio-políticos”
foi uma sugestão do coordenador da Pós-Graduação da UMESP e meu orjentador na
tese de doutorado, Lauri Wirth, que era luterano.
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INTRODUÇÃO
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“Em
busca da raiz wesleyana, o elo perdido” é um livro de 92 páginas que trata das
diversas tendências no metodismo brasileiro ao longo de sua história.
Desde
a década de sessenta, historiadores metodistas afirmaram que o metodismo
brasileiro havia perdido a sua identidade.
Empurrado
por ventos e movimentos, o metodismo deixou suas raízes.
Alguns
se fundamentaram em novas tendências, na década de sessenta, como a Teologia da
Libertação e o Movimento Carismático, que foram parte da teologia pregada por
Wesley, ou seja, Wesley pregava a vida no poder do Espírito, mas também um
Evangelho que trouxesse resposta às necessidades do povo oprimido e
pobre.
O
fato é que hoje vivemos muito mais ainda numa sociedade que facilita a perda
das raízes. “Vivemos um contexto social-político-religioso marcado por um
profundo desenraizamento, onde somos mobilizados a viver em mundos sem raízes”[2] influenciados pelas redes sociais e
pela chamada “sociedade líquida”, que defende que nada é eterno, defende a
dissolução de relações duradouras acompanhando a moda e o pensamento do
momento.
Sem
raízes, vivemos na superfície: “No emaranhado das imagens e sons perdemos a
noção daquilo que é essencial e decisivo para a vida (...)” [3] e para o metodismo wesleyano.
Muitos
movimentos se infiltraram dentro da Igreja influenciando o seu pensamento e
missão.
Sem
estarmos enraizados, perdemos a essência do ser metodista. E até em nome de
Wesley muitos extremos são feitos.
Precisamos
retornar à raiz wesleyana, nosso elo perdido.
Partimos
de pressuposto básico de que temos que voltar às raízes do metodismo para
compreender sua “natureza e função” e trazermos pistas para o modo de ser e de
agir do metodismo hoje.
Não
desejamos trazer uma estrutura do passado para o hoje e nem desejamos tentar
repetir uma história e sim verificar os fundamentos teológicos e a vivência
wesleyana na abertura ao mover do Espírito e no compromisso social, para
servirem de base para o nosso tempo, levando em conta a atual cultura e o
contexto social e político do país.
Hoje
a questão tem se complicado por causa das muitas influências dos
neopentecostais pelas redes sociais; por causa da tendência de haver entre os
pastores e pastoras os ministérios independentes, etc.
A
questão das instituições muito mal administradas também tem causado um trauma
na Igreja.
O
fato é que a Igreja precisa se reencontrar retornando à sua identidade em
Wesley, que pregava a vida no poder do Espírito Santo e Jesus como Senhor e
Salvador, mas também lutou contra a escravidão, criou escolas para os filhos
dos mineiros e pregadores, criou clinicas populares, ministrou aos pobres,
mineiros, oleiros e foi solidário com os desempregados e presos.
Um
Movimento que Wesley acreditou ter sido levantado por Deus para mudar tanto a
nação como a Igreja e espalhar a santidade bíblica por toda a terra.
O Autor
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AS TENDÊNCIAS E CONFLITOS DAS CORRENTES NO
METODISMO BRASILEIRO
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A
corrente do Evangelho Social[4] teve importante influência no
metodismo brasileiro, especialmente com a liderança do Rev. H.C.Tucker, que foi
líder na área social da Igreja Metodista entre as décadas de trinta e
cinquenta.
A vivência, conflitos e tendências no metodismo hoje
nos levam a buscar no passado as nossas raízes já que constantemente as
diversas tendências dentro da Igreja hoje buscam em Wesley os fundamentos para
suas práticas.
Como
diz Adam Schaff:
“(...) a história é função dos interesses do presente ou -
como escreve N.M. Prokovski - é a política atual projetada sobre o passado.”[5]
Partimos
do princípio de que o metodismo em cada época tem tido crises, tem tido
dificuldades em sua vocação profética e com a sua própria identidade
por causa do contexto social em que se situa. Atualizando a afirmação das
autoras citadas anteriormente, o metodismo alcançou sua forma atual através de
alterações, ao longo do tempo, influenciados pelo contexto cultural particular
de cada época.
Como
exemplo, citamos a década de cinquenta quando o país viveu um triunfalismo com
o novo Presidente da República[6] e o metodismo teve também sua euforia
com o “Avante por Cristo”[7]. Na década de sessenta, quando o Brasil
viveu um período de rápidas transformações, o metodismo não conseguiu
acompanhar todo o processo no contexto em que vivia. Mas o Brasil entrou em
crise e o metodismo também:
“Todo
esse desenvolvimento do capitalismo nacionalista do populismo entrou em crise
durante a década de 60 devido à marginalização das grandes massas rurais, para
as quais não houve solução e as quais invadiram as cidades, pela limitação do
seu mercado interno, que levou a uma parada do crescimento econômico, a
completar com o estado planejador e, finalmente, à desnacionalização do estado
e da economia, para favorecer a intervenção econômica estrangeira.”[8]
Essa
análise nos ajuda a entender que a Igreja Metodista aprovou sua organização em
dons e ministérios[9] somente em 1987, porque o Brasil vivia
um período de abertura democrática e de participação popular.
Na
verdade, o metodismo brasileiro caminhou muito à sombra da ênfase política e
social brasileira. Getúlio Vargas dirigiu o país da década de trinta a década
de cinquenta com uma ditadura. O primeiro bispo brasileiro dirigiu o metodismo
com mão de ferro também de 1934 a 1955.[10]
Esse
método histórico é uma opção que nos ajuda a ir por um caminho mais seguro de
fazermos uma pesquisa mais perto da sua realidade.
Mais uma vez, Adam Schaff nos
ajuda: A seleção dos fatos é portanto função do contexto
histórico do historiador, da teoria que ela aplica (...).”[11]
Ao
pesquisar sobre a história do metodismo é possível que outro historiador chegue
a resultados diferentes do nosso, sem ter forjado a história ou mentido.
Exatamente, porque o sujeito escreve do seu lugar social, a partir de suas
tendências, seleção dos fatos, opções, interesses, mediações sociais,
preconceitos, etc.
A
questão chave da pesquisa é o equilíbrio wesleyano entre piedade e o seu forte
compromisso social, no século XVIII, na Inglaterra.
Uma
identidade[12] cujo paradigma[13] dará diretrizes aos que buscam um
avivamento em nossos tempos, no Brasil.
Diversos
movimentos influenciaram o metodismo ao longo de sua história. O metodismo que
os brasileiros receberam em 1867 veio como uma roupagem ideológica, que o
diferenciava grandemente de suas origens na Inglaterra. Até mesma concordância
com a escravidão ocorreu na América por parte da liderança da Igreja.
Júlio
de Santa Ana afirma: “(...) a partir de 1839, começaram a surgir
cismas na Igreja Metodista dos Estados Unidos por causa dessa questão. Esta
divisão durou até 1938. Mas o que mais nos interessa aqui é o fato de que foram
setores do metodismo, que não souberam assumir as suas responsabilidades diante
da questão escravista, os que chegaram a certas partes da América
Latina. Isso quer dizer que, além de sua orientação conservadora em questões
sociopolíticas, davam também sinais de incoerência entre o pensamento e a
prática. Este elemento deve ser tomado fortemente em conta quando se fala da
nossa herança metodista.”[14]
O
metodismo que veio para o Brasil foi dos sulistas derrotados na Guerra
de Secessão na América. Junius Newmam havia perdido suas terras e veio
tentar a sorte aqui,[15] com a benção da Igreja Metodista
Episcopal do Sul.
“Em
1966, um número considerável de sulistas, que tinham sofrido prejuízos enormes
em consequência dessa conflagração, resolveu emigrar para o Brasil. O Rev.
Junius E. Newman, que antes era homem de certa fortuna, tendo perdido tudo que
possuía, durante essa guerra, precisava de alguma forma restabelecer os seus
haveres. Vendo muitos dos seus amigos e patrícios partirem para uma terra
longínqua e estrangeira, resolveu acompanhá-los, especialmente animado pela
esperança de poder auxiliar na propaganda do Evangelho.”[16]
Ele,
primeiramente, fixou residência em Niterói e depois, em 17 de agosto
de 1871, organizou a primeira Igreja Metodista com nove norte-americanos, em
Saltinho, SP.[17]
Julio de Santa Ana, ao comentar sobre alguns elementos da
herança metodista, afirma:
“(...)
o metodismo nos Estados Unidos, apesar de posicionar-se em favor da
independência desse país em relação ao poder colonial britânico (posição na
qual divergiu radicalmente com a de Wesley), caracterizou-se pelo predomínio de
posições conservaras em questões sociais e políticas, pelo menos até inícios do
nosso século, quando a influência da corrente do ´Social Gospel´ começou a
fazer-se sentir, embora jamais chegasse a predominar no pensamento metodista.“[18]
A
corrente do Evangelho Social[19] teve importante influência no
metodismo brasileiro, especialmente com a liderança do Rev. H.C.Tucker,[20] que foi líder na área social da Igreja
Metodista entre as décadas de trinta e cinquenta.
Tucker
se referiu ao evangelho integral pregado por Wesley:
“Enquanto John Wesley pregava a sua doutrina de salvação individual,
compreendeu que a salvação era também social, que ele não poderia ser
fiel ao chamado do Mestre, se não ocupasse dos grandes males do seu
tempo” .[21]
Durante
a história do metodismo em terras brasileiras surgiram movimentos,
especialmente, a partir da década de trinta procurando despertar a Igreja,
especialmente, para o crescimento. Alguns conflitos e divisões foram
inevitáveis.[22] O conflito se tornou mais forte na
década de sessenta quando surgiu uma grande divisão no metodismo, no Rio de
Janeiro, em 1967. [23]
A
partir dos anos setenta, as duas tendências inerentes ao metodismo brasileiro
assumiram contornos mais nítidos através do Movimento Carismático e da Teologia
da Libertação. Desde, então, o metodismo brasileiro vive procurando um ponto de
equilíbrio e de ação. Cada um deles sempre procura se fundamentar
em Wesley e no metodismo do século XVIII.
A
cisão mais conhecida e mais trágica ocorreu em 1967, no Rio de Janeiro, quando
um grupo de cinco pastores entendeu que o metodismo brasileiro havia se
desviado de sua origem wesleyana. Por isso organizaram a Igreja
Metodista Wesleyana, exatamente por entenderem que suas práticas eram
apoiadas por João Wesley.
Assim,
alegavam realizar um avivamento para o metodismo voltar às suas raízes:
“(...) nos sentimos chamados pelo Espírito Santo para realizar uma obra de
avivamento no seio da Igreja Metodista do Brasil.”[24]
Como não viram outras alterativas, declararam:
“(...)
retiramo-nos da Igreja Metodista do Brasil com o propósito de organizarmos uma
Igreja Metodista nos moldes do Metodismo Primitivo.”[25]
Essas
tendências avivalistas ou sociopolíticas ainda geram debates na vida da Igreja
Metodista, mas sem grandes crises.
Afinal,
o metodismo deve se preocupar também com a educação, a questão indígena, fome,
Fundo Monetário Internacional e com a violência?[26]
Podemos
expulsar demônios, orar em línguas, levantar as mãos e bater palmas nos
louvores ou estas práticas não fazem parte da nossa identidade?[27]
Essas
questões estão presentes na vida da Igreja.[28] Por isso, a razão desta pesquisa
procurar analisar essas questões em Wesley e assim contribuir para a Vida e a
Missão da Igreja Metodista mostrando sua origem, base teológica e
identidade.
O
PVM (Plano para Vida e a Missão da Igreja) aprovado no Concílio
Geral, em 1982, fundamentou e deu suporte para a ênfase nas Obras de Piedade e
Atos de Misericórdia. A Igreja conseguiu colocar em um documento uma forte base
teológica com ênfases dos grupos carismáticos e os chamados “liberais”.[29] Entre outras importantes afirmações, o PVM diz:
“A missão
acontece na promoção da vida e do trabalho - para que haja vida são necessárias
comunhão e reconciliação com Deus e o próximo, direito a terra, habitação,
alimentação, valorização da família e dos marginalizados da família, saúde,
educação, lazer, participação na vida comunitária, política e artística, e
preservação na natureza (At 2.42; II Co 5.18-20; Jo 10.10, 15.5. I Jo 1.7).”[30]
Por
isso, a importância de abordar esses temas em Wesley procurando diretrizes para
os nossos dias, não só para o metodismo, mas também para os diversos
avivamentos que têm surgido.[31] Assim, a presente pesquisa quer ser
uma contribuição para sustentar teologicamente a ênfase e a prática atual
metodista, que nos dois últimos Concílios Gerais, em 1991 e 1997, colocou como
tema: Igreja, Comunidade Missionária a serviço do povo.
Cremos
que o avivamento metodista, na Inglaterra, no século XVIII, serve como
paradigma para a Igreja, no Brasil. Nosso pressuposto básico é de que
avivamento e compromisso social fazem parte do todo do Evangelho e da
identidade metodista.
Como afirma Steve Harper:
“As
décadas de sessenta e setenta atacaram duramente esta dimensão da vida social e
espiritual. A relatividade moral e a ênfase nos direitos e privilégios do
indivíduo desafiaram seriamente a nossa crença nos padrões universais. A nossa
herança wesleyana, contudo, nos lembra de que tais padrões ainda existem.”[32]
Esta
dimensão social e espiritual ou espiritualidade social é que desejamos
recuperar em Wesley para servir de diretriz para as igrejas que buscam
avivamento no novo milênio.
A
influência do Movimento Carismático e do Movimento Profético[33] no metodismo brasileiro ainda não foi
objeto de uma pesquisa cientifica mais profunda.
As
preocupações e ênfases nas pesquisas têm sido diferentes e têm levado sempre em
conta as situações que cada autor vive em seu lugar social. A tendência maior é
dar um enfoque sob o ponto de vista dos problemas sociais e não a partir também
das necessidades e ênfase da ação do Espírito Santo nas comunidades
locais.
Devido
aos problemas sociais e políticos na América Latina, autores metodistas
latino-americanos têm procurado discutir a participação de Wesley diante dos
problemas sociais de sua época, na Inglaterra, com objetivo de
encontrar um referencial para a atuação da Igreja hoje.
Como
exemplo, citamos o Primeiro Encontro de Teologia
Protestante, em Costa Rica, entre 6 e 11 de fevereiro de 1983, cujos
resultados foram publicados no livro La tradición protestante
em la teologia latino-americana. Foi discutido amplamente sobre a tradição
metodista e foram levantadas questões como:
Poderemos
falar e perceber um metodismo Latino-Americano?
Que
elementos da herança Metodista a Igreja Latino-Americana reconhece?
Os
temas abordados – “O Wesley dos pobres” (Elza Tamez); "As comunidades de
base e a tradição metodista" (Mortimer Arias); "Metodismo na América
Latina – o caso uruguaio" (Emílio Castro), etc, revelam a tendência de
encontrar na tradição wesleyana respostas para os problemas que afligem ao povo
na América Latina.
A
mesma tendência se observa no livro Luta pela vida e
evangelização – A tradição metodista na teologia
latino-americana, publicado pela Unimep, em 1991.
Teólogos
de expressão abordaram temas como: "Aspectos políticos e ideológicos do
metodismo histórico" (Clory Trindade de Oliveira); "Herança e
responsabilidade do metodismo na América Latina" (Julio de Santa Ana); “O
caráter ideológico do metodismo que nos veio dos E.U.A.” (Nora Quiroga Boots);
“Por uma Igreja solidária com os pobres” (Vitório Araya G.), etc.
Dentre
os temas acima, destacamos dois. Segundo Clory Trindade de Oliveira, para se
compreender Wesley é preciso entender que o seu pensamento
político repousa na sua visão teológica do homem:
“O ser
humano é dado à desordem e ao desregramento; os governantes são os responsáveis
pelo cumprimento da tarefa de manutenção da ordem, a fim de que a vida possa
acontecer e o povo possa aproveitar as oportunidades que surgirem, inclusive a
suprema oportunidade da aceitação de uma nova vida aqui neste mundo, mas cujo
objetivo final é o novo mundo, sob a soberania amorosa e justa de Deus.”[34]
Nora
Quiroga Boots comenta o caráter ideológico das Missões que vieram dos
EUA:
“(...) a
Guerra Civil dos Estados Unidos e o seu resultado influíram significativamente
nas missões protestantes, particularmente no Brasil. Cidadãos estadunidenses do
Sul, insatisfeitos com os resultados da Guerra Civil, emigraram para o Brasil
(...).”[35]
As
Instituições de Ensino, como a Unimep,[36] procuraram retomar às raízes do
metodismo primitivo lançando livros como Aspectos do metodismo histórico,
de Sante Uberto Barbieri, 1983, que aborda temas como “A identidade do
metodismo”, “A Ação Social do Metodismo primitivo”, etc.
Deste
bloco de publicações, destacamos um lembrete de Sante Uberto Barbieri:
“É bom
lembrar aqui que João Wesley viveu na Inglaterra antes da Revolução Industrial,
quando ainda não se tinha consciência do que seria a redenção social, a justa
retribuição ao trabalho e a verdadeira noção de respeito humano. Não devemos,
pois, esperar que os primeiros metodistas tivessem a mesma consciência moral
que nós no século XX.”[37]
Outro
livro publicado foi Metodismo: releitura latino-americana, de José
Miguez Bonino, 1983, abordando temas como: “Foi o metodismo um
movimento libertador?”, “Conservar o Metodismo? Em busca de um genuíno
ecumenismo”, etc.
Dentro do tema "releitura", Bonino
diz:
“Em
princípio, creio que as duas observações são corretas. A investigação de nossa
‘herança metodista’- como costumamos chamá-la – não pode ser nem nossa primeira
prioridade nem nossa lealdade derradeira. Nossa identidade não se forja
primeiramente numa identificação com o passado, mas na realização de tarefas
presentes e no compromisso com o projeto histórico. Entretanto – e aqui
começamos com uma resposta positiva – tão pouco se forja ‘sem’ o
passado.” [38]
Já
Edward P. Thompson, historiador inglês comprometido com as causas populares,
escreveu A Formação da Classe Operária Inglesa,[39] onde procura mostrar, a partir
da Revolução Industrial, século XVIII, como a classe operária se formou na
Inglaterra. Neste aspecto, ele coloca o metodismo como tendo sido importante no
processo, apesar de ver também aspectos negativos, como o conservadorismo em
questões políticas. Thompson não poupa também críticas a Wesley. Apesar das
contradições, ele cita o movimento wesleyano como tendo sido fundamental na
sociedade inglesa, no século XVIII.
“(...)
foi Wesley - ultraconservador em política e sacerdotal em questões de
organização - o primeiro a chegar aos 'pobres de Cristo', quebrando
o tabu calvinista com a simples mensagem: 'A única coisa a fazer é
salvar almas.” [40]
Thompson
citou ainda a importância do metodismo inglês na organização dos
operários:
“(...)
é-nos conhecido o argumento de que o metodismo foi indiretamente responsável
por um aumento na autoconfiança e capacidade de organização do operariado.”[41]
Outra
tendência é abordar a história do metodismo primitivo e sua origem no Brasil.
Neste aspecto temos autores reconhecidos, como Duncan Alexander Reily (Metodismo
Brasileiro e Wesleyano [42]; História Documental do Protestantismo no
Brasil [43]); José Gonçalves Salvador (História do
Metodismo no Brasil [44]); Richard P. Heitzenhater (Wesley
e o Povo Chamado Metodista[45]) e Mateo Lelièvre (João Wesley,
Sua Vida e Obra [46]).
Dentre
este bloco, destacamos o historiador Richard P. Heitzenhater com o livro Wesley
e o Povo Chamado Metodista. Uma obra de grande importância para
a compreensão do metodismo, na Inglaterra, no século XVIII, onde o metodismo é
apresentado como um movimento.
Richard Heitzenhater diz:
“O foco
unificador para Wesley era a preocupação com o espalhar a santidade bíblica.
Esta ênfase na teologia pratica era o traço central da tradição do ´viver
santo´ que por séculos havia atravessado muitas das divisões tradicionais
dentro do cristianismo (...). Um traço comum nessa sequência histórica é a
ampla preocupação pelo bem-estar das criaturas de Deus – mente, corpo e alma.”[47]
Uma
outra ênfase vem dos metodistas Walter Klaiber e Manfred Marquardts, teólogos
alemães, que procuram abordar os grande temas teológicos do metodismo wesleyano
no livro Viver a Graça de Deus.[48]
Os capítulos são: “Anúncio responsável ou o porquê
de uma teologia metodista”; “Salvação universal ou o amor de Deus para com seu
mundo”; “Fé pessoal ou a experiência da salvação pelo indivíduo”, “O
ser-cristão total ou a realidade do amor”.
Os
autores abordam as ênfases doutrinárias em Wesley. Uma das afirmações do
livro mostra como o metodismo se desenvolveu:
“As
resoluções das consultas das conferências anuais do movimento de Wesley foram
protocoladas e publicadas, formando a base doutrinária a que todos se referiam
(...) através da ´conferência anual´ ele criou para as igrejas metodistas um
instrumento que as capacitou mesmo depois de sua morte a reagir em comum e
em bloco aos desafios de cada época.”[49]
Dentro
da estrutura eclesiástica, os Bispos têm procurado publicar Pastorais,
abordando temas como As marcas da Identidade Metodista, 1995; Pastoral
sobre a Maçonaria, 2000.
Todas
as Pastorais foram publicadas pela Biblioteca Vida e Missão. São
orientações visando, especialmente, a unidade da Igreja.
Uma
das abordagens é do teólogo metodista José Miguez Bonino, em seu
livro Rostros del protestantismo latino-americano.[50] Ele procura mostrar, entre
outras ênfases, o surgimento e amadurecimento do pentecostalismo
latino-americano. Ele afirma:
“O
movimento pentecostal se coloca, maiormente, entre os setores mais empobrecidos
de nossos tempos e cidades. Dessa realidade, que foi também a realidade desde a
qual Jesus situou seu ministério (Lc 4.18), o pentecostalismo
desafia a uma sociedade em pecado e em franco processo de decomposição.” [51]
Bonino
ainda cita documento aprovado em O Encontro de Pentecostais Latino
Americano, Salvador, Bahia, janeiro de 1988, que indica o amadurecimento
dos pentecostais:
“(...) as
igrejas pentecostais que, superando uma histórica tendência da marginalização
social, se tem comprometido com os que sofrem e descobrindo novas formas de
participação social.”[52]
Entre
as teses relacionadas ao metodismo brasileiro, destacamos: “Sobre sonhos e
pesadelos da juventude Metodista Brasileira nos anos sessenta”, de Jorge
Hamilton Sampaio. Para ele, a crise da mocidade na década de sessenta está
relacionada com a liderança da Igreja em priorizar a salvação da alma.[53] Em sua tese, Hamilton afirma que a
mocidade defendia a salvação total do ser humano.
Jorge
Hamilton cita também documento do VII Congresso Geral da Mocidade
Metodista, realizado entre 16 e 20 de julho de 1969, que mostra as
principais características da Igreja Metodista, na década de sessenta:
paternalismo, autoritarismo; legalismo, clericalização, mistificação (colocar
“panos quentes” em todas as crises) e individualismo.[54]
Uma
das únicas obras que abordam o avivamento, no metodismo brasileiro, tem como
título Avivamento e Despertamento Missionário, de autoria do pastor
metodista José Pontes Sobrinho. Publicado em 1998, o autor procura fazer uma
crítica aos erros avivalistas, tais como espiritualismo exacerbado,
supervalorização do diabo, menosprezo do intelecto, emocionalismo, perigo de
falsos profetas, os erros dos falsos profetas e das profecias falsas, etc.
Na conclusão, o autor afirma:
“Ao concluir este
livro, é nossa oração e esperança que ele, com toda sua limitação, possa
contribuir para a correção dos erros que fatalmente surgem em tempos de
avivamento.”[55]
Contudo,
o autor não deixa de reconhecer a existência de manifestações emocionais e
físicas nos avivamentos:
“Os
escritos de John Wesley nos mostram que durante suas pregações, cultos e
reuniões, aconteciam eventualmente manifestações marcadas por emoções. Em
alguns momentos, alguns gritavam tão alto quanto podiam. Diversos caiam ao chão
como se estivessem mortos (...).”[56]
Também
os avivalistas ou carismáticos se apropriam, como os liberais, de textos de
Wesley, segundo sua inclinação teológica ou interesse. No livreto 50
dias de oração pelo VII Encontro Nacional de Avivamento, são
citadas diversas experiências dos primeiros metodistas, com o Espírito Santo.
Entre elas está:
“Deus
derramou abundantemente seu Espírito sobre nós Muitos ficaram cheios de
consolação (...). Deus restaurou o homem à luz de sua face, e deu à jovem moça
a convicção clara do seu amor.”[57]
Ao
abordar a herança wesleyana, citamos Duncan Alexander Reily:
“Certamente,
não significa, porém, tentarmos reproduzir o wesleyanismo inglês do século
XVIII e nem o metodismo norte-americano do século XIX ou XX, pois o princípio
da autonomia nos liberta desta imitação servil. Significa assumirmos
responsavelmente a nossa herança, não como escravos a ela, senão com ‘a
gloriosa liberdade dos filhos de Deus (Rm 8.21).”[58]
Desde
o estabelecimento das missões vindas da América do Norte, a partir de meados do
século XIX, duas forças entraram em choque no metodismo brasileiro empurrados
pelo Evangelho Social e a Igreja Espiritual. Mas a mensagem maior que veio com
os primeiros missionários não foi de compromisso social e sim uma vida salva do
mundo pecador.[59]
O
metodismo brasileiro oficialmente procurou um avivamento nos moldes do
metodismo wesleyano. Como exemplo, citamos o Instituto Ministerial Geral da
Igreja, em 1947.
Entre
os dias 9 e 17 de julho de 1947, a Igreja promoveu seu I Instituto
Ministerial Geral, no Colégio Bennett, sob a direção da Junta Geral de
Educação Cristã. Segundo os documentos, o Instituto Geral foi tão marcante que,
no final do encontro, todos estavam com os corações
trasbordantes de entusiasmo cristão.
Os
Bispos e pastores presentes lançaram um desafio a todos em prol do mais pronto
estabelecimento do Reino dos Céus em nossa Pátria, através da sua ação
evangelizante, educativa e assistencial.[60] Os pastores aceitaram o desafio do
Colégio dos Bispos de alcançar seis mil novos membros no exercício
eclesiástico.
O desafio tinha um preço:
“O
desafio vos apela a uma consagração irrestrita e incondicional, de todas as
energias e capacidades, na gloriosa empresa da conquista do Brasil para
Cristo.”[61]
O Instituto
Ministerial trouxe aos pastores a consciência da necessidade de
mudança:
“1. Todos
nós sentimos necessidade de renovação espiritual concretizada numa experiência
viva, resultante de nosso encontro com Jesus e o Espírito Santo. Do vigor
espiritual do Ministério da Igreja resultará uma Igreja vivamente espiritual
(...);
2. Todos nós sentimos necessidade de mais
aproximação entre os ministros e pastores de nossa Igreja (...) O IG facilitou
esta aproximação e a igreja já está gozando dos resultados dos novos ideais de
que estão possuídos os pastores que não se furtaram ao privilégio de tomar
parte nos seus trabalhos;
3. Todos nós sentimos necessidade de dar mais força
ao trabalho de Evangelização (...). A ênfase neste ponto, avivou-nos o espírito
o ideal de Cristo e da Igreja Cristã nos seus primórdios, dando a cada um de
nós CONSCIÊNCIA do verdadeiro sentido de EVANGELIZAÇÃO (...).”[62]
O
repórter oficial do Instituto Ministerial, no fim da reportagem, declara:
“Cada
pastor que participou do Inst. Minist. Geral já está infundindo em sua igreja
uma nova consciência do que quer dizer Avivamento Espiritual, Trabalho Pastoral
e Evangelização.”[63]
Como
resultado do Instituto Geral, os metodistas se envolveram mais nas Cruzadas,[64] na década de quarenta, e no
Avante por Cristo, na década de cinquenta.
Durante
a história do metodismo no Brasil, alguns líderes, como Guaracy Silveira,
lutaram para que a dicotomia espiritual-social pudesse ser eliminada e a
questão da espiritualidade fosse vista sem preconceitos. No início da década de
cinquenta, o Movimento das Cruzadas em algumas
denominações era forte, principalmente, em São Paulo.
Diante
desta situação, na abertura do Concílio Regional do Centro, no dia
23 de Janeiro de 1953, Guaracy Silveira propõe a eleição de uma Comissão
Especial para estudar a situação da Igreja Metodista do Brasil em face do
pentecostalismo e avivamento de João Wesley.[65]
A
Comissão ficou constituída de Afonso Romano Filho, Guaracy Silveira, Francisco
Gonçalves Noceti, Joviniano Ferreira e Natanael Bizarro Rosa. A Comissão
Especial fez observações simpáticas ao pentecostalismo:
“Devemos
nos alegrar com o trabalho dos pentecostais, e dar graças a Deus porque, aquilo
que há neles, que nos parecem erros de prática cristã, não tenha sido obstáculo
a que eles estejam alcançando milhares de almas (...).”[66]
Para
a Comissão, o metodismo tem armas dadas por Deus, através
de João Wesley, por isso não precisamos de armas de outras
comunidades para vencer a nossa luta.
M as a Comissão foi franca e também
disse:
“Devemos,
portanto, nós, ministros e leigos, numa vigorosa e honesta autocrítica,
examinar nossas vidas e verificar onde estão nossas falhas, para que,
removidas, tornemos mais eficiente nossa vida no serviço do Mestre.”[67]
Foram
dadas ainda várias recomendações, desde a prática do jejum até o reconhecimento
dos dons das pessoas que têm frutos no trabalho, mesmo sendo de pouco preparo
teológico. A Igreja deveria prepará-los.
A
questão ainda continua, se bem que bem mais tranquila. Mas há ainda os que são
rotulados de “carismáticos” e “liberais.”[68] A
questão hoje é saber se é possível haver uma unidade entre as correntes
teológicas como foi no metodismo primitivo.
É
possível ser “avivado” ou “carismático” e ter um forte compromisso social?
É
possível ser “liberal” ou da Teologia da Libertação e ser avivado?
Na
história do metodismo, na Inglaterra, vemos que isso foi possível. Nas
Conferências Anuais,[69] essa questão nunca mereceu maior
destaque e nunca gerou polêmica, a não ser a questão do livre arbítrio,
perfeição cristã, relação com a Igreja Anglicana, regras, etc.
Pelo desenrolar da história a força do avivamento e a
ênfase na participação profética do metodismo convergem para se tornar
uma força única em uma geração futura. Hoje ainda há radicalismo nos dois
grupos dentro da Igreja.
Mas
muito menor do que na Igreja Católica onde a Renovação Carismática
Católica e os participantes das Comunidades Eclesiais de Base têm
ainda hoje sérios conflitos.
Mas
o movimento carismático na Igreja Metodista é diferente do catolicismo. No
metodismo, ele encontrou uma herança histórica e uma base teológica que levam
ao equilíbrio. Essa expressão “carismática” tem a tendência de
desaparecer dentro do metodismo.
É
até já é possível se ver também alguns dos chamados liberais participando do
louvor com mais intensidade. É possível também ver os chamados carismáticos
hoje muito mais engajados na ação social e conscientes politicamente. Desde que
o metodismo passou a se organizar em dons e ministérios, em 1987, passou a
caminhar para uma maior unidade.
Não
cremos que a Igreja chegará em uma uniformidade, que não é sinônimo de unidade.
Cremos que as diretrizes da Igreja já são resultado dessa mútua compreensão que
vem de um amadurecimento ao longo da história.
Nossa
hipótese é que é possível essa retomada, tendo em vista que os primeiros
metodistas e Wesley tinham essa visão e práticas bem definidas. Ao escrever
sobre as marcas de um metodista, João Wesley disse:
“Um
metodista é alguém que tem o amor de Deus em seu coração, pelo Espírito Santo
que lhe foi dado; é alguém que ama ao Senhor seu Deus, ‘com todo o seu coração,
com toda a sua alma, com todo entendimento e força (...).”[70]
Para
Wesley era impossível uma pessoa ter o Espírito Santo e ser voltada para si
mesma.
“(...)
Finalmente, na medida de suas forças, ele faz o bem a todos, amigos e inimigos,
ao próximo e ao estranho, e isto em todas as espécies: não só a seus corpos,
vestindo os nus, dando de comer a quem tem fome, mas, muito m ais do que isto,
procurando o bem de suas almas, de acordo com os dons que vêm de Deus (...).”[71]
Mostrando
sua percepção na ação do Espírito Santo, nas reuniões congregacionais, Wesley
descreveu em 28 de abril de 1762:
“(...)
Depois do sermão, tivemos uma Festa de Amor. Foi hora deliciosa. Deus derramou
e seu Espírito sobre nós. Muitos ficaram cheios de consolação(...).”[72]
Contudo,
revelando seu equilíbrio, sensibilidade e ênfase no compromisso social, ele
relata um momento de um culto, em 10 de março de 1765:
“Levantamos
uma coleta em nossa congregação em prol dos tecelões que estavam sem emprego
(...).”[73]
O
mesmo equilíbrio se percebe, em seu diário, escrito no dia 3 de março de 1788,
quando ele trata de uma questão social séria - a escravidão, numa quinta-feira:
“Dei aviso de
que, na quinta feira, pregaria sobre o assunto muito discutido - A Escravidão.”[74]
E,
já no dia seguinte, Wesley marca um momento de jejum e oração para a
libertação dos que estavam escravizados:
“(...)
marcamos sexta-feira como dia de jejum e oração; que Deus se lembrasse daqueles
homens pobres e desgraçados e (o que parece impossível com homens, considerando
a riqueza e poder na sua possessão) lhes desse meio de escapar, quebrando-lhes
as algemas em pedaços.”[75]
Para
Wesley, a ação do Espírito Santo no ser humano deveria trazer,
consequentemente, o amor a Deus e ao próximo, e, assim, um compromisso
social:
“Os
que ‘andam segundo o Espírito’, tanto no coração como na vida O Espírito lhes
ensina a amar a Deus e ao próximo com um amor que é semelhante a uma ‘fonte que
jorra para a vida eterna’ (...).”[76]
Wesley
diz claramente que era essa a razão do Espírito Santo existir na vida do
cristão:
“A
manifestação do Espírito Santo teve em mira conceder-lhes (o que ninguém pode
negar seja essencial a todos os cristãos, em todos os tempos), a mente que
havia em Cristo; os santos frutos do Espírito, os quais, não os tendo alguém,
esse tal não lhes pertence; teve em vista enche-los de ‘caridade, gozo, paz,
longanimidade, benignidade, bondade’ (Gl 5.22-24) (...).”[77]
Avivamento
e amor ao próximo e, consequentemente, compromisso social, marcaram o
metodismo, na Inglaterra, desde o início:
“Esta
ênfase particular em 'amar ao próximo' e seguir o exemplo de Cristo (que 'andou
por toda a parte fazendo o bem', Atos 10:38), continuou a caracterizar o
metodismo, quando ele entrou no reavivamento.”[78]
Tanto
que o último desejo de Wesley foi que seis pessoas pobres deveriam levar seu
caixão e por esse trabalho receberiam uma libra cada uma delas.[79] As cortinas fúnebres utilizadas na
capela foram, posteriormente, utilizadas na confecção de vestidos e
distribuídos entre as mulheres pobres.[80]
Vamos
nos aprofundar nessa história e retirar, então, lições e diretrizes para a
caminhada da Igreja Metodista.
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CARISMÁTICOS E SÓCIO-POLÍTICOS NA TRADIÇÃO
METODISTA BRASILEIRA
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“Tudo
isso num período em que o Golpe de 64, o emergir de um novo Catolicismo Romano
depois do Vaticano II e a onipresença de pentecostais produziram em nós uma
profunda crise de identidade.”[81]
Duncan
Alexander Reily
Do
Evangelho integral à ética individualista
O
metodismo nasceu com o coração aquecido[82] e cresceu junto às classes[83] pobres na Inglaterra, especialmente a
classe operária.[84]
Cresceu
e amadureceu diante do mover do Espírito Santo, o chamado revival metodista,[85] que proporcionou santificação[86] e o impulsionou a ser solidário com as
classes oprimidas e empobrecidas.[87]
Portanto,
a ênfase no Espírito Santo[88] e no Compromisso Social,[89] fazem parte das raízes, da identidade
metodista.[90] A submissão ao Espírito Santo[91] e o compromisso social sempre andaram
juntos no metodismo[92] primitivo. Steve Harper fala de uma
espiritualidade social:
“Foi
exatamente isso que aconteceu com a espiritualidade metodista primitiva. Sua
combinação da piedade e da misericórdia produziu um instrumento que, nas mãos
de Deus, era mais eficaz do que esses elementos jamais teriam sido enquanto
separados” .[93]
Para
Wesley, a religião é essencialmente social. Reduzi-la só a uma
expressão solitária é destruí-la.[94] Era, natural, portanto, a ação
dos metodistas junto ao povo.
Foi
Wesley quem restabeleceu a ênfase na doutrina do Espírito Santo que tinha sido
quase extinta, devido ao deísmo dos teólogos da Igreja oficial e ao socianismo
e moralismo dos puritanos.[95]
Duncan
Alexander Reily afirma: ”(...) ao restaurar a doutrina do Espírito
Santo, Wesley contribuiu também para um saudável equilíbrio na fé e na prática
do cristianismo na Inglaterra e, através do movimento metodista, ao
protestantismo em geral.”[96]
Entre as
diversas categorias utilizadas por Wesley para falar da ação do Espírito Santo
está: "movidos pelo Espírito". Ele diz:
”(...)Tanto
os antigos profetas como os apóstolos foram entusiastas, tendo estado, por
diversas vezes, tão cheios do Espírito e tão influenciados por Aquele que
habitava em seu coração, que o exercício de sua própria razão, de seus sentidos
e de todas as faculdades naturais, estando suspenso, era inteiramente dirigido
pelo poder de Deus - e somente 'falavam conforme eram movidos pelo Espírito
Santo.” [97]
Sante
Uberto Barbieri mostra que as expressões “renovação espiritual” e “movimento”
fazem parte da origem do metodismo:
“O
metodismo não foi, na sua origem, uma nova forma eclesiástica. Foi um movimento
de renovação espiritual”.[98]
Mas
o metodismo brasileiro seguiu a fórmula de João Wesley: avivamento traz
perfeição cristã, que é igual ao amor perfeito e, consequentemente proporciona
solidariedade aos marginalizados?[99]
Veremos
que não. O metodismo brasileiro passou por diversas crises. Só no início da
década de noventa é que a Igreja Metodista brasileira
passou dos 100 mil membros.[100] Muito pouco para uma Igreja que, no
tempo de João Wesley, acreditou ter sido levantada por Deus para transformar a
nação, a Igreja e espalhar a santidade bíblica sobre a terra.[101]
Na
América do Norte, o metodismo cresceu muito através dos avivamentos e expansão
nas fronteiras,[102] mas também foi influenciado por
diversos movimentos avivalistas[103] chegando, inclusive, a haver
divisões.[104]
Segundo
Mortimer Árias:
“A
contextualização norte-americana, em seu primeiro período, mostra um movimento
metodista apto para o novo meio: originada do ‘revival’, prospera no ‘revival’
(...).”[105]
Mais
tarde a Igreja passou a enfatizar a ética individualista e, muitas vezes,
chegou ao ritualismo estéril e com status de classe média, como diz Clory
Trindade de Oliveira:
“Ao
redor do fim do século XIX, o metodismo já havia alcançado o status de classe
média, com uma acentuada neutralidade burguesa. Ao chegar ao Brasil, o
metodismo norte-americano, de origem sulista e comprometido com o sistema
político-social de sua pátria, trouxe a ideologia dominante de que era
absolutamente necessário e prioritário compartilhar os ”benefícios da
civilização protestante bíblico-norte-americana” com os brasileiros que eram
menos “afortunados.”[106]
As grandes crises no metodismo brasileiro
Uma boa parte
dos historiadores, como Edward Thompson,[107] vê o avivamento
metodista, na Inglaterra, como tendo tido aspectos
positivos.[108] O movimento Metodista levou a uma
ativa participação nas questões sociais, com os presos, escravos, meninos e
meninas de rua, desempregados, viciados etc.
A
questão é que a Igreja pode passar por diferentes fases em sua história. Ela
pode ser instrumento de libertação bem como até de omissão e de opressão. Pode
perder a identidade e se afastar das próprias raízes esquecendo a
sua herança.
Segundo
bispo Paulo Ayres Mattos, por não haver no metodismo brasileiro um projeto
Missionário de índole nacional, que proporcionasse unidade e levasse em conta o
povo brasileiro, após a década de trinta:
(...)
os conflitos e contradições passaram a ser mediados pelo carisma e
força das lideranças e a unidade conexional do metodismo brasileiro passa a ser
medida pela maior ou menor fidelidade às propostas e programas apresentados
pelos líderes da Igreja. Quando aquela mediação tornou-se impossível, as cisões
e expurgos foram inevitáveis (...) a unidade burocrática-administrativa começou
a vir a pique e as divisões antes ocultas e abafadas foram pouco a pouco se
evidenciando(...).”[109]
A
primeira divisão no metodismo brasileiro, ocorreu entre 1934-1935 e
proporcionou a criação da Irmandade Metodista Ortodoxa,
foi por questões teológicas.[110] Na finalidade de sua criação estava o
permanecer nas raízes wesleyanas, por isso, a expressão “ortodoxa”. A data da
fundação é considerada 31 de janeiro de 1934. Neste ano, José Henriques da
Matta organizou a Irmandade com a finalidade de promover também o
avivamento:
“(...)
promover a expansão do Reino de DEUS e o Avivamento Espiritual; realizar e
cooperar com obras sociais, tudo sem fronteiras denominacionais.” [111]
A
busca do avivamento e santidade proporcionou também, entre 1946-1948, uma crise
e divisão nas igrejas metodistas de Vila Mazzei e Tucuruvi, em São Paulo, e o
surgimento da Igreja Evangélica do Avivamento Bíblico,[112] que teve origem e foi
organizada dentro da Faculdade de Teologia, em Rudge Ramos, SP. Seus principais
líderes foram os jovens estudantes Mário Roberto Lindstron, Alírio Flora
Agostinho, Oswaldo Fuentes, Taisuke Sákuma e Kinzo Uchida:
“Quando
o jovem Mário Roberto Lindstron, candidato ao ministério metodista veio para a
Faculdade de Teologia em 1945, encontrou os estudantes Taisuke Sákuma e Kinzo
Uchida, ambos da Igreja Metodista Livre, que faziam seu curso no mesmo local,
Kinzo foi o instrumento usado por Deus para pregar ao seminarista Mário Roberto
Lindstron que, então, estava insatisfeito com sua vida espiritual, e sentia a
necessidade de buscar a ‘experiência de santificação ou de santidade’- doutrina
pregada pelo metodismo histórico. Ele e outros colegas entregaram-se então à
busca de poder e santificação, orando intensamente. Mário encontrou então o que
buscava: o batismo no Espírito Santo (...). Sendo o seminarista Mário ajudante
das igrejas de Tucuruvi e Vila Mazzei, São Paulo – Capital; foi usado por Deus
para anunciar a mensagem de despertamento, que foi aceita por muitos. Esses
irmãos avivados tiveram profundas experiências com o Espírito Santo e se
tornaram poderosos na oração.” [113]
No
dia 7 de setembro de 1947, nos eucaliptos da Faculdade de Teologia, em Rudge
Ramos, SP, nasceu a Igreja do Avivamento Bíblico.[114]
“A
preocupação básica do grupo consistia em santificação, poder para testemunhar e
reavivamento das igrejas”.[115]
Na
década de sessenta, o chamado Movimento de Renovação Espiritual [116] atingiu em cheio as Igrejas
históricas. Entre 21 a 26 de julho de 1964, aconteceu o I Encontro de Renovação
Espiritual, em Belo Horizonte, na Igreja Batista da Floresta, sob a
liderança de José Rego do Nascimento. O I Encontro fez uma
Declaração de Princípios de Renovação Espiritual:
“1)
Renovação Espiritual será somente uma mensagem, não uma denominação particular
nem um movimento em torno de determinado homem (...); 2) As igrejas, alcançadas
pela mensagem, procurem se conservar dentro de sua herança denominacional
(...); 3) Que se procure levar as igrejas a se ajustarem à orientação do
apóstolo Paulo em I COR. 12 e 14, na ordem e decência dos cultos (...); 4) Que
se procure evitar pregação ou literatura de caráter ofensivo ou pessoal...; 5)
Que se promovam encontros, nacionais e regionais, para pregações de
inspiração e exercício do culto apostólico (...)”[117]
A
crise entre os que desejavam o avivamento e os que se opunham (conservadores e
liberais[118]) levou à “divisão wesleyana”, [119] em 1967, e a criação da igreja
Metodista Wesleyana.[120] Para Gessé Teixeira de Carvalho, que
viria a ser Bispo na Igreja Metodista Wesleyana, a questão foi teológica:
“As
razões que deram origem à separação, basearam-se na doutrina do batismo do
Espírito Santo, como sendo uma segunda benção para o crente. Na aceitação dos
dons espirituais como recursos divinos para a realização da obra” .[121]
Outra
consequência da crise da década de sessenta foi o traumático fechamento da
Faculdade de Teologia, em 1968,[122] num
período de golpe militar no país. O fechamento da Faculdade de Teologia foi
consequência da ação dos conservadores dentro da Igreja. A gota d'água, para
alguns, foi a presença do arcebispo de Olinda, D. Helder Câmara, na formatura
dos alunos da Faculdade de Teologia, em 1967. Ele era considerado inimigo dos
militares. O apoio a D. Helder foi visto como concordância com a sua luta
social e ao ecumenismo. [123]
Para
alguns, a crise na Faculdade de Teologia foi uma crise de indisciplina. Os
argumentos foram:
“(...)
onde a liberdade sexual, o uso de bebida alcoólica e do fumo e o desrespeito a
Direção tornaram o ambiente insuportável.”[124]
A
situação teria chegado ao seguinte ponto:
“Após
a oração de agradecimento, os seminaristas jogaram a comida para cima em sinal
de protesto.”[125]
Para
Elias Boaventura tais fatos foram citados como pretexto para justificar a
intervenção do Gabinete Geral e suspender as aulas. Na verdade, o que houve foi
uma crise política e ideológica, que resumidamente mostrou-se nos seguintes
episódios:
“1.
D. Hélder Câmara é convidado para ser paraninfo de uma turma de seminaristas e
o fato repercute desfavoravelmente por toda a Igreja.
2.
Diversos seminaristas participaram de passeatas estudantis em São Paulo e
alguns são presos.
3.
Correm rumores de que a UNE teria organizado um congresso nas férias, no
‘campus’ sem autorização do Reitor Otto Gustavo Otto.
4.
Os Bispos Metodistas são avisados em reunião, por um líder metodista que o DOPS
e o Exército estavam preocupados com a situação na faculdade.
5.
O Gabinete Geral suspende as aulas, dispensa professores, destitui o Conselho
Diretor e provoca a pronta reação dos jovens que começam a comparecer à
Faculdade através de caravanas.”[126]
A
crise foi grande e o Gabinete Geral resolveu convocar o Concílio Geral
Extraordinário, em 1968, em Piracicaba, que confirmou a decisão
do Gabinete Geral e anunciou a reabertura da Faculdade de Teologia para 1969.[127]
Um
dos professores da Faculdade de Teologia - José Gonçalves Salvador - afirmou:
“(...)
estourou a greve dos seminaristas (1968), seguindo-se o consequente fechamento
do educandário e a exoneração dos mestres, um dos quais fui eu, sem que,
todavia, saiba até hoje os motivos para isto.”[128]
Em
que contexto se situava a Igreja Metodista na década de sessenta?
Duncan
Alexander Reily em sua análise sobre a situação da Igreja Metodista, na década
de sessenta, diz:
“Tudo
isso num período em que o Golpe de 64, o emergir de um novo Catolicismo Romano
depois do Vaticano II e a onipresença de pentecostais produziram em nós uma
profunda crise de identidade.”[129]
O
Conselho Mundial de Igrejas, em 1969, alertou sobre o despreparo e a
consequente crise nas Igrejas históricas:
“A
Igreja cristã no Brasil atravessa uma das fases mais difíceis de sua história.
Herdeira de estruturas alienígenas e acostumados à reflexão importada (...). O
desmoronamento das velhas estruturas parece nos tomar de surpresa, inteiramente
despreparados que estávamos para o evento (...). Os antigos programas
evangelísticos e as costumeiras campanhas missionárias parecem-lhes agora
inadequadas para enfrentar os novos tempos (...).”[130]
Diante
dessa nova realidade, a partir de 1974, alguns líderes da Igreja Metodista, no
Rio Grande do Sul, passaram a ter a chamada experiência do batismo do Espírito
Santo[131], sob a liderança de Moises Cavalheiro e
Erasmo Ungaretti. Sady Machado da Silva, bispo da Região, assim se expressou
sobre o movimento no sul:
"Surge
um movimento de Renovação (por alguns denominados 'Carismáticos') com apoio
e/ou restrições por parte de pastores e membros da Igreja. Dessa matéria nós
nos ocupamos e preocupamos, especialmente, por ocasião do Instituto
Ministerial. Temos nos esforçado para orientar, no sentido de evitar excessos
que se confundem com emoção e não propriamente ação do Espírito Santo e, por
outro lado, não podemos ficar contentes com a bonita herança que herdamos e
nada mais. Pessoalmente acho que ou o Espírito Santo fala através da Igreja ou
esta se desgasta e as pedras falarão."[132]
O
conflito com a liderança da Igreja Metodista foi inevitável. Um grupo saiu da
Igreja e formou a Comunidade de Porto Alegre.
No Concílio Regional, em 1976, eles deixaram a
Igreja metodista:
"Sobre
o movimento carismático 'ecumênico, o bispo falou francamente apontando seus
aspectos positivos e negativos e lamentou a saída de dois pastores metodistas
(Erasmo Ungaretti e Moisés Cavalheiro) integrados de tal forma no movimento,
que pediram' licença para tratar de interesses na fase mais
produtiva do ministério."[133]
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TEOLOGIA
DA LIBERTAÇÃO E O MOVIMENTO CARISMÁTICO COMO ALTERNATIVAS PARA
O METODISMO BRASILEIRO
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O
fato é que, depois da crise da década de sessenta, no metodismo brasileiro,
duas fortes tendências se fizeram presentes: O movimento social-político que
pregava a Responsabilidade Social da Igreja (os também chamados liberais ou
Evangelho Social, posteriormente, Teologia da Libertação) e o Movimento
Carismático.
Com o
despreparo da Igreja Metodista para a situação reinante do país e com as
crises, os resultados negativos logo foram percebidos nas estatísticas. William
Schisler Filho disse que os dados comprovavam que a Igreja Metodista havia
parado.
Na
sua análise, ele citou as perdas no período de 1965-1976, como demonstram,
dentre outros, os seguintes resultados:
-
Menos 28 igrejas;
-
Menos 11.101 alunos na Escola Dominical;
-
Menos 1.216 Sociedades de Jovens;
-
Menos 1960 Sociedades de mulheres.[134]
A
Igreja havia decrescido, segundo ele, porque havia deixado de ser missionária;
havia deixado secar as principais fontes de crescimento (Sociedades
e Escola Dominical) e havia perdido a sua unidade e mística.[135]
O
fato é que, depois da crise da década de sessenta, no metodismo brasileiro,
duas fortes tendências se fizeram presentes: O movimento social-político que
pregava a Responsabilidade Social da Igreja (os também chamados liberais[136] ou Evangelho Social,[137] posteriormente, Teologia da
Libertação[138]) e o Movimento Carismático[139].
A
ênfase na responsabilidade da Igreja veio, especialmente, a partir da II
Assembleia Mundial do Conselho Mundial de Igrejas, em agosto de
1954, Evanston, EUA. Alguns brasileiros participaram e voltaram entusiasmados
com as teses ali discutidas. Incentivaram líderes religiosos para se reunirem e
discutirem sobre a responsabilidade social da Igreja. Os graves problemas
sociais do Brasil levaram evangélicos brasileiros a se organizarem:
“Tudo
isso fez que um grupo de crentes evangélicos do Brasil, que assistiram
em Evanston, Estado de Illinois, na América do Norte, a 2ª
Assembleia do Conselho Mundial de Igrejas, onde tais teses foram amplamente
discutidas, decidissem convocar, sem qualquer caráter oficial, vários líderes
das diversas igrejas evangélicas, para estudar esses mesmos problemas em
relação à nossa Pátria.”[140]
A
II Assembleia do Conselho Mundial de Igrejas realizada
em Evanston representou um marco de mudança de mentalidade e ação em diversos
líderes de Igrejas Evangélicas no Brasil.[141]
Como
consequência, em 1955, em São Paulo, durante uma semana foi discutido sobre a
responsabilidade social da Igreja através da Comissão Igreja e Sociedade, que
era um departamento da Confederação Evangélica do Brasil.
O presidente era o pastor Benjamim Moraes e o secretário executivo, Waldo A.
César.
A I Consulta sobre a
Responsabilidade Social da Igreja foi
realizada em São Paulo entre os dias 15 e 18 de novembro de 1955 com a presença
de quarenta pessoas de 12 denominações e organizações, como o Conselho Mundial
de Igrejas. O objetivo foi dar uma resposta ao clamor dos marginalizados em
todas as suas necessidades.
A
visão dos líderes era:
“Diante
do quadro de rápidas transformações por que o mundo está passando, cumpre a
Igreja de Cristo estudar, com a Bíblia na mão e sob a iluminação do Espírito
Santo, as novas contingências sociais, a fim de oferecer aos povos conturbados
a solução cristã de todos os seus problemas.”[142]
Havia
21 leigos e 19 pastores presentes na I Consulta. Entre os metodistas presentes
estavam: Charles Wesley Clay, Francisco Gonçalves Nocetti, Hulda Chaves Lenz
César, João Parayba da Silva, Robert Whitfield Wisdom e William Richard
Schisler Filho.[143]
Entre
os problemas sociais da época levantados estavam:
“Fora
dos centros urbanos, o quadro social de nosso País apresenta-se-nos
verdadeiramente trágico. A atuação governamental faz-se sentir tão escassamente
que o sertanejo se sente alheio aos problemas nacionais,
circunscrito ao seu pequeno mundo local, sem aspirações nem
esperanças. O mundo de doenças que cerca o homem do campo alia-se à falta de
escolas, à superstição, à ausência de higiene e de remédios (...)à existência
das 'favelas`. O núcleo de famílias morando em miseráveis choupanas nos grandes
centros urbanos (e só no rio de Janeiro, há mais de 400.000 favelados); o
problema da prostituição que cresce assustadoramente enquanto se agravam as
dificuldades econômicas (...).”[144]
Entre
os temas abordados, estavam:
“Problemas
dos países de rápida mudança social” (Profº Egbert De Vries);
“Fundamentos bíblicos e teológicos da responsabilidade cristã na esfera
político-social” (Rev. Wilhelm Hann); “O significado e as
consequências da Encarnação” (Richard Shaull), etc.[145]
O
Encontro foi um marco no protestantismo brasileiro e trouxe várias
consequências ao metodismo. O despertar para as questões sociais foi grande. O
período 1955/1965 foi marcado por avanços:
“(...)
marcado pelo maior engajamento da igreja na vida das comunidades. O evangelho é
encarnado na realidade de pobreza e injustiça nacional. O credo social passa a
ser uma força crescente na formação religiosa dos fiéis. As obras de
assistência social se transformam em obras promocionais" do ser humano com
cursos de alfabetização e cursos de orientação profissional.[146]
Um
dos líderes que despertou a Igreja sobre a sua responsabilidade social foi o
presbiteriano Richard Shaull, um dos 10 membros da Comissão Igreja e
Sociedade.
Seus
escritos influenciaram líderes e a juventude, entre os quais está Gutemberg de
Campos, que escreveu um artigo ao Expositor Cristão, em 1954, e
citou algumas afirmações de Richard Shaull, entre elas:
“Não basta para
o homem ter liberdade para votar. É preciso que tenha, também, capacidade e
oportunidade para ganhar um salário alto compatível com a sua dignidade de ser
livre e responsável.”[147]
A
Conferência do Nordeste, em 1962, na cidade de Recife, foi outro evento
marcante para o protestantismo brasileiro. A Conferência teve como tema “Cristo
e o processo revolucionário brasileiro”. Almir dos Santos, Secretário Geral de
Ação Social na Igreja Metodista do Brasil, foi um dos líderes do encontro e
afirmou sobre sua importância:
“A
Conferência do Nordeste foi uma tentativa para encontrar novas formas de ação
da Igreja na situação revolucionária que vive o povo brasileiro na hora
presente (...). A Igreja deve estar disposta, inclusive, a mudar as suas
estruturas eclesiásticas, se necessário for, para melhor cumprir a sua missão
no mundo atual.”[148]
Dentro
dessa necessidade de ampliar a ação da Igreja, o Ciemal [149] (Conselho de Igrejas
Evangélicas Metodistas da América Latina e do Caribe) foi organizado
em 1969, com a necessidade e o propósito de um maior testemunho
profético[150] na América Latina:
“A
dimensão profética de nosso ministério é irrenunciável, no momento que
atravessa nossa América, como denúncia da injustiça da ordem imperante (...).”[151]
Um
outro fato importante aconteceu em 1971: a aprovação do novo Credo
Social no metodismo brasileiro.[152] Ele serviu de âncora para os
líderes da Igreja. Entre alguns líderes e documentos da Igreja Metodista, a
expressão “libertação” passou a ser utilizada dentro da ênfase da Missão da
Igreja. Isac Aço assim se expressou:
“Evangelizemos,
pois evangelizar é continuar a obra de Cristo que evangelizou aos pobres, foi
enviado para proclamar libertação aos cativos.”[153]
A
Teologia da Libertação foi a passagem do cristianismo social [154]para um cristianismo revolucionário[155], numa época que exigia que a
Igreja fosse revolucionária e lutasse também pela liberdade, democracia,
direitos humanos e justiça social.
O
outro movimento que surgiu como opção para a saída da crise no
metodismo brasileiro foi o chamado Movimento Carismático[156], que procurou enfatizar os
carismas, os dons espirituais.
O
Movimento Carismático[157] começou nas Igrejas históricas, em
1960, na Igreja Episcopal em Van Nuys, Califórnia sob a liderança do pastor
Dennis Bennet. Na Igreja Católica começou em 1967 na Universidade de Duquesne,
Califórnia.[158]
Uma
das primeiras denominações históricas a darem apoio ao Movimento Carismático,
nos EUA, foi a Igreja Presbiteriana Unida, em 1970. Ela manifestou sua
aprovação através do documento A Obra do Espírito. Logo
depois a Igreja Presbiteriana nos Estados Unidos também deu sua aprovação ao
movimento em outro documento chamado A pessoa e a obra do Espírito
Santo - Com referência especial ao batismo do Espírito Santo.[159]
Em
novembro de 1972, a Assembleia de Deus, nos EUA se posicionou sobre o Movimento
Carismático no periódico Advance. Ela reconhecia o que Deus fazia
ao redor do mundo dizendo:
“Os ventos do
Espírito Santo estão soprando livremente fora do corpo pentecostal.”[160]
As
Igrejas pentecostais entendiam que não eram mais os únicos lugares da
manifestação dos dons espirituais, mas elas advertiam:
“As
Assembleias de Deus não aprovam nenhuma doutrina ou conduta manifestadamente
antibíblica. Tampouco condenam categoricamente qualquer coisa que não se
conforme aos seus padrões.”[161]
Na
Igreja Ortodoxa, o Movimento Carismático surgiu em 1971. Já em 1973, foi
realizada a primeira Conferência Carismática Ortodoxa, em Ann Arbor, Michigan,
EUA.[162]
Os
conflitos foram inevitáveis. O próprio New York Times publicou
um artigo sobre os novos movimentos que estavam trazendo rupturas nas Igrejas
tradicionais:
“Para
algumas outras Igrejas, a causa mais inquietante de conflito tem sido o
movimento carismático (...). Faz pouco se reuniram na cidade de Kansas 50 mil
carismáticos dos meios católicos e protestantes, numa reunião que se constituiu
num dos maiores acontecimentos ecumênicos jamais ocorridos nos Estados Unidos.”[163]
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1974,
INICIO DE GRANDES MUDANÇAS NO METODISMO BRSILEIRO
===============================
De
uma forma mais acentuada, a partir de 1974, experiências com o Espírito Santo
passaram a ocorrer na vida de pastores e igrejas metodistas
O
início da década de setenta começou promissor para o metodismo brasileiro. O
Ministério Pastoral Feminino encontrou espaço na Igreja, a partir do Concílio
Geral de 1970-71. Nos Cânones de 1971 está registrado
no Art.157, parágrafo único:
“Na
ordem presbiteral, a Igreja acolhe homens e mulheres que reconhece vocacionados
para a plenitude do ministério ordenado (...).”[164]
Em
1971, o Conselho Mundial Metodista, reunido em Denver, Colorado,
EUA, convocou o metodismo mundial para participar da campanha “Metodismo
Mundial em Chamas por Cristo”. Em 1973, o metodismo brasileiro seguiu a
recomendação para o início da campanha e realizou três eventos:
-
Lançamento oficial da campanha no dia 10 de junho, Dia de Pentecostes. Em
diversos lugares foram realizadas concentrações ao ar-livre. Na central de Belo
Horizonte se reuniram duas mil pessoas, sob a liderança do bispo Omar Daibert;
- Vigília Mundial de Oração no dia 31 de dezembro das
12:00 às 24:00 h;
- Estudo
do livro “Jesus Cristo para Hoje” de Barclay, nas Escolas
Dominicais, no 1º semestre de 1974.[165]
De
uma forma mais acentuada, a partir de 1974, experiências com o Espírito Santo
passaram a ocorrer na vida de pastores e igrejas metodistas. A própria
liderança da Igreja testemunha que um sopro do Espírito aconteceu em seu meio,
em 1974, antes do Concílio Geral:
“Sentindo
a ingente responsabilidade para cumprimento da Missão aqui e agora, no Brasil e
no mundo, buscavam os conselheiros encontrar o caminho adequado para o
desenvolvimento da Obra profética da Igreja. Não estavam em reunião formalmente
administrativa; apenas dialogavam.
Ao
sopro do Espírito Santo, que vivifica, fortalece e conserva a Igreja, surgiu
espontaneamente, cremos nós, o tema que será centro de toda a preocupação e
programação da Igreja no quadriênio: Ministério e Missão.”[166]
No
Concílio Geral de 1974 foi aprovado o tema para o quadriênio na igreja: “Missão
e Ministério”. Antes, foi tomada uma decisão histórica. Pela
primeira vez, a agenda reservou um dia (quarta feira) para jejum e oração. Os
Bispos disseram:
“Vamos à Fonte da Água da
Vida.”[167]
Eles
ainda alertaram aos conciliares:
“Se
no final deste colendo Concílio tivermos somente dotado a Igreja de uma
legislação perfeita, vamos necessitar clamar com 'saco e cinza na cabeça' pela
inutilidade do encontro conciliar (...). Reunimo-nos para achar, encontrar, reencontrar a
Missão da Igreja Metodista no hoje no mundo e no agora do Brasil.”[168]
Mas
fora dos Concílios algo mais acontecia. O pastor argentino Juan Carlos Ortiz
através dos seus livros O Discípulo e Ser e Fazer Discípulos[169] influenciou também os líderes
carismáticos da Igreja Metodista, no Brasil. Jamie Buckingham afirmou, em
1974:
“(...)
Deus está agindo, enviando de novo aquelas línguas de fogo de Pentecostes por
todo o mundo. E os ensinamentos de Juan Carlos se tornam agora necessários para
maiores esclarecimentos sobre a ação do Espírito Santo nestes últimos tempos
antes da volta de Cristo. [170]
Não
era mais possível fechar os olhos para a realidade do Movimento Carismático nas
igrejas Metodistas. No seu relatório sobre o ano de 1975, ao Concílio da
Primeira Região, o bispo Almir dos Santos disse que o Plano
Quadrienal tinha um total desconhecimento dos membros das
igrejas. Disse mais:
“Ainda
para continuar sendo honesto, penso que a ênfase de muitas igrejas não esteve
no Plano Quadrienal, mas em certos aspectos do movimento carismático que vem
atuando em todas as igrejas cristãs no mundo de hoje, inclusive na Católica
Romana. O Colégio Episcopal elaborou e publicou uma pastoral sobre o Movimento
Carismático, e para ela temos endereçado os pastores e leigos interessados no
despertamento espiritual da Igreja.”[171]
Bispo
Almir dos Santos ainda falou da necessidade de mudança na vida
de algumas pessoas e do valor do movimento:
“Pessoalmente,
creio que este movimento, quando purificado de seus exageros, traz grande
benefício às igrejas e aos crentes. Não há como negar o rebaixamento do nível
de vida espiritual e moral de muitas das pessoas das nossas comunidades,
transformadas em verdadeiros clubes.”[172]
No
metodismo brasileiro o Movimento Carismático teve início,
especialmente, na 1ª (Rio de Janeiro), 2ª (Rio Grande do Sul) e
6ª Regiões Eclesiásticas (Paraná e Santa Catariana).[173] Diversas igrejas experimentavam um
mover do Espírito. Alguns líderes passavam pela experiência do Batismo do
Espírito.[174]
Em
1978, no Brasil, o Concílio Geral da Igreja Metodista elegeu um
Bispo carismático - Richard dos Santos Canfield - de uma Região considerada
carismática. Com esta atitude reconhecia o Movimento no metodismo brasileiro.
Neste ano, o tema aprovado no Concílio Geral revela a intenção da Igreja: Unidos
pelo Espírito, Metodistas Evangelizam.
O
Movimento Carismático foi mais bem aceito do que o Movimento de
Renovação Espiritual[175] por não ter uma preocupação tão
moralista e doutrinária, como o Movimento Wesleyano, na década de sessenta.
Além do mais, houve amadurecimento em relação à participação na vida política e
social brasileira.[176]
Na Consulta
Nacional sobre Evangelização promovida pelo CEDI (Centro Ecumênico de
Documentação e Informação), em 1980, foi constatado o avanço do Movimento
Carismático também nas Igrejas brasileiras:
“Constatamos
que o movimento de renovação nas Igrejas, como o movimento carismático, está
assumindo proporções significativas no Brasil e no mundo.”[177]
Mais
tarde, iniciou-se o ENAVI (Encontro Nacional de Avivamento e Santificação)
organizado pelos líderes carismáticos metodistas. O primeiro foi realizado
ainda de forma tímida entre os dias 21 e 23 de abril de 1989, no Acampamento
Betel, em São Paulo, com a presença de três Bispos e cerca de 120 pessoas, a
maior parte era de pastores e pastoras.[178]
O
Enavi foi organizado com o objetivo de promover o avivamento espiritual no
metodismo brasileiro e foi realizado de dois em dois anos. O VI ocorrido em
1999 reuniu cerca de nove mil pessoas em Londrina, Paraná.[179] No último Enavi, no Maracanãzinho, em
2000, cerca de quatro mil pessoas participaram.[180]
Na
palavra de apresentação do livreto motivador para que a Igreja viesse a orar e
jejuar durante cinquenta dias pelo VII Enavi, no Rio de Janeiro, no
ano 2000, está:
“Queremos
então desafiá-lo/a a se envolver criativamente e com muita intensidade,
juntamente com sua igreja, nesses 50 dias de oração pelo reavivamento
devocional da nossa amada Igreja metodista.”[181]
Estes
dois movimentos dentro do metodismo - sócio-político e Movimento Carismático -
cada um por si, sempre procuraram uma alternativa para a crise no metodismo
brasileiro, desde a década de sessenta.[182]
A
crítica que José Miguez Bonino faz aos dois movimentos é que eles agindo assim,
separadamente, não têm conseguido alcançar seus objetivos:
“O
Evangelho Social tratou de restaurar a perspectiva profética com sua
insistência nos 'princípios sociais' de Jesus. Porém tanto sua interpretação
'liberal' desses princípios como sua incapacidade para vincula-los com uma
visão teológica mais plena frustraram em parte esse intento. O movimento
carismático, na insistência em Jesus Cristo como 'Senhor' e, por conseguinte na
fé com o 'discipulado' abriu as portas para um desenvolvimento cristológico
mais pleno que me parece, no entanto, que não logrou definir os conteúdos
sociais mais profundos do discipulado ao que convoca.”[183]
Neste
ponto a tensão entre o Evangelho Social e o Movimento Carismático é mais forte
no catolicismo brasileiro. Há uma incompatibilidade entre a proposta da Renovação
Carismática Católica (RCC)[184] e a proposta das Comunidades
Eclesiais de Base (CEBs), como afirma Reginaldo Prandi em seu
livro Um Sopro do Espírito:
“A
RCC é confrontada permanentemente com o catolicismo das CEBs e com o
pentecostalismo, uma vez que a hipótese básica assume que o catolicismo
carismático pode ser pensado como movimento conservador de dupla reação:
primeiro, um movimento mais geral, voltado para fora do
catolicismo, isto é, tendo como oposição o pentecostalismo e outras religiões
que vêm minando as fileiras católicas. Segundo, um movimento voltado para
dentro da própria Igreja, enfraquecendo as posições assumidas pela
Igreja Católica da Teologia da Libertação e das CEBs, comprometida com
transformações sociais à esquerda.”[185]
Reginaldo
Prandi descreve em seu livro os conflitos entre padres e a RCC e diz
que desde a sua fundação, nos EUA, ela enfrentou resistência por parte da
Igreja progressista do catolicismo.[186]
A
questão do Espírito Santo e a participação social da Igreja têm gerado
conflitos, discórdias e divisões desde que o metodismo foi para a América,
especialmente diante da questão da escravidão.[187]
Ela
sempre esteve presente nos debates da Igreja Metodista, no Brasil, e
ainda o é. Muitos são rotulados de “carismáticos” e “progressistas”.[188] Apesar da publicação das Pastorais
dos Bispos sobre a doutrina do Espírito Santo,[189] diversas divisões têm ocorrido na
Igreja.[190]
Entre
as principais denominações que surgiram por causa de conflitos na Igreja
Metodista, estão: Irmandade Metodista Ortodoxa, 1934/1935;[191] Igreja Evangélica do Avivamento
Bíblico, 1946;[192] Igreja Metodista Cristã Brasileira,
1961;[193] Igreja Metodista Wesleyana, 1967;[194] Comunidade de Porto Alegre, 1976;[195] Comunidade Evangélica de São José do
Rio Preto, 1977;[196] Igreja Metodista Renovada, em
Ribeirão Preto, 1981;[197] Igreja Metodista Renovada, em São
Paulo, 1993.[198]
O historiador
da Igreja Presbiteriana Independente Antônio Gouvêa de Mendonça
afirma que os protestantes historicamente têm sido incapazes de lidar
adequadamente com as divergências, como o movimento carismático, favorecendo as
divisões.[199]
No
Movimento Carismático Metodista não houve uma reação sistemática ao
pentecostalismo e nem aos liberais. Havia, sim, discordância em alguns
posicionamentos. [200]
Diante
disso, perguntamos se é possível às Igrejas de hoje uma prática
semelhante àquela do tempo de Wesley: uma Igreja com submissão ao Espírito
Santo e com compromisso social.
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A
NECESSIDADE DE VOLTAR À RAÍZ WESLEYANA
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O
fato é que a Igreja precisa se reencontrar retornando à sua identidade em
Wesley, que pregava a vida no Espírito, Jesus como Senhor e Salvador e o
avivamento, mas também lutou contra a escravidão, criou escolas para os filhos
dos mineiros e pregadores, criou clinicas populares, ministrou aos mineiros,
oleiros e foi solidário com os desempregados e presos
Nosso
pressuposto básico é de que é possível caminhar para a unidade no metodismo,
especialmente, levando os grupos a compreenderem que as Obras de
Piedade e os Atos de Misericórdia fazem parte das
raízes wesleyanas. São dois aspectos constitutivos da identidade metodista. É
possível e necessária uma Ação Missionária comum entre os chamados carismáticos
e a ala progressista da Igreja. Esta Ação Missionária é fator de unidade da
Igreja.
Esta
foi a proposta do bispo Paulo Ayres Mattos, que fala em unidade da Igreja
através de um Projeto Missionário Nacional.[201] Para ele, o projeto
teria exigido uma pneumatologia:
“(...)
profética (crítica e transformadora da realidade brasileira), carismática
(fundamentada na diversidade dos ministérios e serviços concedidos pelo
Espírito livremente a todos os crentes), comunitária (o povo de Deus
sobrepondo-se à máquina burocrática e às lideranças personalistas) eMissionária
(voltada para fora da instituição metodista, em direção ao mundo dos
brasileiros.”[202]
Essa tendência e busca de unidade pode ser
vista no Plano da Igreja aprovado em 1978: Unidos pelo Espírito Metodistas
Evangelizam. Foi o Plano Quadrienal da Igreja Metodista (1979-1982).
O
“Plano para a Vida e a Missão da Igreja Metodista, aprovado no Concílio Geral
de 1982, pode ser considerado como um divisor da história do metodismo no
país”.[203]
Posteriormente,
a Igreja se organizou em Dons e Ministérios e depois passou a dar ênfase ao
Discipulado, mas a Igreja nunca conseguiu ir muito em frente.
Um
amadurecimento que continua e parece nunca chegar. Ora as duas correntes
(Social e Espiritual ou Teologia da Libertação e Carismáticos ou ainda
Conservadores e Liberais, etc) entrando em extremos e em conflitos, ora
procurando uma maior unidade.
Hoje
a questão tem se complicado por causa das muitas influências dos
neopentecostais; por causa da tendência de haver entre os pastores e pastoras
os ministérios independentes, etc.
A
questão das instituições muito mal administradas também tem causado um trauma
na Igreja.
O
fato é que a Igreja precisa se reencontrar retornando à sua identidade em
Wesley, que pregava a vida no Espírito, Jesus como Senhor e Salvador e o
avivamento, mas também lutou contra a escravidão, criou escolas para os filhos
dos mineiros e pregadores, criou clinicas populares, ministrou aos mineiros,
oleiros e foi solidário com os desempregados e presos.
Uma
Igreja que Wesley acreditou ter sido levantada por Deus por reformar a nação e
a Igreja e espalhar a santidade bíblica por toda a terra.
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[1] “Sócio-políticos”
foi uma sugestão do coordenador da Pós-Graduação da UMESP e meu orjentador na
tese de doutorado, Lauri Wirth, que era luterano.
[2] https://www.diariodetaubateregiao.com.br/dt/fe-e-razao-nao-perder-as-raizes-viver-da-profundidade-das-raizes/
[3] https://www.diariodetaubateregiao.com.br/dt/fe-e-razao-nao-perder-as-raizes-viver-da-profundidade-das-raizes/
[4] “Os
anos finais do décimo nono século presenciaram o despertar de profundo
interesse social entre muitos cristãos. Sob a direção de ministros liberais
como Washington Gladden (!836-1918) e Walter Raschenbush (1861-1918) progrediu
o ‘evangelho social’ americano. No começo desse século o protestantismo
expressara seu interesse social principalmente em termos individuais,
insistindo em reformas nas obras de caridade e na moral, mas o evangelho social
focou sua atenção sobre aspectos corporados da vida moderna e sobre a
consecução da justiça social. Grande atenção foi dada às relações entre capital
e trabalho e o movimento influiu no encurtamento das horas diárias de trabalho”
( WALKER, Welliston. História da Igreja Cristã.
Tradução de N. Duval da Silva. 2 v. São Paulo: Imprensa Metodista, ASTE, 1967,
p.282.
[5] SCHAFF,
Adam. História e Verdade. São Paulo: Livraria Martins Fontes
Editora Ltda, 1983, p. 271.
[6] No
Governo de Juscelino ”a base para o progresso foi uma extraordinária expansão
industrial. Entre 1955 e 1961, a produção industrial cresceu 80% (em
preços constantes),com as percentagens mais altas registradas pelas
indústrias de aço (100%), indústrias econômicas (125%), indústrias elétricas e
comunicações (380%) e indústrias de equipamentos de transportes (600%)”.
(SKIDMORE, Thomas. Brasil: de Getúlio a Castelo. Rio de
Janeiro: Paz e terra, 1975, p.204).
[7] O
programa tinha quatro aspectos: Nossa Fé; Nossa Igreja; Nosso Ministério e
Nossa Missão (SEXTO CONCÍLIO GERAL. Avante por Cristo. [s.ed],
[s.d], p. 138).
[8] GOTAY,
Samuel Silva et al. História da Teologia na América Latina. São
Paulo: Edições Paulinas, 1981, p.149.
[9] Organização
em dons e ministérios significa a livre escolha do ministério (serviço) que
cada pessoa deseja participar na organização da Igreja, sem burocracia. No
sexto capítulo abordaremos com mais profundidade sobre os dons e ministérios na
organização metodista.
[10] O
primeiro bispo do metodismo brasileiro foi César Dacorso Filho.
[11] SCHAFF,
Adam. História e Verdade . Ibidem, p.237.
[12] Segundo
Magali do Nascimento Cunha, ”nunca se falou tanto em identidade na Igreja
Metodista (...). Falar de identidade e tentar reafirmá-la é próprio dos
momentos de crise, seja individual ou coletiva (...). Identidade não se
preserva; identidade é um processo incessante de construção: (...). Significa
reler o passado com os olhos num processo de construção identificando o que foi
criado no passado (os traços de identidade que ficam e os que foram
abandonados), o que está sendo criado no presente (frente aos desafios
da realidade) e somar tudo isso ao projeto futuro (como o que ainda não é
que desafia o presente e o passado” (CASTRO, Clóvis Pinto de; CUNHA, Magali do
Nascimento. Forjando uma Nova Igreja, São Paulo: Editeo, 2001,
p.63-5). No Primeiro Capítulo, citaremos doze afirmações do Colégio Episcopal
da Igreja Metodista publicada no livro As Marcas Básicas da Identidade
Metodista onde está definida a identidade metodista.
[13] “(...)
terminologia que tomou conta das discussões metodológicas, da filosofia da
ciência e da epistemologia, desde 1962, quando Kuhn, lançou a primeira edição
de sua discutida obra, The Structure of Scientific Revolutions (...). (CASTRO,
Clóvis Pinto de et al. Novos Paradigmas. São Bernardo do
Campo: Instituto Ecumênico de pós-graduação em Ciências da Religião, 1995,
p.30-1). Paradigma é entendido como “modelo estabelecido por um conjunto de
soluções concretas a certos problemas’ que regem os vários momentos e fases das
atividades dessa ciência” (Ibidem, p.31).
[14]BONINO
et al. Luta pela vida e evangelização. Edições Paulinas-Editora
Unimep, 1985, p.50-1.
[15] SALVADOR,
José Gonçalves. História do Metodismo no Brasil. São Paulo:
Imprensa Metodista, 1982, p.51-5.
[16]KENNEDY,
J.L. Cinqüenta Anos de Metodismo no Brasil. São Paulo:Imprensa
Metodista, 1928, p.16
[17] Ibidem,
p.59.
[18] BONINO
et al. Luta pela vida e evangelização. São Paulo-Piracicaba:
Edições Paulinas-Editora Unimep, 1985, p.49-50.
[19] “Os
anos finais do décimo nono século presenciaram o despertar de profundo
interesse social entre muitos cristãos. Sob a direção de ministros liberais
como Washington Gladden (!836-1918) e Walter Raschenbush (1861-1918) progrediu
o ‘evangelho social’ americano. No começo desse século o protestantismo
expressara seu interesse social principalmente em termos individuais,
insistindo em reformas nas obras de caridade e na moral, mas o evangelho social
focou sua atenção sobre aspectos corporados da vida moderna e sobre a
consecução da justiça social. Grande atenção foi dada às relações entre capital
e trabalho e o movimento influiu no encurtamento das horas diárias de trabalho”
( WALKER, Welliston. História da Igreja Cristã.
Tradução de N. Duval da Silva. 2 v. São Paulo: Imprensa Metodista, ASTE, 1967,
p.282.
[20]O
grande líder no Brasil foi H. C. Tucker. Ele foi Secretário Geral de Ação
Social na Igreja Metodista do Brasil. Tucker foi influenciado pelas idéias de
Rauschenbusch.
[21] TUCKER,
Hugh C. “Ecumenismo metodista” em Expositor Cristão. São Paulo
[s.ed], 19 de fevereiro de 1948, ano 62, nº 8, p.1.
[22] A
primeira divisão ocorreu em torno de 1935 com a criação da Irmandade Metodista
Ortodoxa, em um conflito envolvendo o presbítero José Henriques da Matta,
Faculdade de Teologia e bispo César Dacorso Filho.
[23]Em
janeiro de 1967, no Concílio Regional, em Nova Friburgo, RJ, cinco presbíteros
entregaram as credenciais retirando-se da Igreja Metodista por discordância com
o bispo Nathanael Inocêncio do Nascimento. Organizaram a Igreja
Metodista Wesleyana, cuja ênfase principal passou a ser no batismo do
Espírito Santo.
[24] O
principal líder, Gessé Teixeira de Carvalho, fez esta declaração em carta ao
Concílio Regional. Eles estavam saindo porque sentiam que não tinham outra
alternativa (CARVALHO, Gessé Teixeira de. "Leitura de Documentos" em Atas,
Registros e Documentos do 11º Concílio Regional da 1ª Região. 1967,
p.40).
[25]CARVALHO,
Gessé Teixeira de., ibidem. O Metodismo Primitivo que é citado pelo grupo é o
metodismo de Wesley e não a Igreja Metodista Primitiva, que surgiu
após a morte de João Wesley, na Inglaterra.
[26] Essas
questões têm sido abordadas naturalmente pelo Colégio Episcopal e demais órgãos
gerais da Igreja Metodista, como a Coordenação Nacional de Ação Social. No ano
2000, o Credo Social foi republicado.
[27] O
Colégio Episcopal publicou em 1988 a Pastoral sobre a Doutrina do
Espírito Santo e o Movimento Carismático e procurou
orientar os relacionamentos entre os chamados carismáticos e não carismáticos,
entre as páginas 39 e 47.
[28] Magali
do Nascimento Cunha afirma que a implantação dos dons e ministérios no
metodismo, em 1987, coincidiu com o crescimento do pentecostalismo e “alguns
desvios da proposta metodista puderam ser notados na vida das igrejas, com a
ênfase na criação de ministérios de reforço às práticas avivalistas de
tendência carismática” (CASTRO, Clóvis Pinto de; CUNHA, Magali do
Nascimento. Forjando uma nova Igreja. São Paulo: Editeo,
2001, p.69).
[29] A
expressão “liberal” será explicada no Capítulo 1.
[30] CONCILIO
GERAL. Vida e Missão. Editora UNIMEP, 1982, p.16-7.
[31] As
Igrejas Protestantes, Católicas e mesmo as pentecostais têm sido abaladas, na
década de noventa, por diversos movimentos espirituais, como o G12, que têm
gerado polêmicas e dividido diversas denominações. G12 é um movimento
que têm abalado as Igrejas evangélicas em todo o Brasil levando seus
líderes a se posicionar e a orientar os membros e pastores de suas
denominações. Sob a liderança de César e Claúdia Castellanos, fundadores da
Missão Carismática Internacional, em Bogotá, Colômbia, o movimento passou a ser
mais conhecido no Brasil a partir de junho de 1999, quando foi realizada uma
Convenção, em São Paulo, com o lema “Avivamento Celular – Desafio para o século
XXI”. Mais de três mil e quinhentos pastores e pastoras de todas as
denominações participaram. O objetivo dos G12 é fazer de cada membro um líder.
Há uma forte ênfase no discipulado pessoal. A estrutura básica da liderança é a
seguinte: Líderes, supervisores, pastores-de-área, pastores-de-distrito.O G12
se baseia em quatro pilares: ganhar, consolidar, treinar e enviar. As Igrejas
Metodista e Presbiteriana do Brasil e mesmo líderes da Assembleia de Deus,
tomaram posição contrária ao movimento, que têm na pastora Valnice Milhomens
uma das principais líderes.
[32] HARPER,
Steve. A vida devocional na tradição wesleyana. São Paulo: Imprensa
Metodista, 1992, p.77.
[33] Expressão
que relacionamos como político-social. No Capítulo 1 abordaremos sobre esse
assunto.
[34] BONINO
et al. Luta pela vida e evangelização. São Paulo: Edições
Paulinas-Unimep, 1985, p.35.
[35] Ibidem,
p.115.
[36] Universidade
Metodista de Piracicaba.
[37] BARBIERI, Sante
Uberto. Aspectos do metodismo histórico. Unimep, 1983, p.12.
[38]BONINO,
José Miguez. Metodismo: releitura latino-americana. Editora Unimep,
1983, p. 5.
[39] Editora
Paz e Terra, 1, 2 e 3 v. 1987.
[40]THOMPSON,
Edward P. A Formação da Classe Operária Inglesa. 1 v.
Paz e terra, 1987, p.36.
[41] THOMPSON,
Edward P., Ibidem, 2 v. p.42.
[42] São
Paulo: Imprensa Metodista, 1981.
[43] São
Paulo: Imprensa Metodista, ASTE, 1984.
[44] São
Paulo:Imprensa Metodista, 1982.
[45] Editeo-Pastoral
Bennett, 1996.
[46]São
Paulo:Editora Vida, 1997.
[47] HEITZENHATER,
Richard P. Wesley e o povo chamado Metodista. São Bernardo do
Campo-Rio de Janeiro: Editeo-Pastoral Bennett, 1986, p.322.
[48] São
Paulo: Editeo-Editora Cedro,1999.
[49] KLAIBER,
Walter; MARQUARDT, Manfred. Viver a graça de Deus. São Bernardo do
Campo-São Paulo: Editeo-Editora Cesdro, 1999, p.61-2.
[50] Publicado pela Nuvem
Creacion, Buenos Aires-Grand Rapids y William B. Eerdmans Publishing Conpany,
ISEDET 1995.
[51]BONINO, José Miguez. Rostros
del protestantismo latino-americano, Nuvem Creacion, Buenos
Aires, Grand Rapids y William B. Eerdmans Publishing Conpany, ISEDET, 1995, p.
69.
[52] ______.
______. Ibidem. Documento de síntese, 6-9 de janeiro de 1988,
mimiografado, p.5.
[53] SAMPAIO,
Jorge Hamilton. Sobre sonhos e pesadelos da juventude Metodista
Brasileira nos anos sessenta. Pós Graduação em Ciências da Religião da
Universidade Metodista de São Paulo,1998, p.200,206, 238.
[54]VII
CONGRESSO GERAL da Mocidade Metodista. “Uma síntese sobre as características da
Igreja Metodista”, 16 a 10 de julho de 1969, citado na tese Sobre
sonhos e Pesadelos da Mocidade Metodista nos anos sessenta,
p.224-6.
[55] SOBRINHO,
José Pontes Sobrinho. Avivamento e despertamento missionário. Belo
Horizonte:Éphata Publicações, 1998, p.82-3.
[56] Ibidem,
p.37.
[57] Reunião
dos metodistas, sob a liderança de Wesley, em 28/04/1762. Publicado
no livreto 50 dias de oração pelo VII Encontro
Nacional de Avivamento, Ibidem, p. 7.
[58] REILY,
Duncan Alexander. Metodismo Brasileiro e Wesleyano. São Paulo:
Imprensa Metodista, 1981, p.17.
[59] Antônio
Gouvêa de Mendonça afirma que “a teologia explícita nos sermões e hinos dos
congregacionalistas, presbiterianos, metodistas e batistas, nos seus contornos
gerais, é a do metodismo americano: o amor de Deus por todos os homens
pecadores, o perdão gracioso pela aceitação, através da fé, do sacrifício
expiatório de Cristo, a vida regenerada visível na ética mundana e a
expectativa da vida eterna no céu” (O Celeste Porvir,. Edições Paulinas,
1984, p.203).
[60] Reportagem
do Expositor Cristão sobre o “Instituto Geral do
Ministério da Igreja Metodista do Brasil”. Publicado em 28 de agosto de 1947,
p.1.
[61] Ibidem.
[62] ALMEIDA,
José Rui de. “Os frutos do Instituto” em Expositor Cristão. 28 de
agosto a 4 de setembro de 1947, p. 14-5.
[63] Ibidem,
p.15
[64] As Cruzadas e
o Avante por Cristo foram movimentos que visavam dinamizar a
Igreja num todo, especialmente na evangelização. Com a manchete Cruzada
Metodista de Evangelização, o Expositor Cristão, órgão oficial da
Igreja Metodista, publicou em 11 de outubro de 1955, matéria de Duncan
Alexander Reily, novo Secretário Geral de Missões e Evangelização, que afirmou:
“O Relatório Estatístico do VII Concílio Geral revela que, durante o quinquênio
findo, a Igreja Metodista marchou a passos largos no setor material. Construiu
um templo cada 21 dias e uma casa pastoral cada 53 dias. Quase triplicou o
movimento financeiro do quadriênio anterior. As publicações aumentaram
sensivelmente as suas tiragens, a ‘Cruz de Malta’, por exemplo, ultrapassando o
seu alvo por 8.000.Mas o fato que o Metodismo ficou aquém do seu alvo de
matrícula nas EE.DD. (Alvo:58.200;atingiu 48.800) e no número de membros da
Igreja (Alvo:45.000; atingiu: 40.500) era desanimador (...). Estas estatísticas
destacaram o que a Igreja vem sentindo desde há muito – a necessidade de maior
ênfase na evangelização (...)”. (REILY, Duncan Alexander. “Cruzada Metodista de
Evangelização” em Expositor Cristão. São Paulo, 13 de outubro de
1955, nº 41, ano 70, p.1).
[65] FILHO,
Afonso Romano et al. "Extrato das Atas das sessões do 23º Concílio
Regional" em Atas e Documentos. 21 a 25 de Janeiro de
1953, Piracicaba, p.14.
[66] Atas
e Documentos do 23º Concílio Regional do Centro, 1953 [s.ed], "Suplemento
4", p.18.
[67] Ibidem.
[68]CASTRO,
Clóvis Pinto de; CUNHA, Magali do Nascimento.Forjando uma nova Igreja .Ibidem,
p.56.
[69]Posteriormente,
detalharemos a importância das Conferências Anuais no metodismo, na Inglaterra,
século XVIII.
[70] WESLEY,
João. As Marcas de Um Metodista. Publicado pelo Departamento de
Editoração, São Paulo, [s.d.], p.3.
[71] Ibidem,
p.7.
[72] WESLEY,
João. Trechos do Diário de João Wesley. Ibidem, p.106.
[73] Ibidem,
p.109.
[74] Ibidem,
p.190.
[75] Ibidem,
p.191.
[76] WESLEY,
João. Sermões de Wesley. 1v. São Paulo: Imprensa Metodista, 1981,
p.173.
[77] Ibidem,
p.83.
[78] HEITZENHATER, Richard
P., Ibidem, p.125.
[79] Ibidem,
p.312.
[80] Ibidem,
p.313.
[81] REILY,
Duncan Alexander. “Escola Dominical Ontem e Hoje” em Expositor Cristão,
agosto de 1993, p.8.
[82] João
Wesley teve a experiência do coração aquecido, em 24 de maio de 1738. Ele
descreveu assim sua experiência: "Senti o coração maravilhosamente
aquecer-se,
senti
que eu agora confiava em Cristo realmente em Cristo, somente em Cristo, para
salvação; e me foi dada a segurança de que Cristo havia perdoado os meus
pecados, sim, os meus, e que eu estava salvo da lei, do pecado e da morte.
(WESLEY, João. Trechos do Diário de João Wesley. Tradução de Paul
Eugene Buyers. São Paulo: Imprensa Metodista, 1965, p.24).
[83] Em
seu livro A formação da classe Operária Inglesa, Edward P.
Thompson, historiador inglês, afirma que o metodismo participou na formação da
clsse operária inglesa, no século XVIII.
[84] Segundo
Edward P. Thompson, a maior parte dos novos adeptos do metodismo provinha da
nova classe operária industrial (A Formação da Classe Operária Inglesa.
2 v. Paz e Terra, 1987, p.226).
[85]Max
Weber fala em "poderoso revival do Metodismo", na Inglaterra (A
Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo.
3 ed. Biblioteca Pioneira de Ciências Sociais, 1983, p. 125).
[86] WESLEY,
João.Trechos do diário de João Wesley. Traduzido por Paul Eugene Buyers.
São Paulo: Imprensa metodista, 1965, p.130.
[87] Ibidem,
p.112.
[88] Wesley
utiliza diversas expressões para falar da ação do Espírito,
como "cheio do Espírito", “a manifestação do
Espírito" e "andam segundo o Espírito" (WESLEY, João. Sermões
de Wesley, 1v. São Paulo: Imprensa Metodista, 1981, p.83, 173).
[89] Amor
a Deus e ao próximo eram para Wesley as conseqüências naturais de
alguém que tinha o amor de Deus em seu coração derramado pelo Espírito Santo
(WESLEY, João. As marcas de um metodista. [s.ed],
[s.d.], p.3,7).
[90].
As marcas essenciais da identidade metodista são destacadas pelo Colégio
Episcopal da Igreja Metodista como sendo: a. A base da fé e da prática do
metodismo é a Bíblia (...) b. A experiência pessoal com Cristo é fundamental
para a vida cristã pessoal e comunitária (...). c. A presença e o poder do
Espírito Santo é fundamental, tanto para a vida da comunidade de fé como para a
vida de piedade pessoal (...). d. A vida de disciplina pessoal e
comunitária é expressão de nosso amor a Deus, ao próximo e a nós mesmos (...).
e. Paixão evangelizadora como testemunho de uma fé viva e prática objetivando
proclamar e sinalizar a todas as pessoas as boas novas do amor de Deus revelado
em Jesus Cristo. f. Compromisso com o bem-estar da pessoa total: espiritual,
moral, física, emocional, psicológica, mental e social (...). g. Sacerdócio
Universal de todos os crentes (...). h. O sistema conexional é característica
básica e fundamental para a existência do Metodismo (...). i. A consciência de
que somos 'parte da Igreja Universal de Jesus Cristo' (...). j. A graça divina
é o fundamento de toda a revelação (...). l. A Igreja metodista vê-se em sua
natureza como um corpo. Um organismo vivo (...) m. A vivência prática da fé
cristã. O Metodismo afirma o valor da prática e da experiência da fé cristã
(...). (COLÉGIO EPISCOPAL. Biblioteca Vida e Missão, 1995, p.17-19). No
Concílio Geral, em Maringá, julho de 2001, o Colégio Episcopal
reafirmou sua preocupação com a identidade metodista: “(...) precisamos
resistir à tentação da uniformidade de ritos e práticas missionárias, presentes
na Igreja Evangélica brasileira, quase sempre individualista, baseada na
satisfação pessoal, na negação do sofrimento, e centrada na prosperidade a
qualquer custo. Assim, em meio a essa situação, somos desafiados/as a
fortalecer a configuração da nossa identidade e o sentido de nossa finalidade –
a vocação para a qual fomos chamados”. (Colégio Episcopal. “O futuro do
metodismo no Brasil” em Avante. Rio de Janeiro, Fé&Nexo, agosto
2001, p.3).
[91] Diversos
teólogos metodistas usam outras terminologias, como “tudo o que o
Espírito opera”; “O Espírito de Deus não só age”; “ação do Espírito”; “obra do
Espírito”, etc (KLAIBER, Walter; MARQUARDT, Manfred. Viver a graça de
Deus – Um Compêndio de Teologia Metodista. Editeo – Editora Cedro,
1999, p.188-190). A expressão “mover do Espírito” é atual e
reconhece a mesma personalidade do Espírito Santo. No livreto 50 dias
de oração pelo VII Encontro Nacional de Avivamento, os
autores - João Carlos Lopes e José Pontes Sobrinho, Coordenador
Nacional de Expansão Missionária, afirmam:" (... ) para celebrarmos o
mover do Espírito de Deus em nossa vida pessoal e comunitária, capacitando-nos
para continuar a ser uma Igreja viva no próximo milênio"(20/07a
07/09, página 3).
[92] Para
Gonzalo Baéz Camargo, “o metodismo foi um movimento e não uma instituição. Um
movimento que se iniciou no redescobrimento da experiência viva da graça de
Deus e do ´testemunho do espírito`, feito por João Wesley, e que debaixo da
influência de sua poderosa pregação se propagou como um incêndio em bosque
seco.” (Gênio e Espírito do Metodismo Wesleyano. Imprensa
Metodista, 1986, p.19).
[93] HARPER,
Steve. A vida devocional na tradição wesleyana. Ibidem, p.76.
[94] BARBIERI,
Sante Uberto. Aspectos do metodismo histórico. Editora Unimep,
1983, p.9.
[95] REILY,
Duncan Alexander. “João Wesley e o Espírito Santo” em História,
Metodismo, Libertações. São Paulo: Editeo, 1990, p.5
[96] Ibidem.
[97] WESLEY,
João. Sermões de Wesley. 2 v. São Paulo: Imprensa Metodista, 1981,
p.216.
[98] BARBIERI,
Sante Uberto, Ibidem, p.3. O objetivo de Wesley era transformar a Igreja, a
Nação e espalhar a santidade bíblica por sobre a terra. Um movimento, portanto,
de renovação espiritual, que abordaremos com mais detalhes mais à frente.
[99] WESLEY,
João. Explicação clara da perfeição cristã. São Paulo: Imprensa
Metodista, 1984, p.52.
[100] Em
1990, o metodismo brasileiro tinha 80.061 membros (XV CONCILIO GERAL. Atas
e Documentos. Juiz de Fora, 5 à 13 de julho de 1991. Gráfica e Editora
Sanroquense Ltda, p.71).
[101] A
santificação aqui descrita não é separação do mundo e alienante. Walter Klaiber
e Manfred Marquardt afirmam: "Visto que a santificação é amor, ela é
necessariamente santificação social. Por mais que Wesley pareça, algumas vezes,
concentrar-se na experiência do indivíduo na vivência de sua santificação, o
horizonte da santificação é o da comunidade, o esforço pela comunhão perfeita
com Deus inclui o reto relacionamento com os outros homens" (Ibidem, p.
302).
[102] BONINO
et al. Luta pela vida e evangelização. Edições Paulinas-Editora
Unimep, 1985, p.100-1.
[103] Entre
as denominações que surgiram, nos EUA, com origem no metodismo, estão: Igreja
Metodista Livre, em 1858; Igreja do Nazareno;, em 1895.
(______. A luta pela vida e evangelização. Ibidem, p.98, 101).
[104] BONINO
et al. Ibidem, p. 98).
[105] ______.
______. ______. P.97.
[106] OLIVEIRA,
Clory Trindade de. Situações Missionárias na História do Metodismo.
Editeo – Imprensa Metodista, 1991, p.26.
[107] Thompson,
historiador inglês, fala da participação metodista na formação da
classe operária inglesa, em seus livros A Formação da classe
operária inglesa, volumes 1, 2, e 3, Paz e Terra, 1987. Nos capítulos da
tese trataremos desse assunto.
[108] No
capítulo sobre “A Contribuição do Avivamento Metodista” abordaremos com mais
detalhes a posição do historiador inglês Edward P. Thompson, que indica que o
metodismo foi ultraconservador em questões políticas e nos cultos deu ênfase ao
emocionalismo.
[109] BONINO
et al. Ibidem, p.298.
[110] Segundo
José Henriques da Matta, a “gota d’água” foi em 1934 quando ele era
Presbítero Presidente do Distrito de Cataguases, MG. Na reunião do Concílio
Distrital, um jovem formado "teve de prestar exames para ser recomendado à
experiência do pastorado da Igreja Metodista do Brasil." (MATTA, José
Henriques. Explicação da Fundação da Irmandade
Metodista Ortodoxa no Brasil , [s.ed], [e.d], p.2) No culto de
abertura, o jovem havia pregado e utilizado a expressão "personificação do
mal" para se referir ao diabo. Como já havia alguns comentários sobre o
liberalismo na Faculdade de Teologia, houve uma reação
contrária da Comissão e do próprio José Henriques da Matta. Quando a
Comissão estava reunida com o candidato, José Henriques da Matta passava no
local e ouviu a afirmação do candidato de que o diabo não era uma personalidade.
José Henriques da Matta, então, questionou duramente o candidato dizendo que
então o Espírito Santo seria também apenas uma personificação das tendências
boas do ser humano. O candidato acabou não sendo
recomendado à experiência por causa da questão sobre a personalidade do diabo.
O reitor da Faculdade de Teologia, Derly de Azevedo Chaves, chegou após a
decisão do Concílio Distrital. Ele questionou e censurou a decisão
da Comissão e ao Rev. José Henriques da Matta. A questão aborreceu a
José Henriques da Matta. Vários colegas o questionaram em diversas reuniões
posteriores. Segundo ele, "para os da Faculdade de Teologia de O Granbery
eu fiquei sendo um difamador. O Bispo César mandou-me uma acusação, assinada
por alguém dizendo que eu difamara a Faculdade de Teologia, o Bispo, pastores e
missionários. Ao receber a acusação, tinha já tomado deliberação de deixar a
Igreja Metodista do Brasil, e trabalhar de acordo com a organização que fizera,
a que dei o título mais tarde de Irmandade Metodista Ortodoxa no Brasil."
(MATTA, José Henriques. Explicação da Fundação da Irmandade
Metodista Ortodoxa no Brasil. Ibidem, p.8). Segundo o bispo César
Dacorso Filho, José Henriques teve três denúncias: calúnia, separatismo e
intromissão indébita em atribuições alheias (dada por um ministro); difamação,
separatismo e atitudes impróprias de um ministro (dada por uma pessoa que não
pertence a Igreja); quebra voluntária e proposital dos Cânones, com prejuízo
material e moral para o denunciante (dada por um eminente leigo). (FILHO, César
Dacorso. “Uma carta do Superintendente da Igreja Metodista do Brasil” em Expositor
Cristão. 9 de abril de 1935, p.1e 2.) Em pleno Concílio Regional
do Norte, realizado em Belo Horizonte, entre 29 de janeiro e 4 de fevereiro de
1935, o bispo César nomeou o Conselho de Sentença composto de José Antonio de
Figueiredo, João Pereira do Couto, Benjamim da Silva Reis, Oswaldo Luis da
Silva e Antonio de Campos Gonçalves. O Bispo ainda nomeou duas pessoas ligadas
a Faculdade de Teologia, contra a qual José Henriques da
Matta havia levantado questões. Nomeou para promotor Derli de Araújo
Chaves (Reitor da FT) e para presidente da comissão o professor “modernista”
W.H.Moore. (Anuário do Concílio Regional do Norte.
Belo Horizonte, 29 de janeiro a 4 de fevereiro de 1935). Durante a 7ª sessão,
“o Conselho de Sentença nomeado para o julgamento de José Henriques da Matta,
por instrumento do seu secretário João Augusto do Amaral, apresenta a sentença
dada, sendo o acusado excluído do ministério e da Igreja Metodista do Brasil”
por quatro votos contra um. (Anuário do Concílio Regional do Norte. Belo
Horizonte, 29 de janeiro a 4 de fevereiro de 1935, p.25) A
Comissão se baseou no artigo 219, letra C dos Cânones de 1934,
o qual coloca o acusado no delito de heresia. Os outros
delitos eram classificados em: Conduta imprópria (manifestação de
gênio inconveniente, linguagem impura, ofensiva, ação injusta, ou
quebra da ordem ou disciplina da Igreja; Má-administração eclesiástica ou
ineficiência administrativa; d) Imoralidade. Este julgamento foi
criticado pelo redator do Expositor Cristão, José Guerra, em 26 de
janeiro de 1935 na reportagem “O Concílio Regional do Norte sob o ponto de
vista do Redator”. Ele disse: “ Não tivemos privilégio de um
encontro com o Rev. Matta que, fomos informado, esteve presente, apenas um dia,
ao Concílio, do qual se retirou sob acusação, sem prestar relatório. É com
profundo pesar que vemos retirar-se do nosso grêmio esse velho companheiro,
espírito culto e cristão zeloso.” (GUERRA, José de Azevedo. “O Concílio
Regional do Norte sob a ponto de vista do redator” em Expositor Cristão.
26 de fevereiro de 1935, p.2). José Guerra procurou ressaltar seu caráter:
“Deve ser dito de passagem que as acusações apresentadas não afetam o seu
caráter moral, basearam-se em conseqüência de certos escritos, nos quais ele
delatava idéias que se propagavam à socapa (disfarce - nota do
autor) e, segundo o seu julgamento, solapavam os alicerces da Igreja.”
(Ibidem). Quando o bispo César questionou a reportagem
do “Expositor”, José Guerra respondeu dizendo que “um processo como
esse, contra um ministro que laborou em nossas fileiras pelo espaço de 20 anos,
devia ser conhecido pela Igreja fazer um juízo reto sobre os seus dirigentes.
Não sabemos se tal processo seguiu os tramites legais; se o paciente foi
primeiramente admoestado pelo superior hierárquico e se, depois disso, perseverou
naquelas faltas.” (“Resposta de José Azevedo Guerra ao Bispo César Dacorso
Filho” em Expositor Cristão, 09 de abril de 1935, página 2).
José Guerra ainda continua: “Se foi acusado em plenário, mesmo não
comparecendo, era de justiça que recebesse cópia da acusação e tivesse, pelo
menos, dez dias de prazo para preparar sua defesa, antes de ser declarado expulso
do seio do ministério da Igreja Metodista” (Ibidem) .
[111] MATTA,
José Henriques. Explicação da Fundação da Irmandade Metodista
Ortodoxa no Brasil. {s.ed], [s.d], p.2.
[112] O
Provisionado-Suplente-Estudante Benedito de Paula Bittencourt era pastor em
Vila Mazzei e Tucuruvi. Ele convidou o seminarista Mário Roberto Lindstron para
ajudar nas duas paróquias. Nem sempre Bittencourt podia estar presente durante
a semana (Carta de Benedito de Paula Bittencourt, em 29 de julho de 1997).
Lindstron teve assim liberdade nas duas igrejas. Muitos membros viam a urgente
necessidade de uma maior santificação e de clamar por misericórdia ao Senhor.
Foi dentro deste contexto, influenciado por dois japoneses - Taisuke
Sákuma e Kinzo Uchida - que alguns membros das igrejas metodistas de Vila
Mazzei e de Tucuruvi participaram de um movimento de santificação. (Entrevista
de Ruth Fialho Dias, em maio de 1997, com Orestes Branchini, Angela Branchini e
José de Oliveira e Silva. Informação por escrito de José de Oliveira e Silva,
em 1997, sobre a igreja Metodista de Vila Mazzei e o surgimento do movimento.
Informação oral de Air Sudário da Silva, em Belo Horizonte, durante o Concílio
Geral, em fevereiro de 1997. Ele se converteu com as pregações
da Igreja Evangélica do Avivamento Metodista, no princípio da
década de cinqüenta. Hoje é membro da Igreja Metodista em Sorocaba). “No final
de 1945 começou um grande descontentamento no seio da Igreja Metodista em Vila
Mazzei devido ao comodismo e indiferença sobre os ensinamentos da Bíblia. A vaidade,
o conformismo com o mundanismo aumentou esse descontentamento. Isso fez que
tivesse início de certo movimento de grande número de membros que começaram a
buscar a santificação e poder através do batismo com o Espírito Santo.” Segundo
o pastor Bittencourt, o movimento foi realizado “com práticas que
nem eram do avivamento.” (Informações de Benedito de Paula Bittencourt, em
carta de 29 de julho de 1997). Ele e sua esposa Elisa se sentiram “exprimidos
por algo que nunca havíamos visto e que representava para nós algo estranho,
especialmente o modo de orar aos gritos e com gemidos prolongados (...) ”.
(Ibidem). Havia uma Igreja dentro da própria igreja, pois cerca de
30 pessoas tinham suas próprias reuniões onde buscavam a santificação e o
batismo do Espírito. Ficaram conhecidos com o “grupo do clamor”. Todos eles
oravam com intensidade buscando a santidade e o poder do Espírito. O movimento
teve início na Faculdade de Teologia, em Rudge Ramos, São Bernardo do Campo.
Havia dois seminaristas japoneses que pertenciam a Igreja Metodista
Livre - Taisuke Sákuma e Kinzo Uchida. Eles influenciaram o jovem
Mário Roberto Lindstron, que acabava de chegar a Faculdade, em 1945. Os jovens
japoneses ensinavam a necessidade de buscar a experiência de santificação ou
santidade. Mário Lindstron foi batizado pelo Espírito. Passou a ser ajudante em
Vila Mazzei e Tucuruvi. O avivamento foi levado para as duas igrejas por Mário,
Taisuke e Kinzo, que tiveram várias reuniões nas casas com os membros. Um dos
líderes do movimento, Taisuke Kinzo, havia nascido no Japão, em 1915, e teve o
sonho de conhecer e morar no Brasil chegando aqui em 1933. No dia 17 de maio de
1935 ele teve um encontro com Jesus. Em 21 de setembro de 1937 passou pela
experiência da “segunda benção”. Após ter ficado doente por vários anos, sentiu
o chamado de Deus para o ministério pastoral, em 29 de abril de 1940,
ingressando na Faculdade de Teologia, em Rudge Ramos, em 1943 (UCHIDA,
Kinzo. Autobiografia. Expositor Cristão,
11 de dezembro de 1947, p.3). Em sua dissertação para o bacharel de teologia,
em 1947, Kinzo abordou o seguinte tema: A Segunda Benção,
sua Comunicação e segredo de sua Conservação. Nela,
Kinzo diz que “sem a segunda benção, dificilmente alguém produzirá
obra duradoura de edificação espiritual cristã; pois é ela a geradora de
energia para a ‘loucura da pregação” (Ibidem). Para ele, segunda benção é o
mesmo que santificação. A primeira benção é a justificação. O catedrático de
sua dissertação foi o profº Almir dos Santos (UCHIDA, Kinzo. Autobiografia. Expositor
Cristão, 11 de dezembro de 1947, p.3). No ano de 1946, os jovens Alírio
Flora Agostinho e Oswaldo Fuentes foram para a Faculdade e logo na chegada
decidiram orar com Mário para agradecer a viagem e experimentaram o batismo com
o Espírito. Ficaram então marcados, como já acontecia Mário Lindstron, como
pertencentes ao ’grupo’ (SEMINÁRIO TEOLÓGICO AVIVALISTA POR EXTENSÃO. Conhecendo
o Avivamento Bíblico, ibidem, p.1) O grupo respeitava o pastor e só
orava do modo tradicional em sua presença. Bittencourt diz: “sempre que eu
chegava nas reuniões de oração que eles estavam dirigindo, cessavam a
metodologia empregada do ‘clamor’ e voltavam a orar pacificamente como até
então se praticava. Não precisava que eu dissesse qualquer coisa para que a
atitude fosse mudada e, depois de encerrada a reunião, vinham me
pedir desculpas.” (Informações de Benedito de Paula Bittencourt,
em carta de 29 de julho de 1997). Para resolver o
problema, o pastor local convidou “o profº Almir dos Santos para fazer uma
visita àquelas igrejas e falar a elas sobre o assunto, o que foi feito, por
dois ou três dias. Tucuruvi escolheu o método tradicional (de então) de ser
metodista, e abandonou os rapazes, mas em Vila Mazzei perdemos metade da
congregação que saiu com o Mário Roberto e, ato continuo, abandonou também o
Seminário.” (Informações de Benedito de Paula Bittencourt, em carta
de 29 de julho de 1997). No dia 7 de setembro de 1947, na Faculdade de
Teologia, em Rudge Ramos, SP, nasceu oficialmente a Igreja do Avivamento
Bíblico (SEMINÁRIO TEOLÓGICO AVIVALISTA POR EXTENSÃO. Conhecendo o
Avivamento Bíblico. Curso Pastoral, 3º e 4º estágio, apostila,
[s.d], p, 1). Neste dia, estavam presentes os seminaristas japoneses
Taisuke e Kinzo, Mário Lindstron, Alírio Flora Agostinho, Oswaldo Fuentes e
diversos membros das igrejas de Tucuruvi e Vila Mazzei. A sugestão do nome da
Igreja veio de Orestes Branchini. Os dois grandes incentivadores do movimento
foram Cícero Faustino Inojosa (Presidente da Sociedade de
Homens) e Orestes Branchini (Presidente da Mocidade), que depois se
tornaria pastor. A esposa de Cícero - Otilia Inojosa - nunca se afastou da
igreja Metodista de Vila Mazzei. O primeiro líder escolhido,
porém, foi Tertuliano Antunes, um jovem professor e crente novo. Sua
esposa era aleijada e tinha dificuldades de andar. Ele liderou a Igreja até a
chegada de Mário Lindstron, em 1947, quando foi excluído da Faculdade de
Teologia. Oswaldo Fuentes e Alírio Flora Agostinho ainda permaneceram na
Faculdade, em 1947, quando saíram. Oswaldo Fuendes foi se dedicar a advocacia e
Alírio a outra função. (Entrevista de Ruth Fialho Dias, em maio de 1997, com
Orestes Branchini, ibidem). Este assunto foi discutido no Concílio Regional do
Centro, em janeiro de 1948, após o relatório do pastor Irineu Monteiro de
Pinho, e chegou à cúpula da Igreja: “Atendendo ao pedido de Álvaro Alves de
Souza no pedido que fez sobre os ex-seminaristas da Faculdade de Teologia
(Alírio Flora Agostinho e Oswaldo Fuentes), Augusto Schwab informa que eles
estão fora da Igreja Metodista.” (ATAS E DOCUMENTOS do Concílio Regional do
Centro. 27 de janeiro a 2 de fevereiro de 1948, p.44). Tertuliano Antunes
voltaria para a Igreja Metodista de Vila Mazzei com a chegada de Mário
Lindstron, pois estava desempregado e não resistiu a proposta de emprego do
pastor metodista José Guerra. A notícia foi publicada no Expositor
Cristão de 11 de setembro de 1947: “Novos membros - Recebemos por
batismo e profissão de fé: Turfa Asaf e Pedro da Silva; a pedido: Tertuliano
Antunes e Maria Barbosa (...)”. (”Em Vila Mazzei todas as organizações cooperam
na arrancada pró Cruzada” em Expositor Cristão, 11 de setembro de
1947, p.3). A Igreja Evangélica do Avivamento
Bíblico passou a utilizar a Harpa Cristã e,
posteriormente, a se reunir na casa de Edmundo Branchini (que anos
depois iria para a Congregação Cristã) e depois na casa humilde de
Lázaro Sansão, em Jaçanã. Logo uma intensa evangelização foi realizada nas
praças, feiras, nos bairros vizinhos (Tremendé e Jardim Tremendé) e
na cidade de Mairiporã. No dia 15 de junho de 1947, nas águas do rio Cabuçú,
entre São Paulo e Guarulhos, foi realizado o batismo de 47 avivalistas, entre
eles, Mário Lindrston. Em agosto foi realizada a primeira assembléia da Igreja,
organizada a primeira diretoria e consagrado Mário Lindrstron como pastor. O
batismo e a assembléia foram presididos pelo missionário Henry Jeffery, na
época ligado a Missionary Chapel of London (SEMINÁRIO
TEOLÓGICO Avivalista por Extansão. Conhecendo o Avivamento Bíblico,
ibidem, p.2).
[113] SEMINÁRIO
TEOLÓGICO Avivalista por Extensão. Conhecendo o Avivamento Bíblico.
Curso Pastoral, 3º e 4º estágio, apostila, [s.d], p.1.
[114] Ibidem.
[115] Ibidem,
p.2
[116] Movimento iniciado
em fins da década de cinqüenta e liderado pelos pastores Batistas Enéas
Tognini, de São Paulo, e Antônio Rego do Nascimento, de Minas Gerais, que
influenciou diversas Igrejas históricas, entre as quais, a Igreja Metodista
(TOGNINI, Enéas. Renovação Espiritual no Brasil. São
Paulo: Editora Renovação Espiritual, [s.d] ).
[117] MINAS
BATISTA. I Encontro de Renovação Espiritual. Janeiro-Abril de 1964,
p.5.
[118] Paulo
Ayres Mattos chama de liberais os metodistas de tendência
teológica oposta aos carismáticos e aos conservadores: “Diante disto, como é
possível querer imputar aos carismáticos ou aos liberais a crise de identidade
que hoje vivemos?” (BONINO et al. Luta pela vida e evangelização.
Ibidem, p.299).
[119] Expressão
popular para falar da crise e surgimento da Igreja Metodista Wesleyana, em
1967, no Rio de Janeiro.
[120] Uma
crise gerada pelo conflito entre o bispo Nathanael e os líderes
do Movimento de Renovação Espiritual caiu
como uma bomba sobre o Concílio Regional da Primeira Região em 1967, cujos
estragos se fizeram sentir de uma forma traumática durante longos
anos. Para Gessé Teixeira de Carvalho, “as razões que deram origem à
separação, basearam-se na doutrina do batismo do Espírito Santo, como sendo uma
segunda benção para o crente. Na aceitação dos dons espirituais como recursos
divinos para a realização da obra (...)” .(CARVALHO, Gessé Teixeira. A
vida Espiritual de minha Igreja. Ed 4, 1996,
p.14). No primeiro Concílio Regional que presidiu, em 1966,
Nathanael com sua forte personalidade e determinação já havia procurado assumir
a direção espiritual da Região. Atingiu em cheio o Movimento de Renovação Espiritual,
quando publicou o Documento "Do Culto Público" onde criticou os
excessos emocionais e afirmou que o culto deveria ter ordem, dignidade e
majestade. Ele disse ainda que o culto "não pode transformar-se
em emocionalismo incontrolado, próprio dos momentos de
tragédia." (NASCIMENTO, Nathanael Inocêncio. "Do Culto
Público "em Atas, Registros e Documentos dom 10º Concílio Regional
da 1ª Região, 1966, p.52). Ele concluiu dizendo que "as
normas litúrgicas devem ser seguidas." (Ibidem., p.53). Na
primeira sessão do Concílio Regional, em Nova Friburgo, RJ, teve inicio às 9
hs, na manhã do dia 5 de Janeiro. Começou com uma comunicação do Bispo dizendo
que o diácono Oriele Soares do Nascimento havia se retirado da Igreja
Metodista, comunicando a decisão através de uma carta.94
Oriele decidiu sair porque não concordou com o teor de uma carta pelo Bispo
intimidando os pastores a decidirem abandonar o movimento de renovação ou
abandonar a Igreja (Oriele Soares do Nascimento, [Informação oral],
06/05/1997). Nathanael chamou os “avivados” para conversar. Com
Gessé, que era Secretário de Missões, Nathanael foi categórico dizendo que ele
havia feito um levantamento na Região e que no máximo umas 60, 70 pessoas
sairiam. Ele não deveria perder seu tempo. Na entrevista, o Bispo disse que
esperava contar com ele na Secretaria de Missões. Gessé estava disposto a
continuar, mas na despedida Nathanael lhe disse que ele seria transferido de
igreja e que teria que começar tudo de novo. Gessé, então, disse que iria orar
sobre o assunto (Gessé Teixeira de Carvalho, [Informação oral], 16 de dezembro
de 1997). No dia 05 de Janeiro, às 14 hs, 13 pessoas se
reuniram na ponte da Fundação Getúlio Vargas, onde se realizava o Concílio
Regional, e decidiram organizar a Igreja Metodista Wesleyana. Essas
pessoas foram: “Idelmício Cabral dos Santos, Waldemar Gomes de Figueiredo, Coró
da Silva Pereira, José Mendes da Silva, Zeny da Silva Pereira, Dinah
Batista Rubim, Ariosto Mendes, Wilson da Silva Mendes, Jacir Vieira e Antônio
Faleiro Sobrinho (CARVALHO, Gessé Teixeira de. A vida Espiritual de
minha Igreja. Ibidem).
[121] CARVALHO,
Gessé Teixeira. A vida Espiritual de minha Igreja. 4 ed.
[s.ed], 1996, p.14.
[122] Crise
entre a juventude e acadêmicos de teologia da Igreja
Metodista com a liderança da Igreja proporcionou o
fechamento da Faculdade de Teologia, em São Bernardo do Campo, SP.
[123] O
Jornalista Percival de Souza afirma: “Dom Helder, paraninfo dos audazes
formandos da Faculdade de Teologia da Igreja Metodista, em Rudge
Ramos, São Paulo, no ano de 1967. A faculdade seria arbitrariamente fechada no
ano seguinte, com o expurgo em estilo de limpeza teológica dos jovens
simpatizantes da contestação política, o engajamento parcialmente clandestino,
em especial na AP, e as consequências: jovens presos em paróquia central, após
denúncia do próprio pastor local à repressão, em tarde de reunião de sábado,
que levou vários deles para o Dops e o DOI-CODI (Eu, Cabo Anselmo.
Depoimento a Percival de Souza, Editora Globo, 1999, p.192-3).
[124] BOAVENTURA,
Elias. Esboço da História do Metodismo no Brasil. UNIMEP,
[s.ed], [s.d], p.30.
[125] Ibidem.
[126] Ibidem.
[127] Ibidem.
[128] SALVADOR, José
Gonçalves. História do Metodismo no Brasil. [Imprensa Metodista?] 1982,
p.10.
[129] REILY,
Duncan Alexander. “Escola Dominical Ontem e Hoje” em Expositor Cristão,
agosto de 1993, p.8.
[130] CONSELHO
MUNDIAL DE IGREJAS. Uma Igreja para o Mundo. Traduzido por Jacy
C.Maraschin. Publicadora Eclesia. Edições Oikoumene, 1969, p. 9.
[131] Expressão
bíblica (Mc 1.8). Segundo o metodista George W. Ridout, “o batismo
do Espírito é uma benção e experiência dos crentes. É bem diferente da
regeneração” (RIDOUT, George W. O poder do Espírito Santo. São
Paulo: Imprensa Metodista, 1973, p.37). Pentecostais, como Gordon Lindsay,
afirmam que a evidência inicial do batismo do Espírito Santo é falar em outras
línguas (LINDSAY, Gordon. Como receber o Batismo no
Espírito Santo. Cruzada de Literatura, [s.ed], [s.d], p.12). Já o Colégio
Episcopal da Igreja metodista, apesar de afirmar que “o dom de línguas é um dom
de edificação pessoal e, em outras circunstâncias, pode ser usado para
edificação da comunidade” (COLÉGIO EPISCOPAL. Orientações pastorais
sobre o uso dos dons do Espírito e outras práticas. São Paulo,
[s.ed], 1989, p.13), ele também é categórico: “O batismo com o Espírito Santo
não está condicionado à presença do Dom de línguas como sinal confirmativo”
(Ibidem).
[132] SILVA,
Sady Machado da. "Relatório do bispo Sady Machado da Silva ao XI Concílio
Geral da Igreja Metodista" em Atas e Documentos do
XI Concílio Geral da Igreja Metodista.1974,
p.81.
[133] GUTIERREZ,
Washington. "Concílio da 2ª Região recebe pessoas importantes"
em Expositor Cristão. 1ª quinzena de março de 1977, p.11. A
expressão "a saída de" não está no texto publicado, mas é o que se
entende que era para ter sido escrito.
[134] FILHO,
William Schisler. "Os dados comprovam: a Igreja parou" em Expositor
Cristão. 2ª quinzena de Julho de 1978, p.13.
[135] Ibidem.
[136] Expressão
com origem na Teologia Liberal, cujo início teve “uma séria de
experiências hereges” (WALKER, Welliston. História da Igreja Cristã.
2 v. São Paulo: Imprensa Metodista, Aste,1959, p.281). O professor Charles
Briggs (1841-1913) do Union Theological Seminary Nova York foi
demitido pela Assembléia Geral Presbiteriana, em 1893 (Ibidem). “Nas primeiras
décadas do século os conservadores militantes fizeram um esforço para
expulsá-los através de amarga controvérsia fundamentalista-modernista”
(Ibidem). Albrecht Ristchl (1822-1889) foi “pioneiro do liberalismo e teólogo
de valor moral (...) os esforços de Ritschl visavam a formar uma nova síntese
apologética entre a fé cristã e o novo conhecimento trazido pela erudição
científica e histórica” (Ibidem, p.250). Para Ritschl, “a vida cristã é
essencialmente social” (Ibidem, p.252).
[137] “Os
anos finais do décimo nono século presenciaram o despertar de profundo
interesse social entre muitos cristãos. Sob a direção de ministros liberais
como Washington Gladden (1836-1918) e Walter Rauschenbusch (1861-1918)
progrediu o ‘’ evangelho social” (WALKER, Welliston. História da Igreja
Cristã. 2 v. São Paulo: Imprensa Metodista, Aste,1959, p. 282). No
metodismo brasileiro. H.C.Tucker foi o grande líder. Ele foi influenciado pelas
idéias de Rauschenbusch. Tanto assim que, em 1906, ele criou o Instituto
Central do Povo, no Rio de Janeiro, chamado inicialmente de Missão
Central. O Rio de Janeiro vivia em uma difícil situação
social. Havia muita miséria, muitas revoltas no Brasil. Tanto que o presidente
Rodrigues Alves (1902-1906) teria no programa do seu governo apenas melhorar os
portos para exportação e sanear a cidade do Rio de Janeiro, pois a população
era constantemente dizimada pela febre amarela, peste bubônica, varíola e
outras epidemias. Osvaldo Cruz fez intensa campanha e acabaria com a peste
bubônica. Contudo, houve muitos protestos pela forma como foi feito. Muitos
boatos foram espalhados. Houve, inclusive, conflitos com a polícia,
que geraram a morte de 23 pessoas. O missionário metodista H.C. Tucker teve uma
participação importante na campanha contra a febre amarela (1903-1908). Ele
colocou Osvaldo Cruz em contato com o Dr. Walter Reed, que havia
saneado Cuba, e com outras pessoas nos EUA. Havia muita miséria. Por isso, em
1907, o Expositor Cristão publicou o artigo “A Pobreza”
dizendo que para ver os desgraçados não era preciso ir muito longe. Bastava ir
até as vilas ou perto da cidade. A população vivia descontente com os
constantes aumentos dos preços dos alimentos e dos transportes. Foi neste
contexto que apareceu a figura de Tucker e a criação da Missão Central procurando
dar solução prática para atender às necessidades dos operários das favelas da
Saúde e Gamboa, no centro do Rio de Janeiro (TUCKER, Hugh C.; CERILLANES, J.I.
Relatório da Comissão de Temperança e Serviço Social em Atas do
1º Concílio Geral da Igreja Metodista do Brasil, São
Paulo, p.40). H.C.Tucker, na verdade, seria o defensor e o prático do Evangelho
Social no Brasil. Preocupado com a segurança das crianças, quando uma foi
atropelada e morta na rua, ele publicou em jornais do Rio de Janeiro a
importância de construir parques para crianças - parques de recreio. O
interesse cresceu na sociedade e a prefeitura doaria um terreno para a
construção de um parque de recreio. Em 1911, no Rio de Janeiro, seria
construído o primeiro "playground" moderno. No Instituto
Central do Povo eram realizados cultos, instruções religiosas, jardim
de infância, datilografia, aulas de costura, culinária, enfermagem, recreação,
serviço médico e odontológico, jogos ao ar livre, educação física, etc. Na
Conferência Anual de 1914 eram anunciados os dois primeiros batismos de
surdos-mudos do Instituto Central do Povo realizado no dia 19 de julho.O
Instituto mantinha três classes para surdos-mudos. Walter
Rauschenbusch escreveria Cristianizando a Ordem Social (1914)
e Os Princípios Sociais de Jesus (1916). Nestes livros, houve
críticao capitalismo e ênfase na socialização da propriedade.
[138] O
tema e exemplo do êxodo foram redescobertos e serviram de reflexão bíblica e de
estímulo aos cristãos da América Latina. Na reunião da Igreja e Sociedade na
América Latina (ISAL), em 1966, o professor Beato fez uma reflexão teológica
sobre o êxodo como uma iniciativa da graça de Deus para o ser humano ser
liberto da escravidão e caminhar para a Terra Prometida e a liberdade (ARIAS,
Mortimer. Salvação Hoje. Petrópolis-Rio de Janeiro:Vozes-Tempo
e Presença, 1974, p.37). A década de sessenta foi o período de
formação da Teologia da Libertação, que via na história
de opressão do Egito sobre o povo de Deus semelhança com a situação de miséria,
opressão e cativeiro na América Latina. As Comunidades Eclesiais de
Base foram os locais propícios para conscientização dos problemas
sociais e para fortalecimento e apoio mútuo. A Igreja se voltou para o pobre.
As CEBs surgiram com alguns movimentos, entre eles, renovação bíblica e
movimento de educação popular, este, baseado no método de Paulo
Freire. Ajudaram nessa caminhada da Igreja, na luta pela justiça e
apoio aos pobres e oprimidos, as Assembleias do Conselho Mundial de
Igrejas de Nova Delhi (1961); Upsala (1968), Nairobi (1975), etc. A
quarta Assembléia do Conselho Mundial de Igrejas realizada em Upsala, em julho
de 1968, no documento “Renovação em Missão”, afirmou que deveriam ser
favorecida as experiências de novas formas de testemunho e serviço (Ibidem, p.
121). No mesmo ano, a Conferência Episcopal Latino- Americana, em Medellin,
apontou para a salvação do ser humano total com temas como “libertação
integral”; “educação libertadora”; “conversão e libertação.” (Ibidem, p.33). Na
década de setenta se tornou forte a Teologia da Libertação num
continente marcado pelos golpes de estado, desrespeito aos direitos humanos,
corrupção administrativa etc. O ano de 1970 é considerado o ano-chave para a
Teologia da Libertação, quando houve uma série de encontros e simpósios em
diversos países latino-americanos resultado de uma nova consciência sobre a
situação oprimida do povo e a missão libertadora da Igreja. Nascida
com a experiência libertadora de Cuba, em 1959, na década de sessenta ela seria
formulada, especialmente a partir de 1968, em Medellin, com os
teólogos católicos. Em 1970 aconteceram diversos encontros sobre Teologia da
Libertação (Bogotá, Buenos Aires, México). Em 1971, Gustavo Gutierrez
publicaria o livro Teologia da Libertação e Leonardo Boff
publicaria, em 1972, Jesus Cristo Libertador. O tema
“exílio” e “cativeiro” seriam abordados na Teologia da Libertação, pois era uma
realidade na América Latina num tempo de ditadura militar.
[139] Nas
próximas páginas da tese abordaremos a origem do Movimento Carismático.
[140]CONFEDERAÇÃO
EVANGÉLICA do Brasil. Comissão de Igreja Sociedade. Estudos sobre
A responsabilidade Social da Igreja. [s.ed], Março de
1956.
[141] João
Parahyba escreveu no Expositor Cristão, em 24 de outubro de 1957,
um artigo chamado “Ele mesmo deu evangelistas”, onde comenta que até a
Assembleia de Evanston, a ênfase era colocada em métodos de evangelização e
depois passou a ser sobre as convicções teológicas que respaldam a proclamação do
Evangelho.
[142] Ibidem.
[143] Ibidem.
[144] Ibidem.
[145] Ibidem.
[146] CÉSAR,
Ely Éser Barreto. "Evolução Social Brasileira e Igreja Metodista"
em Expositor Cristão. 1ª quinzena de maio de 1977, p.4.
[147] CAMPOS,
Gutemberg. “ Cristianismo e problemas sociais” em Expositor
Cristão. São Paulo, 30 de dezembro de 1954, ano 69, nº 52, p.4.
[148] SANTOS,
Almir dos. “Cristo e o processo revolucionário brasileiro” em Expositor
Cristão. São Paulo, 15 de outubro de 1962, ano 77, nº 20, p.7.
[149] CIEMAL, Missão
e Testemunho. Organizado em 2 de fevereiro de 1969, em Santiago do Chile
com a “presença dos delegados das Igrejas Metodistas da Argentina, Bolívia,
Brasil, Chile, Costa rica, Cuba, México, Panamá, Peru e Uruguai”, p.3.
[150] Como
a citação aponta, o termo profético aqui quer dizer, especialmente, promover a
justiça.
[151] BONINO
et al. Luta pela vida e evangelização.
Ibidem, p.252.
[152] “Nosso
Credo Social tem como base um documento semelhante elaborado em 1922 pela
Igreja Metodista Episcopal do SUL (EUA), chamada por nós de Igreja-mãe. Este
foi inspirado no documento produzido naquele país pelo Conselho Nacional de
Igrejas de Cristo, em 1908. Em 1930, quando houve a autonomia da Igreja
metodista no Brasil, o documento da Igreja-mãe passou a fazer parte dos nossos
Cânones, editados em 1934 (...) o 10º Concílio geral da Igreja Metodista
(1970-1971), novamente sob a iniciativa da Junta Geral de Ação Social, realizou
mais uma reforma no Credo Social com a finalidade de atualizá-lo” (IGREJA
METODISTA. Credo Social. São Paulo: Editora
Cedro, Biblioteca Vida e Missão, 1999, p.7-8)
[153] AÇO,
Isac. “Evangelizemos” em Expositor Cristão. São Paulo,
31 de julho de 1971, ano 86, nº 14, p.3.
[154] Samuel
Silva Gotay afirma que “ (...) os cristãos que enfrentaram a problemática
sócio-econômica e política da América Latina antes do desenvolvimento da
Teologia da Libertação o fizeram equipados com a teologia européia do
cristianismo social” (História da Teologia na América Latina,
Edições Paulinas, São Paulo, p. 139). Segundo ele, com o cristianismo social
houve uma ênfase na humanização, pois na doutrina social cristã, “(...) o homem
enquanto pessoa, possui uma projeção à transcendência que lhe confere ´direitos
e deveres” (...). (Ibidem, p.143). O cristianismo social enfatizava os direitos
e deveres dos cristãos na sociedade.
[155] As
idéias da Teologia da Libertação surgem no final da década de cinqüenta,
segundo Samuel Silva Gotay. “No final da década de 50 nota-se a estagnação dos
programas de industrialização e desenvolvimento social que haviam enchido de
esperança os movimentos populistas (...)”. (Samuel Silva Gotay, ibidem, p.149).
Ele afirma: “O fracasso da atividade da esquerda cristã brasileira, em 1964,
levará um grande número de cristãos e sacerdotes à participação revolucionária
na América Latina (...). Em fevereiro de 1968, se realizou em Montevidéo o
Primeiro Encontro Latino-Americano Camilo Torres, onde os sacerdotes
latino-americanos discutiram a incorporação dos cristãos à luta revolucionária”
(Ibidem, p.152-153)
[156] Os
Bispos metodistas brasileiros definem o Movimento Carismático como “ (...) o
“Neo-Pentecostalismo´ou, ainda, a ´Renovação Carismática´, é o despertar no
seio de Igrejas tradicionais de uma nova experiência, conhecida no ambiente do
Pentecostalismo Clássico, de vivência do Batismo do Espírito Santo e dos Dons
do Espírito” (Pastoral sobre a Doutrina do Espírito Santo e o
Movimento Carismático. Sede Geral, São Paulo, 2ª edição, 1988, p.10).
[157] O
padre Caetano Minette de Tillesse define o Movimento Carismático como “(...) a
Igreja em oração” (A Teologia da Libertação à luz do Movimento
Carismático. São Paulo:Edições Paulinas, 1979, p.8).
[158] PRANDI,
Reginaldo. O sopro do Espírito. São Paulo: Edusp, 1997, p.32.
[159]WILLIAMS,
J. Rodman. O Movimento Carismático e a Teologia Reformada. Carapicuíba,
SP, [s.ed.], 1980, p.5-6.
[160] HORTON,
Stanley M. O Avivamento Pentecostal. CPAD, 1997,
p.66. “Corpo Pentecostal” aqui é entendido como as Igrejas que aceitam o
Pentecostes nos dias atuais, ou seja, os dons do Espírito. Nesse sentido,
segundo os Bispos metodistas do Brasil, o metodismo tem também origem
pentecostal: “Como herdeiros do Pentecostes do século XVIII, o movimento
conduzido por Deus através dos irmãos Wesley (...). (Pastoral
sobre a Doutrina do Espírito Santo e o Movimento Carismático.
Ibidem, p.9).
[161] Ibidem.
[162] WILLIAMS,
J. Rodman. Ibidem, p. 9 e 38.
[163] “A
crise da religião convencional” (Briggs apub Estado de São Paulo,
23.10.77).
[164] CÂNONES
da Igreja Metodista. São Paulo: Imprensa Metodista,
1971, p.109.
[165] CONSELHO
GERAL. "Plano Quadrienal" em Atas e
Documentos do XI Concílio Geral, 1974, p.223.
[166] COLÉGIO
EPISCOPAL. "Mensagem do Colégio Episcopal ao XI Concílio Geral da Igreja
Metodista. Atas e Documentos do XI Concílio Geral.
1974, p.32.
[167] Ibidem,
p. 33.
[168] Ibidem.
[169] Ortiz
é um ministro argentino que através do discipulado alcançou bons resultados de
crescimento em sua igreja.
[170] ORTIZ,
Juan Carlos; BUCKINGHAM, Jamie. Ser e fazer discípulos. São Paulo:
Edições Loyola, 1979, p.9. Entre as afirmações do pastor argentino pentecostal
Juan Carlos Ortiz, que despertou muitos líderes para o discipulado, está: “As
ovelhas devem parir ovelhas.Não só têm que parir como também alimentá-las com
leite. Quem pariu, dá leite. Vacas produzem bezerros, figueiras produzem figos,
e ovelhas produzem cordeirinhos. Portanto, ministros devem produzir ministros.
De modo que as ovelhas se multiplicam e alimentam os cordeirinhos com o seu
próprio leite, e nós, ministros, pegamos esses cordeirinhos e fazemos deles
ministros” (Ibidem., p.27). Ortiz criticou as estruturas da época: ”As nossas
estruturas eclesiásticas não favorecem o crescimento. As pessoas são salvas e
começam a crescer. Ouvem os sermões, aprendem a doutrina, chegam ao nível
espiritual de pastor – e param. E a Igreja se torna um ambiente de tensões”
(Ibidem, p.32). Sua proposta foi o discipulado através Ide
“células vivas. isto é, pequenos grupos de quatro ou cinco pessoas que se reúnem
nas casas sob a coordenação de um líder, de modo que suas vidas possam ser
moldadas para se mobilizarem e se multiplicarem em outras células” (Ibidem.,
p.39). A partir de 1979, quando fui pastor em Itaguai e Muriqui, RJ, conheci
alguns livros de Ortiz com os pastores do distrito eclesiástico de Campo
Grande, que liam e debatiam sobre os assuntos abordados neles, especialmente, o
discipulado..
[171] SANTOS,
Almir dos. "Relatório do bispo Almir dos Santos ao Conselho Regional da
Primeira Região Eclesiástica da Igreja Metodista" em Atas e
Documentos. Rio de Janeiro, [s. ed], 1978, p 39.
[172] Ibidem.
[173] São
sete as Regiões Eclesiásticas e um Campo Missionário no metodismo brasileiro. A
1ª abrange o Rio de Janeiro; a 2ª, o Rio Grande do Sul. A 6ª Região abrange ao
Paraná e Santa Catarina. Ter a experiência com o Batismo do Espírito Santo, nos
movimentos pentecostais, significa, especialmente, falar em línguas estranhas,
conforme At 2.5 e 1Co 12.10.
[174] Entre
esses lideres, estão: Paulo Lockmann e Richard Canfield (que vieram a se tornar
Bispos na Igreja Metodista), Erasmo Ungaretti e Moisés Cavalheiro, que
pertenciam ao corpo docente do Seminário Metodista, em Porto Alegre (GUTIERREZ,
Washington. "Concílio da 2ª Região recebe pessoas importantes"
em Expositor Cristão. 1ª quinzena de março de 1977, p.11). Não há
ainda nada escrito a respeito destas experiências.O que se sabe é por
testemunho pessoal. Paulo Lockmann conta que sua experiência foi em 1974, em
Porto Alegre. A experiência de Richard Canfield foi em Londrina, 1976. Nas duas
ocasiões, Moisés Cavalheiro estava ministrando. Recordando essa época, Asaph
Borba disse:” 'Começou a haver gente liberta e batizada com o
Espírito Santo (...). Eu participei daquilo tudo, eu entrei naquele rio”
(BORBA, Asaph. “O embaixador da música evangélica” em VINDE. Abril
de 1997, p.40).
[175] Movimento
avivalista ocorrido na década de sessenta, liderado pelos pastores
batistas Enéas Tognini e Antônio do Rêgo Monteiro. O Movimento teve
a participação de alguns pastores metodistas, que em 1967
criaram a Igreja Metodista Wesleyana.
[176] O
Movimento de Renovação Espiritual da década de sessenta apoiou o golpe de 1964,
no Brasil, crendo que era uma intervenção de Deus. O Movimento Carismático,
quando surgiu, já conhecia os extremos da ditadura e, especialmente, no
metodismo brasileiro, já havia a consciência da salvação integral, herança da
ênfase de Wesley em Atos de Piedade e Obras de Misericórdia, que explicarmos
mais adiante em outro capítulo.
[177] CEDI. Missão
e Evangelização. Tempo e Presença. [s.ed], [s.d], p.24.
[178] O
autor participou do encontro em São Paulo. Os dados são de sua observação
pessoal.
[179] DO
EDITOR, “No Enavi, 9 mil metodistas celebram a Jesus como Senhor” em Expositor
Cristão. Outubro de 1998, nº 10, p.11.
[180] ______.”7º
Enavi mostra a necessidade do genuíno avivamento” em Expositor Cristão.
Outubro de 2000, nº 10, p.12-3.
[181] LOPES,
João Carlos; SOBRINHO, José Pontes. “Palavra de apresentação” em 50 dias
de oração pelo VII Encontro Nacional de Avivamento. Ibidem, p.3.
[182] Bispo
Paulo Ayres Mattos afirma: “(...) como é possível imputar aos
carismáticos ou aos liberais a crise de unidade que hoje vivemos? Ora, a falta
da unidade de nossa Igreja deve-se sim à falta de um
projeto Missionário nacional que, fundamentado numa evangelização
encarnada na realidade do povo brasileiro, pudesse ter superado de forma
criativa as tensões e conflitos que dividiram a Igreja Metodista antes e depois
de 1930” , no texto “A questão da unidade metodista (Ou da unidade
que temos à unidade que precisamos)”. (BONINO et al. Luta pela
vida e evangelização, Ibidem, p.299).
[183] BONINO,
José Miguez Rostros del protestantismo latinoamericano. Nueva Creacion
Buenos Aires - Grand Rapids y William B. Eerdmans
Publishing Conpany, ISEDET, 1995, p.120.
[184] Logo
no princípio do Movimento Carismático, líderes da R.C.C. (Renovação Carismática
Católica) se reuniram, entre 4 a 11 de janeiro de 1978, e apreciaram as
diversas críticas feitas ao movimento. Entre suas conclusões estão:
“Constatamos que a Bíblia, em particular o Novo Testamento, não fala exatamente
como os adeptos da Teologia da libertação gostariam que ela falasse. Pelo
contrário, em alguns casos concretos, o Novo Testamento aconselha atitudes
contrárias àquelas desejadas pela teologia da Libertação, por exemplo 1Pedr
2,13-25 ou 1 Cor 7,20-23. (...) A estrutura é um instrumento humano, a serviço
do homem. Não pertence a Igreja propor outro modelo econômico, nem de lutar
para promover outro sistema econômico (...) Efetivamente, a igreja parece muito
comprometida com o poder e com as estruturas injustas (...) De outra
parte, uma simples mudança de estrutura política ou econômica não resolveria,
se não houvesse primeiramente uma conversão interior (...) Finalmente, todos
ficaram convencidos de que o seu compromisso para com os mais pobres e os
marginalizados é manifestação essencial do Reino de Deus (...) Uma vez que a
segunda Páscoa é libertação pelo Espírito Santo, ficamos com a grande confiança
que Ele mesmo guiará todos os nossos Grupos de oração, em íntima união com seus
Pastores e todos os membros autênticos da Igreja” (TILLESSE, Caetano
Minette. A Teologia da Libertação à luz da Renovação Carismática.
São Paulo: Edições Loyola, 1979, p.37-46).
[185] PRANDI,
Reginaldo, Ibidem, p. 11.
[186] Ibidem,
p.57.
[187]“Embora
já nas Atas da Conferência Anual Metodista de 1780 se diga que a Conferência
reconhece que a escravidão é contrária às ’leis de Deus, do Homem e da
Natureza’, e que ‘se desaprovam aqueles que têm escravos’, o certo é que, já a
partir de1839, começaram a surgir cismas na Igreja Metodista dos
estados Unidos por causa dessa questão” (BONINO et al. Luta pela
Vida e Evangelização. São Paulo: Edições Paulinas-Editora Unimep, 1985,
p.50).
[188] Expressão
utilizada pelos conservadores e carismáticos para falar dos que se envolvem em
questões sociais e políticas.
[189] Em
1980, o Colégio Episcopal publicou a Pastoral sobre a Doutrina do
Espírito Santo e o Movimento Carismático. Nesta Pastoral, os bispos
dão “diretrizes para todos”. “Para os pastores e pastoras carismáticos”; “Para
os pastores e pastoras não carismáticos”; ”Para os leigos que tenham tido
experiências carismáticas”; Para os leigos não carismáticos”. Em 1988, os
Bispos publicaram Dons e Ministérios; Em 1989, o Colégio
Episcopal publicou: Orientações pastorais sobre o uso dos dons do
Espírito e outras práticas.
[190] As
mais recentes foram: em 1982, alguns leigos organizaram a Comunidade
Cristã Evangélica, em Suzano, SP; Igreja Metodista
Renovada, em 1993, Vila Mariana, SP, foi organizada com o
pastor Joel Cardoso; a Igreja Evangélica Ebenézer, com o pastor
Samuel Palma Ferreira, em Vila Industrial, SP, 1994 (Carta da Comissão
especial para averiguação, São Bernardo do Campo, 27 de julho de 1994,
Flávio Moraes de Almeida); o Projeto Vida Igreja Evangélica,
organizada no dia 4 de fevereiro de 1997 com o leigo Paulo Térsio,
membro da Igreja em Campo Belo , SP. Todas elas surgiram por causa do
avivamento ou questões como a maçonaria, cujos líderes sentiram falta de
abertura e apoio por parte das autoridades da Igreja Metodista
(Relatório: Por que vocês se separaram da Igreja
Metodista? Rev. Flávio Moraes de Almeida, 8 de julho de 1994).
[191]A
irmandade Metodista Ortodoxa foi fundada em 31/01/1934 e tem sua sede em
Madureira, RJ (Nota em carta oficial da Irmandade Metodista Ortodoxa,
em carta do Bispo Samuel Henriques da Matta, em 5 de dezembro de 1997).
se SEMINÁRIO Teológico Avivalista por
Extensão. Curso Pastoral, matéria: Conhecendo o Avivamento
Bíblico, [s.ed.], [s.d.], folhas 1.
[193] RODRIGUES,
Helerson Bastos. No Mesmo Barco. ASTE - Programa Ecumênico
de Pós Graduação em Ciências da Religião, 1986, p.54.
[194] CARVALHO,
Gessé Teixeira. A vida Espiritual de minha Igreja. 4ª edição,
1996, p.14.
[195] GUTIERREZ,
Washington. "Concílio da 2ª Região recebe pessoas importantes"
em Expositor Cristão. 1ª quinzena de março de 1977, p.11. (BRUM,
Hélio Maurício. Movimento das Comunidades Evangélicas. [s.ed],1977,
p.3.
[196] BARROS,
Davi F. "Os Movimentos Carismáticos" em Expositor Cristão.
1ª quinzena de fevereiro de 1978, p.10.
[197]BARRETO,
Inaldo. Compreendendo o mundo após a queda. Igreja Metodista
Renovada. [s.ed],1977.
[198] CARDOSO,
Joel. Igreja Metodista Renovada. Conheça a nossa História. [s.ed],
[s.d.], p.3.
[199] Em
1992, Antonio Gouvêa de Mendonça afirmou que o movimento carismático “ é muito
forte e influente nas igrejas e não tem sido devidamente avaliado. A Igreja
Católica, segundo sua prática histórica de lidar com dissidências, está
tentando gerí-lo no seu próprio interior; as igrejas protestantes, com sua
tradicional impotência para manter divergências têm favorecido a formação de
comunidades alternativas (MARASCHIN Jaci [ed]. Estudos de Religião.
São Bernardo do Campo: Bartira Gráfica e editora, ano VI, nº 8,
outubro de 1992, p.53).
[200]Um
dos questionamentos de alguns carismáticos mais conservadores, no metodismo, é
em relação ao ecumenismo com a Igreja Católica. Para os mais conservadores, não
é possível relacionar-se com uma Igreja que adora Maria e é submissa ao Papa.
[201] BONINO
et al. Luta pela vida e evangelização, Ibidem, p.299.
[202] Ibidem
[203]https://metodistaconfessante.blogspot.com/2
2012/08/o-projeto-
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