Para abalar as portas do inferno e estabelecer o Reino de Deus

 

 

Wesley havia pedido a Deus 100 homens para abalar as portas do inferno e estabelecer o Reino de Deus

 

 

 

Odilon Massolar Chaves

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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 Tradutor: Google

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Odilon Massolar Chaves é pastor metodista aposentado, doutor em Teologia e História pela Universidade Metodista de São Paulo.

Sua tese tratou sobre o avivamento metodista na Inglaterra no século XVIII e a sua contribuição como paradigma para nossos dias.

Foi editor do jornal oficial metodista e coordenador de Curso de Teologia.

É escritor, poeta e youtuber.

Toda glória seja dada ao Senhor

 

 

 

Índice

 

 

 

Introdução

 

O caráter dos mais de 100 homens e mulheres

 

Os mais de 100 homens e mulheres

 

George Whitefield

 

Howell Harris

 

Conde Zinzendorf

 

John Fletcher

 

Carlos Wesley

 

As mulheres que fizeram parte dos mais de 100

 

Diversos outros líderes

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Introdução

 

 

Wesley orou pedindo que Deus lhe desses 100 homens que odiassem o pecado e que nada desejassem, senão a Deus.

 

Ele acreditava que com esses 100 homens (e mulheres), ele abalaria as portas do inferno e estabeleceria o Reino de Deus sobre a terra.

 

Na verdade, Deus lhe deu mais do que 100 homens e mulheres.

 

Durante os seus mais de 50 anos de ministério, Wesley teve diversos líderes que estavam dispostos a dar a própria vida para pregar a Palavra.

 

Foram homens e mulheres destemidos, abnegados e santificados, que experimentaram o grande amor de Deus e o poder do Espírito Santo.

 

Nada era mais importante para eles. Por isso, Deus os usou para realizar transformação de milhares de vidas e das estruturas injustas da Inglaterra, do século XVIII.

 

Neste livro, contamos um pouco da história maravilhosa desses homens e mulheres.

 

 

O Autor

 

O caráter dos mais de 100 homens e mulheres

 

 

 

           Wesley procurava pregadores destemidos para anunciar o Evangelho libertador na Inglaterra. A grande maioria foi destemida e foram usados por Deus para impactar a Inglaterra.

 

         Esses homens e mulheres foram destemidos e abnegados. Tiveram uma vida cristã semelhante aos discípulos de Jesus.

 

          Wesley disse, certa vez, a Alexander Mather: "Ser um pregador metodista não é o caminho para a facilidade, honra, prazer ou lucro. É uma vida de muito trabalho e reprovação”.

 

         E disse mais: “são propensos de serem apedrejados, espancados e abusados de várias maneiras. Considere isso antes de se envolver em um modo de vida tão desconfortável”.


           Os pregadores eram destemidos. Thomas Walsh quando era expulso de uma cidade pela multidão voltava para pregar.

 

           William Seward foi o primeiro mártir metodista. Pregava nos País de Gales e foi atingido por uma pedra.  Caiu inconsciente e depois morreu.

           Thomas Olivers foi nomeado para toda Grã-Bretanha e Irlanda porque pregava sem medo. Wesley sabia que os pregadores deveriam ser destemidos. Ele disse: “Dê-me cem pregadores que não tenham medo de nada (...).”

 

         Eles eram abnegados. Deixavam tudo para trás viajando longas milhas para pregar e visitar.

 

        John Nelson todo dia conversava com Deus por duas horas. Jejuava uma vez por semana e doava o valor da alimentação aos pobres. Durante 33 anos viajou como um pregador.

 

            Os pregadores procuravam a perfeição cristã. João Fletcher é um exemplo de vida santa. Quando perguntavam se ele queria algo, dizia:

 

            “(…) não quero nada, a não ser mais graça”. São diversos exemplos impactantes que nos inspiram e motivam a ter o mesmo propósito sabendo que é possível, sim!

 

            Se alguém quiser o motivo dos metodistas terem feito tanta diferença na Inglaterra, os dados acima são suficientes para dar os motivos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Os mais de 100 homens e mulheres

 

 

                    

          Segundo o historiador metodista Richard Heitzenhater, havia uma fermentação do Espírito Santo no mundo [1] quando Wesley e o povo chamado metodista se despertaram para reformar a Igreja, a Nação e espalhar a santidade bíblica sobre a terra, especialmente, a partir de 1738.

 

          Essa ação do Espírito Santo ocorreu em muitos lugares e na vida de diversas pessoas.

 

         Para completar, a partir de 1738, João Wesley teve uma forte experiência espiritual e viu acontecer um grande avivamento na Inglaterra.[2]

 

         Diversas pessoas  atuaram como líderes e coadjuvantes no início do movimento metodista e colaboraram na realização de uma grande mudança nos corações do povo e na estrutura da sociedade, na Inglaterra e na América, no século XVIII, dentre eles, William Morgan, Carlos Wesley,  Francis Asbury, Thomas Coke, Pedro Bohler e tantos outros.

 

 .         Alguns continuaram junto com Wesley e outros seguiram suas visões espirituais.

 

       “(...) Wesley cria firmemente que, para atender a uma          situação crítica na Inglaterra, o próprio Deus havia levantado a um ministério extraordinário, a saber, pregadores sem preparo teológico formal, sem diploma.”[3]

 

        Carlos Wesley chegou a dizer que via:

 

       “(...) tudo ao nosso redor em surpreendente fermentação. Com certeza o cristianismo está mais uma vez levantando a cabeça.” [4]

 

 

 

            Para buscar um desenvolvimento metódico de crescimento e santificação, Carlos Wesley criou o Clube Santo, em 1739.

 

            João Wesley disse: “Em novembro de 1729, data em que fui residir em Oxford, meu irmão, outros dois jovens cavalheiros e eu fizemos um acordo de nos reunirmos três ou quatro vezes por semana. Nos domingos à noite, líamos sobre teologia, e nas outras noites, os clássicos gregos e latinos”.[5]

 

       Depois, o grupo passou a ter dia de jejum, de visitação às prisões, dia de estudo da Palavra, etc.

 

        Foi assim que foram chamados de metodistas.

    

        Além do grande líder que foi João Wesley, outras pessoas também contribuíram para o avivamento metodista. É o que veremos nos capítulos seguintes.

 

 

 

 

 

 

 

     George Whitefield

 

 

 

            Whitefield nasceu em Gloucester, Inglaterra, no dia 16 de dezembro de 1714.[6] Seus pais eram zeladores da Estalagem do Sino. Muito cedo Whitefield ficou órfão de pai. Teve as suas tentações e pecados da mocidade. [7]

 

        O Clube Santo o ajudou no propósito de ter uma vida santa. Sua experiência com Deus foi em 1735, antes dos irmãos Carlos e João Wesley.[8] João Wesley o orientou sobre a justificação pela fé.

 

        Ele foi ordenado pastor anglicano[9] pelo bispo Benson, no dia 20/06/1736.[10] Uma semana depois, pregou seu primeiro sermão e cerca de 15 pessoas teriam ficado loucas depois da Palavra.[11] Verdade ou não, o fato é que as mensagens de Whitefield levavam o povo a ter manifestações físicas:

 

       “(...) foram frequentes notáveis manifestações de fenômenos físicos. Homens e mulheres choravam, desmaiavam, tinham convulsões.”[12]

 

        Qual era o conteúdo de sua mensagem e como era a sua forma de pregar?

 

       “Sua mensagem era o Evangelho da graça perdoadora de Deus, da paz alcançada pela aceitação de Cristo pela fé e da consequente vida de alegre serviço (...). Dramático, patético, insinuante, possuidor de voz maravilhosamente expressiva, os auditórios de dois continentes diante dele se fundiam como cera.” [13]

 

        Whitefield atraia multidões, uma média de 20 mil pessoas. Ele levou os irmãos Wesley a terem gosto pela pregação no "campo.”

 

        Foi o primeiro a construir uma obra social, a Kingswood School.[14] Na América construiu também um orfanato na Geórgia. [15] Ele era de origem humilde e teve uma intensa vida de oração. Suas mensagens continham estes temas: "o pecado original"; "a regeneração"; "a justificação pela fé".

 

         Foi para a América, a partir de agosto de 1739,  e teve participação importante no chamado "Primeiro Grande Despertamento" junto com Jonathan Edwards. Até Benjamim Franklin gostava de ouvi-lo pregar.[16]

 

         As pessoas se reuniam para ouvir alguém ler os seus sermões.

 

        No século XVIII, nenhum inglês pregou com tanto poder. Suas pregações eram acompanhadas de comoção espiritual. Sem espírito denominacional, pregava para todas Igrejas.   

            Marcantes foram suas pregações em Kingswood, Inglaterra, bairro habitado exclusivamente por mineiros.[17] George Whitefield esteve sete vezes na América: 1738, 1740, 1744-1748, 1751-1752, 1754-1755, 1763-1765 e 1769-1770.[18]

 

        Ele tinha sua crença particular sobre a ação do Espírito Santo:

 

       “Cria nas impressões internas, diretas, imediatas feitas pelo Espírito Santo.”[19]

 

        Até o avivalista congregacional Jonathan Edwards o censurou por isso, mas ele não o ouvia.[20] Ele acreditava que o Espírito Santo lhe falava pessoalmente.

         

         Ele se consumiu pregando o Evangelho. Após um dia intenso de pregação e atendimento a diversas pessoas, já com a saúde debilitada, Whitefield faleceu no dia 30/09/1770, aos 55 anos de idade. Ele havia convidado e Wesley pregou no seu ofício fúnebre.[21]

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Howell Harris

 

 

         Harris nasceu em Travecca, no País de Gales,[22] em 1714, e faleceu em 1773. Ele era professor e num culto anglicano na paróquia de Talgarth, no dia 25 de maio de 1735, sentiu todo o seu pecado.

 

        Após uma luta intensa, encontrou a paz ao entregar-se totalmente a Jesus.

 

         Três semanas depois, no dia de Pentecostes - 18 de junho - ele estava orando na torre de Liangasty e teve nova experiência.[23]

 

          A partir daí passou a ser um inflamado pregador.

 

       “O reavivamento em Gales começou com seriedade em meados da década de 1730 com a conversão de Howell Harris e Daniel Rowland.”[24]

 

 

         Harris começou visitando os presos. Depois passou a pregar ao ar livre. Com as conversões, passou a estabelecer as Sociedades. [25]

 

        Ele dizia que os ministros de Gales não pregavam a verdade. Ele foi perseguido e foi expulso  da sua escola. Ele clamou pelo avivamento.

 

         Nas visitas aos doentes, a palavra de Harris era acompanhada de tanto poder que muitos ali clamavam a Deus pelo perdão dos pecados.[26] Herris era sensível ao Espírito Santo.[27]

 

         Foi amigo de Whitefield e dos irmãos Wesley, com os quais fez alianças. Por isso, ele frequentou as Conferências Anuais do metodismo.[28]

 

         Em 1742, ele procurou fazer uma Associação com todas as Sociedades de Gales. Whitefield ficou como dirigente.

 

         Em 1748, Wesley participou com ele e Whitefield de uma conferência da Associação de Gales. Wesley queria a união dos diversos ramos do avivamento. Harris não apenas concordou com diversas regras visando a união. Ele também participou das Conferências wesleyanas durante três anos.[29]

 

         Eles estavam dispostos a não falarem mal um do outro e procuraram ter entendimento sobre justificação, predestinação e perfeição. Mas foi um "acordo inútil", como disse Carlos Wesley. O assunto ficou sobre a mesa.[30]

 

         Em algumas ocasiões, Harris deu um grande apoio a Wesley. Quando Wesley estava sendo pressionado para nomear pregadores, o que seria um rompimento com a Igreja Anglicana, os Wesley tiveram o apoio de Howell Harris (que participou dessa conferência a convite de Carlos Wesley).

 

            Assim, eles mantiveram firme sua posição à ordenação e à opinião de que seria ilegal que leigos ministrassem os sacramentos nas sociedades metodistas.[31] Na Conferência de 1763, havia uma grande insatisfação dos pregadores em relação ao rígido controle de Wesley.

 

          A saída de Maxfield havia criado um fermento entre os pregadores. Mas Howell Harris reprimiu os descontentes ao dizer:

 

       “Se o sr. Wesley alguma vez abusar do seu poder,    quem chorará por ele se seus próprios filhos não o fizerem.”[32]

 

              O efeito foi espantoso sobre os pregadores, que começaram a chorar e o assunto foi encerrado:

 

       “Essas simples palavras tiveram um espantoso efeito sobre os pregadores, que ´estavam chorando, por todos os lados, e desistiram inteiramente do assunto.”[33]

 

         Harris ficou sete anos de cama, pelo desgaste nas pregações. No seu enterro, mais de 20 mil pessoas estiveram presentes como gratidão e admiração.  Houve nove sermões.

 

       “Especialmente, quando foi ministrada  a Ceia do Senhor, Deus derramou abundantemente o Seu Espírito de maneira maravilhosa.”[34]

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Conde Zinzendorf

 

                                    

            Nicolau Ludwig von Zinzendorf (1700-1760) não pertenceu ao Clube Santo e nem foi um metodista, mas influenciou muito a Wesley, que via nos moravianos um modelo de vida de santidade. O moraviano Peter Bohler influenciou Wesley em sua fé.

 

        Zinzendorf foi um reformador religioso do pietismo e líder da Igreja Morávia. O Conde Zinzendorf nasceu em Dresden, no dia 26 de maio de 1700. Seu pai era um alto oficial da Corte eleitoral da Saxônia.

 

        Seu pai morreu cedo e a mãe se casou de novo. Ele foi criado pela avó, a baronesa pietista Henrietta Catarina von Gersdorf.[35]

 

        Desde jovem foi marcado pela sua vida religiosa: “Apaixonada devoção pessoal a Cristo.”[36]

 

              Zinzendorf acolheu em seu patrimônio localizado na Alemanha, os seguidores de Huss, Calvino, Lutero e outros reformadores, que estavam sendo perseguidos.

 

          Com uma parte deles tinha vindo da Morávia ficaram conhecidos como moravianos.[37]

 

         Eles estavam divididos e procuraram orar ao Senhor. No dia cinco de agosto de 1727 fizeram uma Aliança Fraternal. Passaram a enfatizar os pontos em que concordavam:

 

       “Neste dia o Conde fez uma aliança com o Senhor. Os irmãos prometeram, um por um, que seriam verdadeiros seguidores do Salvador (...).”[38]

 

              No dia 13 de agosto de 1727, enquanto oravam e participam da Ceia do Senhor algo aconteceu:

 

       “O poder e a benção de Deus vieram de forma tão poderosa sobre o grupo inteiro que tanto o pastor como o povo caíram juntos no pó diante de Deus, e nesse estado de mente continuaram até a meia-noite, tomados em oração e cântico, choro e súplicas.”[39]

 

         Em 1727, o Conde Zinzendorf se tornou Bispo Morávio. Os quatro anos seguintes foram de constantes avivamentos. Fizeram um pacto de oração contínua que durou cem anos.[40]

 

         Num período de 25 anos missionários foram enviados a diversas partes do mundo.

 

            Wesley fez a seguinte tradução do texto do Conde Zinzendorf: Coleção de Salmos e Hinos, que revela a imagem do calor positivo que a teologia morávia havia fixado como alvo de sua busca espiritual:

 

  “Oh, brilha em meu peito gelado”;

  Inspira meu coração com o sagrado calor.”[41]    

 

 

         Wesley foi a Alemanha conhecer o Conde e o trabalho dos moravianos. Retirou lições positivas e negativas.

           Wesley viu divergências no ensino de Pedro Bohler e Zinzendorf.

 

           Ele observou a organização morávia e retirou a ideia da localização geográfica das classes.

 

           Mas a partir daí passou a ter um constante conflito com eles, especialmente, na questão da "quietude" e os "graus de fé".[42]

 

         Acabou havendo divisão na Sociedade de Fetter Lane por causa de questões doutrinárias com os moravianos.[43]

 

        Alguns problemas  continuaram existindo em algumas sociedades por causa da influência morávia.

 

       “Embora João houvesse se separado dos moravianos há uns três ou quatro anos, e embora a influência antinomiana continuasse a contaminar as sociedades, ele não podia deixar de apreciar a profunda piedade que caracterizava muito dos irmãos.”[44]

 

         Os moravianos deram a Wesley os primeiros ensinamentos e exemplo de uma vida de fé e de submissão plena a Jesus.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

John Fletcher

 

 

       João Guilherme de La Flechére ou João Fletcher nasceu em Nyon, Suíça, em 12 de setembro de 1729. Descendia de uma família francesa e estudou na Universidade de Genebra.

 

       Por questões de consciência não se tornou pastor da Igreja Reformada, por causa do credo calvinista. Foi para a carreira militar. Depois desistiu e foi para a Inglaterra.[45]

 

       “Durante uma de suas permanências em Londres pôde entrar em contato com os metodistas e renasceu-lhe o zelo religioso (...).”[46]

 

 

       Wesley o  aconselhou a se ordenar na Igreja Anglicana. Logo percebeu que as pessoas não demonstravam interesses pela vida espiritual. Viu a abundância do comercio de bebidas. Tornou-se pároco de Madeley. [47]

 

       “Não era homem de alta eloquência, mas imprimia tal espirito de piedade e tal sentimento de candura no que dizia, que suas palavras chegavam fundo no coração dos ouvintes.” [48]

 

 

       Sua saúde nunca foi boa. Cuidava dos pobres. Ficou conhecido em toda a Inglaterra como “o vigário de Madeley” Apesar de ser anglicano, nunca perdeu o fervor metodista. [49]

 

       “Wesley sentiu muito que ele resistisse em aceitar o convite para substituí-lo no caso de vir a faltar. E por dois motivos não aceitou: por sua má saúde e por sua modéstia.” [50]

 

       Em 1781, casou-se com Maria Bosanquet, que havia sido excelente cooperadora de Wesley, uma das poucas mulheres que ele permitia dirigir a palavra em reuniões metodistas. [51]

       Quando Lady Huntingdon deixou o metodismo por ser favorável à predestinação, ele convidou Fletcher para ser presidente do colégio Trevecca, ele ficou no cargo por dois anos, mas depois deixou. [52]

 

       No ministério de governo da Igreja, John Fletcher se destacou. Em momentos cruciais do movimento, ele defendeu Wesley em questões doutrinárias.

 

        Ele era seu assistente e considerado o apóstolo João do metodismo.[53]

 

       Wesley foi atacado por Walter Shirley, em 1771, um clérigo que havia sido aliado de Wesley:

 

       “O suporte principal da defesa de Wesley foi John Fletcher, que havia se demitido da presidência do colégio de Lady Huntingdon em Trevecca, no inicio do ano e cuja Vindication of the Rev. Mr. Wesley Last Minutes (Defesa  das Ultimas Minutes do Rev. Sr. Wesley), publicada por Wesley logo após a Conferência de 1771, foi o tiro inicial de uma longa série de rajadas contra os calvinistas” .[54]

 

       João Guilherme de La Flechére era a pessoa cuja combinação de conhecimento e piedade vital se encaixava no modelo que Wesley tinha em mente para substituí-lo. Ele escreveu a Fletcher em janeiro de 1773, perguntando quem está capacitado para presidir o trabalho.

 

            Wesley fez uma extensa descrição do líder perfeito e, depois, perguntou se Deus havia providenciado alguém qualificado:

 

             “Quem é ele? Você é o homem!”  [55]

 

         Sobre ele, Wesley escreveu:

 

       “No decurso de 80 anos, disse ele, ‘conheci muitos homens  de coração excelente e de vida perfeita; mas nunca vi outro como ele; outro que se iguale em profunda devoção para com Deus. Homem tão imaculado como ele (...).”[56]

       John Fletcher foi o melhor amigo e mais hábil dos conselheiros de Wesley.

 

        Fletcher morreu no dia 14 de agosto de 1785.[57]

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Carlos Wesley

 

      

         Na Grã-Bretanha, outras pessoas, pobres e ricas, fizeram parte da liderança do povo chamado metodista. Uma dessas pessoas foi Carlos Wesley, que nasceu em 18 de dezembro de 1708.[58]

 

        Ele escreveu mais de nove mil hinos, que eram cantados com entusiasmo pelo povo.

 

         Carlos Wesley teve a experiência da segurança da fé primeiro que João Wesley:

 

       “(...) no meio de contínuas lutas espirituais   enquanto estava doente no domingo de Pentecostes, sentiu ´uma estranha palpitação no coração´, foi capaz de dizer ´Eu creio, eu creio!´ e achou-se em paz com Deus.”[59]

 

       Carlos Wesley sempre esteve ao lado do irmão João. Apesar de ser um tanto cético quanto aos relatos das multidões que iam às pregações de Wesley e Whitefield, mudou de opinião, quando em  24 de junho 1739 pregou em Moorfields para uma multidão, segundo ele, calculada em dez mil pessoas.[60]

 

         Mas a grande contribuição de Carlos foi com os hinos. Um dos versos fala de um momento de luta que os metodistas passavam:

 

“Permanecei firmes em Seu grande poder,

Revestidos de toda a Sua força;

E tomai para armar-vos para a luta,

A panóplia de Deus.” [61]

 

         A expressão "panóplia" quer dizer a armadura utilizada por um soldado da idade média.

 

         Contudo, Carlos Wesley expressou, acima de tudo, o grande amor de Deus em seus hinos. O Divino Amor, um dos seus hinos mais conhecidos revela a influência da Teologia Pietista, diz:

 

“Divino amor, a todos os amores supera,

Alegria do céu para a terra desce;

Fixe em nós a Sua Humilde habitação;

Toda a sua fiel misericórdia coroada!

Jesus, toda a arte e compaixão,

Puro amor ilimitado da arte.

Visite-nos com a Sua salvação;

Entre em todo trêmulo coração.

 

Respire, oh respire, Espírito amoroso,

Em todo peito preocupado!

Deixe-nos a Sua herança;

Deixe-nos encontrar o descanso.”[62]

 

         As expressões "habitação", Espírito amoroso", "descanso" revela a Teologia Pietista do coração, céu, paz interior, etc. A letra do "Divino Amor" conclui assim:

 

“Leve toda a nossa propensão a pecar;

Seja o Alfa e o Ômega;

O fim e o começo da fé,

Fixe nossos corações à liberdade.

 

Venha, Todo-Poderoso, para entregar,

Deixe-nos receber toda a sua vida;

De repente retorne e nunca,

Nunca mais deixe os Seus templos.

Em Ti seremos sempre bênçãos

Sirva-te como o Seu anfitrião no céu,

Oramos e louvamos a Ti sem cessar,

Glória no Seu perfeito amor (...)[63]

 

         Entre os outros hinos que Carlos Wesley escreveu, estão: "Vem Espírito divino inspirar nossos corações"; "Oh! Se eu tivesse mil línguas", etc.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

João Nelson

 

 

   John Nelson (1707-1770) nasceu em Birstal, Inglaterra. Quando criança, ouvia o pai ler a Bíblia para a família. Quando seu pai morreu, ele cresceu viciado em quase todos os tipos de pecado.

 

           Vivia sempre em angústia e decidiu mudar de lugar para quebrar seus hábitos pecaminosos. Em busca de descanso e paz, procurou diversas denominações em Londres, mas só encontrou a paz depois de ser impactado pela pregação de Wesley.

 

           Depois, seus amigos quiseram levá-lo de volta ao pecado, mas ele resistiu. Os vizinhos vieram em grande número para ver o que o Senhor havia feito em sua vida. Ele passou a trabalhar no comércio durante o dia e à noite pregava, convertendo vários vizinhos.

 

             Em 1742, Wesley visitou e pregou em seu bairro e ficou em sua casa. Nelson foi o pioneiro metodista em Yorkshire. Ele deixou seu trabalho e saiu por diversos lugares para pregar o Evangelho. Wesley o chamou a Londres para evangelizar. Muitas vidas se converteram.

 

            Viajaram pregando, pegaram amoras para a refeição e dormiram no chão. Nelson sofreu forte perseguição dos clérigos e de pessoas hostis. Após uma pregação, um policial o jogou numa masmorra sem comida e água como um vagabundo. Depois, conseguiu sair da prisão. Era de coragem destemida. Sua vida parecia ser um ato contínuo de fé.

 

             Era de uma grande ternura e vigilância sobre as suas palavras. Era abnegado e de temperança rígida. Por duas horas, todo dia conversava com Deus. Jejuava uma vez por semana e doava o valor da alimentação aos pobres.

 

             Durante 33 anos viajou como um pregador. Ele era de grande entendimento e profunda piedade e muito estimado. Foi chamado de “príncipe dos pregadores metodistas” e “Apóstolo do Norte”.[64]

As mulheres que fizeram parte dos mais de 100

 

 

           Dentre as mulheres, Mary Bosanquet foi o grande destaque. Foi líder de classe e criou um orfanato para os pobres. Ela se casou com John Fletcher.

 

              Mary Bosanquet Fletcher (1739 -1815) era pregadora e persuadiu Wesley  a permitir que as mulheres pregassem em público.

 

            Mary e Sarah Crosby foram as pregadoras mais populares de seu tempo.

 

             Bosanquet era conhecida como "Mãe em Israel", um termo metodista de honra, por seu trabalho em espalhar a denominação pela Inglaterra.[65]

 

         Algumas mulheres, como Ann Cutler (1759-1794) e Hester Ann Roe-Rogers (1756-1794), foram muito admiradas como exemplos de santidade.[66]

 

           Mary Barritt-Taft (1772-1851) marcou uma época. Ela nasceu em Lancashire, Inglaterra, em 12 de agosto 1772.

 

            Filha de   John Barritt, não crente, e de Mary, uma metodista, tinha uma irmã e cinco irmãos. Seu irmão John era um pregador itinerante wesleyano. Apesar da resistência do pai, Mary e seu irmão mais velho John entraram para o metodismo. Aos 17 anos, ela já era ativa.

 

           Em 1802, ela se casou com o reverendo Zacharias Taft, pastor desde 1801, com quem viajou e pregou.

          Zacharias foi um grande protagonista da defesa de mulheres pregadoras. Em 1803, ele publicou Pensamentos sobre pregações femininas. Em 1809, defendeu a base bíblica do ministério feminino.

 

           Mary converteu diversas pessoas, que se tornaram pastores wesleyanos. Em 1803, as mulheres passaram a ter maiores dificuldades para pregar. Algumas ignoraram os obstáculos e continuaram a pregar.

 

            A mais famosa foi Mary Barritt-Taft. Ela inspirava as congregações com sua pregação. Em 1827, publicou Memórias da vida da Sra. Mary Taft, anteriormente senhorita Barritt, que foi vendido com fins beneficentes.

 

           Ainda outras mulheres se destacaram no Ministério de Ensino (Ana Ball) e nas obras sociais (condessa Lady Hungtingdon).

 

       “A senhorita Ana Ball, de High Wycombe, é considerada a fundadora da primeira Escola Dominical Metodista, no sentido exato do termo. Organizada no ano de 1769, a sua Escola Dominical funcionou por muitos anos.”[67]

 

 

           Elas fizeram também parte dos 100 que Deus enviou para impactar a Inglaterra.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Diversos outros líderes

 

 

         Outros metodistas tiveram também o ministério do louvor e música, dentre eles, Guilherme Williams, que escreveu "Guia, Grande Jeová"; Eduardo Perronet, que escreveu "Poder do nome de Jesus"; Thomas Olivers, que escreveu "Ao Deus de Abrahão louvai", etc.

 

         William Morgan influenciou os líderes do Clube Santo para a necessidade do exercício da solidariedade e os levou ajudar aos presos, crianças, idosos, pobres.[68]

 

          Ele foi o grande incentivador do trabalho beneficente da Igreja e despertou Wesley para a visita às prisões.

 

         No Ministério da Palavra, Thomas Maxfield, John Nelson, James Wheatley, Thomas Walsh, Cennick[69]  também se destacaram, além uma infinidade de outros pregadores.

 

         Várias mulheres se destacaram no ensino, obras sociais e na pregação. [70]

 

 “Todo trabalho de Deus chamado metodista era uma dispensação extraordinária da providência de Deus.”[71]

 

 

          Na liderança do movimento metodista, Thomas Coke (1747-1814) o primeiro bispo nomeado por Wesley, e Francis Asbury (1745-1816), tiveram destacada atuação na América.[72]

 

            Esses e diversos outros metodistas foram tremendamente usados por Deus para impactar a Inglaterra do século XVIII. Alguns foram espancados, presos, torturados, perderam suas casas e suas vidas.

 

           Mas foram felizes e experimentaram a vida cheia da graça e do poder de Deus.

 

             Deixaram um legado para as futuras gerações, pois foram destemidos, abnegados e santificados tendo o amor a Deus e ao próximo como fundamento principal.



[1] HEITZENHATER, Richard P. Wesley e o povo chamado Metodista. São Bernardo do Campo-Rio de Janeiro: Editeo-Pastoral Bennett, 1986, p.97.

[2] Ibidem, p.80

[3] REILY, Duncan Alexander. “João Wesley e o Espírito Santo” em História Metodismo Libertações,  [s.ed], [s.d], cp.cit, p.20.

[4] Ibidem, p. 75.

[5] John Wesley, Obras de Wesley, Tomo V.

 

[6] JONES, D.M.Lloyd, Ibidem, p.113.

[7] WALKER, Welliston, Ibidem, p. 206.

[8] Ibidem, p. 206.

[9] Ibidem., p. 206.

[10] JONES, D.M.Lloyd, Ibidem, p.122.

[11] Ibidem.

[12]WALKER, Welliston, Ibidem, p. 210.

[13] Ibidem, p. 207.

[14] JONES, D.M.Lloyd, Ibidem, p.cit, p.120.

[14] WALKER, Welliston, Ibidem, p.107.

[15] LELÉVRE, Mateo, Ibidem, p. 76.

[16] BARBIERI, Sante Uberto. Estranha Estirpe de Audazes., Ibidem, p.77.

[17] Em 1739, sua segunda visita teve 2000 ouvintes e entre 4000 e 5000 na terceira visita e essas cifras não demoraram em chegar a 10.000 e 20.000 pessoas ouvindo seus entusiasmados sermões (HEITZENHATER, Richard P.,  Ibidem, p.77).

[18] LILIÈVRE, Mateo, Ibidem.p. 76.

[19] JONES, D.M.Lloyd, Ibidem, p.130

[20] Ibidem, p.130.

[21] WALKER, Welliston, Ibidem, p. 207.

[22] LELIÈVRE, Mateo,  Ibidem, p.88

[23] JONES, D.M. Lloyd, Ibidem, p.292.

[24] HEITZENHATER, Richard P., Ibidem, p.97.

[25] JONES, D.M. Lloyd,  Ibidem, p.293.

[26] HEITZENHATER, Richard P., Ibidem, p.301.

[27] JONES, D.M. Lloyd.Ibidem, p.300.

[28] Ibidem, p. 208.

[29]HEITZENHATER, Richard P., Ibidem, p.171.

[30] Ibidem, p.171-2.

[31] Ibidem, p.208.

[32] Ibidem, p.211.

[33] Ibidem.

[34] JONES, D.M. Lloyd, Ibidem, p.308.

[35] Ibidem, p.197.

[36] Ibidem.

[37] Ibidem, p.198.

[38] WALKER, John, Ibidem, p.2.

[39] Ibidem.

[40] Ibidem, p.4.

[41] HEITZENHATER, Richard P. , Ibidem, p. 73.

[42] Ibidem,  p.82-4.

[43] Ibidem, p.112.

[44] Ibidem, p.154. A separação ocorreu em 1740. Fetter Lane foi um marco na posição contrária aos moravianos. Em 1745, Wesley expurgou os escritos de Zinzendorf de três grandes erros: salvação universal, antinomianismo e quietismo (HEITZENHATER, Richard P., Ibidem, p.153).

[45]BARBIERI, Sante Uberto. Estranha estirpe de Audazes. São Paulo: Imprensa Metodista, p. 93.

[46] Ibidem.

[47] Ibidem, p.94.

[48] Ibidem.

[49] HEITZENHATER, Richard, Ibidem, p.96.

[50]BARBIERI, Sante Uberto. Estranha estirpe de Audazes., Ibidem, p.94.

[51] Ibidem, p.97.

[52] Ibidem, p.101.

[53] LELIÈVRE, Mateo, Ibidem, p.213, 257-264, 305.

[54] HEITZENHATER, Richard, Ibidem, p.246-7.

[55] Ibidem, p.254.

[56] Ibidem,  p.305.

[57]BARBIERI, Sante Uberto. Estranha estirpe de Audazes, Ibidem, p.102.

[58] LELIÈVRE, Mateo, Ibidem, p. 41.

[59] HEITZENHATER, Richard P., Ibidem, p.79.

[60] Ibidem, p.100.

[61] RIDOUT, George W. Revival Blessings or Seasons os Refreshing from the Presence of the Lord. Pentecostal Publishing Company, Louisville, KY, p. 37.

[62] Letra de Carlos Wesley traduzida pelo rev. Antônio de Campos Gonçalves. "Hinos e Cânticos" em Expositor Cristão, outubro de 1999, p. 23.

[63] Ibidem.

[65] https://en.m.wikipedia.org/wiki/Mary_Bosanquet_Fletcher

[66]

Pesquisa: BARBIERI, Sante Uberto, Estranha estirpe de audazes. Imprensa Metodista, SP.

REILY, Duncan Alexander. Metodismo brasileiro e wesleyano. São Bernardo do Campo: Imprensa Metodista, 1981 http://www.library.manchester.ac.uk/searchresources/guidetospecialcollections/methodist/using/womeninmethodism/roleofwomen/.

https://rylandscollections.wordpress.com/tag/mary-bosanquet-fletcher/

http://old.library.manchester.ac.uk/searchresources/guidetospecialcollections/methodist/using/womeninmethodism/roleofwomen/ http://old.library.manchester.ac.uk/searchresources/guidetospecialcollections/methodist/using/biographicalindex/tabbtotyerman/header-title-max-32-words-65533-en.htm

[67] REILY, Duncan Alexander. Metodismo brasileiro e wesleyano, Ibidem, p.159-0.

[68] Ibidem, p.40.

[69] Ibidem, p.114.

[70] Ibidem, p.247-8.

[71] HEITZENHATER, Richard P., Ibidem, p. 248.

[72] HEITZENHATER, Richard P., Ibidem, p.287.

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