Discipulado na visão de

Jesus, Paulo e Wesley

 

 

 Odilon Massolar Chaves

 



 

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Odilon Massolar Chaves é pastor metodista aposentado, doutor em Teologia e História pela Universidade Metodista de São Paulo.

Sua tese tratou sobre o avivamento metodista na Inglaterra no século XVIII e a sua contribuição como paradigma para nossos dias.

Foi editor do jornal oficial metodista e coordenador de Curso de Teologia.

É escritor, poeta e youtuber.

Toda glória seja dada ao Senhor

 

 


Índice

 

 

·                Introdução 

·                O discipulado do mestre Jesus 

·                O ministério libertador de Jesus 

·                O discipulado do mestre Paulo 

·                Paulo, apóstolo e pregador 

·                O discipulado do mestre Wesley 

·                Wesley, apóstolo e profeta 

·                Para os discípulos serem iguais ao Mestre 

·                Discipulado na visão dos três

 

 

Introdução

 

O discipulado foi a base dos ministérios de Jesus, Paulo e Wesley, que valorizaram a figura do mestre como alguém fundamental no processo de crescimento e santificação. 

Hoje, muitas Igrejas colocam o discipulado como solução para crescer e fechar as “portas dos fundos” buscando inspiração em Jesus, Paulo e Wesley. Jesus teve um discipulado revolucionário em seu tempo. Foi na contramão do discipulado judaico. Ele mesmo escolheu os discípulos dizendo “Vem e segue-me”. Jesus nunca deu estudo bíblico para eles e quando percebeu que estavam preparados, disse: Ide e fazei discípulos. 

Além de apóstolo e pregador, Paulo foi também mestre. Para ele, o ministério de mestre é fundamental no aperfeiçoamento dos santos. 

Na prática, Wesley foi apóstolo, profeta e mestre criando os pequenos grupos para a reforma da nação, particularmente a Igreja, e para espalhar a santidade bíblica por toda a terra. Para Wesley, a Igreja não irá transformar o mundo fazendo convertidos e sim fazendo discípulos. Por si só, um pequeno grupo não tem poder nenhum, mas os pequenos grupos de Jesus, Paulo e Wesley tinham algo em comum que gerou esse poder. 

Autor


O discipulado do Mestre Jesus 

 

 

Jesus seguiu a tradição judaica de fazer discípulos. Cada Rabi tinha seus próprios talmidim[1] (discípulos). 

A palavra talmidim tem origem hebraica e significa discípulos, aprendizes.[2] 

O discipulado de Jesus foi realizado, em grande parte, na estrada empoeirada da Palestina e ele fez uma revolução em seu tempo. Jesus escolheu seus próprios discípulos (talmidim) em vez de serem escolhidos por eles, como era costume. 

Na Galiléia do tempo de Jesus, os meninos em Israel iniciavam seus estudos da Torah aos 6 anos de idade. Aos 10 anos já tinham a Torah decorada. Terminado esse primeiro estágio na escola primária (Beit Sefer), a maioria dos meninos se dedicava a aprender o ofício da família. Os que se destacavam seguiam estudando na escola secundária (Beit Talmud) e mergulhavam no restante das Escrituras e na tradição oral dos rabinos e suas muitas interpretações e aplicações da Lei de Moisés. Aos 14 e 15 anos, somente os melhores entre os melhores estavam estudando, geralmente aos pés de um rabino famoso e respeitado. Esses pouquíssimos meninos da elite intelectual de Israel eram chamados talmidim (trad. discípulos)”[3]. 

Nessa fase, o adolescente escolhia um rabino e lhe dizia que queria se tornar um dos seus discípulos (talmidim). A partir daí havia um verdadeiro vestibular num processo de seleção sendo investigada sua vida e seu conhecimento bíblico pelo rabino para ver se o candidato poderia ser alguém com o mesmo potencial dele. O processo era rigoroso e muitos voltavam para casa. 

Quem era aprovado ouvia do rabino a frase: “Vem e segue-me”. O adolescente passava a ser um talmidim, que era algo de grande honra e privilégio. 

O rabino tinha um alvo: fazer os discípulos se tornarem como ele, por isso, deveriam estar sempre juntos [4]. 

Jesus não escolheu nenhum Rabi para aprender e nem foi rejeitado por nenhum deles. 

Nicodemos entendeu perfeitamente isso quando reconheceu que Jesus era um Rabi e disse: “Rabi, sabemos que és Mestre, vindo de Deus; pois ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele” (João 3.2). Jesus explicou que não seguiu a nenhum Rabi: “O meu ensino não é meu, e sim daquele que me enviou” (João 7.16). 

Jesus agiu muito diferente e fez uma revolução no discipulado em seu tempo. Ele quebrou paradigmas. 

Primeiro, Ele mesmo escolheu os seus discípulos: “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros” (João 15.16). 

Segundo, Ele chamou gente simples do povo, que não teve a possibilidade de pertencer a um grupo de discípulos. Ele chamou pescadores como Simão (Pedro), Tiago, João e André para serem seus discípulos. 

Terceiro, Ele disse a frase para Simão e Tiago que todo adolescente gostaria de ouvir: “Vem e segue-me”. Foi assim: “Andando à beira do mar da Galiléia, Jesus viu Simão e seu irmão André lançando redes ao mar, pois eram pescadores. E disse Jesus: Vem e segue-me e eu os farei pescadores de homens. No mesmo instante eles deixaram suas redes e o seguiram” (Mc 1.16-18). 

Na tradição judaica, no tempo de Jesus, o relacionamento entre o rabi e o talmidim (discípulos) era algo extremamente estreito e forte. 

Os talmidim consideravam seus rabinos como tendo maior autoridade do que seus pais. Os talmidim entendiam que os pais os trouxeram ao mundo, mas os rabinos os levariam aos céus. 

Era um relacionamento como de um servo e mestre e também como de um pai e filho. Algumas escolas rabínicas eram chamadas de “Casas.”[5] 

Jesus seguiu de perto essa tradição trazendo maior profundidade e especialmente baseando seu discipulado no amor. Jesus dizia: “Vem e segue-me”. Era a frase chave para seguir o Mestre e ser um discípulo deixando tudo para trás passando a conviver com Ele em tempo integral. Os discípulos seguiram os passos de Jesus e conviveram com ele. 

A palavra grega ακολουθεω usada aqui significa “sigo, acompanho, torno-me discípulo, conformo-me a exemplo de alguém na vida ou morte.”[6]

Veja outros exemplos:

Foi dentro

Mateus 4.20: "deixando logo as redes, seguiram-no."

Matthew 4:22 : "and their father, and followed him."Mateus 4.22: "e o seguiram."
Matthew 4:25 : "And there followed him great multitudes of people from Galilee, and"Matthew 8:19 : "and said unto him, Master, I will follow thee whithersoever thou goest."Matthew 8:22 : "Jesus said unto him, Follow me; and let the "Mateus 8.22: "Jesus disse-lhe: Segue-me".
Matthew 8:23 : "a ship, his disciples followed him,"Matthew 9:9 : "and he saith unto him, Follow me. And he arose, and followed"Mateus 9.9: "e disse-lhe: Segue-me e ele se levantou, e o seguiu".
Matthew 9:9 : " me. And he arose, and followed him."Matthew 9:19 : "And Jesus arose, and followed him, and so did his disciples."Matthew 16:24 : " his cross, and follow me. "Matthew 19:2 : "And great multitudes followed him; and he healed them"Mateus 19.27: "Deixamos tudo e te seguimos; que devemos ter". 

Os discípulos deveriam seguir Jesus de perto e conviver com ele para aprender e depois fazerem seus próprios discípulos quando estivessem com o discipulado completo.  Foi o que mais Jesus fez durante três anos. 

Ele viveu o Evangelho diariamente com os discípulos. Ele ensinou e mostrou na prática.  E deu o exemplo: “Ora, se eu, sendo o Senhor e o mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros” Jo 13.14). 

Outros foram discípulos, mas não fizeram parte dos doze, como José de Arimatéia (Mt 27.57); Lázaro (Jo 11.3; 11.11;11.36;12.2); os chamados 70 que foram enviados de dois a dois (Lc 10.1) e os dois do caminho de Emaus (Lc 24.13), por isso, não tiveram que seguir a Jesus de tempo integral por todos os lugares. 

O que ensinou Jesus aos discípulos 

Jesus não deu ensino bíblico, pois os discípulos já entravam no discipulado com suficiente conhecimento bíblico sobre o Antigo Testamento. 

Quando Jesus disse aos seus discípulos “ouvistes que foi dito” (Mt 5.21, 27, 31, 33, 38, 43) Ele sabia que seus talmidim (discípulos) conheciam bem as Leis de Moisés e os profetas. 

Quando um discípulo pedia explicação a Jesus era sobre algo novo, como Pedro (Mt 15.15) e outros discípulos (Mt 13.36) pediram explicação sobre uma parábola. 

Algumas vezes, eles pediam algo espiritual: “aumenta-nos a fé” (Lc 17.5). 

Quando Jesus cita Zacarias 13.7 para os discípulos é por livre vontade e para explicar que eles se escandalizariam com a sua morte, como estava escrito: “Todos vós vos escandalizareis comigo; porque está escrito: ferirei o pastor; e as ovelhas do rebanho ficarão dispersas” (Mt 26.31). 

Jesus fez o mesmo no caminho de Emaús com dois discípulos: “E começando por Moisés, discorrendo por todos os profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras” (Lc 24.27). 

O que então ensinou Jesus? 

Jesus ensinava princípios éticos, como no Sermão da Montanha, quando destacou a humildade; os que choram; os mansos; os que têm fome e sede de justiça; os misericordiosos; os limpos de coração; os pacificadores (Mt 5.1-12). 

Jesus procurou levar os talmidim (discípulos) especialmente a prática da verdade, justiça, humildade e misericórdia muito diferente da religiosidade de sem tempo. 

Ele disse os discípulos: “Se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos Céus" (Mt. 5.20). 

Jesus ensinou sobre a prática do amor a Deus e ao próximo. Ensinou sobre a retidão. 

Ele disse aos discípulos: 

“Guardai-vos de exercer vossa justiça diante dos homens com o fim de serdes vistos por eles” (Mt 6.1); 

“Quando deres esmola, não toques trombeta diante de ti” (Mt 6.2); 

“E, quando orardes, não sereis como os hipócritas” (Mt 6.5); 

“Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas” (Mt 6.16); 

“Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra” (Mt 6.19); 

“Ninguém pode servir a dois senhores” (Mt 6.24); 

“Não andeis ansiosos pela vossa vida” (Mt 6.25); 

“Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á” (Mt 7.7); 

“Acautelai-vos dos falsos profetas” (Mt 7.15), etc 

O propósito era levar os talmidim (discípulos) a serem perfeitos (Mt 5.48). 

Convivência de Jesus com os discípulos 

Jesus sempre se dirigiu aos seus discípulos (Mt 9.37) e lhes deu instruções (Mt 11.1).  Fez refeição com eles (Mt 26.20) e levou alguns para orarem com Ele (Mt 26.36-37). Ele caminhou com os seus discípulos (Mt 20.17) e enviou alguns com uma determinada tarefa (Mt 21.1), etc. 

Uma das características dos talmidim (discípulos) era fazer perguntas ao seu rabi, o mestre, e os discípulos de Jesus faziam isso: “Então, se aproximaram os discípulos e lhe perguntaram: Por que falas por parábolas?” (Mt 13.10). 

Os discípulos pediam explicações a Jesus: “Explica-nos a parábola do joio do campo” (Mt 13.36). 

Diante de certas situações, Jesus chamava os seus discípulos para lhes dizer algo: “E, chamando os seus discípulos, disse: “Tenho compaixão desta gente...” (Mt 15.32). 

E quando os discípulos cometiam alguma falha, Jesus procurava trazer uma lição sobre questões da vida: “Ora, tendo os discípulos passado para o outro lado, esqueceram-se de levar o pão. E Jesus lhes disse: Vede e acautelai-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus” (Mt 16.5-6). 

Às vezes, era o próprio Jesus quem fazia perguntas: “Perguntou a seus discípulos: Quem diz o povo ser o Filho do Homem?” (Mt 16.13). 

Diante de certas questões, os discípulos o chamavam em particular para tirarem as suas dúvidas: “Então, os discípulos, aproximando-se de Jesus, perguntaram em particular” (Mt 17.19). 

E quando havia alguma pergunta insensata dos discípulos (Mt 18.1), Jesus procurava fazer algo prático ou colocar algo visual para eles entenderem bem. Quando eles perguntaram quem era o maior no Reino dos Céus, Jesus colocou uma criança no meio deles: “E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornarem como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus” (Mt 18.3). 

Jesus esteve muito próximo e foi amigo dos discípulos: “Tenho vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer” (Jo 15.15). 

Jesus mostrou que o discípulo deve ser preparado para ir além do Mestre: “Aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai” (Jo 14.12). 

Jesus confiou nos discípulos e lhes deu autoridade: "Chamou os doze discípulos e deu-lhes autoridade de expulsar os espíritos imundos e de curar toda a sorte de males e enfermidades" (Mt 10.1). 

Aos discípulos que estavam ansiosos, Ele pediu para olharem os lírios e os pássaros (Lc 12.24-27). Com isso, Jesus mostrou que Deus cuida dos seus filhos e filhas com muito amor. 

Foi direto ao problema para corrigir: apareceu aos seus discípulos e pediu que Tiago colocasse o dedo nas feridas e visse suas mãos furadas (Jo 20. 27).         

Utilizou parábolas para quebrar preconceitos, tabus e retirar as pessoas do círculo vicioso levando-as à reflexão (Lc 15.3-4. Lc 16.13).                  

 Chamava a pessoa pelo nome: foi assim com Zaqueu (Lc 19.5); Marta (Lc 10.42); Simão (Lc 7.40); Maria (Jo 20.16). Assim, Jesus mostrava ser amigo e ter interesse pela pessoa.

Falou mansamente: “Não se turbe o vosso coração...” (Jo 14.1). Disse ainda: “Olhai os lírios do campo ...” (Lc 12.27). No seu diálogo com os sofredores, não pronunciou palavras ásperas ou ofensivas, mas doces e esperançosas. 

Apesar de não concordar com o pecado e esperar mudança dos que pecavam, Jesus respeitou às pessoas. Não falou nada para Zaqueu sobre coisas ilícitas (Lc 19) e nem para a mulher que foi apanhada em adultério (João 8). Seu amor e compreensão estavam em primeiro lugar. 

Todas essas atitudes eram ensinamentos para os discípulos que deveriam agir da mesma forma. 

Ser discípulo implicava em renúncia e seguir Jesus literalmente: “Vendo grandes multidões ao seu redor, Jesus mandou passar para a outra margem. Então um doutor da Lei se aproximou e disse: Mestre, eu te seguirei aonde quer que fores. Mas Jesus lhe respondeu: As raposas têm tocas e as aves do céu têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça. Outro, que era discípulo, disse a Jesus: Senhor, deixa primeiro que eu vá sepultar meu pai. Mas Jesus lhe respondeu: Siga-me, e deixe que os mortos sepultem seus próprios mortos” (Mt 8.18-22). 

Quando viu que os discípulos estavam preparados, Jesus lhes deu a seguinte missão: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém” (Mt 28.19-20).



O ministério libertador de Jesus 

 

Jesus ministrou para os discípulos (Mc 3.14-15); conviveu com três deles de uma forma mais íntima - Pedro, Tiago e João (Mc 5.37) - e ministrou para multidões (Mc 4.1). 

O discipulado de Jesus foi uma etapa para grandes realizações. Ele mesmo disse que os discípulos fariam coisas maiores. Através do discipulado, eles mudaram de vida e impactaram o mundo sob a unção do Espírito Santo (Atos 1.8). 

A pregação de Jesus 

Com a vinda de Jesus ao mundo, trazendo a Boa Nova do Reino de Deus para o povo oprimido, era necessário anunciar a sua chegada, para que todos soubessem dos novos tempos que começavam. 

Uma das formas utilizadas foi a pregação do Evangelho. João Batista foi quem primeiro anunciou o Reino. Com ele e com Jesus (Mc 1.15), a pregação foi utilizada com o objetivo de levar à conversão: "Arrependei-vos porque o Reino dos céus está perto” (Mt 3.2). 

A Boa Nova foi também anunciada aos pobres (Lc 6.20-21; Mt 11.5), àqueles que esperavam a justiça vinda de Deus e que confiavam nas Suas promessas. O anúncio declarava que o Reino já estava chegando para por fim a todo mal, restabelecendo a justiça, a fraternidade, a paz (Lc 4.18-19). 

Jesus saiu por todas as cidades e aldeias anunciando a Boa Nova do Reino dos Céus (Lc 8.1; 4.43-44; Mt 4.17). Ele não anunciava a si mesmo e sim o Reino de Deus. 

Esta missão foi também confiada aos discípulos, pois todos deveriam saber que Deus veio libertar o povo de tudo que o escravizava. Neste sentido, também haveria uma conversão: a mudança de um estado de jugo para um estado onde haveria a justiça, fraternidade e paz. 

Jesus constituiu doze apóstolos para que ficassem com Ele, pregassem e expulsassem demônios (Mc 3.14-15; cf. Mc 16.15). Deveriam ir em missão. 

A missão primeira foi: "Proclamai que o Reino de Deus está próximo" (Mt 10.7). 

A proclamação do Evangelho era necessária para que o povo soubesse que o Reino estava à disposição de todos aqueles que esperavam pelas promessas de Deus e que viviam oprimidos. Jesus utilizava a pregação como elemento fundamental, mas não a enfatizava isolada. A pregação estava integrada de uma outra parte fundamental do Evangelho - a cura: "Indo de aldeia em aldeia, anunciando a Boa Nova e operando curas por toda a parte" (Lc 9.6). 

A pregação estava integrada igualmente com outra parte da Boa Nova: o ensino: "Partiu dali para ensinar e pregar nas cidades" (Mt 11.1). 

Vemos assim que a Boa Nova era transmitida e concretizada de forma integral. Jesus usava a pregação também para denunciar os atos contrários ao Reino de Deus. Era uma denúncia da situação reinante em Israel: "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque bloqueais o Reino dos Céus diante dos homens; pois vós mesmos não entrais, nem deixais entrar os que querem fazê-lo." (Mt 23.13). 

Assim, Jesus utilizou a pregação para a conversão, para anunciar a chegada do Reino e para denunciar as injustiças em Israel. 

O ensino de Jesus 

Em seu ministério Jesus utilizou muito mais o ensino do que a pregação. Vemos isto através de vários fatos e relatos nos sinóticos: 

"Aconteceu que, certo dia, enquanto ensinava o povo no templo, anunciando a Boa Nova..." (Lc 20.1). 

No Sermão da Montanha, Jesus procurou ensinar aos discípulos sobre a realidade do Reino: "Vendo ele as multidões, subiu ao monte. Ao sentar-se, aproximando-se dele os seus discípulos. E pôs-se a falar e os, ensinava" (Mt 5.1-3). 

Mas foi através das parábolas que Jesus ensinou mais sobre a realidade do Reino: "Ouvi, portanto, a parábola do semeador. Todo aquele que ouve a palavra do Reino e não entende..." (Mt 13.18-19). 

As parábolas do grão de mostarda (Mt 13.31); do fermento (Mt 13.33); do tesouro escondido (Mt 13.44): da rede (Mt 13.47) e outras parábolas falam e ensinam sobre o Reino de Deus. O ensino através das parábolas mostra que Jesus estava preocupado e desejoso que as pessoas refletissem e descobrissem por si próprias a realidade do Reino. Jesus não dava nada pronto. Ele lançava uma pista e o povo refletia até chegar à sua conclusão. Assim, o povo guardava mais facilmente os ensinamentos e dava mais valor àquilo que tinha aprendido. 

Os apóstolos, que eram pessoas simples, gente do povo, também participavam do discipulado: "Os apóstolos reuniram-se a Jesus e contaram-lhe tudo o que tinham feito e ensinado” (Mc 6.30), mas não tinham ainda seus grupos de discípulos. 

O fato de Jesus utilizar a linguagem e fatos da vida do povo para ensinar; o fato de Jesus utilizar a própria gente do povo para participar da educação popular, mostra que Jesus não fazia uma educação elitista desvinculada da realidade das pessoas.  

O ensino não era algo à parte. Era parte de um todo do Evangelho. No final do evangelho de Mateus está registrada a preocupação de Jesus com o discipulado daqueles que se tornassem cristãos: “(...) ensinando-os a guardar tudo quanto vos ordenei" (Mt 28.20). 

O ensino era para aqueles que não conheciam ainda a realidade do Reino e para aqueles que já haviam crido e precisavam conhecer melhor as implicações de pertencer ao Reino de Deus. 

Jesus falava das coisas simples da gente simples. Ele falou de sal e fermento (Mt 5.13; 13.33); figos e uvas (Mt 7.16); semear (Mt 13.16; 13.7); casa varrida (Mt 12.44); lamparina (Mt 25.8), etc já que os fariseus chamavam o povo de maldito por não conhecer a lei (Jo 7.49). 

As palavras de Jesus mexeram com as consciências adormecidas pela ideologia dominante. O ensino de Jesus libertou a consciência oprimida do povo. 

Libertação do povo 

Jesus teve a missão de libertar totalmente o ser humano. Ele definiu a sua missão assim: "Evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação dos cativos e restauração da vista aos cegos, para por em liberdade os oprimidos... " (Lc 4.18). 

Um dos fatores que cooperavam para a opressão do povo eram os demônios. Eles representavam o oposto do Reino de Deus. Eles oprimiam, escravizavam, destruíam as vidas humanas. Antes de Jesus chegar, o reino das trevas, o poder da morte, dominava, em parte, o mundo. Jesus veio anunciar a Boa Nova do Reino, o começo dos novos tempos. Sim, o tempo da vitória do bem, do amor, da vida. Somente a pregação e o ensino não seriam suficientes para eliminar os poderes do mal. Era necessário algo concreto, por isso, Jesus disse: "Mas se é pelo Espírito de Deus que eu expulso os demônios, então, o Reino de Deus já chegou a vós" (Mt 12.28).

 Sim, o Reino não era só promessa. Com Jesus, ele se tornou realidade no mundo. Um Reino que não se vê, mas se percebe. Jesus deu também esta missão e autoridade aos apóstolos: "E constituiu doze, para que ficassem com ele, para enviá-los a pregar, e terem autoridade para expulsar os demônios" (Mc 3.14-15). 

Os próprios demônios reconheciam que era chegado o Messias com o seu Reino. Eles, por isso, temiam grandemente: "Ah! que queres conosco, Jesus Nazareno? Vieste para arruinar-nos? Sei quem tu és, o Santo de Deus " (Lc 4.34). 

Ter poder e autoridade sobre os demônios significava a supremacia do Reino de Deus sobre o reino das trevas. Significava a vitória da vida sobre a morte. A expulsão de demônios não deve ser entendida também como algo à parte e sim dentro do contexto e concretização da Boa Nova do Evangelho. Jesus deixou isto claro, quando convocou os doze apóstolos e os enviou para expulsar demônios, curar doenças e proclamar o Reino de Deus (cf. Lc 9.1-2). 

A expulsão de demônios é sinal concreto da instalação do Reino no mundo. Todos os tipos de demônios que existem hoje no mundo econômico, político, institucional, que trazem as mais diferentes opressões e morte, devem ser eliminados pelo Evangelho que liberta e traz vida. 

As tradições que prejudicavam a vida plena não eram importantes para Jesus. 

Assim, Jesus liberou as consciências dos discípulos e permitiu que eles colhessem espigas no sábado proibido (Mc 2.23-26). Ele mesmo curou doentes no sábado (Lc 6. 6-10) sob o olhar acusador dos fariseus. 

A sensibilidade de Jesus 

Jesus teve uma grande preocupação com a sorte do povo. A fome e as doenças eram sinais da manifestação da injustiça e da precariedade do atendimento e da situação do povo. Jesus por isso curou. 

A cura era também um sinal dos novos tempos, do tempo da chegada do Messias ao mundo (cf. Is 53.4-6). Se as doenças traziam problemas às pessoas, não as deixando ter uma vida plena, era necessário que elas fossem extintas: 

"E curou todos os que estavam enfermos, a fim de se cumprir a que foi dito pelo profeta Isaías: levou as nossas enfermidades e carregou as nossas doenças" (Mt 8.16-17). 

Jesus mostrou que a Boa Nova do Reino era algo real, que vencia o poder da morte. Sim, mostrou que devemos, acima de tudo, nos preocupar em solucionar os problemas que afetam ao povo sofredor e oprimido. Jesus disse para os discípulos fazerem o mesmo: 

"Chamou os doze discípulos e deu-lhes autoridade de expulsar os espíritos imundos e de curar toda a sorte de males e enfermidades" (Mt 10.1). 

Com isso, Jesus mostrou à religião e sociedade da época que Deus quer é o bem integral do ser humano e não soluções temporárias e superficiais. 

A cura das doenças serve para mostrar que o Evangelho de Jesus teve uma grande preocupação social. Era uma preocupação com a saúde do povo. Este Evangelho que se preocupa com a parte material também alimentou multidões famintas (Mc 6.35-44), mostrando que Jesus era sensível às necessidades do povo. Nas bem-aventuranças, ele disse: "Bem-aventurados os que agora tendes fome, porque sereis saciados” (Lc 6.21). 

Sim, "aquele que alimentou os cinco mil [...] estava claramente preocupado com os problemas de justiça econômica”.[7] 

Quando João Batista quis saber se Jesus era o Messias, que traria o Reino, Jesus respondeu: 

"Os cegos recuperam a vista, os coxos andam, os leprosos são purificados e os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados" (Mt 11.5). 

As curas fazem parte de um todo do Evangelho e só assim devem ser entendidas: "Curai enfermos que nela houver e dizei ao povo: o Reino de Deus está próximo de vós" (Lc 10.9). 

Não podemos, pois, falar em evangelização, sem levar em conta os problemas sociais que afligem ao ser humano. 

Jesus mostrou a necessidade da conversão 

A exigência de conversão foi proclamada por Jesus: "O tempo está realizado e o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no Evangelho " (Mc 1.15). 

Jesus viveu num tempo de grande necessidade de mudança de vida. Ele revelou como era a geração de sua época: “Ó geração incrédula e perversa” (Mt 17.17) e “geração má e adultera” (Mt 16.4). 


O original grego "metanóia" usado nos sinóticos significa meia volta, mudança de rumo, abandono do caminho falso e um caminhar decidido no caminho do Senhor. Significa uma reviravolta interna. O convertido deve mostrar os frutos de justiça, misericórdia e humildade diante de Deus (cf. Lc 3.8). 


O fato de estarem com Jesus, não significava que todos os discípulos já fossem plenamente convertidos. Isto fica claro para nós, quando vemos que alguns discípulos viviam com preocupações que nada tinham a ver com os propósitos e valores do Reino de Deus. Certa vez, eles perguntaram a Jesus: "Quem é o maior no Reino dos Céus?” (Mt 18.1).

 

Isto mostra uma preocupação com grandeza, prestígio e poder.

 

Em outro texto, os discípulos impediram as crianças de chegarem até Jesus, mostrando que não entendiam ainda perfeitamente a Boa Nova do Reino de Deus (Lc 18.15-16), que dá acesso a todas as pessoas. Jesus, por isso, deu uma grande lição nos discípulos dizendo que eles deveriam se tornar como uma criança, para pertencerem ao Reino (Lc 18.17) e ser o maior no Reino (Mt 18.4).

 

Na convocação dos discípulos para seguirem a Jesus, não há nenhuma exigência aparente de conversão, embora, ao deixarem tudo para seguir a Jesus, mostram indícios de conversão (Mc 1.16-18).

 

“O verbo seguir, na língua grega akolouthéo, é uma palavra que aparece com o significado de fazer a mesma estrada com alguém, de acompanhar, de ir atrás. O significado de akolouthéo denota a resposta ativa que a pessoa dá ao chamado de Jesus para o seu seguimento. Com isso a pessoa dá uma nova direção à sua existência”.[8] 

A palavra grega akolouthéo[9] empregada aqui significa seguir um mestre e ser seu discípulo. Significa sigo, acompanho, torno-me discípulo, imito etc.

 

 Mais a frente, em momentos decisivos, Jesus fala de conversão a Pedro: "Quando, porém, te converteres, confirma teus irmãos” (Lc 22.32).

 

Certamente, o Pedro que nega a Jesus; o Tomé que duvida e o Judas que trai ainda estavam no caminho da plena conversão. Jesus, contudo, foi duro com aqueles que ainda não tinham optado pelo Reino e os seus valores: "Se não vos arrepender, perecereis todos do mesmo modo " (Lc 13.3). 

Por outro lado, nas parábolas da ovelha e da dracma perdida, Jesus disse que há grande alegria no céu por um pecador que se arrepende (Lc 15.7;15.10).

 

Pode parecer estranho para alguns, mas veremos que a conversão não foi exigida de todos. Houve um remanescente de Israel que permaneceu fiel a Deus, após o exílio. Este remanescente fiel se caracterizava por praticar a justiça, a misericórdia e a humildade (Mq 6.8; cf. Sf 3.12-13).

 

Maria foi escolhida exatamente por pertencer a este remanescente fiel (Lc 1.46-48). Sim, "o resto fiel que espera a consolação de Israel' se encarna em Zacarias e Isabel, Simeão e Ana, nos pastores de Belém, e de modo especial em Maria e José."[10] Destes não se poderia exigir a conversão, já que viviam de acordo com a vontade de Deus.

 

Aqueles que eram humildade e esperavam a ação libertadora do Messias foram chamados pobres, constituindo também a base para a existência do resto fiel do povo de Deus (Sf 3.12-13; Is 10.21-23).

 

No sermão da montanha, Jesus deixa claro que o Reino de Deus já é deste remanescente fiel que tem por característica a humildade (Mt 5.3); a justiça (Mt 5.6); a misericórdia (Mt 5.7) e o coração puro (Mt 5.8).

 

Este "resto fiel", chamado também de "pequenino rebanho", era privilegiado de Deus. A eles, Jesus disse: “Não tenhais medo, pequenino rebanho, pois foi do agrado do vosso Pai dar-vos o Reino” (Lc 12.32).

 


O discipulado do mestre Paulo 

 

 

O discipulado de Paulo foi realizado em sinagoga, Igreja, escola, casa, praça e mesmo na prisão escrevendo suas epístolas. 

Como Jesus, Paulo ensinou à multidão (Atos11.26); a um pequeno grupo (Atos 19.1-10) e conviveu em comunhão e serviço com alguns mais íntimos (1Ts 1.1; Cl 4.7-10; Rm 16.3, 21). 

Paulo procurou ser um exemplo para os convertidos, como um bom mestre fazia na cultura judaica e no princípio do cristianismo, quando os talmidim (discípulos) imitavam os rabis. 

“O papel do exemplo e da imitação na comunidade de aprendizagem dos discípulos é frequentemente sublinhada no Novo Testamento. Numerosas declarações do apóstolo Paulo de forma concisa indicar a estratégia de ser e fazer discípulos. In one of his earliest letters to groups of disciples he reminds the readers of how "Our gospel [proclamation] did not come to you in word only, but also in power and in the Holy Spirit and with full conviction; just as you know what kind of men we proved to be among you for your sake. You also became imitators of us and of the Lord, having received the word in much tribulation with the Joy of the Holy Spirit, so that you became an example to all believers in Macedonia and in Achaia." Em uma de suas primeiras cartas a grupos de discípulos que ele lembra os leitores”: [11] 

“Porque o nosso evangelho não foi a vós somente em palavras, mas também em poder, e no Espírito Santo, e em muita certeza, como bem sabeis quais fomos entre vós, por amor de vós. E vós fostes feitos nossos imitadores, e do Senhor, recebendo a palavra em muita tribulação, com gozo do Espírito Santo. De maneira que fostes exemplo para todos os fiéis na macedônia e Acaia” (1Ts 1.5-7). 

Em Corinto, Paulo exorta os crentes a imitá-lo: “para que sejais meus imitadores” (1Co 4.16). 

E complementa dizendo: “Por esta causa vos mandei Timóteo, que é meu filho amado, e fiel no Senhor, o qual vos lembrará os meus caminhos em Cristo, como por toda a parte ensino em cada igreja” (1Co 4.17). 

Paulo ainda reafirma à Igreja em Corinto: “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo” (1Co11.1). 

Aos filipenses, ele mostra a necessidade do discípulo imitar o seu mestre destacando a prática da santidade: “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai. O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso fazei; e o Deus de paz será convosco” (Fp 4.8-9). 

Paulo foi um grande apóstolo, pregador, mestre e consolidador: “E, tendo anunciado o evangelho naquela cidade e feito muitos discípulos, voltaram para Listra, e Icônio, e Antioquia, fortalecendo a alma dos discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé; e mostrando que, através de muitas tribulações, nos importa entrar no Reino de Deus” (Atos 14.21-22). 

Sua consciência de que precisava consolidar os discípulos era grande: “Alguns dias depois, disse Paulo a Barnabé: Voltemos, agora, para visitar os irmãos por todas as cidades nas quais anunciamos a Palavra do Senhor, para ver como passam” (Atos 15.36).

Paulo disse que era mestre dos gentios: “eu fui constituído pregador e apóstolo, mestre dos gentios na fé e na verdade” (1Tm 2.7). 

Paulo era um mestre no sentido de ser um rabino com discípulos? 

“Por um lado, ele nunca é chamado rabino nas Escrituras da Nova Aliança. Por outro lado, ele é claramente descrito como alguém que ocupara uma posição rabínica, pois recebeu cartas de autoridade dos Sumo Sacerdotes (At 9.2; 22.5), foi considerado um dos líderes do judaísmo ortodoxo (Gl 1.14), foi membro de uma das seitas mais radicais (At 26.5) e foi treinado em uma Yeshivá de Jerusalém por Gamaliel (At 22.3)”.[12] 

A palavra didaskolos em grego é traduzida por mestre[13] (1Tm 2.7) e “Rabbi, traduzido, é o mesmo que o grego didaskolos”[14] 

O termo grego didaskalos ocorre 58 vezes no Novo Testamento,48 of these are in the 48 deles estão no Gospels and refer to Jesus, with the one exception of Luke 2:46 (the term is used to refer to the Evangelhos e referem-se a Jesus, com a única exceção de Lucas 2. 46 (o termo é usado para se referir aosteachers in the Temple). professores no templo)[15]. 

Paulo agiu como um rabi, um mestre, em Éfeso. 

A Bíblia de Jerusalém prefere traduzir 1Timóteo 2.7 como “doutor das nações”[16] , em vez de mestre. 

Nesta cidade, ele encontrou cerca de 12 discípulos de João Batista que tinham um cristianismo incompleto. Paulo investiu nesse pequeno grupo e agiu com autoridade porque era um mestre. 

Além da ministração pessoal durante um longo período, Paulo escreveu uma longa epístola aos efésios orientando sobre a vida cristã. 

Posteriormente, enviou um ministro do Senhor (Ef 6.21-22) para fortalecê-los na fé. Ele teve o cuidado de enviar alguém que era amado e fiel. 

Vamos verificar o procedimento do apóstolo Paulo. Veja como ele fez esse investimento. 

Investimento em vidas 

Paulo fazia tendas, mas em Éfeso decidiu investir em vidas. Ele achou ali alguns discípulos e se interessou pela sua vida espiritual, ao perguntar-lhes: “Recebestes, porventura, o Espírito Santo quando crestes?” (At 19.2). 

E depois lhes perguntou sobre o batismo: “Em que, pois, fostes batizados?” (Atos 19.3). 

Ele discerniu que os discípulos tinham falhas em sua formação doutrinária. Paulo, então, os batizou no nome de Jesus e eles receberam o Espírito Santo em suas vidas.

Paulo acreditava no potencial das pessoas e no que o Senhor poderia fazer em suas vidas. Ele mesmo era a maior prova disso. O Senhor investiu nele quando ele estava corrompido e fez dele um apóstolo e um servo.  

Investimento individual 

Ministrar no grupo é importante, pois traz unidade. Mas Paulo também se preocupou com cada um. Ele disse: “Não cessei de admoestar, com lágrimas, a cada um” (At 20.31). 

Investir em cada um é fundamental. Individualmente, o discípulo pode se abrir mais ao líder colocando suas dúvidas e fazendo perguntas. 

Paulo procurou criar um relacionamento de comunhão com os discípulos. Ele tinha um coração aberto. Isso gerou confiança. 

Quando ele enviou Tíquico à Éfeso, disse: “E, para que saibas também a meu respeito e o que faço, de tudo vos informará Tíquico” (Ef 6.21). 

Investimento no discipulado 

Esse grupo havia sido somente batizado no batismo de João e nem sabia da existência do Espírito Santo (At 19.1-7). Tinha um cristianismo incompleto e não tinha poder espiritual. 

Paulo percebeu a deficiência dos doze, os orientou e completou o conhecimento dos discípulos. Com isso, eles foram capacitados também pelo Espírito Santo recebendo dons espirituais. 

Mais a frente, Paulo disse: “Jamais deixei de vos anunciar todo o desígnio de Deus” (At 20.27). 

Investimento em um lugar adequado 

Depois da orientação preliminar, Paulo os orientou junto com os judeus, numa sinagoga, quando percebeu que esses discípulos estavam sendo prejudicados por causa dos judeus que resistiam e criticavam o cristianismo. 

Ele, então, tomou a decisão de separá-los desses críticos e passou ministrar somente para eles (At 19.8-9). Paulo os levou para a escola de Tirano, um lugar mais apropriado. 

O nome provavelmente se referia a alguém cujo nome era Tirano, nome popular entre os romanos com algum status. 

Alguns manuscritos acrescentam “da quinta à décima hora” dando a ideia de que a escola funcionava das 11 da manhã às 4 da tarde. 

Alguns estudiosos supõem que Tirano usava a sala nas horas frescas da manhã e cedia a Paulo para o resto do dia, esta escola funcionou na cidade de Éfeso por um período de dois anos.[17] 

A localização dos discípulos em casas, no princípio do cristianismo, facilitava a comunhão e o apoio uns aos outros. Paulo parece se referir a essas igrejas domésticas na cidade de Roma (Rm 16.4, 10, 11, 14, 15). 

In I Cor. Investimento de tempo 

O apóstolo Paulo investiu tempo na formação dos discípulos desde o início. Foi assim em Antioquia junto com Barnabé: “E partiu Barnabé para Tarso à procura de Saulo; tendo-o encontrado, levou-o para Antioquia. E, por todo um ano, se reuniram naquela Igreja e ensinaram numerosa multidão” (Atos 11.25-26). 

Barnabé chamou Paulo para ajudar na formação desses discípulos porque ele era também mestre. 

E eles foram transformados para terem um estilo de vida semelhante a Jesus Cristo: “Em Antioquia, foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos” (Atos 11.26). 

Paulo investiu também tempo nesses discípulos, em Éfeso, para transformá-los em cristãos. 

Ele ministrou diariamente durante dois anos (Atos 19.10). 

O sentido do texto é que ele ministrou das 11 às 16h diariamente entre a 5ª e 10ª hora[18]. 

Nesse sentido, o discipulado de Paulo não implicava necessariamente no akolouthéo: sigo, acompanho, imito etc[19] como era o discipulado de Jesus. Paulo tinha um local específico para se reunir com esses discípulos. 

Mas sua dedicação trouxe grande resultado. Esse pequeno grupo se tornou instrumento para levar o Evangelho a toda Ásia (At 19.10) e eles constituíram a Igreja em Éfeso (Ef 1.1). 

O resultado do investimento 

Investimento é uma semente lançada. Não devemos esperar frutos imediatos. Nem sempre é assim. 

Os resultados do discipulado de Paulo com os discípulos, em Éfeso, foram: 

Organização de uma Igreja madura e fiel 

A Igreja em Éfeso surgiu desse grupo de doze discípulos. Ele escreveu para esta igreja e disse: “Paulo, apóstolo de Cristo Jesus, por vontade de Deus, aos santos que vivem em Éfeso e fiéis em Cristo Jesus” (Ef 1.1). 

Sobre a maturidade da igreja, Paulo disse: “Tendo ouvido a fé que há entre vós no Senhor Jesus e o amor para com todos os santos, não cesso de dar graças por vós” (Ef 1.15-16). 

Uma liderança forte 

Mais tarde, o texto diz: “De Mileto, mandou a Éfeso chamar os presbíteros da igreja” (At 20.17). 

Certamente, os doze assumiram a liderança da Igreja e se tornaram presbíteros. 

Em sua despedida, Paulo lembra a responsabilidade deles: “Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue” (At 20.28).

Comunhão e fidelidade dos discípulos 

Quando Paulo se separou deles, “houve grande pranto entre todos, e, abraçando afetuosamente a Paulo, o beijavam” (At 20.37). 

Éfeso se revelou ser uma Igreja forte doutrinariamente. O apóstolo fez a ela várias recomendações para viver em santidade e termina a epístola dizendo: ‘Paz seja com os irmãos, e amor com fé, da parte de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo” (Ef 6.23). 

Na verdade, estes dois anos de discipulado de Paulo com um pequeno grupo em Éfeso foi algo nada comum. 

Por causa de suas constantes viagens missionárias, ele quase sempre estava viajando e não ficava por muito tempo nos lugares que evangelizou. Ele geralmente voltava para consolidar os discípulos, os seus filhos na fé. 

Uma igreja sempre começava com a pregação ou ensino de Paulo. Foi assim também com Lídia em Filipos (At 16.11-15) e em suas viagens missionárias na organização de igrejas. 

 Paulo, apóstolo e pregador  

 

Paulo dizia que era apóstolo, pregador e mestre.

 

Aquele que havia tido um encontro sobrenatural com Jesus no caminho de Damasco (Atos 9.1-19) e foi arrebatado até o 3º céu (2Co 12.2-4), sabia das grandes possibilidades que podemos alcançar. Ele disse: “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1Co 2.9).

 

Ele sabia que podia experimentar muito mais da graça do Senhor. Ele disse: “Prossigo para o alvo” (Fp 3.14). Ele incentivava os discípulos a buscarem mais de Deus. Sua visão era: “Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Ef 4.13).

 

Paulo foi muito além do que orientar e preparar um pequeno grupo de discípulos e realizar o ministério de mestre. Ele era também pregador e apóstolo.

 

Eis algumas ênfases de Paulo:

 

Paulo cuidou da família

 

Aos filhos, ele disse: “obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo” (Ef 6.1) e citou Deuteronômio 5.16, o mandamento sobre honrar pai e mãe.

 

Paulo também orienta aos pais para que não provoquem a ira dos filhos, mas que os crie na disciplina do Senhor (Ef 6.4).

 

Sua preocupação com a família implica orientação às mulheres e aos maridos (Ef 5.22-25).

 

Ele responde perguntas da Igreja em Corinto sobre o casamento (1Co 7.1-7) e ainda orienta os solteiros e viúvos (1Co 7.8-9).

 

Ainda fala da intimidade do casal quando diz: “Não vos priveis um ao outro, salvo talvez por mútuo consentimento, por algum tempo...” (1Co 7.5).

 

Ensina ainda sobre os deveres da família à Igreja em Colossenses (Cl 3.1-21).

 

Timóteo aprende com seu mestre Paulo sobre a importância de honrar às viúvas (1Tm 5.3-16).

 

Além do discipulado, Paulo cuidou da família cristã.

 

Paulo nos ensina a buscar a santidade

 

Paulo ensinou que o propósito de Deus é que sejamos "conformes à imagem de Seu Filho" (Rm 8.29). Mais adiante, diz que devemos chegar à "perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo" (Ef 4.13).

 

Sua ênfase na santidade é grande: "O verdadeiro Deus da paz vos santifique totalmente, e rogo a Deus para que o vosso espírito, alma e corpo sejam preservados irrepreensíveis até a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo" (1Ts 5.23).

 

Somos chamados a nos desvestir da vanglória e autossuficiência e nos vestirmos da humildade, como Jesus.

 

Somos chamados a nos revestirmos do caráter de Cristo: “Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade. Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem”.

 

Paulo diz mais: “Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós; suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós. Acima de tudo isto esteja, porém, esteja o amor que é o vínculo da perfeição” (Cl 3.12-14).

 

Paulo pede a Timóteo: “torna-te padrão dos fiéis, na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza” (1 Timóteo 4.12).

 

Paulo nos ensina a buscar a humildade: “Porque tenho para mim, que Deus a nós, apóstolos, nos pôs por últimos, como condenados à morte; pois somos feitos espetáculo ao mundo, tanto a anjos como a homens. Nós somos loucos por amor de Cristo, e vós sábios em Cristo; nós fracos, e vós fortes; vós ilustres, e nós desprezíveis” (1Co 4.9-10).

 

Paulo nos ensina que a graça nos ajuda a suportar as adversidades

 

Paulo nos ensina também sobre as lutas: “Até a presente hora padecemos fome, e sede; estamos nus, e recebemos bofetadas, e não temos pousada certa” (1Co 4.11).

 

Paulo disse: “Somos injuriados, e bendizemos; somos perseguidos, e o suportamos; somos caluniados, e reconciliamos; até o presente somos considerados como o refugo do mundo, e como a escória de tudo” (1Co 4.12-13).

 

Paulo nos ensina que fomos capacitados para testemunhar: “Porque a vós vos foi concedida a graça, em relação a Cristo, não somente de crer nele, como também padecer por ele” (Fp 1.29).

 

Passar pela tribulação na caminhada cristã fazia parte do ensino de Paulo no discipulado: “E, tendo anunciado o evangelho naquela cidade e feito muitos discípulos, voltaram para Listra, e Icônio, e Antioquia, fortalecendo a alma dos discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé; e mostrando que, através de muitas tribulações, nos importa entrar no Reino de Deus” (Atos 14.21-22).

 

Paulo nos ensina a importância da cruz de Cristo

 

Evangelho sem cruz é um Evangelho distorcido. Enfatizar a cruz de Cristo é confiar na ação milagrosa e poderosa de Deus e não confiar em si próprio utilizando a sabedoria humana para convencer as pessoas (1Co 1.17). 

Veja várias afirmações de Paulo: 

A palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós é o poder de Deus (1Co 1.18). 

Por intermédio da cruz, Jesus trouxe a reconciliação (Ef 2.16). Os inimigos da cruz de Cristo só se preocupam com as coisas terrenas (Fp 3.18).

Jesus fez a paz pelo sangue da sua cruz (Cl 1.20). Devemos nos crucificar com Cristo – nosso eu – e viver para Deus (Gl 2.19). 

Devemos nos gloriar somente na cruz de Cristo e não na prática da lei (Gl 6.14).

 

Paulo ensina sobre os dons e ministérios

 

Se não podemos nos esquecer do ministério de mestre, também precisamos lembrar também de que Paulo fala ainda de diversos outros ministérios para o aperfeiçoamento dos santos. Ele cita os apóstolos, profetas, pastores e evangelistas (Ef 4.11-13).

 

Em outras epístolas, Paulo fala ainda de diversos outros dons do Espírito (1Co 12.8-10; Rm 12.6-8), etc.

 

Paulo ensina que os dons são diferentes e segundo a graça de Deus: “Tendo, porém, diferentes dons segundo a graça que nos foi dada: se profecia, seja segundo a proporção da fé; se ministério, dediquemo-nos ao ministério; ou o que ensina esmere-se no fazê-lo; ou o que exorta faça-o com dedicação; o que contribui, com liberalidade; o que preside, com diligência; quem exerce misericórdia, com alegria” (Rm 12.6-8).

 

Ele cita ainda os dons da palavra da sabedoria; palavra do conhecimento; dom da fé; dons de curar; operação de maravilhas; dom de profecia; dom de discernir os espíritos; variedade de línguas e interpretação das línguas (1Co 12.8-10). 

Paulo afirma que a graça foi concedida a cada um segundo a proporção do dom de Cristo (Ef 4.7) e que temos diferentes dons segundo a graça que nos foi dada (Rm 12.6). A palavra grega χαρις [charis] traduzida como graça significa “favor não merecido, mas livremente outorgado”.[20]

 

A palavra grega χαρισμα utilizada para falar dos dons espirituais quer dizer “dons extraordinários que distinguem certos cristãos, dando-lhes o poder de servir à Igreja de Cristo, sendo este poder e estes dons o resultado da graça divina nas suas almas – Rm 12.6; 1Co 1.7; 12.4, 31; 1Pe 4.10”.[21]

 

Na carta aos Efésios, Paulo escreve que Cristo concedeu os dons (Ef 4.8). Também em 1Co 12.7-11 Paulo fala que o Espírito concede dons a cada um, individualmente. O apóstolo ensina que os dons são concedidos a cada um visando um fim proveitoso (1Co 12.4-11). Eles têm como propósito a unidade de todo corpo de Cristo, edificação, consolidação e mútua cooperação (1 Co 12.12-31; Rm 12.5). 


O discipulado do mestre Wesley

 

 

O metodismo começou com os pequenos grupos. Foi assim com a pequena sociedade (Clube Santo) de Oxford em 1729/30 quando Robert Kirkham começou a se encontrar com João Wesley, Carlos Wesley e William Morgam regularmente; foi assim na Geórgia com a criação por Wesley de pequenas sociedades, em 1736; foi assim em Fetter Lane (Londres) com a criação de uma pequena sociedade, um band (célula), em 1738. 

Estes três momentos são chamados de três começos ou surgimentos do metodismo.[22] 

Wesley escreveu, ensinou e preparou líderes. Foi um grande mestre e criou os pequenos grupos. 

Na estrutura metodista, na Inglaterra, século XVIII, havia as Sociedades e os pequenos grupos chamados bands e classes. 

A reunião de classes foi o ponto chave para o desenvolvimento do metodismo. 

Durante a vida de John Wesley, a reunião de classes foi o coração do metodismo.[23] As classes eram pequenos grupos de discipulado de apoio onde os membros eram responsáveis ​​uns pelos outros.They confessed their faults one to another, prayed for each other, and stirred up one another to love and good works. Eles confessavam os seus pecados uns aos outros, oravam uns pelos outros e motivavam uns aos outros ao amor e boas obras. A única condição para entrar nas classes era o desejo de fugir da ira vindoura, para ser salvo dos seus pecados.[24] 

As sociedades religiosas foram iniciadas na Inglaterra por Anthony Horneck, na década de 1670. Elas eram formadas de pequenos grupos de leigos, que representavam uma fusão quase espontânea de moralismo e devoção, zelosos de promoverem a real santidade.[25] Mais tarde, surgiram outros grupos, como a Sociedade para a Reforma de Costumes, em 1691. “Preocupada com a moralidade da vizinhança, esta sociedade foi designada para encorajar e ajudar os magistrados a executarem seus deveres no cumprimento das leis a respeito de ofensas morais, especialmente ´profanação e devassidão.”[26] 

Outra sociedade surgiu - A SPCK (Sociedade para a Propagação do Evangelho). Esta sociedade procurou atacar o que considerou a raiz do problema: a ignorância. A SPCK procurou desenvolver canais para a educação do povo. “O programa da SPCK consistia principalmente em estimular o estabelecimento de escolas de caridade para ensinar os pobres, promovendo a disseminação de bibliotecas de empréstimo e visitando os presos para dar-lhes instrução e livros, além de prestar-lhes assistência religiosa.”[27] 

A sociedade era algo comum. Alguns amigos de Wesley tinham sua própria sociedade, como John Clayton.[28] 

Sociedade em Oxford 

Os metodistas de Oxford descobriram que a única maneira deles manterem vivo o seu zelo e a espiritualidade era se reunir com freqüência juntos[29]. 

A sociedade de Oxford teve início no fim do inverno de 1729/30 quando Bob Kirkham começou a se encontrar com João Wesley, Carlos Wesley e Morgam regularmente. 

A princípio, os quatro amigos se encontravam todo domingo à noite, em seguida, duas noites por semana, e em todas as últimas noites das seis às nove. They began their meetings with prayer, studied the Greek Testament and the classics, reviewed the work of the past day, and talked over their plans for the morrow.Eles começaram suas reuniões com oração; estudo do Novo Testamento em grego e os clássicos; revisando o trabalho do dia anterior e falando sobre seus planos para o dia seguinte[30]. 

Sociedades na América 

Como missionário, na América, João Wesley investiu em criar sociedades com as pessoas mais comprometidas da congregação. O objetivo foi desenvolver a vida espiritual. 

Wesley organizou duas pequenas sociedades procurando seguir o exemplo da sociedade (Clube Santo) de Oxford, Inglaterra. 

Em Frederica. Em seu diário, em junho de 1736, ele disse: “Começamos a cumprir em Frederica o que tínhamos anteriormente concordado fazer em Savannah. Nosso objetivo era [similar ao que faziam em Oxford, no Clube Santo], aos domingos, à tarde, e toda noite, após o culto público, passar algum tempo com os mais comprometidos dos comungantes, cantando, lendo e conversando. Esta noite tivemos somente Mark Hird [o primeiro metodista em Frederica]. Mas, no domingo, o Sr. Hird e outros dois mostraram interesse em ser admitidos. Após um salmo e um pouco de conversa, lemos a Perfeição Cristã do Sr. Law e concluímos com outro salmo”.[31] 

Em Savannah. Wesley estabeleceu um pequeno grupo com dias fixos em Savannah: “Quarta-feira, 16. Mais um pequeno grupo se reuniu. O Sr. Reed, Davidson, Walker, Delamotte e eu. Cantamos, lemos um pouco do Sr. Law, e depois conversamos. Estabelecemos as quartas e sextas-feiras para nossas frequentes reuniões.”[32] 

Em abril de 1736, Wesley procurou criar um grupo menor para promover uma união mais intima: “Dentre esses, eleger um grupo menor para uma união mais íntima, que poderia ser favorecido, em parte por uma conversa particular que teríamos com cada um, e em parte convidando-os todos juntos para nossa casa, e isto, consequentemente, decidimos fazer todo domingo à tarde.”[33] 

Wesley procurava todo lugar e tempo disponível dos paroquianos para que eles crescessem. 

Em Savannah, em fevereiro de 1737, ele registrou em seu diário: “Algum tempo após o culto da noite, tantos quantos de meus paroquianos desejarem, nos reunimos em minha casa (como eles fazem também na noite de quarta-feira), e passamos por volta de uma hora em orações, cânticos e exortações mútuas. Um número menor (a maioria dos quais tem a intenção de comungar no dia seguinte) se reúne aqui nas noites de sábado, e alguns desses vêm até mim nas noites restantes, e passam meia hora na mesma ocupação.”[34] 

A Sociedade de Savannah parece ter progredido enquanto a de Frederica não teve o mesmo sucesso.[35].  

Criação da Sociedade de Fetter-Lane 

Na Inglaterra, o líder moraviano Pedro Bohler organizou no dia 1º de maio de 1738 (antes da experiência de Wesley) a Sociedade de Fetter Lane, Londres, que veio a ser o terceiro surgimento do metodismo.[36] O primeiro foi em Oxford, o segundo na Geórgia. 

João Wesley e John Hutton participaram da organização da sociedade.[37] As regras tinham o objetivo de proporcionar saúde espiritual. Quando Bohler foi embora deixou Wesley na liderança da sociedade. 

Os morávios estão ligados historicamente à experiência do “coração aquecido” de Wesley. Ele foi a uma Sociedade Moravia, em 24 de maio de 1738, quando teve sua experiência.[38] 

 Após sua experiência, Wesley foi até a Alemanha passar um período com eles. Através dos moravianos, Wesley aprendeu sobre a dedicação total ao senhor. João Wesley partilhou de alguns pressupostos teológicos do conde Zinzendorf, especialmente a fé: “Os cristãos são santificados unicamente pela fé, em Cristo; mas Wesley tem, alem disto, a convicção que o poder santificador da graça de Deus entra eficientemente na vida dos homens e os capacita para o perfeito amor a Deus e os homens.”[39] 

Por ser uma pessoa prática, houve afirmações teológicas que Wesley teve que deixar de lado.[40] Ele reteve o que considerou bom.   “Wesley também prestou muita atenção à organização morávia. A divisão de Herrnhut em grupos de vizinhança, chamados “coros”, fornecia a base para onze ‘classes’ baseadas na localização geográfica. Além dessas havia dez classes, determinadas pelo sexo e idade, que formavam a base para a supervisão espiritual diária para conversações religiosas regulares.”[41] 

Por outro lado, a fé e a organização morávia foram aceitas, em parte, por Wesley e contribuíram na formação da identidade metodista.  

Classe, um modelo para fazer discípulos 

Quando o movimento evangelístico trouxe novos desafios pastorais, Wesley soube tomar novas decisões: “A crescente necessidade de estrutura e organização, à medida que o movimento crescia em tamanho e complexidade, é refletida no sumário de uma reunião realizada no final de junho de 1732, e registrada no diário de Wesley: ´separei homens e tarefas.”[42] 

As sociedades organizadas no metodismo dividiam os membros em classes, que eram agrupadas geograficamente e continham todas as pessoas da Sociedade. Por volta de 1742, a Sociedade de Londres tinha mais de mil membros. 

Wesley orientou como as pessoas deveriam se agrupar: “Para que se possa discernir mais facilmente se estão realmente realizando a sua salvação, cada sociedade é dividida em grupos menores chamados classes, de acordo com as suas residências. Há cerca de 12 pessoas em cada classe sendo uma delas indicada para ser o líder.” [43]      

David Lowes Watson, no seu livro Discipulado Responsável, um moderno manual sobre o sistema de classes, escreve: "Foi uma reunião semanal, uma subdivisão da sociedade, em que os membros eram obrigados a prestar contas uns aos outros de seu discipulado, e, assim, para sustentar um ao outro em seu testemunho”.[44] 

Cada metodista pertencia a uma classe. A reunião era uma partilha da experiência pessoal da semana passada. Eles aprenderam com isso a terem autoconfiança e a capacidade de falar em público. 

A classe foi um lugar para serem aceitas todas as pessoas de diferentes origens sociais. This helped break up the rigid class standards of 18th century England.[45] Todas as pessoas confessavam as suas falhas e buscavam a salvação e a santificação. 

Wesley escreveu como uma pessoa era admitida na classe e na Sociedade: Qualquer pessoa determinada a salvar a sua alma podia ser unida com os metodistas (esta é a única condição necessária). Mas esse desejo devia ser comprovado por três marcas: evitar todo o pecado conhecido, fazer o bem e atender todas as ordenanças de Deus. 

A pessoa era então colocada em uma classe que fosse conveniente para ela onde passava cerca de uma hora por semana. E no próximo trimestre, nada se opondo, seria admitida na Sociedade.[46] 

A disciplina era fundamental no movimento metodista. “Wesley não hesitou em expulsar alguém da sociedade, se eles não estavam seguindo o Senhor de todo o coração. Wesley sabia a condição de cada membro através da prestação de contas da classe.”[47] 

Em uma sociedade, em 1743, ele excluiu alguns membros: “Dois por causa de blasfêmia. Dois por profanar o Dia do Senhor. Dezessete por embriagues. Dois por vender bebidas alcoólicas. Três por briga. Um por bater na esposa. Três por contar mentiras habitualmente. Quatro por ter ralhado e falado mal de outros. Um por preguiça e vadiação. E vinte e nove por mundanismo e leviandade.”[48] 

 As classes se diferenciavam dos bands: eram agrupadas geograficamente em vez de serem divididas pela idade, sexo ou estado civil; elas continham todas as pessoas da sociedade, não apenas aquelas que voluntariamente se agrupavam.[49] 

"As classes serviram como uma ferramenta evangelística (a maioria das conversões ocorreu neste contexto) e como um agente de discipulado”.[50]

 

Band, um modelo para tornar os discípulos perfeitos 

Os bands eram pequenas companhias criadas para levar os metodistas ao perfeito amor. 

Os bands foram importantes no processo de formação da organização metodista.[51] 

As principais atividades dos bands “eram a confissão e a oração; o alvo deles era o crescimento espiritual. Os bands eram homogêneos, de acordo com o modelo morávio; havia band de mulheres, de homens e mesmo de rapazes (...).”[52] 

Os bands eram grupos de cinco ou seis pessoas do mesmo sexo comprometidos um com o outro e para a vida santa.They met to help each other on the road to Christian perfection. Eles se reuniam para ajudar uns aos outros no caminho da perfeição cristã.These were “deeper life” groups and only about one-third of the typical society joined, or was invited to join the bands where they shared their spiritual journeys “without reserve and without disguise.” John Wesley called this “close conversation.” He felt that Methodism was closest to the New Testament ideal in the band meetings. Estes eram grupos "mais profundos da vida" e apenas cerca de um terço da típica sociedade metodista entrou, ou foi convidado a integrar os bands de onde eles compartilharam suas jornadas espirituais "sem reservas e sem disfarce." 

John Wesley chamou isso de "conversa íntima". Ele sentia que o metodismo foi mais próximo do ideal do Novo Testamento nas reuniões de bands.[53]

Wesley wrote five starter questions to be used in each band meeting.Wesley escreveu cinco questões iniciais a serem utilizadas em cada reunião de bands:

Wesley's wording of the questions was: 1.1. Que pecados conhecidos você cometeu desde nosso último encontro?

2.2. What temptations have you met with? Que tentações você sofreu? 3.

3. How were you delivered? Como você cedeu a tentação? 4.

4. What have you thought, said or done, of which you doubt whether it be sin or not? O que você pensou, disse ou fez, do que você dúvida se é pecado ou não? 5.

5. Não tem nada que você deseja manter em segredo?[54] 

Propósito e crescimento dos pequenos grupos 

Para Wesley a disciplina era fundamental nos pequenos grupos. Para ele, “a alma e o corpo fazem um homem, o espírito e a disciplina fazem um cristão”[55].

Veja um exemplo do propósito dos pequenos grupos em “Regras de Wesley para a Band-Sociedades” elaborado 25 de dezembro de 1738.  

Drawn up December 25, 1738.The design of our meeting is, to obey that command of God, "Confess your faults one to another, and pray one for another, that ye may be healed..O desígnio do nosso encontro é para obedecer a essa ordem de Deus, "Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para serdes curados...”

To this end, we intend. Para este fim, havia o seguinte propósito:

1. 1. Para se reunir uma vez por semana, pelo menos.

2. 2. Para chegar pontualmente na hora marcada, sem alguma razão extraordinária.

3. 3. Para começar exatamente na hora, com canto ou oração.

4. 4. Para cada um de nós falar em ordem, livre e claramente, o verdadeiro estado das nossas almas, com as falhas que cometemos em pensamento, palavra ou ação, e as tentações que nós sentimos, desde nosso último encontro.

5. 5. Para terminar cada reunião com uma oração, adequada para o estado de cada pessoa presente.

6.6. Designar uma pessoa entre nós para falar do seu próprio estado em primeiro lugar, e depois pedir ao restante, em ordem, para falar sobre questões relativas ao seu estado, pecados e tentações.[56]

Um exemplo desse propósito pode ser visto em 1746, numa sociedade em Londres.

“Em 1742, em uma sociedade em Londres havia 426 membros, divididos em 65 classes. Dezoito meses mais tarde essa mesma sociedade tinha 2200 membros, os quais estavam em classes. Toda semana cada aluno era esperado para falar abertamente e honestamente sobre o verdadeiro estado de sua alma.[57]

A vida e a função do líder 

O objetivo principal dos pequenos grupos era reunir pessoas interessadas em buscar seriamente um viver santo 

Por isso também, Wesley afirmava que nenhuma pessoa deva ser permitida entre nosso povo cuja vida não seja santa e irrepreensível. [58] 

Uma grande parte do sucesso no sistema de classes tinha a ver com a liderança. 

"Eles se reuniam semanalmente com o pregador nomeado por Wesley como ministro de sua sociedade, tanto para informar sobre os seus membros, e para receber conselho e instrução."[59] 

A seleção da liderança foi baseada no caráter moral e espiritual, bem como no senso comum.[60] 

O líder era geralmente do sexo masculino em grupos mistos ou em todos os grupos do sexo masculino. Uma mulher conduzia grupos femininos.[61] 

Um exemplo de líder foi Thomas Walsh. 

Sua função era: 

1) Para ver cada pessoa na minha classe uma vez por semana, e se alguém estivesse ausente, para investigar a causa;

(2) Sempre nos reunir para cantar salmos ou hinos e orar com eles,

(3) Para examinar como as suas almas prosperaram, e que progressos tinham feito na semana anterior no caminho do Senhor.[62]  

And ' Oh ,' adds he, ' how wonderfully did we experience the power and love of God , whenever we made prayer and supplication to Him! We had a heaven amongst us ; a paradise within us! The Lord poured such peace and joy into our hearts , we were often so happy, that we did not know how to part . We lived as brethren, and strove together for "the hope of the gospel." We were of one heart and of one mind in the presence of God . And is not this the communion of saints ?'"Acrescentou o líder da classe Thomas Walsh: "como maravilhosamente nós experimentamos o poder e o amor de Deus sempre que fizemos a oração e súplica a Ele! Tivemos um céu no meio de nós! Um paraíso dentro de nós. O Senhor derramou paz e alegria em nossos corações (...) éramos um só coração e uma só mente na presença de Deus. E não é essa a comunhão dos santos?”[63] Mais tarde, diante das novas exigências, Wesley fez novas adaptações, criou os bands seletos e os bands penitenciais. 

Havia ainda a reunião chamada Ágape ou a Festa do Amor "nas quais se reuniam os membros de todas as classes de uma sociedade com o objetivo de partirem o pão juntos, seguindo o costume da igreja primitiva, e onde se relatavam publicamente suas experiências cristãs”.[64] 

Essas adaptações e abertura ao novo caracterizaram Wesley e o metodismo, na Inglaterra, no século XVIII.  

George Hunter afirma que para a multiplicação das classes, Wesley tinha quatro máximas: 1.Preach and visit in as many places as you can; 2.Pregar e visitar em tantos lugares que você puder, 2. Vá para onde a maioria quer que você vá, 3. Iniciar tantas classes quantas possam ser geridas de forma eficaz, 4.Do NOT preach where you cannot enroll awakened people into classesNão pregue onde você não possa participar despertando pessoas para as classes.[65] 

Wesley lembra que o trabalho por mais difícil que seja não será perdido. Os frutos um dia virão. Ele disse: “Oh! Que ninguém pense que seu trabalho de amor é perdido, porque os frutos não se manifestam logo! Por quase quarenta anos meu pai trabalhou aqui, e mui pouco chegou a ver do fruto do seu trabalho. E eu também trabalhei entre este povo; e meus esforços pareciam em vão. Mas agora os frutos aparecem. Não existia na cidade ninguém que ficasse fora dos esforços de meu pai e dos meus. A semente lançada anos atrás nasceu agora, produzindo o arrependimento e a remissão de pecados”. [66] 

Com esse revolucionário método, o grande propósito de Wesley era salvar almas. Era levar o ser humano a ser igual à imagem de Deus. 

"A salvação quero dizer, não apenas, de acordo com a noção vulgar, libertação do inferno, ou ir para o céu, mas uma libertação presente do pecado, uma restauração da alma para sua saúde primitiva, sua pureza original, uma recuperação da divina natureza, a renovação de nossas almas, segundo a imagem de Deus, em verdadeira justiça e santidade, de misericórdia, justiça e verdade”.[67] 

Aos pregadores leigos, disse: "Portanto, gaste e se gaste neste trabalho. E não vá só para aqueles que precisam de você, mas para aqueles que mais precisam de você. Não é o seu trabalho pregar tantas vezes e cuidar desta ou daquela sociedade, mas salvar tantas almas quantas você pode e trazer possivelmente tantos pecadores ao arrependimento, como você pode”. [68] 

In 1743, O método de discipulado de Jesus foi trabalhar com a multidão + 12 apóstolos + 3 pessoas maduras (Pedro, Tiago, João). Wesley provavelmente seguiu esse modelo criando as Sociedades (multidão); as Classes (12 ou mais pessoas) e os bands (4 a 5 pessoas).[69]  

Os passos para entrar numa Classe, Sociedade e Band 

The entry point to the Methodist Societies was the Methodist Class Society.

As classes foram o ponto de entrada para as Sociedades Metodistas. 

O primeiro objetivo de Wesley após a sua pregação era introduzir as pessoas nas classes. Ele não começava uma classe, se não pudesse dirigi-la de forma eficaz e nem pregava num determinado lugar onde não houvesse a possibilidade de inscrever as pessoas nas classes.[70] 

This was an open meeting and if someone was drawn to Methodism by prevenient grace one would start by visiting a “class”.ErErErA classe A classe era uma reunião aberta para quem fosse atraído pela graça preveniente.[71]  

Quem entrava numa classe poderia participar da Sociedade, o grupo maior que reunia todas as pessoas das classes. Historically, on average after 2-3 years of meeting in a class society people would experience justifying grace and would desire to move onward.Historicamente, em média, depois de 2 a 3 anos de reunião, em uma classe, as pessoas experimentavam a justificação pela graça e desejavam seguir em frente. 

O passo seguinte era a prestação de contas em um Band, um pequeno círculo de 4 a 6 pessoas agrupadas de acordo com a idade, estado civil e sexo. These groups were designed to draw people close to one another and though accountability and prayer bring healing from the consequences of sin.Esses grupos foram criados para aproximar as pessoas umas da outras. The design of this meeting was based on James 5:16: “Confess your faults to one another and pray for one another that you may be healed”O projeto deste encontro foi baseado em Tiago 5.16: "Confessai as vossas culpas uns aos outros e orai uns pelos outros para serdes curados". 

Those who became leaders and would desire to go on to perfection in sanctifying grace might also be “selected” by John Wesley to enter the “Select Society”.Aqueles que se tornaram líderes e tinham vontade de alcançar a perfeição na graça santificante também poderiam ser selecionados por João Wesley para entrar na "Sociedade Seleta”,[72] sob sua liderança. 

 


Wesley, apóstolo e profeta  

 

Diversos autores chamam João Wesley de Evangelista.[73] Na prática, Wesley foi também apóstolo, profeta e mestre.

 

Ele foi apóstolo porque sempre abriu diversas sociedades em suas viagens missionárias pregando constantemente nas praças, cemitérios, ruas etc; ele foi profeta porque denunciou os males, como a escravidão, e os combateu; ele foi mestre porque ensinava, escrevia e criou os pequenos grupos. 

Wesley nasceu numa Inglaterra doente. Alguns autores chegam a afirmar que a Inglaterra estava à beira de uma revolução semelhante a que aconteceu na França em 1789,[74]  ou seja, três anos antes de Wesley falecer. 

“Foi um século, cuja poesia não tinha romance, cuja filosofia não tinha penetração, e cujos políticos não tinham caráter; século de luz sem amor, cujos próprios méritos eram da terra, terrenos.” [75] 

A influência do Metodismo foi vital para mudar a situação vigente na Inglaterra. Wesley não foi um reformador de estruturas e nem via o indivíduo como agente de transformação social, mas sua contribuição, dentro da visão da época, foi fundamental para mudar a situação social. 

O Evangelho pregado pelos metodistas foi o remédio para a Inglaterra enferma. 

Desde o princípio, Wesley estava interessado numa pergunta: “Você ama e Wesley tinha um cristianismo prático. Não lhe agradava um avivamento enclausurado. O avivamento deveria levar a um compromisso social. 

A fórmula de Wesley era: Avivamento traz santificação[76], que é igual a amor perfeito.[77] O amor perfeito inclui amar a Deus e ao próximo.[78] 

O crescimento espiritual através do amor e serviço ao próximo permitiu a Wesley orientar seus grupos de discipulado em torno dos perigos dos males da introspecção e do misticismo[79]. 

Em seu sermão Os quase cristãos, pregado em Santa Maria, Oxford, em 25 de julho de 1741, Wesley afirma que aquele que é totalmente cristão, além de amar a Deus, ama também ao próximo: A segunda coisa em que implica o ser totalmente cristão é o amor ao próximo.”[80] 

O mover do Espírito Santo e a santificação, necessariamente, deveriam trazer atos concretos de amor a Deus e ao próximo. “Visto que a santificação é amor, ela é necessariamente santificação social. Por mais que Wesley pareça, algumas vezes, concentrar-se na experiência do indivíduo na vivência de sua santificação, o horizonte da santificação sempre é o da comunidade; o esforço pela comunhão perfeita com Deus inclui o reto relacionamento com os outros homens.” [81] 

Em 1742, Wesley escreveu sobre O Caráter de um metodista, cuja marca principal é o amor a Deus e ao próximo. Wesley começa este texto dizendo o que não são as marcas de um metodismo: “As marcas distintivas de um metodista não são as suas opiniões de qualquer sorte. O seu assentimento a este ou aquele esquema de religião ou o seu abraçar de qualquer grupo particular de noções ou o seu esposar o julgamento de um ou outro homem, estão completamente fora de discussão.” [82] 

Wesley sempre afirmou que a principal marca de um metodista é o amor. 

O historiador Heitzenhater interpreta o que Wesley afirma sobre as marcas de um metodista: “A ação filantrópica dos metodistas, muitas vezes, foi a nível pessoal. João Wesley procurou envolver a comunidade na expressão de atos de misericórdia. Ele dizia que as pessoas que se enriquecem devem proporcionalmente aumentar seus atos de misericórdia, caso contrário, serão avarentos.” [83]

A visão de Wesley era que o metodismo foi levantado por Deus para também reformar a nação. Neste sentido, Wesley foi um profeta. 

Eis algumas das atitudes de Wesley e dos metodistas diante dos problemas sociais: 

O combate à pobreza 

A revolução industrial no século VXIII trouxe grande desemprego entre o povo. Wesley não culpava os pobres pela sua situação social e sim a falta de alimento, emprego, ganância, etc.[84] 

Em 1783, Wesley registrou em seu Diário: “Notando a pobreza profunda de muitos dos nossos irmãos, resolvi fazer o que podia para aliviá-los. Falei pessoalmente com alguns que estavam em boas condições, e recebi quarenta libras. Depois de indagar, quais eram as pessoas mais necessitadas, eu as visitei de casa em casa.”[85] Era difícil a situação da classe operária, na Inglaterra. Ela era nova e não tinha dos patrões o devido reconhecimento do seu valor. Muitos camponeses perderam suas terras e passaram a andar pelas cidades. [86] 

Como se devia esperar, os que pertenciam à classe dos ricos viviam bem. Eles gastavam seu tempo em jogos e em reuniões sociais, onde imperava a imoralidade. Portanto, os ricos não tinham tempo para pensar na situação das demais classes.[87] 

Não faltou em Wesley a nota profética relativa aos graves problemas sociais. Segundo o teólogo metodista José Miguez Bonino, Wesley rechaça as explicações tradicionais sobre as causas da pobreza. Denuncia a privatização, que deixa milhares de camponeses desempregados na Inglaterra. 

“Wesley se manifestou, de modo particular em seu tratado ´Thoughts on the Present Scarcity of Previsions` (work, 11/53 ss): Ali, Wesley não se limita a comprovar a terrível situação em que se encontra, senão que rechaça as explicações tradicionais da pobreza como destino ou como conseqüência de preguiça ou vício. Tais explicações, diz ele, são ´perversas e diabolicamente falsas´. Denuncia a privatização da propriedade (énclousure laws´) que deixa milhares de camponeses sem terra.”[88] 

Um fator fundamental para aumentar o número de desempregados e, consequentemente a pobreza, foi a revolução industrial ocorrida na Inglaterra no último terço do século dezoito, que a transformaria de país agrícola em industrial.[89]  

Esta revolução trouxe vantagens ao país, mas tirou também o pão-de-cada-dia de muitos que fabricavam à mão. Quando acontecia uma nevada, como em 1740 em Bristol, muitos acabavam na miséria.  Ele incentivava os metodistas de mais posses que ajudassem os empobrecidos. Como resultado, nessa ocasião, mais de cento e cinquenta pessoas por dia eram alimentadas.[90] 

Quais foram as atitudes de Wesley num país em que as massas pobres eram ignorantes e brutais num grau de difícil descrição? [91] 

Em 1741, Wesley percebeu que um grande número de pessoas da Sociedade Unidade de Londres carecia de meios de vida. 

Sua atitude foi: “(...) fez um apelo à Sociedade para que cada um contribuísse, se eles fossem capazes, com um penny (mais ou menos) por semana para um fundo de auxílio aos pobres e doentes, e que também trouxessem roupas das quais pudessem dispor, para serem distribuídas (...)”.[92]

Wesley e outros metodistas construíram orfanatos, asilos e lares para viúvas dentro da ética social metodista.[93] Uma destas pessoas foi Maria Bosanquet que gastou toda sua herança na manutenção de um orfanato e de um posto de caridade. [94]    

Os metodistas criaram "a casa dos pobres". [95] Eram duas casas alugadas perto da Fundição[96] para viúvas e idosos. Havia cerca de doze pessoas. Em 1763, um grupo de mulheres (Sarah Crosby, Sarah Ryan, Mary Bosanquet) organizou uma escola e um orfanato em Leytonstone.[97] 

Empréstimo foi uma solução que João Wesley encontrou para trazer novas oportunidades às tantas pessoas que passavam por grandes dificuldades financeiras.[98] 

 “Wesley estabeleceu em julho de 1746 um fundo de empréstimos, iniciando a empresa com somente 30 libras esterlinas. Mas o fundo proporcionou a muitos uma chance, dando-lhes um novo começo de vida.”[99] 

Wesley procurou arranjar emprego para os pobres. Considerou mais importante arranjar emprego do que dar esmola. Procurou ainda escrever e orientar sobre medicina caseira. Escreveu Medicina Primitiva: “(...) Wesley expandiu o programa de assistência médica entre seu povo. Fascinado pelas doenças e curas desde os dias de Oxford, Wesley estava convencido, há muito tempo, ‘por inúmeras provas’ de que os médicos regulares prestam muitíssimo poucos benefícios (...). Ele havia estocado remédios nas três principais casas de pregação por cerca de um ano e publicado uma pequena coleção de receitas medicinais. Agora ele havia conseguido um cirurgião e um farmacêutico para o auxiliarem em ‘um tipo de experiência emergencial, a distribuição regular de remédios.”[100] 

Uma das formas de levantar dinheiro para ajudar aos necessitados era através de "pregações de caridade".[101] 

A visão de Wesley para que ajudássemos o necessitado pode ser encontrada em seu sermão “O Mordomo Fiel” escrito em 1768. Para ele, somos despenseiros da alma, corpo, bens materiais e dos vários talentos dados por Deus. Baseado em Lucas 17, Wesley afirma que um dia o Juiz nos julgará: “Foste consequentemente, um benfeitor geral da humanidade, alimentando o faminto, vestindo o nu, confortando o enfermo, abrigando o forasteiro, consolando o aflito, segundo suas várias necessidades? Foste os olhos do cego, os pés do estropiado? Foste o pai dos órfãos e o marido da viúva? E trabalhaste por levar a efeito todas as obras de misericórdia, como meio de salvar as almas da morte?” [102] 

Wesley não foi indiferente à situação da pobreza que reinava na Inglaterra. A sua participação foi em termos concretos. 

Ele não culpava os pobres dizendo que eles eram preguiçosos, mas sim a ganância dos que tinha muito. A ação metodista junto aos pobres era resultado da ênfase no amor ao próximo. Entre as marcas de um metodista está: “(...) ele ama ao seu próximo como a si mesmo e a cada homem como a sua Não somente abrasou corações, esclareceu inteligências, expulsou temores, acalmou os nervos, repreendeu pecados específicos e estimulou o amor ao próximo, mas expressou-se em atos de caridade.”[103] Seu coração está cheio de amor à humanidade e para com cada filho do ’Pai dos espíritos de toda a carne’. Nenhum obstáculo é ao seu amor o fato de um homem lhe ser desconhecido, mesmo que este seja um tipo cuja vida ele desaprove, pois paga o ódio com boa vontade. Ele ama até mesmo os seus inimigos, sim, os inimigos de Deus, os maus e todos os ingratos”.[104] 

Os pequenos grupos foram importantes no processo de quebrar a separação entre as diferentes classes na Inglaterra. Era um lugar para aprender a aceitar as pessoas de diferentes origens sociais. 

Criação de escolas para o povo 

Quase não havia preparo escolar na Inglaterra.[105] Praticamente, só os ricos estudavam. Isto se fez, inclusive, sentir entre os próprios pregadores metodistas. Por isso Wesley se preocupou em criar escolas para os filhos dos pregadores metodistas, um grupo de sessenta e três pregadores. 

“Havendo na América nessa época somente oitenta e três pregadores metodistas. Nenhum deles, com exceção do Dr. Thomas Coke, havia estado num colégio, ou mesmo no que seria chamado agora, uma escola secundária rudimentar. Todos eram desesperadamente pobres financeiramente.” [106] 

Diante desta situação, quais foram as atitudes de Wesley? 

Wesley criou escolas para os pobres e para os filhos dos pregadores metodistas. Entre essas escolas estão "A escola da Fundação de Londres"; "A Casa dos Órfãos em Bristol" e a "Escola Kingswood" que os metodistas abriram para os filhos dos mineiros de Kingswood.[107]           

Whitefield, além de ser avivalista e um grande pregador do metodismo, também se preocupava com o trabalho social. Foi ele quem fundou a Escola Kingswood e um orfanato na Geórgia. [108] 

Em 4 de janeiro de 1758, Wesley registrou em seu Diário: “Cheguei a Kingswood, e fiquei contente por causa da escola, que é finalmente o que já eu há muito queria que fosse: uma benção a todos que residem nela, e a todos os metodistas.”[109] 

Wesley observou que haviam falhas no sistema educacional da Inglaterra, mostrando assim que tinha uma atitude crítica diante do mundo em que vivia. Eis um resumo das falhas que ele encontrou: 

1) As escolas eram mal localizadas,

2) As crianças piores corrompiam as melhores,

3) A instrução religiosa era falha,

4) As disciplinas eram mal escolhidas,

5) Havia defeitos na pedagogia. [110] 

Neste período, o jornalista Robert Raikes criou a Escola Dominical para educar as crianças pobres que andavam fazendo arruaça pelas ruas aos domingos. 

Nesta escola, Raikes administrava Matemática, Geografia e Religião, entre outras coisas. Wesley prontamente apoiou tal idéia e a empregou nas sociedades metodistas. 

Tudo indica, inclusive, que a Escola Dominical de Ana Ball, membro da Sociedade Metodista em High Wycombe, foi iniciada quatorze anos antes da de Roberto Raikes.[111] 

Assim vemos que Wesley  não foi também indiferente a situação educacional na Inglaterra. Seu compromisso social compreendia também as escolas. 

Quando encontrava problemas nas escolas, Wesley demonstrava preocupação. Em 1781, ele disse sobre a Escola de Kingswood: “Quanta preocupação esta escola me tem dado por estes trinta anos! Faço planos, mas quem é que vai executá-los! Eu não sei; o Senhor me ajudará!”.[112] 

E quando Wesley observou o progresso na Escola de Kingswood, ele disse, em 1786: “Achei tudo como eu queria: as regras estão sendo observadas e o comportamento das crianças demonstra que estão sendo governadas com sabedoria.”[113] 

 

A luta pela melhoria das prisões 

Não havia condição de um ser racional viver nas prisões da Inglaterra, pois faltava quase tudo: água, luz, higiene. Não havia também a intenção de reformar os réus, reabilitando-os como cidadãos úteis.[114] 

Outro fator ainda contribuía para piorar a situação dos presos: o carcereiro, não tendo um salário estipulado pelo governo, tirava o que podia dos que estavam encarcerados.[115] 

Como profeta, quais foram as atitudes de Wesley diante do problema dos cárceres?   

Expressar amor aos excluídos, como resultado da ação do Espírito Santo e da santificação, mas Wesley não agiu sozinho. Foi William Morgan quem sugeriu inúmeras vezes a Wesley visitar os presos na Prisão do Castelo. 

“Morgan tinha estado desenvolvendo uma ampla área de atividades beneficentes, já há algum tempo: ensinando às crianças órfãs, cuidando dos pobres e idosos, visitando prisões.” [116]    

Os irmãos Wesley visitaram a Prisão do Castelo com Morgan pela primeira vez em 24 de agosto de 1730 e passaram a visitar, pelo menos, uma vez por semana. Morgan foi o planejador de grande parte do trabalho social dos metodistas. [117] 

Semanalmente, João Wesley visitava as prisões levando roupas, remédios, alimentos e também um conforto espiritual. Isto começou com o Clube Santo: em agosto de 1730, pela influência de Morgan, começaram a visitar os encarcerados em Oxford[118] e, praticamente, continuou por toda a vida de Wesley. 

A conversão de carcereiros pela pregação metodista foi outro fator importante para o melhoramento dos cárceres. Um dos carcereiros convertidos foi Dagge. Eis um resumo e adaptação de uma carta de Wesley, sobre a transformação que este carcereiro teve na prisão: 

“1) A cadeia passou a ficar limpa, pois cada preso ficou com responsabilidade de limpar a cela;

2) Não houve mais brigas, pois o carcereiro resolvia logo com os presos as controvérsias que surgiam;

3) O roubo praticamente deixou de existir nas prisões, pois os presos sabiam que seria restrita a sua clausura se roubassem;

4) Não foi mais permitida a embriaguez, embora o carcereiro pudesse tirar lucro disto;

5) A prostituição acabou, pois foi tomado o procedimento de separar as mulheres dos homens nas prisões;

6) A ociosidade foi evitada, pois providenciavam-se ferramentas para os presos trabalharem;

7) O domingo era observado. Os detentos não se divertiam nem trabalhavam aos domingos. Eles participavam do culto público;

8) Passou a haver uma preocupação com a vida espiritual do preso.” [119] 

Através do avivamento e sua ênfase social, o metodismo influenciou também pessoas que tinham grandes responsabilidades administrativas no país. Um dos influenciados foi João Howard, que era uma espécie de secretário de segurança. Ele dedicou sua vida à reforma das prisões procurando dar ao preso condições dignas de um ser humano. [120] 

A luta contra a escravidão 

O comércio de escravos negros era algo considerado normal pelo povo inglês. O povo era, praticamente, indiferente a esta situação e os ricos prosperavam à custa do sofrimento do escravo. 

Como profeta que era, Wesley agiu energicamente contra tal procedimento de um governo cristão, que permitia a existência da escravidão na Inglaterra. Em 1774, Wesley escreveu um livro chamado Pensamento Sobre a Escravidão. 

Assim ele se expressa nesse livro: “Metade da riqueza de Liverpool é derivada da execrável soma de todas as vilanias comumente denominadas comércio de escravos. Desejo por Deus que o comércio de escravos nunca mais seja estabelecido. Que nunca mais roubemos e vendamos nossos irmãos como animais, nunca mais os assassinemos aos milhares e dezenas de milhares.[121] 

Outra atitude de Wesley foi apoiar os grandes líderes do país, que lutavam para acabar com a escravatura. 

Um dos líderes foi Guilherme Wilberforce para quem Wesley escreveu, entre outras coisas, o seguinte: “Meu caro senhor: a  não ser que o poder divino o tenha levantado para ser um athanasius contra mundum, não posso ver como poderá o senhor terminar sua gloriosa empresa, opondo-se àquela execrável vilania, que é o escândalo da religião, da Inglaterra e da natureza humana. A não ser que Deus o tenha verdadeiramente levantado para esta obra, o senhor será consumido pela oposição dos homens e dos demônios, mas, se Deus for pelo senhor, quem lhe dará conta? São eles todos juntos mais fortes que Deus? Oh! Não se canse de fazer o bem. Continue, em nome de Deus, e com a força do seu poder, até que a escravidão americana, a mais vil que já houve sob o sol, se desvaneça diante desse poder. O servo que o estima, João Wesley.”[122] 

A consciência cristã não percebia, na época, que a escravidão era um crime e era condenada por Deus, pois Ele quer restaurar a dignidade humana e o Evangelho é libertador, restaurador. 

Essa consciência não existia nem em Whitefield que quatro anos antes de morrer deixara em testamento numerosos escravos de suas fazendas na Geórgia com a condessa Lady Huntingdon.[123] 

A oposição à escravidão não foi uma atitude isolada de Wesley. A Conferência Anual de 1780 reconheceu que a escravidão era contrária às Leis de Deus.[124] 

Portanto, avivamento e compromisso social sempre estiveram juntos no movimento metodista, na Inglaterra, no século XVIII. O metodismo atraiu também a burguesia[125], mas avivamento e a pobreza estavam interligados. 

“À medida que o avivamento metodista se espalhava pelos subúrbios pobres das cidades inglesas, no começo de 1740, as novas sociedades metodistas começaram a ficar cheias de mineiros, criados e muitas outras pessoas de classe trabalhadora que vivia nos limites da miséria, senão em calamidade.”[126] 

Toda essa pratica metodista estava dentro da visão de Wesley, que entendeu o chamado de Deus para  reformar a nação, particularmente a Igreja, e espalhar a santidade bíblica sobre a terra. 


Para os discípulos serem iguais ao Mestre 

 

 

Jesus, Paulo e Wesley são três grandes exemplos de amor e dedicação aos seus discípulos. Eles viveram em situações diferentes, mas tiveram o mesmo propósito: transformar discípulos iguais ao Mestre. 

Eles trouxeram algo novo ao mundo. Trouxeram vinho novo em meio a um mundo sem sabor. 

Jesus seguiu a tradição judaica de fazer discípulos 

“Muito antes dos dias de nosso Mestre, o discipulado já era uma instituição bem conhecida na cultura judaica. Todos os grandes sábios, e boa parte dos rabinos dentre os P’rushim (fariseus) tinham talmildim (discípulos).[127] Jesus também seguiu a forma e tradição judaica de fazer discípulos. 

A palavra talmid, no hebraico, quer dizer aluno. Talmidim é o plural de talmid. Normalmente esta expressão é traduzida de forma convencional como discípulos. O talmid era um aluno de um dos sábios. A tarefa de um talmid era aprender tudo o que o seu mestre tinha para ensinar. [128]

Jesus disse que todo o que for bem instruído será como o seu mestre (Lucas 6.40). 

E Jesus procurou transformar os discípulos para eles serem iguais ao Mestre, como um rabino fazia. 

Ele aproveitava todas as oportunidades. No chamado Sermão do Monte, Jesus, “subiu ao monte, e, como se assentasse, aproximaram-se os seus discípulos; e ele passou a ensiná-los” (Mt 5.1-2). 

Os discípulos e curiosos sempre procuravam sentar ao redor do Jesus: “e estavam ali assentados fariseus e doutores da lei que tinham vindo de todas as aldeias da Galiléia, e da Judéia, e de Jerusalém” (Lc 5.17). 

“O ministério rabínico de Jesus é também evidenciado pelas escrituras. Por diversas vezes os evangelhos nos mostram as pessoas e discípulos se referindo à Jesus como Rabi (que significa mestre) sem que Jesus os advertisse ou mostrasse não aceitar o título. (João 1:38; Mateus 26:49; João 4:31; João 1:49; Lucas 3:12), mas a maior afirmação de Jesus de seu título rabínico está em João 13:13 em que Jesus disse: “Vós me chamais Mestre (Rabi) e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou.”[129] 

Após a ressurreição de Jesus, Maria Madalena vai ao túmulo e se encontra com Ele e o chama de Raboni que quer dizer Mestre (Jo 20.16). O mestre Nicodemos (Jo 3.10) o chamou de Rabi (Jo 3.2). Os próprios discípulos o chamavam de Mestre (Jo 4.31), bem como Marta (Jo 11.28) etc. 

Mais do que um rabi, Jesus era o Messias (Jo 20.31), o Senhor, o Filho de Deus (Jo 1.49). Mas Ele assumiu a forma rabínica. “Mesmo exteriormente Jesus se parecia como um judeu de sua época e usava vestimentas rabínicas como o tsîtsith como podemos ver em Mateus 9.20 em que a vestimenta religiosa judaica mencionada em Mateus 14.36 foi traduzida como “manto”.[130] 

Mas Jesus só chamou 12 para estarem com ele como discípulos: “Tendo Jesus convocado os doze, deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios, e para efetuarem curas. Também os enviou a pregar o reino de Deus e a curar os enfermos” (Lc 9.1-2). 

Para falar sobre os enviados (apóstolos), o hebraico utiliza a expressão sheliach ou shluchim, um movimento que existe ainda nos dias atuais.[131] 

Na Antiga Aliança existiam os shluchim, os enviados, apóstolos em grego. Eram representantes da comunidade, distribuíam as cartas, resolviam as questões controversas, recolhiam as oferendas e comunicavam aos fiéis os dias de festa. Dois a dois, iam de cidade em cidade para reforçar os vínculos entre os lares de Israel espalhados por toda a parte.[132] 

Eles deveriam ser de tempo integral. Faziam suas refeições com seus mestres e os seguia por todos os lugares. 

Na tradição judaica, os discípulos deveriam andar tão próximo de seu mestre que o pó levantado pelas sandálias de seu mestre chegaria a lhes cobrir. 

Os discípulos aprendiam tudo de seu mestre e mais do que isso: aprendiam a ser como ele (Lc 6.14). O “lava pés” de Jesus é um exemplo disso: “Ora, se eu sendo o Mestre e o Senhor, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros” (Jo 13.14). 

Jesus teve muitos discípulos, mas escolheu somente 12 para estarem continuamente com Ele, de tempo integral. 

Jesus não os chamou para serem logo mestres e a terem imediatamente os seus próprios discípulos. Foi preciso um longo ensinamento e convivência com eles. 

Jesus os encontrava pelo caminho e os chamava para serem pescadores de homens: “Caminhando junto ao mar da Galiléia, viu dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, que lançavam redes ao mar, porque eram pescadores. E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pecadores de homens” (Mt 4.18-19). 

Somente 12 porque simboliza as 12 tribos de Israel. Com Jesus foi dado início a formação do novo povo de Deus, o novo Israel de Deus.

 Mais a frente, Tiago irá dizer simbolicamente: “Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, às doze tribos que se encontram na Dispersão” (Tg 1.1). 

Jesus não pedia para formar novos grupos ainda porque a mensagem dos apóstolos estaria incompleta. Os seus discípulos precisavam conhecer também sobre o sacrifício de Jesus na cruz; o poder de Deus em Sua ressurreição e experimentar o poder do Espírito Santo no Pentecoste. Na verdade, após Sua ressurreição e envio do Espírito Santo, os discípulos passaram a ser Suas testemunhas: "Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra" (At 1.8). 

O Evangelho de Lucas resume bem a nova função dos seguidores de Jesus: “Então abriu-lhes o entendimento para compreenderem as Escrituras. E disse-lhes: Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dentre os mortos, E em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém. E destas coisas sois vós testemunhas. E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder” (Lc 24.45-49). 

“A última e mais importante tarefa de um talmid (discípulo), quando seu treinamento fosse concluído, era de formar seus próprios discípulos. Ele deveria criar uma geração de novos alunos para transmitir as palavras que seu rabino lhe havia dito...”.[133] 

“A função dele era a de transmitir aos seus talmidim (discípulos) todas as tradições, interpretações, ações e comportamento de seu rabino, sendo para eles um modelo perfeito daquilo que seu rabino havia sido”.[134] 

Quando os discípulos eram completamente treinados, tornavam-se mestres e faziam seus próprios discípulos. 

Somente após a Sua ressurreição, quando os discípulos alcançaram o ensinamento completo, foi que Jesus os enviou para fazerem seus próprios discípulos (Mt 28.18-20).

 Jesus procurou tranquilizar e ajudar os discípulos na recordação de seus ensinamentos. Ele disse: “Mas o Consolador, que é o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo que vos tenho dito” (Jo 14.26). 

O Evangelho de Paulo gerou filhos em Jesus Cristo 

Lucas que escreveu Atos dos Apóstolos sempre se referiu aos seguidores de Jesus como “Comunidade dos discípulos” (Atos 6.2); assembleia (Atos 1.15); Igreja (Atos 8.1, 3); discípulos (Atos 9.26) etc.

Lucas ainda se referiu a ação missionária de Paulo usando a expressão discípulos: “Encontrando os discípulos, permanecemos lá durante sete dias” (Atos 21.4), mas Paulo mesmo não utiliza a expressão “discípulos”. Ele fala em Igreja, irmãos, santos, filhos de Deus etc. Paulo se considerava um apóstolo e pregador (1Tm 2.7). 

Sempre que escreve suas cartas, ele diz: “À Igreja de Deus que está em Corinto” (1Co 1.2). Ele diz mais: “Às Igrejas da Ásia vos saúdam” (1Co 16.19). 

Ele diz: “Às Igrejas da Galácia” (Gl 1.2); “Igreja dos tessalonicenses” (1Ts 1.1), etc. Paulo fala da Igreja que se reúne em casa de Priscila e Áquila (Rm 16.3); “Recomendo-vos a nossa irmã Febe, que está servindo à Igreja de Cencréia” (Rm 16.1) e “Saudai os irmãos de Laodicéia, e Ninfa, e à Igreja que ela hospeda em sua casa” (Cl 4.15). 

Paulo os chama ainda de santos (1Co 6.1; Fp 1.1, 4.21; Ef 5.3). Ele diz: “Paulo, apóstolo de Cristo Jesus por vontade de Deus, aos santos que vivem em Éfeso, e fiéis em Cristo Jesus” (Ef 1.1). 

Diz mais: “Aos santos e fiéis irmãos em Cristo que se encontram em Colossos” (Cl 1.2). E afirma: “Saudai, cada um dos santos, em Cristo Jesus” (Fp 4.21). 

Ele cita os nomes de algumas pessoas em suas epístolas e fala dos santos que se reúnem com eles em suas casas (Rm 16.14, 15).

Paulo os chama de irmãos (1Co 1.10; 2.1; 3.1; 4.6; Gl 6.18; 1Ts 2.1, 4.1;5.1, 5.26), uma expressão que lembra nossa filiação. 

Paulo os chama de filhos da luz: “Porquanto, vós todos sois filhos da luz e filhos do dia (1Ts 5.5). Em Gálatas, ele diz: “Sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus” (Gl 3.26). Diz mais: “Vós, porém, sois filhos da promessa, como Isaque” (Gl 4.28). Ele ensina que é através da fé em Jesus que recebemos a adoção de filhos (Gl 3.26). 

E exorta a todos que andem como filhos da luz, “porque o fruto da luz consiste em toda bondade, e justiça e verdade” (Ef 5.9). Como filhos amados, devemos imitar a Deus e andar em amor (Ef 5.1-2). 

À Igreja em Corinto, Paulo diz: “Para vos admoestar como a filhos meus amados” (1Co 4.14). 

Dentro do propósito do discipulado, ele fala em gerar filhos: “Não teríeis, contudo, muitos pais; pois, eu, pelo evangelho, vos gerei em Cristo Jesus” (1Co 4.15). 

Paulo pode ter seguido a tradição judaica das escolas rabínicas conhecidas como “Casas”. Um sábio da Torah é considerado como um pai e seus talmidim (discípulos) são chamados de sua família[135]. 

Paulo disse a Barnabé: “Voltemos, agora, para visitar os irmãos por todas as cidades nas quais anunciamos a palavra do Senhor, para ver como passam” (Atos 15.36).        

Enquanto João é o “discípulo amado” (Jo 21.20), para Paulo, Timóteo é o “filho amado” (1Co 4.17) ou  o “amado filho” (2Tm 1.2). 

Foram filhos gerados pelo Evangelho (1Co 4.14-15) dentro do discipulado de Paulo, o mestre aos gentios. 

Timóteo foi um discípulo de Paulo, por isso ele diz: “Este é o dever de que te encarrego, ó filho Timóteo” (1Tm 1.18). A visão de discipulado é demonstrada na epístola de Paulo ao seu discípulo Timóteo: “Tu, porém, tens seguido de perto o meu ensino, procedimento, propósito, fé, longanimidade, amor, perseverança, as minhas perseguições e os meus sofrimentos...” (2Tm 3.10). 

A prática de discipulado existe nas orientações de Paulo: “E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros” (2Tm 2.2). 

Para Paulo, Deus colocou na Igreja apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres (Ef 4.11-13) para aperfeiçoamento dos santos. Ele foi designado mestre (didaskalos)[136] dos gentios (1Tm 2.7; 2Tm 1.11). 

Os mestres eram os que se dedicavam aos discípulos na igreja local. 

A Bíblia se refere a mestres no plural na igreja local (Atos 13.1; Ef 4.11; 1Co 12.28). 

Ora, “na Igreja de Antioquia havia profetas e mestres” (Atos 13.1). “(...) a função de ser mestre é um dom (ou talento) dado por Deus para a edificação do Corpo de Cristo (I Coríntios 12:28, Romanos 12:6-8 e Efésios 4.11)”[137]. 

No Novo Testamento, a capacidade de ser um didaskalos na igreja é vista de uma forma sobrenatural, como um dom.[138] 

O professor do Novo Testamento é aquele para quem foi dado o dom da graça para "ensinar". O Training andtreinamento e odevelopment in the use of the gift may make the teacher more effective, but if the grace gift has desenvolvimento podem tornar um professor ou uma professora formado mais eficaz, mas a capacidade vem pela "graça que nos foi dada”.[139] 

Paulo usa ainda a expressão membros do corpo de Cristo (Ef 5.30). Ele afirma: “Ora, vós sois corpo de Cristo; e, individualmente, membros desse corpo” (1Co 12.27). Paulo relaciona os membros do corpo com os dons: “Somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros, tendo, porém, diferentes dons” (Rm 12.5-6). 

Para Paulo, a forma não devia ser permanente. Ela deve mudar para ganharmos as pessoas para Cristo: “Porque, sendo livre para com todos, fiz-me servo de todos para ganhar ainda mais. E fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus; para os que estão debaixo da lei, como se estivesse debaixo da lei, para ganhar os que estão debaixo da lei. Para os que estão sem lei, como se estivesse sem lei (não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo), para ganhar os que estão sem lei. Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns. E eu faço isto por causa do evangelho, para ser também participante dele” (1Co 9.19-23). 

Paulo já olhava os que aceitavam a Cristo como filhos e filhas de Deus. Os via como santos e membros do Corpo de Cristo. Ele disse: “Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus” (Ef 2.19). E disse mais: “Pois todos vós sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus; porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes. Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. E, se sois de Cristo, também sois descendentes de Abraão e herdeiros segundo a promessa” (Gl 3.26-29). 

Utiliza ainda a expressão “irmão amado e fiel ministro” para Tíquico (Cl 4.7); “fiel ministro de Cristo” para Epafras (Cl 1.7) ou “homem de Deus” para Timóteo (1Tm 6.11). 

Em suas epístolas, o apóstolo Pedro também prefere utilizar outra expressão ao invés de “discípulos”. Pedro se refere aos que creem em Jesus assim: “Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos eleitos que são forasteiros da Dispersão” (1Pe 1.1). 

Ele chama os seguidores de Jesus de pedras que vivem (1Pe 2.5). Chama de “raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus” (1Pe 2.9). “Eles são chamados de “bons despenseiros da multiforme graça de Deus” (1Pe 4.10). Pedro os chama de amados (2Pe 3.1, 3.14, 3.17). 

O apóstolo João utiliza a expressão “filhinhos” (1Jo 2.1, 2.12,2.18,3.18, etc) porque em sua visão teológica já somos filhos de Deus (1Jo 3.1). Ele afirma: “agora somos filhos de Deus” (1Jo 3.2). E afirma que devemos amar aos nossos irmãos para permanecermos na luz (1Jo 2.10-11). 

Ele coloca o que diferencia um filho de Deus do filho do diabo: a prática da justiça e amar ao seu irmão (1Jo 3.9-10). 

O apóstolo João ainda utiliza a expressão “amados” (1Jo 4.1, 4.7, 4.11) e “irmãos” (1Jo 3.13). E diz: "aquele que diz estar nele deve andar como ele andou" (1 Jo 2.6). Os discípulos devem caminhar para serem iguais ao Mestre Jesus. 

Wesley criou métodos para a busca da salvação e santificação 

No período da liderança de Wesley, o metodismo não era uma Igreja. Nem a Ceia do Senhor e o batismo eram ministrados inicialmente pelos metodistas. 

A Sociedade Unida começou em fins de 1739 quando cerca de oito a dez pessoas procuraram Wesley convencidas do pecado e suspirando pela sua redenção [140]. 

Ele definiu a Sociedade como um “grupo de homens procurando o poder da piedade, unidos para orarem juntos, para receberem a palavra de exortação e para vigiarem uns pelos outros em amor, a fim de que possam auxiliar-se mutuamente a conseguir a sua salvação.”[141] 

Wesley organizou a Sociedade em Bands e Classes: “Para que seja mais claramente compreendido que os membros das Sociedades estão operando a sua salvação, serão divididos em pequenos grupos chamados Classes”.[142] 

A organização metodista funcionava assim: 

Reuniões de Sociedades; Era o maior encontro metodista geralmente aos sábados. Era para as pessoas que desejavam fugir da ira vindoura e buscar um viver santo.  Era para quem participava de uma classe. Eles se reuniam para o louvor, ouvir o sermão, orações, Festa do Amor, vigílias etc. 

João Wesley cita a sua visitação em diversas sociedades metodistas: Norwich, Londres, Kingswood, Weaver Hall, Colchester, Hemnal, Sunderland, Tanfield, Bristol, Fetter-Lane[143] etc. Ele contava com seu irmão Carlos Wesley e outros líderes para o apoio às Sociedades. 

Reuniões de classe. A reunião de classe era um fórum mais ou menos democrático, onde banqueiros e mineiros, jovens e idosos, alfabetizados e analfabetos podiam sentar juntos. At first, “class meetings met in homes, shops, school rooms, attics-even coal bins-wherever there was room for ten or twelve people to assemble.” The leadership of classes was open to both genders. As reuniões de classe aconteciam em casas, lojas, salas escolas, sótãos, minas de carvão onde quer que houvesse espaço para dez ou doze pessoas se reunirem.[144] 

A classe foi o ponto principal metodista de despertamento dos candidatos que ainda não tinham experimentado a justificação pela fé e a vida nova, mas que desejavam tal experiência.[145] 

As reuniões semanais para compartilhar a confissão e os exames periódicos dos membros da classe formaram a base do conceito de responsabilidade mútua.[146] 

Michael Henderson, em seu livro Um modelo para fazer discípulos, afirma que Wesley tinha a convicção de que devia haver uma separação entre a instrução e a edificação. Elas devem ser vistas como duas funções distintas. Instructional sessions are given over to teaching. Sessões de instrução são de responsabilidade do ensino (docente).On the other hand, the cells are for personal encouragement and no teaching is allowed—only intimate sharing, confessions, and personal reporting of spiritual experiences. Por outro lado, as células são para encorajamento pessoal, partilha íntima, confissões e relatório pessoal de experiências espirituais.[147] 

Reuniões de band (grupos de três a cinco). Os bands foram formados por aqueles que estavam nas classes que já tinham a justificação pela fé e desejavam continuar a busca pela perfeição cristã. O band foi projetado com a finalidade de comunhão espiritual e supervisão uns pelos outros. Um líder era escolhido dentre os membros do band.[148]

Além desses grupos havia ainda dois grupos adicionais: 

Band penitente. Este band de desviados foi projetado especialmente para pessoas sinceras que, por alguma razão, foram recapturadas por algum pecado. Elas queriam fazer o bem, mas não tinham encontrado a força e a disciplina para abandonarem completamente seus pecados e permanecerem no caminho para a perfeição. Esse band se reunia nas noites de sábado.[149] 

Sociedade Seleta. A sociedade seleta foi um pequeno grupo de metodistas. Only the most faithful and dedicated were invited. Só os mais fiéis e dedicados eram convidados por Wesley. Não tinha regras eIt had no official não teve nenhum oficialleader. líder. Qualquer topic or concern of the leadership team could be discussed. tópico ou preocupação da equipe de liderança poderia ser discutido. 

O propósito era Wesley'savançar na perfection, to help them love each other more, to improve every perfeição ajudando a amar mais uns aos outros para melhorar cada leadership talent, and also “to have a select company, to whom I might liderança e também para Wesley ter um grupo onde pudesseunbosom myself on all occasions, without reserve; and whom I could se confessar sem reservas.[150] 

Festa Ágape. João Wesley fez da Refeição Ágape ou Festa do Amor o ponto central das reuniões trimestrais que eram encontros regulares das muitas classes em qualquer paróquia. Como inicialmente o metodismo não tinha ministros ordenados e não celebrava o Sacramento da Ceia, a Festa Ágape se tornou a refeição comunitária dos metodistas. 

Os elementos da refeição ágape são o pão e a água que diferencia do Sacramento da Santa Ceia.[151] O objetivo era partirem o pão juntos seguindo o costume da Igreja Primitiva onde relatavam publicamente suas experiências cristãs.[152] 

Wesley relatou sobre diversas Festas do Amor em seu Diário. Para ele, a Festa do Amor “é a convocação familiar, em que todas as pessoas, homem ou mulher, têm liberdade de falar alguma coisa para a glória de Deus”.[153] 

Seus relatos são de manifestação do amor e poder de Deus. Em 1761, escreveu: “Depois do sermão, tivemos uma Festa de Amor. Foi hora deliciosa. Deus derramou abundantemente seu Espírito sobre nós”.[154] No mesmo ano, disse: “Tivemos uma confortável Festa de Amor, na qual diversos relataram as bênçãos que tinham alcançado recentemente.”[155] 

Ecclesiola na Ecclesia 

A visão de Wesley era que o metodismo foi levantado por Deus também para reformar a Igreja Anglicana. 

Ecclesiola na Ecclesia era um plano que “consistia em trabalhar em prol da reforma das igrejas, por meio de uma organização dentro daquelas igrejinhas (ecclesiolae) como o único meio de manter nelas a vida espiritual”[156] 

Ecclesiola na Ecclesia “significa 'pequena igreja na igreja’ ou ‘pequenas igrejas’ dentro de uma igreja ".[157] 

Na visão de João Wesley, a church needed constant reform and the Methodist societies benefitted from the Igreja mãe (Anglicana) precisava de uma reforma constante mother church's polity, church discipline and correct doctrinal judgm.[158] 

Para ele, a comunhão de fé demonstrada tanto em pensamento como em practice how an intentional and committed group of Christians could be within a práticas por um grupo intencional e comprometido poderia estar dentro de uma church with a gracious and holy purpose without raising the specter of schism. igreja com um propósito gracioso e santo sem levantar a ideia de cisma.[159]

Em Savannah, Geórgia, abril de 1736, Wesley começou a Ecclesiola na Ecclesia: “E concordamos em, 1. Recomendar aos mais compromissados entre eles para se organizarem numa espécie de pequena sociedade, e se reunirem uma ou duas vezes na semana, a fim de admoestar, instruir e exortar uns aos outros”.[160] 

Na Inglaterra, ele fez o mesmo. “Toda a sociedade foi então dividida em classes (do latim classis, ou ‘divisão’), subdivisões por vizinhança de cerca de doze pessoas, cada classe tendo um líder determinado.[161] 

Passou a ser pratica comum de Wesley visitar as classes: “Por três dias visitei a Sociedade (em Bristol)”[162]. Comecei a visitar as Classe em Londres”[163]. Comecei visitando a Sociedade (em Norwich)”.[164] 

O metodismo foi um movimento, não uma denominação. Christians who affiliated with Methodism were usually members in other churches. Os cristãos filiados ao Metodismo eram geralmente membros de outras igrejas. As such, the Wesleys did not want to separate from any legitimate expression of the Body of Christ. Como tal, os irmãos Wesley não queriam separar-se de qualquer expressão legítima do Corpo de Cristo. When John Wesley wrote “The General Rules of The United Societies” in 1744, he made that very clear. Quando John Wesley escreveu "O Regulamento Geral das Sociedades Unidas" em 1744, ele deixou isso muito claro. From the beginning, Methodism was an ecumenical movement, as well as a reforming movement within the Church of England. Desde o início, o metodismo era um movimento ecumênico, bem como um movimento de reforma dentro da Igreja da Inglaterra.[165] 

Kenneth Collins, a long-time professor of Wesley's theology at Asbury TheologicalKenneth Collins, professor de longa data da teologia de Wesley no Seminário Teológico AsburySeminary in Kentucky, USA, has recently published a book that may be useful to a, em Kentucky, EUA, afirmou que o movimento que Wesley desenvolveu tornou o metodismo uma ordem evangélica within ecclesia Anglicana.dentro da Ecclesia Anglicana[166]. 

Steve Harper, professor de formação espiritual e Estudos de Wesley no campus da Florida-Dunnam do Seminário Teológico Asbury, em Orlando, afirma que o “metodismo foi visto do começo ao fim como um "ecclesiola en ecclesia", uma "pequena igreja dentro da igreja grande." Pretendeu-se desenvolver discípulos que seriam os melhores membros imagináveis da igreja.[167] 

O propósito era reformar a Igreja Anglicana. Os Bands e Classes serviriam para esse fim. Foram pequenas igrejas dentro da Igreja Anglicana.


Discipulado na visão dos três

 

 

O discipulado de Jesus, Paulo e Wesley gerou um poder na vida dos seus discípulos e impactou o mundo. 

Temos muito que aprender com Jesus, Paulo e Wesley na prática do discipulado nos dias atuais. 

Destacamos o seguinte do discipulado dos três: 

As tarefas dos Talmidim 

Com Jesus aprendemos como conviver, preparar e capacitar os talmidim (discípulos). 

Foram três anos de preparação, prática e convivência. Nesse período, Jesus os enviou para realizar curas, expulsar demônios e anunciar a chegada do Reino de Deus, mas somente depois deles estarem completamente preparados é que Jesus os envia para fazerem os seus próprios discípulos. 

Acima de tudo, Jesus nos ensina que discipulado é relacionamento. Jesus chamou doze para permanecerem com ele: "E constituiu doze, para que ficassem com ele, para enviá-los a pregar, e terem autoridade para expulsar os demônios" (Mc 3.14-15). 

Mas, nesse momento, não os enviou para constituírem discípulos. Só depois de Sua ressurreição (Mt 28.18-20). Em grande parte, o discipulado de Jesus foi o do “pé na estrada” com a poeira da Palestina a ponto dele dizer que o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça (Mt 8.20). 

Essa atitude de Jesus nos ensina ainda que somente deve ter seu próprio grupo de discipulado, os que participaram também de um discipulado completo incluindo a cruz, a ressurreição e o Pentecostes. 

E mais, para ser um líder de um pequeno grupo deve haver o chamado do Senhor e a unção do Espírito Santo. 

Jesus não deu ensino bíblico aos discípulos e sim ensinamentos práticos sobre a vivência em amor, humildade, fidelidade, justiça, misericórdia etc. 

Isso deve nos lembrar que o discipulado, fundamentando em Jesus, não deve ser somente de estudo bíblico, mas especialmente de estímulo a viver como sal da terra e luz do mundo, como testemunhas de Jesus.

 Aprendemos ainda que por mais que preparemos adequadamente os discípulos poderá haver um Tomé que dúvida; um Pedro que nega e um Judas que traí. 

Mas também haverá um Tiago que estará disposto a se tornar mártir; um João que será exemplo de discipulado amado; um Pedro que passará pela experiência com o Pentecostes e será testemunha do Senhor e um Paulo, que, embora não tenha feito parte do grupo de discipulado de Jesus, será de grande valor. 

Apesar dos “Demas” e “Alexandres”, que abandonaram Paulo (2Tm 4.10-14), Deus levantará outros que sejam fiéis, amem missões e o discipulado; haverá sempre um novo casal “Priscila e Áquila”, que sejam consagrados; um novo “Barnabé”, cheio do Espírito Santo; e novos jovens evangelistas “Timóteos”. 

Os talmidim tinham quatro tarefas principais: memorizar as palavras do rabino; aprender as tradições e interpretações do rabino; imitar as ações do rabino e formar outros talmidim.[168] 

Com Jesus não foi diferente. Entre as tarefas dos discípulos de Jesus estavam: amar uns aos outros: “Nisso conhecerão todos que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo 13.35). 

Outra tarefa importante dos discípulos de Jesus era dar frutos: “Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos” (Jo 15.8). 

A mais importante tarefa dos discípulos de Jesus era fazer novos discípulos: “Portanto, ide fazei discípulos de todas as nações” (Mt 28.19). 

Essas tarefas continuam hoje sendo fundamentais no discipulado. 

O que não é necessário hoje é ter que repetir um grupo de 12. Isso seria mera formalidade. Pode haver grupo de 5, 7, 10, 15 pessoas num pequeno grupo. A Igreja Primitiva decidiu escolher um novo apóstolo para substituir Judas. Mathias foi o escolhido (Atos 1.15-26), mas nunca mais se ouviu falar nele. Quando o apóstolo Tiago foi morto por Herodes (Atos 12.1-2), a Igreja Primitiva não mais escolheu um novo apóstolo para constituir o grupo dos doze. 

O que não pode faltar é a mensagem da cruz, a santidade, a vida de amor e a unção do Espírito. 

O que não pode faltar é a tarefa de fazer discípulos. E para isso precisamos dar prioridade em fazer discípulos. Jesus ministrou às multidões pelo menos 17 vezes de acordo com a Bíblia. However, there are approximately 46 mentions in the Bible where He spent His time in private with His disciples.No entanto, aproximadamente 46 vezes é mencionado na mesma Bíblia Jesus passando o tempo em particular com os seus discípulos.[169] 

O mestre no aperfeiçoamento dos santos 

Na cultura greco-romana, o mestre da tradição judaica e da estrada da Palestina passou a estar agora inserido na estrutura eclesiástica, no corpo de Cristo, e integrado a outros ministérios com o propósito de aperfeiçoar os santos (Ef 4.11-13). 

Depois de pregar o Evangelho, aperfeiçoar os santos deve ser a principal função da Igreja, que deve ter ministérios com esse propósito: “E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo” (Ef 4.11-12).

Precisamos retomar a visão da participação do mestre na formação dos talmidim (discípulos). Na visão de Paulo, a figura do mestre passou a estar integrada a outros ministérios - os apóstolos, profetas, pastores e evangelistas – no aperfeiçoamento dos santos para que eles cheguem a ser igual ao Mestre Jesus. 

Como resultado da graça de Deus, o ministério do Mestre continua nos dias atuais. 

Com o apóstolo Paulo aprendemos qual deve ser o propósito de uma Igreja. Ela é muito mais do que uma instituição humana. É corpo de Cristo. Somos membros desse corpo e membros uns dos outros. 

Hoje somos chamados ainda a ser santos, membros do Corpo de Cristo e filhos e filhas de Deus pela fé em Jesus. 

O líder do pequeno grupo, o mestre, no aperfeiçoamento dos santos, deve ser mais valorizado em nossas igrejas locais. E algo fundamental no processo de crescimento espiritual e numérico da Igreja. 

O pastor pode ser mestre também, mas biblicamente pode haver diversos mestres numa igreja local. A Bíblia se refere a mestres no plural na igreja local (cf Atos 13.1; Ef 4.11; 1Co 12.28). 

A Igreja deve ser santa para que vos “torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração corrupta e perversa, entre a qual resplandeceis como luzeiros no mundo” (Fp 2.15).

Quando Paulo diz que todos devem chegar à medida da estatura da plenitude de Cristo (Ef 4.13), ele está dentro da visão do discipulado judaico cujos discípulos (talmidim) deveriam se tornar como seu mestre. 

Assim, ele diz à Igreja em Filipos para terem o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus (Fp 2.5-11). Diz à Igreja em Éfeso para andarem em amor, como também Cristo nos amou (Ef 5.2). 

Diz ainda para eles perdoarem “como também Deus, em Cristo, vos perdoou” (Ef 4.32). 

A Igreja existe para apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível (Ef 5.27). 

Buscando a justificação e a santidade 

Em termos de pequenos grupos, aprendemos com Wesley sua estratégia para reformar uma Igreja tradicional e desenvolver a santidade e a salvação. 

Wesley recebeu a vocação dada por Deus para reformar a nação e, em particular a Igreja Anglicana, e espalhar a santidade bíblica por toda a terra. 

Ele desejava reformar a Igreja através dos pequenos grupos, mas desenvolvendo a santidade e salvação: “Para que se possa discernir mais facilmente se estão realmente realizando a sua salvação, cada sociedade é dividida em grupos menores chamados classes, de acordo com as suas residências.”[170]      

Ele criou pequenos grupos com esse propósito. Seu propósito foi criar pequenas igrejas para reformar a Igreja Anglicana. 

Impedido de pregar nas Igrejas Anglicanas, Wesley foi pregar nas praças, cemitérios e tantos outros lugares e criou também os pequenos grupos. 

Wesley priorizou os pequenos grupos por causa de uma convicção: "Eu estou mais e mais convencido de que o próprio diabo não deseja nada mais do que isso, que as pessoas de qualquer lugar devem ser semiacordadas e depois abandonadas a si próprias para adormecerem novamente."[171] 

Por isso, nos pequenos grupos havia semanalmente um “inquérito” sobre como a alma de cada um havia prosperado.[172] 

A disciplina era fundamental para Wesley. Ele disse: "A alma and the body make a man. e o corpo fazem um homem. The spirit and discipline make a Christian.”O espírito e a disciplina fazem um cristão."[173] 

Nos dias de hoje, com os pequenos grupos de Wesley, aprendemos sobre seu grande propósito de ser apoio na busca da santidade e salvação.

Os pequenos grupos em igrejas locais tradicionais contribuirão para uma maior comunhão, liberdade, mobilização, santidade, crescimento etc. 

Para Wesley, a “Igreja em Éfeso, como o próprio Apóstolo o explica significa os santos, as pessoas santas ‘que estão em Éfeso e lá se reúnem para cultuar a Deus, o Pai, e seu Filho Jesus Cristo”.[174] 

Onde não é possível uma abertura maior à graça de Deus e onde não é possível haver comunhão por causa do formalismo, os pequenos grupos permitem uma maior liberdade. 

Podemos ser aquecidos em amor e fortalecidos na fé nos aproximando mais uns dos outros gerando maior unidade. 

A própria igreja deve proporcionar as reuniões dos pequenos grupos onde as relações podem crescer entre as pessoas e eles sejam capazes de descobrir as necessidades e ajudar uns aos outros. 

Devemos ter o cuidado para evitar querer formar acadêmicos de teologia ou de somente passar informações bíblicas e teológicas. 

O propósito dos metodistas na Inglaterra era de estar em prontidão espiritual, sob a direção de um líder treinado. Não era um encontro de aprendizado acadêmico. They met weekly in the evening for mutual confession of sin and accountability for growing in holiness. Eles se reuniam semanalmente à noite para a confissão mútua de pecados e prestação de contas para crescer em santidade.[175] 

Muitos dos pregadores locais eram líderes das classes. Eles eram escolhidos pelo caráter. 

Diante dos que se apresentavam para receber atribuição de pregadores locais, Wesley lhes perguntava: (1) Tens a Graça? (experiência viva com Cristo). (2) Tens os dons? (reconhecimento do chamamento do Espírito). (3)Tens os frutos? (comprovação na prática da Graça e dos Dons).[176] 

Devemos ter o cuidado com o triunfalismo. Wesley teve também dificuldades com algumas classes e bands. Teve dificuldades com alguns líderes. Algumas classes diminuíram no número de participantes, outras cresceram, mas ele não desistiu por causa disso. Ele acreditou no propósito de Deus para aquele momento histórico. 

Os discípulos de Jesus faziam perguntas ao seu Mestre. Nos pequenos grupos de Wesley as pessoas abriam seus corações para falar do estado de sua alma para encontrar apoio no grupo. Hoje precisamos reaprender sobre essa prática. 

As reuniões dos pequenos grupos hoje não podem ser de meras palestras, leituras de textos bíblicos ou de comentário dos estudos. 

Os “talmidim” de hoje precisam ter espaço para fazerem perguntas, como os discípulos de Jesus faziam, e devem também ter espaço para abrirem seus corações para serem ouvidos e ministrados, como nos pequenos grupos de Wesley. 

Deve haver um profundo acompanhamento dos mestres (Iíderes de pequenos grupos) no desenvolvimento espiritual dos talmidim (discípulos). 

Nos pequenos grupos de Wesley os líderes compartilhavam “honestamente sobre suas falhas, pecados, tentações, ou batalhas interiores. Eles foram os modelos para os outros. 

As reuniões de classe giravam em torno da experiência pessoal, não doutrina ou informação bíblica. O amor perfeito foi o objetivo das reuniões de classe”.[177] 

Nos dias de hoje, é fundamental treinar novos líderes como um exército do Senhor, mas que sejam santos e irrepreensíveis; que sejam disciplinados tendo o propósito de levá-los à santidade. 

Wesley trained and mobilized a massive army of leaders, putting as many as 1 in 10 of his members into leadership roles - barbers, blacksmiths, bakers, men and women. Wesley treinou e mobilizou um exército maciço de líderes colocando um de cada dez dos seus membros em cargos de liderança - barbeiros, ferreiros, padeiros, homens e mulheres. 

Uma dThe job description of those who looked after societies and classes was: “preach, teach, study, travel, meet with bands, classes, exercise daily and eat sparingly.DDescrição do trabalho daqueles que cuidavam das sociedades e classes enumera algumas de suas atividades: pregar, ensinar, estudar, viajar, conhecer, fazer exercícios diários e comer com moderação.[178] 

Na escolha dos líderes hoje estará o sucesso do pequeno grupo. Uma grande parte do sucesso no sistema de classes tinha a ver com a liderança. 

A formação da classe operária inglesa teve origem nas classes e bands de Wesley.[179]É fundamental, portanto, preparar novos líderes, valorizar o ministério do mestre. 

Precisamos retornar à ênfase de Wesley quando as pessoas eram ouvidas nos pequenos grupos. 

Wesley chamava de “conversa íntima” a função central dos bands e nas classes havia uma abertura do coração de cada um sobre a semana que passou. 

O objetivo era prestar contas e sustentar um ao outro com seu testemunho. A parte principal era o “relatório sobre a sua alma”.[180] 

Pelo menos, em parte, hoje podemos retomar essa prática porque além dos pequenos grupos (edificação) temos a Escola Dominical (instrução, ensino). 

Certainly we cannot replicate Wesley's process completely, but we can transmit the important principles into our local congregations.Certamente, não podemos reproduzir o processo de Wesley completamente, mas podemos transmitir os princípios importantes em nossas congregações locais. Gathering in groups for spiritual accountability can help foster our faith and help us grow in Christlikeness.Reunir em grupos de prestação de contas espiritual pode ajudar a promover a nossa fé e a crescer na semelhança de Cristo.[181] 

Portanto, dentro da visão wesleyana é fundamental hoje priorizar o discipulado. Afinal, o metodismo começou com os pequenos grupos. 

Being a faithful follower of Christ requires our investment in the journey of othe

As palavras de George Whitefield comentando sobre a prática dos pequenos grupos de Wesley ainda nos falam nos dias de hoje: “Meu irmão Wesley agiu sabiamente, as almas que foram despertadas em seu ministério ele as reuniu em sala de aula e, assim, preservou os frutos de seu trabalho.This I neglected, and my people are a rope of sand.” This is in keeping with the theological emphasis Wesley placed on sanctification—it would not be enough to “get people saved” through field preaching or revival meetings, God desires that we orient our entire affections toward him. Isso eu tenho negligenciado e o meu povo é uma corda de areia”.[182] 

Whitefield pregava a grandes multidões, mas não seguiu o modelo dos pequenos grupos de Wesley. 

Os pequenos grupos cumprem a sua função quando eles proporcionam a cura das feridas internas e abrem espaço para todos se expressarem sobre as suas dificuldades e vitórias; os pequenos grupos cumprem a sua função quando eles proporcionam intimidade com Cristo gerando uma maior comunhão de uns com os outros; os pequenos grupos cumprem a sua função quando eles proporcionam o revestimento do Espírito Santo e direcionam a uma disciplina e responsabilidade mútua. 

Os pequenos grupos cumprem a sua função quando os líderes e discípulos seguem os passos do discipulado de Jesus, Paulo e Wesley. 

Assim, poderemos experimentar as palavras de João Wesley, que afirmou: "a Igreja não transforma o mundo fazendo convertidos, mas fazendo discípulos."[183]

                                                                                                                    

           

 

 

 



[1] talmid Chacham (hebraico: תלמיד חכם, 'sábio estudante; pl. talmidei chachamim, em talmúdica hebraico talmidh hakham e talmidhe - http://www.wordaz.com/talmidim.html.

[2] http://www.mundocristao.com.br/noticiasdet.asp?cod_not=341.

[3] http://edrenekivitz.com/blog/2011/01/talmidim/

[4] www.cgsaomateus.com.br/gcem/boletim-de-gcem/

[5] http://www.torahviva.org/index.php?p=5_90_Seguindo-o-Rabino-Yeshua

[6] TAYLOR, William Carey. Dicionário do Novo Testamento Grego. Casa Publicadora Batista, 1959, p.14.

[7] WILLIAMS, C., Igreja: Onde Estás? SP, Imprensa Metodista, 1968, p. 39.

[9] TAYLOR, William Carey. Dicionário do Novo Testamento Grego.Casa Publicadora Batista, 1959, p.14.

[10] DIETRICH, S., O Desígnio de Deus. SP, Edições Loyola, 1972, p. 141.

[11] http://www.dwillard.org/articles/artview.asp?artID=134

[12] http://pesformosos.com/revive-israel-rabino-j/

[13]  Dicionário do Novo Testamento Grego. Didaskolos. Juerp, Casa Publicadora Batista, p.57.

[15] http://www.doulospress.org/upload/Didaskalos_The_Teacher.pdf

[16] A Bíblia de Jerusalém. Edições Paulinas, 1985, p.2227.

[17] http://wwwescoladetirano.blogspot.com.br/

[18] Bíblia de Jerusalém. Edições Paulinas, 1985, p.2086.

[19] TAYLOR, William Carey. Dicionário do Novo Testamento Grego.Casa Publicadora Batista, 1959, p.14. 

[20] Dicionário do Novo Testamento Grego. Juerp, Casa Publicadora Batista, p.242.

[21] Idem, p.243. 

[22] HEITZENHATER, Richard P. Wesley e o povo chamado metodista. Editeo- Pastoral Bennett, 1996, p. 78.

[23] http://www.goforthall.org/articles/jw_dscplshp.html

[24] Idem.

[25] HEITZENHATER, Richard  P. Wesley e o povo chamado metodista. Editeo-Pastoral Bennett, 1996, p.21.

[26] Ibidem, p.24.

[27] Ibidem., p.24.

[28] HEITZENHATER, Richard P. Wesley e o povo chamado metodista. idem, p.78.

[29] http://wesley.nnu.edu/?id=92

[30]http://wesley.nnu.edu/john-wesley/the-life-of-john-wesley-by-john-telford/the-life-of-john-wesley-by-john-telford-chapter-5/

[32] Idem.

[33] Idem.

[34] Idem.

[35] HEITZENHATER, Richard  P. Wesley e o povo chamado metodista. Editeo-Pastoral Bennett, 1996,p.66.

[36] HEITZENHATER, Richard  P., Ibidem., p.78.

[37] Ibidem, p.79;

[38] RUMBLE, L. “Os Metodistas” em Vozes em defesa da fé. Petrópolis:Editora Vozes Limitada, 1959, p.30.

[39] KLAIBER, Walter; MARQUARDT, Manfred. Viver a graça de Deus. Editeo-Editora Cedro, 1999, p. 302.

[40] Em 1739, com tendências morávias, Philip Henry Molther, passou a ensinar nas sociedades de Londres que não havia meios de graça e sim Cristo. Eles deveriam permanecer "quietos", diante do Senhor. Essa "teologia sublime" era contrária "a tudo em que Wesley há muito tempo cria e praticava". Wesley exortou as sociedades a esperarem no Senhor em todas as sua ordenanças (HEITZENHATER, Richard  P., Ibidem, p.106).

[41] HEITZENHATER, Richard  P.  Ibidem, p. 84.

[42] Ibidem, p. 45.

[43] BURTNER, Robert; CHILES, Robert. Coletânea da Teologia de João Wesley, ibidem, p.264.

[44] http://www.disciplewalk.com/files/Joel_Comiskey_Methodist.pdf.

[45] http://www.nph.com/nphweb//html/ht/article.jsp?id=10008759

[46] http://www.andrewthompson.com/

[47] Idem.

[48] WESLEY, João Wesley. Trechos do Diário de João Wesley. Traduzido por Paul Eugene Buyers. Junta Geral de Educação Cristã, 1965, p.41.

[49] HEITZENHATER, Richard P., Ibidem, p.104.

[50] http://www.disciplewalk.com/files/Joel_Comiskey_Methodist.pdf.

[51] LELIÈVRE, Mateo. João Wesley, Sua vida e obra. Editora Vida, 1997, p.118.

[52] Existiam diversas sociedades na Inglaterra. Wesley e outros líderes do Clube Santo lideravam algumas, mas não necessariamente elas eram consideradas metodistas (HEITZENHATER, Richard P., Ibidem, p.103).

[53] http://blogs.nazarene.org/rev4/2011/04/02/the-bands.

[54] Idem.

[55] Obras-de Wesley Vol. 2, pg. 2, pág. 204. 204: www.goforthall.org/articles/jw_dscplshp.html.

[56] http://housechurch.org/miscellaneous/wesley_band-societies.html

[57] http://coregroups.org/threestrandmodel.html

[58] Cartas Vol. 4, pág. 3, To George Merryweather 3, Para George Merryweather:  www.goforthall.org/articles/jw_dscplshp.html

[59] http://www.disciplewalk.com/files/Joel_Comiskey_Methodist.pdf.

[60] Idem.

[61] http://www.disciplewalk.com/files/Joel_Comiskey_Methodist.pdf.

[62] www.goforthall.org/articles/jw_dscplshp.html

[63] Idem.

[64] LELIÈVRE, Mateo. João Wesley, Sua vida e obra., ibidem, p.366.

[65]http://www.bhd.bz/methodistchurch/index.cfm?menuid=6&action=newsview&retrieveid=50. Dr. George Hunter é Diretor e Professor de Evangelismo e Crescimento da Igreja no Seminário Teológico Asbury.

[66] WESLEY. João. Trechos do Diário de João Wesley. São Paulo: JGEC, 1965, p.75.

[67] As Obras de John Wesley, vol. VIII, p.47.)

[69] http://coregroups.org/core3strand.html

[70] http://www.disciplewalk.com/files/Joel_Comiskey_Methodist.pdf

[71] http://pt.wikipedia.org/wiki/Gra%C3%A7a_preveniente - Graça preveniente é divina graça que precede a decisão humana. Ela existe antes de e sem referência a qualquer feito humano. Como os homens foram corrompidos pelo efeito do pecado, a graça preveniente permite as pessoas exercerem o seu livre-arbítrio dado por Deus, podendo então, escolher a salvação oferecida por Deus em Jesus Cristo ou rejeitar a oferta salvífica.

[72] http://christianity.livejournal.com/3228115.html.

[74] Edward P.Thompson afirma que o metodismo talvez tenha inibido a revolução (A Formação da Classe Operária Inglesa. 2 v. Ibidem, p.264). Já o historiador francês Elie Halévy (1870 -1938), no livro História do Povo Inglês no século XVIII, afirma que a Inglaterra tem uma dívida com o metodismo porque ele impediu a Revolução semelhante a da França, em 1789.

    [75]JOY, James Richard. O Despertamento Religioso de João Wesley, Ibidem, p. 96.

[76] WESLEY, João. Trechos do diário de João Wesley. Ibidem, p.130.

[77] ______. Explicação clara sobre a perfeição cristã. Ibidem, p.52, 130.

[78] Ibidem, p.52.

[79] http://ericswanson.blogspot.com/2005/07/john-wesleys-class-meetings-by-d.html

[80]WESLEY, João. Sermões de Wesley. 1 v, Ibidem, p.53.

[81] KLAIBER Walter;  MARQUARDT, Manfred, Ibidem, p.302.

[82] WESLEY, João. As marcas de um Metodista. São Paulo: Imprensa Metodista, [s.d], p.1

[83] HEITZENHATER, Richard P., Ibidem, p.252.

[84] Em 1773, em Pensamentos sobre a presente escassez de alimentos, Wesley “culpa a carência de alimento e habitação a um ciclo de ganância entre os que ´têm`, e não a preguiça dos que não ´têm`. Ele declara mais particularmente que a causa do problema pode ser reduzida a ´destilação’ (NT –  isto é, fabricação de bebidas alcoólicas), imposto e luxo” (Ibidem, p. 253).

[85] WESLEY, João. Trechos do Diário de João Wesley. Ibidem, p.111.

[86] HILL, Christopher, Ibidem, p.65.

[87] REILY, Duncan Alexander. Metodismo brasileiro e wesleyano, p.149-0.

[88]BONINO, José Miguez. Metodismo: releitura latino-americana [s.ed], Unimep-Faculdade de Teologia da Igreja Metodista, 1983, p. 9. Nas páginas seguintes, as ações de Wesley contra a pobreza são destacadas.

[89] REILY, Duncan Alexander, Ibidem, p.153.

[90] WALKER, Welliston. História da Igreja Cristã. 2  v. São Paulo: ASTE, 1967, p. 203.

[91]ENSLEY, Francis Gerald. João Wesley, o Evangelista, Ibidem, p.109.

[92] Um "penny" significa um centavo de libra esterlina (HEITZENHATER, Richard P. Ibidem, p.128).

[93] “Essa ênfase particular em ‘amar o próximo’ e seguir o exemplo de Cristo (que ‘andou por toda a parte fazendo o bem’, Atos 10:38), continuou a caracterizar o metodismo, quando ele entrou no reavivamento” (Ibib., p.125).

[94]BARBIERI, Sante Uberto. Estranha Estirpe de Audazes, Ibidem, p.151.

[95] HEITZENHATER, Richard P.,  Ibidem, p.167.

[96] “A Fundição se tornou o quartel general de Wesley em Londres. As dependências da reconstrução incluíam: (A) os apartamentos de Wesley, (B) seu escritório, (C) um sino batendo diariamente às 3 horas da manhã para os cultos matinais e às 4 horas da tarde para as orações vespertinas, (D) a entrada principal, (E) a entrada para o salão de pregações, (F) uma habitação para família, pregadores, etc, (F) sala de aula, sala para os grupos, (H) estábulo, (I) cocheira e quintal” (HEITZENHATER, Richard P., Ibidem, p.109).

[97] Ibidem.

[98] Ibidem, p.166.

[99] REILY, Duncan Alexander.  A Influência do Metodismo Revolução Social  na Inglaterra no século XVIII., Ibidem, p. 8.       

[100] Ibidem, p.166.

[101] Ibidem, p.127.

[102] WESLEY, João. Sermos de Wesley. v.2, ibidem, p.509.

[103] Ibidem, p.97.

[104] WESLEY, João. As marcas de um Metodista, Ibidem, p.4-5.

[105] “Em 1715 havia em todo o Reino Unido somente 1.193 escolas primárias, freqüentadas por 26.920 alunos” (LILIÈVRE, Mateo, Ibidem, p.14).

[106] LUCCOCK, Halford, ibidem, p. 65. Thomás Coke nasceu em 1747, no País de Gales, e recebeu diploma de doutor em leis. Em 1784, foi nomeado por Wesley como Superintendente do Metodismo na América. Título, posteriormente, mudado para Bispo.Idem, p.107-1.

[107] ROY, James Richard, ibidem, p. 80.

[108] HEITZENHATER, Richard P., Ibidem, p. 121.

[109] WESLEY, João.Trechos do Diário de João Wesley. Ibidem, p.64-5.

[110] REILY, Duncan Alexander, Ibidem, p. 9.

[111] LUCCOCK, Halford, Ibidem, p. 86.

[112] WESLEY, João.Trechos do Diário de João Wesley. Ibidem, p.66.

[113] Ibidem, p. 66.

[114] REILY, Duncan Alexander. A Influência do Metodismo Revolução Social  na Inglaterra no século XVIII, Ibidem,  p. 11.

[115] REILY, Duncan Alexander, Metodismo brasileiro e wesleyano, Ibidem, p.164.

[116] HEITZENHATER, Richard P., ibidem, p.40.

[117] Ibidem.

 [118] WALKER,  Welliston, ibidem, p. 206.

[119] REILY,  Duncan Alexander. A Influência do Metodismo Revolução Social  na Inglaterra no século XVIII, Ibidem Ibidem, p. 13.

[120] NICHOLS,  Robert. História da Igreja Cristã. Casa  Editora Presbiteriana, 1954, p. 193.

[121] LUCCOCK, Halford, Ibidem, p. 31.

[122] Ibidem, p. 30.

[123] LELIÈVRE, Mateo, Ibidem, p. 283.

[124] BONINO et al. Luta pela vida e Evangelização, Ibidem, p. 50.

[125] BARBIERI, Sante Uberto. Aspectos do metodismo histórico. Editora Unimep, 1983, p.15.

[126] HEITZENHATER, Richard P., op. cit, p.127.

[127] http://www.torahviva.org/index.php?p=5_90_Seguindo-o-Rabino-Yeshua

[128] Idem.

[129] http://www.jesushoje.com/era-jesus-religioso/

[130] www.jesushoje.com/era-jesus-religioso/

[131] A sheliach ( hebraico :. שליח, pl שליחים / שלוחים, shlichim / shluchim) é um membro do Chabad  ("Chabad" ( hebraico : חב"ד) é uma sigla para Chochmah , Binah , Da'at(חכמה, בינה, דעת): "Sabedoria, Entendimento e Conhecimento)  hassídico movimento que é envia pessoas para promulgar  o Judaísmo e o Hassidismo (um movimento dentro do judaísmo ortodoxo que promove a espiritualidade e existiu praticamente em todas as eras da história judaica) em localidades ao redor do mundo.As of 2010, Chabad Shluchim number about 4,500 worldwide, and can be found in the most remote worldly locales. A partir de 2010, havia cerca de 4.500 shluchim em todo o mundo. Eles podem ser encontrados nos locais mais remotos do mundo. http://en.wikipedia.org/wiki/Shaliach_(Chabad). Eles são os escolhidos, a elite. Children aspire to be shluchim , dreaming of manning a Chabad House in far-off exotic lands where strange languages are spoken.Crianças aspiram ser shluchim” -  http://www.chabad.org/global/about/article_cdo/aid/244373/jewish/The-Emissary.htm

[132] MIEN, Aleksander. Jesus Mestre de Nazaré.Editora Cida Nova, 1998, p.147

[133] http://www.torahviva.org/index.php?p=5_90_Seguindo-o-Rabino-Yeshua

[134] Idem.

[135] http://www.torahviva.org/index.php?p=5_90_Seguindo-o-Rabino-Yeshua.

[136] TAYLOR, William Carey. Dicionário do Novo Testamento Grego. Casa Publicadora Batista, 1959, p.57

[138] http://www.doulospress.org/upload/Didaskalos_The_Teacher.pdf

[139] Idem.

[140] BURTNER, Robert – CHILES, Robert. Coletânea da Teologia de João Wesley. Idem, p.264.

[141] Idem.

[142] WESLEY, João. Trechos do Diário de Wesley, Idem, p. 148.

[143] Idem, p.34-45

[144] http://blogs.nazarene.org/rev4/page/2/

[145] http://hermeneutic.org/2009/05/wesley-and-lay-ministry.html

[146] http://www.andrewthompson.com/

[147] http://www.touchusa.org/Articles/CC_archives/volume6/issue4.htm. Ele tem sido um pastor e professor de faculdade / seminário, tanto nos Estados Unidos e na África por 40 anos. Dr. Henderson is a graduate of Asbury College and Seminary, Yale University, and Indiana University. Dr. Henderson é um graduado da Asbury College e Seminário, da Universidade de Yale e da Universidade de Indiana.

[148] http://hermeneutic.org/2009/05/wesley-and-lay-ministry.html.

[149] http://blogs.nazarene.org/rev4/2011/04/02/the-penitent-bands.

[150] http://blogs.nazarene.org/rev4/2011/04/02/the-select-society/

[151] http://www.wondercafe.ca/discussion/religion-and-faith/what-agap%C3%A9-meal

[152] LELIÈVRE, Mateo. João Wesley, Sua vida e obra, ibidem, p.366.

[153] WESLEY, João.Trechos do diário de João Wesley, idem, p.104.

[154] Idem.

[155] Idem.

[156] Idem, p.69.

[157] http://www.the-highway.com/ecclesia_Lloyd-Jones.html

[158]http://www.confessingcongregations.com/uploads/Collins_-_Holy_Love.pdf

[159] Idem.

[160] http://www.the-highway.com/ecclesia_Lloyd-Jones.html.

[161] HEITZENHATER, Richard P., op. cit, p. 118.

[162] WESLEY, João. Trechos do Diário de Wesley, Idem, p.50.

[163] Idem.

[164] Idem.

[165] http://goodnewsmag.org/2011/07/22/embracing-wesleyan-spirituality.

[166] http://www.confessingcongregations.com/uploads/Collins_-_Holy_Love.pdf.

[167] http://goodnewsmag.org/2011/07/22/embracing-wesleyan-spirituality.

[168] http://www.torahviva.org/index.php?p=5_90_Seguindo-o-Rabino-Yeshua.

[169] http://coregroups.org/threestrandmodel.html.

[170] BURTNER, Robert; CHILES, Robert. Coletânea da Teologia de João Wesley, ibidem, p.264.

[171] http://coregroups.org/threestrandmodel.html.

[172] http://www.ncnnews.com/nphweb/html/ht/article.jsp?id=10008759.

[173] http://www.confessingcongregations.com/uploads/Collins_-_Holy_Love.pdf.

[174] BURTNER, Robert – CHILES, Robert. Coletânea da Teologia de João Wesley. Idem, p.259.

[175] http://coregroups.org/threestrandmodel.html.

[176] http://www.metodistasonline.kit.net/donseministerios.htm.

[177] http://www.ncnnews.com/nphweb/html/ht/article.jsp?id=10008759.

[178] http://coregroups.org/threestrandmodel.html.

[179] THOMPSON, Edward P. A Formação da Classe  Operária Inglesa. 1v. Paz e Terra, 1987.

[180] http://www.disciplewalk.com/files/Joel_Comiskey_Methodist.pdf.

[181] http://www.ncnnews.com/nphweb/html/ht/article.jsp?id=10008759.

[182] http://seedbed.com/feed/how-john-wesley-s-class-meetings-serve-as-identity-formation.

[183] Idem.

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