H.C.Tucker,

Um missionário revolucionário

 

Odilon Massolar Chaves

 

 


Copyright © 2024, Odilon Massolar Chaves 

Todos os direitos reservados ao autor. 

É permitido ler, copiar e compartilhar gratuitamente

Art. 184 do Código Penal e Lei 96710 de 19 de fevereiro de 1998. 

Livros publicados na Biblioteca Wesleyana: 198

Livros publicados pelo autor: 335

Livretos: 3

Endereço: https://bibliotecawesleyana.blogspot.com

 Tradutor: Google

-----------------

Odilon Massolar Chaves é pastor metodista aposentado, doutor em Teologia e História pela Universidade Metodista de São Paulo.

Sua tese tratou sobre o avivamento metodista na Inglaterra no século XVIII e a sua contribuição como paradigma para nossos dias.

Foi editor do jornal oficial metodista e coordenador de Curso de Teologia

 

 

“Pela primeira vez, foi dada, esta semana, a um missionário protestante dos Estados Unidos a Ordem do Cruzeiro do Sul do Brasil, no Rio de Janeiro. Receptor: O Rev. Dr. Hugh Clarence Tucker, 86 anos. O governo Brasileiro honrou o baixo e calvo ministro metodista pelos 57 anos de infatigável atividade no Brasil.”[1] 

(Revista Time, 25 de outubro de 1943)

 

 


“Comecei no dia 3 de julho de 1909 publicando no Jornal do Comércio um artigo sobre o valor dos parques de recreio modernos”.

(H.C. Tucker)

 

 


Índice

 

·       Introdução

·       O início de Tucker no Brasil

·       Um missionário revolucionário

·       Semeador da Palavra de Deus

·       Fundou o Instituto Central do Povo

·        Luta contra a febre amarela

·        Missões no Brasil

·       Legado e homenagens



Introdução

 

           “H.C.Tucker, Um missionário revolucionário” é um livro que trata do ministério do rev. Tucker no Brasil como missionário metodista.

            Um homem que viveu além do seu tempo. Um revolucionário. Íntegro, sábio e extremamente dedicado. Viveu 99 anos.

            Trouxe soluções e novidades para o Rio de Janeiro, especialmente no combate à febre amarela e à tuberculose.

            Instalou o primeiro playground no Rio de Janeiro.

        Foi amigo de pessoas ilustres como Rui Barbosa, Oswaldo Cruz e Machado de Assis.

            É tido como pioneiro na educação popular.

            Foi um dos fundadores do Hospital dos estrangeiros que posteriormente se tornou o Hospital Evangélico.

            Fundou o Instituto Central do povo.

       Em 1903, Hugh Clarence Tucker participou da criação da Aliança Evangélica Brasileira. Em 1920, foi um dos organizadores da Comissão Brasileira de Cooperação, que reunia igrejas, missões e organizações evangélicas protestantes. Em 1938, ajudou a constituir a Confederação Evangélica do Brasil.

      Tucker nos ensina que é possível fazer a diferença em nossa época sinalizando o Reino de Deus.

      Teve o reconhecimento de muitas pessoas e foi homenageado por Instituições e pelo Governo brasileiro com a Ordem do Cruzeiro do Sul do Brasil.

            Que o Espírito Santo te ilumine e inspire na leitura deste livro.

 

O Autor


O início de Tucker no Brasil

 

             Hugh Clarence Tucker (1857-1956) nasceu no Condado de Williamson, Tennessee, EUA.  Foi casado com Euvira Tucker, filha do bispo John Cowper Granbery.

 

         Aos 28 anos saiu de Tennessee e veio como missionário ao Brasil.

 

          Tucker representava a Junta de Missões em reuniões mundiais e no Brasil e foi uma das figuras evangélicas mais importantes do mundo. Um defensor e praticante do Evangelho Social. Trabalhou na Sociedade Bíblica Americana.

 

             O missionário metodista K.L.Kennedy registrou assim sua chegada ao Brasil profetizando sobre seu ministério: “Recentemente chegou o Rev. Hugh C. Tucker, que tem dedicado os seus dias a pregar o Cristo crucificado aos contritos de coração e liberdade aos cativos.”[2]

         No dia 16 de setembro de 1886, Tucker, juntamente com James L. Kennedy e John Willian Tarboux, fundou a Conferência Anual Brasileira.

           No ano seguinte, com quase dois anos à frente de uma igreja onde se congregava a colônia norte-americana, no Rio de Janeiro, aceitou o convite e foi nomeado secretário da Sociedade Bíblica Americana, com escritório nesta cidade. Sua incumbência: divulgar a Bíblia Sagrada, pois, às vésperas da Proclamação da República, o campo, em breve, estaria aberto às missões protestantes.[3]

            Tucker construiu o primeiro templo metodista no Brasil. Ele foi pastor da Igreja metodista do Catete.

 

           Disse Tucker: “Esta foi a primeira casa de cultos construída pela Igreja Metodista no Brasil e foi inaugurada em setembro de 1882. Duas congregações prestavam culto na capela: a igreja brasileira, de língua portuguesa com 42 membros e a congregação de pessoas de língua inglesa, com 39 almas que ele viera para servir”.[4]

 

             H.C. Tucker abriu um Colégio particular na Corte, em 1887, “porém de todo evangélico, cujos alunos, quase todos, assistiam a Escola Dominical.”[5]    

 

          Na Igreja Metodista ajudou a formar a menor conferência anual da Igreja Episcopal Metodista (3 pessoas).

 

          Tucker em suas memorias  disse que a "necessidade era urgente e o Bispo Granbery organizou formalmente  o menor Concílio Anual jamais organizado  na história da Igreja Metodista do Sul. Havia só 3 membros: Reverendo J.L. Kennedy, do Tennessee, Reverendo J. W. Tarboux, da Carolina do Sul, e eu próprio. Desses só eu fiquei. Dr. Kennedy veio para o Brasil em 1881 e serviu a Igreja e ao país por 61 anos".[6]   

 

 


 

Um missionário revolucionário

 

           H.C.Tucker foi um missionário revolucionário. Pregou a Palavra de Deus com ousadia, mas esteve além do seu tempo.

           Trabalhou em campanhas públicas contra a tuberculose, lepra e doenças venéreas. Foi nomeado representante no Brasil da Missão Americana entre os leprosos.

         “Introduziu no Brasil o primeiro ‘playground’ para crianças, na cidade do Rio de Janeiro, inaugurado a 12 de outubro de 1911. Ao ato estiveram presentes figuras as mais proeminentes da cidade. Com muita ousadia, em 1922, no 1º Congresso de Proteção à Infância, Tucker compareceu e falou sobre a importância da Educação Física na Pré-Escola. No segundo Congresso, voltou a ter uma participação ainda mais importante ao discorrer sobre um tema até hoje bastante complexo: a educação sexual”.[7]

             Foi amigo de Oswaldo Cruz e ajudou a combater e eliminar a febre amarela no Rio de Janeiro lhe apresentando o médico metodista dos EUA, Walter Reed, que descobriu a origem da febre amarela.

             Foi amigo de Machado de Assis e Rui Barbosa.

       Sempre procurou fazer o melhor, especialmente em relação ao Evangelho. “Como a tradução da Bíblia para o português, feita nos Estados Unidos, não era de seu agrado, nomeou comissão revisora composta por quatro norte-americanos e três brasileiros (Eduardo Carlos Pereira, Antônio Trajano e Hypólito de Oliveira Campos)”.[8]

              “Tucker ainda contou com o apoio de Machado de Assis e de Rui Barbosa, pois, “havia alguns trechos que não estavam bem. Só mesmo um escritor seria capaz de dar vida àquelas palavras” (entrevista concedida por Tucker para Diretrizes – Um Semanário a Serviço da Liberdade. Rio, 20/4/1944)”.[9]

                Zuleica de Castro Coimbra Mesquita escreveu e afirmou que Tucker foi pioneiro na educação popular.[10]

              Tucker esteve além do seu tempo.

 


Semeador da Palavra de Deus

 

           A mensagem dos missionários que implantaram o metodismo no Brasil estava impregnada da ênfase na mensagem da cruz. O  jornal Methodista Catholico (depois, Expositor Cristão) relatou: “Recentemente chegou o Rev. Hugh C. Tucker, que tem dedicado os seus dias a pregar o Cristo crucificado aos contritos de coração e liberdade aos cativos.”[11]

          Tucker abriu um colégio particular na Corte, em 1887, e depois começou a procurar um outro tipo de trabalho.

          Ele encontrou e se transformou no agente da Sociedade Bíblica Americana no Brasil. “Aprendeu falar o português, e com um grupo dos entusiastas, gastou quatro anos distribuindo a Bíblia aos 15% de 14.000.000 da população do Brasil que poderiam então ler. Primeiramente, pregou em cidades junto às estradas de ferro. Onde os trilhos terminaram, o Dr. Tucker moveu-se pelos lugares a cavalo e em barcos pelos rios. Às vezes, lhe foram dadas boas-vindas; outras vezes, lhe foi dito para ir embora. Uma vez foi apedrejado. Mas o Dr. Tucker afirma que, desde que, foi ao Brasil distribuiu cerca de 2.500.000 Bíblias em português, italiano, alemão, polonês, inglês, árabe”[12].

            Em suas peregrinações, como semeador da Palavra, enfrentou dificuldades enormes. Viu suas Bíblias serem queimadas em praça pública e chegou a ser preso e ameaçado de morte. Em várias oportunidades, foi expulso dos hotéis e das próprias cidades que visitara. Nada, no entanto, o deteve, pois tinha clareza de seu chamado de criar condições para um despertamento espiritual e intelectual das massas.[13]

             Conheceu vários e ilustres republicanos e gostava de repetir que se relacionava muito bem "com todos os presidentes da República. Fui amigo de Prudente de Moraes. Fui amigo de Saldanha Marinho, do Visconde Nogueira da Gama, do Barão Homem de Melo" (...). Gostava de afirmar, "o povo também é meu amigo. Os meus melhores e mais caros amigos são gente do povo".[14]

             Em 1892, alguns homens extraordinários reuniram-se com Tucker em seu escritório. Sentados em caixas de Bíblias, fundaram ali mesmo a Associação Cristã de Moços. Até 1934, ele percorreu várias vezes, praticamente todos os Estados.

             Foi secretário da Sociedade Bíblica Americana por 47 anos; fez diversas viagens missionárias, distribuindo Bíblias pelo país. 

             Em 1903, foi eleito o primeiro presidente da Aliança Evangélica Brasileira. Ajudou a fundar a Associação Cristã de Moços; o Hospital Evangélico, do qual foi presidente; o Hospital dos Estrangeiros; o Instituto Brasil-Estados Unidos (Ibeu) e a Sociedade Americana. Atuou como secretário da Junta de Ação Social da Igreja Metodista (1939-1946) e em várias comissões de socorro aos flagelados da Ásia, Europa, e América Latina.

            No ano conferencial de 1917-1918 foi organizada a Igreja de Merity (Duque de Caxias) por H. C. Tucker com 14 membros e a Igreja de Fagundes por J.E.

         Presidiu o 1º Concílio Geral Metodista no Brasil, em 1930. Em 25 de outubro de 1943, o governo brasileiro lhe concedeu a Ordem do Cruzeiro do Sul, recebida das mãos de Oswaldo Aranha.[15]    

 


Fundou o Instituto Central do Povo

 

            Do dia 25 a 28 de julho de 1903, teve lugar em São Paulo, a reunião constituinte da Aliança Evangélica Brasileira. Foram eleitos Hugh Clarence Tucker, missionário metodista, presidente, e F. P. Soren, batista, secretário.

           Servir ao próximo era sua preocupação primeira. Atuou como secretário Geral da Junta Geral de Ação Social, por 16 anos (quatro mandatos). No Rio de Janeiro, onde vivia, Tucker, com seu dinamismo e determinação, desenvolveu importantes atividades nessa área da Igreja Metodista.[16]

           O destaque fica por conta do Instituto Central do Povo, o primeiro centro social organizado no Brasil, em 1906, destinado a atender os habitantes da favela da Saúde e Gamboa. No local, funcionou primeiramente uma creche. Muito embora haja controvérsia sobre o assunto, nos arquivos do Instituto Central do Povo, consta ser esta a primeira creche popular existente no Estado do Rio.[17]

            A história registrou assim: “Em 1906, os relatórios lidos na Conferência Anual Brasileira apontaram um ano de progresso. “No dia 13 de Maio de 1906, Domingo, às 17:00, nas dependências de um salão alugado, que ficava na Rua Acre n.º 17, foi fundado o Instituto Central do Povo pelo Rev. Hugh Clarence Tucker. Estiveram presentes cerca de 200 pessoas. Começavam assim as atividades da Missão Central, este o primeiro nome pelo qual foi conhecido o ICP. Realizou-se um típico culto protestante, com cânticos, orações, leitura da Bíblia e pregação do Evangelho”.[18]

 

             Em 1907, ocorreram fatos importantes: Em princípios de junho, “foi estabelecido um Dispensário Medico na Missão Central, Rio de Janeiro, onde havia uma escola diária com 32 alunos”.[19] Era “amigo pessoal do Sanitarista Dr. Oswaldo Cruz, com a missão de ser pastor das pessoas de língua inglesa radicadas no Brasil. Levado pelo seu amigo Oswaldo Cruz a diversas áreas pobres, conheceu de perto a miséria e comoveu-se. Precisava fazer alguma coisa para ajudar aquela gente (...)”.[20]

 

             O pastor Tucker sentiu a necessidade de criar uma escola e instalar nela uma clínica infantil, com atendimento totalmente gratuito para as crianças pobres.

 

             Em 1906 fundou na Rua Rivadávia Corrêa – Gamboa, o colégio Instituto Central do Povo e a 1ª Clínica Infantil grátis no Brasil, vizinhos ao Morro da Providência, tornando-se o embrião dos Postos de Saúde Pública, hoje existentes, somente criados em 1925. Daí, então, o atendimento gratuito às crianças daquele morro e adjacências, com médicos e dentistas, sem qualquer contribuição das autoridades estaduais, municipais ou federais, existente há cem anos, até os dias de hoje. Tudo custeado pelo Dr. Tucker e doações de amigos americanos que, mensalmente, contribuíam com as despesas de manutenção da clínica.[21]

           “A proposta do ICP era, realmente, ambiciosa e pioneira, ao concentrar em suas dependências, escola dominical e atividades cúlticas, consultório médico e dentário, farmácia e laboratório, cursos profissionalizantes, Departamentos de Surdos-Mudos, cujas classes eram dirigidas por professores ‘habilitadíssimos’, atendimento jurídico e muito mais. Pela forma de pensar e pela maneira decidida com que Tucker trabalhava a promoção humana integral, sugere que sua proposta não era assistencialista”.[22]

           Na sua autobiografia, ele diz: “Comecei no dia 3 de julho de 1909 publicando no Jornal do Comércio um artigo sobre o valor dos parques de recreio modernos... artigos semelhantes em dezembro e fevereiro (..). Quando esteve no Rio em março de 1910 William Jennings Bryan visitou o Instituto Central do Povo e deu uma palestra sobre parques de recreio...e, a meu pedido, apelou à esposa do prefeito para influenciar no plano. O interesse cresceu entre círculos seletos, mas as autoridades não estão muito impressionadas.

          [A prefeitura doou um terreno para o parque e montou o equipamento doado pela “Light” e outras empresas.] A inauguração formal do primeiro “playground” moderno para crianças do Rio se deu a 12 de outubro de 1911, como parte do feriado nacional em comemoração à descoberta da América. O prefeito, o superintendente dos parques de recreio, e muitas pessoas preeminentes estiveram presentes. Houve banda, muitos discursos de parabéns, o pavilhão nacional foi erguido e as crianças cantaram o Hino Nacional. A Associação Cristã de Moços (ACM) cumpriu sua promessa de providenciar um diretor. O playground tem sido uma instituição aceita e apreciada desde aquela época.”[23]

             Conquanto estivesse sempre pronto a ultrapassar as barreiras do denominacionalismo, Tucker, com sua lealdade às causas metodistas, desempenhou papel importante no processo de autonomia da Igreja Metodista no Brasil.

             No dia 03 de setembro de 1930, foi chamado para presidir os trabalhos do I Concílio da Igreja Metodista do Brasil, realizado no templo da Igreja Metodista Central de São Paulo. Na oportunidade, J. W. Tarboux foi eleito bispo. Na noite do dia 13 de janeiro de 1934, Tucker e Kennedy foram convidados pelo bispo Tarboux para o auxiliarem no ofício religioso de consagração do bispo César Dacorso Filho.

              Em 1942, a Igreja Metodista aceita o convite que lhe foi formulado pelo Conselho Mundial de Igrejas. O secretário executivo da Junta Geral de Ação Social, H. C. Tucker, assina o documento de aceitação do convite, juntamente com o bispo César Dacorso Filho[24].                                                                            

 


Luta contra a febre amarela 

 

 

              Amigo pessoal de Oswaldo Cruz, “teve uma participação importante na campanha contra a febre amarela. Entre 1903 e 1908, a febre amarela assolava o país. Tucker, sua esposa e seu primeiro filho, também foram atacados.

              Preocupado, juntamente com sua esposa, com essa verdadeira tragédia e tendo lido sobre o trabalho do dr. Walter Reed no saneamento de Cuba, Tucker pôs o dr. Oswaldo Cruz em contato com Reed e outros nos Estados Unidos, servindo de intermediário durante a campanha de saneamento que livrou o Rio de Janeiro desse flagelo.

             Mesmo após Oswaldo Cruz ter vencido a grande batalha, a luta da família Tucker contra a febre amarela continuava. Infelizmente, o primeiro e o único filho homem da família, não resistiu ao inimigo e morreu. Tudo indica que essa tragédia levou Tucker a se dedicar, de maneira incansável, para melhorar as condições sanitárias do Rio.[25]

            Trabalhou em campanhas públicas contra a tuberculose, a lepra e doenças venéreas. Foi nomeado representante no Brasil da Missão Americana entre os leprosos. Ademais, participou da fundação do Hospital dos Estrangeiros e, depois do Hospital Evangélico, no Rio de Janeiro do qual foi presidente (1904-1908).”[26]

 

 

Missões no Brasil 

 

       

            No Expositor Cristão, Tucker relata que visitou, vendeu livros e pregou o Evangelho em várias cidades e aldeias mineiras, como Ouro Preto, Mariana, Bento Rodrigues, Morro d'Água Quente, Santa Bárbara, Ponte dos Machados, Morro e Conceição. Tucker lembra ainda que, em Conceição, pregou para uma sala repleta de ouvintes (EC, 16/05/1891, p. 2.), seguindo seu itinerário, chegou a Serro-MG, Diamantina e Philadélfia (hoje, Teófilo Otoni), atravessando o interior de Minas, chegando à Bahia.[27] 

              A visita de H. C. Tucker e dos srs. Leopoldino da Costa e Antônio Marques às cidades do interior de Minas Gerais, ao que parece, começou partindo de Juiz de Fora para Ouro Preto, que era, até então, a capital de Minas Gerais. 

             O missionário H. C. Tucker e os srs. Leopoldino da Costa e Antônio Marques divulgaram a Bíblia e o Evangelho com pleno vigor pelas cidades mineiras. 

              Aliás, os primeiros missionários metodistas que concorreram para aquela cidade, em abril de 1891, supunham realizar as primeiras pregações feitas por protestantes naquelas imediações. Ouro Preto era, naquela ocasião, a capital do Estado de Minas Gerais. Uma "novidade na abertura desta nova missão foi a presença do evangelista Henry M. Wright", conferencista internacional, que esteve na estreia do trabalho metodista em Ouro Preto, a convite dos missionários. [28] 

            Apesar da liberdade religiosa, os  protestantes foram muito molestados e perseguidos pela Igreja Romana e pelos mais fanáticos. As hostilidades aconteciam muito em cidades do interior onde os missionários chegavam a ser surrados e esfaqueados como aconteceu com os pregadores Antonio J. de Araújo e J.L. Becker, em Ubá, em 1893: “Lá nas cercanias da culta cidade de Ubá, o diabo estava ´pintando o sete´! Referimo-nos às hostilidades cruéis que romperam contra os nobres e heroicos irmãos, que nessa zona, pregavam o Evangelho”.[29] 

          Apesar das perseguições, o metodismo cresceu em Ubá. 

           Os missionários consideravam o povo “vítima da ignorância e superstições implantadas em seus costumes nos tempos atrasados e desgraçados por seus próprios pais”. [30] 

         As dificuldades eram grandes. Havia muita indiferença ao evangelho e também oposição por parte da Igreja Católica. 

         O missionário metodista Huch Tucker disse: “São espantosas a tirania e a oposição que a Igreja Romana faz ao Evangelho. Para mim é inconcebível como o Brasil civilizado pode suportar tais coisas”.[31] 

         A ênfase na educação fazia pare central do trabalho missionário. Tucker era ativo e participava das reuniões com esse propósito. “Entre 26 e 28 de dezembro de 1888, aconteceu no Colégio Piracicabano um encontro entre as educadoras representantes do Woman’s Board of Missions in Brazil – Martha W. Watts, Mary W. Bruce, Mattie B. Jones e Ella W. Granbery – além dos Revs. H. C. Tucker e M. Dickie, para discutir as experiências das diferentes escolas em funcionamento em outros estados brasileiros e também apresentar projetos de expansão da rede de escolas metodistas”.[32] 

     Apesar de toda oposição e lutas, houve muitos momentos de ação de graças. 

      Na Conferência Anual Brasileira realizada em 26 de julho, em São Paulo, uma proposta  aprovada do rev. H.C. Tucker revela o espírito dos metodistas nesse novo século quando se completava 25 anos de implantação do metodismo no Brasil: 

           “1) tornar-se um aniversário de ações de graças pelas muitas bênçãos que temos recebido do Pai;

      2) que todos os membros de nossa Igreja alcancem o mais alto desenvolvimento espiritual;

            3) que se convertam a Jesus muitos pecadores”.[33] 

          Jesus Cristo sempre foi o centro da mensagem dos missionários.

 


Legado e homenagens 

 

 

           Tucker deixou um grande legado no Brasil.

     Em 1903, Hugh Clarence Tucker participou da criação da Aliança Evangélica Brasileira. Em 1920, foi um dos organizadores da Comissão Brasileira de Cooperação, que reunia igrejas, missões e organizações evangélicas protestantes. Em 1938, ajudou a constituir a Confederação Evangélica do Brasil, uma fusão da Comissão Brasileira de Cooperação e do Conselho Evangélico de Educação Religiosa no Brasil. Em 1948, filiou-se ao Conselho Mundial de Igrejas –CMI.[34]

     A Sociedade Bíblica Americana, em 1934, concedeu-lhe o título de "Secretário Emérito", por seus 47 anos de dedicação à causa bíblica no Brasil.

       Tucker foi homenageado com prédio que leva seu nome no Instituto Central do Povo. Foi construída escola Estadual que leva seu nome.[35]

  “A instituição privada de educação básica CE REVERENDO HUGH CLARENCE TUCKER fica no bairro de GAMBOA , em Rio de Janeiro (RJ) , e oferece aulas de Ensino médio.”[36]    

        Em 1902, publicou A Bíblia no Brasil: experiências de colportor como agente da American Bible Society.[37]

            “Foi um dos fundadores do Hospital dos estrangeiros que posteriormente se tornou o Hospital evangélico. Tucker é retratado pelo jornal ‘Brazilian Review’ datado de 2 de abril de 1901 como presidente do conselho do hospital dos      estrangeiros”.[38]

           Tucker sempre foi muito atuante participando inclusive de comissões de ajuda aos flagelados da Europa, Ásia e América Latina.  “Foi Conselheiro do Colégio Granbery, da Imprensa Metodista, e da Federação das Sociedades de Assistência aos Lázaros e de Defesa contra a Lepra. De 1939 – 1946, ele atuou como Secretário da Junta de Ação Social”.[39]      

             Tucker amava Missões e não media esforços para viajar e participar de Congressos e encontros sobre esse tema. Muitas vezes, foi convidado. Foi com esse propósito que viajou à África e participou em Leopoldville, Congo Belga, de 13 a 24 d julho de 1946, do Congresso Evangélico Missionário da África Ocidental e “presidiu ao Culto Religioso das 20 horas”.  [40]

              Foi notícia na revista Time que anunciou na segunda-feira, do dia 25 de outubro de 1943: 

              “Pela primeira vez, foi dada, esta semana, a um missionário protestante dos Estados Unidos a Ordem do Cruzeiro do Sul do Brasil, no Rio de Janeiro. Receptor: O Rev. Dr. Hugh Clarence Tucker, 86 anos. O governo Brasileiro honrou o baixo e calvo ministro metodista pelos 57 anos de infatigável atividade no Brasil.”[41].

            “Depois de ter voltado a residir nos Estados Unidos, Tucker fez algumas visitas ao Brasil. Na última delas, em novembro de 1949, foi homenageado pela Sociedade Bíblica do Brasil, pelo Instituto Central do Povo, pelo Colégio Bennett e por outras instituições da cidade do Rio de Janeiro”.[42] 

         Das mãos de Oswaldo Aranha recebeu o distintivo Oficial da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul.

           No dia 5 de novembro de 1956, a Rádio Nacional, no "Repórter Esso", divulgava uma notícia lamentável: "Faleceu ontem (dia 4) nos Estados Unidos da América, o Rev. H. C. Tucker, um dos fundadores da Igreja Metodista do Brasil."[43]


 



[1] www.time.com/time/magazine/article/0,9171,796186,00.html?promoid=googlep -

[2] Kennedy, J.L. Methodista Catholico. Rio de Janeiro, 1 de agosto de 1886, v.15, p.4

[3]  http://www.tabernaculo.com.br/arquivo/2001/junho/paginas/testemunhos.htm. Artigo publicado no Jornal Avante, escrito por Joel Dias da Silva.

[4] https://pt.wikipedia.org/wiki/Hugh_Clarence_Tucker

[5] Kennedy, J.L. Methodista Catholico. Rio de Janeiro, 1º de agosto de 1886, v.15, p.54.

[6] https://pt.wikipedia.org/wiki/Hugh_Clarence_Tucker

[7] http://www.metodistavilaisabel.org.br/artigosepublicacoes/descricaobiografias.asp?Numero=587

[8] http://www.metodistavilaisabel.org.br/artigosepublicacoes/descricaobiografias.asp?Numero=587

[9] Idem.

[10] https://www.metodista.br/revistas/revistas-cogeime/index.php/COGEIME/issue/view/31/showToc

[11] Kennedy, J.L. Methodista Catholico. Rio de Janeiro, 1 de agosto de 1886, v.15, p.4

[12] www.time.com/time/magazine/article/0,9171,796186,00.html?promoid=googlep -

[13]  http://www.tabernaculo.com.br/arquivo/2001/junho/paginas/testemunhos.htm. Artigo publicado no Jornal Avante, escrito por Joel Dias da Silva.

[14]  http://www.tabernaculo.com.br/arquivo/2001/junho/paginas/testemunhos.htm. Artigo publicado no Jornal Avante, escrito por Joel Dias da Silva.

[16] Idem.

[17] Idem.

[18] http://members.tripod.com/~ICP_RJ/Historico.html

[19]  Kennedy,  James Lillbourne Cinqüenta anos de metodismo no Brasil. 1928, p.130.

[20] http://www.riototal.com.br/coojornal/arletereis010.htm

[21] Idem.

[22] http://www.tabernaculo.com.br/arquivo/2001/junho/paginas/testemunhos.htm. Artigo publicado no Jornal Avante, escrito por Joel Dias da Silva.

[23] REILY, Ducan A. História Documental do Protestantismo no Brasil. ASTE, 1984, p.283.

[24] Idem.

[25] http://www.tabernaculo.com.br/arquivo/2001/junho/paginas/testemunhos.htm. Artigo publicado no Jornal Avante, escrito por Joel Dias da Silva.

[26] Idem.

[27] http://www.metodista4re.org.br/noticiasnew.asp?Id=173

[28]  Idem.

[29] Kennedy, James Lillbourne Cinqüenta anos de metodismo no Brasil. 1928, p.75.

[30] Bruce, J.L – Fonseca, Cardoso. Os pregadores evangélicos ao povo de Sabará. Expositor Cristão.

São Paulo, 28 de maio de 1892, v.V, nº 39, p.2.

[31] Tucker, Huch. Correspondência do Norte. Expositor Cristão. SP, 1º de novembro de 1889, v.VIII, nº 6, p.1.

[32] Gênero, religião, missionarismo e identidade protestante norte-americana no Brasil ao final do século XIX e inícios do XX, por Eliane Moura da Silva. www.metodista.br.

[33] Kennedy, James Lillbourne. Cinqüenta anos de metodismo no Brasil. 1928, p.105.

[34] https://pt.wikipedia.org/wiki/Hugh_Clarence_Tucker

[35] https://pt.wikipedia.org/wiki/Hugh_Clarence_Tucker

[36] https://www.educamaisbrasil.com.br/escolas/ce-reverendo-hugh-clarence-tucker

[37] https://catalogue.nla.gov.au/Record/6848177

[38] https://pt.wikipedia.org/wiki/Hugh_Clarence_Tucker

[39] Idem.

[40] Dário duma viagem, Rev. Gaspar D’Almeida, Diretor do Jornal “O Estandarte”. Delegado de Luanda, Angola. https://purl.pt/24131/4/744602_PDF/744602_PDF_24-C-R0150/744602_0000_capa-capa_t24-C-R0150.pdf.

[41] www.time.com/time/magazine/article/0,9171,796186,00.html?promoid=googlep -

[42] http://www.metodistavilaisabel.org.br/artigosepublicacoes/descricaobiografias.asp?Numero=587

[43] http://www.tabernaculo.com.br/arquivo/2001/junho/paginas/testemunhos.htm. Artigo publicado no Jornal Avante, escrito por Joel Dias da Silva.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog