Impacto do amor de Deus

 

A experiência dos primeiros metodistas

 

 

Odilon Massolar Chaves

 

 

 


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 Tradutor: Google

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Odilon Massolar Chaves é pastor metodista aposentado, doutor em Teologia e História pela Universidade Metodista de São Paulo.

Sua tese tratou sobre o avivamento metodista na Inglaterra no século XVIII e a sua contribuição como paradigma para nossos dias.

Foi editor do jornal oficial metodista e coordenador de Curso de Teologia.

É escritor, poeta e youtuber.

Toda glória seja dada ao Senhor

 


"O poderoso poder de Deus desceu sobre mim; meu coração foi esvaziado de todo mal, e Jesus tomou todo o quarto. Eu não podia mais me abster de contar o que Deus tinha feito pela minha alma. Meu coração estava cheio de amor e alegria, e meus lábios o louvavam”.

 

     (Richard Rodda)

 


Índice

 

 

·      Introdução

·      O amor de Deus segundo Wesley

·      A experiência de miss Berresford

·      A experiência de Elizabeth Ritchie

·      A experiência de Richard Rodda

·      A experiência Alexander Mather

·      A experiência de John Jane

·      A experiência de Elizabeth Bennis

·      Susanna Wesley e a experiência

·      A experiência de Hester Ann Roe

·      Carlos Wesley e sua experiência

·      O propósito de Wesley 


Introdução

 

 João Wesley escreveu em um dos seus hinos sobre a base do vitorioso movimento metodista:

 

É amor! É amor! Tu morreste por mim! 
Eu ouço Teu sussurro no meu coração; 
A manhã quebra, as sombras fogem 
Amor universal puro Tu és; 
Para mim, para todas as Tuas misericórdias se movem: 
Tua natureza e Teu nome é Amor
.[1] 

Este livro tem o propósito de relatar algumas das experiências dos primeiros metodistas com o amor de Deus e como a Sua graça os alcançou. 

O amor foi a base do metodismo no século XVIII na Inglaterra. O seu propósito era que os metodistas fossem aperfeiçoados em amor alcançando a perfeição cristã. 

Foi para esse propósito que Deus levantou o povo chamado metodista. Pelo menos, foi essa convicção que fez com que Wesley liderasse o um movimento que impactou o povo inglês.

Wesley resgatou a essência do amor, que na época era entendido como “caridade” por causa da tradução errada da palavra grega “ágape” na Bíblia oficial da Inglaterra. 

Os metodistas fizeram parte do povo do coração aquecido, que experimentou a grandeza do poder e do amor de Deus. 

Este livro mostra algumas dessas maravilhosas experiências os primeiros metodistas. 

Relata como a graça de Deus os alcançou através do Seu amor. 

O Autor

 

O amor de Deus segundo Wesley

 

Os primeiros pregadores e líderes de células metodistas, na Inglaterra, no século XVIII, foram destemidos, abnegados e santificados. Com João Wesley, esses leigos impactaram a Inglaterra e fizeram toda a diferença.

A ênfase era buscar o perfeito amor, a santidade, a perfeição cristã entendida como uma vida liberta do domínio do pecado e cheia de amor a Deus e ao próximo.

A expressão “batismo de amor” não era utilizada, mas a ênfase no perfeito amor, sim!

Wesley disse: “Um metodista é alguém que tem o amor de Deus em seu coração, pelo Espírito Santo que lhe foi dado; é alguém que ama ao Senhor seu Deus, ‘com todo o seu coração, com toda a sua alma, com todo entendimento e força (...).”[2]. Sua definição é mais ampla, mas esta afirmação é a principal.

Apesar de Wesley não definir claramente o amor, ele “normalmente entende o amor como uma ação que promove o bem-estar. O amor é “benevolência”, diz ele, “terna boa vontade para com todas as almas que Deus criou”. Outras vezes ele diz que amor é “boa vontade”. A pessoa que ama é alguém que abençoa os outros, beneficia os outros, desfruta de benefício mútuo ou vence o mal com o bem. São todos atos de amor, entendidos como promotores de bem-estar”.[3]

Para Wesley o que é claro na Bíblia é que Deus é a fonte do amor. Além disso, Deus nos capacita a amar. Para Wesley, o atributo principal de Deus é o amor.

A ética de Wesley está enraizada no amor ou santidade. O principal compromisso social de Wesley é o amor. O amor é a chave na teologia de Wesley para a ética pessoal e social.[4]

Wesley disse que conheceu um grande número de pessoas de todas as idades e sexos que foram santificadas totalmente, isto é, "lavados de toda impureza da carne e do espírito", de modo que "amavam ao Senhor seu Deus de todo o seu coração, alma e força", que continuamente "apresentavam as suas almas e os corpos num vivo, santo e aceitável sacrifício a Deus", e, em consequência disso, "regozijavam-se sempre, e oravam sem cessar e em tudo davam graças."[5]

Aqui vemos a vida liberta do pecado; cheia de amor; dedicando-se ao seu Senhor, constantemente alegre, orando sem cessar e em tudo davam graças.

No seu sermão de 1741, “The Almost Christian” (Os quase cristãos), Wesley reafirma a importância do derramamento do amor para os cristãos:

“A grande questão de todos, então, ainda permanece. O amor de Deus é derramado no seu coração? Você pode gritar: 'Meu Deus e meu tudo'? Você não deseja nada além dele? Você está feliz em Deus? Ele é sua glória, seu deleite, sua coroa de alegria? E este mandamento está escrito em seu coração: 'Aquele que ama a Deus também ama seu irmão'? Você ama seu vizinho como a si mesmo? Você ama cada pessoa, até mesmo seus inimigos, até os inimigos de Deus, como sua própria alma? Como Cristo te amou? Sim, crês que Cristo te amou e se entregou por ti? … E o Espírito de Cristo testifica com o teu espírito que és filho de Deus?”.[6]

O avivamento no meio do povo chamado metodista proporcionava o aperfeiçoamento do amor.

 

Os pregadores metodistas eram aperfeiçoados em amor.

Um dos reavivamentos que impressionaram Wesley foi o de Weardale, em 1772. Entre as semelhanças com os outros  reavivamentos estão: "seu surgimento inesperado, rápido progresso, grande número de conversões, emoções violentas que ocorreram, e o povo simples que o liderou", mas também  Wesley  percebeu  que  haviam  diferenças:   “Este era um verdadeiro reavivamento do trabalho, não um começo; o povo foi despertado e justificado em tempo muito mais curto; um número muito maior foi convertido; o número de visões e revelações fatalmente falsificadas pelo diabo foi bem menor; e o grupo de liderança incluía três pregadores itinerantes que foram renovados em amor (...).”[7]  

Esse amor de Deus, o próprio Wesley experimentou na conhecida noite de 24 de maio de 1738.

 

O site oficial da Igreja Metodista da Inglaterra relata essa “Garantia do amor de Deus”:

 

Garantia do amor de Deus

“À noite, fui muito relutantemente a uma sociedade na Rua Aldersgate, onde se estava lendo do prefácio de Lutero até a Epístola para os romanos. Cerca de um quarto antes das nove, enquanto ele descrevia a mudança que Deus trabalha no coração através da fé em Cristo, senti meu coração estranhamente aquecido. Senti que confiava em Cristo, só em Cristo, pela salvação. E uma garantia me foi dada que ele tinha tirado meus pecados, até mesmo os meus, e me salvou da lei do pecado e da morte”.[8]

Em seu Diário, Wesley cita diversas pessoas que experimentaram intensamente e praticavam esse amor.

Veja essas experiências a seguir.

 


A experiência de miss Berresford

 

“Se miss Berresford não for para o céu, ninguém irá”

 

João Wesley sempre acompanhou e escreveu em seu diário sobre as experiências espirituais dos metodistas.

Aqui temos alguns desses relatos sobre miss Berresford; o testemunho de onze pessoas numa visita que ele fez a Rotherham; a experiência de Elizabeth Longmore num culto e a transformação ocorrida na vida da jovem Grace Paddy,

Sobre miss Berresford havia um ditado que dizia: “Se miss Berresford não for para o céu, ninguém irá”. Ela foi modelo de piedade e de atividade. Ela possuía ardente amor. No final de sua vida, ela disse: “Oh! Estou cheia do amor de Deus”.[9]

Certa vez, numa visita a Rotherham, encontrou cinco homens e seis mulheres que acreditavam estarem salvas do pecado. Regozijavam sempre, oravam sem cessar e em tudo davam louvor. Wesley afirmou: “Creio que nada sentem senão amor”.[10]

Sobre Elizabeth Longmore, Wesley registrou o que ela disse e sentiu durante um culto: “Na hora em que o Sr. Fugill começou a falar, senti que minha alma era toda amor (...). Esquadrinho o coração constantemente, e nada acho ali senão amor”.[11]

Em 1765, visitou Redruth para ouvir a história de Grace Paddy, jovem serena e bem educada. Ela descreveu a mudança em sua vida e disse: “(...) Senti mudança inexplicável no fundo do meu ser, e desde aquela hora não tenho sentido ira, nem vaidade ou mau gênio: nada que seja contra o puro amor de Deus, que sinto constantemente. Não desejo outra coisa senão a Cristo; e tenho Cristo sempre reinando no coração”.[12]

 


A experiência de Elizabeth Ritchie

 

“Deixe só o amor habitar no meu peito!” 

Mas vamos conhecer profundamente mais três experiências sobre a vida de amor, uma marca essencial sobre a santidade:

Elizabeth Ritchie (1754-1835) nasceu em Otley, Yorkshire, Inglaterra. Era filha de John Ritchie. Serviu muitos anos como cirurgião na marinha. Ele era um homem sensato, amável, bem informado. Tinha um grande gosto pelas belezas da natureza. Temia a Deus e recebia os pregadores metodistas hospedando-os em sua casa. Em sua aposentadoria, ele foi para o vale de Wharfdale, uma vila adorável, onde se casou com Beatrice Robinson, de Bram Hope. Depois foram para Otley em 1754. 

Desde pequena Elizabeth teve sensibilidade e sentia muita dor quando um parente ou amigo chorava. Seus pais eram metodistas e João Wesley frequentemente ficava em sua casa. Ela era conhecida também como Eliza Ritchie.

 

Quando jovem, ela teve lutas contra as tentações. A oração foi negligenciada e tudo deu errado. Wesley a ajudou com conselhos.

Um dia, Wesley lhe perguntou quais livros ela lia e prometeu lhe dar uma lista de coisas que ele achava que poderiam lhe ser úteis. Este parece ter sido o começo de um relacionamento que depois se transformou em uma amizade íntima.

Aos 18 anos, ela entregou sua vida a Jesus. Certa vez, ela acompanhou Wesley a Birstal. Wesley perguntou a Elizabeth como foi seu encontro com o Senhor. Ela lhe falou desse assunto com o coração aberto e depois escreveu: “De fato, essa oportunidade foi um privilégio que eu não esperava. Eu confio que vou colher um benefício duradouro disso. No sábado seguinte, ao suplicar ao Senhor em oração para me santificar, Ele me abençoou grandemente, com uma aplicação poderosa dessa promessa; Eu sou teu Deus. Senti paz inexprimível; e o grito da minha alma foi: 'Deixe só o amor de vocês habitar no meu peito!' Eu estava consciente de que uma mudança abençoada efetuara dentro de mim. O Senhor estava muito perto e me fez verdadeiramente feliz em mim mesma.”[13]

 


A experiência de Richard Rodda

 

“Meu coração estava cheio de amor e alegria, e meus lábios o louvavam” 

Uma outra experiencia forte com o poder de Deus foi com Richard Rodda (1743-1815). Ele teve a vida transformada e se tornou um pregador metodista em um dos lugares mais difíceis.

Richard Rodda nasceu em Sancreed, Cornwall, Inglaterra.  Desde cedo, ele desenvolveu uma consciência grande de Deus e do seu pecado e desejou fugir da ira vindoura.

Seus pais rejeitavam o metodismo, pois ouviram dizer que os metodistas eram inimigos da Igreja e do Estado. Mas sua irmã ouviu um pregador metodista e se converteu.

A mudança em sua vida foi tão grande que sua mãe foi ouvi-lo e também se converteu. Em 1756, aos 13 anos de idade, Rodda teve forte convicção do pecado.

Certa vez, Rodda escreveu: "O poderoso poder de Deus desceu sobre mim; meu coração foi esvaziado de todo mal, e Jesus tomou todo o quarto. Eu não podia mais me abster de contar o que Deus tinha feito pela minha alma. Meu coração estava cheio de amor e alegria, e meus lábios o louvavam”.

Ele pregou, em grande parte, em Cornualha, local histórico de perseguição aos metodistas. Ele, contudo, superou tudo e nunca desanimou ou duvidou do seu chamado como pregador itinerante.

Certa vez, escreveu a Wesley: “Creio que, para alcançar a salvação final, nossa fé deve ser produtiva de boas obras; que sem santidade completa e pessoal, ninguém verá o Senhor. Isto é tão plenamente afirmado na Palavra de Deus que estou persuadido que todo o ofício dos homens e toda a raiva dos demônios não podem derrubá-lo”.[14] 

 

A experiência de Alexander Mather

 

“O que eu vivenciei em minha própria alma foi uma libertação instantânea” 

Alexander Mather (1733-1800) se converteu e se   tornou um pregador metodista. Ele organizou igrejas e sua pregação sobre a perfeição cristã era poderosa.

Alexander Mather nasceu em Brechin, na Escócia. Foi educado de forma rigorosa e severa pelo pai, que era anglicano. Isso o levou a sair de casa aos 12 doze anos, em 1745, para apoiar os rebeldes contra o rei, na “Revolta Jacobita”*.

Foi salvo de morrer em combate e, ao ser salvo de um afogamento, sentiu que Deus o salvara para um propósito. Os rebeldes foram perseguidos e seu pai não o recebeu de volta. Depois do perdão aos rebeldes, seu pai o deixou voltar para casa, mas não o apoiou na escola.

Mather trabalhou com seu pai na padaria. Aos 19 anos, foi para Londres, onde se tornou padeiro e se converteu com a pregação de Wesley.

Convenceu seu chefe e os outros padeiros de Londres a se recusarem a fazer pão aos domingos. Com o tempo, seu chefe se tornou rico. Isso foi visto como sendo por honrar o domingo.

Em 1756, ao se sentir chamado a pregar, Wesley lhe disse "ser um pregador metodista não é o caminho para a facilidade, honra, prazer ou lucro. É uma vida de muito trabalho e reprovação”.

Sendo franco, Wesley disse que os pregadores muitas vezes, vivem com escassez e “são propensos de serem apedrejados, espancados e abusados de várias maneiras. Considere isso antes de se envolver em um modo de vida tão desconfortável”. Ele era um guerreiro e aceitou. Mather organizou igrejas e sua pregação sobre a perfeição cristã era poderosa.

Wesley pediu e Mather fez um relato de sua experiência, que ocorreu em 1857, em Rotherham, Inglaterra:

“O que eu vivenciei em minha própria alma foi uma libertação instantânea de todos aqueles temperamentos e afeições errados que eu tinha (...), um desapego completo de toda criatura, com um inteiro devotamento a Deus; e desde esse momento eu encontrei um prazer indizível fazendo a vontade de Deus em todas as coisas. Eu tinha também um poder para o fazer, e a aprovação constante da minha própria consciência e de Deus.

Eu tinha simplicidade de coração, e um único olhar para Deus, em todos os momentos e em todos os lugares, com tanto zelo para a glória de Deus e o bem das almas (...). Acima de tudo, tive uma comunhão ininterrupta com Deus (...)”.[15] 

 

A experiência de John Jane

 

 

Encontro o amor de Deus em Cristo Jesus"  

John Jane é considerado um dos mártires metodistas. Um dos registros sobre ele é de março de 1750, quando Wesley, a caminho da Irlanda, o alcançou em Holyhead com três xelins no bolso.

Em 1776, John Jane visitou Colne, o primeiro que pregou nesse lugar. Inocentemente andava pela cidade, quando a multidão o puxou para fora de seu cavalo.

Ele aproveitou a oportunidade e exortou veementemente a todos para "fugirem da ira vindoura". Ele faleceu com um sorriso no rosto. Suas últimas palavras foram: “Encontro o amor de Deus em Cristo Jesus".[16] 

 

A experiência de Elizabeth Bennis

 

 

"A luz quebrou em mim em um momento e baniu todos os tons de escuridão” 

 

Elizabeth Patten Bennis (1725-1802), aos 18 anos perdeu seu pai e, dois anos depois (1745), ela se casou com seu primo Mitchell Bennis (1720-1788), um comerciante de ferragens.

 

Em 1749, o pregador metodista Robert Swindells estava a caminho de Waterford e passou por Limerick, onde pregou nas ruas. Eliza “ouviu um distúrbio fora de sua janela: era uma multidão de pessoas seguindo um pregador metodista que tinha chegado recentemente na cidade e estava pregando ao ar livre. Elizabeth resolveu ir e ouvi-lo”.

 

Um mês, depois foi a primeira a participar de uma classe metodista em Limerick formada por Swindells. Em 23 de junho, ela escreveu que "a luz quebrou em mim em um momento e baniu todos os tons de escuridão... Eu poderia agora acreditar em ter Cristo como meu e apropriado Sua misericórdia para a minha própria alma”.

 

Esta experiência de conversão formou a base para o resto de sua vida. Logo se tornou líder de classe na reunião da sociedade metodista em Limerick. Durante quarenta anos foi uma das principais líderes. Era “sincera, enérgica e notavelmente concentrada”.

 

Conheceu João Wesley com quem manteve uma longa correspondência (1749-1779).

 

“Eliza foi uma dessas mulheres notáveis ​​que influenciaram o curso da história metodista. Ela estava ativamente envolvida no crescimento e manutenção do metodismo na Irlanda e serviu como conselheira espiritual para muitos”. Ela manteve Wesley informado sobre a evolução irlandesa.

 

Eliza escreveu sobre o propósito e jeito amoroso de Deus agir: “Ele lida com ternura; Não quebra nossos espíritos, descobrindo-nos de uma só vez toda a imagem odiosa do nosso coração; Mas por pouco e pouco como somos capazes de suportar e com este ponto de vista para nós o remédio também; Como a descoberta de uma mina rica, que embora guardada com um tesouro inestimável, mas exige mão-de-obra para nos colocar na posse dela, devemos cavar antes de chegar à pérola  (...)”.  

Eliza foi uma mulher com profundo conhecimento do caráter e propósitos de Deus. Eliza é considerada uma das “mães” do metodismo. [17]

 


Susanna Wesley e a experiência

 

 

‘Precisamos conhecer Deus por experiência, a menos que o coração perceba e o conheça como sendo o bem supremo, a sua única felicidade, a menos que a alma sinta e reconheça que não pode ter repouso, paz, alegria, Amar e ser amado por Ele” 

Susanna Wesley (1669-1742) era a 25ª filha do Dr. Samuel Annesley e Mary White. Seu pai era um dissidente da Igreja Anglicana.

É conhecida como a mãe do metodismo por ter ensinado aos filhos uma vida disciplinada e metódica. Ela gostava de teologia. Dominava bem francês, latim e o grego.

No dia 11 de setembro de 1688, com 19 anos, casou-se com Samuel Wesley, que tinha 26 anos, e tiveram 19 filhos. Nove de seus filhos morreram quando bebês.

“As frequentes ausências de seu marido no negócio da igreja deixaram a gerência da casa em suas mãos. Através dela, ela permaneceu uma cristã firme que ensinava não somente através das Escrituras, mas através de seu próprio exemplo de confiança diária em Deus. Uma vez ela escreveu: ‘Precisamos conhecer Deus por experiência, a menos que o coração perceba e o conheça como sendo o bem supremo, a sua única felicidade, a menos que a alma sinta e reconheça que não pode ter repouso, paz, alegria, Amar e ser amado por Ele”.

Susanna Wesley escreveu meditações e comentários bíblicos para seu próprio uso.

Em 1735, ficou viúva e foi morar com uma filha. Em 1740, Wesley a levou para a Fundição*, em Londres, onde ela viveu ao redor dos metodistas, que eram pessoas amorosas.

No final da vida, com os filhos ao redor, ela os instruiu: “Crianças, assim que eu for liberada canta um salmo de louvor a Deus”. Ela faleceu em 23 de julho de 1742.[18]


A experiência de Hester Ann Roe 

 

“Meus pecados se foram, minha alma estava feliz; e eu desejava partir e estar com Jesus. Eu era verdadeiramente uma nova criatura, e parecia estar em um mundo novo!".  

Hester Ann Roe (1756-1794) nasceu em Macclesfield, Inglaterra. Era filha do Rev. James Roe, da Igreja Anglicana, curador de São Miguel. “Seu irmão, Charles Roe, era um empreendedor principal nas indústrias da seda e do cobre”. Aos 9 anos, ela perdeu seu pai. 

Hester era uma menina religiosa, que se sentia sempre caindo em pecado: "eu caí em todos os vãos costumes e prazeres de um mundo ilusório”. Ela vivia em culpa e longe da alegria do Senhor. 

Por causa de rumores, ela acreditava que os metodistas eram falsos profetas. Mas um dia, Hester disse a sua mãe: "Devo buscar a salvação da minha alma, quaisquer que sejam as consequências. Estou, portanto, determinada a deixá-lo, e ir ser uma serva, em vez de ser mantido longe dos Metodistas”.[19] 

Em 1774, ouviu as pregações do metodista Samuel Bardsley e buscou o novo nascimento orando em casa e cortando laços com o mundo. Depois, disse: Meus pecados se foram, minha alma estava feliz; e eu desejava partir e estar com Jesus. Eu era verdadeiramente uma nova criatura, e parecia estar em um mundo novo!". 

Em 1776, conheceu Wesley. A visita de dois dias de Wesley a Macclesfield, onde ela morava, foi um turbilhão. Numa manhã, Wesley pregou três vezes. 

Ela ficou impressionada com a "ternura parental", de pai para filha, de Wesley com ela e com a sabedoria de seu conselho espiritual. 

Entre 1776 e 1784, Wesley anualmente visitou Macclesfield. Hester registrou seis encontros com Wesley em seu diário. 

O envolvimento de Hester com os metodistas trouxe dura perseguição e indiferença de familiares e amigos. Certa vez, ela se aconselhou com Wesley e registrou sobre sua forma de orar: “orava com um espírito de luta, para que eu pudesse suportar”.

Em 1791, estava no quarto, onde Wesley morreu. Provavelmente, devia ser governanta de Wesley, pois estava presente em seu leito de morte. 

Em 19 de agosto de 1784, ela se casou com. James Rogers, um pregador metodista.[20] 

Liderou "reuniões de classe" e "bandas" para os que buscavam o "amor perfeito". Liderou as "Festas do Amor". [21]

 


Carlos Wesley e sua experiência

 

Ó Amor Divino, rico,
 Alegria traz do céu;
     Faz de nós moradas simples,
        Com mercê que é fiel.
     Cristo, pura compaixão és;
        Infinito, puro amor;
     Salvação és, nos visita,
        Em nós entra com fulgor.
[22]

 

Carlos Wesley (1707-1788) em seus hinos descreve sobre esse amor de Deus. Carlos era filho de Suzana e Samuel Wesley. Irmão de João Wesley. Ele criou o Clube Santo, em 1729, e foi como missionário com Wesley para a Geórgia, em 1735.

Mas foi um grande fracasso. Não conseguiu realizar um ministério com a graça de Deus e isso afastou os paroquianos.

Carlos teve sua própria experiência de “coração aquecido” apenas alguns dias antes de Wesley, em 21 de maio de 1738: “(...) no meio de contínuas lutas espirituais enquanto estava doente no domingo de Pentecostes, sentiu ´uma estranha palpitação no coração´, foi capaz de dizer ´Eu creio, eu creio!´ e achou-se em paz com Deus.”[23]

Ele veio a reconhecer o amor de Deus na presença do Espírito Santo que foi dissipando a escuridão da dúvida de seu coração. 

Nesse dia, no processo a experiência, ele disse: “Depois abri sobre Isaías 40:1: "Conforte-se, conforte-vos, meu povo, diga ao seu Deus: fale confortavelmente com Jerusalém, e chore a ela, que sua guerra seja realizada, que sua iniquidade seja perdoada; pois ela recebeu da mão do Senhor duplo para todo o seu pecado. Agora me encontrei em paz com Deus, e me alegrou na esperança de amar a Cristo”.[24]

Carlos Wesley chamou esse dia de “Dia da libertação”.

Ele compôs dois hinos nesse dia. O primeiro verso de um deles diz:

“Onde minha alma errante começará?
Como devo todos os céus aspirar?
Um escravo resgatado da morte e do pecado,
uma marca arrancada do fogo eterno,
como eu igualarei triunfos,
e cantarei o louvor do meu grande libertador?”
[25]

 

Era o Dia de Pentecostes. Um domingo, 21 de maio de 1738.

Ele disse: “Eu acordei na esperança e expectativa de Sua vinda. Às nove, meu irmão e alguns amigos vieram, e cantaram um hino ao Espírito Santo. Meu conforto e esperança aumentaram. Em cerca de meia hora eles foram: Eu me peguei para a oração(...).[26]

A experiência de Carlos Wesley foi semelhante a do seu irmão João Wesley.

Carlos passou a ser um pregador itinerante com grande ousadia. Durante longos anos pregou.

Escreveu também milhares de hinos, entre 6 e 9 mil hinos.,

“Os hinos de Carlos Wesley estão repletos de referências ao amor. Na Páscoa, cristãos de todo o mundo repetem as palavras de sua mais famosa composição: "Cristo, o Senhor ressuscitou hoje" e declaram: "A obra redentora do amor está terminada, Aleluia!".[27]

Nos títulos e versos dos hinos de Carlos Wesley, vemos a profundidade como ele entendia sobre Deus e o Seu amor.

Ele escreveu sobre o “Todo poderoso Deus do amor”; Vem, soberano amor, Jesus”;  “Deus todo poderoso da verdade e do amor”; Ó gloriosa esperança de amor perfeito!”; “Amor estupendo do Deus Altíssimo!” etc.

No início desse último hino acima relacionado, Carlos Wesley escreveu sobre a necessidade de termos esse amor:

“Amor estupendo do Deus Altíssimo 
Ele vem ao nosso encontro do céu

Na maior majestade; 
Cheia de graça indizível”.
[28]

 

A visão de Carlos Wesley, Deus é “puro amor ilimitado”, como ele escreveu em um dos seus hinos.

Carlos (Charles) enfatizou o processo gradual pelo qual um cristão cresce em uma peregrinação de fé para alcançar o perfeito amor. “Para Charles, o novo nascimento iniciou uma jornada. Charles Wesley buscou a realização completa do amor perfeito no final de uma vida vivida da graça à graça através do sofrimento”.[29]

Carlos Wesley foi chamado de o mais talentoso escritor de hinos que a Inglaterra já conheceu".

Frank Baker calculou que Carlos escreveu, em média, dez versos por dia durante 50 anos. Ele deve ter escrito cerca de dez mil hinos ou poemas religiosos.[30]   


O propósito de Wesley

 

Esses e outros pregadores e pregadoras metodistas foram destemidos, abnegados e santificados. 

O propósito de Wesley era levar os metodistas à perfeição em amor

Como esses pregadores e pregadoras metodistas chegaram a ser tão consagrados? 

Todas estas três palavras “destemidos, abnegados e santificados” estão relacionadas ao perfeito amor: 

- O perfeito amor lança fora o medo (1Jo 4.18); 

- Umas das marcas do amor ágape é a abnegação (1Ts 1.3); 

- Devemos amar os inimigos para sermos perfeitos (Mt 5.48). 

Os metodistas eram capacitados e estimulados a alcançar o perfeito amor por Wesley. 

Durante a vida de John Wesley, a reunião de classe foi o coração do metodismo.[31] As classes eram pequenos grupos de discipulado de apoio onde os membros eram responsáveis ​​uns pelos outros. Eles confessavam os seus pecados uns aos outros, oravam uns pelos outros e motivavam uns aos outros ao amor e boas obras. 

A única condição para entrar nas classes era o desejo de fugir da ira vindoura, para ser salvo dos seus pecados.[32] 

As sociedades organizadas no metodismo dividiam os membros em classes, que eram agrupadas geograficamente e continham todas as pessoas da Sociedade. Por volta de 1742, a Sociedade de Londres tinha mais de mil membros. 

Wesley orientou como as pessoas deveriam se agrupar:  “Para que se possa discernir mais facilmente se estão realmente realizando a sua salvação, cada sociedade é dividida em grupos menores chamados classes, de acordo com as suas residências. Há cerca de 12 pessoas em cada classe sendo uma delas indicada para ser o líder.” [33]      

Cada metodista pertencia a uma classe. A reunião era uma partilha da experiência pessoal da semana passada. Eles aprenderam com isso a terem autoconfiança e a capacidade de falar em público. 

A classe foi um lugar para serem aceitas todas as pessoas de diferentes origens sociais.[34] Todas as pessoas confessavam as suas falhas e buscavam a salvação e a santificação. 

Wesley escreveu como uma pessoa era admitida na classe e na Sociedade: Qualquer pessoa determinada a salvar a sua alma podia ser unida com os metodistas (esta é a única condição necessária). Mas esse desejo devia ser comprovado por três marcas: evitar todo o pecado conhecido, fazer o bem e atender todas as ordenanças de Deus. 

A pessoa era então colocada em uma classe que fosse conveniente para ela onde passava cerca de uma hora por semana. E no próximo trimestre, nada se opondo, seria admitida na Sociedade.[35] 

As classes se diferenciavam dos bands: eram agrupadas geograficamente em vez de serem divididas pela idade, sexo ou estado civil; elas continham todas as pessoas da sociedade, não apenas aquelas que voluntariamente se agrupavam.[36]

As classes serviram como uma ferramenta evangelística (a maioria das conversões ocorreu neste contexto) e como um agente de discipulado”.[37] 

Bands eram pequenos grupos criados para levar os metodistas ao perfeito amor. Os bands foram importantes no processo de formação da organização metodista.[38] 

As principais atividades dos bands “eram a confissão e a oração; o alvo deles era o crescimento espiritual. Os bands eram homogêneos, de acordo com o modelo morávio; havia band de mulheres, de homens e mesmo de rapazes (...).”[39] 

Os bands eram grupos de cinco ou seis pessoas do mesmo sexo comprometidos um com o outro e para a vida santa. Eles se reuniam para ajudar uns aos outros no caminho da perfeição cristã. Estes eram grupos ‘mais profundos da vida" e apenas cerca de um terço da típica sociedade metodista entrou, ou foi convidado a integrar os bands de onde eles compartilharam suas jornadas espirituais "sem reservas e sem disfarce.’ John Wesley chamou isso de "conversa íntima". Ele sentia que o metodismo foi mais próximo do ideal do Novo Testamento nas reuniões de bands.[40]

Hoje perdemos muito dessa visão. Mas podemos ainda colocar a ênfase na santidade, que gera perfeito amor e o reinado de Cristo em nosso coração. 

Podemos ser, sim, novamente uma Igreja com discípulos destemidos, abnegados e santificados como havia no metodismo primitivo. 

Um dos reavivamentos que impressionaram Wesley foi o de Weardale, em 1772. Entre as semelhanças com os outros  reavivamentos estão: "seu surgimento inesperado, rápido progresso, grande número de conversões, emoções violentas que ocorreram, e o povo simples que o liderou", mas também  Wesley  percebeu  que  haviam  diferenças:   “Este era um verdadeiro reavivamento do trabalho, não um começo; o povo foi despertado e justificado em tempo muito mais curto; um número muito maior foi convertido; o número de visões e revelações fatalmente falsificadas pelo diabo foi bem menor; e o grupo de liderança incluía três pregadores itinerantes que foram renovados em amor (...).”[41]  

 



[1]https://churchsociety.org/issues_new/history/wesleychas/iss_history_wesleychas_Colquhoun-intro.asp

[2] WESLEY, João. As Marcas de Um Metodista. Publicado pelo Departamento de Editoração, São Paulo,  [s.d.], p.3.

[3] http://thomasjayoord.com/index.php/blog/archives/john

[4] Christian Love: The Key to Wesley's Ethics by Leon O. Hynson.

archives.gcah.org/.../Methodist-History-1975-10-Hynson.pdf?

[5] BUYERS, Paul Eugene. Diário de João Wesley. São Paulo, Imprensa Metodista, 1965, p.192.

[6] WESLEY, João. Trechos do Diário de João Wesley. São Paulo: Imprensa Metodista, 1965, p.25.

[7] HEITZENHATER, Richard P., Wesley e o Povo Chamado Metodista, Editeo-Pastoral Bennett, 1996, , p.249.

[8] www.methodist.org.uk/about-us/the-methodist-church/what-is-distinctive-about-methodism/assurance-of-gods-love/

[9] WESLEY, João. Trechos do diário de João Wesley. Traduzido por Paul Eugene Buyers. São Paulo: Imprensa metodista, 1965, p.124.

[10] Idem, p; 126.

[11] Idem, p. 128.

[12] Idem, p.87.

[15] *Os levantes jacobitas, uma série de insurreições, rebeliões e batalhas nos reinos da InglaterraEscóciaIrlanda ocorridas entre 1688 e 1746. As insurreições tinham o objetivo de reconduzir Jaime II da Inglaterra, e mais tarde os descendentes da Casa de Stuart, para o trono após este ter sido deposto pelo Parlamento durante a Revolução Gloriosa. A origem do nome da série de conflitos está em Jacobus, a forma latina do nome inglês James. Apesar de cada levante jacobita ter características únicas, eles foram parte de uma série maior de campanhas militares dos jacobitas, a chamada mesmo a Guerra Jacobita, na tentativa de reconduzir os reis Stuart aos tronos da Escócia e Inglaterra

Fonte: (https://pt.wikipedia.org/wiki/Levantes_jacobitas).

http://holinesslibrary.com/index/htec/m/alexander-mather/

https://www.francisasburytriptych.com/alexander-mather/

http://weeklywesley.blogspot.com.br/2010/11/alexander-mather-methodist-preacher.html

http://www.npg.org.uk/collections/search/portrait/mw64790/Alexander-Mather

http://www.library.manchester.ac.uk/search-resources/guide-to-special-collections/methodist/using-the-collections/biographicalindex/mcallum-mylne/header-title-max-32-words-365421-en.htm.

[16] Rev. J. Wesley’s. The Works of the Rev. John Wesley, A.M. , Volume II, Journal, May, 1776 and april, 1776. New York, 1837. Numerous Translations and Notes by John Emory.

 

[19]https://historyswomen.com/women-of-faith/hester-ann-rogers

[20] https://historyswomen.com/women-of-faith/hester-ann-rogers

[23] HEITZENHATER, Richard P., Wesley e o Povo Chamado Metodista, Editeo-Pastoral Bennett, 1996,

p.79.

[24]https://www.umcdiscipleship.org/blog/may-21-1738-charles-wesleys-experience-of-assurance

[25] Idem.

[26]Idem.

[28]https://www.poemhunter.com/poem/hymn-xxv-stupendous-love-of-god-most-high-2/

[31] http://www.goforthall.org/articles/jw_dscplshp.html

[32] Idem.

[33] BURTNER, Robert; CHILES, Robert. Coletânea da Teologia de João Wesley, ibidem, p.264.

[34] http://www.nph.com/nphweb//html/ht/article.jsp?id=10008759

[36] HEITZENHATER, Richard P. Wesley e o povo chamado metodista. Editeo- Pastoral Bennett, 1996, p.104.

[37] http://www.disciplewalk.com/files/Joel_Comiskey_Methodist.pdf.

[38] LELIÈVRE, Mateo. João Wesley, Sua vida e obra. Editora Vida, 1997, p.118.

[39] Existiam diversas sociedades na Inglaterra. Wesley e outros líderes do Clube Santo lideravam algumas, mas não necessariamente elas eram consideradas metodistas (HEITZENHATER, Richard P., Ibidem, p.103).

[40] http://blogs.nazarene.org/rev4/2011/04/02/the-bands.

[41] Ibidem, p.249.

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