Para abalar as portas do inferno e estabelecer o Reino de Deus
Wesley
havia pedido a Deus 100 homens para abalar as portas do inferno e estabelecer o
Reino de Deus
Odilon
Massolar Chaves
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Chaves
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de fevereiro de 1998.
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94
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Tradutor:
Google
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Odilon Massolar Chaves é pastor metodista
aposentado, doutor em Teologia e História pela Universidade Metodista de São
Paulo.
Sua tese tratou sobre o avivamento
metodista na Inglaterra no século XVIII e a sua contribuição como paradigma
para nossos dias.
Foi editor do jornal oficial metodista e
coordenador de Curso de Teologia.
É escritor, poeta e youtuber.
Toda glória seja dada ao Senhor
Índice
Introdução
O caráter dos mais de
100 homens e mulheres
Os mais de 100 homens
e mulheres
George Whitefield
Howell Harris
Conde Zinzendorf
John Fletcher
Carlos Wesley
As mulheres que
fizeram parte dos mais de 100
Diversos outros
líderes
Introdução
Wesley
orou pedindo que Deus lhe desses 100 homens que odiassem o pecado e que nada
desejassem, senão a Deus.
Ele
acreditava que com esses 100 homens (e mulheres), ele abalaria as portas do
inferno e estabeleceria o Reino de Deus sobre a terra.
Na
verdade, Deus lhe deu mais do que 100 homens e mulheres.
Durante
os seus mais de 50 anos de ministério, Wesley teve diversos líderes que estavam
dispostos a dar a própria vida para pregar a Palavra.
Foram
homens e mulheres destemidos, abnegados e santificados, que experimentaram o
grande amor de Deus e o poder do Espírito Santo.
Nada
era mais importante para eles. Por isso, Deus os usou para realizar
transformação de milhares de vidas e das estruturas injustas da Inglaterra, do
século XVIII.
Neste
livro, contamos um pouco da história maravilhosa desses homens e mulheres.
O Autor
O
caráter dos mais de 100 homens e mulheres
Wesley procurava pregadores destemidos para anunciar o Evangelho
libertador na Inglaterra. A grande maioria foi destemida e foram usados por
Deus para impactar a Inglaterra.
Esses homens e mulheres foram destemidos e abnegados. Tiveram uma vida
cristã semelhante aos discípulos de Jesus.
Wesley disse, certa vez, a Alexander Mather: "Ser um pregador
metodista não é o caminho para a facilidade, honra, prazer ou lucro. É uma vida
de muito trabalho e reprovação”.
E disse mais: “são propensos de serem apedrejados, espancados e abusados
de várias maneiras. Considere isso antes de se envolver em um modo de vida tão
desconfortável”.
Os pregadores eram destemidos.
Thomas Walsh quando era expulso de uma cidade pela multidão voltava para
pregar.
William Seward foi o primeiro mártir metodista. Pregava nos País de
Gales e foi atingido por uma pedra. Caiu inconsciente e depois morreu.
Thomas Olivers foi nomeado
para toda Grã-Bretanha e Irlanda porque pregava sem medo. Wesley sabia que os
pregadores deveriam ser destemidos. Ele disse: “Dê-me cem pregadores que não
tenham medo de nada (...).”
Eles eram abnegados. Deixavam tudo para trás viajando longas milhas para
pregar e visitar.
John Nelson todo dia conversava com Deus por duas horas. Jejuava uma vez
por semana e doava o valor da alimentação aos pobres. Durante 33 anos viajou
como um pregador.
Os pregadores procuravam a perfeição cristã. João Fletcher é um exemplo
de vida santa. Quando perguntavam se ele queria algo, dizia:
“(…) não quero nada, a não ser mais graça”.
São diversos exemplos impactantes que nos inspiram e motivam a ter o mesmo
propósito sabendo que é possível, sim!
Os mais de 100 homens e
mulheres
Segundo o historiador metodista Richard Heitzenhater, havia uma
fermentação do Espírito Santo no mundo [1] quando Wesley e o povo chamado metodista se despertaram
para reformar a Igreja, a Nação e espalhar a santidade bíblica sobre a terra,
especialmente, a partir de 1738.
Essa ação do Espírito Santo ocorreu em muitos lugares e na vida de
diversas pessoas.
Para completar, a partir de 1738, João Wesley teve uma forte experiência
espiritual e viu acontecer um grande avivamento na Inglaterra.[2]
Diversas pessoas atuaram como líderes
e coadjuvantes no início do movimento metodista e colaboraram na realização de
uma grande mudança nos corações do povo e na estrutura da sociedade, na
Inglaterra e na América, no século XVIII, dentre eles, William Morgan, Carlos
Wesley, Francis Asbury,
Thomas Coke, Pedro Bohler e tantos outros.
. Alguns continuaram junto com Wesley e
outros seguiram suas visões espirituais.
“(...)
Wesley cria firmemente que, para atender a uma situação crítica na Inglaterra, o
próprio Deus havia levantado a um ministério extraordinário, a saber, pregadores
sem preparo teológico formal, sem diploma.”[3]
Carlos Wesley chegou
a dizer que via:
“(...)
tudo ao nosso redor em surpreendente fermentação. Com certeza o cristianismo
está mais uma vez levantando a cabeça.” [4]
Para buscar um
desenvolvimento metódico de crescimento e santificação, Carlos Wesley criou o
Clube Santo, em 1739.
João Wesley disse: “Em novembro de 1729, data
em que fui residir em Oxford, meu irmão, outros dois jovens cavalheiros e eu
fizemos um acordo de nos reunirmos três ou quatro vezes por semana. Nos
domingos à noite, líamos sobre teologia, e nas outras noites, os clássicos gregos
e latinos”.[5]
Depois, o grupo
passou a ter dia de jejum, de visitação às prisões, dia de estudo da Palavra,
etc.
Foi assim que foram
chamados de metodistas.
Além do grande líder
que foi João Wesley, outras pessoas também contribuíram para o avivamento
metodista. É o que veremos nos capítulos seguintes.
George Whitefield
Whitefield nasceu em Gloucester, Inglaterra, no
dia 16 de dezembro de 1714.[6] Seus
pais eram zeladores da Estalagem do Sino. Muito cedo Whitefield ficou órfão de
pai. Teve as suas tentações e pecados da mocidade. [7]
O Clube Santo o
ajudou no propósito de ter uma vida santa. Sua experiência com Deus foi em
1735, antes dos irmãos Carlos e João Wesley.[8] João
Wesley o orientou sobre a justificação pela fé.
Ele foi ordenado
pastor anglicano[9] pelo bispo
Benson, no dia 20/06/1736.[10] Uma
semana depois, pregou seu primeiro sermão e cerca de 15 pessoas teriam ficado
loucas depois da Palavra.[11] Verdade
ou não, o fato é que as mensagens de Whitefield levavam o povo a ter
manifestações físicas:
“(...)
foram frequentes notáveis manifestações de fenômenos físicos. Homens e mulheres
choravam, desmaiavam, tinham convulsões.”[12]
Qual era o conteúdo de sua mensagem e
como era a sua forma de pregar?
“Sua
mensagem era o Evangelho da graça perdoadora de Deus, da paz alcançada pela
aceitação de Cristo pela fé e da consequente vida de alegre serviço (...).
Dramático, patético, insinuante, possuidor de voz maravilhosamente expressiva,
os auditórios de dois continentes diante dele se fundiam como cera.” [13]
Whitefield atraia
multidões, uma média de 20 mil pessoas. Ele levou os irmãos Wesley a terem
gosto pela pregação no "campo.”
Foi o primeiro a
construir uma obra social, a Kingswood School.[14] Na
América construiu também um orfanato na Geórgia. [15] Ele era
de origem humilde e teve uma intensa vida de oração. Suas mensagens continham
estes temas: "o pecado original"; "a regeneração"; "a
justificação pela fé".
Foi
para a América, a partir de agosto de 1739,
e teve participação importante no chamado "Primeiro Grande
Despertamento" junto com Jonathan Edwards. Até Benjamim Franklin gostava
de ouvi-lo pregar.[16]
As pessoas se
reuniam para ouvir alguém ler os seus sermões.
No século XVIII,
nenhum inglês pregou com tanto poder. Suas pregações eram acompanhadas de
comoção espiritual. Sem espírito denominacional, pregava para todas Igrejas.
Marcantes foram suas pregações em
Kingswood, Inglaterra, bairro habitado exclusivamente por mineiros.[17] George
Whitefield esteve sete vezes na América: 1738, 1740, 1744-1748, 1751-1752,
1754-1755, 1763-1765 e 1769-1770.[18]
Ele tinha sua crença
particular sobre a ação do Espírito Santo:
“Cria
nas impressões internas, diretas, imediatas feitas pelo Espírito Santo.”[19]
Até o avivalista congregacional Jonathan
Edwards o censurou por isso, mas ele não o ouvia.[20]
Ele acreditava que o Espírito Santo lhe falava pessoalmente.
Ele se consumiu
pregando o Evangelho. Após um dia intenso de pregação e atendimento a diversas
pessoas, já com a saúde debilitada, Whitefield faleceu no dia 30/09/1770, aos
55 anos de idade. Ele havia convidado e Wesley pregou no seu ofício fúnebre.[21]
Howell
Harris
Harris nasceu em
Travecca, no País de Gales,[22] em
1714, e faleceu em 1773. Ele era professor e num culto anglicano na paróquia de
Talgarth, no dia 25 de maio de 1735, sentiu todo o seu pecado.
Após uma luta
intensa, encontrou a paz ao entregar-se totalmente a Jesus.
Três semanas
depois, no dia de Pentecostes - 18 de junho - ele estava orando na torre de
Liangasty e teve nova experiência.[23]
A partir daí
passou a ser um inflamado pregador.
“O
reavivamento em Gales começou com seriedade em meados da década de 1730 com a
conversão de Howell Harris e Daniel Rowland.”[24]
Harris começou
visitando os presos. Depois passou a pregar ao ar livre. Com as conversões,
passou a estabelecer as Sociedades. [25]
Ele dizia que os
ministros de Gales não pregavam a verdade. Ele foi perseguido e foi
expulso da sua escola. Ele clamou pelo
avivamento.
Nas visitas aos
doentes, a palavra de Harris era acompanhada de tanto poder que muitos ali
clamavam a Deus pelo perdão dos pecados.[26] Herris
era sensível ao Espírito Santo.[27]
Foi amigo de
Whitefield e dos irmãos Wesley, com os quais fez alianças. Por isso, ele frequentou
as Conferências Anuais do metodismo.[28]
Em 1742, ele
procurou fazer uma Associação com todas as Sociedades de Gales. Whitefield
ficou como dirigente.
Em 1748, Wesley
participou com ele e Whitefield de uma conferência da Associação de Gales.
Wesley queria a união dos diversos ramos do avivamento. Harris não apenas
concordou com diversas regras visando a união. Ele também participou das
Conferências wesleyanas durante três anos.[29]
Eles estavam
dispostos a não falarem mal um do outro e procuraram ter entendimento sobre
justificação, predestinação e perfeição. Mas foi um "acordo inútil",
como disse Carlos Wesley. O assunto ficou sobre a mesa.[30]
Em algumas
ocasiões, Harris deu um grande apoio a Wesley. Quando Wesley estava sendo
pressionado para nomear pregadores, o que seria um rompimento com a Igreja
Anglicana, os Wesley tiveram o apoio de Howell Harris (que participou dessa
conferência a convite de Carlos Wesley).
Assim, eles mantiveram firme sua posição à
ordenação e à opinião de que seria ilegal que leigos ministrassem os
sacramentos nas sociedades metodistas.[31] Na
Conferência de 1763, havia uma grande insatisfação dos pregadores em relação ao
rígido controle de Wesley.
A saída de
Maxfield havia criado um fermento entre os pregadores. Mas Howell Harris
reprimiu os descontentes ao dizer:
“Se o
sr. Wesley alguma vez abusar do seu poder,
quem chorará por ele se seus próprios filhos não o fizerem.”[32]
O efeito
foi espantoso sobre os pregadores, que começaram a chorar e o assunto foi
encerrado:
“Essas
simples palavras tiveram um espantoso efeito sobre os pregadores, que ´estavam
chorando, por todos os lados, e desistiram inteiramente do assunto.”[33]
Harris ficou sete
anos de cama, pelo desgaste nas pregações. No seu enterro, mais de 20 mil
pessoas estiveram presentes como gratidão e admiração. Houve nove sermões.
“Especialmente, quando foi ministrada
a Ceia do Senhor, Deus derramou abundantemente o Seu Espírito de maneira
maravilhosa.”[34]
Conde
Zinzendorf
Nicolau Ludwig von Zinzendorf
(1700-1760) não pertenceu ao Clube Santo e nem foi um metodista, mas
influenciou muito a Wesley, que via nos moravianos um modelo de vida de
santidade. O moraviano Peter Bohler influenciou Wesley em sua fé.
Zinzendorf foi um
reformador religioso do pietismo e líder
da Igreja Morávia. O Conde Zinzendorf nasceu em Dresden, no dia 26 de maio de
1700. Seu pai era um alto oficial da Corte eleitoral da Saxônia.
Seu pai morreu cedo
e a mãe se casou de novo. Ele foi criado pela avó, a baronesa pietista
Henrietta Catarina von Gersdorf.[35]
Desde jovem foi
marcado pela sua vida religiosa: “Apaixonada devoção pessoal a Cristo.”[36]
Zinzendorf
acolheu em seu patrimônio localizado na Alemanha, os seguidores de Huss,
Calvino, Lutero e outros reformadores, que estavam sendo perseguidos.
Com uma parte deles tinha vindo da Morávia
ficaram conhecidos como moravianos.[37]
Eles estavam
divididos e procuraram orar ao Senhor. No dia cinco de agosto de 1727 fizeram
uma Aliança Fraternal. Passaram a enfatizar os pontos em que concordavam:
“Neste
dia o Conde fez uma aliança com o Senhor. Os irmãos prometeram, um por um, que
seriam verdadeiros seguidores do Salvador (...).”[38]
No dia
13 de agosto de 1727, enquanto oravam e participam da Ceia do Senhor algo
aconteceu:
“O
poder e a benção de Deus vieram de forma tão poderosa sobre o grupo inteiro que
tanto o pastor como o povo caíram juntos no pó diante de Deus, e nesse estado
de mente continuaram até a meia-noite, tomados em oração e cântico, choro e
súplicas.”[39]
Em 1727, o Conde
Zinzendorf se tornou Bispo Morávio. Os quatro anos seguintes foram de
constantes avivamentos. Fizeram um pacto de oração contínua que durou cem anos.[40]
Num período de 25
anos missionários foram enviados a diversas partes do mundo.
Wesley fez a
seguinte tradução do texto do Conde Zinzendorf: Coleção de Salmos e Hinos, que revela a imagem do calor positivo
que a teologia morávia havia fixado como alvo de sua busca espiritual:
“Oh, brilha
em meu peito gelado”;
Inspira meu
coração com o sagrado calor.”[41]
Wesley foi a
Alemanha conhecer o Conde e o trabalho dos moravianos. Retirou lições positivas
e negativas.
Wesley viu
divergências no ensino de Pedro Bohler e Zinzendorf.
Ele observou a
organização morávia e retirou a ideia da localização geográfica das classes.
Mas a partir daí
passou a ter um constante conflito com eles, especialmente, na questão da
"quietude" e os "graus de fé".[42]
Acabou havendo
divisão na Sociedade de Fetter Lane por causa de questões doutrinárias com os
moravianos.[43]
Alguns
problemas continuaram existindo em
algumas sociedades por causa da influência morávia.
“Embora João houvesse se separado dos moravianos há uns três ou quatro
anos, e embora a influência antinomiana continuasse a contaminar as sociedades,
ele não podia deixar de apreciar a profunda piedade que caracterizava muito dos
irmãos.”[44]
Os moravianos deram
a Wesley os primeiros ensinamentos e exemplo de uma vida de fé e de submissão
plena a Jesus.
João Guilherme de
Por questões de consciência não se
tornou pastor da Igreja Reformada, por causa do credo calvinista. Foi para a
carreira militar. Depois desistiu e foi para a Inglaterra.[45]
“Durante uma de suas permanências em
Londres pôde entrar em contato com os metodistas e renasceu-lhe o zelo
religioso (...).”[46]
Wesley o
aconselhou a se ordenar na Igreja Anglicana. Logo percebeu que as
pessoas não demonstravam interesses pela vida espiritual. Viu a abundância do
comercio de bebidas. Tornou-se pároco de Madeley. [47]
“Não era homem de alta eloquência, mas
imprimia tal espirito de piedade e tal sentimento de candura no que dizia, que
suas palavras chegavam fundo no coração dos ouvintes.” [48]
Sua saúde nunca foi boa. Cuidava dos
pobres. Ficou conhecido em toda a Inglaterra como “o vigário de Madeley” Apesar
de ser anglicano, nunca perdeu o fervor metodista. [49]
“Wesley sentiu muito que ele resistisse
em aceitar o convite para substituí-lo no caso de vir a faltar. E por dois
motivos não aceitou: por sua má saúde e por sua modéstia.” [50]
Em 1781, casou-se com Maria Bosanquet,
que havia sido excelente cooperadora de Wesley, uma das poucas mulheres que ele
permitia dirigir a palavra em reuniões metodistas. [51]
Quando Lady Huntingdon deixou o
metodismo por ser favorável à predestinação, ele convidou Fletcher para ser
presidente do colégio Trevecca, ele ficou no cargo por dois anos, mas depois
deixou. [52]
No ministério de governo da Igreja, John
Fletcher se destacou. Em momentos cruciais do movimento, ele defendeu Wesley em
questões doutrinárias.
Ele era seu assistente e considerado o
apóstolo João do metodismo.[53]
Wesley foi atacado por Walter Shirley,
em 1771, um clérigo que havia sido aliado de Wesley:
“O suporte principal da defesa de Wesley
foi John Fletcher, que havia se demitido da presidência do colégio de Lady
Huntingdon em Trevecca, no inicio do ano e cuja Vindication of the Rev. Mr. Wesley Last Minutes (Defesa das Ultimas
Minutes do Rev. Sr. Wesley), publicada por Wesley logo após a Conferência de
1771, foi o tiro inicial de uma longa série de rajadas contra os calvinistas” .[54]
João Guilherme de La Flechére era a
pessoa cuja combinação de conhecimento e piedade vital se encaixava no modelo
que Wesley tinha em mente para substituí-lo. Ele escreveu a Fletcher em janeiro
de 1773, perguntando quem está capacitado para presidir o trabalho.
Wesley fez uma extensa descrição do
líder perfeito e, depois, perguntou se Deus havia providenciado alguém
qualificado:
“Quem é ele? Você é o homem!” [55]
Sobre ele, Wesley
escreveu:
“No
decurso de 80 anos, disse ele, ‘conheci muitos homens de coração excelente e de vida perfeita; mas
nunca vi outro como ele; outro que se iguale em profunda devoção para com Deus.
Homem tão imaculado como ele (...).”[56]
John Fletcher foi o melhor amigo e mais
hábil dos conselheiros de Wesley.
Fletcher morreu no dia 14 de agosto de
1785.[57]
Carlos
Wesley
Na Grã-Bretanha,
outras pessoas, pobres e ricas, fizeram parte da liderança do povo chamado
metodista. Uma dessas pessoas foi Carlos Wesley, que nasceu em 18 de dezembro
de 1708.[58]
Ele escreveu mais de
nove mil hinos, que eram cantados com entusiasmo pelo povo.
Carlos Wesley teve
a experiência da segurança da fé primeiro que João Wesley:
“(...)
no meio de contínuas lutas espirituais
enquanto estava doente no domingo de Pentecostes, sentiu ´uma estranha
palpitação no coração´, foi capaz de dizer ´Eu creio, eu creio!´ e achou-se em
paz com Deus.”[59]
Carlos Wesley sempre esteve ao lado do
irmão João. Apesar de ser um tanto cético quanto aos relatos das multidões que
iam às pregações de Wesley e Whitefield, mudou de opinião, quando em 24 de junho 1739 pregou em Moorfields para
uma multidão, segundo ele, calculada em dez mil pessoas.[60]
Mas a grande contribuição de Carlos
foi com os hinos. Um dos versos fala de um momento de luta que os metodistas
passavam:
“Permanecei firmes em Seu grande poder,
Revestidos de toda a Sua força;
E tomai para armar-vos para a luta,
A panóplia de Deus.” [61]
A expressão "panóplia" quer
dizer a armadura utilizada por um soldado da idade média.
Contudo, Carlos
Wesley expressou, acima de tudo, o grande amor de Deus em seus hinos. O Divino Amor, um dos seus hinos mais conhecidos
revela a influência da Teologia Pietista, diz:
“Divino amor,
a todos os amores supera,
Alegria do céu
para a terra desce;
Fixe em nós a
Sua Humilde habitação;
Toda a sua
fiel misericórdia coroada!
Jesus, toda a
arte e compaixão,
Puro amor
ilimitado da arte.
Visite-nos com
a Sua salvação;
Entre em todo
trêmulo coração.
Respire, oh respire, Espírito amoroso,
Em todo peito preocupado!
Deixe-nos a Sua herança;
Deixe-nos encontrar o descanso.”[62]
As expressões "habitação",
Espírito amoroso", "descanso" revela a Teologia Pietista do
coração, céu, paz interior, etc. A letra do "Divino Amor" conclui
assim:
“Leve toda a
nossa propensão a pecar;
Seja o Alfa e
o Ômega;
O fim e o
começo da fé,
Fixe nossos
corações à liberdade.
Venha,
Todo-Poderoso, para entregar,
Deixe-nos
receber toda a sua vida;
De repente
retorne e nunca,
Nunca mais
deixe os Seus templos.
Em Ti seremos
sempre bênçãos
Sirva-te como
o Seu anfitrião no céu,
Oramos e
louvamos a Ti sem cessar,
Glória no Seu
perfeito amor (...)” [63]
Entre os outros hinos que Carlos
Wesley escreveu, estão: "Vem Espírito divino inspirar nossos
corações"; "Oh! Se eu tivesse mil línguas", etc.
João
Nelson
John Nelson (1707-1770) nasceu em Birstal, Inglaterra. Quando
criança, ouvia o pai ler a Bíblia para a família. Quando seu pai morreu, ele
cresceu viciado em quase todos os tipos de pecado.
Vivia sempre em angústia e decidiu
mudar de lugar para quebrar seus hábitos pecaminosos. Em busca de descanso e
paz, procurou diversas denominações em Londres, mas só encontrou a paz depois
de ser impactado pela pregação de Wesley.
Depois, seus amigos quiseram levá-lo
de volta ao pecado, mas ele resistiu. Os vizinhos vieram em grande número para
ver o que o Senhor havia feito em sua vida. Ele passou a trabalhar no comércio
durante o dia e à noite pregava, convertendo vários vizinhos.
Em 1742, Wesley visitou e pregou
em seu bairro e ficou em sua casa. Nelson foi o pioneiro metodista em
Yorkshire. Ele deixou seu trabalho e saiu por diversos lugares para pregar o
Evangelho. Wesley o chamou a Londres para evangelizar. Muitas vidas se converteram.
Viajaram pregando, pegaram amoras
para a refeição e dormiram no chão. Nelson sofreu forte perseguição dos
clérigos e de pessoas hostis. Após uma pregação, um policial o jogou numa
masmorra sem comida e água como um vagabundo. Depois, conseguiu sair da prisão.
Era de coragem destemida. Sua vida parecia ser um ato contínuo de fé.
Era de uma grande ternura e
vigilância sobre as suas palavras. Era abnegado e de temperança rígida. Por
duas horas, todo dia conversava com Deus. Jejuava uma vez por semana e doava o
valor da alimentação aos pobres.
Durante 33 anos viajou como um
pregador. Ele era de grande entendimento e profunda piedade e muito estimado.
Foi chamado de “príncipe dos pregadores metodistas” e “Apóstolo do Norte”.[64]
As mulheres que fizeram parte
dos mais de 100
Dentre as
mulheres, Mary Bosanquet foi o grande destaque. Foi líder de classe e criou um
orfanato para os pobres. Ela se casou com John Fletcher.
Mary Bosanquet
Fletcher (1739 -1815) era pregadora e persuadiu Wesley a permitir que as mulheres pregassem em
público.
Mary e Sarah Crosby foram
as pregadoras mais populares de seu tempo.
Bosanquet era
conhecida como "Mãe em Israel", um termo metodista de honra, por seu
trabalho em espalhar a denominação pela Inglaterra.[65]
Algumas mulheres,
como Ann Cutler (1759-1794) e Hester Ann Roe-Rogers (1756-1794), foram muito
admiradas como exemplos de santidade.[66]
Mary Barritt-Taft
(1772-1851) marcou uma época. Ela nasceu em Lancashire, Inglaterra, em 12 de
agosto 1772.
Filha de John Barritt, não crente, e de Mary, uma
metodista, tinha uma irmã e cinco irmãos. Seu irmão John era um pregador
itinerante wesleyano. Apesar da resistência do pai, Mary e seu irmão mais velho
John entraram para o metodismo. Aos 17 anos, ela já era ativa.
Em 1802, ela se
casou com o reverendo Zacharias Taft, pastor desde 1801, com quem viajou e
pregou.
Zacharias foi um
grande protagonista da defesa de mulheres pregadoras. Em 1803, ele publicou
Pensamentos sobre pregações femininas. Em 1809, defendeu a base bíblica do
ministério feminino.
Mary converteu
diversas pessoas, que se tornaram pastores wesleyanos. Em 1803, as mulheres
passaram a ter maiores dificuldades para pregar. Algumas ignoraram os
obstáculos e continuaram a pregar.
A mais famosa
foi Mary Barritt-Taft. Ela inspirava as congregações com sua pregação. Em 1827,
publicou Memórias da vida da Sra. Mary Taft, anteriormente senhorita Barritt,
que foi vendido com fins beneficentes.
Ainda outras
mulheres se destacaram no Ministério de Ensino (Ana Ball) e nas obras sociais
(condessa Lady Hungtingdon).
“A
senhorita Ana Ball, de High Wycombe, é considerada a fundadora da primeira
Escola Dominical Metodista, no sentido exato do termo. Organizada no ano de
1769, a sua Escola Dominical funcionou por muitos anos.”[67]
Elas fizeram
também parte dos 100 que Deus enviou para impactar a Inglaterra.
Diversos
outros líderes
Outros metodistas
tiveram também o ministério do louvor e música, dentre eles, Guilherme
Williams, que escreveu "Guia, Grande Jeová"; Eduardo Perronet, que
escreveu "Poder do nome de Jesus"; Thomas Olivers, que escreveu
"Ao Deus de Abrahão louvai", etc.
William Morgan
influenciou os líderes do Clube Santo para a necessidade do exercício da
solidariedade e os levou ajudar aos presos, crianças, idosos, pobres.[68]
Ele foi o grande
incentivador do trabalho beneficente da Igreja e despertou Wesley para a visita
às prisões.
No Ministério da
Palavra, Thomas Maxfield, John Nelson, James Wheatley, Thomas Walsh, Cennick[69] também se destacaram, além uma infinidade de
outros pregadores.
Várias mulheres se
destacaram no ensino, obras sociais e na pregação. [70]
“Todo
trabalho de Deus chamado metodista era uma dispensação extraordinária da
providência de Deus.”[71]
Na liderança do
movimento metodista, Thomas Coke (1747-1814) o primeiro bispo nomeado por
Wesley, e Francis Asbury (1745-1816), tiveram destacada atuação na América.[72]
Esses e diversos
outros metodistas foram tremendamente usados por Deus para impactar a
Inglaterra do século XVIII. Alguns foram espancados, presos, torturados,
perderam suas casas e suas vidas.
Mas foram felizes
e experimentaram a vida cheia da graça e do poder de Deus.
Deixaram um
legado para as futuras gerações, pois foram destemidos, abnegados e
santificados tendo o amor a Deus e ao próximo como fundamento principal.
[1] HEITZENHATER, Richard P. Wesley e o povo chamado Metodista. São Bernardo
do Campo-Rio de Janeiro: Editeo-Pastoral Bennett, 1986, p.97.
[2]
Ibidem, p.80
[3]
REILY, Duncan Alexander. “João Wesley e o Espírito Santo” em História Metodismo Libertações, [s.ed], [s.d],
cp.cit, p.20.
[4]
Ibidem, p. 75.
[5] John Wesley, Obras de Wesley, Tomo V.
[6]
JONES, D.M.Lloyd, Ibidem, p.113.
[7] WALKER, Welliston, Ibidem, p. 206.
[8] Ibidem, p. 206.
[9]
Ibidem., p. 206.
[10] JONES, D.M.Lloyd, Ibidem, p.122.
[11] Ibidem.
[12]WALKER, Welliston, Ibidem, p. 210.
[13]
Ibidem, p. 207.
[14]
JONES, D.M.Lloyd, Ibidem, p.cit, p.120.
[14]
WALKER, Welliston, Ibidem, p.107.
[15]
LELÉVRE, Mateo, Ibidem, p. 76.
[16]
BARBIERI, Sante Uberto. Estranha Estirpe
de Audazes., Ibidem, p.77.
[17]
Em 1739, sua segunda visita teve 2000 ouvintes e entre 4000 e 5000 na terceira
visita e essas cifras não demoraram em chegar a 10.000 e 20.000 pessoas ouvindo
seus entusiasmados sermões (HEITZENHATER, Richard P., Ibidem, p.77).
[18] LILIÈVRE, Mateo, Ibidem.p. 76.
[19] JONES, D.M.Lloyd, Ibidem, p.130
[20] Ibidem, p.130.
[21] WALKER,
Welliston, Ibidem, p. 207.
[22] LELIÈVRE, Mateo, Ibidem, p.88
[23] JONES, D.M. Lloyd, Ibidem,
p.292.
[24] HEITZENHATER, Richard P., Ibidem, p.97.
[25] JONES, D.M. Lloyd, Ibidem, p.293.
[26] HEITZENHATER, Richard P., Ibidem, p.301.
[27]
JONES, D.M. Lloyd.Ibidem, p.300.
[28]
Ibidem, p. 208.
[29]HEITZENHATER, Richard P., Ibidem,
p.171.
[30] Ibidem, p.171-2.
[31] Ibidem, p.208.
[32]
Ibidem, p.211.
[33]
Ibidem.
[34] JONES, D.M. Lloyd, Ibidem,
p.308.
[35]
Ibidem, p.197.
[36]
Ibidem.
[37]
Ibidem, p.198.
[38] WALKER, John, Ibidem, p.2.
[39] Ibidem.
[40]
Ibidem, p.4.
[41]
HEITZENHATER, Richard P. , Ibidem, p. 73.
[42] Ibidem, p.82-4.
[43] Ibidem, p.112.
[44] Ibidem, p.154. A separação ocorreu em
1740. Fetter Lane foi um marco na posição contrária aos moravianos. Em 1745,
Wesley expurgou os escritos de Zinzendorf de três grandes erros: salvação
universal, antinomianismo e quietismo (HEITZENHATER, Richard P., Ibidem,
p.153).
[45]BARBIERI, Sante Uberto. Estranha estirpe de Audazes. São Paulo:
Imprensa Metodista, p. 93.
[46] Ibidem.
[47] Ibidem, p.94.
[48] Ibidem.
[49] HEITZENHATER, Richard, Ibidem, p.96.
[50]BARBIERI, Sante Uberto. Estranha estirpe de Audazes., Ibidem,
p.94.
[51] Ibidem, p.97.
[52] Ibidem, p.101.
[53] LELIÈVRE, Mateo, Ibidem, p.213,
257-264, 305.
[54] HEITZENHATER, Richard, Ibidem,
p.246-7.
[55] Ibidem, p.254.
[56] Ibidem, p.305.
[57]BARBIERI, Sante Uberto. Estranha estirpe de Audazes, Ibidem,
p.102.
[58] LELIÈVRE, Mateo, Ibidem, p. 41.
[59]
HEITZENHATER, Richard P., Ibidem, p.79.
[60]
Ibidem, p.100.
[61] RIDOUT, George W. Revival
Blessings or Seasons os Refreshing from the Presence of the Lord.
Pentecostal Publishing Company, Louisville, KY, p. 37.
[62] Letra de Carlos Wesley traduzida pelo
rev. Antônio de Campos Gonçalves. "Hinos e Cânticos"
[63] Ibidem.
[64] Pesquisa:
www.methodistheritage.org.uk/johnnelsonsstudy.htm
www.pregacaoexpositiva.com.br/.../Estranha_Estirpe_de_Audazes.pdf
www.nelsonfamilies.com/.../john-nelson-methodist-preach
www.path2prayer.com/.../john-nelson-early-methodi
http://www.revival-library.org/catalogues/1725ff/nelson.html
[65]
https://en.m.wikipedia.org/wiki/Mary_Bosanquet_Fletcher
Pesquisa: BARBIERI, Sante Uberto, Estranha estirpe de audazes.
Imprensa Metodista, SP.
REILY,
Duncan Alexander. Metodismo brasileiro e
wesleyano. São Bernardo do Campo: Imprensa Metodista, 1981 http://www.library.manchester.ac.uk/searchresources/guidetospecialcollections/methodist/using/womeninmethodism/roleofwomen/.
https://rylandscollections.wordpress.com/tag/mary-bosanquet-fletcher/
http://old.library.manchester.ac.uk/searchresources/guidetospecialcollections/methodist/using/womeninmethodism/roleofwomen/
http://old.library.manchester.ac.uk/searchresources/guidetospecialcollections/methodist/using/biographicalindex/tabbtotyerman/header-title-max-32-words-65533-en.htm
[67]
REILY, Duncan Alexander. Metodismo
brasileiro e wesleyano, Ibidem, p.159-0.
[68]
Ibidem, p.40.
[69]
Ibidem, p.114.
[70]
Ibidem, p.247-8.
[71] HEITZENHATER, Richard P., Ibidem, p. 248.
[72] HEITZENHATER,
Richard P., Ibidem, p.287.
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