Missão, Lágrimas e Júbilo

 

 

 

Odilon Massolar Chaves

 

 

  

 

 

 

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Odilon Massolar Chaves é pastor metodista aposentado, doutor em Teologia e História pela Universidade Metodista de São Paulo.

Sua tese tratou sobre o avivamento metodista na Inglaterra no século XVIII e a sua contribuição como paradigma para nossos dias.

Foi editor do jornal oficial metodista e coordenador de Curso de Teologia

 


 

Índice

 

 

 

·      Introdução

 

·       As primeiras tentativas de instalação do metodismo

 

·       O metodismo entre 1878 e 1900

 

·      As três linhas de ação da Missão Ransom

 

·      A missão em tempo de mudanças sociais e políticas

 

·      A missão em tempo de lutas

 

·      A importância da ferrovia

 

·      Abertura de trabalhos na capital e no interior

 

·      A estratégia de chegar às fazendas

 

·      A estratégia junto às colônias estrangeiras

 

·      O metodismo avança no final do século XIX

 

·      A missão a partir do século XX

 

·      A Missão em tempo de amadurecimento da Igreja

 

·      Uma história que nos inspira

 

·      Referência Bibliográfica

 

 

Introdução

 

O livro “Missão, Lágrimas e Júbilo” tem a intenção é valorizar e aprender com a nossa história e caminhar no mesmo espírito e amor ao metodismo que tiveram nossos primeiros missionários.

Tomamos como princípio colocar nesta pesquisa basicamente o que é fato histórico comprovado e documentado, evitando assim maiores erros. Abordamos, especialmente o metodismo no Estado do Rio de Janeiro de 1878-1930.

Procuramos verificar o contexto em que trabalharam os missionários a fim de se ter uma visão mais profunda da realidade em que o metodismo foi instalado no Brasil.

A história do início do metodismo no Estado do Rio é emocionante e nos inspira a ir em frente mesmo diante das grandes dificuldades. Revela a determinação, abnegação e grande fé dos nossos primeiros missionários.

Prepare-se para conhecer pessoas que exerceram seus ministérios com imenso amor e dedicação ao Reino de Deus e à Igreja metodista em tempos de grandes dificuldades.

Esta pesquisa tem por objetivo atender a um pedido do bispo Paulo Lockmann para escrever a história do início do metodismo na 1ª Região.

A 1ª Região só passou a ter esta designação a partir de 1955 quando o Concílio Geral mudou a expressão Conferência do Norte, Conferência do Sul e Conferência do Centro para 1ª, 2ª, 3ª, 4ª Regiões etc.

A Conferência do Norte incluía os Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. Com a divisão somente o Estado do Rio de Janeiro ficou incluído na 1ª Região. Por isso, na pesquisa, sempre usamos a expressão “Estado do Rio de Janeiro” em vez de  “1ª Região”.

Consultamos, principalmente o livro Cinqüenta Anos de Metodismo no Brasil de autoria do rev. J.L.Kennedy, que utiliza especialmente documentos das Conferências Anuais. Outro documento também utilizado é o Expositor Cristão.

Nossos agradecimentos ao professor da Faculdade de Teologia José Carlos de Souza e ao rev. Felipe Mesquita pela correção e sugestões.

O Autor

 

 

 

As primeiras tentativas de instalação do metodismo

 

                                      

Os primeiros protestantes no Brasil

A abertura dos portos por D. João VI às nações amigas, em janeiro de 1808, proporcionou a vinda dos protestantes e missionários para o Brasil.

“Em fevereiro de 1810, Portugal assinou com a Inglaterra tratados de Aliança e Amizade e de Comércio e Navegação. Este, em seu artigo XII, concedeu aos estrangeiros ‘perfeita liberdade de consciência’ para praticarem sua fé. Tolerância limitada: proibição de fazer prosélitos e falar contra a religião oficial; capelas sem forma exterior de templo e sem uso de sinos.”[1]

Foi uma grande abertura, mas “capelas sem forma exterior de templo” traria, mais tarde, dificuldades aos missionários diante da Igreja Romana.

A necessidade de colonização fez D. João VI investir  nos estrangeiros: “O primeiro Pastor protestante no Brasil foi Friedrich Osvald Sauerbronn (nasc. em 1784 falec. em 1864). Em 1818, o Governo havia fundado Nova Friburgo, no Rio de Janeiro. O Pastor Sauerborn veio ao Brasil em 1824, a bordo do veleiro ‘ Argus`, acompanhando 300 imigrantes alemães, a maioria do Hessen, todos eles angariados pelo Major Schaeffer e que lá se radicaram. Veio ao Brasil com a promessa de receber o mesmo salário dos vigários da igreja católica e que o Governo lhe construiria uma igreja e uma escola”.[2]

“A instalação do governo de D. João VI no Brasil (1808-1821) provocou a transferência da capital do Império de Lisboa para o Rio de Janeiro e o fim da condição colonial, fato reconhecido de direito, em 1815, quando o Brasil foi elevado a Reino Unido a Portugal e Algarves, o Brasil deixava de ser Colônia de Portugal. O governante decretou através da Carta Régia a abertura dos portos (1808), permitiu a instalação de indústrias (1810); foi criado o Banco do Brasil, a Fábrica de Pólvora, o Jardim Botânico, a Biblioteca Nacional; foi criado ensino superior no Brasil, com a fundação de duas escolas de medicinas; foi fundada a Imprensa Régia, que iniciou a publicação do jornal Gazeta do Rio de Janeiro”.[3]

Os missionários metodistas chegam ao Rio de Janeiro

Quando o primeiro missionário metodista, Rev. Fountain E. Pitts, chegou ao Brasil, em 1835, já encontrou o país independente desde 1822. Pitts embarcou em Baltimore no dia 28 de junho de 1835, rumo ao Brasil chegando no dia19 de agosto de 1835, no Rio de Janeiro [4] permanecendo durante alguns meses juntamente com esposa, filhinho e empregada. Depois viajou para Montevidéu e passado algumas semanas foi para Buenos Aires,[5] que era o objetivo final de sua viagem. [6]

Entusiasmado com as possibilidades de abrir um trabalho metodista em terras brasileiras, Rev. Pitts deu  parecer favorável para a implantação de uma missão no Brasil. No dia 2 de setembro de 1835,  ele escreveu ao secretário correspondente da Sociedade Missionária da Igreja Metodista Episcopal  o seguinte: “Estou nesta cidade (Rio de Janeiro) há duas semanas, e lamento que minha permanência seja necessariamente breve. Creio que uma porta oportuna para a pregação do Evangelho está aberta neste vasto império. Os privilégios religiosos permitidos pelo governo do Brasil são muito mais tolerantes do que eu esperava achar em um país católico (...). Já realizei diversas reuniões e preguei oito vezes em diferentes residências onde fui respeitosamente convidado e bondosamente recebido pelo bom povo....”[7]

Rev. Pitts disse mais na carta: “(...) Nosso pequeno grupo de metodistas precisará muito de um cristão experimentado para conduzi-lo; no entanto, eles estão decididos a se unirem e a se ajudarem mutuamente no desenvolvimento da salvação de suas almas (...). O missionário a ser enviado para cá deve vir imediatamente e iniciar o estudo do idioma português sem demora (...).”[8]

E alertou: “que ponha todos os cuidados nas mãos do Senhor Jesus e que pregue com o Espírito Santo mandado dos céus que é o que eles desejam aqui”[9]. Em 1836, rev. Pitts regressou aos EUA.

Tendo acolhida as informações do rev. Pitts, a Igreja Metodista decidiu enviar o rev. Spaulding, que chegou ao Rio de Janeiro com sua esposa, filhinho e uma empregada no dia 29 de abril de 1836.[10]

Rev. Spaulding alugou um edifício no Largo da Glória aonde passou a realizar os cultos. Aprendeu português, organizou uma Escola Dominical, deu assistência aos marinheiros e aos enfermos da Santa Casa.[11] Posteriormente, rev. Spaulding instalou-se na Rua do Catete.

Em relatório ao secretário correspondente da Igreja Metodista Episcopal, no dia 1º de setembro de 1836, diz: “(...) Conseguimos organizar uma escola dominical, denominada Escola Dominical Missionária Sul-Americana, auxiliar da União das Escolas Dominicais da Igreja Metodista Episcopal... Mais de 40 crianças e jovens se tornaram interessados nela (...). Está dividida em oito classes com quatro professores e quatro professoras. Nós nos reunimos às 16:30 aos domingos. Temos duas classes de pretos, uma fala inglês, a outra português. Atualmente parecem muito interessados e ansiosos por aprender (...).”[12]

Em 1841, Rev. Spauding voltou para a América do Norte deixando no Rio de Janeiro uma congregação com 40 membros. Solicitou a Igreja Metodista que enviasse alguém para averiguar pelo país aonde instalar escolas e pontos de evangelização. Sendo enviado, então, o rev.  Daniel Kidder:

“Em novembro de 1837, o rev. Daniel P.Kidder, novo missionário, e Mr. R.M.Murdy e esposa, na qualidade de professores, partiram de Boston para o Rio de Janeiro com o fim de reforçar o trabalho já começado por Mr. Spaulding”.[13]

Daniel Kidder  veio a mando da American Bible Society aqui permanecendo 3 anos e deixando suas minuciosas impressões sobre o Brasil. Ele relata o que viu (e ouviu) também nas ruas do velho Rio: "Os carregadores de café andam geralmente em magotes de dez ou vinte negros sob a direção de um que se intitula capitão. São em geral os latagões mais robustos dentre os africanos. Quando em serviço, raramente usam outra peça de roupa além da camisa, para não incomodar. Cada um leva na cabeça uma saca de café pesando cento e duas libras e, quando todos estão prontos, partem num trote cadenciado que logo se transforma em carreira". E prossegue nas suas Reminiscências de viagens e permanência no Brasil". [14]

O trabalho metodista, contudo, foi interrompido. Daniel Kidder voltou aos EUA, em 1840, após a morte de sua esposa, e Spaulding voltou em 1841.

Só em 1867 chegou o pastor metodista Junius Newman. Apesar dele ter morado em Niterói e ter permanecido por dois anos nessa cidade, ele só organizou a primeira Igreja Metodista no Brasil, em 1871, em Saltinho, SP. Quando chegou o Brasil estava em plena guerra com o Paraguai (1865-1870).

A primeira cidade onde a Igreja Metodista se estabeleceu definitivamente no Estado do Rio de Janeiro foi na Capital (Rio de Janeiro), chamada a Corte, em 1878, na Rua do Catete.

Só doze anos depois foi organizada uma nova Igreja Metodista no Estado do Rio, em Paraíba do Sul (1890). Dois anos depois, em Barra Mansa (1892). Mais outros dois anos, Jardim Botânico (1894); depois em Petrópolis (1895) e Anta, Chiador e Vargem Alta (1898).

Depois de o metodismo chegar na Corte, foi aberto um ponto de pregação, em Niterói e em Santana, em 1878. Outros trabalhos também foram abertos na Corte: em Santa Tereza e Botafogo (1891) e na Rua Riachuelo (1894).

Enquanto na Corte, com  300 mil habitantes,  nascia D. Luis, filho da princesa Isabel, e  Benjamim Constant lecionava matemática para os netos de Dom Pedro II, na mesma cidade do Rio de Janeiro e no mesmo ano de 1878 nascia o metodismo com cultos dirigidos pelo rev. Ransom, mas a primeira Igreja Metodista organizada só aconteceu em 1881 - a igreja do Catete, e a primeira capela foi construída em 1882.

Nesse período nem tudo estava em paz na Corte, pois os republicanos, a partir de 1878, ganharam  mais independência e identidade em sua luta pela república.

  

 

O metodismo entre 1878 e 1900

 

 

A situação no Rio de Janeiro

A iluminação a gás, no Rio de Janeiro, chegou a partir de 1854. A cidade se modernizava com o telégrafo, abastecimento de água domiciliar e medidas a favor da higiene.

Na cidade do Rio de Janeiro surgiram os grandes líderes do país e dela saíram as principais ideias que iriam influenciar o país. “Em 1880, políticos e intelectuais importantes, como Joaquim Nabuco e José do Patrocínio, criam, no Rio de Janeiro, a Sociedade Brasileira contra a Escravidão, que estimula a formação de dezenas de agremiações semelhantes pelo país.”[15]

A população da cidade duplicou, entre 1872 e 1890, passando a ter um crescimento desordenado. Com a libertação dos escravos, muitos estrangeiros vieram para o país e muitos ex-escravos escolheram o Rio de Janeiro para morar. Além disso, com a seca no Nordeste (1877-1879) morreram cerca de 300 mil pessoas e muito migraram para a Amazônia e região Sudeste.

A febre amarela dizimava grande parte da população do Rio de Janeiro.

O metodismo tem início no Rio de Janeiro

No meio dessa agitação social e política, o metodismo chegou definitivamente ao Brasil, em 2 de fevereiro de 1876, com o rev. Ransom, superintendente da Missão Brasileira. Ele primeiro foi ter contato com o rev. Newman e procurou estudar o português. Nesse período, lecionou inglês e grego no Colégio Internacional fundado pelos presbiterianos, em Campinas. Só um ano depois procurou saber os “melhores pontos para o estabelecimento do seu trabalho.”[16]

J.J. Ransom chegou a ir ao Rio Grande do Sul, mas optou pelo Rio de Janeiro: “O rev. Ransom fixou residência no Rio de Janeiro, arredando por dois anos uma boa casa, sita a rua do Catete, nº 175, hoje reformada. Nessa casa, aos 13 de janeiro de 1878, começou a dirigir cultos na língua inglesa, e a 27 do mesmo mês, em português.”[17] 

Nesse mesmo ano, ele abriu também um “ponto quinzenal de evangelização em Santana, e outro em Niterói. Nesta cidade, o local não era o mais convincente, mas como não havia outro, e a casa era gratuita, achou por bem prosseguir.” [18]

As dificuldades

 Além de não saberem o português e enfrentarem constantes enfermidades que exterminavam muitos missionários metodistas, havia ainda outras dificuldades: “Nesse tempo, a Corte Imperial tinha uma população de uns 300 mil habitantes e, em geral, o povo dava pouca importância a religião, talvez, indiferente à pregação do rev. Ransom (...). A congregação do rev. Ransom, nesses primeiros dias, constava de umas quarenta pessoas.”[19]

Mais a frente, o missionário metodista K.L.Kennedy afirmaria que a indiferença ao evangelho era uma das maravilhas do século.

A mensagem dos missionários metodistas estava impregnada da ênfase na  mensagem da cruz, a ênfase pietista: “Recentemente chegou o Rev. Hugh C. Tucker, que tem dedicado os seus dias a pregar o Cristo crucificado aos contritos de coração e liberdade aos cativos.”[20]

Até mesmo o lado afetivo não tinha um maior apoio. Quando o missionário J.L.kennedy desejou se casar e pediu autorização para viajar, não obteve autorização da liderança metodista dos EUA.

A oposição ao Evangelho por parte da Igreja oficial era vista com perplexidade pelos missionários metodistas. Pela Constituição do Império, de 1824, o catolicismo era a religião oficial.

Os primeiros membros

Tanto em Saltinho, SP, como na Corte, os missionários procuraram primeiro os estrangeiros até mesmo pela dificuldade de falarem o português. A organização da Igreja do Catete aconteceu assim: “Dentre os elementos estrangeiros da população carioca, o sr. Ransom organizou a primeira Igreja Metodista dessa cidade, constando das seguintes pessoas: Mrs. Emma Dawson, Mr. H. W. Hilliard, Ministro Plenipotenciario dos estados Unidos junto ao Governo brasileiro; Mr. John Mc Gee, Dr. Sam D. Rambo, Mr. W.T. Rainey e Miss Mary Watts, perfazendo seis ao todo”.[21]

Os primeiros metodistas brasileiros chegariam logo. O missionário J.L. Kennedy afirma: “A Escola Dominical durante esse ano matriculou cinqüenta alunos. Pelas informações que pudemos colher, foi a 9 de março de 1879 que o sr. Ransom recebeu os primeiros brasileiros em a nossa Igreja, a saber, o sr. ex—padre Antonio Teixeira de Albuquerque, e a senhorinha Francisca de Albuquerque, sendo ambos recebidos sob o seu batismo romano.” [22]

Para alegria dos líderes, uma nova família chegou para a igreja: “No mês de Julho de 1879, mais quatro brasileiros foram recebidos. Estes eram membros da família Pacheco.”[23]

Em 1880, após a morte de sua esposa, Ransom foi aos EUA e teve  oportunidade de falar em várias Conferências despertando o interesse para a obra missionária no Brasil. Em sua volta, 1881, trouxe consigo o rev. J.W.Koger, esposa e filhinho, Martha Watts e o rev. J.L.Kennedy. Koger e Martha Watts fixaram residência em Piracicaba, J.L.Kennedy, no Rio de Janeiro.

Além de todas as dificuldades, os obreiros, no início, eram poucos: “J.L.Kennedy foi chamado a dedicar-se aos trabalhos da nossa igreja na Corte do Brasil, cooperando com o rev. Ransom, que até essa data era o único obreiro clérigo da Igreja metodista nessa vasta cidade.”[24]

Ransom e Kennedy residiam no Hotel Santa Tereza e tinham uma vista linda da baia da Guanabara. “Na falta de Casa de Oração, esses missionários se limitavam a estudos, à escrita, a visitas de casa em casa, e, simultaneamente, à fiscalização das obras da nova construção da primeira Igreja Metodista no Brasil, as quais estavam rapidamente prosseguindo, no largo do Catete.”[25]

As três linhas de ação da Missão Ransom

 

                                         

A missão dos missionários metodistas compreendia três linhas de ação: “a) pregação a viva voz, b) Obra educativa, c) Literatura boa”. [26]

A evangelização era total e incluía a educação. A visão dos missionários era de que estavam sinalizando o Reino de Deus em terra pagã. Para eles, os EUA representavam o Israel de Deus. Como estratégia, ofereciam Bíblias visitando as casas e organizavam escolas com uma educação bem mais avançada atraindo assim famílias ilustres.

Passados três anos, em 1881, “havia 60 membros estrangeiros e 6 brasileiros que residiam na Corte do Império; quatro escolas dominicais, sendo duas na Corte, uma em Santa Bárbara, e outra em Piracicaba”. [27]

Quatro meses depois que chegaram a Piracicaba, em 1881, os novos missionários já deixaram suas marcas: Koger organizou a Igreja Metodista e Martha Watts abriu o Colégio Piracicabano. Antes, ela havia aberto uma Escola Dominical para crianças.

Depois de voltar dos EUA, em 1881, Ransom  teve que reorganizar a igreja que estava dispersa e ver novo local de culto, pois o contrato havia vencido: “Dentro, porem, de pouco tempo eles tomaram casa à rua de Santa Christina, nº 41, no morro de Santa Tereza, a qual servia de residência e também casa de culto, principalmente no idioma inglês. Ali todos os domingos de manhã celebrava-se culto em inglês, a que numerosos americanos e pessoas de outras nacionalidades assistiam religiosamente, e uma escola dominical na mesma língua.”[28]

Havia todo um esforço para ampliar a área de atuação do metodismo apesar da dificuldade com o idioma: “O superintendente da Missão Brasileira, rev. Ransom, era o único representante metodista que poderia pregar em português. Ele havia inaugurado um culto evangélico à rua S. Clemente, nº 39 bairro de Botafogo, onde não existia nenhum crente metodista. Pouco distante dessa sala de cultos descobriu-se a moradia de uma família crente, a qual com certa regularidade assistia aos cultos públicos ali”. [29]

Em 1882, a Missão Brasileira ficou dividida em dois distritos: Rio de Janeiro e São Paulo. A Junta de Missões nomeou o rev. J.W.Koger como novo Superintendente da Missão toda. J.J.Ransom ficou como presidente do distrito do Rio de Janeiro e Koger no distrito de São Paulo.

Foi com entusiasmo que os metodistas viram a inauguração do primeiro templo no Brasil. ”Em setembro de 1882, foi inaugurada a capela da Igreja do Catete (...) como a primeira igreja Metodista no Brasil, e era um edifício de alvenaria, de certa elegância e que proporcionou grande alegria aos poucos crentes da Corte, que assim ficavam abrigados definitivamente no seu próprio templo e não sujeitos aos caprichos de quem lhes alugasse casa”.[30]

Foi um período em que  o metodismo ia sendo normalizado, na expressão dos missionários. A inauguração da capela do Catete “influía muito no espírito e na fé dos crentes dos crentes e na crescente assistência aos cultos públicos daquele lugar”[31].

Passados quatro anos de instalação do metodismo no Brasil, o crescimento era visto como bom: “Na ocasião da abertura desta nova capela, existiam 71 membros, sendo 39 estrangeiros e 32 brasileiros, da Igreja Metodista no Rio e Janeiro, um aumento liquido de 42 membros durante os doze meses imediatamente precedentes”.[32]

Em 1883, J.W.Tarboux chegou ao Brasil e pela urgência da necessidade de novos pregadores  “ foi logo nomeado pastor da congregação estrangeira do Catete, cargo esse que assumiu imediatamente”. [33]

O missionário precisava primeiro se preparar para ministrar no Brasil. J.W. Tarboux “dedicou-se ao estudo da língua portuguesa e também lecionou Inglesa e História no Colégio Progresso, situado no Morro de Santa Tereza, fundado por uma ilustrada senhorinha americana – Miss Leslie. Esse colégio particular gozava de boa fama, era protegido pelas melhores famílias da Corte, e, nesse tempo, a nossa igreja tratava de adquiri-lo e colocá-lo inteiramente ao seu cuidado e direção. Infelizmente, fracassou esse plano”.[34]

Em 1886, o metodismo passa a ser administrado por uma Conferência Anual: “o território da Conferência Anual foi dividido em dois distritos: o do Rio de Janeiro e o de S. Paulo. O do Rio de Janeiro tinha duas igrejas na cidade, com 63 membros e três circuitos em Minas – Juiz de Fora com 31 membros; Rio Novo com 16 candidatos e 3 membros e o de Mar de Hespanha, sem membros professos”. [35]      

O próprio rev. H.C. Tucker abriu um Colégio particular na Corte, em 1887, “porém de todo evangélico, cujos alunos, quase todos, assistiam a escola Dominical.”[36]       

Em 1888, dentro da ênfase da boa literatura, foram publicados dois mil exemplares do catecismo metodista.       

Planejado pela Junta Missionária de Mulheres, no dia 20 de fevereiro de 1888, teve  início as aulas do Colégio do Alto, numa propriedade adquirida na Rua das Laranjeiras sendo a diretora Miss Mary Bruce ajudadas por outras missionárias. As aulas começaram com 21 alunas sendo 8 internas.  A matrícula no ano chegou a 50. Devido a febre amarela no Rio de Janeiro, em 1891, a escola foi fechada.

Dentro da ênfase na obra educativa, em 1889, chegaram duas missionárias: E.V.Yarrell, que foi lecionar na Escola do Alto (na Rua das Laranjeiras), e Lida Howell, no Colégio Piracicabano. [37]                          

Anualmente, a Igreja passou a realizar as Conferências Anuais:

1887: no Catete, sob a presidência do Rev. J.W.Wolling;

1888: em São Paulo, sob a presidência do bispo J.C. Granbery;

1889: no Rio de Janeiro, sob a presidência do Rev. J.W.Wolling;

1890: em Juiz de Fora, sob a presidência do bispo J.C.Granbery, etc

Dentro da linha da Missão Ransom, em 1895, foi fundado o Colégio Americano de Petrópolis. O Bennett, funcionava na Rua Marques de Abrantes, 55 – em regime de internato e externato e “era cheio de alunos”.[38]                                                            

A missão em tempo de mudanças sociais e políticas

 

 

 

A luta pela emancipação dos escravos

A luta pela abolição dos escravos agitava o país. Em 1850, haviam 2.500.000 negros cativos no Brasil e em 1888, 750.000. A abolição não trouxe crise econômica ao país, mas empobreceu diversos fazendeiros que passaram, então,  a apoiar a República. Os imigrantes ocuparam os espaços nas lavouras. Na chegada a 1890, o Brasil tinha 14 milhões de habitantes.

Esse período de luta pela emancipação dos escravos mexia com todos no Rio de Janeiro. Havia uma fermentação no país: criação do Partido republicano (1870); Lei do Ventre Livre (1871); Lei dos Sexagenários (1885) etc. Nas vésperas da proclamação da Lei Áurea, a população escrava era de um pouco mais de 700 mil.[40]

O apoio a libertação dos escravos

Os missionários não foram indiferentes à questão da escravatura, mas agiram moderadamente. Em 5 de maio de 1884, a Igreja Metodista do Catete levantou a quantia de 300$000 para ajudar na emancipação dos escravos no Rio. A quantia foi enviada ao presidente da Câmara Municipal.[41]

Em 1888, ano da libertação dos escravos, o missionário metodista J.W.Wolling alertou a igreja: “Os negros têm tanta capacidade quanto os brancos para entender e praticar o Evangelho (...). Eles devem ser procurados até nas fazendas e receberem o nosso encorajamento e a nossa ajuda.”[42]

O redator do Expositor Cristão, J.L. Kennedy, recomendou, no final de 1889, aos metodistas do sul do país a criação de uma “Sociedade Protetora dos Libertos do Brasil” para ajudar aos negros.

A chegada da República

Os missionários tiveram um tom discreto diante da escravatura e também diante das suas idéias republicanas. “A postura republicana também era discreta, porque os missionários dependiam muito do Imperador e sem sua aquiescência não haveria possibilidade de penetração no Brasil.”[43]

A libertação dos escravos,  em 1888, enfraqueceu e contribuiu para a queda da monarquia, em 1889. A proclamação da República com a nova Constituição de 1891 separou a Igreja do Estado e permitiu a  liberdade de culto aos protestantes que puderam se expandir. Foi com alegria que os missionários viram a chegada da República: “(...) 15 de novembro, até hoje, é o dia mais glorioso na história desta grande nação. Pois este traz mais do que a libertação de consciência, a libertação religiosa.”[44]

A liberdade religiosa veio através do Decreto nº 119-A, de 7 de janeiro de 1890, que declarou o seguinte:

Art. 1º – É proibido à autoridade federal, assim como à dos estados federados, expedir leis, regulamentos ou atos administrativos, estabelecendo alguma religião, ou vedando-a, e criar diferenças entre os habitantes do país, ou nos serviços sustentados à custa do orçamento, por motivo de crenças ou opiniões filosóficas ou religiosas.

Art. 2º – A todas as confissões religiosas pertence por igual a faculdade de exercerem o seu culto, regerem-se segundo a sua fé e não serem contrariadas nos atos particulares ou públicos que interessem ao exercício deste decreto.

Art. 3º – A liberdade aqui instituída abrange não só os indivíduos nos atos individuais, senão também as igrejas, associações e institutos em que se acharem agremiados, cabendo a todos o pleno direito de se constituírem e viverem coletivamente, segundo o seu credo e a sua disciplina, sem intervenção do poder público.

Art. 4º – Fica extinto o padroado com todas as suas instituições, recursos e prerrogativas. (...).

Após a proclamação da República aconteceu a “Revolução Federalista” com o golpe do Presidente Deodoro fechando o Congresso. Posteriormente, ele renunciou assumindo o Presidente Floriano Peixoto (1891-1895). A guerra civil levou mais de 10.000 pessoas a atravessarem a fronteira e também  mais de 12.000  morreram.[45]

Nesses tempos turbulentos, a Igreja Metodista não deixou de evangelizar.

Em 30 de setembro de 1888, na Rua Fernando Guimarães, nº 24 “abriu-se uma nova sala de cultos” e “na Missão de Palmeiras, Estado do Rio, foram organizadas três igrejas”.[46]

A partir da chegada da República, a liderança metodista procurou elaborar novo estatuto e no dia 22 de julho de 1889 foi constituída a Associação da Igreja Metodista Episcopal do Sul com personalidade jurídica. [47] 

 

 

A Missão em tempo de lutas 

         

 

As lutas e perdas

Quando os missionários metodistas chegaram, o Brasil  estava saindo de uma guerra com o Paraguai (1864-1869), na qual mais de 30 mil brasileiros ficaram feridos ou foram mortos.

Os missionários pagaram um alto preço para instalarem o metodismo no Brasil. Se em 1840, Daniel Kidder havia perdido sua esposa Cynthia Kidder de febre amarela, também Junius Newman perderia sua esposa em 1877.[48] Três anos depois, ele perderia também sua filha, Annie.

Outras lutas vieram. Quando Ransom organizou a Igreja Metodista do Catete, em 1878,  imediatamente os padres passaram a taxá-lo de incrédulo ou ateu através do “Apostolo, o mais poderoso jornal da Igreja Romana em todo o Império”[49]. Ele, porém, não se intimidou.

Mas o maior golpe que ele sofreu foi a perda de sua esposa Miss Annie Newman, 24 anos, em março de 1880,  com a qual havia se casado no Natal de 1879. A febre amarela, mais uma vez, ceifava uma vida tão jovem e dedicada à obra do Senhor. Ela havia traduzido o Catecismo da História Bíblica e o Catecismo Wesleyano, nº 3. Ransom, então, decidiu viajar aos EUA e despertar vocações para o Brasil.[50]

Ao passar um ano nos EUA, o contrato do imóvel venceu e o trabalho enfraqueceu. As ovelhas se dispersaram. Foi preciso muito esforço para reagrupar os membros e para encontrar novo local para os cultos o que, afinal, aconteceu em Santa Tereza.[51]

Para divulgar a verdade cristã em tempos turbulentos, Ransom fundou o Metodista Católico, em 1886, chamado depois de Expositor Cristão.

Um grande inimigo: febre amarela

Em 1886, falece o rev. James Koger vítima da febre amarela. A sua morte abalou em muito a Igreja Metodista. Ele havia organizado as igrejas de São Paulo e Piracicaba e era o superintendente da Missão. Os missionários Ransom e Kennedy conseguiram vencer a febre amarela.[52]

A Igreja Presbiteriana também sofreu. O seu pioneiro no Brasil, Rev. Ashbel Green Simonton, faleceu em 1867, vítima de febre amarela com apenas 34 anos. Sua esposa Helen Murdoch havia falecido em 1864.

O próprio Presidente Rodrigues Alves, eleito em 15 de novembro de 1902, perdeu uma filha vítima da febre amarela.

“No período de 1850  a 1902 haviam sido registrados na antiga capital federal, 58.063 óbitos por febre amarela”. [53]  Em1903, essa doença mortal atacou 200 mil pessoas[54]. “Esse surto epidêmico obrigou o Império a tomar providências que podem ser consideradas de saúde pública. O governo, por meio de um decreto, tentou limpar as cidades purificando o ar. Mas, mesmo assim, a febre amarela continuou a atacar. Não se imaginava que a causa da doença era um mosquito. Depois de 1850, ela se tornou endêmica no Rio de Janeiro. O número de vítimas aumentou assustadoramente. Entre 1880 e 1889, foram registrados 9.376 casos.”[55]

No início havia a compreensão de que a causa da febre amarela estava ligada à contaminação do ar. Só mais tarde foi descoberto que a causa era o mosquito Aedes aegypt. Com o médico Oswaldo Cruz ela foi erradicada do Rio de Janeiro.

O ano de 1889 foi de perdas para o metodismo. A missionária metodista Miss Clara Christman nem conseguiu chegar ao Brasil. Foi vítima de “inundação de águas”, uma expressão do Rev. Kennedy. Nesse mesmo ano, o jovem missionário metodista J.J.Mattson faleceu no dia 10 de maio vítima da febre amarela. Ele estava com a esposa e filhinha há apenas 10 meses no Brasil. “Estava fazendo excelente trabalho no Rio de Janeiro.”[56]

Mais duas mortes de pastores abalaram o metodismo. Bernardo de Miranda morreu com uma enfermidade misteriosa em 1891.

Ele foi o primeiro pastor metodista brasileiro ordenado, em 1890, pelo Bispo Grambery.  Ludgero, seu irmão, com esposa e dois filhinhos morreram também, provavelmente, de febre amarela, em 1892, num espaço de duas semanas.[57]

Em 1904, faleceu o rev. Guilherme R. da Costa vítima de varíola. Era pastor nas igrejas do jardim Botânico e Vila Isabel. Seu caráter foi realçado: “Foi ele um lutador dócil e perseverante”.[58]

O metodista H.C. Tucker teve uma participação importante na campanha contra a febre amarela. Entre 1903 e 1908, a febre amarela assolava o país. Tucker, sua esposa e seu primeiro filho, também foram atacados. Preocupado, juntamente com sua esposa, com essa verdadeira tragédia e tendo lido sobre o trabalho do dr. Walter Reed no saneamento de Cuba, Tucker pôs o dr. Oswaldo Cruz em contato com Reed e outros nos Estados Unidos servindo de intermediário durante a campanha de saneamento que livrou o Rio de Janeiro desse flagelo.

Mesmo após Oswaldo Cruz ter vencido a grande batalha, a luta da família Tucker contra a febre amarela continuava. Infelizmente, o primeiro e o único filho homem da família não resistiu ao inimigo e morreu. Tudo indica que essa tragédia levou Tucker a se dedicar, de maneira incansável, para melhorar as condições sanitárias do Rio.[59]

A oposição romana

Depois da Proclamação da República, o tom das mensagens dos missionários metodistas passou a ser mais agressivo: “A partir da Proclamação da República, com a separação entre Igreja Católica e Estado, os metodistas, tal como outras igrejas protestantes, aceleraram suas atividades expansionistas. Com o direito de se constituírem em associações religiosas nacionais, garantido na constituição republicana, redobraram a quantidade de igrejas e estabelecimentos educacionais  no país. Estes fatores conjugados deram às práticas wesleyanas tonalidades agressivas, exteriorizadas principalmente no ataque à religiosidade católica e aos hábitos culturais da população. O histórico discurso comportamental não ficou circunscrito aos seus adeptos e sim divulgados em  veículos de comunicação, para ser lido, debatido, sentido. A utilização da imprensa laica, como forma de espraiar sua moralidade, intensificou-se nas cidades que vivenciavam processos de urbanização. Na ótica metodista, era preciso disciplinar comportamentos tanto quanto “salvar almas”, e esse discurso legitimava o ataque às outras práticas religiosas diferentes do puritanismo protestante. Os clérigos que chegaram em Ribeirão Preto, em 1896, procuravam combater as religiões diferentes, tanto o catolicismo como as mediúnicas, concebidos como obstáculos ao seu projeto salvacionista, pois outras denominações  protestantes que se instalaram na cidade na primeira metade do século XX, apesar de divergências teológicas, não constituíam em ameaças aos wesleyanos.”[60]

Apesar da liberdade religiosa, os protestantes foram muito molestados e perseguidos pela Igreja Romana e pelos mais fanáticos. As hostilidades aconteciam muito em cidades do interior onde os missionários chegavam a ser surrados e esfaqueados como aconteceu com os pregadores Antonio J. de Araújo e J.L. Becker, em Ubá, em 1893: “Lá nas cercanias da culta cidade de Ubá, o diabo estava ´pintando o sete´! Referimo-nos às hostilidades cruéis que romperam contra os nobre e heróicos irmãos, que nessa zona, pregavam o Evangelho”.[61] Apesar das perseguições, o metodismo cresceu em Ubá.

Os missionários consideravam o povo “vítima da ignorância e superstições implantadas em seus costumes nos tempos atrasados e desgraçados por seus próprios pais”. [62]

As dificuldades eram grandes. Havia muita indiferença ao evangelho e também oposição por parte da Igreja Católica.

O missionário metodista Huch Tucker disse: “São espantosas a tirania e a oposição que a Igreja Romana faz ao Evangelho. Para mim é inconcebível como o Brasil civilizado pode suportar tais coisas”. [63]

Sobre a indiferença ao Evangelho, o missionário metodista J.L. Kennedy afirmou: “A indiferença ao evangelho de Jesus Cristo é uma das maravilhas do século atual”. [64] 

 

A importância da ferrovia 

 

O missionário metodista J.J.Ransom escreveu às autoridades da Igreja Metodista Episcopal do Sul, em 27 de janeiro de 1887, colocando as razões dele ter começado a implantar o metodismo na capital do Império. Além do clima, beleza natural da Corte, ele afirmou que “seu porto tem capacidade para receber navios de todo o mundo; dali parte a Estrada de Ferro do Norte (depois Central do Brasil) rumo às províncias de São Paulo e Minas Gerais, e ao longo da qual o Evangelho encontraria um campo excelente.” [65]

Essa importância pode ser vista na recomendação da segunda Conferência Distrital Paulista, reunida em Piracicaba, de 17 a 19 de maio de 1888: “A Conferência recomendou à Conferência Anual que tomasse em consideração a necessidade de se abrir um novo campo na linha da E.F. de S. Paulo e Rio de Janeiro, sendo Taubaté o centro principal.”[66]

“Os trens de subúrbio começaram a circular no Rio de Janeiro em 1866, tracionados por locomotivas a vapor. A cidade crescia aceleradamente ao longo das linhas da ferrovia e suas estações serviam como pontos terminais para o serviço de bonde elétrico que estava sendo implantado, aumentando cada vez mais a demanda de passageiros”.[67]

A linha férrea foi o principal meio que os missionários metodistas encontraram para irem para o interior do estado. Entre as primeiras cidades alcançadas estão Barra Mansa e Petrópolis. Em 1854, a ferrovia chegou Petrópolis e a estação de Barra Mansa foi inaugurada em 1871.

“(...) Em 1867, a linha passava por Andrade Pinto (Distrito de Vassouras) no dia 5 de Maio, Paraíba do Sul no dia 11 de Agosto, e chegava a Entre Rios (Atual Três Rios), no dia 13 de Outubro, encontrando-se com a estrada de rodagem União e Indústria, inaugurada em 1861 e que ia desde Petrópolis até Juiz de Fora. O Barão de Mauá, lutou a todo custo para que a Ferrovia não chegasse a Três Rios, pois prejudicaria, como prejudicou, os interesses da sua E.F. Mauá. Completara assim a "D. Pedro II" 197 quilômetros e logo lançava um ramal para Pôrto Novo do Cunha. Para se chegar em Pôrto Novo, foram inauguradas as Seções até Santa Fé e Chiador no dia 27 de Junho de 1869; até Sapucaia no dia 20 de Janeiro de 1871.”[68]

Assim ficou mais fácil os missionários metodistas chegarem em Paraíba do Sul, (1890), Marra Mansa (1892), Petrópolis (1895), Anta e Chiador, (1898).

Os fazendeiros tinham grande interesse e investiram na construção da linha férrea: “Os fazendeiros de café decidiram, então, mandar construir uma estrada de ferro ligando a cidade a Barra Mansa, local onde passava a estrada Rio-São Paulo, e daí aos portos por onde escoariam a sua produção. ´Constituiu-se portanto, em 1880, a Companhia Estrada de Ferro Bananal, que contratou as obras com José Leite Figueiredo.”[69]

Através da estrada de Ferro Leopoldina Railway, em “28 de fevereiro de 1884 iniciou-se o trabalho para assentamento dos trilhos, o que levaria dois anos, até sua chegada em Meriti (atual Duque de Caxias), em 23 de abril de 1886”.[70]

Na última década do século XIX, várias famílias vieram de Minas Gerais através da linha férrea. Entre estes migrantes estavam alguns metodistas que se fixaram no Sertão, um povoado a 14Km de distância sede da comarca de Barra Mansa, servido pela Rede Mineira de Viação que favorecia o escoamento dos produtos agrícolas das fazendas vizinhas: café, cana-de-açúcar e cereais. [71] Dois anos depois, os missionários metodistas chegaram a Barra Mansa.

A ferrovia contribuía para a expansão cafeeira e atraia imigrantes. “Nos transportes o país desenvolve rapidamente uma rede ferroviária para facilitar o escoamento de seus produtos agrícolas para cidades portuárias. Até 1874 o Brasil tinha aproximadamente 800 milhas de ferrovia. Entre 1875 e 1879 se constróem mais 1,023 milhas. De 1880 a 1884 mais 2,200 milhas são criadas. De 1885 a 1889, outras 2,500 expandem o sistema ferroviário. Nas vésperas da criação da primeira república o país conta com 6,000 milhas de ferrovia. A essa altura, quatorze das vinte províncias brasileiras são ligadas pela rede ferroviária, apesar da maioria das linhas se concentrarem no Sul do país”[72] .

“ Em 1867, a linha passava por Andrade Pinto (Distrito de Vassouras) no dia 5 de Maio, Paraíba do Sul no dia 11 de Agosto, e chegava a Entre Rios (atual Três Rios).[73]  “Para se chegar em Pôrto Novo, foram inauguradas as Secções até Santa Fé e Chiador no dia 27 de Junho de 1869; até Sapucaia no dia 20 de Janeiro de 1871”.[74]

 Foi assim que os missionários puderam chegar em Chiador e Anta (município de Sapucaia) no ano de 1898, e em Laranjeiras (Laranjais): “A estação de Laranjeiras foi aberta em 1881 na Fazenda Laranjeiras. A primeira concessão da E. F. Cantagalo era para que a linha seguisse até a fazenda das Areias, a partir de Cantagalo. Logo depois, foi modificada para que o trajeto novo fosse até a Laranjeiras. A linha de Areias acabou nunca sendo construída. Nos anos 1940, o nome da estação foi alterado para Laranjais”.[75]

Um fato marcante registrado na Conferência de 1910 revela que a estrada de Ferro até mesmo apoiava os missionários: “E mais uma vez as estradas de ferro gentilmente ofereceram carros especiais para a ida e a vinda dos membros das Conferências – a E.F.Mogyana o fez gratuitamente. A Conferência de 1910 manifestou a sua gratidão a essa, às estradas de ferro e às Cias. Inglesa e Paulista por ‘honras dispensadas”[76]

Inclusive, a Conferência Anual Brasileira, reunida em Ribeirão Preto, em 1910, mais uma vez, agradeceu ao inspetor dr.José Pereira Rebouças da   E.E. Mogyana pela concessão grátis do carro especial para a vinda e volta dos membros da Conferência.[77]

 

 

Abertura de trabalhos na capital e no interior 

 

 

Começo da expansão missionária

Na última década do século XIX, o metodismo chegou ao interior do Estado do Rio alcançando as cidades de Paraíba do Sul, Barra Mansa, Petrópolis, Teresópolis, Anta e Chiador.

Os trabalhos em Paraíba do Sul foram abertos em abril de 1890: “Paraíba do Sul, nesse mesmo mês, no dia 16 teve o privilégio de ver inaugurada a pregação regular da Palavra de Deus pelo rev. A. V. da Fonseca, sendo nesse mesmo ano organizada a igreja com 35 membros”. [78]

Nesse mesmo ano foi aberto também trabalho em Vassouras por J.E.Tavares.

Já na Corte, nesse período, foram abertos trabalhos no Jardim Botânico e na Rua Riachuelo. Ainda em 1890,  “no Rio, as congregações brasileira e estrangeira, a cargo do rev. Wolling, apresentavam também índices de progresso”. [79] 

Em 1891 havia no distrito do Rio de Janeiro sete cargos pastorais. “Foi resolvido dividir o distrito do Rio de Janeiro em 2 e começar trabalho no Estado do Espírito Santo.”[80]

Em 1892,  a sétima sessão da Conferência Anual anunciava o crescimento da obra no Brasil: “O número de batismos de adultos foi mais do que o dobro; houve aumento líquido de dez por cento nos membros da Igreja; as escolas dominicais tiveram aumento de 25% em alunos e em coletas um incremento de cerca de 100%”.[81] Houve ainda grande aumento na assinatura do Expositor Cristão e seu número quase triplicou.

Em 1892, o metodismo tinha na cidade do Rio de Janeiro 56 membros brasileiros e mais 41 membros na congregação estrangeira.

 “Nessa conferência planejaram a abertura do trabalho na capital do Estado do Espírito Santo e em Petrópolis, isto só ficou em planos, no entanto o rev. Joiner encentou trabalho no bairro do Jardim Botânico”.[82]

Em 1893 foi aberto um campo na “Saúde”, Rio de Janeiro, por R. de Carvalho

1894, organizada a Igreja do Jardim Botânico

Na capital da República,  “no dia 3 de março desse ano, foi organizada a Igreja do Jardim Botânico, com 11 membros por J.E.Tavares, que naquela ocasião tinha o cargo da Missão do Rio. Já no ano de 1894, o rev. Joiner tinha iniciado trabalho nesse bairro, com resultados esplendidos.”[83]    

Da compra do terreno e a conclusão da construção do templo passaram-se quatro anos. “O terreno onde a IMJB foi construída foi comprado de D. Francisca Fernandes Pinto, em 24 de agosto de 1.904, pelo valor de CR$ 2:025 000 Réis, conforme registro no Tabelião A. Tupinambá - Rua do Rosário, 64. A venda foi feita para a Associação da "Egreja Methodista Episcopal do Sul".[84]

“O templo da IMJB teve sua construção iniciada em 1.907 e concluída em 1.908. Toda a madeira foi importada da Europa (pinho de riga), com exceção do aumento da igreja. Todas as telhas foram importadas da França - Marselha. O cimento usado também foi importado, provavelmente da Inglaterra. O telhado foi feito com forte aclive, semelhante aos países onde a neve no telhado pode provocar sérios problemas de acumulação. No pavimento inferior, as paredes têm um metro de espessura. Os vitrais atualmente existentes foram colocados há cerca de vinte anos, em painéis de aço, para substituir as velhas janelas de madeira que, após 80 anos e com grandes vãos, não resistiram ao tempo. A pedra fundamental nunca foi removida, e não se sabe se contém uma caixa metálica lacrada com os documentos da época. Essa pedra fundamental, possivelmente, está na parte da frente, no canto esquerdo, onde se pode notar uma pedra lavrada diferentemente das outras”.[85]

Metodismo avança para o interior

Em 1895, “à Rua Riachuelo, Rio de Janeiro, por E. A.Tilly, foi aberto um bom trabalho evangelístico; no circuito de Barra Mansa funcionaram 4 escolas da igreja, cujas aulas eram noturnas por amor das famílias dos colonos de fazendas diversas, e havia mais seis escolas paroquiais em outros campos”.[86]         

Em dezembro de 1895, foi organizada a Igreja Metodista de Petrópolis com onze membros, sendo 9 por carta demissória e 2 que vieram da Igreja Fluminense. Era então pastor da igreja e presbítero presidente do Distrito do Rio, J.L.Kennedy.

Para se chegar a Petrópolis, atravessava-se a baía, de barco, até Porto Mauá; daí, seguia-se de trem até à Raiz da Serra; em seguida, subia-se a serra em diligência puxada a cavalos.

Mais tarde, a diligência puxada a cavalos é substituída pela estrada de ferro Príncipe Grão-Pará (a Leopoldina Railway), o primeiro trem a subir uma serra brasileira. [87]

O metodismo chegou em Teresópolis, em julho de 1897, com o pastor José de Mello entrando estrategicamente em contato com estrangeiros na Colônia Alpina. Os primeiros membros recebidos eram suíços e ficaram arrolados Igreja Metodista em Petrópolis, dentro do sistema de paróquia da época.

Em 1898, “nos fins de novembro foi, pela primeira vez,  pregado o Evangelho em Anta e Santo Antonio do Chiador pelos revs. Tarboux e Lander”. [88]      

Em 1898, o metodismo continuou avançando: “Em setembro, em Santo Antonio do Chiador, estado do Rio, o dr. Tarboux organizou a Igreja de Betel com 25 membros.”[89] 

 

 

A estratégia de chegar às fazendas   

 

 

Os fazendeiros, chamados de “barões do café”, formavam a elite do Império. “Com seu dinheiro, depositado nos bancos de Londres, chegaram a avalizar empréstimos feitos pelo Brasil para enfrentar a Guerra do Paraguai. Financiaram a construção da Estrada de Ferro Ramal Bananalense - que passava pelas fazendas mais ricas e iam até Barra Mansa, no Rio de Janeiro - e trouxeram uma estação ferroviária inteira da Bélgica.” [91]

Alguns fazendeiros, desiludidos com a Igreja Romana, abriam as portas para os missionários, outros, em crise com o declínio do café, buscavam a  solução para seus problemas e a salvação de suas vidas.

Os missionários chegaram ao interior do estado, como Paraíba do Sul, Barra Mansa, Petrópolis, Teresópolis, Anta e Chiador depois da libertação dos escravos, em 1888. Um momento propício para a pregação do Evangelho. Acostumados aos títulos de “coronéis” e ostentando toda uma pompa, os fazendeiros tinham perdido grande poder por não terem mais a mão-de-obra dos escravos e com o consequente enfraquecimento da produção do café proporcionado fortes reflexos sociais e a desorganização da economia de todo o Vale do Paraíba. Eles sem sentiam sem rumo já sem a fortuna do chamado ouro verde.

Os filhos dos grandes fazendeiros não conseguiriam manter as fortunas herdadas dos pais. As pastagens para criação de gado tomaram o lugar dos cafezais.

Os missionários chegaram no momento certo. A estratégia era  pregar Jesus que oferece o perdão, paz e uma nova vida. O fazendeiro ao se converter abria as portas para o evangelho ser pregado.

 Foi assim em Juiz de Fora com o missionário J.W. Tarboux, em 1891:

 “No dia 24 de outubro, acompanhado por nosso irmão Pinto de Almeida, fui às fazendas situadas perto de Sarandy. Na noite do mesmo dia tivemos culto com boa assistência em casa do Sr. Major Theophilo (...). Domingo de manhã nos dirigimos a fazenda de Sant´Ánna, aonde celebrou-se um culto, no qual o estimado dono, na presença de uma numerosa congregação, fez profissão de sua fé em Cristo e foi recebido como membro da Igreja.”[92]

Origem do metodismo em Barra Mansa

“Na Segunda metade do século XIX, muitas famílias de agricultores vieram de Minas Gerais (Caipó, atual Rio Novo), em busca de melhores condições de vida trabalhando nas grandes fazendas desta região do Vale do Paraíba.

Por volta de 1890 entre estes migrantes chegaram alguns metodistas, membros de uma família OLIVEIRA. Fixaram-se no Sertão, um povoado a 14Km de distância sede da comarca de Barra Mansa, servido pela Rede Mineira de Viação que favorecia o escoamento dos produtos agrícolas das fazendas vizinhas: café, cana-de-açúcar e cereais.

Aqueles homens e mulheres lavraram e semearam a terra tirando dela seu sustento, o pão que nutria muitas vidas. Deus dava o crescimento a sua lavoura e abençoava o trabalho que lhes calejava as mãos. E semeavam também a Palavra do Evangelho. O solo era difícil. Havia intolerância e perseguições por parte dos adeptos da Igreja Católica Romana. Mas continuaram a semear... e o senhor da seara abençoava o seu labor. Logo vieram alguns frutos.

Em 1892, FRANK WIDREHEKER, jovem de 27 anos, foi nomeado pregador local para atender ao grupo de irmãos do Sertão. Veio com sua esposa Emília, juntando-se aos Oliveira no trabalho. No dia 1º de Maio de 1893, foi oficialmente organizada a Igreja Metodista do Sertão de Barra Mansa. Foi a Segunda Igreja Metodista no Estado do Rio de Janeiro (a primeira foi a do Catete, em 1882).

Era presbítero presidente (o superintendente distrital de hoje) Edmund A Tilly, missionário americano. A congregação foi composta pelo pregador local (Frank) e sua esposa, os oito membros da família Oliveira já professores e mais 14 novos convertidos que foram recebidos por batismo e profissão de fé, no total congregavam 24 membros.

Neste mesmo ano de sua organização, a Igreja passa a ser dirigida por Hermam Gartner. E os metodistas pregam e testemunham, reúnem-se nas casas dos colonos morando em fazendas, separadas por distâncias que eram vencidas a pé ou no lombo dos animais pelas estradas e caminhos lamacentos. Pessoas se convertem e núcleos de pregação se organizam por muitos pontos da vasta região rural”.[93]

O pastor e historiador J.J.Kennedy completa dizendo: “Em maio, no dia primeiro foi organizada a Igreja metodista de Barra Mansa, com 9 membros, sendo recebidos mais 14 naqueles mesmos dias, fazendo um total de 24, sendo 23 por profissão e batismo e um por carta demissória. Nessa mesma ocasião foi organizada a Igreja do Dr, Astolpho por J.W.Tarboux e Araujo Filho.”[94]    

Em 1897 é inaugurado o templo em Barra Mansa: “Aos 26 do mesmo mês (março), na Fazenda do Sertão, Barra Mansa, foi inaugurado o templo metodista, sendo pastor daquele circuito o irmão A.  Cardoso da Fonseca. Foi nessa ocasião muito solene em que assistiram a pregação do Evangelho mais de trezentas pessoas e houve muita alegria. Essa fazenda era de propriedade do irmão major Quintino José de Medeiros, o qual deu a Igreja o terreno em que foi edificado o templo.”[95]    

A conversão do Major Quintino José de Medeiros

 

Este major era influente na região e pertenceu à Câmara Municipal. Veja a composição com seu nome, em negrito, abaixo: 

19ª CÂMARA MUNICIPAL (1898-1901)

“Cel. José Caetano de Oliveira, Major Quintino José de Medeiros, Cap. Vasco Gomes de Oliveira Campbell, Cap. Manuel Vicente dos Reis, Dr. José Vieira Braga, Dr. Raul de Resende Carvalho e Dr. Manuel Ferreira de Matos - Vereadores Gerais; Cap. Bernardino de Brito, Cap. Luís Ferreira Franco, Monsenhor Manuel Fernandes Lustosa de Lima, Domiciano Roddrigues de Faria, Cap. Antônio Ribeiro da Fonseca - Vereadores Distritais”.[96]

Mais à frente, na composição da Câmara, ele apareceu como Tenente-Coronel. Veja em negrito:

 

20ª CÂMARA MUNICIPAL (1901 - 1904)

“Cel. José Caetano Alves de Oliveira, Dr. José Pinto Ribeiro, Dr. José Vieira Braga, Major Eng. Ari Fontenele, Cel. Afonso Borges Rodrigues, Major José Isidro Teixeira Leite e Ten.Cel. Jeremias Teixeira de Mendonça - Vereadores Gerais; Ten.Cel. Quintino José de Medeiros, Henrique José Nunes Vieira, Cap. Luís Ferreira Franco, Major Antônio de Carvalho, Cap. Antônio Ribeiro da Fonseca e Manuel Moreira da Silva - Vereadores Distritais.”[97]

A história de sua conversão foi bela e importante para os metodistas. “Ele era proprietário de uma fazenda da Região. Converteu-se pelo testemunho de alguns colonos e pela pregação de J. L. Kennedy, mas era impedido de ser batizado e tornar-se membro da Igreja porque explorava a fabricação e comércio de Aguardente.

Após ser instruído sobre o assunto e na disciplina da Igreja Metodista, teria que fazer uma opção. Ele a fez de surpresa, num dia de culto, chamou os irmãos e diante de todos, ordenou a destruição dos barris de cachaça e ele, pessoalmente, ajudou a quebrar as instalações do alambique. No mesmo dia, foi recebido à comunhão da Igreja.

Em 1897, o Major Quintino doou à Igreja um terreno para a construção de um templo, o que foi feiro com a participação de todos. Este templo foi inaugurado em 1898 num Culto que contou com a presença de mais de 300 pessoas e, segundo os historiadores, media 200m².[98]

Sua ajuda a Igreja foi grande. Em 1899 foi realizada a Conferência Distrital do Rio de Janeiro, na Igreja do Sertão, Barra Mansa: “os trabalhos das Conferências foram muito animados, para o que contribuíram muito as exmas famílias do Cel. Quintino J. de Medeiros e sr. Antonio Serra, e outras da vizinhança”.[99]

Na virada do século, a  região do Sertão, Volta Redonda e de outros lugares entrou em declínio. “A cultura do café entrou em declínio no Estado do Rio de Janeiro e o povoado de Santo Antônio da Volta Redonda iniciou um acelerado processo de decadência, com o abandono total de diversas fazendas e a consequente desvalorização do preço médio de suas terras.”[100]

Muitas famílias foram embora. Houve declínio na Igreja Metodista e algumas famílias se mudaram para a vila de Barra Mansa onde vieram a organizar a Igreja Metodista.     

O metodismo na origem de Laranjais

Os missionários metodistas chegaram a Laranjais (Laranjeiras), em 1898, através da linha férrea: “A estação de Laranjeiras foi aberta em 1881 na Fazenda Laranjeiras. A primeira concessão da E. F. Cantagalo era para que a linha seguisse até a fazenda das Areias, a partir de Cantagalo”.[101]

A Igreja Metodista está na origem da cidade de Laranjais. “O território do atual distrito de Laranjais pertenceu ao município de Cantagalo, quando era atrelado ao distrito de Santa Rita do Rio Negro, e neste se localizava a Fazenda de Laranjeiras, vendida pelo Barão de São Clemente a Álvaro Ferreira de Morais e que foi, sem dúvida, o verdadeiro embrião do hoje 2° Distrito de Itaocara, Laranjais. "Seu Ferreira, como era conhecido o fazendeiro, metodista praticante, doou uma área grande da sede da fazenda à Igreja Metodista que a loteou, reservando para si o domínio direto, cujo foro ajudou a sua mantença. Assim foi povoado aquele território banhado pelo ribeirão das Areias, cujas inundações periódicas tornaram fertilíssimas suas terras marginais.”[102]

Em 1943, Laranjeiras teve o nome modificado para Laranjais sendo o 2º distrito de Itaocara.

 

A estratégia junto às colônias estrangeiras

 


Os missionários quando chegaram ao Brasil procuraram as colônias estrangeiras. Foi assim com Newman, em Santa Bárbara, SP, e com Ransom, no Rio de Janeiro.

Os motivos eram, pelo menos, dois: alcançavam os que falavam a mesma língua e, geralmente, a maioria dos estrangeiros era protestante.

Os estrangeiros chegaram em Teresópolis em1820. O primeiro núcleo de colonização européia foi estabelecido por George March, o anglo-lusitano, juntamente com outros cidadãos britânicos, os quais, implantaram, na região, a Fazenda dos Órgãos, ou a Fazenda de March, como era mais conhecida.[104]

Um dia, Dr. Emílio Augusto Goeldi, naturalista e escritor, depois de visitar Teresópolis, trouxe da Suíça seu amigo Henrique Pfister para fundar a Colônia Alpina em Santa Rita, Teresópolis.[105]

Foi assim que o pastor metodista José de Mello chegou  na Colônia Alpina e recebeu os primeiros membros metodistas em Teresópolis, em julho de 1897: Enrique Pfister, Luiza Pfister, Luiza Pfister (filha), Elisa Dumard, Carlos Dumard e André Gueldi. [106]Todos suíços.

Dois anos mais tarde, o pastor metodista de origem alemã – Hermen Gartner – recebe os seguintes membros em Teresópolis, no dia 12 de junho de 1899: Francisco Antonio Féo, Maria Madalena Féo, Maria dos Anjos Teixeira e Tereza Maria Freitas. No dia 13 de junho foram recebidas as seguintes pessoas: Sebastião Antonio da Silva e Leopoldina Fernandes da Silva.[107]

Menos de um ano depois, o pastor Edmund A.  Tilly, pastor em Petrópolis, recebe no dia 6 de maio de 1900, os seguintes membros por Certidão: Carlos Pflaum, Margarida Pflaum, Miguel Pflaum, Carlos Pflaum Junior. [108] 

Tudo indica que no início havia boa assistência dos pastores e missionários aos membros de Teresópolis. No seu relatório sobre o estado geral da Igreja, o pastor Edmundo A  Tilly afirmou em 11 de maio de 1899: “Nossa Causa está fazendo progresso na Colônia Alpina, e temos um novo campo em Teresópolis que promete muito.”[109]

Em 11 de março de 1900, o pastor afirmou: “O trabalho em Teresópolis, na Colônia Alpina, e aqui em Petrópolis é esperançoso.”[110] Foi assim que dois meses depois a família Pflaum foi recebida como membro da Igreja. O pastor Guilherme R. da Costa disse em 10 de novembro de 1902: “Fomos uma vez à Colônia Alpina em Teresópolis, onde foram batizadas as crianças Anibal e Adélia, filhos dos casais de irmãos nossos.”[111]

Na época, em Teresópolis, havia cerca de 17 membros. Não entendemos porque a liderança metodista não organizou a igreja em Teresópolis. Era comum organizar igrejas com poucos membros. A Igreja em Petrópolis foi organizada, em 1895, com onze membros. O fato é que Teresópolis era de difícil acesso. No princípio para chegar lá era preciso pegar a barca a vapor no porto do Rio de Janeiro e navegar umas três horas até o porto de Piedade, na baixada. Depois era necessário caminhar mais umas três horas na liteira ou mulas até a Raíz da Serra (Guapimirim). Por fim, era preciso descansar ao pé da serra para depois subir de mulas a serra durante mais três horas,

Outro caminho para ir a Teresópolis era por Itaipava, em Petrópolis. Muitas vezes, avisado por carta ou telegrama, Francisco Féo ia até Itaipava buscar o  pastor. Na volta para Petrópolis, os Pfister levavam o pastor a cavalo até Pedro do Rio onde ele pegava o trem.[112]

“Em 1859, a Viação Therezopolitana dava início às suas viagens, com frota de 16 carros, entre liteiras e carruagens, no transporte de pessoas e de cargas, na Baixada e na Serra. Dezessete anos depois, era construída a Estrada de Ferro.”[113]

A estrada de ferro Piedade-Raiz da Serra ficou pronta em 1896. Em Teresópolis só chegou em 1908. A estrada Teresópolis-Itaipava ficou pronta, precariamente, em 1898. Somente em 1923 a estrada de ferro Rio-Teresópolis ficou pronta. A rodovia Rio-Teresópolis foi inaugurada em 1959. 

Isso explica a razão dos metodistas de Teresópolis estarem arrolados no Livro de Rol de Petrópolis de onde eram membros. No seu relatório, em 19 de maio de 1901, o pastor Guilherme da Costa disse: “A este lugar como a Teresópolis não podemos ir mais cuidadosamente por falta de meio e escassez dos nossos recursos e dos da Igreja.“[114]  

 

 

O metodismo avança no final do século XIX 

 


Igreja Metodista em Petrópolis

 

A Guerra do Paraguai, a Campanha Abolicionista e a Proclamação da República  tiveram grande influência na mudança da cidade do Rio de Janeiro e “no próprio estilo de vida do carioca, isto é, sobre a sociedade de então. Por exemplo, a falta do trabalho escravo nas velhas mansões apalacetadas do Segundo Reinado, vivendas que possuíam imensos jardins e numerosos cômodos a zelar, obrigou muitos nobres senhores a se desfazerem das mesmas. O próprio Governo Provisório comprou alguns desses palácios e os utilizou para suas repartições públicas. Tal foi o caso do Palácio Itamarati, transformado, depois, em Ministério das Relações Exteriores, onde hoje funciona o Museu Histórico e Diplomático do Palácio Itamarati.” [115]

A mudança do sistema de Governo monárquico para republicano ajudou na democratização das moradias. “O desaparecimento da classe nobre igualou os cidadãos da nova República e, as grandes chácaras da Tijuca, Andaraí, Botafogo e Laranjeiras foram loteadas, exigindo menor número de serviçais. As que se mantiveram foram ocupadas por hotéis, colégios, asilos, prédios públicos e, quando muito desvalorizadas, se transformaram em "cabeças de porco" ou "cortiços."[116]

“A cidade crescia para os lados do mar, na zona sul, de maneira a arejar mais o centro. Em 6 de julho de 1892 a Companhia Ferro Carril Jardim Botânico abria o primeiro túnel para ligar o Centro ao longínquo bairro praiano de Copacabana”.[117]

Por outro lado, a febre amarela continuava a eliminar grande parte da população, nesse período.

Além disso, “o Rio de Janeiro enfrentava graves problemas sociais, decorrentes, em larga medida, de seu crescimento rápido e desordenado. Com o declínio do trabalho escravo, a cidade passara a receber grandes contingentes de imigrantes europeus e de ex-escravos, atraídos pelas oportunidades que ali se abriam ao trabalho assalariado. Entre 1872 e 1890, sua população duplicou, passando de 274 mil para 522 mil habitantes.”[118]

As igrejas se estruturam

A presença do bispo Granbery presidente das Conferências de 1886, 1888 e 1890, “pela sua sabedoria e tino administrativo, deu rumo inteligente a Igreja no Brasil”.[119]

A expressão “relatórios animadores” passou a ser uma constante no metodismo brasileiro, no final do século. No ano de 1892, foi dito sobre as Missões Nacionais: “É com prazer que vos apresento os seguintes fatos e algarismos: a nossa Causa tem feito progresso maravilhoso. Pastores e povo estão se tornando mais interessados na questão do sustento próprio. Se o progresso continuar assim em proporção do ano p.passado, dentro em pouco tempo teremos numerosas igrejas sustentando-se a si mesmas (...) Houve grande aumento no número de assinantes do Expositor cristão”.[120]

Em 1894, a Igreja teve motivos de se alegrar: “O número de membros e pregadores excedeu, pela primeira vez, de um milheiro. Havia então 1097 membros”.[121]

No metodismo brasileiro, depois da igreja local ser organizada,  com as conversões que ocorriam, aos poucos elas iam se estruturando.

No final do século XIX ocorreram as primeiras organizações da  Liga Epworth,  Sociedades Jóias de Cristo e de Senhoras nas igrejas metodistas do Estado do Rio:

1898 - “A 21 de fevereiro, foi na Igreja Metodista de Petrópolis organizada com 17 membros a Liga Epworth pelo pastor E. A Tilly”.[122]   

1898 – “Esta Conferência oficialmente reconheceu os novos campos de trabalho: Missão V.Isabel, Rio de Janeiro, circuitos de S.Roque, Batataes e Casa Branca”. [123]   

1900 - “No dia 22 de fevereiro de 1900, foi inaugurada a nossa nova sala de cultos, sob a direção do rev. Dickie, no Jardim Botânico”.[124] 

1900 - “Em princípios desse mês  de janeiro, foram organizadas na Igreja do Sertão, Barra Mansa, E. do Rio de Janeiro, uma Liga Epworth e uma Sociedade de Senhoras”. [125]       

1900 - “Em Junho, na cidade de Petrópolis, foi organizada uma Sociedade de Jóias de Cristo, a segunda no Brasil”. [126]          

 

“Em princípios de maio, J.L.Kennedy, então p.p.Distrito do Rio de Janeiro, organizou o novo circuito de Estada Nova, com quatro lugares de culto e pregação e 37 membros, incluindo neste circuito a nova Igreja de Vargem Alta com dez membros”. [127]

Os cinco primeiros membros recebidos em Vargem Alta, no dia 12 de maio de 1900, pelo rev. J.L. Kennedy, foram: Joaquim Lopes Martins; Clara Martins Lima; Antonio Martins Primo; Etelvina Maria Leal e Sebastião Ferreira Leal.[128]

Um avanço controlado

O avanço do metodismo era lento e bem estruturado. Depois de vinte e dois anos, essa era a situação do metodismo no Brasil: “O ano conferêncial de 1900 começou com 24 ministros itinerantes, 7 pregadores locais, 2774 membros professos, 34 igrejas organizadas, 12 casas de oração, 5 residências pastorais, 23 templos e salões, 10 colégios e escolas paroquiais, tendo todas estas propriedades o valor de 770:601$. Havia 3 Ligas Epworth com 217 membros, 49 Escolas Dominicais com 166 professores e oficiais e 1694 alunos”. [129]    

Um fato marcante, na Conferência de 1900, foi a aceitação do ex-padre Hypólito de Campos como  pastor metodista. Ele havia se convertido com as pregações do Rev. J.W.Tarboux, em Juiz de Fora, tornando-se grande evangelista.[130]

Pelo menos, três fatores são citados pelo relativo sucesso das missões protestantes no Brasil: “Pelo menos três fatores externos (contextuais) são citados nessa pesquisa: primeiro, a infra-estrutura do país durante o reinado de D. Pedro II, que garantiu aos missionários um maior acesso à população brasileira (a rede ferroviária, o telégrafo, os correios, os jornais e outros meios de comunicação, e a relativa urbanização experimentada pela nação facilitaram o trabalho dos missionários); segundo, seria a condição enfraquecida da Igreja Católica, que criou um espaço alternativo no campo religioso; e terceiro, seria a presença de imigrantes norte-americanos no Brasil, que garantiu uma base de sustentação tanto para os missionários presbiterianos como para os batistas.”[131]

 

 

A missão a partir do século XX

 

 

A situação social

O século XX começa com Rodrigues Alves sendo eleito Presidente da República, em 1902, e com a primeira greve, em 1903, no Rio de Janeiro, por melhoria na qualidade de vida. “O Brasil vivia sob o slogan ´o café dará tudo`. O café era a principal fonte de divisas do país atraindo muitos imigrantes, especialmente, alemães, japoneses e italianos. Em 1890, havia cerca de 200 milhões de cafeeiros em São Paulo, em 1905,  689 milhões e em 1930 chegaria a mais de um bilhão comercializando a metade da produção mundial de café. Com isso, a burguesia do café comandava a política brasileira. O Partido Republicano Federalista era da oligarquia do café.[132]

 A situação social nos campos era injusta e de constante crise. Muitos fazendeiros endividados venderam suas fazendas aos estrangeiros por preços baixos. O salário do trabalhador rural era apenas a metade do salário do operário e 1/28 do salário da maioria dos funcionários públicos, em 1903.

Em 1910, ocorreu a “Revolta da Chibata”, no Rio de Janeiro, quando cerca de 2 mil marinheiros, liderados pelo marinheiro João Cândido, “o Almirante negro”, tomaram os navios de guerra “ o Minas Gerais”. “o Bahia”, “o São Paulo” e “o Deodoro” e apontaram os canhões para pontos estratégicos do Rio de Janeiro exigindo a reformulação do Código Militar e o fim dos castigos corporais (chibatadas) e o aumentos dos soldos. O Governo brasileiro atendeu, mas logo depois se esqueceu da anistia e mandou prender e castigar diversos marinheiros, entre eles, João Cândido, que sobreviveu sendo absolvido no julgamento.[133]

No Rio de Janeiro as mudanças eram grandes. “No início do século XX, na gestão do prefeito Pereira Passos que participara no Segundo Reinado da construção da Estrada de Ferro Corcovado, o Rio sofreu uma grande transformação que lhe daria um aspecto inteiramente modernizado. O presidente da República Rodrigues Alves dera carta branca a Pereira Passos e a seus principais auxiliares: Oswaldo Cruz e Francisco Bicalho. Este foi o construtor do novo Porto do Rio de Janeiro, inaugurado em 1910. Oswaldo Cruz saneou a cidade, acabando com três epidemias terríveis que vinham assolando a população a cada ano: febre amarela, varíola e peste bubônica. Destacou-se, ainda, a figura do engenheiro Paulo de Frontin, encarregado de construir a maior parte das obras projetadas pelo prefeito Pereira Passos.” [134]

Com Pereira Passos, os avanços foram grandes e “atingiram a cidade de ponta a ponta, começando pelo Centro, onde se abriu a Avenida Central, hoje Rio Branco, a mais larga da época. Outras ruas foram rasgadas e, muitas, alargadas na área central; jardins remodelados, outros criados. Os subúrbios, também, foram beneficiados. A Floresta da Tijuca teve seus caminhos alargados, a Avenida Beira Mar foi aberta até Botafogo”.[135]

Evangelização e novas organizações

Na Conferência Anual Brasileira realizada em 26 de julho, em São Paulo, uma proposta  aprovada do rev. H.C. Tucker revela o espírito dos metodistas nesse novo século quando se completava 25 anos de implantação do metodismo no Brasil: “1) tornar-se um aniversário de ações de graças pelas muitas bênçãos que temos recebido do Pai; 2) que todos os membros de nossa Igreja alcancem o mais alto desenvolvimento espiritual; 3) que se convertam a Jesus muitos pecadores”.[136]

O metodismo avançava lançando a semente que iria florescer e gerar futuras igrejas. “O século XX chegou e a Igreja do Sertão estava ativa e florescente. Os pastores e presbíteros presidentes a visitaram periodicamente, com fidelidade e os leigos pregavam por toda parte, continuando a semear... há novos membros espalhados pelas fazendas e povoados e aí é pregado o Evangelho: Rio Claro, Picada dos Índios, Bocaina, Campo Bello, Amparo, Santo Antônio d e Volta Redonda, Antônio Rocha, Quatis... Há registros de 15 pontos de pregação na mesma ocasião.”[137]

Os relatórios eram animadores no metodismo brasileiro. Em tempos de modernidade e progresso, no início do novo século, a Igreja Metodista procurou se estruturar. Nos primeiros 10 anos do novo século houve inauguração de templos, lançamento de pedra fundamental, organização de igrejas e de Liga Epwoth. Destaque ainda para a Missão Central.

Em 1901, no dia 15 de julho, J.L.Kennedy organizou a Igreja de Vila Isabel com 55 membros vindos do Jardim Botânico e Catete. Nessa mesma igreja, no ano de 1902, é organizada a Liga Juvenil com 39 membros e no dia 3 de setembro foi organizada a Sociedade de Senhoras com 19 sócias. Em 22 de novembro de 1903 foi organizada a Liga Epworth com 20 sócios.

Passo a passo o crescimento do metodismo no Estado do Rio de Janeiro foi assim:

Em 12 de fevereiro de 1905 foi inaugurado o novo templo da Igreja de Petrópolis. No dia 12 de abril de 1906 foi lançada a pedra fundamental do Jardim Botânico. “Em Campinho, Estação d. Clara, foi organizada uma Igreja aos 25 de abril desse ano com 16 membros.” [138]       

Em 1906, os relatórios lidos na Conferência Anual Brasileira apontaram um ano de progresso. “No dia 13 de Maio de 1906, Domingo, às 17:00, nas dependências de um salão alugado, que ficava na Rua Acre n.º 17, foi fundado o Instituto Central do Povo pelo Rer. Hugh Clarence Tucker, estiveram presentes cerca de 200 pessoas, começavam assim as atividades da Missão Central, este o primeiro nome pelo qual foi conhecido o ICP. Realizou-se um típico culto protestante, com cânticos, orações, leitura da Bíblia e pregação do Evangelho”.[139]

Em 1907 ocorreram dois fatos importantes: Em princípios de junho, ”foi estabelecido um Dispensário Medico na Missão Central, Rio de Janeiro, onde havia uma escola diária com 32 alunos”.[140] Outra boa notícia, nesse período, é que Oswaldo Cruz conseguiu erradicar a febre amarela do Rio de Janeiro.

Em Entre Rios (Três Rios), num lugar denominado Mato Alegre, foi organizada uma Escola Dominical.[141]

Nesse mesmo ano foi dito, após os relatórios da Conferência Anual Brasileira, realizada na igreja do Catete, que  “a obra frutificava em toda a linha e o progresso era acentuado na vitalidade das Igrejas já pelo incremento de novos conversos, já pela sistematização do sustento próprio”.[142]

Livre da febre amarela, as dificuldades do metodismo eram mais administrativas, especialmente na falta de um bispo residente. Havia uma preocupação, nesse período com as questões  materiais. Por isso, alguns procuraram clamar por avivamento e evangelismo.

No ano de 1908, as igrejas iam se estruturando, na medida em que havia conversões e os membros assumiam a liderança dos trabalhos: Em 18 de outubro de 1908 foi inaugurado o templo da Igreja do Jardim Botânico. Na Igreja do Sertão (Barra Mansa) foi organizada uma Liga Epworth no dia 4 de junho de 1908 com 15 membros. Nesse mesmo ano, “empreendeu-se trabalho em Cabo Frio”[143]  e no dia 3 de setembro foi organizada a Liga Epworth em Campinho com 26 membros. Como registro ainda nesse ano, “no dia 25 de dezembro, foi organizada uma igreja com 14 membros em Moura Brasil, circuito de Paraíba do Sul, por F.R. de Carvalho. Em Cabo Frio foi organizada uma Liga Juvenil com 27 membros e uma Sociedade de Senhoras com 18 sócias”.[144]

No dia 8 de maio foi organizada uma Escola Dominical na congregação de Entre Rios (Três Rios)[145].

No ano de 1910 dois fatos merecem registro: em 15 de novembro  “foi inaugurada uma escola evangélica em Cabo Frio, o que foi feito com alegria e festa”[146]  e “a Missão Central do Povo passou a chamar-se Instituto Central do Povo e estava fazendo um ótimo trabalho entre os marinheiros na cidade do Rio de Janeiro”.[147]

No dia 2 de fevereiro de 1911 foi organizada uma Liga Epworth, em Laranjeiras,[148] pelo pastor Juvenal Pereira. Em Cabo Frio foi organizada uma Escola Dominical com 30 alunos no dia 9 de fevereiro, por J.R.Carvalho. Em abril foi organizada uma Sociedade de Senhoras no Retiro, Cabo Frio.[149]

No dia 13 de agosto de 1911 foi inaugurado novo salão de culto da igreja de Vila Isabel onde passou a ser realizados os cultos até a construção do templo.[150]

Faltavam trabalhadores, mas a obra progredia.

Depois de quatro anos sem ter um fato relacionado a expansão do metodismo que fosse destaque, no ano de 1914 alguns fatos mereceram destaques: em janeiro de 1914 foi organizada a Sociedade Juvenil em Retiro, Cabo Frio. Em março foi organizada a Sociedade de Senhoras, em Cabo Frio, com 26 membros.[151] No dia 19 de julho foram recebidos os dois primeiros surdos-mudos do Instituto Central do Povo.[152]

Nesse mesmo ano, “a Igreja de Campinho foi removida para Cascadura, sob o pastorado de A. C. Cardoso.”[153]

O metodismo se organizava nas igrejas locais, distritos e conferências. Em 1915 o distrito do Rio de Janeiro foi aumentado com Entre Rios (Três Rios), Anta e Porto Novo.[154]

Era época de expansão missionária. Em 1915, a Conferência Anual aprovou a criação da Sociedade Missionária de Senhoras depois de vários estudos.

A igreja fez novas construções e reformou edifícios. No dia 31 de dezembro de 1916 foram inaugurados dois novos salões de cultos: um em Petrópolis, por J. M. Lander,  e outro em Realengo, por Amancio C. Cardoso.[155]

Em 1916 foi lançada a pedra fundamental da Igreja da Estação de Merity, E.F.Leopoldina,[156] atual Duque de Caxias.[157]

A expansão do metodismo era lenta pelas grandes dificuldades da época, inclusive a falta de um bispo residente no Brasil. Por isso, a Igreja passou a lutar pela sua autonomia ocorrida em 1930. Em 1917, a  Conferência Anual, reunida no Catete, fez um pedido às autoridades superiores para que o bispo responsável pelos trabalhos no Brasil pudesse ficar, ao menos, seis meses.[158]



A Missão em tempo de amadurecimento da Igreja

 

 

A Igreja diante das grandes crises

Essa fase do metodismo foi um período em que o país teve grandes crises políticas e viveu em quase total estado de sítio. Com o presidente Artur Bernardes (1922-1926) foi assim.

O proletário trabalhava quase 16 horas por dia e as greves passaram a ser uma constante no país. O próprio órgão oficial da Igreja Metodista - Expositor Cristão - dava destaque às greves apoiando as reivindicações dos trabalhadores. Em 1917 houve uma greve geral em São Paulo com a participação de 45 mil trabalhadores que há 10 anos não recebiam aumento de salário. Em 1920, ocorreu uma greve pacífica em Juiz de Fora com 5 mil pessoas exigindo uma jornada de trabalho de 8 horas e 50% de aumento para os serões (horas extras). O redator do “Expositor”, W.B.Lee, na época, afirmou  que a Igreja “não pode mais ficar calada sobre as questões que tocam, de perto, a vida dos que vivem pelo suor do seu rosto. É a classe esquecida até aqui; é a classe cujos interesses são desprezados ou assaltados...”.[159]

A 1ª Guerra Mundial (1914-1918) deixou 13 milhões de mortos, a miséria e a inflação alta em diversos países. Comparando-se a 1913, a inflação gerada em 1919 foi de: 142% (Inglaterra); 256% (França); 266% (Itália). Os EUA financiaram os países aliados   deixando-os dependentes e consequentemente contribuindo para se tornar uma potência.[160]

Na Conferência Anual Brasileira de 1918, a Igreja Metodista “resolveu comunicar ao Presidente da República o seu apoio de tomar a parte que lhe coubesse na luta do Brasil contra a Alemanha por ocasião da guerra européia”.[161]

Em 1917 teve fim a monarquia na Rússia. Primeiro houve a revolução burguesa, que destituiu o Czar. Depois os bolchevistas liderados por Lênin fizeram uma insurreição e assumiram o poder instalando progressivamente o comunismo.

Entre 1918-1919, ocorreu a epidemia da “gripe espanhola” que matou cerca de 25 milhões de pessoas em todo o mundo, inclusive, no Brasil.

Diante dessa situação, houve uma maior intensidade na busca espiritual. Em 1919, foi criada a Liga de Avivamento pelo Expositor Cristão.

A população do interior do país foi muito oprimida dando surgimento  de seitas místicas e grupos de banditismo como de Lampião, que lutavam por justiça.

Em meio a um crescente nacionalismo no país aconteceu a Semana da Arte Moderna, em 1922 que representou uma renovação de linguagem, a busca de experimentação, a liberdade criadora e a ruptura com o passado. No mesmo ano, ocorreu a revolta dos tenentes, no Rio de Janeiro, que com Luis Carlos Prestes, formaram a “Coluna Prestes” com 1200 homens.

Foi época de ênfase no avivamento na Igreja visando ao seu crescimento. Época também de luta pela autonomia no metodismo brasileiro e de apoio aos trabalhadores.

Na década de vinte, o Marechal Rondon procurou apoiar os índios criando o Serviço Nacional de Proteção aos Índios. Seu lema  era “Matar nunca, morrer se necessário”.

O metodismo procurou se voltar também para o trabalho com os índios Kaiowá com do Dr. Nelson de Araújo, médico metodista que veio de Juiz de Fora, MG, em maio de 1929.

Foi ainda um período de grande debate sobre a evangelização.

O avanço dentro de uma nova estrutura

Em  24 de janeiro de 1917 foi organizada a igreja de Realengo com 30 membros sob o pastorado de Antonio de Campos Gonçalves.[162]

Na Conferência Anual de 1918, sob a presidência do bispo J.M.Moore, foi aprovada por unanimidade a resolução das mulheres exercerem na Igreja o direito dos leigos.[163]

Era tempo de começar, recomeçar e melhor se estruturar. No ano conferêncial de  1917-1918 foi organizada a Igreja de Merity  (Duque de Caxias) por H. C. Tucker com 14 membros e a Igreja de Fagundes por J.E. Tavares com 30 membros. Foi recomeçado o trabalho em Paraíba do Sul que estava quase extinto. No circuito de Cascadura foi organizada a Sociedade Jóias de Cristo com 15 sócios . Em outros estados o Evangelho era pregado pela primeira vez: em Jardinópolis, Pontal e Sertãozinho por J.L. Lopes; em Caçapava, por J. A Costa; em Campo Grande, Mato Grosso, por C. H. Dawsey, e em Divinópolis, por Osorio Caire. [164]

O metodismo havia encontrado dificuldades no Sertão de Barra Mansa, no início do século. Com a crise na lavoura muitos foram para São Paulo e o templo acabou desmoronando, provavelmente, em 1906. O desânimo foi geral e alguns metodistas se mudaram para a Vila de Barra Mansa. “Em 1917 começou uma Escola Bíblica Dominical na Vila de Barra Mansa. Não tinha local fixo, a princípio. Reunia-se nas casas. Eram dez alunos adultos”.[165] Foi assim que o metodismo deixou de ser rural para ser urbano em Barra Mansa.

O espírito missionário da Igreja de Barra Mansa levou-a a organizar uma Escola Dominical em Resende, onde antes já se realizavam cultos nas casas de alguns metodistas que se mudaram para lá. O Superintendente da Escola Dominical de 1918 era o irmão Dinarte Barboza Lima.[166]

Nesse mesmo ano, foi organizada a Escola Dominical em Barra Mansa; uma Sociedade de Senhoras e uma Liga Juvenil, em Realengo com 27 sócios. Em Petrópolis foi organizada uma Liga Epworth. Em maio, na igreja do Catete, foi reorganizada a Sociedade Missionária de Senhoras e a igreja de Bangu inaugurou o seu novo templo no dia 27 de maio.[167]

Em 1919, foi  lançada a pedra fundamental do templo do Instituto Central do Povo e construída uma capela em Vargem Alegre, circuito de Laranjeiras.[168]

Na estrutura da Igreja Metodista, a partir de 1919, a Conferência Anual Brasileira foi subdividida em três:  Conferência Anual Brasileira (englobando Rio de Janeiro e Minas Gerais), Conferência Central Brasileira (São Paulo) e Conferência Sul Brasileira (Rio Grande do Sul).[169]

Ransom abriu um ponto de pregação em 1878, em Niterói, mas o trabalho não foi em frente. Somente em dezembro de 1919 foi aberto um trabalho definitivo sob a liderança do dr. J.W. Tarboux, então pastor no Catete. Já em  Vargem Alegre foi construída uma capela.[170]

No mesmo ano, foi organizada uma Sociedade Jóias de Cristo e uma Sociedade de Senhoras com 16  sócias, em Paraíba do Sul.  Também foi organizada uma Escola Dominical em Cabo Frio  “no lugar denominado Trapiche, com a presença de 17 pessoas”[171] e no Instituto Central do Povo foi lançada a pedra fundamental do seu templo, o mesmo ocorreu em Vargem Alegre, no dia  24 de fevereiro de 1921.

No dia 11 de julho de 1921, na casa de Luiz Eduardo Peace, teve início o trabalho metodista na Ilha do Governador. No mesmo mês foi organizada a Escola Dominical com 8 pessoas.[172]

Em 1922 foi inaugurado o templo de Vila Isabel e organizada uma Sociedade de Moças. Na igreja do Jardim Botânico foi organizada uma Liga Epworth com a presença de 31 pessoas.

 Em Fagundes, no dia 29 de janeiro de 1923, foi inaugurado um salão de cultos.[173] “A 28 de março foi inaugurado o trabalho evangélico em São João de Merity, dirigido pela Liga Epworty da Igreja de Vila Isabel, sob o pastorado de Osorio do Couto Caire”.[174]

Em 1924 foram organizadas em Barra do Pirai uma Sociedade Jóias de Cristo, por d. Alice D. Reis, e uma Sociedade Missionária de Senhoras pelo pastor. No dia 15 de fevereiro foi organizada a Igreja de Barreto, Neves e S. Gonçalo por J.E.Tavares com 14 membros.[175]

Nesse mesmo ano, no dia 1º de maio, foi inaugurado o edifício da Escola Paroquial em Vila Isabel.[176]

O templo de Anta foi consagrado no dia 24 de março de 1925 durante o Distrital de Petrópolis. O templo  de Merity , atual Duque e Caxias, foi consagrado no dia 21 de abril, e o templo de Entre Rios no dia 26 de abril.[177] A partir de 1943, Entre Rios passou a se chamar Três Rios.[178]

Entre  os bispos que supervisionaram o trabalho do metodismo no Brasil, estão: E. D. Mouzon (1915-1916),  John M. Moore (1918-1922) e Hoyt Dobbs (1922-1926). A partir de 1926, James Cannon Jr passou a ser o bispo supervisor dos trabalhos no Brasil até 1930, que era responsável também pelos trabalhos na África.[179]

Havia dificuldades quanto a administração da Igreja Metodista no país por causa da falta de um bispo residente[180]  e, com o crescente nacionalismo no país, surgiu um movimento forte no metodismo brasileiro  que, em 2 de setembro de 1930,   conquistou sua Autonomia. Seu primeiro Bispo eleito foi J.W. Tarboux.


Uma história que nos inspira 

 

Esta é uma história emocionante e inspiradora para os metodistas atuais.

Depois de um início muito difícil com perdas de pessoas queridas e muita oposição em terra estranha aos missionários, o metodismo brasileiro, no Estado do Rio de Janeiro, conseguiu superar as grandes barreiras e avançar.

Uma observação é preciso deixar registrada. Os primeiros missionários nunca desanimaram e nem disseram que não seria possível abrir trabalho no Brasil. Eles sempre transmitiram otimismo à liderança nos EUA.

Os que vieram para iniciar a obra aqui, apesar de todas as lutas, sempre foram determinados e perseverantes. Deus os honrou.

Os relatórios nas Conferências Anuais sempre foram animadores. A expressão “progresso da obra” era uma constante.

Difícil entender como os poucos missionários metodistas, em meio a tantas dificuldades, conseguiam chegar em determinados lugares, pregavam a Palavra e logo organizavam uma igreja local ou estabeleciam um local de culto.

Havia uma grande convicção da vocação do povo chamado metodista que veio desde Wesley.

Conhecendo hoje, mais de perto, essa história, vemos que temos muito o que aprender e agradecer a Deus pela imensa dedicação dos primeiros missionários. Foram exemplos de amor ao metodismo e à causa do Evangelho. Vieram para o Brasil  sabendo que poderiam perder a vida, o que aconteceu com alguns

Foram anos de lutas e, muitas vezes, no deserto. Essa é uma história que também precisa ser escrita.

Muitos outros líderes vieram depois dos primeiros missionários e lançaram sementes para que hoje víssemos os sinais da graça de Deus em nosso meio de uma forma intensa.

Outra parte dessa história precisa ser escrita a partir de 1930 depois da Autonomia da Igreja.

Essa primeira parte da história é emocionante e reveladora de toda uma situação difícil que os dedicados missionários metodistas passaram, mas também ela é inspiradora. Ela nos estimula a ir em frente diante de toda e qualquer dificuldade que surgir. Deus está no comando.

Essa história aponta também para a esperança e certeza de vitória. Nenhuma das grandes dificuldades no início em terra brasileira foi capaz de deter o avanço do metodismo no Estado do Rio. A Igreja é de Deus e será preservada até a consumação dos séculos.

 

 

Referência bibliográfica

 

 

Livros

 

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Pessoal

 

Dados fornecidos por Angenor Pfister, neto de Henrique Pfister, e por Amilton Alexandre de Oliveira. 

Dados fornecidos por Francisco Féo Junior, por escrito, em 30 de setembro de 1987.

Dados fornecidos por Abner Fernandes. 

 



[2] http://www.mluther.org.br/Imigracao/imigracao_i.htm. Imigração Alemã ao Brasil

e Rio Grande do Sul - I

[4] James L. Kennedy, Cincoenta Annos de Methodismo no Brasil, São Paulo, Imprensa Metodista, 1928,

p. 13; Eula L. Long, Do Meu Velho Baú Metodista, São Paulo, Imprensa Metodista do Brasil, 1968,

p. 24-25.

[5] H.C. Tucker, “O Centenário Methodista Sul-Americano”, in Expositor Cristão, 03/03/1936, p.1.

[6] Ibidem.

[7] Carta in Duncan A. Reily, História Documental do Protestantismo no Brasil. SP, ASTE.,

1984, p. 81-82. Também, José Gonçalves Salvador, História do Metodismo no Brasil.

São Paulo,

Imprensa Metodista, 1982, v. 1, p. 24s.

[8] Salvador. José Gonçalves. Historia do metodismo no Brasil. Imprensa Metodista, SP, 1982, p. 27.

[9] Ibidem., p.27.

[10] Ibidem., p.32-3.

[11] Ibidem., p.36

[12] Carta in Reily, História Documental do Protestantismo no Brasil. ibidem.,

p. 83-84.

[13] James L. Kennedy. Cincoenta Annos de Methodismo no Brasil. SP, Imprensa

Metodista, 1928, p. 15

[14] Kidder, Daniel P. Reminiscências de viagens e permanência no Brasil. Rio de Janeiro.

Tradução de Moacyr N. Vasconcelos. São Paulo: São Paulo, Livraria Martins, 1940, p.47.

[16] Kennedy, James Lillbourne, Cinqüenta anos de metodismo no Brasil. 1928. p. 20.

[17] Ibidem.

[18] Ibidem., p.79.

[19] Ibidem., p.20-21.

[20] Kennedy, J.L. Methodista Catholico. Rio de Janeiro, 1 de agosto de 1886, v.15, p.4

[21] Ibidem., p.21.

[22] Ibidem., p.22.

[23] Ibidem., p.22.

[24] Ibidem., p.27.

[25] Ibidem., p.27

[26] Ibidem..

[27] Ibidem.

[28] Ibidem., p.27.

[29] Ibidem., p.29.

[30] Ibidem., p.27-8.

[31] Ibidem, p.31.

[32] Ibidem., p.29.

[33] Ibidem., p.32.

[34] Ibidem., p.32.

[35] Ibidem., p.50.

[36] Ibidem., p.54.

[37] Ibidem., p.57.

[38] Ibidem., p.33.

[39] www1.folha.uol.com.br/folha/galeria/images/15republica01.jpg&imgrefurl=

http://www1.folha.uol.com.br/folha/galeria/album/p_15republica_01.shtml

[40] Beozzo, José Oscar. A Igreja na crise final do Império. História da Igreja no Brasil.

 Petrópolis,

Editora Vozes, 19980. T.I/2, p.259.

[41]Salvador. José Gonçalves. Historia do Metodismo no Brasil. Imprensa Metodista,

SP, 1982, p.151.

[42] Atas da Conferência do Distrito do Rio de Janeiro, 1888, p.25

[43] Boaventura, Elias. http://orbita.starmedia.com/transdisciplinar/historia_da_

educacao/O_metodismo_no_segundo_imperio.htm 

[44] Kennedy, J.J red..15 de novembro. Expositor Christão. São Paulo, 1º de dezembro

de 1889. v.III,

 nº 8, p.1

[45] Alencar, Chico e outros. História da Sociedade Moderna. Editora ao Livro Técnico,

1994,

p.235-236.

[46] Kennedy, James Lillbourne, Cinquenta anos de metodismo no Brasil. 1928, p.56.

[47] Salvador. José Gonçalves. Historia do metodismo no Brasil. Ibidem, p.281.

[48] Long. Eula K. Do meu velho baú metodista. São Paulo, Imprensa metodista, 1968, p.55.

[49] Salvador. José Gonçalves. Historia do metodismo no Brasil. Imprensa Metodista,

SP, 1982, p.79.

[50] Ibidem., p.84.

[51] Ibidem., p.115.

[52] Salvador. José Gonçalves. Historia do metodismo no Brasil. Imprensa Metodista,

 SP, 1982, p.177.

[53] http://jmr.medstudents.com.br/febreamarela.htm

[54] http://epoca.globo.com/edic/20020218/brasil1a.htm

[55] http://www.aprendebrasil.com.br/especiais/revoltadavacina/epidemias.asp.

[56] Kennedy, James Lillbourne, Cinqüenta anos de metodismo no Brasil. 1928.,p.58

[57] Long. Eula K. Do meu velho baú metodista. São Paulo, Imprensa Metodista, 1968,

 p.80.

[58] Kennedy, James Lillbourne, Cinqüenta anos de metodismo no Brasil. 1928, p.122.

[59] Silva, Joel Dias. Jornal Avante. Rio de Janeiro.

[60] Almeida. Vasni. Nada será como antes: variações no discurso de evangélicos

tradicionais. http://members.tripod.com/bmgil/av33.html

[61] Kennedy, James Lillbourne Cinqüenta anos de metodismo no Brasil. 1928, p.75.

[62] Bruce, J.L – Fonseca, Cardoso. Os pregadores evangélicos ao povo de Sabará.

Expositor Cristão.

São Paulo, 28 de maio de 1892, v.V, nº 39, p.2.

[63] Tucker, Huch. Correspondência do Norte. Expositor Cristão. SP, 1º de novembro

de 1889, v.VIII, nº 6, p.1.

[64] Kennedy, James L. O Evangelho faz progredir os países. Expositor Cristão. SP, 15

de novembro de

1889. vIII, nº 7, p.1.

[65]  Salvador, José Gonçalves. História do metodismo no Brasil. SP, Imprensa

Metodista, 1982 p.76.

[66] Kennedy, James Lillbourne Cinqüenta anos de metodismo no Brasil. 1928, p; 54.

[67] http://www.efbrasil.eng.br/electro/efcb.html

[68] http://www.anpf.com.br/historico_efcb.htm

[69] http://www.metalica.com.br/pg_dinamica/bin/pg_dinamica.php?id_pag=107.

[70] http://www.ipahb.com.br/transpor.php. Estrada de Ferro Leopoldina Railway

[71] Site da igreja metodista Central de Barra Mansa. http://www.metodista-bmrj.org.br/historico.htm

[72] O Projeto Missionário Protestante no Brasil do Século 19: Comparando a

Experiência Presbiteriana e Batista, H. B. Cavalcanti- http://www.pucsp.br/rever/rv4_2001/i_cavalc.htm.

[73] http://www.anpf.com.br/historico_efcb.htm

[74] Idem.

[75] Estações Ferroviárias do Estado de São Paulo. http://www.estacoesferroviarias.com.br/efl_rj_cantagalo/laranjais.htm

[76] Long. Eula K. Do meu velho baú metodista. São Paulo, Imprensa metodista, 1968,

p.86.

[77] Kennedy, James Lillbourne. Cinqüenta anos de metodismo no Brasil. 1928, p.141.

[78] Kennedy, James Lillbourne Cinqüenta anos de metodismo no Brasil. 1928, p.61.

[79] Ibidem., p.61.

[80] Ibidem., p.63.

[81] Ibidem., p.64

[82] Kennedy, James Lillbourne Cinqüenta anos de metodismo no Brasil. 1928, p.79.

[83] Ibidem., p.83.

[84] Site da Igreja Metodista do Jardim Botânico. http://www.imjb.org.br/historia.htm

[85] Ibidem. Extraído de texto escrito por Gíscalo Floro Dacorso . Janeiro de 1994.

[86] Kennedy, James Lillbourne Cinqüenta anos de metodismo no Brasil. 1928, p.86.

[88] Kennedy, James Lillbourne Cinqüenta anos de metodismo no Brasil. 1928, p.95.

[89] Ibidem., p.100.

[90] http://www.cmbm.rj.gov.br/historia.asp

[91] http://www.nossosaopaulo.com.br/Reg_14/Reg14_Bananal.htm

[92]. Tarboux. J.W. Notas pelo rev. J.W. Tarboux. Expositor Christão. Rio de Janeiro,

10 de janeiro de 1891, v. IV, nº 10, p.1 a 2.

[93]. Site da Igreja Metodista Central em Barra Mansa.  http://www.metodista-bmrj.org.br/historico.htm

[94]  Kennedy, James Lillbourne. Cinqüenta anos de metodismo no Brasil. 1928, 69.

[95] Ibidem., p.93.

[96] Câmara Municipal de Barra Mansa. Vereadores de 1833 2004. http://www.cmbm.rj.gov.br/legislatura.asp

[97] Idem.

[98] Site da Igreja Metodista  Central de Barra Mansa. http://www.metodista-bmrj.org.br/historico.htm

[99] Kennedy, James Lillbourne Cinqüenta anos de metodismo no Brasil. 1928, p.101.

[100] http://www.portalvr.com/cidade/formacao.php.

[101] Estações Ferroviárias do Estado de São Paulo. http://www.estacoesferroviarias.com.br/efl_rj_cantagalo/laranjais.htm

[102] http://carlosferreirajf.blogspot.com/2008/06/itaocara-rj-02-distrito-laranjais.html - (Alaôr Eduardo Scisínio, Itaocara - Uma democracia Rural)

[104] Uma breve história de Teresópolis. http://www.rioserra.com.br/turismo/

histere.html

[105] Dados fornecidos por Angenor Pfister, neto de Henrique Pfister, e Amilton

 Alexandre de Oliveira.

[106] Dados do Livro de Rol Permanente da Igreja Metodista em Petrópolis.

[107] Ibid.

[108] Dados fornecidos por Francisco Féo Junior, por escrito, em 30 de setembro de 1987.

[109] Registro Completo da Conferência Trimestral da Paróquia de Petrópolis. Suplemento B, estado

geral da Igreja, em 14 de julho de 1899.

[110] Ibid., em 18 de julho de 1900.

[111] Ibid., em 10 de novembro de 1900.

[112] Informações dadas por Francisco Teodoro Féo, por escrito, em 30 de setembro de 1987.

[113] http://estradas.com.br/histrod_rioteresopolis.htm

[114] Registro Completo da Conferência Trimestral, ibid., em 29 de maio de 1901.

[115] Cidades Brasileiras, Rio de Janeiro. http://www.portalbrasil.net/brasil_cidades_riodejaneiro.htm

[116] Ibidem.

[117] Ibidem.

[118] O Rio de Janeiro do seu tempo. http://www2.prossiga.br/Ocruz/riodejaneiro/reforma/

reformaurbana.htm

[119] Kennedy, James Lillbourne. Cinqüenta anos de metodismo no Brasil. 1928, p. 130.

[120]. Ibidem., p.64-5.

[121] Ibidem., p.79.

[122] Ibidem, p.95.

[123] Ibidem., p.97.

[124] Ibidem., p.101.

[125] Ibidem., p.103.

[126] Ibidem., p.101.

[127] Ibidem., p.101-2.

[128] Livro de Rol Permanente da Igreja Metodista em Vargem Alta.

[129] Kennedy, James Lillbourne. Cinqüenta anos de metodismo no Brasil. 1928, p.103.

[130] Long. Eula K. Do meu velho baú metodista. São Paulo, Imprensa metodista, 1968, p.84-5.

[131] H. B. Cavalcanti, ibid. 

[132] Alencar, Chico e outros. História da Sociedade Moderna. Editora ao Livro Técnico,

1994, p.238.

[133] Idem., p. p.269-271.

[134] Cidades Brasileiras, Rio de Janeiro. http://www.portalbrasil.net/brasil_cidades_riodejaneiro.htm

[135] Ibidem.

[136] Kennedy, James Lillbourne. Cinqüenta anos de metodismo no Brasil. 1928, p.105.

[137]  Site da Igreja Metodista Central de Barra Mansa. http://www.metodista-bmrj.org.br/historico.htm

[138]  Kennedy,  James Lillbourne. Cinqüenta anos de metodismo no Brasil. 1928, p.130.

[139] Instituto Central do Povo. http://members.tripod.com/~ICP_RJ/Historico.html

[140]  Kennedy,  James Lillbourne Cinqüenta anos de metodismo no Brasil. 1928, p.130.

[141] Ibidem., p.132.

[142] Ibidem., p.130.

[143] Ibidem, p.137.

[144] Ibidem., p.138.

[145] Ibidem., p.139.

[146] Ibidem., p.141.

[147] Ibidem., p.142

[148] Nome da cidade no interior do estado que depois foi mudado para Laranjais.

[149] Kennedy, James Lillbourne, Cinqüenta anos de metodismo no Brasil. 1928, p.146,

[150] Idem., p.145.

[151] Idem., p.148.

[152] Ibidem., p.149.

[153] Ibidem,p .150.

[154] Ibidem., p.150-1.

[155] Ibidem., p.154.

[156] Ibidem., p.152.

[157] Estrada de Ferro Leopoldina Railway. http://www.ipahb.com.br/transpor.php

[158] Kennedy, James Lillbourne. Cinqüenta anos de metodismo no Brasil. 1928, p.154.

[159] Lee, W. B. “A Greve” em Expositor Cristão. 22 de janeiro de 1920, p.2.

[160] Naddai, Elza – Neves.  Joana. História Geral. Ed. Saraiva, 1989, p.170.

[161] Kennedy, James Lillbourne. Cinqüenta anos de metodismo no Brasil. 1928, p. 157

[162]. Ibidem, 153

[163] Ibidem, p.156.

[164]  Ibidem, p.155-6.

[165] Site da Igreja Metodista Central de Barra Mansa. http://www.metodista-bmrj.org.br/historico.htm

[166] Idem.

[167] Kennedy,  James Lillbourne. Cinqüenta anos de metodismo no Brasil. 1928, p.157.

[168]. Ibidem, p. 160.

[169] Ibidem., p. 156.

[170] Idem., p.159-0.

[171] Idem., p.163.

[172] Idem. P.163.

[173] Idem., p.165.

[174] Idem., p.167. Segundo o pastor Abner Fernandes, a Igreja de São João de Merity foi organizada

 em 21 de abril de 1927 pelo rev. Osorio Caire.

[175] Idem., p.168.

[176] Idem, p.170.

[177] Idem., p.171-2

[178] http://www.tresrios.rj.gov.br/m_historia.asp. Resumo Histórico de Três Rios.

[179] Idem. P.164-5.

[180] “Bispo residente” era uma expressão comum na época entre os metodistas.

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