Chamados para fazer o bem

 

 

Odilon Massolar Chaves

 

 

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Copyright © 2025, Odilon Massolar Chaves 

Todos os direitos reservados ao autor. 

É permitido ler, copiar e compartilhar gratuitamente

Art. 184 do Código Penal e Lei 96710 de 19 de fevereiro de 1998. 

Livro baseado nas notas explicativas de João Wesley sobre a Bíblia

Livros publicados na Biblioteca Digital Wesleyana: 451

Livros publicados pelo autor: 559

Livretos: 3

Endereço: https://www.blogger.com/blog/stats/week/2777667065980939692

 Tradutor: Google

Toda gloria a Deus!

Odilon Massolar Chaves é pastor metodista aposentado, doutor em Teologia e História pela Universidade Metodista de São Paulo.

Sua tese tratou sobre o avivamento metodista na Inglaterra no século XVIII e a sua contribuição como paradigma para nossos dias.

Foi editor do jornal oficial metodista e coordenador de Curso de Teologia.

Declaração de direitos autorais: Esses arquivos são de domínio público e são derivados de uma edição eletrônica que está disponível no site da Biblioteca Etérea dos Clássicos Cristãos.

Rio de Janeiro – Brasil

 

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 Faça todo o bem que puder,

Por todos os meios que puder,
De todas as maneiras que você pode,
Em todos os lugares que você puder,
Em todas as vezes que você puder,
Para todas as pessoas que você puder,
Enquanto você pode sempre
.[1]

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Índice

 

·                 

Introdução

Um resumo dos capítulos do livro

Por toda parte fazendo o bem

Faça todo o bem que puder

Cristãos fazendo o mal

Faz o bem e mesmo assim é apenas quase um cristão

O que é ser um metodista

A fé e o amor necessários

A donzela com frio

Razões para doar

Carta para o abolicionista William Wilberforce continuar fazendo o bem

Fazer o bem, a natureza do amor

Seja um benfeitor

Wesley ensinava três regras gerais aos metodistas

O exemplo de Maria Bosanquet 


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Introdução

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“Chamados para fazer o bem” é um livro de 24 páginas  baseado nos ensinamentos de Wesley.

Jesus por onde andava fazia o bem (Atos 10.38). E Wesley foi discípulo de Jesus.

Wesley disse que “Deus é o gerador e causador de todo bem que está no homem ou é praticado por ele”.[2]

Wesley ensinou, pregou e viveu fazendo o bem. Ele criou escola para os pobres, criou três clínicas populares para os necessitados, lutou contra a escravidão, dava real apoio aos presos, ajudava os desempregados, etc.

Para o historiador J. Earnest Rattenbury, autor de “Wesley, um legado para o mundo”, “Wesley modificou o curso da história inglesa, o que corrobora na ideia de que ele é um autor consagrado do campo religioso inglês do século XVIII, passível de ter suas produções, como suas cartas privadas, por exemplo, estudadas e analisadas”. [3]

Wesley, na verdade, é ainda hoje muito admirado. J. Earnest Rattenbury disse: “Há na verdade, pouca dúvida, de que o cidadão inglês do século dezoito, de maior importância para o mundo não era um político nem poeta, nem soldado ou marinheiro, mas o pequeno itinerante a cavalo – o Grande Cavaleiro, como eu o chamaria – que ainda está cavalgando para novas conquistas. (RATTEMBURY, 1928, p. 53).[4]

Wesley tinha um princípio: fazer o bem.

Faça todo o bem que puder,
Por todos os meios que puder,
De todas as maneiras que você pode,
Em todos os lugares que você puder,
Em todas as vezes que você puder,
Para todas as pessoas que você puder,
Enquanto você pode sempre
.[5]

Contudo, para ele, simplesmente fazer o bem não qualificava uma pessoa para ser considerada cristã.

Ele dizia que era preciso muito mais.

Um livro bem atual sobre os ensinamentos de Wesley.

 

O Autor

 

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Um resumo dos capítulos do livro

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O tema fazer o bem era uma marca do caráter de Wesley.

Destacamos essas ênfases no livro:

Por toda parte fazendo o bem

E Sua providência concorda claramente com Sua palavra, que tem me livrado de todas as outras coisas para que possa simplesmente fazer só isso, andar “por toda a parte fazendo o bem”

Faça todo o bem que puder

Proclame abertamente a sua mensagem e faça todo o bem que puder

Cristãos fazendo o mal

(...), enquanto veem cristãos julgando uns aos outros, ridicularizando uns aos outros, falando mal uns dos outros

Faz o bem e mesmo assim é apenas quase um cristão

“Assim sendo, se algum homem deixa de praticar o mal, para evitar a punição, a perda de seus amigos, seu ganho, ou sua reputação, deveria, igualmente, fazer sempre o bem, usando de todos os meios da graça

O que é ser um metodista

Não colocamos toda a religião (como muitos fazem, Deus sabe) nem em não fazer mal nem em fazer o bem, nem em usar as ordenanças de Deus

A fé e o amor necessários

“Senhor, tu que sabes todas as coisas, sabes que eu amo a ti!”

A donzela com frio

Teu Mestre dirá: "Muito bem, bom e fiel mordomo"?

Razões para doar

Ele o colocou aqui não como proprietário, mas como mordomo

Carta para o abolicionista William Wilberforce continuar fazendo o bem

Oh! Não vos desanimeis de fazer o bem. Ide avante, em nome de Deus, e na força do seu poder, até que desapareça a escravidão americana, a mais vil que o sol já iluminou

Fazer o bem, a natureza do amor

Fazer o bem é a ‘natureza’ do amor

Seja um benfeitor

Foste um benfeitor da humanidade? Alimentaste os famintos, vestiste os despidos, confortaste os enfermos, ajudaste o estrangeiro, acalmaste os aflitos, segundo o que cada um necessitava?

Wesley ensinava três regras gerais aos metodistas

 Fazemos o bem ao nos envolvermos em atos de bondade, caridade, amor e justiça — buscando intencionalmente oportunidades de servir e amar

O exemplo de Maria Bosanquet

Ela deixou o luxo da casa paterna para servir a Jesus e gastou sua fortuna cuidando dos pobres. Ela buscava ser santa igual a Jesus

 

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Por toda parte fazendo o bem

 

E Sua providência concorda claramente com Sua palavra, que tem me livrado de todas as outras coisas para que possa simplesmente fazer só isso, andar “por toda a parte fazendo o bem”

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Wesley afirmou: “Permita-me agora falar a respeito dos meus princípios concernentes a este assunto. Eu vejo todo o mundo como minha paróquia; desse modo eu acho, que em qualquer par te dele em que eu estiver, julgo correto, próprio e meu sagrado dever proclamar, para todo os que quiserem ouvir, as alegres novas da salvação. (...); e, como tal, sou usado de acordo com a clara direção de Sua palavra: “quando tiver oportunidade, fazer o bem a todos os homens”. E Sua providência concorda claramente com Sua palavra, que tem me livrado de todas as outras coisas para que possa simplesmente fazer só isso, andar “por toda a parte fazendo o bem”. (WESLEY, 1991, p. 9-10).[6]

 

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Faça todo o bem que puder

 

Proclame abertamente a sua mensagem e faça todo o bem que puder

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Um autor selecionou algumas afirmações de Wesley de algumas cartas que escreveu e disse: “Os excertos destas cartas privadas, a seguir, são, respectivamente, de 28 de dezembro de 1770, de 17 de maio de 1766, de março de 1773, de 29 de março de 1760, de 29 de junho de 1767 e de 1º de julho de 1789:

Num ponto eu recomendo que você seja firme e não permita que nem homens ou demônios o arranquem de sua vida. (...). Seus pecados estão perdoados! Não lance fora essa segurança que tem grande recompensa de galardão. (...). Alimente-a com todas as suas forças! Reavive continuamente o dom de Deus que tem em si, não apenas ouvindo constantemente a Sua palavra em todas as oportunidades, mas também lendo, meditando e, acima de tudo, orando em particular. Embora às vezes isso possa parecer uma cruz penosa, assim mesmo leve sua cruz, e ela a levará; (...). Eu quero que a senhora seja semelhante a Ele em tudo. (...). Querido George – Chegou a hora de você embarcar para a América. Você deve ir até Bristol, onde se encontrará com Thomas Rankin, o Capitão Webb e sua esposa. (...). Proclame abertamente a sua mensagem e faça todo o bem que puder. (...). Lembre-se do seu chamado; seja Uma simples seguidora do Cordeiro, e inofensiva como uma criancinha. (...). Não, fique firme, andando em todas as situações como Cristo também andou. (...). Continue no nome de Deus e na força de Seu poder. (...). E permita-me dar-lhe mais um conselho (antigamente você dava valor aos meus conselhos) – deixe de lado as disputas. Tire seus pensamentos, tanto quanto possível, de todos os pontos controversos. Você só deve prestar atenção a um ponto – Emanuel, Deus conosco; deve se fixar em um único ponto – Cristo em nós, a esperança da glória! (WESLEY, 1991, p. 8, 9, 10, 12, 25 e 26)”. [7]

 

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Cristãos fazendo o mal

 

(...), enquanto veem cristãos julgando uns aos outros, ridicularizando uns aos outros, falando mal uns dos outros

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“Na carta privada de 7 de julho de 1738, ele enuncia o seguinte: Entristeço-me ao pensar como o santo nome pelo qual somos chamados seja blasfema do entre os pagãos porque veem cristãos descontentes, cristãos irascíveis, cristãos ressentidos, cristãos mundanos, sim, (...), enquanto veem cristãos julgando uns aos outros, ridicularizando uns aos outros, falando mal uns dos outros, aumentando em vez de carregarem as cargas uns dos outros. (WESLEY, 1991, p. 19)”. [8]

 

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Faz o bem e mesmo assim é apenas quase um cristão

 

“Assim sendo, se algum homem deixa de praticar o mal, para evitar a punição, a perda de seus amigos, seu ganho, ou sua reputação, deveria, igualmente, fazer sempre o bem, usando de todos os meios da graça

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Wesley pregou o sermão – O quase cristão -  em St. Mary’s, Oxford, perante a Universidade, em 25 de julho de 1741, na Inglaterra. 

O texto bíblico base foi: “Quase me persuade a ser cristão” (Atos 26.28). 

Wesley afirmou: “E muitos há que vão tão longe: desde que a religião cristã estava no mundo, houve muitos em todas as épocas e nações que foram quase persuadidos a serem cristãos. Mas, vendo que não adianta nada diante de Deus ir apenas até aqui, é altamente importante considerar:

Primeiro. O que está implícito em ser quase,

Em segundo lugar. O que em ser um cristão”.

Wesley conclui dizendo: “Que todos nós possamos experimentar o que deve ser, não quase apenas; mas totalmente cristãos; sendo justificados gratuitamente por sua graça, por meio da redenção que há em Jesus; sabendo que temos paz com Deus por meio de Jesus Cristo; regozijando-se na esperança da glória de Deus; e tendo o amor de Deus derramado em nossos corações, pelo Espírito Santo que nos foi dado!”[9]

Quase um cristão

Ainda assim, mesmo não praticando o mal e fazendo sempre o bem, não é possível assegurar que esse homem é mesmo quase um cristão

No seu sermão, Wesley argumenta que mesmo tendo algumas práticas boas, não significa necessariamente que esta pessoa seja de fato cristã.

“Assim sendo, se algum homem deixa de praticar o mal, para evitar a punição, a perda de seus amigos, seu ganho, ou sua reputação, deveria, igualmente, fazer sempre o bem, usando de todos os meios da graça. Ainda assim, mesmo não praticando o mal e fazendo sempre o bem, não é possível assegurar que esse homem é mesmo quase um cristão, porque, se ele não tiver princípio melhor, em seu coração, ele será apenas um hipócrita![10]

Alguém pode ir, até mais longe, e ainda assim, ser apenas um quase cristão

Mas aqui, deverá, provavelmente, ser inquirido, “É possível que algum homem possa chegar, tão longe, e, não obstante, ser alguém quase cristão? Quanto mais é necessário para que ele seja um completo cristão?”. Em primeiro lugar, eu respondo que alguém pode ir, até mais longe, e ainda assim, ser apenas um quase cristão. [11]

O que é necessário para ser um cristão completo

Wesley, então coloca alguns argumentos, dente eles:

1.Amar a Deus

Você irá amar o Senhor seu Deus, com todo seu coração, com toda sua alma, com toda sua mente, e com toda sua força

Se for inquirido: “O que mais é necessário, além disso, para que se seja um cristão completo?”. Eu repondo:

(1) O amor a Deus. Porque assim diz sua palavra: “Você irá amar o Senhor seu Deus, com todo seu coração, com toda sua alma, com toda sua mente, e com toda sua força”. Tal amor é esse, como que se apoderando de todo o coração; como acolhendo todas as afecções; como preenchendo a capacidade total da alma, e empregando a mais extrema extensão de todas as suas faculdades. Ele que assim ama o Senhor seu Deus, seu espírito, continuamente, “regozija-se em seu Deus Salvador”.

Seu deleite está no Senhor; seu Senhor e seu Tudo, a quem “em tudo dá graças

“Seu deleite está no Senhor”; disse Wesley. “Seu Senhor e seu Tudo, a quem “em tudo dá graças. Todo seu desejo está no Senhor, e para a lembrança do seu nome”. Seu coração está sempre clamando: “Quem mais eu tenho no céu, a não ser a ti? E não há ninguém sobre a terra que eu deseje além de ti”. Realmente, o que mais ele deve desejar além de Deus? Não o mundo, ou as coisas do mundo: Porque ele está “crucificado para o mundo, e o mundo crucificado nele”. Ele está crucificado para “o desejo da carne, o desejo do olho, e o orgulho da vida”. Sim, ele está morto para o orgulho de toda a sorte: Porque “o amor não se ensoberbece”; mas “ele que habita no amor, habita em Deus, e Deus nele”, é menos do que nada, para seus próprios olhos”, disse Wesley.

2. Amar ao próximo

“deves amar o teu próximo, como a ti mesmo”

(2) “O amor ao próximo. Para isso diz nosso Senhor, nas seguintes palavras: “deves amar o teu próximo, como a ti mesmo”. Se algum homem perguntar: “Quem é o meu próximo?” Nós respondemos: todos os homens do mundo; todos os filhos Dele que é o Pai de todos os espíritos de toda a carne. Nem nós podemos excluir nossos inimigos, ou os inimigos de Deus e suas próprias almas. Mas todo cristão ama esses também, como a si mesmo”, disse Wesley.

“Não procura o seu interesse”; mas o que é bom dos outros, para que eles possam ser salvos”

Sim! “Como Cristo nos amou!”, disse Wesley. “Ele que gostaria de entender, mais completamente, que espécie de amor é esse, podemos considerar a descrição de Paulo, sobre ele: “O amor é paciente e benigno”. “O amor não arde em ciúmes ou inveja, e não se ufana”. “O amor não se ensoberbece”; mas faz aquele que ama, o menor, o servo de todos. “Não se conduz inconvenientemente”; mas torna-se “todas as coisas para todos os homens”. “Não procura o seu interesse”; mas o que é bom dos outros, para que eles possam ser salvos. “Não se exaspera”; ele atira fora a ira. "Não se ressente do mal. Ele não se alegra com a injustiça, mas regozija-se na verdade. Ele protege todas as coisas; acredita em todas as coisas; espera todas as coisas; suporta todas as coisas".[12]

O que é necessário para ser um cristão

e que o preenche, com o amor mais forte que a morte, tanto para com Deus, como para com toda a humanidade; amor que realiza as boas obras de Deus

Afirmou Wesley no sermão: “A fé cristã, correta e verdadeira (para usar as palavras de nossa própria igreja), “não é aquela que nos faz acreditar nas Escrituras Sagradas, e nos artigos de nossa fé, como verdadeiros, mas é aquela que, além disso, nos traz a confiança e segurança de sermos salvos da condenação eterna, através de Cristo. Essa é a verdadeira crença e confiança, a qual o homem tem em Deus; a de que, pelos méritos de Cristo, seus pecados foram perdoados, que ele está reconciliado, para o favor de Deus; a respeito de quem, ele segue, com o coração afetuoso, para obedecer a seus mandamentos”.

quem quer que tenha essa fé, operando, assim, por amor, não é alguém que é quase, mas alguém que é um cristão completo!

(6). Wesley disse ainda: “Agora, quem quer que tenha essa fé, que “purifica o coração (pelo poder de Deus, que habita nele), do orgulho, da ira, do desejo, de toda iniquidade; de toda impureza da carne e espírito”; e que o preenche, com o amor mais forte que a morte, tanto para com Deus, como para com toda a humanidade; amor que realiza as boas obras de Deus, glorificando, para despender-se e consumir-se por todos os seres humanos, e que suporta, com alegria, não apenas a repreensão de Cristo, que o homem escarneceu, desprezou e odiou, acima de todos os homens; mas tudo quanto a sabedoria de Deus permita à malícia dos homens, ou dos demônios impor; quem quer que tenha essa fé, operando, assim, por amor, não é alguém que é quase, mas alguém que é um cristão completo”! [13]

 

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O que é ser um metodista

 Não colocamos toda a religião (como muitos fazem, Deus sabe) nem em não fazer mal nem em fazer o bem, nem em usar as ordenanças de Deus

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Em sua argumentação das características de um metodista, Wesley disse: “Nem, por último, ele deve ser distinguido colocando toda a ênfase da religião em qualquer parte ou ela. Se você disser: "Sim, ele é; pois ele pensa que somos salvos somente pela fé:" Eu respondo, você não entende os termos. Por salvação ele quer dizer santidade de coração e vida. E isso ele afirma brotar somente da verdadeira fé. Pode até mesmo um cristão nominal negar isso? Isso é colocar uma parte da religião para o todo? Anulamos então a lei pela fé? Deus me livre! Sim, nós estabelecemos a lei. Não colocamos toda a religião (como muitos fazem, Deus sabe) nem em não fazer mal nem em fazer o bem, nem em usar as ordenanças de Deus. Não, nem em todos eles juntos; em que sabemos por experiência que um homem pode trabalhar muitos anos e, no final, não ter nenhuma religião verdadeira, não mais do que tinha no início”. [14]

E se não estiver em seu poder fazer o bem aos que o odeiam, ainda assim ele não cessa de orar por eles 

“E enquanto ele sempre exerce seu amor a Deus, orando sem cessar, regozijando-se sempre e dando graças em tudo, este mandamento está escrito em seu coração: que aquele que ama a Deus, ama também a seu irmão”, disse Wesley.

E, portanto, ele ama seu vizinho como a si mesmo

“E, portanto, ele ama seu vizinho como a si mesmo; ele ama cada homem como sua própria alma”, disse Wesley. “Seu coração está cheio de amor por toda a humanidade, por todo filho do pai dos espíritos de toda a carne. Que um homem não seja pessoalmente conhecido por ele não é impedimento ao seu amor: Não, nem que ele é conhecido por ser tal que não aprova, que ele retribui o ódio por sua boa vontade. Pois ele ama os seus inimigos, sim, e os inimigos de Deus, os maus e os ingratos. E se não estiver em seu poder fazer o bem aos que o odeiam, ainda assim ele não cessa de orar por eles, embora continuem a desprezar seu amor, e ainda o usem e o persigam mal”,[15] disse Wesley.

 

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A fé e o amor necessários

“Senhor, tu que sabes todas as coisas, sabes que eu amo a ti!”

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“Se algum homem morrer, sem essa fé e esse amor, melhor seria para ele nunca ter nascido”, afirmou Wesley. “Acorda, então, tu que dormes, e clama pelo teu Deus: Chama-o, enquanto Ele ainda pode ser encontrado. Que ele não tenha descanso, até que faça “sua santidade passar diante de ti”; até que proclame em ti o nome do Senhor: “O Senhor; O Senhor Deus, misericordioso e gracioso, longânime, e abundante na santidade e verdade; mantendo misericórdia, por ti; perdoando a iniquidade, a transgressão e o pecado”. Não deixa homem algum te persuadir, por meio de palavras vãs; a descansar um pouco daquele prêmio do teu grande chamado. Mas clama a ele, dia e noite; àquele que, “enquanto nós estávamos sem forças, morreu pelo descrente; até que tu saibas em quem deves acreditar, e possas dizer: Meu Senhor, e meu Deus!” Lembra-te “sempre de orar, e não desfalece”, até que ergas as tuas mãos, para os céus, e declares a Ele que vive para sempre e sempre, “Senhor, tu que sabes todas as coisas, sabes que eu amo a ti!”, [16] comentou Wesley.

 

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A donzela com frio

 

Teu Mestre dirá: "Muito bem, bom e fiel mordomo"?

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No blog “Effective altruism for Christians” , Dominic Roser[17] da University of Fribourg, afirma que seu ”sermão favorito é o sermão do século 18 sobre ‘O Uso do Dinheiro’ de John Wesley”. E conta esse fato de Wesley:

“Enquanto estava em Oxford, um incidente mudou a perspectiva [de Wesley] sobre dinheiro. Ele tinha acabado de pagar por algumas fotos para seu quarto quando uma das camareiras bateu à sua porta. Era um dia frio de inverno, e ele notou que ela não tinha nada para protegê-la, exceto um vestido de linho fino. Ele enfiou a mão no bolso para dar a ela algum dinheiro para comprar um casaco, mas descobriu que tinha muito pouco. Imediatamente lhe ocorreu o pensamento de que o Senhor não estava satisfeito com a maneira como ele havia gasto seu dinheiro. Ele se perguntou: Teu Mestre dirá: "Muito bem, bom e fiel mordomo"? Tu adornaste tuas paredes com o dinheiro que poderia ter protegido esta pobre criatura do frio! Ó justiça! Ó misericórdia! Essas imagens não são o sangue dessa pobre donzela?”[18]

 

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Razões para doar

 

Ele o colocou aqui não como proprietário, mas como mordomo"

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“Como Wesley defende nosso dever de doar dinheiro generosamente? Suas razões divergem do raciocínio secular padrão da EA. Por um lado, Wesley diz que tudo pertence a Deus: "Ele o colocou aqui não como proprietário, mas como mordomo". Um segundo ponto é que o próprio Deus deu tudo o que tinha por nós: "Dai tudo o que tendes, assim como tudo o que sois, em sacrifício espiritual Àquele que não vos negou o seu Filho, o seu Filho único". Um terceiro ponto aparece na escritura (teologicamente muito desafiadora, eu acho) na qual o sermão se baseia e também na frase final do sermão: Ao dar tudo o que você tem, você está "acumulando para si um bom fundamento para o futuro, para que possa alcançar a vida eterna!" [19]

 

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Carta para o abolicionista William Wilberforce continuar fazendo o bem

 

Oh! Não vos desanimeis de fazer o bem. Ide avante, em nome de Deus, e na força do seu poder, até que desapareça a escravidão americana, a mais vil que o sol já iluminou

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“John Wesley escreveu sua última carta a [William] Wilberforce em 24 de fevereiro de 1791, seis dias antes de morrer, encorajando-o a executar o plano da abolição da escravatura. Um parágrafo dessa carta diz o seguinte: ‘Oh! Não vos desanimeis de fazer o bem. Ide avante, em nome de Deus, e na força do seu poder, até que desapareça a escravidão americana, a mais vil que o sol já iluminou’. Wilberforce e seus amigos do Grupo de Clapham [...] ajudaram a fundar escolas cristãs para os pobres, a reformar as prisões, a combater a pornografia, a realizar missões cristãs no estrangeiro e a batalhar pela liberdade religiosa. Mas Wilberforce acabou por se tornar mais conhecido por seu compromisso incansável pela abolição de escravidão e do comércio de escravos”.[20]

 

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Fazer o bem, a natureza do amor

 

Fazer o bem é a ‘natureza’ do amor

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“Fazer o bem é a ‘natureza’ do amor, diz Wesley, mas o amor assume várias formas e produz frutos diversos. Por exemplo, muitas vezes expressamos amor escolhendo humildade, gentileza, paciência, autocontrole, etc. Expressamos amor ajudando os pobres, sendo gentis com estranhos, encorajando os membros da comunidade de fé, perdoando uns aos outros, etc. Enquanto a essência do amor é singular, as expressões de amor são plurais”.[21]

Nós fomos criados à imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26-27).

João Wesley detectou três aspectos de imagem dos seres humanos com seu Criador:

“• A imagem moral – ao ser criado, o ser humano possuía a santidade, a pureza e o amor de Deus. Sua verdadeira natureza é ser santo, misericordioso, puro, livre, incorruptível e eterno.

• A imagem natural – isto significa que Deus criou o ser humano com perfeita liberdade de escolha não só em pequenas questões da vida, mas também naquelas que determinam seu destino. No estado de inocência ele poderia escolher obedecer a Deus ou não, sem qualquer interferência sobre sua capacidade de escolha (Gn 2:15-17).

• A imagem política – Deus delega poderes aos seres humanos quando ordena o domínio sobre os habitantes do mar, dos céus e da terra (Gn 1:28) e a incumbência de dar nomes às outras criaturas (Gn 2:19-20; Sl 8:6-7)”.[22]

 

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Seja um benfeitor

 

Foste um benfeitor da humanidade? Alimentaste os famintos, vestiste os despidos, confortaste os enfermos, ajudaste o estrangeiro, acalmaste os aflitos, segundo o que cada um necessitava?

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“Wesley ensinou que Deus dá dinheiro a seus filhos para que satisfaçam as suas necessidades razoáveis e espera que, depois lhe devolvam o restante, dando aos pobres. Deus quer que todos os seus filhos se considerem “apenas um dos pobres, cujas carências foram supridas por parte da substância de Deus que ele colocou nas mãos deles com essa finalidade”. Então, Deus irá perguntar:

Foste um benfeitor da humanidade? Alimentaste os famintos, vestiste os despidos, confortaste os enfermos, ajudaste o estrangeiro, acalmaste os aflitos, segundo o que cada um necessitava? Foste olhos para o cego, pés para o aleijado, pai para os órfãos e marido para as viúvas? (trecho de O Bom Mordomo)”.[23]

 

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Wesley ensinava três regras gerais aos metodistas

 Fazemos o bem ao nos envolvermos em atos de bondade, caridade, amor e justiça — buscando intencionalmente oportunidades de servir e amar

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Não fazer o mal; fazer o bem e terceira regra é para atender “todas os ordenanças  de Deus”, que Wesley explica que são coisas como culto, oração e jejum.[24]

Com a primeira regra, podemos racionalizar que não devemos fazer nada para evitar causar qualquer dano. "Vou ficar em casa, orar e ler a Bíblia para não correr o risco de prejudicar ninguém ou nada." Mas a regra de fazer o bem nos impede de ficar isolados do mundo que Deus tanto ama. Fazemos o bem ao nos envolvermos em atos de bondade, caridade, amor e justiça — buscando intencionalmente oportunidades de servir e amar.

Isso nos lembra e nos incita / convida / empurra / nos obriga a ser uma bênção - ajudando alguém a respirar um pouco mais fácil, mesmo que seja por um segundo.[25]

Wesley escreveu como uma pessoa era admitida na classe e na Sociedade: Qualquer pessoa determinada a salvar a sua alma podia ser unida com os metodistas (esta é a única condição necessária). Mas esse desejo devia ser comprovado por três marcas: evitar todo o pecado conhecido, fazer o bem e atender todas as ordenanças de Deus. 

A pessoa era então colocada em uma classe que fosse conveniente para ela onde passava cerca de uma hora por semana. E no próximo trimestre, nada se opondo, seria admitida na Sociedade.[26]

 

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O exemplo de Maria Bosanquet

 

Ela deixou o luxo da casa paterna para servir a Jesus e gastou sua fortuna cuidando dos pobres. Ela buscava ser santa igual a Jesus

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“Maria Bosanquet,[27] uma vida de santidade wesleyana”. Ela deixou o luxo da casa paterna para servir a Jesus e gastou sua fortuna cuidando dos pobres. Ela buscava ser santa igual a Jesus.

“Entre os mais comumente aclamados como ‘Santos Metodistas’ estavam os anglicanos-metodistas, John Fletcher (1729-1785) e Maria Fletcher (nascida Bosanquet, 1739-1815)”.[28]

Wesley tinha a visão e o propósito de proporcionar aos metodistas uma vivência santa semelhante à Igreja Primitiva.

Para isso, a grande ênfase era sobre a santidade, a qual ele cria que era um “depositum” colocado por Deus nas mãos dos metodistas para ser espalhada pelo mundo.

No metodismo primitivo diversos homens e mulheres viveram uma vida santa. A vida santa incluía, acima de tudo, o amor a Deus e ao próximo.

Maria Bosanquet Fletcher chegou a esse ponto. Ela deixou sua casa paterna para se dedicar ao Reino de Deus através do metodismo onde ela encontrou um lugar ideal para alcançar a santidade. 

Ela fazia o bem. Foi líder de classe, pregadora e criou um orfanato para os pobres.

Sua vida de oração, ministração da Palavra e cuidado dos pobres no orfanato revelam sua prática e sua santidade.

Maria Bosanquet Fletcher é um exemplo de que é possível viver fazer o bem.

 

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[1] https://www.pensador.com/frase/NjY5NjM5/

[2] https://www.frasemotivacional.com.br/frases/autor/john-wesley-2428

[3] file:///C:/Users/lalur/Downloads/ricofrei,+artigo_12%20(1).pdf

[4] file:///C:/Users/lalur/Downloads/ricofrei,+artigo_12%20(1).pdf

[5] https://www.pensador.com/frase/NjY5NjM5/

[6] file:///C:/Users/lalur/Downloads/ricofrei,+artigo_12%20(1).pdf

[7] file:///C:/Users/lalur/Downloads/ricofrei,+artigo_12%20(1).pdf

[8] file:///C:/Users/lalur/Downloads/ricofrei,+artigo_12%20(1).pdf

[9] https://www.wesleysheritage.org.uk/exhibits/john-wesleys-sermons/sermon-sheet/?o=2661&t=feat - Capela de Wesley e Missão
Leysian 49 City Road, Londres EC1Y 1AU – The Museum of Methodism & John Wesley’s Housed=

[10]https://www.monergismo.com/textos/sermoes/quase_cristao_wesley.htm

[11]https://www.monergismo.com/textos/sermoes/quase_cristao_wesley.htm

[12]https://www.monergismo.com/textos/sermoes/quase_cristao_wesley.htm

[13]https://www.monergismo.com/textos/sermoes/quase_cristao_wesley.htm

[14] https://quod.lib.umich.edu/e/evans/N20188.0001.001/1:3?rgn=div1;view=fulltext

[15] O caráter de um metodista

[16]https://www.monergismo.com/textos/sermoes/quase_cristao_wesley.htm

[17] Dominic Roser é professor sênior do Instituto Interdisciplinar de Ética e Direitos Humanos. Como filósofo e economista, ele se concentra na ética das mudanças climáticas, sustentabilidade, justiça global, justiça intergeracional, risco, direitos humanos, teoria não ideal e questões éticas relativas à política econômica, teoria econômica e negócios. directory/en/people/199421/5e706 https://www.unifr.ch/

[18] https://www.eaforchristians.org/blog/john-wesley-the-use-of-money-12

[19] https://www.eaforchristians.org/blog/john-wesley-the-use-of-money-12

[20] https://www.facebook.com/ProfFranklinFerreira/posts/john-wesley-escreveu-sua-última-carta-a-william-wilberforce-em-24-de-fevereiro-d/6394087480664946/

[21] https://thomasjayoord.com/index.php/blog/archives/john

[22]https://www.metodista1re.org.br/doutrina-da-criacao-do-ser-humano-e-o-pecado-original/

[23] https://iqc.pt/eedificacao/literatura/artigos/9581-john-wesley-nao-se-deixou-dominar-pelo-dinheiro

[24] https://www.umc.org/pt/content/our-wesleyan-heritage

[25] https://www.umc.org/en/content/living-faithfully-john-wesleys-three-general-rules

[27] Há uma outra Maria Bosanquet, nascida em 1913, que escreveu a primeira biografia de Bonhoeffer. Seu livro “The Life and Death of Dietrich Bonhoeffer,” foi publicado em 1968. ttps://bonhoefferwomen.blogspot.com/2015/11/we-know-very-little-about

[28]https://www.academia.edu/Documents/in/Maria_Bosanquet_Fletcher

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